Battlecorps (Sega Mega CD)

Os britânicos da Core Design foram um dos estúdios que mais apoiou a Mega CD. É verdade que em certos jogos eles espremeram bem a vaca como os dois primeiros Chuck Rock que acabaram por ter lançamentos em todas as consolas da Sega e vários outros sistemas, as a Core também contribuiu para a Mega CD com jogos como Thunderhawk, Jaguar XJ220 e este Battlecorps, todos jogos que utilizam os recursos adicionais da Mega CD para o que realmente interessa (jogos!) e não full motion videos com um aspecto manhoso. O meu exemplar foi comprado em Janeiro de 2016 numa visita a uma cash em Lisboa, creio que me tenha custado uns 12€.

Jogo com caixa e manuais

Este é um first person shooter onde controlamos mechas, sendo passado no futuro e num planeta distante uma colónia mineira cujos robots eram controlados pela inteligência artificial MOSES. Mas eis que uma empresa rival infecta o MOSES com um vírus que o torna agressivo para com os colonos, bem como todos os robots lá do sítio. A única esperança recai então num conjunto de 3 pilotos, cada qual com o seu mecha com distintas características, que irão então atravessar toda a mina e destruir MOSES.

Na cutscene inicial, toda narrada com vozes reais, são-nos apresentados os diferentes pilotos que poderemos escolher

E este até que é um FPS bastante competente, sendo compatível tanto com o comando de 3 botões, como com o comando de 6 botões. O direccional serve para nos movimentarmos, enquanto que os botões B servem para disparar e o C para alternar entre as diferentes armas que temos à disposição. Ao pressionar o botão A em conjunto com o direccional permite-nos mover a cabeça do nosso mecha, ou seja olhar para cima e para baixo, mas também deslocar a cabeça numa direcção diferente do movimento do robot. Isto porque ao pressionar simplesmente o direccional para cima ou baixo faz com que o mecha se desloque constantemente a diferentes velocidades quer para a frente, quer para trás. Ao usar isto em simultâneo com o A + direccional permite-nos fazer inclusivamente algum strafing, o que é algo difícil de executar mas muito útil em certas situações, pois por vezes vamos mesmo sofrer bastante fogo inimigo. Se tivermos um comando de 6 botões, os botões adicionais X, Y, Z e mode servem de atalhos para seleccionar uma arma específica, em vez de andarmos a circular entre todas as armas através do botão C.

Este é um first person shooter em pseudo 3D, onde as paredes são na verdade sprites juntas entre si. E isto resulta bem pelas capacidades de sprite scaling que a Mega CD possui

As diferentes armas que temos à nossa disposição são metralhadoras duplas de munição infinita, mas cujas sobreaquecem com o uso, já as restantes armas possuem munição limitada e não temos nenhuma maneira de obter mais munições durante os níveis. São estas um canhão duplo mais poderoso, morteiros, morteiros triplos, mísseis ou um lança chamas, que naturalmente tem um alcance menor que as restantes. E este Battlecorps é um jogo bastante desafiante pois para além de não podermos encontrar munições adicionais pelos níveis, vamos ter fases onde teremos muitos inimigos a disparar sobre nós, pelo que o ideal é tentar atirar sobre alguns inimigos a longas distâncias e quando tal não é possível, mantermo-nos em movimento o que nem sempre pode resultar bem pois se formos contra algum obstáculo no chão o nosso mecha pára instantaneamente. E é verdade que até temos um escudo que nos permite absorver uns quantos pontos de dano, mas apenas em alguns níveis é que temos pontos que nos permitem recarregar os escudos. E temos 3 tentativas apenas de passar cada nível, que correspondem aos 3 diferentes pilotos/mechas que podemos escolher. Portanto vai ser uma experiência bem desafiante!

Na parte inferior do ecrã temos um radar que nos indica a posição dos inimigos, bem como a indicação da arma seleccionada, a velocidade activada e o estado dos nossos escudos

No que diz respeito aos audiovisuais é um jogo bem competente. É um first person shooter sim, mas na verdade tudo é num pseudo 3D composto por sprites. Os inimigos, obstáculos e até as paredes de certos níveis são todas sprites em 2D, com o solo a ser todo um plano como se um efeito mode 7 da Super Nintendo se tratasse. E isto é possível devido ao hardware adicional da Mega CD, que possui capacidades de sprite scaling e rotação. A Core já tinha aproveitado essas funcionalidades da Mega CD noutros jogos, este é só mais um exemplo! De resto o jogo possui algum voice acting que apesar de não ser nada de especial, peca por soar muito baixo quando comparado com os restantes barulhos e música que ouvimos ao longo dos níveis. A banda sonora é toda em CD-Audio com várias faixas instrumentais, algumas soft rock com algumas melodias de guitarra, outras com uma toada mais electrónica ou até jazz. Não é a banda sonora que eu idealizaria para um FPS, mas não é má de todo.

No final do jogo temos uns créditos que mais uma vez mostram as capacidades de scaling e rotação de sprites que a Mega CD é capaz de fazer.

Portanto este Battlecorps até que se revelou uma bela surpresa pelo facto de ser mais um jogo da Core que procura tirar partido do hardware extra que a Mega CD tem, para além da capacidade de correr música em formato CD-audio e clipes de vídeo. Peca no entanto que pela sua dificuldade, não tenha nenhum sistema de passwords, o que nos obrigaria a terminar o jogo de uma assentada. Pelo que neste caso acabo por recomendar vivamente o uso de emuladores.

Head Buster (Sega Game Gear)

Vamos agora voltar à portátil de 8bit da Sega, para um interessante exclusivo japonês produzido pela NCS/Masaya. Head Buster é um jogo de estratégia por turnos onde iremos construir o nosso pequeno exército de robots e combater uma série de robots inimigos, ao longo de 10 batalhas. Felizmente existe um patch de tradução para o inglês, eliminando assim qualquer barreira linguística. O meu exemplar foi-me oferecido por um amigo meu algures em Julho de 2020.

Cartucho solto, jogo japonês

E nós aqui encarnamos no papel de um miúdo que se inscreve numa competição de lutas com robots, começamos o jogo com 600 créditos e antes de começar cada combate temos acesso a uma loja onde poderemos comprar um ou mais robots e customizá-los à nossa vontade, bem como ver o mapa da próxima arena onde podemos combater. Isto é útil pois dá para ver que tipo de terreno iremos encontrar e preparar os nossos robots da melhor forma. Infelizmente não dá é para antever quais os robots inimigos que iremos enfrentar!

As diferentes armas que temos têm também diferentes alcances

Mas pronto, com 600 créditos lá poderemos comprar um ou 2 robots e equipá-los com algum armamento adicional. Começamos por escolher se queremos um robot de estrutura ligeira, normal ou pesada, o que irá afectar a sua agilidade (nomeadamente o número de células que nos podemos deslocar em cada turno) bem como a sua armadura, pois os robots mais pesados são mais resistentes ao fogo inimigo. Podemos também customizar a parte inferior do robot, seja ao usar pernas, lagartas ou um hovercraft, que por sua vez cada tipo destas peças nos permite atravessar diferentes tipos de terreno e obstáculos como água, montanhas ou florestas. Daí a possibilidade de explorar o tipo de terreno que iremos enfrentar entre cada combate ser muito importante! Os braços e ombros podem ser equipados com diferentes escudos e armas de curto, médio e longo alcance, sendo que os ombros são as que carregam as armas mais destrutivas como mísseis ou napalm, mas também poderão carregar outros equipamentos especiais que nos podem dar diferentes habilidades nas batalhas como lançar fumo para não sermos atingidos por fogo inimigo. Outra das características importantes que devemos comprar é o computador de bordo, que, dependendo do modelo escolhido, nos permite efectuar algumas acções adicionais nos combates, como esconder ou evadir de fogo inimigo, bem como reparar o dano sofrido.

Cada tipo de parte inferior tem as suas vantagens e desvantagens

Passando para as batalhas em si, estas são todas por turnos, sendo que cada turno é dividido em 2 fases. A primeira fase é a de posicionamento dos nossos robots e em seguida o CPU faz o mesmo para os seus robots. Depois lá temos a fase de ataque onde se tivermos algum inimigo no nosso alcance de fogo, podemos disparar. No caso de termos um computador de bordo que nos permita evadir do fogo inimigo também o podemos fazer. Ou poderemos simplesmente recarregar algumas das armas que eventualmente tenhamos usado. Cada batalha termina quando todos os robots inimigos tenham sido destruído, ou a sua base. Uma vez terminada a batalha, ganhamos algum (pouco) dinheiro e somos levados novamente para a tal loja onde podemos prever o próximo campo de batalha e modificar os nossos robots, ou mesmo construir novos.

Infelizmente o dinheiro que ganhamos entre cada combate não é assim tanto pelo que não perder robots é essencial para a sobrevivência

É um jogo relativamente simples mas desafiante pois o dinheiro que ganhamos em caso de vitória não é assim tanto, pelo que vai ser difícil ir acompanhando o poder de fogo inimigo à medida que vamos avançando no jogo. Usar tácticas mais defensivas, como estar perto da base onde poderemos regenerar a vida dos nossos robots pode ser uma boa opção, mas também podemos tentar ser mais sneaky e usar robots mais ligeiros para atacar directamente a base inimiga. De qualquer das formas é muito importante ir registando as passwords que nos vão sendo atribuídas no final de cada batalha, pois caso um dos nossos robots seja destruído, mesmo que vencemos o confronto no final, o mesmo é perdido para sempre ou seja, teremos de construir um robot de novo e o dinheiro nunca dá para tudo. Ainda nas passwords, o jogo vai-nos atribuindo uma password curta e longa e eu recomendo vivamente que anotem a password longa. A curta apenas serve para registar em que ponto do jogo vamos, mas todos os robots que tenhamos construido previamente desaparecem.

As batalhas poderiam ter mais detalhe gráfico, pois a câmara está sempre na perspectiva de um dos nossos robots, mesmo quando está a sofrer dano.

A nível audiovisual é um jogo competente tendo em conta que estamos a falar de um jogo para a Game Gear. As arenas são coloridas, mas seria interessante que houvesse uma maior variedade de cenários. Quando transitamos para um ecrã de batalha temos sempre a câmara na perspectiva de primeira pessoa de um dos nossos robots, que seja para atacar, quer seja quando estamos a sofrer dano. A barra de vida que aparece no ecrã é a barra de vida do robot a ser atacado. Seria interessante uma perspectiva como nos Advance Wars, onde pudéssemos ver ambos os robots e suas barras de vida. Já no que diz respeito ao som, as músicas são agradáveis e nada de especial a apontar aos efeitos sonoros.

Portanto este Head Buster é um jogo de estratégia por turnos que até tem potencial precisamente pela customização que podemos fazer ao criar robots de raiz e que tirem proveito do terreno que iremos enfrentar nos confrontos seguintes. Mas para além do desafio que nos é imposto ao irmos enfrentando inimigos tendencialmente mais fortes em número e poder de fogo, seria bem mais interessante se houvesse aqui uma narrativa qualquer, mesmo que fosse algum dos clichés habituais. Competir para ganhar trocos e ter de enfrentar inimigos mais poderosos a seguir não chega para mim.

The Addams Family (Sega Mega Drive)

O artigo de hoje será mais uma rapidinha, pois é sobre a adaptação do The Addams Family para a Mega Drive. A Ocean desenvolveu a versão original para as consolas da Nintendo e uma série de computadores da época, enquanto a Flying Edge acabou por, mais tarde, obter uma licença da Ocean para converter o mesmo jogo para as consolas da Sega. Como já cá falei da versão Super Nintendo, este artigo será muito mais breve. O meu exemplar foi comprado a um particular algures em Novembro por cerca de 10€.

Jogo com caixa

Ora e este é um jogo de plataformas, supostamente baseado no filme de 1991, mas não me parece que siga os eventos do filme. Aqui controlamos Gomez Addams, o patriarca da família, que terá de explorar todos os recantos da sua mansão e salvar os restantes membros da sua família. E sendo este um jogo de plataformas, a sua jogabilidade é simples com um botão para saltar e um outro para atacar com algumas armas que eventualmente possamos apanhar, como uma espada ou bolas de baseball que poderemos atirar contra os inimigos. Não tendo power ups desses na nossa posse, resta-nos saltar em cima dos inimigos, Mario style.

O que não faltam aqui são salas para explorar e passagens secretas!

E ao reler o artigo da SNES confesso que fui um pouco modesto ao afirmar que este é um jogo algo difícil. Algo é pouco, este é um jogo de plataformas muito desafiante pela quantidade de obstáculos, inimigos e armadilhas que nos devemos desviar. A mansão da família Addams está repleta de passagens secretas que devemos explorar afincadamente, quanto mais não seja para ir amealhando vidas extra que irão certamente ser uma grande ajuda. Também iremos encontrar muitos cifrões que servem como as moedas de Mario, ou seja, a cada 100 que coleccionemos ganhamos uma vida extra. Também vamos poder encontrar alguns power ups mais raros que nos podem dar invencibilidade, velocidade extra ou a capacidade de voar, todos eles de forma temporária. A nossa barra de vida pode ser restabelecida ao apanhar os corações, mas também pode ser extendida ao explorar a mansão e defrontar e derrotar alguns bosses por lá escondidos.

Uma vez resgatados os membros da família Addams, eles vão-se juntando nesta sala

Do ponto de vista audiovisual já a versão SNES não era nada do outro mundo e esta parece ser uma conversão sólida do original, perdendo apenas na redução de cores e um ou outro efeito gráfico nalguns níveis. De resto é muito semelhante à versão SNES, com sprites pequenas mas charmosas e inimigos muito cartoony. As músicas são também bastante agradáveis embora aparentemente nem todas tenham chegado a ser convertidas para a Mega Drive, o que sinceramente não se entende.

World Games (Sega Master System)

A Epyx certamente espremeu bem a vaca dos minijogos baseados em desportos. Desde atletismo de verão e inverno, exploraram também os desportos radicais com dois California Games e a Master System recebeu também uma conversão deste World Games, onde são explorados 4 desportos tradicionais dos continentes Europeu e Norte-Americano. O meu exemplar foi veio através de uma troca que fiz com um amigo meu no passado mês de Dezembro.

Jogo com caixa e manual

Tal como os outros jogos da Epyx deste tipo, temos aqui vários desportos representados, com mecânicas de jogo completamente distintas entre si e que nos obrigarão a umas boas horas de práctica até conseguirmos alcançar bons resultados. Ter o manual já é uma grande ajuda, pois os controlos vão variando de desporto para desporto. Os desportos que cá temos são então o Barrel Jumping da Alemanha, o Caber Toss da Escócia, Log Rolling do Canadá e Bull Riding dos EUA. O primeiro é um desporto onde, com patins de gelo, temos de correr num lago gelado, ganhar velocidade suficiente e saltar sobre uma série de barris colocados em fila e aterrar em segurança, sendo que podemos definir quantos barris queremos colocar antes de cada tentativa. E depois lá começamos a corrida, onde teremos de pressionar os botões da esquerda e direita para ir correndo e ganhar velocidade. Uma vez mais o timing é tudo, pois temos de começar a pressionar os botões lentamente e ir aumentando a velocidade gradualmente. Antes de passar a linha de salto devemos pressionar o botão 2 para saltar e depois, quando já estivermos em pleno ar, pressionar para baixo para preparar a aterragem.

Antes de cada desporto temos direito a uma introdução que nos explica as suas origens

O desporto seguinte é o famoso lançamento de troncos da Escócia, onde o objectivo é o de lançar o tronco o mais longe possível. Tal como no desporto anterior, teremos de pressionar para a esquerda e direita para começar a andar e ganhar velocidade, mas uma vez mais o timing é tudo e também temos de nos preocupar em manter o tronco equilibrado. Uma vez com velocidade suficente (e já na área de lançamento) teremos de manter o botão 2 pressionado para arremessar o tronco e soltá-lo quando o tronco estiver inclinado para a frente. O desporto seguinte é o Log Rolling, onde 2 lenhadores se põe em pé, em cima de um tronco a flutuar no rio e a ideia é ir rolando o tronco com os pés e desiquilibrar o nosso oponente. Ganha quem mandar o oponente à água primeiro. E aqui temos de ir pressionando os botões 1 ou 2 para fazer o tronco rolar para a frente ou para trás e temos de ir estando atentos ao medidor de equilíbrio para nos tentarmos manter equilibrados. Mas é estranho, não dá para entender muito bem o que temos de fazer para ganhar. O que vale é que em confrontos por multiplayer ambos os jogadores ficam em pé de igualdade sem saber bem o que fazer. Por fim, o último desporto é o típico rodeo dos Westerns, onde um cowboy monta um touro bravo e a ideia é aguentar um determinado intervalo de tempo em cima do touro. Começamos por escolher qual touro queremos montar e depois temos de usar o d-pad e pressionar as mesmas direcções que o touro se vai virando e quando estivermos prestes a cair, deveremos pressionar para baixo no d-pad para nos mantermos em cima do mesmo.

Lembro-me de em criança ter visto uma imagem destas e ter ficado com vontade de o jogar!

A nível audiovisual é um jogo relativamente bem detalhado, tendo em conta que apenas temos estes quatro desportos para testar, não havendo mais variedade para além desses desportos. O de log rolling é o que apresenta maior detalhe, com sprites grandes e bem animadas (quem diria que haviam tubarões em rios no Canadá?). Não é por acaso que usavam imagens desse desporto nos screenshots e foi sempre esse desporto que me ficou na memória em criança. Já nas músicas, nada de especial a apontar aqui, pois as músicas até que são agradáveis.

Tal como nos outros jogos da família Games, aprender e dominar os controlos é sempre o grande desafio

Portanto temos aqui mais um jogo “Games”, onde nos são apresentados uma série de diferentes desportos, com controlos que nos obrigam a ter uma grande práctica se queremos ter uma boa prestação no jogo. Mas tal como os outros também não temos grande incentivo a jogar sozinhos, mas sim com amigos. Pois o que aqui temos resume-se apenas àqueles 4 eventos e é só. Se nos anos 80/90 tivesse pago full price por um jogo destes, provavelmente ficaria um pouco chateado.

The Witcher 2: Assassins of Kings (PC)

Anos depois de ter terminado o primeiro Witcher, lá acabei por finalmente pegar no segundo jogo da série e o primeiro sentimento me vem à cabeça é desilusão. Não com o jogo claro, pois esse é excelente, mas sim desilusão comigo mesmo por não o ter jogado mais cedo! O meu exemplar, uma belíssima edição de coleccionador da primeira versão do jogo, foi comprada algures no final de 2012 na extinta Game do Maiashopping por menos de 33€. A CD Projekt Red permitiu no entanto que todos os que compraram a primeira versão do jogo tivessem direito ao upgrade gratuíto para a sua versão Enhanced Edition, que para além de ter incluído um novo modo de jogo (Arena) que não testei, trazia também algumas novas sidequests e cutscenes.

Edição Premium com vários extras, incluindo uma caixa de cartão, manual, guia, dvd com making of, cd com a banda sonora, papelada diversa como origamis, um mapa e uma moeda. Uma edição de coleccionador como eu gosto! Sinceramente dispenso as action figures.

Ora esta história é uma sequela directa do seu predecessor: Geralt continua amnésico sem se lembrar do seu passado e está agora ao serviço do rei Foltest de Vizima, depois de o ter salvo de uma tentativa de assassinato no final do último jogo. Mas tal como o subtítulo Assassins of Kings o indica, nesta aventura o foco central da história está mesmo na existência de uma grande conspiração para assassinar reis. A cutscene inicial mostra como o rei Demavend do país vizinho de Aedirn foi assassinado e durante o prólogo iremos ver como Foltest acaba por ser assassinado mesmo à frente de Geralt, uma vez mais por um outro witcher. Sem grandes testemunhas, Geralt é o principal suspeito da morte de Foltest, pelo que iremos jogar o resto da aventura como fugitivos e tentar provar a inocência de Geralt, ao desmascarar os verdadeiros culpados.

O tutorial, apesar de opcional, é uma óptima maneira de nos ambientarmos aos controlos do jogo

Tal como o seu predecessor este é um RPG de fantasia medieval mais virado para uma audiência adulta, pois para além de ser um jogo violento e cenas de sexo e nudez serem comuns (afinal o que não faltam são bordéis que podemos frequentar à vontade), o jogo apresenta uma narrativa muito complexa, repleta de trama política, conflitos raciais, moralidades dúbias e teremos muitas vezes de fazer algumas escolhas difíceis. Escolhas essas que poderão ter impacto no resto da história e nos aliados e inimigos que iremos fazer. Mas lá está, em muitos casos a escolha a tomar não é fácil pois todas as personagens de relevo que iremos lidar são tiranos, corruptos ou possuem aspirações não muito honestas. É um mundo cheio de escolhas numa escala de cinzento! E tendo em conta que as escolhas que vamos tomando podem levar-nos a obter quests completamente diferentes e mutuamente exclusivas, bem como alcançar um de oito finais possíveis, há aqui uma boa longevidade para quem quiser rejogar o jogo e explorar outras opções.

O menu rápido foi uma boa adição, pois permite-nos mapear teclas de atalho para usar magias ou armas secundárias

No que diz respeito ao combate, esse foi totalmente melhorado, sendo agora muito mais rápido e dinâmico. Temos ainda de alternar entre armas de aço ou prata, sendo que as de prata são mais eficazes perante criaturas sobrenaturais, enquanto as de aço perante inimigos humanóides (humanos, elfos, anões), mas depois todo o combate é bem mais rápido e dinâmico. O botão esquerdo do rato serve para desferir ataques rápidos, já o direito serve para ataques mais fortes e, com o rato controlamos também a câmara e seleccionamos os alvos que queremos atacar. Teremos também de bloquear ou evadir os golpes inimigos para quebrar a sua guarda e conseguir fazer alguns combos. Geralt possui logo de início a capacidade de usar magias, bem como armas adicionais como facas, bombas ou plantar armadilhas. Estas podem ser seleccionadas nos botões numéricos, mas a CD Projekt Red incluiu também um menu rápido que permite pré-definir uma magia e uma arma adicional para teclas de atalho. Confesso que inicialmente era muita informação para absorver ao mesmo tempo, mas o tutorial ajudou e depois das primeiras horas de jogo já tinha tudo bem interiorizado, com o movimento a dar-se com as teclas WASD mais o rato para controlar a câmara e os botões Q como tecla de atalho para a magia seleccionada, E para bloquear, R para usar as tais armas secundárias que poderíamos também prédefinir com o tal menu rápido.

O combate tornou-se bem mais rápido e dinâmico, o que é uma óptima notícia

Tal como o seu antecessor temos aqui também um bom sistema de crafting, onde poderemos criar poções, bombas, armadilhas ou mesmo armas e outro tipo de equipamento, se recorrermos a algum artesão. Para além de fórmulas ou diagramas que nos indiquem a sua receita, o sistema de crafting precisa também, claro está, de ingredientes. E estes tanto podem ser ervas que vamos apanhando, partes do corpo dos monstros que vamos derrotando ou outros materiais que podemos também encontrar ou comprar como metais, tecidos, madeira e afins. As poções tanto nos podem dar habilidades especiais de forma temporária, como ver melhor no escuro, ou melhorar a nossa resistência a veneno, fogo e afins, bem como melhorar o nosso metabolismo, como regenerar vida ou stamina mais rapidamente. Também podemos criar óleos que podem ser aplicados nas nossas armas e conferir-lhes habilidades especiais de forma temporária, bem como as tais bombas e armadilhas que podemos usar no combate. Alguns confrontos mais desafiantes como os bosses vão-nos levar a fazer todas estas preparações antecipadamente. É certo que Geralt possui um inventário limitado, mas é sempre bom estar preparado!

Triss Merigold, Zoltan e Dandelion, as caras conhecidas do primeiro jogo que marcam cá a sua presença novamente

De resto, à medida que combatemos ou cumprimos quests vamos ganhar pontos de experiência e subir de nível. Cada vez que subimos de nível temos também pontos de talento que poderemos usar ao evoluir algumas skills. Inicialmente apenas podemos escolher as skills da árvore de treino, e uma vez completa essa pequena skill tree, poderemos assignar os restantes pontos de talento em skill trees maiores, nas áreas das espadas, magia ou alquimia. Estas irão melhorar as nossas capacidades de combate com as espadas, melhorar os efeitos das magias ou das poções que criamos. Não há pontos de talento suficientes para evoluir todas as árvores a 100%, pelo que deveremos escolher com alguma atenção quais as habilidades que queremos aprender e/ou evoluir.

Mini jogos como o poker dice ou as lutas corpo-a-corpo estão de volta e com diferentes mecânicas de jogo

A nível gráfico, para um jogo de 2011, acho que ficou bem conseguido. Não é um RPG open world como a série Elder Scrolls, pelo que os cenários que iremos explorar são mais pequenos, com diferentes áreas a serem exploradas ao longo do prólogo, capítulos 1, 2, 3 e epílogo, sendo que não poderemos voltar às localizações anteriores quando avançamos para o capítulo seguinte. Ainda assim há muito para explorar, como grandes fortalezas, a pequena cidade de Flotsam e as suas imediações na floresta, o campo de batalha do exército de Kaedwin e a cidade de Vergen, culminando na exploração das ruínas de uma cidade que outrora albergava uma grande Ordem dos feiticeiros. Sendo este um jogo produzido por um estúdio polaco, cuja nação tem uma grande História, sempre gostei das suas representações mais realistas da realidade da Idade Média e isso vê-se bem na cidade de Flotsam. É uma cidade suja, com edifícios decadentes e feitos de pedra ou madeira e longe das estruturas imponentes que outros RPGs medievais nos apresentam. De resto teremos também florestas densas, pantanosas, cavernas, bem como as tais fortalezas imponentes para explorar. Já as personagens também temos de tudo, desde nobres bem limpinhos, como camponeses desdentados e com as roupas feitas em trapos. Sinceramente acho que a nível gráfico é um jogo bem detalhado, principalmente para os padrões de 2011 e temos de ver que nessa altura a CD Projekt Red ainda era um estúdio relativamente modesto. Já no que diz respeito ao som, esperem pelas músicas mais acústicas com melodias típicas da idade média, mas também algumas músicas mais orquestrais e épicas que entram em cena quando as coisas apertam. O voice acting é bastante competente, tendo em conta que joguei a versão em inglês.

O jogo apresenta-nos várias escolhas difíceis. Por exemplo, um dos contratos que podemos adquirir em Flotsam é o de exterminar este troll. Será que o devemos matar ou ouvir o seu lado da história?

Portanto devo dizer que gostei bastante deste Witcher 2: Assassins of Kings. A jogabilidade ficou de facto muito melhor nos combates e a narrativa é mais uma vez excelente. A história vai dando algumas reviravoltas interessantes, e as alianças e decisões que temos de tomar ao longo do jogo serão escolhas por vezes difíceis onde temos de optar pelo mal menor. Para além de que o jogo terminou de uma forma que antecipa os eventos que serão narrados no Witcher 3, pelo que a vontade em começar a terceira aventura está ao rubro! Não o vou jogar já, mas certamente não irei esperar o tempo que levei até pegar finalmente neste jogo.