Broken Sword: The Sleeping Dragon (PC)

Após 2 jogos de sucesso lançados sucessivamente, o estúdio Revolution deixou a série de lado durante alguns anos, até que em 2003 lançou finalmente o terceiro capítulo da saga para o PC, PS2 e Xbox. Infelizmente muitas mudanças foram feitas à jogabilidade, a começar nos gráficos e movimentação 3D e o abandono do conceito “point and click“. Compreendo que mudanças teriam de ser feitas pois o género de jogos de aventura já há muito que estava gasto e imensas séries conceituadas acabaram por ir para o Limbo. Ainda assim, na minha opinião deram imensos passos na direcção errada. Mas já lá vamos. Tal como os outros 2 Broken Sword, este jogo foi comprado numa Steam sale a um preço tão irrisório que aconselho toda a gente a comprar.

Broken Sword The Sleeping DragonO jogo decorre uns tempos após a segunda aventura, com o “casalinho” George Stobbart e Nicole Collard a seguirem cada um as suas vidas. Mas mais uma vez o destino os traz juntos, quando um hacker parisiense que se encontrava a desencriptar um manuscrito antigo e um arqueólogo em pleno Congo são ambos assassinados por intermédio de uma nova organização secreta, formada após a queda dos Neo-Templários no primeiro Broken Sword. O jogo vai-se desenrolando até que a trama começa a adquirir alguns contornos sobrenaturais, com civilizações antigas bastante avançadas tecnologicamente, dragões e uma energia bastante poderosa produzida pelo planeta que os vilões querem controlar a todo o custo.

A jogabilidade foi notoriamente adaptada para as consolas, com a versão PC sem qualquer suporte ao rato, mesmo para navegar nos menus iniciais. A falta de um analógico no PC é um pouco limitativa no movimento da personagem, principalmente por não se ter qualquer controlo sob a câmara e quando o jogo decide mudar os ângulos por vezes pode ser incomodativo. Foi bastante frustrante num ou noutro segmento que passo já a explicar: em certos pontos do jogo vão existir alguns momentos em que a personagem pode morrer, para que isso não aconteça é necessário correr ao longo de um corredor sem qualquer demora de maior e por vezes essa mudança no ângulo acabou por levar a um “game over” desnecessariamente. Felizmente quando isso acontece o jogo recomeça automaticamente do momento anterior, para uma nova tentativa.A movimentação entre obstáculos também poderia ser melhor executada. Outra coisa que surgiu neste jogo foi a implementação de alguns “Quick Time Events“, algo que nunca fui particularmente fã. Felizmente apenas consistem em pressionar sempre o mesmo botão num ou noutro momento chave.

Screenshot

A aventura de George começa com um pequeno desastre aéreo e logo com um “puzzle” de arrastar caixotes.

Outros elementos “novos” na série são algumas secções em que exige stealth para infiltrar (ou escapar) certos locais. No jogo anterior já existia uma ou outra secção do género, mas aqui aparecem em maior número. De resto o progresso no jogo assenta essencialmente na exploração dos cenários, interacção entre objectos e diálogos chave com certas pessoas, nada de novo aqui. Existem puzzles, desta vez mais adequados a um jogo de aventura em 3D. Ainda assim existe um exagero nuns puzzles tradicionais de arrastar caixotes/pedras ao longo de várias secções para aceder a outras áreas. Estes puzzles repetem-se muitas vezes e acabam por ser completamente desinspirados.

Graficamente o jogo não é nada de especial, mesmo para uns padrões de 2003. Ainda assim as animações pareceram-me interessantes. O factor nostalgia existe ao longo do jogo todo, com algumas áreas clássicas a serem revisitadas, ou mesmo o regresso de alguns items, uns mais úteis que outros. O voice-acting continua excelente, ao menos isso. O jogo mantém um bom sentido de humor, essencialmente na secção que decorre em Inglaterra, com personagens mais carismáticas. Ainda assim, está uns furos abaixo do charme que o jogo original tinha neste campo.

Screenshot

A praça de Mountfaçon regressa em 3D. Os veteranos irão reconhecer aquela personagem.

Tenho pena que a série tenha enveredado por este caminho, existe um quarto jogo que é igualmente em 3D, mantendo diversos elementos da jogabilidade deste jogo presentes. Pelo que li algures, parece que corrigiram algumas falhas deste jogo, mas ainda assim preferia de longe a velha fórmula dos clássicos. Os fãs acham o mesmo e existe por aí um fangame intitulado Broken Sword 2.5, sendo este completamente em 2D e incorporando todos os elementos da jogabilidade clássica. Não sei o que a Revolution anda a planear fazer com a série, mas gostaria que regressassem às origens definitivamente. Com o a popularidade actual da distribuição digital de videojogos, certamente seria mais fácil para a empresa agradar a um certo nicho de mercado, como fazem muitas outras. Veremos.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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2 respostas a Broken Sword: The Sleeping Dragon (PC)

  1. Mike diz:

    Análise brutal. Não me posso considerar um fã da série, porque na verdade apenas joguei este broken sword (para PS2). Mas lembro-me bastante bem de namorar os títulos precedentes nas lojas de videojogos, e ainda penso pegar nesses jogos. É um estilo de jogo que fazia falta voltar ao mercado, e penso que em breve voltará em força. Se for com Broken Sword melhor ainda. Deste género ainda só peguei mais a sério em Discworld

  2. cyberquake diz:

    Disseram-me logo depois de eu escrever este artigo que a Revolution está a preparar um novo BS, novamente em 2D e desenvolvido com a equipa original. Foi um projecto lançado no Kickstarter! Eu nunca joguei muito jogos deste género, mas qualquer dia lanço-me sem medo. O Discworld e os Monkey Island são 2 séries que me interessam, por acaso.

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