Primal Rage (Super Nintendo)

Street Fighter II e Mortal Kombat foram dois jogos de luta que revolucionaram por completo o mercado, tanto nas arcades, como nas consolas domésticas. Enquanto o primeiro primava pela sua jogabilidade excelente e personagens carismáticas, o Mortal Kombat fez mais sucesso pelos seus gráficos mais realistas ao usar sprites digitalizadas dos seus lutadores baseadas em actores reais e claro, todo o gore e violência. Tanto um como o outro inspiraram imensos jogos que lhe seguiram e este Primal Rage acaba por ir buscar as suas influências ao Mortal Kombat. Mas infelizmente o resultado final não foi de todo o melhor. O meu exemplar da SNES foi comprado a um particular no passado mês de Agosto, estava novo, um exemplar new old stock, portanto acabei por pagar um pouco mais do que estaria disposto a pagar por este jogo.

Jogo com caixa, manual e papelada

Desenvolvido pela Atari, Primal Rage é um jogo de luta que decorre no planeta terra, muitos anos no futuro, após um apocalipse que, para além de ter transformado todo o planeta, practicamente extinguiu toda a vida humana. Os seus sobreviventes passaram a viver em tribos pré-históricas e, no meio de todo o caos, ressurgiram das profundezas do planeta 7 criaturas míticas, adormecidas todos estes anos, e que passaram a ser idolatradas pela população. Nós encarnamos precisamente numa dessas 7 criaturas onde iremos combater com todas as outras e assim conquistar os seus territórios.

Graficamente é uma adaptação não tão fiel à arcade, mas não é de todo das piores conversões

As mecânicas de jogo são relativamente simples, com o d-pad a servir para movimentar a nossa personagem e os quatro botões faciais para aplicar golpes altos, baixos, fracos ou fortes. Os golpes especiais, que vêm detalhados no manual, obrigam-nos a deixar pressionados alguns destes botões faciais e depois pressionar o d-pad nalgumas direcções específicas, o que habitualmente é ao contrário nos restantes jogos de luta. No que diz respeito aos modos de jogo, para além do versus para 2 jogadores temos o modo história que é uma adaptação do modo arcade, onde teremos de ir enfrentando todas as criaturas míticas e conquistar o seu continente. No último combate não enfrentamos nenhum boss, mas sim os restantes 6 oponentes num combate de resistência, onde com a mesma barra de vida, teremos de os derrotar todos em seguida.

O jogo oferece um sistema de combos mas nem sempre é fácil executar os golpes especiais

Ao longo dos combates vamos ver também alguns humanos no ecrã, seguidores de alguma das “divindades” que lutam entre si em cada combate. Estes por vezes intrometem-se na acção, principalmente quando um dos dinossauros fica atordoado, e nessa altura poderemos atacá-los ou mesmo devorá-los para recuperar parte da nossa barra de vida. Aliás, antes do combate final onde teremos de defrontar todos os outros oponentes de seguida, teremos também um mini-jogo cujo objectivo é precisamente o de devorar o máximo de humanos possível, para extender a nossa barra de vida e mais facilmente sobreviver ao combate de resistência que se avizinha.

No que diz respeito aos gráficos, o original arcade (que até hoje ainda não foi fielmente emulado devido a uma encriptação anti-pirataria que a Atari lá colocou) possuia visuais impressionantes para a época. Todos os dinossauros e outras criaturas estranhas eram muito bem detalhados, tendo sido captados em sprites pré-renderizadas em 3D, com muito gore e algumas fatalities bem bizarras. Aqui na Super Nintendo os gráficos não são tão bons quanto os originais (embora sejam bem mais coloridos que a versão Mega Drive) e infelizmente o jogo sofreu alguma censura. Ainda assim é um jogo bem mais apelativo visualmente do que propriamente pela sua jogabilidade. Um detalhe gráfico que sempre achei piada são os das barras de vida e de saúde mental (???), sendo representados por um coração a bater e um cérebro que fica electrificado quando a personagem em questão ficar temporariamente paralisada. No que diz respeito ao som, as músicas misturam temas rock com alguns ritmos tribais. Não são propriamente temas que fiquem no ouvido, mas também não são maus de todo.

O jogo possui algum gore e fatalities, embora infelizmente esta versão tenha sido ligeiramente censurada

No fim de contas, este Primal Rage é mais um daqueles jogos de luta que até tinham potencial para serem bem melhores do que o seu produto final. O lançamento original nas arcades era mesmo visualmente apelativo, mas aparentemente já aí (nunca joguei o original) a jogabilidade não era a melhor. Portanto seria de esperar que a transição para plataformas 16bit não poderia ficar muito melhor. O jogo recebeu inúmeras conversões para outros sistemas da época e aparentemente a versão da Saturn é a que se safou melhor, embora sofra bastante de loadings demorados entre cada combate.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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