Colecção de videojogos – alguns "rants" e análises
Autor: cyberquake
Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Há pouco tempo quando escrevi sobre o Die Hard Trilogy para a Sega Saturn, referi que em breve falaria de um outro jogo da franchise. Claro que me estava a referir a este Die Hard Arcade, também para a plataforma de 32bit da Sega. Die Hard Arcade é um beat ‘em up em 3D bastante divertido, apesar de ser curtinho como muitos jogos arcade da Sega. No Japão o jogo é conhecido como Dynamite Deka, com a franchise Die Hard ser apenas “aproveitada” no ocidente devido a várias similaridades existentes entre o jogo e o primeiro filme. O Dynamite Deka é mais conhecido por cá na sua sequela, Dynamite Deka 2 para a Sega Dreamcast, que chegou cá como Dynamite Cop.
Jogo completo com caixa e manual
Este jogo entrou na minha colecção algures durante 2013, tendo sido comprado na Cash Converters de Alfragide por 4€, um excelente preço tendo em conta a procura do jogo. Podem ler a minha análise completa ao Die Hard Arcade no site da PUSHSTART.
Inspector Zé e Robot Palhaço em Crime no Hotel Lisboa, é certamente o videojogo português mais mediático da actualidade e com razão. É uma aventura gráfica com um visual retro, à semelhança dos grandes clássicos dos finais dos anos 80 mas mais do que isso, é uma excelente sátira ao típico Tuga, e quem viveu algo dos anos 80 certamente irá encontrar alguma nostalgia neste jogo de estreia dos Nerd Monkeys.
É um jogo repleto de um bom sentido de humor e personagens bem carismáticas, embora por vezes possa ser algo parvinho ou mesmo brejeiro, o que não tenho absolutamente nada contra. Peca infelizmente por ser algo curto, mas já estão em desenvolvimento alguns DLCs adicionais que segundo os Nerd Monkeys, serão gratuitos para quem fez a pré-reserva do jogo. O que então me engloba nessa categoria! Obrigado Nerd Monkeys!
Podem ler a minha análise completa no site da PUSHSTART, em conjunto com 3 pequenas opiniões por parte de Luís Filipe Teixeira, Ivan Barroso e Tiago Lobo Dias.
E, como eu, se quiserem ver o jogo no Steam, é só votar no Greenlight.
Já que ando numa de artigos sobre sistemas 8bit, cá fica mais uma “rapidinha” a um dos vários jogos de futebol existentes para a Sega Master System. World Cup Italia ’90, tal como o nome indica é o jogo “oficial” da edição de 1990 do campeonato do mundo de Futebol. O “oficial” esteve entre aspas, pois existem diversos jogos sobre o mesmo tema lançados especialmente em computadores em território europeu, como Amiga, Commodore 64, Atari ST, entre outros. A versão que tem o dedo da Sega saiu para a Mega Drive e para a Master System, versão que aqui trago para análise. Este jogo em particular foi comprado num bundle de uns 7 jogos de Master System que tinha comprado há uns bons anos atrás, por um valor irrisório.
Jogo com caixa e manual multilingue
No Brasil o jogo é conhecido como Super Futebol II (com o primeiro a ser o World Soccer), e essa versão eu também a possuo na minha colecção, com a colectânea “Portuguese Purple” Gamebox Série Esportes, de onde também se inclui o Great Volley e o primeiro Wimbledon. Mas noutra altura abordarei melhor essa colectânea.
Ecrã-título
Este jogo apresenta 3 diferentes modos, o World Cup, Test Match e Penalty Kick Contest, onde apenas o primeiro é exclusivamente singleplayer. No modo de World Cup funciona precisamente como a competiçao oficial se tratasse, começando pela fase de grupos até à final. A diferença é que podemos não só escolher qualquer uma das 24 selecções que fizeram parte da competição, como podemos escolher uma de 6 selecções bónus que tomam o lugar no grupo de uma outra. Infelizmente Portugal não consta da lista, mas pronto, são outros tempos. O Test Match e Penalty Kick Contest dão para 2 jogadores e tal como o nome indica, o primeiro é apenas um jogo amigável, o segundo é uma competição de grandes penalidades. Nestes 2 modos de jogo também temos as 30 selecções disponíveis.
O campo é demasiado pequeno para tanto jogador. E são só 8 por equipa!
As equipas têm os seus pontos fortes e fracos, pelo que antes de escolher uma selecção a jogar podemos observar as suas estatísticas para velocidade, kick, capacidade ofensiva e capacidade defensiva. Obviamente que quanto maiores forem os números, melhor é a equipa nesse ponto. O jogo toma uma perspectiva aérea, e infelizmente os controlos não são os melhores, principalmente quando não se tem a bola, onde é muito difícil chegar à bola antes do adversário. O facto de o campo ser tão pequeno para todos os jogadores em campo (ou os jogadores serem grandes demais, escolham a que melhor convém), também dificulta um pouco as coisas, pois é muito frequente ficar uma multidão de jogadores num espaço curto.
Graficamente o jogo começa muito bem, com um bonito ecrã título e boas animações na selecção de equipas ou nos penalties. Já no jogo em si, não gostei das cores escolhidas para o campo, e a Master System é capaz de melhor neste campo. Os efeitos sonoros são OK, tendo em conta o hardware, já a música também não deixa grandes memórias.
O modo campeonato do mundo dá para um jogador apenas.
No fim de contas, para quem gostar de jogos de futebol com esta perspectiva, então as versões Master System do Sensible Soccer ou Super Kick Off parecem-me ser alternativas bem melhores. Mas também quem estou a enganar? O público alvo deste género de jogos hoje em dia continuará a preferir jogar os novos PES ou FIFA.
A Nintendo possuia um cardápio impressionante de franchises durante a época da NES. Muitas delas tornaram-se sucessos colossais de vendas e crítica como Mario, The Legend of Zelda ou Metroid, mas muitas outras ficaram completamente esquecidas. Kid Icarus quase que se tornava numa dessas franchises perdidas nos anais da história, pois para além do lançamento do primeiro jogo para a NES em 1986 e desta sequela para Gameboy em 1991, foi apenas em 2012 que vimos um novo jogo da série, lançado para a 3DS. Ora este Myths and Monsters foi-me oferecido por um colega de trabalho, num bundle Gameboy que arranjei recentemente. Possuo apenas o cartucho e respectiva caixa plástica de protecção, pelo que um dia que venha a obter o jogo completo, este post será actualizado.
Apenas cartucho, versão americana
O jogo herda muita da mitologia da grécia antiga, incluindo monstros e criaturas mitológicas. Neste jogo controlamos Pit, uma espécie de anjo guerreiro ao serviço da deusa Palutena, com a missão de conquistar 3 artefactos sagrados que por sua vez são protegidos por poderosos guardiões. Estes artefactos irão dar a Pit poderes especiais para defrontar o exército demoníaco de Orcos, que se prepara para invadir a Angel Land, o que acaba por acontecer de facto lá mais para a frente do jogo.
Algumas das salas que podemos entrar dão acesso a dicas para o jogo
O jogo é um sidescroller de plataformas dividido em 3 áreas principais, cada uma com um conjunto de 4 níveis mais um boss. Pit está equipado com um arco com flechas infinitas, ou pode utilizar também um martelo para atacar os inimigos. Mas estes martelos podem-se partir, caso sejam utilizados em objectos especiais que por sua vez se tornam em items. Ao longo do jogo poderemos encontrar diversas salas com diferentes propósitos. Algumas servem para comprar items como poções que restauram a vida ou mais martelos para utilizar no combate. Essas lojas aceitam como moeda os coraçõezinhos que vão sendo deixados no ecrã pelos inimigos derrotados, um pouco como na série Castlevania. Um tipo de loja peculiar é o black market, onde para além dos items normais, poderemos também recuperar alguns items específicos que nos tenham sido roubados por um inimigo em particular. Outras portas que encontraremos darão acesso a diferentes salas, entre as quais uma “Treasure Room” onde podemos ganhar alguns items valiosos, dependendo da ordem em que quebramos os potes que os contêm, salas que permitem recuperar energia, outras para obter informações do jogo, ou outras ainda salas em que Zeus põe as nossas habilidades em teste, premiando-nos no final com vários powerups importantes.
Outras dão acesso a lojas onde podemos comprar diversos items utilizando os coraçõezinhos como moeda
Existem ainda outras salas a descobrir e diferentes peculiaridades, como por exemplo existir sempre um nível por zona passado numa fortaleza labiríntica, ou ainda outros tipos de salas a descobrir. Apesar de Kid Icarus ter todas estas peculiaridades que a meu ver o tornam num jogo único, sinceramente não é jogo que eu tenha apreciado por aí além. Os controlos estão bem implementados, os níveis são grandinhos e com imensos segredos para descobrir, mas no entanto este Of Myths and Monsters não é jogo que me tenha agradado particularmente. É meramente uma questão pessoal de gostos.
Graficamente é um jogo monocromático, mas bem detalhado para o hardware da Gameboy. As sprites são grandinhas e bem detalhadas, assim como os níveis que possuem zonas bem distintas entre si. A única coisa que não gostei assim muito na questão audiovisual foram mesmo as músicas que em alguns níveis estão uns furos abaixo da média, e com os níveis grandinhos que o jogo tem, acabam por se tornar bastante repetitivas.
O Grimreaper quando nos vê lança os seus minions ao combate
No fim de contas apenas consigo dizer que é um jogo tecnicamente bem feito, com imenso conteúdo a descobrir, tendo em conta a idade do jogo, mas no entanto pessoalmente não consigo gostar particularmente dele. Tenho a certeza que para os fãs do Kid Icarus original da NES irão gostar deste jogo. Já para quem conheceu Kid Icarus com o recente lançamento para a Nintendo 3DS (o que não foi o meu caso), então esperem algo de realmente muito diferente.
O Medal of Honor original, também lançado para a PS1 foi uma lufada de ar fresco nos FPS por alturas em que saiu, atingindo assim um sucesso considerável para que no ano seguinte este MoH Underground acabasse por sair para o mercado, bem como no futuro ainda despoletou uma nova “moda” de shooters sobre a 2a Guerra Mundial, incluindo a série Call of Duty, ou o actual FIFA/PES Militar como lhe gosto de chamar. Tal como Medal of Honor, este MoH Underground também entrou na minha colecção após ter sido comprado ao Mike do blog Gamechest (vão ali aos links na parte direita!) por 2.5€. Apesar de ser a versão platinum, que não levo a mal na PS1, está completo e em bom estado.
Jogo completo com caixa e manual, versão platinum.
O jogo anterior colocava Jimmy Patterson, como agente da OSS a lutar pelos aliados em diversas missões de infiltramento e sabotagem ao longo de vários teatros de guerra na europa. Antes de cada nível, recebíamos um ligeiro briefing de uma tal Manon Batiste, membro da Resistência Francesa e também da OSS. E é essa Manon Batiste com que jogamos este jogo, onde mais uma vez teremos várias missões de sabotagem por essa europa fora (e Norte de África também), culminando na liberação de Paris, repleta de confrontos “rua a rua”. No final do jogo, ainda podemos jogar uma missão bónus composta por 3 níveis, em que voltamos a encarnar no Jimmy Patterson. Essa missão é completamente hilariante e não tem nada a ver com qualquer evento histórico, sendo talvez uma sátira ao clássico Wolfenstein 3D. Aí temos de investigar um antigo castelo no meio das florestas alemãs que serviu de base para um cientista nazi realizar as suas experiências. Já estão a ver no que isto vai dar, não estão? O resultado é hilariante, com cães dançantes, outros equipados com metralhadoras ou a conduzir half-tracks, soldados zombies, mecânicos ou mesmo armaduras medievais animadas.
As velhas catacumbas que serviam de base para a resistência francesa são um dos primeiros cenários que exploramos
Os controlos são os mesmos do jogo anterior, onde temos um esquema por defeito algo arcaico, mas é possível optar entre vários outros esquemas de controlo que melhor se adequam aos shooters modernos nas consolas. O jogo continua também sem uma mira, a menos que apertemos o botão para mirar. Aí surge uma mira no centro do ecrã, que por sua vez fica estático, e apenas podemos mover a mira livremente. Isto não é um aiming down the sights, e este esquema para ter maior precisão apesar de ser mais realista, o facto de termos de estar estáticos não é uma vantagem. De resto, a nível de novidades temos o facto de podermos utilizar alguns veículos, uma das missões andamos num sidecar de uma moto, onde podemos disparar uma metralhadora pesada com munição infinita, por outro lado nalgumas missões de infiltração e sabotagem temos mais uma vez de utilizar artimanhas para passar despercebidos. No jogo anterior tinhamos de nos apropriar das id’s de alguns oficiais nazis, desta vez Manon assume o papel de uma repórter de guerra alemã, equipada com uma máquina fotográfica que podemos até utilizar para fotografar nazis em poses estúpidas.
A máquina fotográfica é aqui utilizada como ferramenta de infiltração e para tira fotos a nazis em fotos idiotas.
Visualmente é um jogo bem competente tal como a prequela. Os cenários são bastante variados, com a aventura a começar por catacumbas francesas, passando pelo norte de áfrica, grécia e os seus monumentos históricos, o monte Cassino em Itália, instalações de produção de mísseis V1, ou o regresso a Paris para a sua Liberação, onde locais como o Moulain Rouge podem ser observados. O detalhe gráfico é óptimo tendo em conta o hardware da Playstation. No entanto, como utiliza o mesmo motor gráfico do seu antecessor, o jogo herda também os seus defeitos. A draw distance em locais mais abertos pode ser traiçoeira, pois numa questão de passos deixamos de ver inimigos, mas eles nem por isso deixam de nos ver, e apesar de me ter parecido melhor neste aspecto, ainda presenciei alguns problemas de clipping que sinceramente não me incomodam assim tanto, eram coisas banais na era dos 32-bits. A inteligência artificial mais uma vez tem os seus altos e baixos, com os inimigos capazes de nos emboscar em algumas situações, noutras apenas correm para nós, noutras ainda mais bizarras ficam a correr em círculos sem sequer disparar.
Exemplo de algum do artwork que podemos desbloquear
Mas o trabalho de audio está mais uma vez de parabéns. Já o jogo anterior tinha excelente voice-acting para a época, os efeitos sonoros também muito bons e a banda sonora épica foi algo bem cinemático, novidades bem agradáveis para a altura. Esta sequela mantém o mesmo padrão de qualidade em todos esses campos. Para além da música e dos efeitos sonoros das armas, o ruído de fundo em vários níveis está também muito bem implementado.
Podemos desbloquear algumas personagens invulgares para o Multiplayer
De resto, fica apenas faltar mencionar o modo multiplayer existente neste jogo e os extras que podemos desbloquear. Falando do primeiro, este consiste num deathmatch para 2 jogadores em split-screen, onde dispomos de vários níveis para jogar e algumas opções para customizar, a sua maioria limites de tempo. Em relação aos extras, para além de desbloquear a missão secreta com Jimmy Patterson, podemos desbloquear vários cheat codes, personagens extra para o multiplayer e material do making-of do jogo, nomeadamente artwork. Também podemos rever os clips de vídeo utilizados no jogo, com várias cenas de documentários da 2a Guerra Mundial.
Assim sendo, Medal of Honor Underground é um óptimo jogo tendo em conta o hardware da PS1. O original foi excelente e revolucionário, este utiliza a mesma fórmula, introduzindo apenas uma ou outra novidade. Mas não deixa de ser um óptimo FPS no catálogo da PS1.