The Witcher 2: Assassins of Kings (PC)

Anos depois de ter terminado o primeiro Witcher, lá acabei por finalmente pegar no segundo jogo da série e o primeiro sentimento me vem à cabeça é desilusão. Não com o jogo claro, pois esse é excelente, mas sim desilusão comigo mesmo por não o ter jogado mais cedo! O meu exemplar, uma belíssima edição de coleccionador da primeira versão do jogo, foi comprada algures no final de 2012 na extinta Game do Maiashopping por menos de 33€. A CD Projekt Red permitiu no entanto que todos os que compraram a primeira versão do jogo tivessem direito ao upgrade gratuíto para a sua versão Enhanced Edition, que para além de ter incluído um novo modo de jogo (Arena) que não testei, trazia também algumas novas sidequests e cutscenes.

Edição Premium com vários extras, incluindo uma caixa de cartão, manual, guia, dvd com making of, cd com a banda sonora, papelada diversa como origamis, um mapa e uma moeda. Uma edição de coleccionador como eu gosto! Sinceramente dispenso as action figures.

Ora esta história é uma sequela directa do seu predecessor: Geralt continua amnésico sem se lembrar do seu passado e está agora ao serviço do rei Foltest de Vizima, depois de o ter salvo de uma tentativa de assassinato no final do último jogo. Mas tal como o subtítulo Assassins of Kings o indica, nesta aventura o foco central da história está mesmo na existência de uma grande conspiração para assassinar reis. A cutscene inicial mostra como o rei Demavend do país vizinho de Aedirn foi assassinado e durante o prólogo iremos ver como Foltest acaba por ser assassinado mesmo à frente de Geralt, uma vez mais por um outro witcher. Sem grandes testemunhas, Geralt é o principal suspeito da morte de Foltest, pelo que iremos jogar o resto da aventura como fugitivos e tentar provar a inocência de Geralt, ao desmascarar os verdadeiros culpados.

O tutorial, apesar de opcional, é uma óptima maneira de nos ambientarmos aos controlos do jogo

Tal como o seu predecessor este é um RPG de fantasia medieval mais virado para uma audiência adulta, pois para além de ser um jogo violento e cenas de sexo e nudez serem comuns (afinal o que não faltam são bordéis que podemos frequentar à vontade), o jogo apresenta uma narrativa muito complexa, repleta de trama política, conflitos raciais, moralidades dúbias e teremos muitas vezes de fazer algumas escolhas difíceis. Escolhas essas que poderão ter impacto no resto da história e nos aliados e inimigos que iremos fazer. Mas lá está, em muitos casos a escolha a tomar não é fácil pois todas as personagens de relevo que iremos lidar são tiranos, corruptos ou possuem aspirações não muito honestas. É um mundo cheio de escolhas numa escala de cinzento! E tendo em conta que as escolhas que vamos tomando podem levar-nos a obter quests completamente diferentes e mutuamente exclusivas, bem como alcançar um de oito finais possíveis, há aqui uma boa longevidade para quem quiser rejogar o jogo e explorar outras opções.

O menu rápido foi uma boa adição, pois permite-nos mapear teclas de atalho para usar magias ou armas secundárias

No que diz respeito ao combate, esse foi totalmente melhorado, sendo agora muito mais rápido e dinâmico. Temos ainda de alternar entre armas de aço ou prata, sendo que as de prata são mais eficazes perante criaturas sobrenaturais, enquanto as de aço perante inimigos humanóides (humanos, elfos, anões), mas depois todo o combate é bem mais rápido e dinâmico. O botão esquerdo do rato serve para desferir ataques rápidos, já o direito serve para ataques mais fortes e, com o rato controlamos também a câmara e seleccionamos os alvos que queremos atacar. Teremos também de bloquear ou evadir os golpes inimigos para quebrar a sua guarda e conseguir fazer alguns combos. Geralt possui logo de início a capacidade de usar magias, bem como armas adicionais como facas, bombas ou plantar armadilhas. Estas podem ser seleccionadas nos botões numéricos, mas a CD Projekt Red incluiu também um menu rápido que permite pré-definir uma magia e uma arma adicional para teclas de atalho. Confesso que inicialmente era muita informação para absorver ao mesmo tempo, mas o tutorial ajudou e depois das primeiras horas de jogo já tinha tudo bem interiorizado, com o movimento a dar-se com as teclas WASD mais o rato para controlar a câmara e os botões Q como tecla de atalho para a magia seleccionada, E para bloquear, R para usar as tais armas secundárias que poderíamos também prédefinir com o tal menu rápido.

O combate tornou-se bem mais rápido e dinâmico, o que é uma óptima notícia

Tal como o seu antecessor temos aqui também um bom sistema de crafting, onde poderemos criar poções, bombas, armadilhas ou mesmo armas e outro tipo de equipamento, se recorrermos a algum artesão. Para além de fórmulas ou diagramas que nos indiquem a sua receita, o sistema de crafting precisa também, claro está, de ingredientes. E estes tanto podem ser ervas que vamos apanhando, partes do corpo dos monstros que vamos derrotando ou outros materiais que podemos também encontrar ou comprar como metais, tecidos, madeira e afins. As poções tanto nos podem dar habilidades especiais de forma temporária, como ver melhor no escuro, ou melhorar a nossa resistência a veneno, fogo e afins, bem como melhorar o nosso metabolismo, como regenerar vida ou stamina mais rapidamente. Também podemos criar óleos que podem ser aplicados nas nossas armas e conferir-lhes habilidades especiais de forma temporária, bem como as tais bombas e armadilhas que podemos usar no combate. Alguns confrontos mais desafiantes como os bosses vão-nos levar a fazer todas estas preparações antecipadamente. É certo que Geralt possui um inventário limitado, mas é sempre bom estar preparado!

Triss Merigold, Zoltan e Dandelion, as caras conhecidas do primeiro jogo que marcam cá a sua presença novamente

De resto, à medida que combatemos ou cumprimos quests vamos ganhar pontos de experiência e subir de nível. Cada vez que subimos de nível temos também pontos de talento que poderemos usar ao evoluir algumas skills. Inicialmente apenas podemos escolher as skills da árvore de treino, e uma vez completa essa pequena skill tree, poderemos assignar os restantes pontos de talento em skill trees maiores, nas áreas das espadas, magia ou alquimia. Estas irão melhorar as nossas capacidades de combate com as espadas, melhorar os efeitos das magias ou das poções que criamos. Não há pontos de talento suficientes para evoluir todas as árvores a 100%, pelo que deveremos escolher com alguma atenção quais as habilidades que queremos aprender e/ou evoluir.

Mini jogos como o poker dice ou as lutas corpo-a-corpo estão de volta e com diferentes mecânicas de jogo

A nível gráfico, para um jogo de 2011, acho que ficou bem conseguido. Não é um RPG open world como a série Elder Scrolls, pelo que os cenários que iremos explorar são mais pequenos, com diferentes áreas a serem exploradas ao longo do prólogo, capítulos 1, 2, 3 e epílogo, sendo que não poderemos voltar às localizações anteriores quando avançamos para o capítulo seguinte. Ainda assim há muito para explorar, como grandes fortalezas, a pequena cidade de Flotsam e as suas imediações na floresta, o campo de batalha do exército de Kaedwin e a cidade de Vergen, culminando na exploração das ruínas de uma cidade que outrora albergava uma grande Ordem dos feiticeiros. Sendo este um jogo produzido por um estúdio polaco, cuja nação tem uma grande História, sempre gostei das suas representações mais realistas da realidade da Idade Média e isso vê-se bem na cidade de Flotsam. É uma cidade suja, com edifícios decadentes e feitos de pedra ou madeira e longe das estruturas imponentes que outros RPGs medievais nos apresentam. De resto teremos também florestas densas, pantanosas, cavernas, bem como as tais fortalezas imponentes para explorar. Já as personagens também temos de tudo, desde nobres bem limpinhos, como camponeses desdentados e com as roupas feitas em trapos. Sinceramente acho que a nível gráfico é um jogo bem detalhado, principalmente para os padrões de 2011 e temos de ver que nessa altura a CD Projekt Red ainda era um estúdio relativamente modesto. Já no que diz respeito ao som, esperem pelas músicas mais acústicas com melodias típicas da idade média, mas também algumas músicas mais orquestrais e épicas que entram em cena quando as coisas apertam. O voice acting é bastante competente, tendo em conta que joguei a versão em inglês.

O jogo apresenta-nos várias escolhas difíceis. Por exemplo, um dos contratos que podemos adquirir em Flotsam é o de exterminar este troll. Será que o devemos matar ou ouvir o seu lado da história?

Portanto devo dizer que gostei bastante deste Witcher 2: Assassins of Kings. A jogabilidade ficou de facto muito melhor nos combates e a narrativa é mais uma vez excelente. A história vai dando algumas reviravoltas interessantes, e as alianças e decisões que temos de tomar ao longo do jogo serão escolhas por vezes difíceis onde temos de optar pelo mal menor. Para além de que o jogo terminou de uma forma que antecipa os eventos que serão narrados no Witcher 3, pelo que a vontade em começar a terceira aventura está ao rubro! Não o vou jogar já, mas certamente não irei esperar o tempo que levei até pegar finalmente neste jogo.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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