Mortal Kombat II (Sega 32X)

Tempo de voltar a uma rapidinha e também de voltar à Sega 32X, o último e malfadado add-on que a Sega trouxe para a Mega Drive, na esperança de extender um pouco mais a sua vida comercial. A 32X acabou por se revelar num fracasso comercial e sinceramente a Mega Drive ainda recebeu uns quantos bons jogos entre 1994 e 1997, pelo que o acessório não foi tão fundamental assim. Um dos jogos lançados neste sistema foi uma versão do Mortal Kombat II, cuja conversão ficou também a cargo da Probe, que já haviam convertido a versão Mega Drive anteriormente. O meu exemplar veio cá parar através de uma troca que fiz com um amigo no passado mês de Maio.

Jogo com caixa e manual

Ora a razão pela qual este artigo é uma rapidinha é precisamente porque já cá trouxe várias vezes este jogo em múltiplas plataformas, a começar pela sua conversão Mega Drive que deverá certamente ter sido a mais popular em Portugal nos anos 90. O que traz esta versão da 32X de diferente? Bom a começar, é uma versão graficamente mais próxima do original arcade e inclui diverso conteúdo que havia sido cortado na versão da Mega Drive. Logo no início, temos direito a um ecrã que conta a história do jogo, bem como acesso às biografias de todos os lutadores, algo que ficou de fora na versão da Mega Drive. A nível de jogabilidade é uma versão idêntica, onde o uso de um comando de 6 botões é fortemente recomendado.

Uma das adições desta versão 32X são os ecrãs que contam a história do jogo, assim como as biografias dos lutadores

As maiores diferenças vão no entanto para os gráficos como já havia mencionado acima, mas também para o som. Por um lado as sprites dos lutadores estão agora mais detalhadas e mais coloridas, as suas sombras são mais realistas ao invés de meros círculos negros, assim como as arenas têm mais cor e detalhe. No entanto é curioso, porque aparentemente o hardware da 32X renderiza apenas os lutadores, suas sombras, golpes e eventualmente alguns detalhes adicionais das arenas. Já as arenas em si são aparentemente processadas pela Mega Drive que possui um hardware muito mais limitativo ao número de cores diferentes apresentadas em simultâneo no ecrã. A razão pelas arenas terem muito melhor aspecto nesta versão, recairá portanto no facto de ao a 32X renderizar os lutadores, liberta algum “espaço” para mais cores ficarem disponíveis para serem apresentadas nos cenários, assim como mais detalhes também. O som é outra das grandes diferenças, como já referi anteriormente. Não na banda sonora, que se mantém idêntica à da Mega Drive (que por sua vez era diferente da versão arcade), mas sim em todos os clipes de voz digitalizada, que para além de serem de muito melhor qualidade, muitos desses clipes de voz ou outros efeitos sonoros que foram cortados na versão Mega Drive estão aqui presentes, o que ajuda bastante na apresentação do jogo como um todo.

Graficamente é também uma versão superior, com os lutadores e arenas melhor detalhados

Portanto esta versão do Mortal Kombat II é sem dúvida superior à sua incarnação original na Mega Drive. Agora se em 1995 valeria a pena comprar uma 32X de propósito para jogar esta versão? Seguramente que não. No entanto o facto de ser uma versão superior faz aumentar a sua procura no seio dos coleccionadores e, não tendo sido produzidas lá muitas unidades, o seu preço infelizmente também está longe de ser atractivo.

Primal Rage (Sega Mega Drive)

Vamos a mais uma super rapidinha, desta vez na Mega Drive e uma nova abordagem ao Primal Rage, que já cá trouxe a versão SNES no passado. E apesar do jogo não ter sido propriamente um grande clássico, foi um daqueles títulos lançados no seguimento do Mortal Kombat, sendo um jogo de luta bastante violento e desenvolvido originalmente com sprites pré-renderizadas. A sua versão arcade era então um jogo bem bonito e violento, cujas adaptações para as consolas da época vieram sempre com algumas limitações, particularmente as versões 8 e 16bit. O meu exemplar foi comprado em Novembro numa CeX, tendo-me custado 10€.

Jogo com caixa e manuais

A versão Mega Drive, apesar de não possuir a censura de uma das fatalities que existe na versão Super Nintendo, acaba por ser uma conversão que fica muito aquém das expectativas. Graficamente, tanto as personagens como os cenários não possuem tanto detalhe visual devido às limitações impostas pelo hardware da Mega Drive. Os lutadores perderam muitos frames de animação, sendo esta versão também menos fluída que a da SNES. Para além disso, aparentemente esta conversão foi baseada numa versão mais antiga do original, faltando-lhe alguns combos e fatalities. De resto, tirando estes inconvenientes, é practicamente a mesma coisa que a versão SNES, pelo que recomendo a leitura desse artigo para mais detalhes.

Judge Dredd (Sega Mega Drive)

Voltando à Mega Drive, vamos ficar com mais uma adaptação para videojogo de um filme de acção de Hollywood da década de 90. Judge Dredd, que por sua vez era baseado numa banda desenhada de mesmo nome, não é um dos filmes mais bem sucedidos em que o Sylvester Stallone alguma vez participou. Só vi o filme uma vez e não me ficou quase nada na memória. Felizmente o jogo, pelo menos esta versão da Mega Drive, parece ser bem mais sólido. O meu exemplar foi comprado numa loja no norte do País algures em Setembro deste ano por 15€.

Jogo com caixa

Tal como no filme, o jogo decorre num futuro apocalíptico, onde o sistema de justiça foi todo reformulado. Agora as forças de justiça são basicamente polícias super poderosos com poder judicial, que podem desde logo apreender, julgar e sentenciar os criminosos de uma vez só, incluindo sentenças de morte que são prontamente executadas. Nós encarnamos no Judge Dredd, que no filme é protagonizado pelo Sylvester Stallone e que acaba por ser incriminado de um crime que não cometeu, pelo que teremos de provar a sua inocência. Mas aparentemente este jogo vai mais longe do que o filme, apresentando um novo arco da história que decorre logo após os acontecimentos narrados no filme.

Antes de cada missão temos direito a um briefing que nos explica os seus objectivos

Já no que diz respeito à jogabilidade, esta é a típica de um jogo de acção em 2D sidescroller da época, onde temos um botão para saltar, outro para disparar e um outro para alternar por entre as diversas armas que teremos disponíveis. Cada nível possui um objectivo primário, que poderá passar por interagir com uma série de terminais, resgatar reféns ou destruir alguns objectos específicos. Mas também temos objectivos secundários opcionais, que tipicamente traduzem-se em apreender/executar o máximo de bandidos possível. E a parte das apreensões é interessante, pois alguns inimigos podem-se render e se os prendermos em vez de os matar a tiro ganhamos mais pontos e eventualmente alguns power ups extra. Mas fora isso, não há qualquer problema em matar bandidos em vez de os prender. Até porque nem todos se rendem!

Alguns dos bandidos podem-se render e devemos prendê-los para sacar alguns pontos e/ou power ups extra

A acompanhar Dredd temos a fiel pistola de balas infinitas, mas ao longo do jogo iremos poder apanhar imensas outras armas ou munições que poderemos alternar livremente entre elas com o botão C. Desde explosivos, mísseis teleguiados ou mesmo balas de borracha que, apesar de não serem letais, podem obrigar certos inimigos a renderem-se. Outros itens que podemos encontrar podem-se traduzir em medkits que nos regenerem a barra de vida, vidas extra, itens genéricos que nos aumentam a pontuação, invencibilidade temporária ou um jetpack que nos permitirá voar livremente pelo nível também dentro de um tempo limite. De resto este é um jogo de acção em 2D que não anda muito longe de outros exemplos da Probe no seu design de níveis. Estes são tipicamente labirínticos, repletos de portas, escadas e passagens para explorar, com imensos inimigos para defrontar também. Os objectivos traçados para cada missão obrigam-nos mesmo a explorá-los bem, e só depois nos deveremos encaminhar para a saída. Felizmente não temos um tempo limite como no Alien 3, mas visto que os níveis são bastante grandes e labirínticos, sinceramente as coisas acabam por se tornar um pouco aborrecidas ao fim de algum tempo. E convém jogar com algum cuidado pois os inimigos conseguem-nos causar muito dano. Os bosses em particular são especialmente frustrantes pois não possuem grande estratégia para os derrotar. São esponjas de balas e basicamente teremos de atacar com tudo e manter-nos também em movimento constante para evitar perder uma vida.

Os terminais que encontramos para além de poderem servir para cumprir objectivos, também podem ser usados para consultar alguns detalhes adicionais

A nível audiovisual, nada de especial a apontar aqui. Os níveis apesar de não serem muito interessantes de explorar pela sua natureza labiríntica, até que são bem detalhados e algo variados entre si, ao mostrar zonas urbanas futuristas, prisões decadentes, ruínas antigas, entre outros. Mas gostei particularmente do design dos inimigos e cenários a partir da segunda fase do jogo, que já não é baseada no filme. Aqui iremos enfrentar os Dark Judges que já possuem um aspecto bem mais demoníaco! A nível de som nada de especial a apontar nos efeitos sonoros. Já as músicas devo dizer que não gostei tanto. Aquelas que são mais rock, apesar de eu apreciar o género musical em si, não gostei muito das composições e principalmente da qualidade do som que não é de todo a melhor. As músicas mais calmas já são mais audíveis e não incomodam tanto, mas também não são propriamente memoráveis.

Até que gosto do design futurista de alguns cenários!

Portanto este Judge Dredd da Mega Drive é mais um jogo de acção da Probe. Não reinventa a roda, não é um clássico da era 16bit, mas a Acclaim já publicou coisas bem piores. Se alguns dos níveis não fossem tão labirínticos talvez o teria apreciado mais, mas não deixa de ser um jogo sólido na minha opinião.

Lemmings (Sega Master System)

Voltando às rapidinhas que já cá trouxe várias versões do Lemmings, esta da Master System até que acaba por ser uma conversão bastante interessante tendo em conta as limitações da plataforma. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no mês passado de Julho por 5€.

Jogo com caixa e manual

Tal como nas outras versões deste jogo, o nosso objectivo é o de guiar os lemmings em segurança até à saída do nível em questão, onde teremos de ultrapassar muitos obstáculos e evitar armadilhas. Para isso teremos à nossa disposição uma série de diferentes habilidades como escalar paredes, cavar túneis, construir pontes, entre muitas outras, que deveremos assignar aos lemmings para os ajudar na sua travessia. Mas as coisas rapidamente começam a ficar desafiantes pois os lemmings a partir do momento em que entram num nível, eles começam a andar automaticamente da esquerda para a direita e, assim que encontrarem uma parede, voltam para trás e por aí fora. Portanto por vezes a primeira acção a fazer é mesmo colocar o primeiro lemming numa posição de parar o trânsito, obrigando os restantes a voltar para trás, prevenindo que caiam nalgum abismo.

Alguns níveis são exclusivos das versões Sega 8bit

Outras vezes teremos múltiplos pontos de entrada de lemmings que teremos de gerir ao mesmo tempo, já noutras situações poderemos ter um número muito reduzido de habilidades disponíveis para activar, pelo que teremos mesmo de resolver alguns quebra cabeças para finalizar certos níveis. Felizmente que, antes de começarmos cada nível temos a opção de o observar primeiro, ao pressionar o botão 1 que nos levará a uma preview. Outra coisa que recomendo vivamente é que joguem isto próximo da consola. Nalguns níveis por vezes teremos mesmo muito pouco tempo para seleccionar uma habilidade e levar o cursor para o lémingue em questão. Ao pressionar no botão de Pausa, todos os lémingues param no tempo, mas nós podemos mover o cursor na mesma e ir seleccionando as habilidades pretendidas. Como o botão de pausa na Master System fica na própria consola, dá jeito jogarmos próximo da mesma então.

Os blockers devem ser usados com critério, até porque tipicamente têm de ser sacrificados no final e poderemos não atingir a quota de sobrevivência

De resto temos aqui dezenas e dezenas de níveis, espalhados ao longo de diferentes níveis de dificuldade. Estes estão representados de uma forma mais simplificada que os originais, até porque temos um número máximo de 20 lemmings em simultâneo no ecrã. De resto, a nível gráfico em si, esta versão não fica muito atrás das restantes, pois já a versão original possui gráficos simples. Esta versão Master System possui é uns quantos níveis novos, que não existem noutras versões, sendo muitos deles dedicados à própria Sega, com o azul e branco do seu logotipo a ser predominante. Outra das coisas que me deixou agradavelmente surpreendido por esta versão é a qualidade das músicas. Estas, pelo menos a maioria, reconheci facilmente de outras versões do Lemmings e no geral, para além de serem músicas bastante agradáveis (sendo que, tal como no original, algumas são adaptações de músicas de compositores clássicos), soam mesmo bem! O que não é normal visto os jogos na Master System e Game Gear terem tipicamente um som mais fraco.

Portanto, apesar das suas limitações impostas pelo hardware, esta conversão do Lemmings até que se tornou numa agradável surpresa! Pena que a sua sequela nunca se materializou para a Master System

The Incredible Hulk (Sega Game Gear)

Continuando pelas rapidinhas nas consolas 8bit da Sega, hoje ficamos com um jogo cuja versão 16bit já cá trouxe anteriormente. E por acaso as conversões para a Master System e Game Gear estão muito parecidas com a versão Mega Drive, tanto a nível de mecânicas de jogo, como no seu conteúdo propriamente dito, pelo que recomendo a leitura desse artigo para mais detalhes. O meu exemplar foi comprado a um particular no passado mês de Novembro por 10€, estando completo se bem que um pouco desgastado.

Jogo com caixa, manuais e papelada

Ora este é um jogo de acção em 2D, onde controlamos Bruce Banner ou Hulk de forma a defrontar mais um vilão qualquer da Marvel e arruinar os seus planos de dominação mundial. Tal como a versão Mega Drive, enquanto estivermos na forma de Hulk podemos desencadear diferentes golpes, alguns directos ao pressionar os botões 1 e 2, outros já requerem combinações de botões específicas como um jogo de luta se tratasse. Consoante o nosso nível da barra de energia, Hulk assumirá diferentes formas, pelo que poderá usar diferentes golpes mediante a forma em que nos encontremos actualmente. Se levarmos muita pancada, acabamos por regressar à nossa forma humana como Bruce Banner, onde somos mais frágeis, porém mais ágeis. Com recurso a alguns power ups que podemos apanhar iremos poder alternar livremente entre as formas de Hulk e Bruce Banner, algo necessário para progredir no jogo pois apenas Hulk consegue derrubar paredes e apenas Bruce se consegue esgueirar por passagens mais apertadas.

Hulk possui um número de ataques variável, o que é desnecessariamente complicado, a meu ver

A nível audiovisual confesso que fiquei agradavelmente surpreendido por esta versão 8bit. Os níveis são parecidos com os da versão Mega Drive, sendo bastante coloridos e com detalhe quanto baste. As sprites de Bruce Banner, Hulk e a de alguns inimigos são também bem detalhadas. As músicas também me soam bastante agradáveis, o que no caso de consolas como a Master System e Game Gear não é assim tão comum infelizmente.

Como Bruce somos muito mais frágeis, porém conseguimo-nos esgueirar por passagens estreitas

Poranto este Hulk para a Game Gear é um jogo interessante, mas tal como tinha referido na versão Mega Drive, o sistema de controlos parece-me desnecessariamente complicado para um sidescroller, ainda por cima a Game Gear possui menos botões que a Mega Drive, pelo que nem quero imaginar como terá ficado a versão Master System neste campo. Por outro lado, não deixa também de ser uma adaptação para 8bit muito competente da versão Mega Drive.