Ninja Cop (Nintendo Gameboy Advance)

O artigo de hoje leva-nos a uma excelente surpresa da Gameboy Advance, o Ninja Cop (também conhecido como Ninja Five-O em território americano). Apenas o conheci quando um amigo meu me comentou, todo contente, que o encontrou como uma pechincha numa loja nacional. É daqueles jogos que são caríssimos no eBay e para piorar as coisas, também é um jogo super divertido. Suponho que tenha saído em números muito reduzidos, o que é uma pena pois é um bom jogo. O meu exemplar foi comprado há uns meses atrás por 10€, esteve muitos anos atrás de uma vitrine num hipermercado no interior do país.

Jogo completo com caixa, manuais e papelada

Tal como Shinobi, o nosso ninja é um justiceiro que combate grupos terroristas compostos por outros ninjas. E aqui temos uns quantos para combater! O jogo está dividido em vários grupos de níveis em localizações diferentes, cada qual composto por diversos subníveis e um boss. Aqui visitamos diversos cenários como o assalto a um banco ou a um aeroporto, culminando depois na própria base inimiga onde acabaremos por defrontar o seu líder.

A libertação de reféns é uma constante, mas é algo que também tem de ser feito com cuidado

A jogabilidade é excelente. O nosso ninja como seria de esperar é bastante hábil. Podemos atacar com a espada, ou com shurikens que por sua vez podem ser upgraded para causar mais dano. Para além disso, estamos munidos de um gancho à lá Bionic Commando, que nos permite agarrar aos tectos e paredes, podendo assim balancear-nos melhor entre plataformas, ou fazer algum wall jumping. Começando a jogar ,vemos que o nosso ninja dispõe de duas barras de energia, uma começa cheia, a outra vazia. A que começa cheia naturalmente que é a barra de vida, já a outra é a barra do special que vai enchendo à medida que combatemos os inimigos e que pode ser usada a qualquer momento para os nossos golpes mágicos. Se activarmos o special antes da barra encher, ficamos invencíveis durante o tempo em que a barra vai esvaziando. Se o activarmos com a barra cheia, então destruímos todos os inimigos presentes no ecrã. Para além disto, em cada nível vamos tendo alguns reféns para salvar, algo que temos de ter algum cuidado em fazer pois geralmente os bandidos apontam-lhes alguma arma à cabeça e só os devemos atacar no momento certo, quando eles se preparam para nos atacar a nós.

Como não poderia deixar de ser, também temos alguns bosses para defrontar

A nível audiovisual este jogo foi também uma óptima surpresa. Os níveis e sprites são ricos em cor e detalhe, e o mesmo pode ser dito das animações, que se mostram bastante fluídas. Existe alguma variedade nos níveis e as músicas, apesar de agradáveis, é que já não lá muito variadas infelizmente.

Volto a reforçar que este Ninja Cop foi uma excelente surpresa para a Gameboy Advance. É mesmo uma pena que seja um jogo tão caro, pelo que se virem nem que seja um cartucho solto perdido nalgum negócio não hesitem, é um jogo que vale bem a pena se forem fãs do género.

Tiny Toon Adventures: Buster Busts Loose (Super Nintendo)

Uma das licenças que a Konami dispunha durante os anos 90 era a dos Tiny Toon, uma versão moderna dos clássicos Looney Tunes, com personagens jovens, mas inspiradas nas clássicas. Era uma das minhas séries de animação preferidas enquanto criança, pelo que os seus videojogos também me interessavam. Um dos jogos que a Konami desenvolveu foi este Buster Busts Loose, que tem como o Buster Bunny como protagonista principal. O meu exemplar veio de uma troca feita com um particular, há alguns meses atrás.

Apenas cartucho

Este jogo não tem propriamente uma história em si, simplesmente parece ser jogado em episódios diferentes, onde cada nível possui uma temática completamente distinta. O primeiro nível é passado na “universidade” onde as personagens andam e temos de viajar até à cozinha, onde temos lá o Taz Junior (Dizzy Devil) a destruir a cozinha em busca de comida, já o nível seguinte leva-nos aos Westerns, com a última parte, passada na locomotiva de um comboio a vapor a lembrar-me logo do filme Back to the Future III. Um dos níveis seguintes já nos leva para o meio de uma partida de futebol americano onde temos de nos desviar de uma série de jogadores e conseguir marcar um touchdown. O último nível (que não se consegue aceder no modo easy) já é uma clara paródia/homenagem aos filmes do Star Wars.

Com o Dash até podemos subir paredes!

O jogo em si usa as mecânicas dos jogos de plataformas, com Buster a dispor de um botão para saltar, outro para atacar (através de umas cambalhotas pelo ar) e os botões L e R a servirem para activar o dash, ou seja, para permitir ao Buster correr desenfreadamente, conseguindo até correr em paredes. É uma mecânica de jogo bem necessária nalguns níveis onde o platforming seja mais exigente. Mas não podemos simplesmente correr sempre que nos apetece, pois ao usar o dash estamos a usar uma barra de stamina do Buster, que se vai regenerando de cada vez que deixemos de correr. Pelo meio dos níveis principais temos sempre direito a alguns minijogos que podem ser escolhidos através de uma roleta. Estes minijogos são bastante variados entre si, desde versões simplificadas do Bingo, do jogo das escondidas, partidas de squatch, entre outros. Estes minijogos servem para ganharmos vidas extra, que por sua vez também podem ser obtidas a cada 100 estrelas que coleccionemos ao longo dos níveis “normais”.

Este é o minijogo que menos gosto, nunca fui fã de jigsaw puzzles, e aqui ainda temos a pressão do tempo

A nível audiovisual é um jogo competente, mas nada fora deste mundo tendo em conta as capacidades da Super Nintendo. São gráficos coloridos, com um nível de detalhe considerável e o uso quanto baste dos típicos efeitos de sprite scaling e mode 7 que a SNES sempre conseguiu fazer. Por outro lado as músicas são bastante festivas e vamos poder ouvir a faixa tema dos Looney Tunes Adventures tocada de formas completamente diferentes, mediante o nível em que estamos.

No fim de contas, este é um jogo de plataformas simples, mas bem competente. Os fãs do género conseguem passar um bom tempo com esta pequena aventura!

International Superstar Soccer 64 (Nintendo 64)

Voltando à Nintendo 64 e às rapidinhas, o jogo que cá trago hoje é um grande clássico da Konami. Depois dos excelentes International Superstar Soccer e a sua versão Deluxe para a Super Nintendo e Mega Drive, eis que a mesma equipa desenvolve um novo jogo da série, desta vez inteiramente poligonal, para a Nintendo 64. E o resultado final até que foi bastante bom! O meu exemplar veio de um bundle que comprei em Abril a meias com um amigo, onde vieram cá parar vários cartuchos de SNES e Nintendo 64 a menos de 1€ cada.

Apenas cartucho

Já escrevi um breve artigo sobre o ISS 2000, e muitos dos seus modos de jogo estão naturalmente também aqui presentes, nesta primeira versão para a Nintendo 64. Temos então apenas selecções nacionais para jogar, os clubes ficam de fora. Podemos participar em partidas amigáveis, treinar os penáltis, ou montar torneios ou campeonatos. A principal novidade, pelo menos a nível de modos de jogo, que este ISS 64 trouxe perante os seus antecessores de 16-bit, foram o scenario mode. Estes são pequenas “missões”, onde temos de revirar um resultado desfavorável em condições adversas.

Os modos de jogo que nos esperam

A nível de jogabilidade, esta é bastante fluída, tal como seria de esperar. Foi também dos primeiros jogos de futebol, senão mesmo o primeiro, a tirar completo partido dos controlos analógicos, dando-lhe uma maior precisão no controlo de bola e de movimento dos jogadores. De resto, é um excelente jogo de futebol, que mesmo hoje em dia é agradável de se jogar.

Podemos ver os replays de vários ângulos!

Graficamente é um jogo competente para a Nintendo 64, com boas animações dos jogadores, árbitros e afins. Naturalmente que os jogadores estão muito “quadrados”, mas não acho que tenham envelhecido assim tão mal. As músicas, quando existem, principalmente a navegar nos menus, são bastante agradáveis. E para uma Nintendo 64, cujos cartuchos possuem pouco espaço de armazenamento de dados, o jogo possui 2 comentadores desportivos que me surpreenderam bastante pelo seu dinamismo e pela variedade de frases.

 

Rocket Knight Adventures (Sega Mega Drive)

Um dos estúdios que mais brilhou durante a era dos 8 e 16bit sem dúvida que foi a Konami, ao introduzir séries como Castlevania, Contra/Probotector, Metal Gear, Gradius, são apenas alguns dos nomes bem sonantes de franchises que foram criadas nessa altura. A Mega Drive felizmente também não ficou de fora do catálogo de jogos da Konami e foi berço de uma série bastante interessante, o Rocket Knight Adventures. O meu exemplar actual foi comprado numa loja online, algures há uns meses atrás, tendo-me custado uns 15€.

Jogo com caixa e manuais

A aventura leva-nos a encarnar no papel de Sparkster, um roedor marsupial envolto numa armadura e munido de uma espada e de um jet-pack. A sua missão é a de resgatar a princesa do seu reino, que foi raptada por um Império de porcos maléficos que está também a aterrorizar a região. Com criadores responsáveis por jogos como o Contra III na equipa, seria de esperar que esta fosse uma aventura repleta de acção, e nisso não saímos nada desapontados. Sparkster pode disparar bolas de fogo de médio alcance a partir da sua espada, mas se acertarmos directamente em alguém com a espada fazemos muito mais dano. O jetpack é também parte integral da jogabilidade, com o botão de ataque ao ser mantido pressionado vai carregando um medidor. Ao largar o botão, se Sparkster estiver parado, então rodopia no seu lugar e solta um ataque capaz de causar dano a todos os inimigos que estejam à sua volta. Se largarmos o botão ao mesmo tempo em que pressionamos o d-pad numa direcção, então saímos disparados e levamos tudo à nossa frente. Se batermos nalguma parede também fazemos ricochete, algo que teremos de usar em vários pontos do jogo. Ocasionalmente lá teremos um ou outro segmento de jogo onde Sparkster está a voar, e a jogabilidade a assemelhar-se muito mais à de um shmup clássico.

Graficamente é um bem bonito e repleto de detalhes

Para além da jogabilidade ser excelente, o jogo está também repleto de acção, com muitas coisas diferentes a acontecer. Tanto temos segmentos muito bons de platforming onde temos de alternar entre 2 diferentes planos, outros com autoscrolling e obrigar-nos a escapar de explosões, defrontar comboios, um assalto a uma fortaleza voadora ou mesmo conquistar e destruir uma estação espacial. Até há um segmento em que controlamos um mecha gigante! Acção é mesmo algo que não falta, com bosses muito bem detalhados e variados entre si. Do mesmo género só a Treasure fazia melhor!

É também um jogo que transpira originalidade e acção non-stop!

Graficamente é um jogo com excelentes animações e muitos bons detalhes, onde apenas fica a perder na reduzida paleta de cores da Mega Drive. Um pouco mais de cor só lhe dava a ganhar, como podemos comprovar nas suas sequelas, tanto para a SNES como na Mega Drive. As músicas são também excelentes, quase sempre com um feeling mais orquestral, o que é notável para uma Mega Drive. Nos confrontos com os bosses a banda sonora torna-se um pouco mais agressiva, o que também acaba por resultar muito bem nesses momentos, ao criar uma atmosfera bem mais tensa.

Rocket Knight Adventures é um grande clássico da Mega Drive que todos os coleccionadores deveriam ter na sua colecção. E depois de mais dois jogos lançados para a SNES e Mega Drive respectivamente, foi uma série que ficou adormecida muitos anos, o que é bastante injusto. Mas em 2010 lá saiu um título digital simplesmente intitulado Rocket Knight, para plataformas digitais como a Xbox Live Arcade ou PSN. Apenas joguei o demo e pareceu-me bastante interessante, talvez um dia o acabe por comprar de vez.

Deadly Skies (Sega Dreamcast)

deadly-skiesVoltando à Dreamcast e às rapidinhas, o jogo que cá trago hoje é a resposta da Konami à série Ace Combat da Namco, uma série com as suas origens nas arcades e que mistura o combate aéreo frenético típico de jogos arcade com a simulação. O meu exemplar foi comprado algures no ano passado, tendo vindo ou da feira da Ladra em Lisboa, ou na Vandoma no Porto, sinceramente já não me recordo bem. Sei é que foi barato.

Jogo com caixa e manuais
Jogo com caixa e manuais

A história anda à volta ao estado fictício de Laconia, que ganhou recentemente a sua independência, mas que possui vários inimigos à sua volta. A ameaça de novos conflitos armados e o fraco exército de Laconia faz com que tomem a decisão de contratar um piloto mercenário (nós), capaz de enfrentar os combates que se avizinham. Nós lá iremos combater em mais de 20 missões distintas, onde no final a nossa performance é recompensada com dinheiro que pode ser usado para comprar novos aviões. Existem dezenas de diferentes caças, todos eles inspirados em aviões reais como o MiG-29 ou o F-14, sendo que cada um possui diferentes características. As missões costumam ser para defender o território de Laconia de investidas inimigas, sejam aéreas, terrestres, ou marítimas. Por vezes temos também de escoltar veículos amigos ou atacar directamente infraestruturas inimigas. No ecrã de briefing inicial antes de cada missão, para além de nos ser dado algum background a nível de história e de objectivos da missão, é mostrado um mapa com a trajectória ideal a percorrer e as posições inimigas que teremos de enfrentar.

É só esperar um pouco até o alvo ficar locked e depois é pressionar um botão e ver os mísseis a atingirem o alvo
É só esperar um pouco até o alvo ficar locked e depois é pressionar um botão e ver os mísseis a atingirem o alvo

A nível de jogabilidade a mesma é sólida, com mecânicas de jogo mais simplistas, próximas de um jogo arcade do que propriamente de simulação, o que me agrada bastante. Como somos um piloto solitário, o nosso avião possui bastantes mísseis e um escudo ainda algo generoso que aguenta com algumas mossas. A ideia é manter os outros alvos perto do centro da mira, para que os sistemas de orientação dos mísseis consigam fazer um lock ao alvo e depois é só disparar. Claro que quando enfrentamos outros aviões por vezes lá teremos de nos envolver em algumas dogfights, obrigando-nos a efectuar algumas manobras aéreas. Sinceramente sempre me sinto um pouco desorientado quando tenho de fazer alguns loopings, mas o radar lá vai dando uma ajuda a nos mantermos focados nos alvos.

É possível aproximarmo-nos do solo, mas as texturas de baixa resolução tiram-nos um pouco a vontade de explorar
É possível aproximarmo-nos do solo, mas as texturas de baixa resolução tiram-nos um pouco a vontade de explorar

Graficamente é um jogo assim assim, até porque tirando algumas excepções, os jogos em 3D da Dreamcast envelheceram um pouco mal. Os aviões estão relativamente bem detalhados, já os cenários não tanto. Apesar de serem variados, podendo abrangir grandes cidades, oceanos ou zonas mais desertas com bases militares, o detalhe do que está no solo nunca é muito bom, o que de certa forma até se compreende pois os mapas são bem grandinhos e não há milagres que se possam fazer com 16MB de RAM. De resto as músicas até que são bastante agradáveis, abrangindo rock e música electronica.

Em suma é um jogo que até me agradou e eu que até agora tenho ignorado a série Ace Combat, começo a pensar seriamente em coleccionar essa série também. Existem algumas sequelas, inclusivamente um Deadly Skies para a Xbox que, apesar de ter o mesmo nome em território Europeu, é na verdade uma sequela deste jogo.