Star Wars Arcade (Sega 32X)

Voltando ao infame addon da Mega Drive, a 32X, um dos jogos que eu mais tinha curiosidade em jogar para essa plataforma era nada mais nada menos que este Star Wars Arcade, um jogo lançado originalmente para o sistema Model 1, desenvolvido em conjunto com a Lockheed Martin. Já referi algumas vezes o quão importante foi esse sistema arcade e mais uma vez temos uma conversão para a 32X que o usa como base. O meu exemplar foi comprado no final do ano passado a um particular. Foi comprado num lote que continha este jogo, uma Mega CD II e um Jaguar XJ220 para a Mega CD. Ficou-me tudo por 50€.

Jogo completo com caixa, manuais e papelada

Este Star Wars Arcade decorre no universo da trilogia original da saga Star Wars, onde no modo arcade poderemos pilotar uma X-Wing (no modo singleplayer) ou Y-Wing (em multiplayer) ao longo de 3 missões distintas: combater TIE-Fighters numa cintura de asteróides, destruir um Super Star Destroyer e o assalto à Death Star onde a teremos de destruir como no The Last Jedi, ao viajar até ao seu núcleo. A conversão para a 32X incluiu um 32X mode onde temos algumas missões adicionais mas que não são muito diferentes das que existem no modo normal.

Felizmente que este jogo não é apenas uma adaptação directa da versão arcade mas contém algum conteúdo extra

De resto a jogabilidade é simples, permitindo-nos jogar na primeira ou terceira pessoa e dispomos de 2 armas que podemos atacar os alvos inimigos: os raios laser com munições infinitas, e uma espécie de mísseis teleguiados que podemos disparar assim que tivermos um alvo em lockdown. Estes também possuem munição ilimitada, mas que demora algum tempo a recarregar. No caso de jogarmos no modo de 2 jogadores, a nave que pilotamos é sempre a Y-Wing, ficando um jogador encarregue de a pilotar e o outro de disparar. Depois, ao contrário de outros jogos contemporaneous como o Starwing da SNES, aqui temos toda a liberdade de nos movimentarmos em 360º, não estamos restritos a seguir um corridor invisível. Para combater os TIE-Fighters que nos perseguem é também boa ideia fazê-lo no modo de primeira pessoa, pois assim conseguimos ver a sua posição no radar.

Gosto das animações de quando entramos num hyperjump

Depois, como já referi algures acima, infelizmente as missões são algo repetitivas, pois o jogo está dividido em vários segmentos, sendo muitos deles limpar o ecrã de TIE-Fighters, com a missão a progredir posteriormente para outros objectivos, como o de destruir algumas turrets na Death Star e por aí fora. Aquela repetividade de limpar o ecrã de todos os Tie Fighters antes de progredir acaba então por cansar um pouco. Depois todas as missões são passadas no espaço, seria interessante ver alguns combates noutros ambientes como a batalha de Hoth, mas percebe-se que graficamente é mais simples de representar o espaço, afinal é o ecrã todo negro com alguns pontos brilhantes e pouco mais.

Alternar para a primeira pessoa deixa-nos poder usar o radar e assim controlar melhor os TIE Fighters que nos circundam

Passando precisamente para a parte audiovisual, mais uma vez a versão arcade possui gráficos mais limpos (os polígonos estão melhor definidos) e a acção é mais fluída. Ainda assim a conversão para a 32X não ficou má de todo, e o resultado final, a meu ver é tecnicamente muito melhor do que o de Starwing, por exemplo. Nisso a Sega tinha razão! Por outro lado as músicas poderiam ter mais qualidade, o som sai um pouco abafado. Os temas principais da saga continuam aqui presentes, os efeitos sonoros cumprem o seu papel e gosto de ouvir os poucos diálogos que o jogo possui.

Portanto este Star Wars Arcade acaba por ser um shooter interessante, tanto para os fãs de Star Wars, como para quem gostar do género em geral e possui uma 32X. Era dos poucos jogos da plataforma que eu gostaria realmente de ter e não fiquei defraudado.

Gremlins 2 (Nintendo Entertainment System)

Continuando pelas rapidinhas, o jogo de hoje leva-nos à adaptação para consolas da Nintendo do filme Gremlins 2, lançado algures em 1990. Digo adaptação para as consolas da Nintendo pois existe uma outra versão do Gremlins 2 produzida pela Elite para os vários computadores da época. Esta versão é produzida pela Sunsoft, tendo sido lançada para a NES e Nintendo Gameboy respectivamente. O meu exemplar foi comprado algures durante o mês passado a um particular, tendo-me custado uns 12€.

Apenas cartucho

Os filmes dos Gremlins são baseados nas estranhas e misteriosas criaturas peludas, que não podem nem ser alimentadas depois da meia-noite, nem molhadas com água. Se tal acontecer, a criatura fofinha dá origem a uma série de diabretes capazes de causar o caos, algo que aconteceu numa pequena cidade do interior norte-americano no primeiro filme, preparando-se para acontecer agora em plena Nova Iorque. Neste jogo tomamos o papel do próprio Gremlin “bom” que percorrerá um arranha-céus e assim derrotar todos os Gremlins maus e outras criaturas que encontrar.

Este é um jogo de acção numa perspectiva aérea que mistura conceitos de shooter com os de um jogo de plataformas. O objectivo é levar o Gizmo até à saída do nível, atravessando uma série de obstáculos e inimigos, tipicamente culminando na luta contra um boss. A jogabilidade é simples com um botão para saltar e um outro para atacar. Ao longo dos níveis e à medida que vamos combatendo os inimigos, estes vão deixando para trás alguns itens que nos poderão ajudar. O mais comum são pequenos cristais que servem de unidade monetária do jogo, mas também podemos encontrar Pogo Sticks que nos permitem saltar sobre os inimigos e derrotá-los rapidamente, de forma temporária. Temos um relógio que paralisa brevemente os inimigos no ecrã e uma lâmpada que destrói todos os que estejam presentes no ecrã.

Ao longo do jogo não vamos enfrentar outros Gremlins apenas, mas também criaturas estranhas como tomates gigantes

Para além disso, de vez em quando encontramos portas que nos levam a uma loja. É aqui que podemos trocar os cristais por alguns itens, se bem que apenas podemos comprar um item de cada vez: temos um balão (podemos carregar um máximo de 5) onde a cada vez que nos enganamos um salto e vamos caindo de um precipício, este balão é usado automaticamente, dando-nos alguns segundos para nos colocarmos em segurança. Podemos também comprar power ups temporários para a nossa arma, bem como corações extra que nos aumentam a barra de vida (mas infelizmente só até ao fim do nível) ou mesmo vidas extra. De resto, no final dos confrontos com cada boss ganhamos um upgrade à nossa arma, que, tal como nos shmups, tipicamente consegue disparar em várias direcções e com projécteis mais poderosos.

Eventualmente lá encontramos lojas secretas onde podemos comprar alguns itens que nos ajudarão

De resto a nível gráfico é um jogo minimamente competente, embora os cenários não sejam lá muito variados entre si. Mas o que me agrada mesmo são as músicas! A Sunsoft tipicamente faz um excelente trabalho neste campo e este título não é excepção à regra! Algumas das músicas são mesmo viciantes! De resto é um jogo bastante agradável de se jogar, pelo que recomendo que lhe dêm uma olhada se tiverem a oportunidade.

Secret of Evermore (Super Nintendo)

O Secret of Mana é um clássico intemporal no ramo dos action RPGs japoneses. Creio que não há dúvidas disso, tanto que a Square-Enix escolheu este jogo para um full remake em 3D para várias plataformas actuais. Depois do Secret of Mana, que no Japão era originalmente conhecido por Seiken Densetsu 2 (o primeiro jogo da série chegou até nós Europeus como Mystic Quest), a Squaresoft começou a trabalhar na próxima sequela, Seiken Densetsu 3 que acabou por sair no Japão algures em 1995. Infelizmente, e talvez devido ao mercado das 16bit estar a entrar numa fase descendente nessa altura, esse jogo nunca foi localizado. Por outro lado, o ramo Americano da Sqaresoft também tinha começado o desenvolvimento deste Secret of Evermore que partilha algumas das mesmas mecânicas de jogo que Secret of Mana, mas estava a ser desenvolvido de raiz para o mercado ocidental, tanto que os japoneses nunca o receberam. O meu exemplar foi comprado algures em 2016, num pequeno bundle de vários jogos de Super Nintendo que me ficou por 70€ no total.

Apenas cartucho, versão espanhola

O jogo começa por nos levar ao ano de 1965 à pequena cidade norte-americana de Podunk, onde algures no interior de uma mansão estava a decorrer uma experiência científica que correu mal e todos os presentes na sala desapareceram sem deixar rasto. A narrativa avança então 30 anos para os anos 90, onde encarnamos no papel de um jovem adolescente viciado em filmes de acção. O jovem, que lhe damos o nome que quisermos, estava a sair precisamente do cinema quando o seu cão começa a perseguir um gato que entra pela velha mansão abandonada, até que descobrem o laboratório secreto e uma vez mais todos desaparecem misteriosamente. Somos então levados para o estranho mundo de Evermore, aterrando inicialmente numa zona aparentemente pré-histórica, com homens das cavernas e dinossauros. À medida que vamos explorar Evermore, vamos encontrando as personagens desaparecidas de Podunk e vilões que querem dominar aquele mundo a todo o custo.

A piada deste Secret of Evermore está na variedade de cenários que vamos visitando

As mecânicas de jogo, tal como referido acima são inspiradas nas de Secret of Mana, na medida em que este é um RPG de acção com um sistema de menus em anel, ganhamos experiência à medida em que combatemos, assim como as armas que temos equipadas e as magias que desencadeamos, todos vão subindo de nível, ficando cada vez mais ponderosas. O jogo possui também um sistema de menus em anel, mas as similaridades acabam-se por aí. Apesar de termos sempre 2 personagens na party (o herói e o seu cão), este é um jogo completamente single player, na medida em que apenas controlamos activamente uma das personagens, a outra é controlada por inteligência artificial, se bem que é possível escolher o seu comportamento típico. Com o cão a vaguear sozinho, ele vai alternando entre ataque e exploração, permitindo-nos encontrar vários itens escondidos.

Como sempre não poderiam deixar de haver bosses para enfrentarmos!

A outra grande diferença perante o Secret of Mana está mesmo no sistema de magias, que aqui é substituido por um sistema de alquimia. Ao longo do jogo vamos poder encontrar e/ou comprar vários diferentes materiais que podem ser usados em conjunto como magias de ataque, defesa ou suporte como regenerar a nossa vida, aumentar o ataque, evasão e outros stats.

O sistema de magias é substituido por fórmulas de Alquimia, onde misturando diferentes reagentes poderemos desbloquear diferentes feitiços

A nível audiovisual é um jogo que usa o mesmo motor gráfico do Secret of Mana pelo que possui gráficos coloridos e relativamente bem detalhados. O mundo de Evermore é variado, consistindo em diferentes regiões temáticas, como uma zona pré-histórica cheia de florestas, cavernas e vulcões, uma outra zona romana e/ou egípcia com desertos e grandes monumentos ou catacumbas para serem exploradas. Por fim temos também por explorer uma zona medieval com castelos e dragões, bem como uma estação especial toda futurista. No entanto, a narrativa não é lá muito apelativa a meu ver, não achei que as personagens fossem muito carismáticas. Por outro lado as músicas são de boa qualidade, fruto do excelente chip sonoro da Super Nintendo.

Apesar de não ser um jogo graficamente tão completo como Seiken Densetsu 3, possui os seus momentos

Portanto este Secret of Evermore até que nem é um mau jogo de todo, especialmente para os fãs de Secret of Mana já que herda muitas das suas mecânicas de jogo. Mas depois de jogar uma ROM traduzida do Seiken Densetsu 3, preferia de longe que tivéssemos antes recebido por cá esse jogo, sem dúvida um dos mais fortes dentro do seu género.

 

Ferrari Grand Prix Challenge (Nintendo Gameboy)

Voltando às rapidinhas na Gameboy, o jogo que cá vos trago hoje é um simples jogo de corridas de fórmula 1, este Ferrari Grand Prix Challenge trazido até nós pela Acclaim, o que geralmente não é lá muito bom sinal. O meu exemplar foi comprado há umas semanas numa feira de velharias por 1€.

Apenas cartucho

Este é um jogo de corridas relativamente simples, onde encarnamos num piloto de F-1 da Ferrari e vamos poder correr ao longo de uma temporada de Fórmula 1, ao longo de vários circuitos oficiais, mas contra pilotos e outros fabricantes fictícios. Inicialmente podemos escolher se queremos um carro com mudanças automáticas ou manuais e depois lá começamos a temporada, onde podemos optar por participar numa volta de qualificação, ou lançarmo-nos logo para a corrida propriamente dita, se bem que se não quisermos fazer a volta de qualificação começamos no último lugar. Depois o objectivo é terminar a corrida na melhor posição possível, sendo-nos atribuida uma pontuação diferente consoante a posição em que terminarmos a corrida. Para além disso, e para tornar o jogo mais desafiante, à medida em que vamos correndo e passando certos checkpoints, o jogo vai-nos obrigando a manter-nos num certo lugar, sendo que se nos desleixarmos somos desqualificados e convidados a começar essa pista novamente. O progresso no campeonato é gravado através de um sistema de passwords.

Na parte de baixo do ecrã podemos ver a volta em que estamos, a nossa posição na corrida e no circuito comparando com o primeiro lugar.

De resto, é isto, o jogo é bastante simples. A nível audiovisual também não esperem nada do outro mundo. As músicas e efeitos sonoros cumprem o seu papel, no entanto não são propriamente memoráveis e os gráficos também são simples, tendo em conta as limitações da plataforma. O layout dos circuitos é parecido com os reais, e os backgrounds vão mostrando algo que os distinga entre si, como a Torre Eiffel no GP da França ou o Big Ben no GP do Reino Unido.

Posto isto, este Ferrari Grand Prix é um jogo de corridas bastante simples, existem melhores opções na Gameboy para os fãs de Fórmula 1.

Street Fighter Alpha (Sega Saturn)

Street Fighter Alpha marcou o início de uma nova saga na mais famosa série de jogos de luta. Conhecida no Japão como Street Fighter Zero, esta subsérie acaba por ser uma prequela do Street Fighter II, incluindo personagens do primeiro Street Fighter, outras do SF II mas com uma aparência mais jovem e outras ainda do Final Fight, como é o caso de Guy e do punk Sodom. Naturalmente que versões para consolas lhe seguiram e esta conversão Saturn não podia faltar, não ficando muito atrás do original. O meu exemplar foi comprado algures no final do ano passado numa feira de velharias, tendo-me custado pouco mais de 8€.

Jogo completo com caixa e manuais. Esta arte ocidental na capa ficou uma miséria!

Tal como referido acima, a série Alpha decorre algures entre os eventos do primeiro Street Fighter e o segundo, onde vários lutadores vão andando à porrada entre si, sendo que cada um possui diferentes objectivos. Sagat quer-se vingar de Ryu, Chun-Li e meio mundo andam atrás de Bison, Adon (discípulo de Sagat) quer derrotar o seu mestre e por aí fora. Personagens secretas como Akuma e Dan (esta última uma estreia na série) marcam aqui também a sua presença.

Este Adon tem muito mais pinta que o do primeiro Street Fighter!

A nível de jogabilidade, o que traz este jogo de novo? O Super Street Fighter II tinha introduzido um sistema de combos que foi mais aprimorado neste jogo. Isto porque temos uma barra de energia que se vai enchendo consoante a nossa performance, podendo encher até 3 níveis, sendo que em cada nível nos desbloqueia a execução de alguns golpes poderosos, os Super Combos. É também possível bloquear golpes em pleno ar, bem como executar contra-ataques poderosos, se executados no timing certo. Para além disso, antes do jogo é nos perguntado o nosso playstyle, se jogamos em normal ou auto. O modo auto bloqueia automaticamente golpes inimigos (a menos que estejamos a meio de um ataque), bem como simplifica bastante a execução dos Super combos, se bem que com a penalização que a barra de energia respectiva nunca passa do nível 1.

Esta conversão Saturn possui o modo de jogo arcade e versus para 2 jogadores, bem como um modo training, que, pela primeira vez na série Street Fighter nos permitia practicar os golpes contra um NPC estático. Escondido no jogo, para além dos lutadores extra que já referi acima, está também o Dramatic Battle mode, que replica a luta épica de Ryu e Ken contra Bison no Street Fighter II Animated Movie.

No Japão esta série chama-se Street Fighter Zero, que a meu ver resulta melhor

No que diz respeito aos audiovisuais, este foi um jogo lançado no sistema CPS II da Capcom, logo as sprites e os cenários estão bem detalhados e animados. No entanto, o design das personagens não me agrada tanto quanto no Street Fighter II clássico. É certo que a ideia é fazer as personagens parecerem mais jovens, mas regra geral o design das personagens parece-me mesmo um pouco mais infantil, o que não me agrada por aí além. A banda sonora é excelente, e aqui temos a hipótese de escolher ouvir os temas tal e qual na arcade, ou versões remixadas pensadas para as versões Saturn e Playstation.

Portanto, este Street Fighter Alpha acaba por ser mais um excelente jogo de luta da Capcom, com uma jogabilidade fluída e frenética e com algumas novidades nas mecânicas de jogo. Infelizmente o design da arte no geral acho que ficou uns furos abaixo da introduzida no Street Fighter II mas não está mau de todo, é meramente uma questão de gosto pessoal.