E voltando aos Street Fighter, porque não uma rapidinha a mais uma versão do clássico Street Fighter II? Como bem devem saber, a Champion Edition é o primeiro de muitos updates que o Street Fighter II recebeu ao longo dos anos. Para além do habitual rebalanceamento de personagens, inclui como principal novidade o facto de os 4 oponentes finais, Balrog, Vega, Sagat e Bison, serem agora personagens jogáveis. E uma das primeiras conversões desse update saiu precisamente na PC-Engine em 1993, exclusivamente no Japão pois infelizmente o sistema já há muito que estava morto no Ocidente. O meu exemplar foi comprado durante o mês passado numa loja nipónica, tendo-me custado algo próximo dos 13€ mais portes, se bem me recordo.
Jogo com caixa e manual
E, tendo em conta que este é um jogo que corre num cartucho, sem qualquer expansão de memória habitualmente requeridas em jogos de tecnologia Super ou Arcade CD-ROM, é impressionante o que a Capcom conseguiu aqui fazer. É que estamos a falar de uma consola de 1987, ainda com um CPU de 8bit! E, em 1993, apesar de ainda não existir a tecnologia Arcade CD-ROM para a PC-Engine, é impressionante a Capcom não ter optado por lançar esta Street Fighter no formato de CD, mas sim em HuCard. É que os HuCards, apesar de serem um formato físico muito sexy, não costumam ter uma grande capacidade de armazenamento. Tipicamente, os maiores jogos neste formato possuem até 8Mbit, o que se traduz em 1MB. Mas eis que chega a Capcom para converter o Street Fighter II e obrigam a NEC/Hudson a desenvolver um HuCard maior que os habituais, com a capacidade de 20Mbit ou 2.5MB. Creio que a decisão em trazer este jogo para o formato HuCard, mesmo com o desafio tecnológico, era mesmo porque queriam que o jogo chegasse ao maior público possível. A PC-Engine no Japão existe sob a forma de múltiplas revisões e sistemas, particularmente nos formatos que usam CD-ROM mas pelo menos HuCards, todos os modelos os lêm!
Esta é uma versão muito competente e que se debate muito bem com as restantes conversões para sistemas 16bit
E sim, visualmente estamos perante uma conversão muito sólida. Comparando com a versão Mega Drive, por exemplo, possui muito mais cores em simultâneo no ecrã, embora os cenários não tenham tanto detalhe. Ainda assim, tanto os cenários como as personagens estão bem detalhadas quanto baste, tornando esta versão muito competente quando comparada com as restantes versões 16bit. A nível de músicas, bom, as músicas do Street Fighter II são excelentes e aqui não é excepção, mas confesso que prefiro o chiptune da versão Mega Drive. De resto a nível de jogabilidade é uma versão bastante sólida mas recomenda-se vivamente o uso de um comando com 6 botões, o que felizmente tenho. No caso de se usar um comando normal, teríamos uma jogabilidade algo semelhante à do Street Fighter II para a Mega Drive no caso de usar um comando de 3 botões, com os botões I, II e Run a servirem para ataque e o botão select a servir para alternar entre socos e pontapés. Pessoalmente prefiro de longe usar um comando de 6 botões, mas também não sou o maior fã do design do Avenue Pad 6.
Os diálogos em Japonês não são de todo essenciais para se tirar bom partido do jogo!
Portanto estamos aqui perante uma conversão muito sólida e o facto de ter alguns diálogos em japonês (que sinceramente não se perde nada em não os entender) não deve ser de todo um factor dissuasor para se experimentar esta versão. Naturalmente que é muito mais fácil encontrar as versões SNES ou Mega Drive, mas a Capcom esmerou-se bem nesta conversão e isso nota-se. É uma pena que a Turbografx não tenha tido mais sucesso, caso contrário este seria certamente um jogo a ser lançado por cá.
Vamos continuar com os Street Fighter Alpha, desta vez com a conversão para a PS1 desse clássico das arcades. E foi justamente esta versão da PS1 que cheguei a jogar bastante, algures nos verões de 2000 e 2001, quando me juntava em casa de um amigo que o tinha na sua Playstation. É uma sequela que acaba por introduzir muitas coisas novas na sua jogabilidade e, nas suas versões para as consolas, inclui também muitos novos modos de jogo que lhe aumentam bastante a longevidade. O meu exemplar actual foi-me oferecido por um colega de trabalho, algures em 2016.
Jogo com caixa e manual (bastante grosso por sinal)
Não vamos falar de história pois esta acaba por ser mais uma revisão da história que já tinha sido contada tanto no SF Alpha, como no Alpha 2, que são jogos que supostamente decorrem entre os eventos do primeiro e segundo Street Fighters. Mas digamos que neste Alpha 3, durante o modo arcade, teremos muitas mais cutscenes que vão mostrando as ambições de cada personagem, já para não dizer que temos muitas mais personagens neste jogo. Desde alguns “retornados dos SFII como Cammy, Balrog ou Vega, personagens inteiramente novas como Mika ou Karin, mas também o Cody de Final Fight, que surge aqui como um prisioneiro que escapou da prisão.
A quantidade de lutadores é bastante generosa, com algumas caras novas e o regresso de outras bem conhecidas
Antes de abordar os modos de jogo com mais detalhe, convém primeiro referir que este SFA3 fez algumas mudanças de fundo nas suas mecânicas de jogo básicas. Nos SFA anteriores poderíamos optar por usar um estilo “auto” ou “manual”, onde o primeiro nos permitia bloquear automaticamente os golpes inimigos, bem como simplificar alguns dos combos, embora com a desvantagem dos golpes mais poderosos não poderem ser desencadeados. Aqui isso foi substituído por 3 “ismos”, que poderemos escolher antes de cada partida. O “A-ism” é baseado no modo manual dos SFA anteriores, onde temos direito a uma barra de special com 3 níveis e diferentes super combos possíveis. Já o X-ism remete para uma jogabilidade mais simplificada dos tempos do Super Street Fighter II, com a barra de special a atingir um só nível e cada personagem teria assim acesso apenas a um super combo, para além do que outras mecânicas introduzidas nos SFA anteriores, como os alpha counters ou a possibilidade de bloquear ataques em pleno ar, deixam de ser possíveis. Por fim temos o V-Ism, onde a barra de special possui 2 níveis e no lugar dos super combos temos apenas disponíveis os custom combos introduzidos no SFA2. Para além disso, cada estilo possui também diferentes multiplicadores na defesa e ataque das personagens, bem como poderão até haver algumas pequenas mudanças gráficas. Por exemplo, a Chun-Li usará as roupas do SFII caso seleccionemos o estilo X-ism. Ora tudo isto aumenta consideravelmente a longevidade do jogo, principalmente para quem quiser explorar todas estas alternativas.
No modo world tour podemos customizar que tipos de habilidades queremos usar ou não, para além do ismo pretendido. Podemos ver também os pontos de experiência amealhados!
E a versão PS1 traz de facto muito conteúdo adicional, para além dos típicos arcade e versus para 2 jogadores. Para além de um modo treino que dispensa apresentações, o principal destaque vai mesmo para o modo “world tour“, onde como o nome indica, viajaremos pelo globo e teremos de ultrapassar uma série de desafios. É um modo de jogo que nos obriga mesmo a dominar bem as técnicas do jogo, pois alguns dos combates podem ter condições muito específicas, como apenas os combos ou super combos servirem para ferir o inimigo. Ou lutar em batalhas de 1 contra 2, ou outras com um tempo muito reduzido. No final de cada desafio, a personagem que escolhemos representar vai ganhando pontos de experiência, assim como o “ismo” escolhido, podendo então vir a desbloquear novas habilidades com o tempo. É também jogando este modo world tour onde desbloqueamos algumas personagens e modos de jogo adicionais. De personagens a desbloquear o Guile, bem como o Evil Ryu ou Shin Akuma. Já de modos de jogo adicionais podemos desbloquear o Team Battle, Survival, Dramatic e Final Battle. O Team Battle faz lembrar a série King of Fighters, pois podemos escolher uma equipa de lutadores e teremos de defrontar os membros das equipas adversárias de forma sequencial. O Survival, que por sua vez possui vários sub modos de jogo, coloca-nos a enfrentar imensos inimigos de forma sequencial, com a nossa barra de vida a ser gradualmente restabelecida entre combates. O modo Dramatic Battle já tem vindo a ser introduzido nos SFA anteriores, onde um par de lutadores (Ryu e Ken, por exemplo) juntam forças para defrontar uma série de vilões. O modo Final Battle é um atalho para o confronto contra o boss final do modo arcade.
Graficamente não há nada a apontar. As animações estão óptimas e temos imensos cenários cheios de pequenos detalhes deliciosos!
A nível audiovisual este é, uma vez mais, um jogo fantástico. Existe uma grande variedade de cenários e inúmeros lutadores, todos eles bem detalhados e animados. Naturalmente que a versão PS1 possui vários cortes nas animações tendo em conta a versão arcade, mas sinceramente são coisas relativamente pequenas e que em nada afectam a jogabilidade. Os cenários são bastante diversificados, contendo uma vez mais bonitas paisagens naturais, rurais ou mesmo urbanas, bem como outros ambientes mais sinistros ou delapidados, dependendo da personagem. Apesar de não gostar tanto do traço que deram às personagens na série SFA, confesso que neste terceiro jogo já apreciei mais a direcção artística. Também o facto de todos os menus e transições estarem com visuais mais modernos e ousados certamente ajudou. Já na banda sonora, devo dizer que prefiro a do SFA2. Esta possui demasiado foco na electrónica para o meu gosto e mesmo as poucas músicas rock que existem não as achei nada de especial. Gosto da banda sonora mais eclética dos títulos anteriores!
O modo arcade possui várias cutscenes que vão contando a história do protagonista que escolhemos!
Portanto estamos aqui perante um excelente jogo de luta em 2D da Capcom, que estava no seu pico de criatividade, a meu ver. É que para além dos Street Fighter (não esquecer que o Street Fighter III saiu antes deste SFA3), a Capcom estava ainda a fazer um bom trabalho nos seus versus e a série Darkstalkers também. Mas talvez por causa disso o mercado tenha ficado algo saturado e os jogos de luta em 2D tenham entrado em declínio com a viragem para o novo milénio. Mas voltando ao SFA3, existem muitas outras conversões, caso esta versão PS1 não vos agrade. É impossível não fazer uma menção honrosa para a versão Sega Saturn que, apesar de exclusiva no Japão (e caríssima), acaba por ser uma conversão tecnicamente muito próxima do original e inclui todos os modos de jogo e personagens adicionais da versão PS1, embora muitos estejam já desbloqueados de início. O mesmo para a versão Dreamcast. O jogo está também na compilação Street Fighter Alpha Anthology para a PS2 (embora sem algumas das personagens e modos de jogo adicionais) e no que diz respeito às consolas portáteis, a GBA teve uma versão modesta mas muito interessante, já a PSP recebeu uma conversão muito boa também, incluindo todas as personagens (e mais algumas) e modos de jogo desta versão. Portanto opções não faltam!
Vamos a mais uma rapidinha a um jogo de luta em 2D para Sega Saturn, desta vez voltando as agulhas novamente para a Capcom para o segundo jogo da sub-série Street Fighter Alpha (ou Zero, como é conhecida no Japão). Já cá trouxe no passado um artigo ao primeiro Street Fighter Alpha, que por sua vez partilha muitas das mecânicas de jogo desta sequela. Já o meu exemplar do Alpha 2 veio cá parar à colecção algures no passado mês de Julho, após ter vindo de uma troca com um amigo.
Ora a série Alpha/Zero é uma prequela do Street Fighter II (embora aparentemente decorra depois do Street Fighter 1, o que é uma confusão), pelo que vemos muitas caras conhecidas como Ryu, Ken, Dhalsim (que marca aqui o seu regresso), M. Bison, entre outros, mas com uma aparência mais jovem do que no SFII. Temos também personagens do SF1 (lá conseguiram tornar algumas minimamente interessantes) e do Final Fight, que a nível de canon, é uma série dentro do mesmo universo.
Sendo este um jogo CPS2, podem contar com cenários e personagens muito bem detalhados, repletas de excelentes animações também
A nível de mecânicas de jogo, este é um jogo de luta 2D de confrontos de um contra um e que mantém muitas das mecânicas introduzidas no seu antecessor, como os counters, a barra de energia que pode crescer até 3 níveis e assim desbloquear golpes poderosíssimos, ou a possibilidade de bloquear golpes adversários em pleno ar. Mantém a possibilidade de, depois de seleccionar o nosso lutador, optar por um sistema de controlo manual ou automático, sendo que este último bloqueia automaticamente os golpes inimigos, mas tem a desvantagem de não nos permitir tirar maior proveito da barra de energia e, consecutivamente, os melhores golpes. Introduz no entanto um novo sistema de custom combos que sinceramente já não explorei e o facto de a minha cópia não ter um manual também não ajudou. A nível de modos de jogo temos os tradicionais arcade e versus para dois jogadores, bem como um modo de treino e um outro de survival.
Sakura e Rolento (Final Fight) são algumas das novas personagens neste jogo
No que diz respeito aos gráficos, estamos perante um jogo que teve as suas origens no sistema arcade CPS2, pelo que temos personagens e cenários bem detalhados. As personagens mantém o aspecto mais “jovem” e anime do primeiro jogo e que, apesar de não serem maus visuais, sinceramente prefiro o design das personagens do Street Fighter II. Mas é claro que isto é meramente uma questão de gosto pessoal. Os cenários são igualmente bem detalhados e bastante variados, desde belíssimas paisagens naturais, passando por zonas urbanas delapidadas ou mesmo o interior de uma casa de banho, porque não? Alguns cenários possuem também cameos interessantes, como o Mike Haggar, Cody e Poison no cenário do Guy, o que são sempre detalhes interessantes. Ou o Captain Commando, Strider Hyriu e as meninas do Darkstalkers no cenário do Ken! Nada de especial a apontar aos efeitos sonoros e as músicas são igualmente bastante diversificadas entre si. Gosto do facto de não haverem interrupções entre rounds!
A versão Saturn possui também uma galeria de arte para ser consultada!
De resto, esta é uma conversão que a Sega Saturn acaba por reproduzir de uma forma bastante robusta, quando comparando com a versão original nas arcades. Ainda assim, o Street Fighter 2 chegou a receber um update, Street Fighter Alpha 2 Gold, que está também presente nalgumas compilações, incluindo a do Street Fighter Collection que também saiu para a Sega Saturn, pelo que essa também poderá ser uma versão a ter em conta.
No seguimento da série Dino Crisis, e antes de desenterrar a minha Xbox para jogar o Dino Crisis 3, tinha ainda este spin off, o Dino Stalker, que é na verdade o terceiro jogo da série Gun Survivor, tipicamente dominada por títulos não tão bons da série Resident Evil. E visto que este é um jogo que suporta a G-Con 2, e essa light gun por sua vez tem um d-pad mais uma série de outros botões embutidos, a Capcom achou boa ideia, uma vez mais, não produzir um light gun shooter 100% on-rails como manda a lei e a tradição das arcadas, mas sim um jogo onde nos podemos mover livremente pelos cenários. O resultado está longe de ser óptimo, mas já lá vamos. Sinceramente já não me recordo quando e onde comprei isto, mas tenho a ideia de me ter custado uns 7€.
Jogo com caixa e manual
Bom, a história da série Dino Crisis é desnecessariamente confusa, mas basicamente este jogo é uma sequela directa do Dino Crisis 2, ou pelo menos assim o parece, visto que algumas das personagens desse jogo irão fazer parte desta narrativa. Mas o que interessa saber é que o nosso protagonista, Mike Wired, um piloto norte-americano em plena batalha no oceano atlântico durante a segunda guerra mundial, estava mesmo prestes a ser abatido por um piloto inimigo, quando é transportado no tempo, muitos anos para o futuro, onde a humanidade estava em ruínas e os dinossauros novamente dominavam o planeta. E é lá que conhece Paula, uma das personagens fulcrais do Dino Crisis 2, que lhe conta um plano mirabolante para resolver as coisas.
Em certos segmentos, temos um certo número de dinossauros para abater, para que estes deixem de aparecer
Ora no que diz respeito aos controlos, é aqui começam os problemas, infelizmente. Comecei por experimentar usar a G-Con 2, pois este é um light gun shooter e tenho a PS2 ligada a um CRT, logo seria a escolha óbvia. Aí temos o gatilho para disparar (óbvio) e o d-pad, que fica na traseira da pistola, para nos movimentar/movimentar a câmara. Para recarregar a arma teríamos de disparar para fora do ecrã, e depois temos uma série de botões secundários para o resto. Os botões laterais da G-Con 2, A e B, servem para fazer strafing (andar de lado) para a esquerda ou direita respectivamente e, caso sejam pressionados em simultâneo, activam a mira para a sniper rifle. No fundo da light gun, onde recarregaríamos as eventuais munições, temos também o botão C, que aqui serve para trocar de arma. Portanto, aquele d-pad não está no sítio mais intuitivo nem ergonómico, e usar a segunda mão para os botões secundários, enquanto tentamos abater todos os dinossauros que nos aparecem à frente… vai dar algum trabalho de habituação.
Temos uma série de armas especiais diferentes para usar, mas apenas podemos ter uma equipada de cada vez
No primeiro nível as coisas até correram bem, já que nem temos de nos mexer muito, pois estamos a cair em queda livre, enquanto atiramos com chumbo para carradas de pteranodontes que nos atacam. O segundo nível já é passado numa floresta, onde temos liberdade total de movimentos e foi aí que comecei a sentir mais dificuldades. Para além da curva de aprendizagem de controlos não standard, devia estar a fazer alguma coisa mal, pois por vezes eu pressionava o gatilho, tinha balas suficientes, mas simplesmente a bala não era disparada e ouvia uma espécie de “clique” no jogo. Como fui rapidamente devorado por velociraptors, desisti e passei a usar antes o comando normal. E aqui o jogo até que ficou bem mais agradável de se jogar, embora não tenhamos a fidelidade de uma light gun. Na verdade os controlos ficaram quase perfeitos, não fosse o controlo de movimento e câmara deixar um pouco a desejar. O d-pad ou analógico esquerdo serve para nos movimentarmos para a frente ou para trás, bem como virar a câmara para a esquerda ou direita. Já o analógico direito serve para mover a mira pelo ecrã, enquanto que o strafing ficou relegado para os gatilhos L2 e R2. O botão R1 serve para disparar, já os botões faciais servem para recarregar, activar a mira da sniper rifle, ou mudar de arma. Se tivesse pelo menos os controlos habituais nos FPS de hoje em dia na questão do movimento e controlo de câmara teria ficado perfeito!
Se pudermos atacar os dinossauros à distância, antes de nos virem, ainda melhor!
Mas vamos ao jogo. Sendo este um jogo tipicamente arcade (na verdade também recebeu um lançamento arcade) estamos em constante luta contra o relógio que, dependendo da dificuldade escolhida, pode ser ainda mais apertado. Temos alguns segmentos puramente on rails onde o único objectivo é o de sobreviver e matar todos os dinossauros que nos atacam, mas também temos outros segmentos onde podemos explorar livremente os cenários. Aqui devemos ter especial atenção ao radar que surge na parte inferior do ecrã, pois para além de nos indicar a posição dos dinossauros à nossa volta e se estes estão prestes a atacar-nos, também vemos lá umas setinhas que nos indicam a direcção da saída do nível. Tipicamente teremos também alguns bosses para defrontar. À medida que vamos explorando e destruindo também objectos ou outras partes do cenário, poderemos encontrar uma série de itens. Uns são cristais coloridos que nos extendem o tempo limite por alguns segundos, outros são medkits que nos regeneram parte da barra de vida ou mesmo nos ressuscitam quando morremos, antídotos para curar o veneno de alguns dinossauros, power ups para as balas e claro, as tais armas especiais. A nossa arma principal tem munições infinitas, quer seja usada no seu modo normal, como no modo sniper. Mas poderemos ter uma arma especial equipada, cuja é descartada assim que gastemos todas as suas balas. Apenas podemos ter uma arma especial de cada vez, pelo que cada vez que apanhemos uma arma nova, a anterior é também descartada. E aqui vamos tendo um arsenal interessante de metrelhadoras, lança granadas, lança rockets, shotguns e outras armas futuristas! Tal como no Dino Crisis 2 podemos também ter bónus na pontuação ao efectuar uns quantos combos e no final de cada nível a nossa performance é também avaliada.
À medida que vamos explorando, vamos encontrando também vários itens, que tipicamente são usados automaticamente sempre que necessário
A nível audiovisual é um jogo mediano. É certo que foi lançado em 2002, ainda relativamente cedo no ciclo de vida da plataforma, pelo que não esperem por cenários e dinossauros incrivelmente bem detalhados e com muitos polígonos. Ainda assim impressionou-me pela quantidade de objectos destrutíveis nalguns níveis, mas por outro lado o efeito de nevoeiro por vezes também estava bem mais próximo do que o expectável… para quê a sniper rifle quando deixamos de ver os dinossauros alguns metros à nossa frente? Ocasionalmente vamos tendo algumas cutscenes, umas em CGI de boa qualidade, outras ingame, mas todas elas com aquele voice acting cheesy como manda a lei neste tipo de jogos. Já à banda sonora, nada de especial a apontar.
No fim de contas este Dino Stalker é um jogo que ganharia muito mais se fosse linear, como os verdadeiros clássicos das light guns nas arcades. Usar a G-Con 2 para controlar o movimento num plano tridimensional, mais todos os outros botões para as acções secundárias, para além de ser distractivo, não é sequer lá muito ergonómico. É que o jogo é desafiante, o tempo disponível nem sempre é o suficiente e os dinossauros não querem saber das nossas dificuldades. Resta-me então o Dino Crisis 3! A ver se lhe pego em breve.
Vamos agora voltar à primeira Playstation para a primeira sequela de mais um survival horror da Capcom, nomeadamente este Dino Crisis 2. Bom na verdade, sempre ouvi dizer que este Dino Crisis 2 era um jogo bem mais focado na acção do que propriamente na sobrevivência, mas como nunca o tinha jogado, não sabia bem o quão “focado” na acção o jogo realmente seria, quando comparado com o primeiro. Mas já lá vamos! O meu exemplar já cá está na colecção desde Abril de 2016, após me ter sido oferecido por um colega de trabalho a quem eu muito agradeço!
Jogo com caixa
Sem querer spoilar os acontecimentos do primeiro Dino Crisis, basicamente o que se passou foi que um cientista (e sua equipa) estavam a investigar uma nova forma de energia, mas algo de errado aconteceu, abriu-se uma fissura no espaço-tempo e uma série de dinossauros invadiram aquela base científica/militar. Claro que as experiências foram continuando, mas desta vez o desastre foi ainda pior. Todo um outro complexo militar, industrial e cidade adjunta onde os cientistas e soldados viviam desapareceram, tendo sido transportados “aparentemente” para muitos milhões de anos antes e lá acabaram por ser invadidas por imensos dinossauros. E lá teremos outra vez de controlar a Regina, soldado de elite, que participa numa nova missão de busca e salvamento, onde terá de viajar no tempo para a mesma época onde os sobreviventes estarão. Mas desta vez a Regina não será a única protagonista, pois a narrativa irá levar-nos a jogar também com Dylan Morton, um outro soldado.
Graficamente o jogo voltou a usar gráficos pré-renderizados para os cenários
Mas vamos ao que interessa, a jogabilidade! Por um lado este Dino Crisis 2 mantém os controlos típicos dos Resident Evil clássicos com os seus tank controls habituais e ângulos de câmara fixos (até com cenários pré-renderizados novamente, ao contrário dos gráficos poligonais do primeiro jogo), mas por outro lado há mesmo um maior foco na acção em detrimento do puzzle solving e da gestão mais contida do inventário. Para terem uma noção, o jogo está repleto de zonas mais abertas, com dinossauros a surgirem constantemente por todos os lados e o jogo vai-nos recompensando com pontos pelos dinossauros que matamos, por eventuais combos que possamos fazer ao matar múltiplos dinossauros seguidos, até bónus para atravessar uma sala sem sofrer dano, ou por conseguir counters, ou seja, atacar um dinossauro no preciso momento em que este se preparava para nos atacar. Ocasionalmente entramos em salas mais seguras onde teremos acesso a um terminal, terminal esse que serve não só para gravar o nosso progresso no jogo, mas também para comprar itens médicos, armas ou munições, com os pontos que vamos amealhando. Será então possível extender bastante a capacidade de balas das armas de fogo que vamos usando, de tal forma a ter dezenas, centenas, ou mesmo milhares de balas disponíveis de uma só vez! É de facto um contraste muito grande com o primeiro jogo!
Há agora uma maior variedade de dinossauros para enfrentar, mas também mais armas para experimentar!
Mas também teremos os momentos habituais nestes tipo de jogos, onde teremos de explorar bem os cenários na busca de chaves ou outros itens que serão necessários para desbloquear algum acesso e progredir na história. Ocasionalmente teremos também alguns mini-jogos, como uma viagem de barco onde temos de usar um canhão e abater dezenas de dinossauros marinhos, ou um confronto contra um T-Rex connosco a bordo de um tanque. Se bem que este último foi um pouco frustrante pois controlar o tanque com tank controls, mais rodar o canhão com o botão L1 ou R1 não foi lá muito agradável. A narrativa também vai evoluindo de forma a que sejamos obrigados a alternar de protagonista, sendo que tanto a Regina como o Dylan terão acesso a armamento diferente.
Sempre que transitamos de sala ou localização recebemos uma determinada pontuação mediante a nossa performance no combate
A nível audiovisual é um jogo bastante competente para uma PS1, apesar de haver aqui um retrocesso ao uso de gráficos pré-renderizados para os cenários, estes não estão nada maus. Há uma maior variedade nos cenários, pois vamos explorar não só as tais instalações high-tech científico-militares, mas também muita selva e um pouco de cidade. Mas mais do que isso, há uma variedade muito maior de dinossauros, e ainda bem, pois sempre foi uma das coisas que me deixou mais a desejar no primeiro Dino Crisis. No que diz respeito ao voice acting, nada de especial a apontar, acho que até tem bem menos momentos cringe do que o habitual! Ocasionalmente também teremos direito a algumas cutscenes em FMV bem detalhadas, como mandava a lei daquela geração!
E os pontos que ganhamos podem ser utilizados para comprar novas armas, munições ou outros itens utilizáveis com os medkits
Portanto este Dino Crisis 2 sinceramente até que achei um jogo bem competente, embora tenha alguma pena que se tenha demarcado um pouco do estilo survivor horror. Mas como jogo de acção é bem competente, embora o facto de continuar a usar ângulos de câmara fixos não lhe tenha favorecido, pois há respawn constante de dinossauros que poderão estar fora do nosso alcance de visão até ser tarde demais. A série Dino Crisis recebeu ainda mais 2 jogos, com o spinoff Dino Stalker a ser o próximo da lista e que planeio jogar em breve, antes de me debruçar sobre o Dino Crisis 3 que é um exclusivo Xbox. Veremos!