Secret of Evermore (Super Nintendo)

O Secret of Mana é um clássico intemporal no ramo dos action RPGs japoneses. Creio que não há dúvidas disso, tanto que a Square-Enix escolheu este jogo para um full remake em 3D para várias plataformas actuais. Depois do Secret of Mana, que no Japão era originalmente conhecido por Seiken Densetsu 2 (o primeiro jogo da série chegou até nós Europeus como Mystic Quest), a Squaresoft começou a trabalhar na próxima sequela, Seiken Densetsu 3 que acabou por sair no Japão algures em 1995. Infelizmente, e talvez devido ao mercado das 16bit estar a entrar numa fase descendente nessa altura, esse jogo nunca foi localizado. Por outro lado, o ramo Americano da Sqaresoft também tinha começado o desenvolvimento deste Secret of Evermore que partilha algumas das mesmas mecânicas de jogo que Secret of Mana, mas estava a ser desenvolvido de raiz para o mercado ocidental, tanto que os japoneses nunca o receberam. O meu exemplar foi comprado algures em 2016, num pequeno bundle de vários jogos de Super Nintendo que me ficou por 70€ no total.

Apenas cartucho, versão espanhola

O jogo começa por nos levar ao ano de 1965 à pequena cidade norte-americana de Podunk, onde algures no interior de uma mansão estava a decorrer uma experiência científica que correu mal e todos os presentes na sala desapareceram sem deixar rasto. A narrativa avança então 30 anos para os anos 90, onde encarnamos no papel de um jovem adolescente viciado em filmes de acção. O jovem, que lhe damos o nome que quisermos, estava a sair precisamente do cinema quando o seu cão começa a perseguir um gato que entra pela velha mansão abandonada, até que descobrem o laboratório secreto e uma vez mais todos desaparecem misteriosamente. Somos então levados para o estranho mundo de Evermore, aterrando inicialmente numa zona aparentemente pré-histórica, com homens das cavernas e dinossauros. À medida que vamos explorar Evermore, vamos encontrando as personagens desaparecidas de Podunk e vilões que querem dominar aquele mundo a todo o custo.

A piada deste Secret of Evermore está na variedade de cenários que vamos visitando

As mecânicas de jogo, tal como referido acima são inspiradas nas de Secret of Mana, na medida em que este é um RPG de acção com um sistema de menus em anel, ganhamos experiência à medida em que combatemos, assim como as armas que temos equipadas e as magias que desencadeamos, todos vão subindo de nível, ficando cada vez mais ponderosas. O jogo possui também um sistema de menus em anel, mas as similaridades acabam-se por aí. Apesar de termos sempre 2 personagens na party (o herói e o seu cão), este é um jogo completamente single player, na medida em que apenas controlamos activamente uma das personagens, a outra é controlada por inteligência artificial, se bem que é possível escolher o seu comportamento típico. Com o cão a vaguear sozinho, ele vai alternando entre ataque e exploração, permitindo-nos encontrar vários itens escondidos.

Como sempre não poderiam deixar de haver bosses para enfrentarmos!

A outra grande diferença perante o Secret of Mana está mesmo no sistema de magias, que aqui é substituido por um sistema de alquimia. Ao longo do jogo vamos poder encontrar e/ou comprar vários diferentes materiais que podem ser usados em conjunto como magias de ataque, defesa ou suporte como regenerar a nossa vida, aumentar o ataque, evasão e outros stats.

O sistema de magias é substituido por fórmulas de Alquimia, onde misturando diferentes reagentes poderemos desbloquear diferentes feitiços

A nível audiovisual é um jogo que usa o mesmo motor gráfico do Secret of Mana pelo que possui gráficos coloridos e relativamente bem detalhados. O mundo de Evermore é variado, consistindo em diferentes regiões temáticas, como uma zona pré-histórica cheia de florestas, cavernas e vulcões, uma outra zona romana e/ou egípcia com desertos e grandes monumentos ou catacumbas para serem exploradas. Por fim temos também por explorer uma zona medieval com castelos e dragões, bem como uma estação especial toda futurista. No entanto, a narrativa não é lá muito apelativa a meu ver, não achei que as personagens fossem muito carismáticas. Por outro lado as músicas são de boa qualidade, fruto do excelente chip sonoro da Super Nintendo.

Apesar de não ser um jogo graficamente tão completo como Seiken Densetsu 3, possui os seus momentos

Portanto este Secret of Evermore até que nem é um mau jogo de todo, especialmente para os fãs de Secret of Mana já que herda muitas das suas mecânicas de jogo. Mas depois de jogar uma ROM traduzida do Seiken Densetsu 3, preferia de longe que tivéssemos antes recebido por cá esse jogo, sem dúvida um dos mais fortes dentro do seu género.

 

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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