Street Fighter Alpha 3 (Sony Playstation)

Vamos continuar com os Street Fighter Alpha, desta vez com a conversão para a PS1 desse clássico das arcades. E foi justamente esta versão da PS1 que cheguei a jogar bastante, algures nos verões de 2000 e 2001, quando me juntava em casa de um amigo que o tinha na sua Playstation. É uma sequela que acaba por introduzir muitas coisas novas na sua jogabilidade e, nas suas versões para as consolas, inclui também muitos novos modos de jogo que lhe aumentam bastante a longevidade. O meu exemplar actual foi-me oferecido por um colega de trabalho, algures em 2016.

Jogo com caixa e manual (bastante grosso por sinal)

Não vamos falar de história pois esta acaba por ser mais uma revisão da história que já tinha sido contada tanto no SF Alpha, como no Alpha 2, que são jogos que supostamente decorrem entre os eventos do primeiro e segundo Street Fighters. Mas digamos que neste Alpha 3, durante o modo arcade, teremos muitas mais cutscenes que vão mostrando as ambições de cada personagem, já para não dizer que temos muitas mais personagens neste jogo. Desde alguns “retornados dos SFII como Cammy, Balrog ou Vega, personagens inteiramente novas como Mika ou Karin, mas também o Cody de Final Fight, que surge aqui como um prisioneiro que escapou da prisão.

A quantidade de lutadores é bastante generosa, com algumas caras novas e o regresso de outras bem conhecidas

Antes de abordar os modos de jogo com mais detalhe, convém primeiro referir que este SFA3 fez algumas mudanças de fundo nas suas mecânicas de jogo básicas. Nos SFA anteriores poderíamos optar por usar um estilo “auto” ou “manual”, onde o primeiro nos permitia bloquear automaticamente os golpes inimigos, bem como simplificar alguns dos combos, embora com a desvantagem dos golpes mais poderosos não poderem ser desencadeados. Aqui isso foi substituído por 3 “ismos”, que poderemos escolher antes de cada partida. O “A-ism” é baseado no modo manual dos SFA anteriores, onde temos direito a uma barra de special com 3 níveis e diferentes super combos possíveis. Já o X-ism remete para uma jogabilidade mais simplificada dos tempos do Super Street Fighter II, com a barra de special a atingir um só nível e cada personagem teria assim acesso apenas a um super combo, para além do que outras mecânicas introduzidas nos SFA anteriores, como os alpha counters ou a possibilidade de bloquear ataques em pleno ar, deixam de ser possíveis. Por fim temos o V-Ism, onde a barra de special possui 2 níveis e no lugar dos super combos temos apenas disponíveis os custom combos introduzidos no SFA2. Para além disso, cada estilo possui também diferentes multiplicadores na defesa e ataque das personagens, bem como poderão até haver algumas pequenas mudanças gráficas. Por exemplo, a Chun-Li usará as roupas do SFII caso seleccionemos o estilo X-ism. Ora tudo isto aumenta consideravelmente a longevidade do jogo, principalmente para quem quiser explorar todas estas alternativas.

No modo world tour podemos customizar que tipos de habilidades queremos usar ou não, para além do ismo pretendido. Podemos ver também os pontos de experiência amealhados!

E a versão PS1 traz de facto muito conteúdo adicional, para além dos típicos arcade e versus para 2 jogadores. Para além de um modo treino que dispensa apresentações, o principal destaque vai mesmo para o modo “world tour“, onde como o nome indica, viajaremos pelo globo e teremos de ultrapassar uma série de desafios. É um modo de jogo que nos obriga mesmo a dominar bem as técnicas do jogo, pois alguns dos combates podem ter condições muito específicas, como apenas os combos ou super combos servirem para ferir o inimigo. Ou lutar em batalhas de 1 contra 2, ou outras com um tempo muito reduzido. No final de cada desafio, a personagem que escolhemos representar vai ganhando pontos de experiência, assim como o “ismo” escolhido, podendo então vir a desbloquear novas habilidades com o tempo. É também jogando este modo world tour onde desbloqueamos algumas personagens e modos de jogo adicionais. De personagens a desbloquear o Guile, bem como o Evil Ryu ou Shin Akuma. Já de modos de jogo adicionais podemos desbloquear o Team Battle, Survival, Dramatic e Final Battle. O Team Battle faz lembrar a série King of Fighters, pois podemos escolher uma equipa de lutadores e teremos de defrontar os membros das equipas adversárias de forma sequencial. O Survival, que por sua vez possui vários sub modos de jogo, coloca-nos a enfrentar imensos inimigos de forma sequencial, com a nossa barra de vida a ser gradualmente restabelecida entre combates. O modo Dramatic Battle já tem vindo a ser introduzido nos SFA anteriores, onde um par de lutadores (Ryu e Ken, por exemplo) juntam forças para defrontar uma série de vilões. O modo Final Battle é um atalho para o confronto contra o boss final do modo arcade.

Graficamente não há nada a apontar. As animações estão óptimas e temos imensos cenários cheios de pequenos detalhes deliciosos!

A nível audiovisual este é, uma vez mais, um jogo fantástico. Existe uma grande variedade de cenários e inúmeros lutadores, todos eles bem detalhados e animados. Naturalmente que a versão PS1 possui vários cortes nas animações tendo em conta a versão arcade, mas sinceramente são coisas relativamente pequenas e que em nada afectam a jogabilidade. Os cenários são bastante diversificados, contendo uma vez mais bonitas paisagens naturais, rurais ou mesmo urbanas, bem como outros ambientes mais sinistros ou delapidados, dependendo da personagem. Apesar de não gostar tanto do traço que deram às personagens na série SFA, confesso que neste terceiro jogo já apreciei mais a direcção artística. Também o facto de todos os menus e transições estarem com visuais mais modernos e ousados certamente ajudou. Já na banda sonora, devo dizer que prefiro a do SFA2. Esta possui demasiado foco na electrónica para o meu gosto e mesmo as poucas músicas rock que existem não as achei nada de especial. Gosto da banda sonora mais eclética dos títulos anteriores!

O modo arcade possui várias cutscenes que vão contando a história do protagonista que escolhemos!

Portanto estamos aqui perante um excelente jogo de luta em 2D da Capcom, que estava no seu pico de criatividade, a meu ver. É que para além dos Street Fighter (não esquecer que o Street Fighter III saiu antes deste SFA3), a Capcom estava ainda a fazer um bom trabalho nos seus versus e a série Darkstalkers também. Mas talvez por causa disso o mercado tenha ficado algo saturado e os jogos de luta em 2D tenham entrado em declínio com a viragem para o novo milénio. Mas voltando ao SFA3, existem muitas outras conversões, caso esta versão PS1 não vos agrade. É impossível não fazer uma menção honrosa para a versão Sega Saturn que, apesar de exclusiva no Japão (e caríssima), acaba por ser uma conversão tecnicamente muito próxima do original e inclui todos os modos de jogo e personagens adicionais da versão PS1, embora muitos estejam já desbloqueados de início. O mesmo para a versão Dreamcast. O jogo está também na compilação Street Fighter Alpha Anthology para a PS2 (embora sem algumas das personagens e modos de jogo adicionais) e no que diz respeito às consolas portáteis, a GBA teve uma versão modesta mas muito interessante, já a PSP recebeu uma conversão muito boa também, incluindo todas as personagens (e mais algumas) e modos de jogo desta versão. Portanto opções não faltam!

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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