The Walking Dead A New Frontier (Sony Playstation 4)

Voltando aos jogos da Telltale, no passado mês de Junho acabei por mandar vir do eBay UK o penúltimo capítulo da saga The Walking Dead, o A New Frontier. Foi muito barato, visto que foi comprado novo a menos de 10€ e por cá não encontrava a esse valor nem em segunda mão. Para quem já jogou os anteriores, sabe bem com o que pode contar aqui, pelo que não me vou alongar muito neste artigo.

Jogo com caixa. Comprado novo e nem um panfleto publicitário traz…

Este título conta então mais um capítulo da vida da jovem Clementine, a qual já seguimos desde o primeiro TWD. Visto que joguei os primeiros dois jogos na Playstation 3, não consegui usar o save com as minhas escolhas do jogo anterior, mas a Telltale pensou nesse caso e antes de começarmos uma nova aventura, podemos resumir as nossas escolhas chave dos dois jogos anteriores. As escolhas que tomei no primeiro jogo ainda me lembrava bem, já as do segundo nem por isso, o que também diz muita coisa em relação à sequela não ter sido tão memorável assim. De resto, e apesar da Clementine ser uma personagem importante ao longo deste jogo, na verdade acabamos por controlar antes Javier Garcia, um ex-jogador de basebol, que tenta sobreviver a todo o apocalipse zombie com o que resta da sua família, nomeadamente os seus dois jovens sobrinhos e a cunhada.

Como sempre vamos tendo algumas escolhas para fazer

Javier vem de uma relação complicada com o seu irmão David, algo que também acaba por transparecer para o resto da família e esse é um dos pontos chave no desenvolvimento das personagens nesta aventura. A Clementine acaba por se cruzar com Javier e sua família e a história vai-se desenrolando a partir do momento em que ambos decidem colaborar. Como sempre vamos ter uma série de conflitos pela frente, não só com zombies, mas também com outras povoações humanas, tendo muitas vezes de tomar decisões difíceis que podem resultar na morte de algumas personagens chave, ou no relacionamento que vamos tendo com os nossos pares, pois para agradar a uns acabamos por desagradar a outros e isso reflete-se no desenrolar da história. Como sempre nesta série temos um tempo limite para tomar as nossas decisões, e no caso do diálogos, ficar calado é também uma opção, mas geralmente nunca é muito boa.

Para além dos diálogos vamos tendo aquelas mecânicas típicas dos jogos de aventura point and click, onde teremos de explorar os cenários, interagir com pessoas e objectos. Por vezes la temos alumas situações de combate onde o jogo recorre uma vez mais aos quick time events. A maneira como estes QTEs estão apresentados até é bastante inteligente e natural, pelo que estas secções não são tão chatas assim, como em muitos outros jogos que usam e abusam dos QTEs.

Os QTEs até que são bem dinâmicos

De resto a nível técnico este A New Frontier mantém o mesmo estilo gráfico dos seus predecessores, nomeadamente o cel-shading que lhe dá um aspecto mais saído de banda desenhada, o que é natural pois é mesmo desse meio que The Walking Dead surgiu. A diferença aqui é que este jogo está bem mais polido, com melhores efeitos de luz e definições das expressões faciais de cada personagem. Afinal de contas, joguei os anteriores numa PS3 e aqui notam-se bem alguns melhoramentos. De resto, temos um excelente voice acting como habitual.

Portanto este The Walking Dead é mais um jogo de aventura competente, mas usa uma fórmula que já deixa poucas surpresas a quem jogou os anteriores. Colocaram aqui muito mais drama familiar que nos jogos anteriores para tentar diferenciá-lo, apesar de mais uma vez termos várias escolhas que alteram o desenrolar do jogo, há sempre uma linha condutora para a qual as nossas escolhas vão convergindo no final. Fico curioso no entanto para jogar o último capítulo da saga, quanto mais não seja para ver qual será o destino de Clementine.

X-Men (Sega Mega Drive)

O coleccionismo de Mega Drive tem algumas particularidades interessantes. O X-Men 2: Clone Wars é um jogo algo incomum na Europa como um todo, embora ainda se veja com alguma regularidade aqui em Portugal, pois a Ecofilmes decidiu importar a versão norte-americana e comercializá-lo com uma capa nova, exclusiva para o nosso mercado. O primeiro X-Men já demorei bem mais a arranjá-lo e teve de vir do Reino Unido, onde é bem mais comum. O meu exemplar custou-me 10 libras.

Jogo com caixa e manual

Entretanto já tinha analisado este jogo há algum tempo atrás, para a revista PUSHSTART. Podem ler a análise na integra aqui.

Silent Service (Nintendo Entertainment System)

Continuando pelas rapidinhas, ficamos agora com um simulador desenvolvido originalmente pela Microprose (who else?) para vários computadores diferentes entre 1985 e 1987. Mais tarde a Konami adquiriu os direitos para publicar uma conversão para a NES, aparentemente desenvolvida pela própria Rare. O meu exemplar veio da loja Mr. Zombie há uns meses atrás, creio que me custou 16€, estando o jogo completo e numa condição impecável, o que foi a principal razão que me levou à sua compra. Mas vendo o nome da Konami na caixa confesso que estava à espera de algo mais arcade, o que não foi de todo o caso.

Jogo com caixa e manual

De qualquer das formas este Silent Service aborda o teatro de guerra do Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial, em pleno confronto entre Estados Unidos e Japão. Podemos participar em várias missões distintas missões de treino, outras para destruir vários convoys de embarcações inimigas (porque dizer comboios de barcos soa estranho), ou algumas missões mais específicas, que consistem em partir de um porto algo aleatório, procurar navios inimigos, afundar o máximo que conseguirmos e voltar ao porto em segurança. Naturalmente, sendo este um simulador, há muita coisa a ter em conta. Antes de começar cada missão podemos ajustar a dificuldade da mesma em certos parâmetros, como a visibilidade, os padrões de movimento dos navios inimigos, a distância onde eles estão, a possibilidade de fazer reparações ao submarino in loco ou num porto, entre outros.

Em quase todos os ecrãs temos na mesma acesso a alguns controlos essenciais, como é o da velocidade, leme, periscópio ou controlo de tempo

Depois começando a missão é que as coisas começam realmente a ganhar outra forma. Em Silent Service vários ecrãs que podemos consultar, mas 3 deles são os mais importantes: um de navegação, um para o combate, e outro para a manutenção do nosso submarino. Cada um dos ecrãs tem diferentes ícones com que devemos interagir. No ecrã de navegação podemos ver o mapa da área à nossa volta e ampliá-lo várias vezes para mais detalhe. No ecrã de combate, poderemos disparar os torpedos ou o canhão do deck (se estivermos à superfície). De resto temos vários outros controlos que estão presentes em practicamente todos os ecrãs, como o leme (que também nos permite controlar a profundidade do submarino), um controlo para a velocidade do submarino, ou a possibilidade de acelerar o tempo, o que é bastante útil para quando os navios ainda estão longe de nós e temos de nos aproximar e/ou fazer alguma manobra evasiva.

Para alternar entre ecrãs usamos o botão Select.

A nível audiovisual é um jogo bastante simples porém eficaz. Todas as interfaces que temos disponíveis estão devidamente representadas e não oferecem muitas dúvidas. Os efeitos sonoros também são competentes e como devem calcular, sendo este um simulador, não temos qualquer música durante as missões. Um detalhe interessante é, quando escolhemos as nossas iniciais para o nome, podemos ver e ouvir a representação dessa letra em código morse, algo que era fundamental naquele tempo.

De resto, Silent Service é isto. Mesmo para quem não é grande fã de simuladores, como é o meu caso, até é um jogo que dá para divertir um pouco e pareceu-me bem mais simples do que o outro simulador de submarinos que já joguei, o 688 Attack Sub.

Alien Syndrome (Sega Game Gear)

Voltando às rapidinhas, agora para a portátil da Sega, Game Gear, o jogo que cá trago hoje é uma espécie de uma adaptação de um dos clássicos arcade da Sega da segunda metade da década de 80. Depois de uma conversão modesta para a Master System e algo diferente a nível de jogabilidade, que por acaso ainda não a tenho na minha colecção, a Sega lançou em 1992 mais uma adaptação, que na verdade é uma sequela, para a Game Gear. O meu exemplar foi comprado a um particular no mês passado por 5€.

Jogo com caixa e manual

O Alien Syndrome original é um jogo futurista onde encarnamos na dupla de heróis Ricky e Mary, cuja missão é a de libertar os seus colegas a bordo de uma nave espacial que tinha sido invadida por aliens. Em cada nível temos um tempo limite para resgatar todos os reféns e a partir do momento que os salvamos, a saída para o nível seguinte é desbloqueada, sendo que teremos um boss pela frente primeiro. Caso não consigamos salvar as pessoas dentro do tempo estabelecido, entra em acção um mecanismo de auto destruição que não dá lá muito jeito. Isto foi o que tinha acontecido no longínquo ano de 2000, este jogo já decorre ainda mais no futuro, em 2005, mas a história acaba por ser a mesma.

Algumas portas têm mesmo de ser destruídas

Ao contrário da versão Master System, a jogabilidade aqui é bem mais fiel ao original arcade, excepto na parte de não suportar multiplayer para 2 jogadores. Os níveis são practicamente novos relativamente ao original, mas mantêm um design labiríntico e teremos vários power ups de diferentes armas para apanhar, incluindo os lança-chamas e raios laser habituais. A diferença é que agora as armas podem ser melhoradas se apanharmos mais que um power up do mesmo tipo. Para além disso, outra das novidades trazidas nesta versão é o facto de podermos aceder ao mapa do nível a qualquer momento, sem necessitar de encontrar os mapas espalhados pelos níveis. É ao consultar o mapa que podemos ver a localização dos reféns, para além de ter uma ideia da estrutura do nível em si. Os que salvarmos a mais, ajudam-nos a ter uma pontuação melhor. Depois de salvar os reféns lá teremos um confronto contra um boss antes de avançar para o nível seguinte.

Infelizmente os bosses não têm o mesmo impacto visual que na versão original

A nível audiovisual, o original era um jogo interessante, sem dúvida inspirado pelos trabalhos de H.R. Giger e os filmes Alien, com os monstros com um design muito peculiar como Giger sabia fazer melhor que ninguém. Naturalmente que as coisas aqui na Game Gear foram algo simplificadas, e mesmo os bosses, que nas arcades impressionavam pelo seu design, aqui já têm uma aparência um pouco mais modesta. As músicas e efeitos sonoros nada de especial a apontar, cumprem o seu papel.

Portanto, a menos que tenham um X68000 lá por casa, que foi a única plataforma nos anos 90 a receber uma conversão arcade perfect durante os anos 90, esta versão Game Gear é das melhores que podem ter, pelo menos certamente a melhor dentro dos sistemas 8bit.

Bloodshot (Sega Mega Drive)

Voltando à Mega Drive, vamos cá ficar com um jogo que sempre me despertou curiosidade. Desde que descobri o Doom algures na década de 90, fiquei logo com o bichinho por tudo o que fosse first person shooter, pelo que experimentar os FPS em consolas como a Mega Drive despertou também a minha curiosidade. Embora não esperasse por um grand feito tecnológico, é sempre interessante ver consolas que não foram desenhadas para suportar nativamente jogos 3D se safam com este estilo de jogo. E sem o recurso a hardware adicional! O meu exemplar foi comprado algures em Dezembro de 2018 através do Facebook, custou-me 12€.

Jogo com caixa e manual

Bloodshot é um jogo futurista, onde teremos de nos infiltrar numa nave espacial alienígena e repleta de robots e bombas poderosíssimas, cujo destino seria mesmo atacar o nosso planeta. Então a única maneira que os humanos arranjaram para combater essa ameaça é a de levar um space marine a bordo da nave alienígena, com a missão de destruir os seus 12 núcleos e assim neutralizar a ameaça por completo.

A área de jogo é impressionante tendo em conta o Zero Tolerance, mas é verdade que os inimigos poderiam estar melhor caracterizados.

Este é um FPS relativamente simples, os cenários são todos labirínticos, repletos de corredores estreitos e serpenteantes. O objectivo em cada nível é o de procurar o núcleo, destruí-lo e voltar ao ponto de partida, pois a partir do momento em que destruímos o núcleo, é activada uma sequência de auto destruição que destrói todo o andar onde estamos. Não temos desníveis, e todas as superfícies fazem um ângulo de 90º entre si. É então um clone de Wolfenstein 3D, portanto, mas com uma série de particularidades. A primeira é que não vemos a arma que equipamos no ecrã, mas não há problema, certamente a Domark conseguiu ganhar mais uns frames assim. Depois ao olhar para toda a interface gráfica é que nos vamos apercebendo de todas as particularidades deste Bloodshot.

Destruindo o núcleo, temos alguns segundos para refazer o caminho de volta para o ponto de partida

À esquerda de todo temos uma barra de energia que vai diminuindo à medida que sofremos dano, mas pode ser restabelecida ao apanhar alguns power-ups para o efeito. Na parte superior do ecrã temos o resto do que interessa. Da esquerda para a direita vemos duas matrizes, com 9 células cada. A primeira vai armazenando as chaves coloridas que podemos apanhar e que abrem certas portas . A segunda serve para armazenar as armas que vamos apanhando, sendo que o indicador seguinte mostra-nos quantas munições essa arma ainda tem disponíveis. Por defeito temos uma arma fraca com munição infinita, mas que não aparece nesse menu. A partir do momento que vamos apanhando novas armas, deixamos de conseguir usar a arma por defeito, a menos que esgotemos todas as suas munições. Depois essas armas são todas descartáveis, é possível encher aquele quadro só com armas do mesmo tipo, cada qual com a sua munição e a partir do momento que uma dessas armas fique sem munição, a mesma é descartada. Temos uma série de diferentes armas, algumas com rapid fire, outras com tiros em leque, outras que disparam explosivos, uma outra com um mecanismo de lock-on em alvos, entre outros.

Temos também um modo multiplayer para 2 jogadores com split screen vertical

No canto superior direito temos as restantes indicações visuais. Uma é o número de vidas disponíveis, a outra é alusiva a mais uma peculiaridade deste Bloodshot, o sistema bónus. Basicamente se destruirmos um inimigo sem sofrer qualquer dano, é acesa uma luzinha. Se conseguirmos destruir 3 inimigos em seguida sem sofrer qualquer dano, somos presenteados com uma chave branca, que pode ser usada para abrir salas com alguns goodies, sejam boas armas ou medkits. Naturalmente que também teremos outras salas secretas que podemos descobrir ao interagir com as paredes, sendo que essas salas não aparecem no mapa, também do lado direito do ecrã. Os controlos são simples, com o botão direccional a servir para nos movimentarmos, sendo que se mantivermos o botão A premido permite-nos fazer strafing, ou seja, andar lateralmente, muito útil para nos esquivarmos do fogo inimigo. O botão B dispara e o botão C permite-nos percorrer o inventário e seleccionar uma arma. Para além do modo história temos também uma vertente multiplayer em split screen vertical, que eu sinceramente não cheguei a experimentar, mas é uma espécie de deathmatch para 2 jogadores.

Temos algumas cutscenes mas só no início e fim do jogo

Graficamente, é um jogo bem conseguido tendo em conta as limitações da consola para gráficos em 3D nativo, sem recurso a hardware adicional, ao contrário do Doom para a SNES. Já o Zero Tolerance era um FPS para a Mega Drive, desenvolvido sem quaisquer recursos adicionais e o resultado é algo modesto. Este Bloodshot apresenta uma maior área visível de jogo, mas em contrapartida as texturas são mais simples e sem grande variedade ao longo dos níveis. No que diz respeito ao som, nada de especial a apontar a não ser para a falta de música durante os níveis em si, certamente algo a pensar em economizar recursos de hardware para renderizar todo o jogo.

Portanto, e sendo muito sincero, este é um jogo que recomendo apenas aos entusiastas de FPS e curiosos em achievements técnicos em consolas retro. Tecnicamente é impressionante visto que corre numa Mega Drive sem qualquer recurso a hardware adicional, mas o jogo em si é muito repetitivo e envelheceu mal. Mas fica a curiosidade de ser um lançamento exclusivo europeu, visto que nos Estados Unidos o jogo foi disponibilizado apenas no serviço Sega Channel – que por si só já merecia um artigo. De resto temos também uma versão Mega CD, que aparentemente é ligeiramente diferente da versão Mega Drive. Não sei se contém música em CD Audio, mas simplificaram um pouco o jogo, com menos inimigos nos níveis e alguns dos níveis mais pequenos, aparentemente de forma a que cada nível coubesse inteiro na memória RAM do sistema, de forma a evitar tempos de loading a meio da acção.