Super Punch-Out (Super Nintendo)

A série Punch-Out tem as suas origens nas arcades, sendo um dos vários sucessos da Nintendo nesse ramo no início da década de 80. Mas sem dúvida que a entrada mais conhecida é a versão NES, principalmente a primeira edição que saiu no Ocidente, intitulada Mike Tyson’s Punch-Out, onde o na época famosíssimo pugilista era um dos protagonistas do jogo, servindo de oponente final. Anos mais tarde o jogo foi relançado na NES sem nenhuma referência ao pugilista devido à licença de utilização do seu nome e imagem já ter expirado. E em 1994 eis que sai uma sequela na Super Nintendo, visualmente já muito mais próxima dos lançamentos originais arcade, com sprites muito bem detalhadas. O meu exemplar é uma versão norte-americana que comprei algures no mês passado por 5€.

Jogo completo com caixa e manual. Versão norte-americana. Ainda bem que tenho um adaptador!

Este é um jogo inteiramente single player, onde controlamos um pugilista numa perspectiva de terceira pessoa, com a câmara a posicionar-se nas suas costas. Podemos desferir golpes com os punhos esquerdo e direito, bloquear golpes inimigos, bem como desviarmo-nos deles, ao abaixar ou esquivar para os lados. Para isso é fulcral estarmos atentos aos movimentos dos nossos oponentes e quando adivinharmos que vão atacar, conseguir reagir atempadamente. O facto da sprite do jogador ser transparente permite-nos fazer precisamente isso. Mas ainda assim convém conhecermos bem os nossos oponentes, pois quando eles estão a prestes a preparar um golpe especial, não o conseguimos bloquear, temos mesmo de nos esquivar. Por outro lado também temos de ser inteligentes e aproveitar as abertas que os oponentes nos vão dando para atacar o melhor possível.

Antes de cada combate temos uma breve descrição do nosso oponente

No topo do ecrã temos as barras de energia, nossa e do oponente e o objectivo, tal como nos jogos de luta, é reduzir a barra de energia do oponente a zero. Isto faz com que eles percam temporariamente os sentidos e o árbitro começa a contagem até 10. Mas a maioria dos oponentes acaba por conseguir se levantar e recuperar um pouco da sua energia, pelo que teremos de usar estratégias como alguns golpes especiais e poderosos para os derrotar com um technical knock out. E quando podemos usar esses golpes especiais? Na parte inferior do ecrã temos uma outra barrinha que se vai enchendo à medida em que atingimos o nosso oponente, por outro lado vai diminuindo sempre que levarmos algum soco. Quando estiver no máximo, podemos usar esses golpes poderosos. De resto o jogo coloca-nos a competir em várias ligas de dificuldade crescente, cada qual com quatro oponentes que teremos de defrontar. E temos de derrotar cada um deles em menos de 3 minutos, caso contrário acaba o combate e aí o perdedor somos sempre nós, perdendo uma vida.

Os oponentes para além de serem bizarros, são sprites bem grandes e bem detalhadas.

Graficamente é um jogo colorido e muito bem detalhado, onde o destaque está nos pugilistas que defrontamos, cujas sprites são bem grandes e muito bem detalhadas e animadas. Todas as personagens têm um look muito cartoon, o que resulta numa bem atmosfera agradável. Aliás, muitas das personagens são também oponentes que já existiam nos Punch Out anteriores, pelo que quem for fã da série já sabe com o que contar aqui. As arenas também são bem detalhadas, principalmente o seu público envolvente que está repleto de energia! No que diz respeito ao som, a música tem uma toada mais rock que sinceramente me agrada, bem como vários clipes de vozes digitalizadas, comos os números em inglês de 1 a 10, ou os “Knock Out” proferidos pelo árbitro, entre outros. Os samples de voz estão bem nítidos, só o four é que sempre me soou um pouco estranho.

Portanto este Super Punch Out acaba por ser um jogo bem divertido, onde os seus pontos fortes estão mesmo em se afastar do realismo de outras simulações. É um jogo divertido, mas mesmo assim desafiante pois temos de estudar bem os nossos oponentes, as suas estratégias e ter bons reflexos. Já  os oponentes, de tão bizarros que são, são certamente a parte mais interessante de todo o jogo.

The Lion King (Sega Mega Drive)

Vamos para mais uma rapidinha, não porque o jogo não mereça uma análise mais em detalhe, mas sim porque já aqui trouxe a versão da Super Nintendo, que é muito idêntica e que recomendo a sua leitura para mais detalhe. O meu exemplar da Mega Drive foi comprado no mês passado de Janeiro, num bundle de dezenas de jogos Mega Drive que comprei a um particular e este, como ainda não o tinha na colecção, apesar de nunca ter sido prioridade por já ter a versão SNES, acabou por cá ficar.

Jogo com caixa e manual

A nível de jogabilidade, gráficos e som, esta versão é muito semelhante à SNES. Na jogabilidade esperem na mesma pelas mesmas frustrações em alguns níveis, embora controlar o Simba, especialmente nos saltos, me pareça um pouco melhor nesta versão. A nível gráfico, a versão Mega Drive está ligeiramente inferior à versão SNES, seja por ter menos variedade de cores nos níveis, ou na falta de um ou outro efeito gráfico. As músicas, apesar de serem na mesma bastante agradáveis, não há como negar que a versão Super Nintendo é muito superior. Logo na música título na versão SNES ouvimos instrumentos nítidos e alguns coros vocais, algo que não acontece aqui. Mas a música não deixa de ser agradável, no entanto. Aqui também temos algumas pequenas cutscenes com voice samples de qualidade, mas mais uma vez a versão SNES acaba por ser um pouco melhor nesse aspecto.

Embora a versão SNES seja ligeiramente superior nos gráficos, esta versão Mega Drive não é nada má

De resto este Lion King não deixa de ser um sólido jogo de plataformas, mesmo que não tenham a versão SNES ou PC, não deixam de ficar bem servidos aqui.

Prince of Persia (Sega Master System)

Por incrível que pareça, ainda não tinha na minha colecção nenhuma versão do Prince of Persia, esse grande clássico de Jordan Mechner e que tantas horas me fez perder ao jogar a sua versão de DOS quando era criança. Bom, se não contarmos com o desbloqueável que vem junto do Prince of Persia Sands of Time, claro. As conversões para as consolas da Sega (excepto a da Mega CD) ficaram a cargo da Domark que a meu ver até fizeram um bom trabalho, até porque eles já tinham lançado a conversão deste jogo para o Commodore Amiga. O meu exemplar foi comprado a um colega no passado mês de Janeiro por 5€.

Jogo com caixa e manual

Prince of Persia é um jogo inspirado nos contos das 1001 noites, onde algures num reino das Arábias, o sultão lá do sítio foi comandar uma guerra e deixou o seu reino ao cuidado do seu Vizir, Jaffar. Ora como aprendemos no Aladdin, um Vizir com o nome de Jaffar não pode ser boa pessoa e claro, coisas aconteceram. Jaffar toma então poder e confronta a princesa, obrigando-a a casar-se com ele. Como a jovem recusa, Jaffar lança-lhe então um feitiço, dando-lhe 60 minutos para mudar de ideias, caso contrário morre. As esperanças da princesa estão no seu amado que a vá salvar, mas Jaffar antecipa-se, prende o protagonista e atira-o para o fundo dos calabouços do Palácio.

Morrer empalado por espinhos é só uma das coisas que nos pode acontecer se não tivermos cuidado

Cabe-nos a nós então atravessar uma série de níveis labirînticos, repletos de armadilhas, guardas e outros puzzles. Tudo isto com 60 minutos de tempo limite para terminar a aventura. Ao longo do jogo encontramos imensas armadilhas como plataformas que caem, espinhos que saem disparados do chão, ou mesmo lâminas que nos cortam em dois se não tivermos cuidado. Temos também montes de precipícios que temos de ter em conta para não cair. É que a partir de uma certa altura é morte certa. Para além disso também vamos vendo algumas portas que temos de destrancar, ao pressionar algumas plataformas específicas que servem de interruptor. Por outro lado, também temos de evitar tocar noutros interruptores que nos podem dificultar mais a vida. Tudo isto junto, para além dos combates que referirei em seguida, obriga-nos a explorar bastante cada nível, até que consigamos finalmente resolver estes puzzles. Certamente 60 minutos não são suficientes para as primeiras tentativas, mas eventualmente lá chegamos. O jogo está dividido em 12 níveis, sendo que entre cada nível nos fornecem uma password, onde para além de nos permitir começar no novo nível em questão, também são guardadas outras informações, como a vida que temos disponível e o tempo restante.

Graficamente é uma conversão impressionante pois as sprites continuam muito bem animadas

Os controlos são simples, depois de nos habituarmos. Já o original de PC nos obrigava a esse treino, pelo que aqui, com um comando ainda com menos botões, as coisas não poderiam ser tão simples assim. O botão direccional faz com que Prince se agache, suba ou desça plataformas, ou corra para a esquerda ou direita. O botão 2 serve para saltar, já o botão 1 possui outros usos. Se o pressionarmos enquanto nos movimentamos de um lado para o outro faz com que andemos devagar, passo a passo, em vez de começar a correr. Por outro lado, também nos deixa agarrar em plataformas quando as estamos a descer, ou simplesmente a cair em queda livre, pressionar o botão 1 na altura certa pode-nos salvar a vida! Quando encontramos um guarda, se não tivermos nenhum botão pressionado faz com que o Prince saque da sua espada e se ponha numa posição de guarda (mas antes disso temos de a encontrar!!). O botão 1 serve para atacar, o botão 2 serve para defender, embora não seja muito fácil acertar com os tempos para nos defendermos com sucesso. O botão direccional para a esquerda ou direita faz com que nos afastemos ou aproximemos do nosso oponente, enquanto que ao pressionar para baixo faz com que guardemos a espada, algo que só recomendo fazer caso queiramos fugir do confronto, pois se somos atingidos sem estar numa posição de guarda, é morte instantânea.

Se acharmos que 60 minutos não é desafio suficiente, podemos sempre reduzir o tempo limite nas opções

Do ponto de vista audiovisual devo dizer que fiquei bastante impressionado com o resultado obtido pela Domark/The Kremlin. A versão original era bastante impressionante pela qualidade das animações do Prince, que foram gravadas através de actores reais, neste caso o irmão do criador do jogo, Jordan Mechner. Não sei como, mas conseguiram fazer sprites também muito bem animadas aqui, todas as animações estão bastante fluídas e credíveis. Os cenários também possuem mais cor e detalhe, quando comparados com o original ou mesmo a versão DOS, embora eu prefira o detalhe das partes mais luxuosas do palácio na versão DOS, se bem que a Master System possui cores mais vivas nessa parte. As músicas são poucas, todas elas com melodias árabes que estão muito bem implementadas aqui também. A parte principal do jogo é jogada sem qualquer banda sonora, com alguns pequenos arranjos a serem ouvido ocasionalmente quando algo de importante acontece. Sinceramente é algo que contribui bastante para a óptima atmosfera introduzida pelo jogo.

Portanto esta adaptação do Prince of Persia para a Master System surpreendeu-me bastante pela positiva. É certo que os controlos não são tão bons na parte do combate, e mesmo a maneira como o Prince acelera antes de começar a correr pode-nos causar algumas dificuldades no início. Ainda assim é uma conversão muito sólida, principalmente pela parte audiovisual. A meu ver é dos jogos da Master System mais bonitos que joguei até hoje. A versão Game Gear é idêntica, já a da Mega Drive está uns furos acima no audiovisual mas tenho de a jogar melhor. Outra versão que vale bastante a pena é também a da Super Nintendo, que practicamente duplicou o conteúdo do jogo face ao original. Mas isso é tema para outro artigo no futuro.

Art of Fighting (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas, até porque já fiz uma boa descrição do primeiro Art of Fighting na compilação da série que foi lançada para a Playstation 2. Esta versão da Mega Drive, como seria de esperar, fica uns bons furos abaixo da original de Neo Geo, e é sobre esses pontos que me vou incidir neste artigo. O meu exemplar foi comprado algures durante o mês passado, onde comprei um grande bundle de jogos de Mega Drive, ficando-me cada um a cerca de 5€.

Jogo com caixa

Tal como no primeiro Fatal Fury, se quisermos jogar sozinhos, estamos limitados na escolha de personagens, podendo optar por entre Ryo Sakazaki e Robert Garcia, enquanto distribuimos pancada a uma série de bandidos, em busca de Yuri, irmã de Ryo, que tinha sido raptada. Mas independentemente da personagem escolhida, a história mantém-se, com os monólogos e diálogos a alterarem ligeiramente. Ocasionalmente também teremos acesso a alguns níveis de bónus que, se os passarmos com sucesso, conseguimos melhorar a performance dos lutadores, seja através da sua força física, de espírito, ou desbloquear um poderoso ataque de energia.

Entre cada combate vamos tendo pequenas cutscenes que vão contando a história.

O original da MVS possuia uma funcionalidade muito interessante que consistia na sua câmara dinâmica, que ia ampliando/encolhendo mediante a distância entre ambos os lutadores, com as respectivas sprites a escalarem de forma suave. Infelizmente a versão Mega Drive não tem isto, com a câmara a permanecer estática em todos os combates. Por outro lado, as arenas e lutadores estão bem detalhados, pelo que não me posso queixar muito do ponto de vista dos gráficos. Já no som é que infelizmente as coisas não ficaram tão boas assim. As músicas estão uns bons furos abaixo de todas as outras versões e a Mega Drive tem capacidade para fazer melhor. As vozes estão também muito arranhadas nesta versão Mega Drive, infelizmente.

A versão Mega Drive pode não ter a câmara dinânica do original, mas ao menos tudo está bem detalhado.

Este Art of Fighting sempre foi um jogo de luta que gostei, seja pela sua jogabilidade, seja pela forma story driven, que implementaram a vertente single player. Nos anos 90, mesmo esta conversão da Mega Drive não sendo tecnicamente tão boa, acabava por divertir bastante. Hoje em dia acho que ficamos melhor servidos com as versões mais fieis à original que vemos em compilações ou em lançamentos digitais nas consolas mais modernas.

Aladdin (Sega Master System)

Vamos para mais uma super rapidinha a um jogo para a Master System, isto porque já cá trouxe a versão da Game Gear que é essencialmente o mesmo jogo. O Aladdin da Mega Drive é um dos melhores exemplos onde na era das 8 e 16 bits poderiamos ter jogos sobre a mesma franchise completamente diferentes entre si para diferentes plataformas. A Capcom desenvolveu um jogo muito interessante para a Super Nintendo, já a Virgin fez outro excelente jogo para a Mega Drive e PC. Surpreendentemente a Virgin lançou também conversões baseadas no jogo da Mega Drive para a NES e Gameboy, algo que sempre achei curioso pois supostamente a Capcom detinha direitos exclusivos para consolas da Nintendo. Por outro lado também é curioso que a Virgin não tenha desenvolvido nenhuma adaptação para a Game Gear ou Master System, que acabou por ser publicada pela própria Sega, após terem subcontratado a Sims para a desenvolver – um pequeno estúdio responsável por muitos dos jogos da Sega nas suas consolas 8bit. Confusos? É normal, eu também fico às vezes. O meu exemplar da Master System foi comprado a um colega meu no mês de Janeiro por 5€.

Jogo com caixa e manual

Portanto este é essencialmente o mesmo jogo que na Game Gear, embora com uma resolução maior. É um jogo de plataformas mas mais lento que o da Mega Drive, onde o foco está mais na exploração dos níveis, sendo que também temos uns quantos níveis de perseguições, onde o ecrã está em scrolling constante e temos de nos desviar de uma série de obstáculos.

Pode não ser o melhor jogo de plataformas, mas a nível de apresentação está excelente

Graficamente é um jogo excelente, sem dúvida um dos jogos mais bonitos da Master System. As sprites estão muitíssimo bem detalhadas, assim como os níveis. Aqueles que decorrem nas ruas de Agrabah têm também uns belos efeitos de parallax. As músicas são também muito agradáveis, mesmo usando o primitivo chip de som da Master System, o PSG. Para além disso, de todas as adaptações do filme do Aladino, esta (e a da Game Gear, claro) é sem dúvida a mais fiel ao filme pois entre cada nível vamos tendo várias cutscenes que nos vão contando a história. Se por acaso nunca viram o filme, mas vão jogar este jogo, ficam a saber todas as partes importantes da história.