Satazius (PC)

Mais um dia, mais uma rapidinha de um jogo indie para PC. E isto só é rapidinha pois eu geralmente sou uma nódoa em shmups. Satazius é um jogo que me parece ser uma homenagem a Gradius, tanto no aspecto da nave, inimigos e cenários, a jogabilidade, e o sistema de selecção de armas. Produzido pelo estúdio Astro Port, e localizado pela Capcom, o jogo chegou-me à conta do Steam algures no ano passado, salvo erro no bundle Indie Gala de October, tendo-me custado uma ninharia como é habitual.

sataziusAo começar a aventura temos logo um ecrã de selecção de armas que vai reaparecendo antes de cada nível e após cada gameover. Para além de podermos seleccionar uma de várias armas principais, podemos escolher também duas secundárias, das quais podemos alternar sempre que quisermos ao longo do jogo. Essas armas secundárias geralmente consistem em modos de fogo para várias direcções, muito úteis em momentos mais apertados. Obviamente que também podemos escolher uma arma especial, bastante poderosa, mas que apenas a podemos utilizar ocasionalmente, quando a mesma estiver carregada, sendo bem utilizadas em lutas contra bosses. Ainda assim muitas destas armas estão bloqueadas ao início, sendo desbloqueadas à medida em que vamos progredindo no jogo.

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Os níveis vão tendo visuais variados, não sendo tudo no espaço sideral

Durante o jogo estas armas, bem como a velocidade da nave podem sofrer upgrades, bastando para isso recolher vários dos powerups que vão surgindo no ecrã. Estes upgrades vão-se mantendo de nível para nível, a menos que percamos uma vida, aí voltam atrás alguns níveis. Ainda assim, o jogo nos níveis de dificuldade mai baixa (easy/normal), não é assim tão desafiante e com um bocadinho de perícia e utilização inteligente das armas lá se vai avançando no jogo, até porque com as armas especiais basta um ou 2 disparos para arrumar com o boss. Nos níveis mais elevados de dificuldade o desafio vai sendo maior, mas pelo menos não é um bullethell como muitos outros shmups que se vêem por aí.

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E como manda a lei, os bosses impõe sempre algum respeito

Visualmente é nitidamente um jogo inspirado nos grandes clássicos da era 16-bit, nomeadamente o próprio Gradius. Temos níveis a decorrer em pleno espaço sideral, outros em cavernas ou bases tecnológicas. Bosses gigantes como não deveria deixar de ser, e com muitos ataques diferentes, forçando-nos a reconhecer os seus padrões de movimento. O jogo tem uns gráficos bem limpinhos, e permite jogar tanto em fullscreen como em modo janela, o que para mim neste género de jogos mais “retro” é preferível. A música adequa-se perfeitamente ao estilo de jogo, é um techno futurista bastante uptempo, ideal para toda a cacofonia que por vezes vai aparecendo no ecrã. No fim de contas parece-me ser um shmup que não reinventa a roda, mas para quem é fã do género, certamente irá encontrar algo que aprecie neste jogo.

U.N. Squadron (Super Nintendo)

UN Squadron De volta à máquina 16-bit da Nintendo para uma pequena análise a um shooter horizontal da Capcom. U. N. Squadron, conhecido no Japão como Area 88 e sendo uma adaptação de um manga do mesmo nome. É um jogo que surgiu pela primeira vez nas arcades durante o ano de 1989, tendo chegado à SNES algures no ano de 1991. A minha cópia chegou-me às mãos recentemente, através de um bundle que comprei a um colega de trabalho. De todos os jogos que faziam parte do pack, este era o que vinha em pior estado, com aquela enorme fita cola no meio da caixa. Ainda assim não acho que tenha sido mau negócio de todo, até porque nesse pack tinha também um certo Contra

UN Squadron - Super Nintendo
Jogo completo com caixa, papelada e manuais. Pena a fita cola na caixa de cartão…

A história coloca-nos ao comando de 3 pilotos do UN Squadron, um esquadrão de batalha composto por mercenários bastante habilidosos, que tenta defender o seu país, o reino de Aslam, que foi tomado de assalto por um enorme grupo de mercenários e traficantes de armas, o Project4. Os membros do UN Squadron são então a última esperança de devolver a liberdade ao seu povo, e o resto não é difícil de imaginar. Podemos incialmente escolher jogar com um de 3 pilotos disponíveis: Shin Kazama, Mickey Scymon e Greg Gates, cada um com as suas habilidades próprias. Shin é o piloto que mais rapidamente evolui a arma principal, Mickey o que consegue carregar com mais armas especiais e Greg o que recupera mais rapidamente de dano sofrido.

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As 3 personagens com as quais podemos jogar

Pela esta última frase, já dá para entender que o jogo apresenta algumas mecânicas interessantes. A primeira é que para além de termos de escolher logo à partida o piloto, podemos também escolher o avião a utilizar. Cada piloto tem o seu avião por defeito, mas posteriormente poderemos “comprar” outros aviões com diferentes características, que poderão ser especialmente úteis em algumas missões. E sim, este é um jogo baseado em missões, onde podemos escolher que missão jogar através de um mapa. Assim sendo, não é um jogo tão linear como normalmente eles são. Mas para além de comprar aviões, antes de cada missão podemos também escolher que armas secundárias queremos levar, mas tal como os aviões, essas custam dinheiro. E como podemos ganhar dinheiro? Fácil, destruindo os inimigos. No final de cada missão se não tivermos utilizado todas as armas especiais que compramos anteriormente, o seu valor é restituído à nossa conta, no entanto também não podemos gastar dinheiro à toa, pois se perdermos uma vida, perdemos todo o dinheiro investido nessas armas.

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Ecrã de selecção de missões. Apenas podemos escolher combater os items que estão dentro do círculo mais claro, que vai aumentando à medida em que vamos progredindo

O sistema de dano também é interessante. Ao contrário dos 1-hit-kills tradicionais, aqui temos uma barra de energia. No entanto é frequente que mesmo com um hit a barra se esvazie por completo e basta mais um hit para perdermos uma vida, obrigando-nos a escolher a missão novamente. No entanto, se conseguirmos sobreviver durante algum tempo voltamos a recuperar parte da vida. Mas existem também diversos powerups que podemos encontrar ao destruir os inimigos. Uns restabelecem vida, outros munições das armas especiais que compramos para a missão, outros ainda aumentam o “Pow level”, que basicamente aumenta o dano infligido pela arma principal (que como sempre, tem munição infinita). Voltando às missões, para além das principais que resultam sempre num confronto com um boss, existem outras especiais, ou secundárias como lhes quiserem chamar, onde podemos destruir  pequenos “convoys” terrestres inimigos num curto intervalo de tempo, o que nos dá  bastante dinheiro por recompensa.

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No final de cada missão principal temos sempre um boss. Escolher as armas especiais adequadas já é meio caminho andado.

Graficamente acho um jogo bastante competente para a altura em que foi lançado. Apesar de os gráficos não serem o supra-sumo da SNES, são bastante coloridos e os backgrounds vão sendo também bastante variados. O mesmo se pode dizer dos inimigos e os próprios efeitos das armas especiais também são bastante bonitos. No entanto, tirando um ou outro efeito na apresentação do jogo, este não é daqueles jogos que abusa do mode 7 e as capacidades de sprite rotation que tanto populares foram na SNES. Talvez por ser um port de arcade. Ainda assim, o artwork das personagens e restantes NPCs que vamos vendo quer nos briefings quer na “loja” estão bastante bons, assim como as expressões faciais que vamos vendo dos pilotos ao longo fo jogo. Os efeitos sonoros são OK, cumprem bem o seu papel, já as músicas, bom isso é outra conversa completamente diferente. A Capcom no seu catálogo retro possui imensas músicas notáveis e a banda sonora deste jogo não é excepção. Não sei se vão buscar músicas ao anime Area 88, mas o que é certo é que as músicas deste jogo geralmente são muito rockeiras e bastante uptempo, o que em conjunto com o bom chip de som da SNES, temos aqui algumas faixas memoráveis.

Infelizmente o jogo não herdou o modo para 2 jogadores das arcadas, mas não deixa de ser um óptimo shooter para quem é fã do género. A SNES nem é propriamente conhecida por jogos deste tipo, pelo que U.N. Squadron, pela sua jogabilidade fora do vulgar e excelente apresentação audiovisual apresenta-se como uma óptima alternativa.

Resident Evil 4 – Limited Edition (Sony Playstation 2)

Resident Evil 4 LE

Tempo para mais uma “rapidinha”, embora este jogo mereça um artigo longo. Resident Evil 4 é na minha opinião um dos melhores videojogos lançados na geração DC-PS2-GCN-XBox, tendo mudado radicalmente a jogabilidade dos Resident Evil e não só. É um excelente jogo de acção com uma perspectiva “over the shoulder” que foi sendo popularizada com muitos shooters que lhe seguiram. A razão pela qual não me vou estender muito neste artigo é porque o Resident Evil 4 já foi aqui analisado na sua plataforma de origem, a Nintendo Gamecube. Recomendo a leitura desse artigo para uma análise mais aprofundada, pois aqui vou-me incidir apenas nas diferenças apresentadas por esta versão. E este jogo foi um que me veio parar à colecção de forma completamente acidental, ao ter comprado a um vendedor na Amazon o Ico também para a PS2, tendo recebido por engano esta versão limitada do RE4, que vem num steelbook e inclui como extra um guia de jogo. Felizmente o vendedor enviou-me posteriormente na mesma o Ico e deixou-me ficar com este jogo.

Resident Evil 4 LE - Sony Playstation 2
Jogo completo com caixa, manual e guia de jogo

Como já devem saber, Resident Evil 4 coloca-nos numa região remota em Espanha, onde Leon S. Kennedy tem a missão de resgatar a filha do presidente norte-americano das mãos de um estranho culto religioso, o “Los Iluminados”. Acontece que esses senhores são portadores de um parasita capaz de controlar seres humanos e também transformá-los em bonitas e dóceis criaturas, ficando assim lançado o mote para mais uma arma biológica. Este jogo inclui todos os conteúdos da versão original, mais o “Separate Ways”, onde tal como o Ada’s Assignment controlamos Ada Wong. Ao longo da aventura normal, Leon e Ada Wong vão ter diversos encontros e este “capítulo extra” leva-nos na aventura de Ada, por alturas em que ela se separava novamente de Leon. Por exemplo, ficamos a saber que foi Ada quem tocou o sino da Igreja, salvando Leon da chacina na aldeia.

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Este boss continua a ser dos mais impressionantes do jogo

Ao contrário de Ada’s Assignment, este “mini jogo” extra é bem maior, estando dividido em 5 capítulos, cobrindo vários locais, desde a aldeia, o castelo de Salazar, até à ilha onde os acontecimentos finais do jogo tomaram lugar. O vendedor misterioso está também aqui presente, onde podemos mais uma vez comprar e vender itens e armas, fazer upgrades às mesmas ou mesmo à mala onde carregamos tudo. Também existem uma série de tesouros e pedras preciosas para descobrir. Isto juntando ao facto de Ada ser uma personagem misteriosa, e muitos detalhes novos vamos aprendendo sobre a história da série, tornam este capítulo Separate Ways algo essencial. Existem também mais alguns bónus nesta versão face à original, como armas e roupas novas para a personagem.

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You gotta love them shotguns

Infelizmente jogá-lo numa PS2 não é a melhor das ideias. Resident Evil 4 foi um jogo feito de raiz para a Nintendo Gamecube e desde cedo a Capcom queria tirar o máximo proveito possível do hardware da consola da Nintendo. E isso vê-se muito bem. Resident Evil 4 é facilmente dos melhores jogos que a plataforma recebeu, não só a nível de jogabilidade, mas também a nível gráfico. Os cenários, os inimigos e as personagens principais apresentam um nível muito grande de detalhe, comparativamente a muitos outros jogos da Gamecube, inclusivamente jogos first party. Assim sendo, a conversão para um sistema inferior acabou por sofrer. Apesar de ser na mesma um jogo bonito para uma PS2, é bastante notório que os cenários e personagens apresentam modelos com menos polígonos e alguns efeitos de luz e partículas estão também piores nesta versão. Mas lá está, não deixa de ser um excelente jogo. No entanto, sempre recomendo a versão que saiu para a Wii ou o upscale em HD que saiu na Xbox 360 e PS3. Têm os mesmos extras que esta versão PS2 e os gráficos iguais ou superiores (no caso das versões HD) à versão Gamecube.

Street Fighter II (Super Nintendo)

Street Fighter II

Não estou a ver nenhum jogo que tenha sido mais influente para o género de jogos de luta 1 vs 1 que o Street Fighter II o foi. Com os seus gráficos excelentes para a época, personagens carismáticas, uma jogabilidade fluída e repleta de golpes especiais, Street Fighter II estava literalmente a anos-luz de distância de outros jogos do género, mesmo da sua prequela. SF II teve um enorme sucesso nas arcades por esse mundo fora, fundando de vez o movimento de jogos de luta 2D que rapidamente recebeu imensos “clones” de outras empresas que tentaram capitalizar sobre o seu sucesso. Este jogo que aqui trago é precisamente a primeira conversão do mesmo para uma consola caseira e embora tenha algumas perdas face à versão arcade, não deixou de ser um enorme sucesso também. Especialmente nesta guerra dos 16-bit, já que a Mega Drive teve de esperar cerca de mais 2 anos até receber a sua primeira versão deste jogo. E a minha cópia foi adquirida no mesmo bundle que comprei a um colega de trabalho, tendo-me ficado a um preço muito reduzido. Infelizmente falta-lhe a caixa.

Street Fighter II - Super Nintendo
Jogo com manual que para mal dos meus pecados está todo em alemão.

A história que está por detrás do jogo é o cliché do costume, cliché esse que acho que até começou mesmo com este jogo. Lutadores de todo o mundo entram num super torneio de artes marciais, mas logo vamos descobrir que existem conspirações por detrás, vilões que tentam dominar o mundo, heróis que os tentam impedir, ou simplesmente quem esteja lá porque quer andar à pancada. Mas isso são detalhes que apenas quem tenha o manual ou veja as cutscenes finais é que se apercebe, pois quem joga este tipo de jogos, geralmente está-se marimbando para a história, o que conta é mesmo a pancadaria e diversão.

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O cast original de lutadores

O jogo consiste então numa série de combates 1 contra 1, onde para derrotar o adversário temos de esgotar a sua barra de vida, na base da pancada claro está. Os combates são decidos numa regra do “melhor de três”, pelo que basta vencer 2 combates em seguida para se defrontar o adversário seguinte. Ainda assim é possível empatar um determinado round por KO duplo, jogando assim um round extra com morte súbita. Esta primeira conversão do jogo segue a primeira versão arcade na medida em que temos apenas 8 lutadores disponíveis para jogar (Ryu, Ken, Chun-Li, E. Honda, Blanka, Dhalsim, Zangief e Guile), com os bosses Sagat, Bison, Balrog e Vega de fora (nem vale a pena falar na confusão que fizeram com estes nomes!). Para além dos combates existem também alguns mini-jogos intercalados, onde temos de destruir certas coisas dentro de um determinado tempo. Claro que o mais famoso é mesmo aquele em que temos de destruir um carro o mais rapidamente possível e para mim é uma ideia de génio por parte da Capcom em incluir esses bónus para quebrar um pouco o stress. Ou não.

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Nas opções podemos alterar o nível de dificuldade, a configuração dos botões, entre outros

O jogo utiliza um esquema de 6 botões faciais para os golpes, sendo 3 deles para murros e os outros 3 para pontapés, variando entre eles a intensidade dos golpes. A piada estava sem dúvida nos golpes especiais que cada lutador tinha, e descobri-los sozinho era mesmo uma aventura. Na altura não havia internet, o máximo seriam as secções de “truques e dicas” das revistas que nem toda a gente comprava. Quem não se lembra da primeira vez que conseguiu fazer um hadouken com o Ryu ou Ken? Ou dos nomes que inventávamos aos golpes? Os lutadores são bastante distintos entre si (excepto claro para a dupla Ryu/Ken), com alguns clichés (Ryu, Guile e Zangief a protagonizarem os esteriótipos japonês, norte americano e soviético respectivamente) e outros bastante originais, como Blanka e o misterioso monge Dhalsim com a sua enorme elasticidade corporal.

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Estes ecrãs foram tendo muito engrish ao longo dos anos, especialmente nas arcadas

Para além da vertente “single player“, temos também um versus para 2 jogadores. Ao contrário do jogo original para Arcade, aqui é possível ambos os jogadores escolherem a mesma personagem para jogar, onde a segunda fica com uma cor diferente nas suas roupas. Isto foi uma feature que apenas saiu no primeiro update ao jogo nas Arcades, a Champion Edition. Mas apesar desta ser uma boa conversão, naturalmente por limitações técnicas a versão arcade apresenta gráficos superiores e mais voice samples. Ainda assim não deixa de ser um bom port. As arenas continuam cheias de detalhes e são um clássico absoluto do género. Lembro-me perfeitamente das tardes em que passava a jogar este jogo na SNES da escola e quando era a minha vez de esperar, ficava a apreciar todos os detalhes como o público a apoiar no fundo, os chineses a andar de bicicleta no cenário da Chun Li, ou mesmo nunca ter percebido ao certo do que se tratava o cenário do E. Honda. Os efeitos sonoros, apesar de não estarem todos presentes da versão arcade são também bastante nostálgicos, assim como as músicas do jogo. Algumas como a do Guile fazem na minha opinião parte do panteão musical dos videojogos.

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O jogo na arcade tinha esta arena à noite. No entanto apesar de simples, sempre foi uma das minhas preferidas.

Concluindo, acho Street Fighter II um clássico absoluto da história dos videojogos, e foi certamente um jogo que revolucionou toda a indústria. Esta versão para SNES não se porta nada mal, embora tenha sido logo ultrapassada quando um ano depois chegou à SNES a versão Street Fighter II Turbo, que inclui os updates Champion Edition e Hyper Fighting. O primeiro inclui os 4 bosses como personagens jogáveis logo de início, já o segundo traz tudo o que o CE tem mais o tal modo “turbo”, onde realmente se nota uma maior fluidez nos combates. O SF II Turbo é então para mim a versão definitiva do Street Fighter II clássico (não estou a contar com o Super SF II pois esse já tem bastantes mudanças para estar noutro patamar), mas caso se cruzem com esta versão a um bom preço, não deixa de ser um excelente jogo para se ter na colecção.

Resident Evil 5 Gold Edition (Sony Playstation 3)

Resident Evil 5 Gold EditionResident Evil 4, lançado originalmente para a Nintendo Gamecube, foi um jogo que mudou por completo o paradigma da série, onde longe ficaram os tank controls, a câmara com âgulos fixos, a Umbrella e os seus zombies lentos e burros. O que acabou por dar lugar ao parasita das Las Plagas, resultando em inimigos mais rápidos e inteligentes, e o jogo no geral com um foco bem maior na acção do que propriamente o survival horror caraterístico dos primeiros jogos. A sua perspectiva “over the shoulder” acabou por influenciar muitos outros shooters na terceira pessoa que lhe seguiram, e não foi nenhuma surpresa quando a Capcom anunciou que o Resident Evil 5 seguiria essa mesma mecânica. Mas mais detalhes lá para a frente. A minha cópia do jogo foi comprada algures durante este ano, na Mediamarkt de Alfragide, tendo-me custado algo à volta dos 19€.

Resident Evil 5 Gold Edition - Sony Playstation 3
Jogo completo com caixa, manual e papelada

O jogo decorre em 2009, 5 anos após os acontecimentos de Resident Evil 4, onde controlamos mais uma vez Chris Redfield, agora agente das BSAA (uma organização não governamental contra armas biológicas). Chris é então enviado para uma localidade remota em África, onde se suspeitava que Ricardo Irving, comerciante ilegal de armas biológicas, iria estar por detrás de um negócio obscuro envolvendo novas armas biológicas. À espera de Chris estava a jovem Sheva Alomar também das BSAA, e uma multidão de Majinis (humanos infectados com uma variante do Las Plagas) e muitos outros bichinhos fofinhos para nos entretermos. Juntando a isso novas informações sobre o paradeiro de Spencer, fundador da Umbrella, o desaparecimento de Jill Valentine e as maquinações de um certo senhor Albert Wesker, estão reunidos todos os ingredientes para mais uma aventura Resident Evil.

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Ao terminar o jogo e concluir muito do conteúdo extra, podemos desbloquear uma série de novos uniformes para as personagens

A nível das mecânicas de jogo, a grande novidade é mesmo na cooperação entre Chris e Sheva. Apesar de em Resident Evil Zero já existir uma cooperação entre 2 personagens, aqui as coisas são bem mais dinâmicas até porque no modo single-player acabaremos invariavelmente por controlar apenas Chris Redfield. Excepto se terminarmos o jogo e decidirmos arrancar no New Game Plus, aí poderemos controlar Sheva. É possível jogar-se cooperativamente com um amigo, seja online ou localmente através de splitscreen, coisa que não recomendo pois perde-se muito detalhe. É notório que houve um grande foco da Capcom em tornar o jogo cooperativo, pois a IA de Sheva, para quem quiser jogar sozinho como eu, deixa muito a desejar. Em primeiro lugar porque Sheva teima em colocar-se à nossa frente quando tentamos mirar para obter o melhor disparo possível, em segundo porque Sheva é bastante perdulária no que diz respeito a munições. Para além de as desperdiçar em disparos para o tronco, quando eu tento sempre dar uns headshotzinhos, não consegue decidir qual a melhor arma a utilizar para cada situação. Basicamente se Sheva tiver um revólver, vai desperdiçar todas as balas do revólver numa multidão de Majinis, antes de passar para outras armas mais eficientes que tiver em sua posse. Tenho outras queixas, mas estas são para mim as que mais me irritaram.

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A sniper rifle dá sempre jeito

Outra coisa que mudou face ao Resident Evil 4 foi o sistema de inventário. Enquanto que no RE4 teríamos um inventário de tamanho fixo, em que cada item tinha um tamanho diferente e tinhamos de o gerir cuidadosamente, aqui cada personagem possui um inventário com 9 posições, não havendo diferença se guardamos lá um revólver, ou um lança granadas. Podemos trocar de items com Sheva a qualquer altura, e entre cada capítulo de jogo podemos também aceder a um inventário fixo maior, onde podemos guardar outros items para uso futuro. Para além do mais podemos comprar novas armas e fazer upgrades às mesmas, tal como no RE4, mas sem o vendedor misterioso. O detalhe que provoca uma maior tensão nos combates é que temos de aceder ao inventário em tempo real, sem pausar a acção. Para facilitar as coisas, podemos assignar alguns items chave em 4 posições distintas do inventário, representando a cruz dos botões direccionais digitais. Assim basta carregar num desses botões para rapidamente equipar uma arma, um healing item ou outra coisa qualquer. Convém também referir que quando um dos parceiros “morre”, na verdade vai estando indefeso no estado “dying” até que a sua vida se esgote, terá de ser o sobrevivente a “ressuscitá-lo”, seja com umas herbs, ou um first aid kit. Se não tivermos nenhum healing item em nossa posse, então podemos injectar uma dose de adrenalina que regenera a vida para um valor mínimo. Existe um stock ilimitado destas doses de adrenalina, mas cada vez vão regenerando menos vida, até que utilizemos um healing item. Basta uma das personagens morrer, que é gameover, obrigando-nos a voltar ao último checkpoint guardado. Pelo meio, podemos reorganizar o inventário e comprar healing items ou outros, antes de voltar à acção.

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Antes de cada nível e sempre que morremos, podemos aceder ao inventário, reorganizar tudo e comprar/vender coisas

O jogo está dividido em 6 capítulos passados em localizações distintas, sendo que cada capítulo está subdividio em 2 ou 3 níveis, onde na sua maioria são terminados com uma luta contra um boss, ou uma manada de Majinis na nossa direcção. E é nestas lutas contra bosses que sinceramente até achei que a IA de Sheva até se porta bem. Especialmente quando é necessário operar turrets ou outras armas específicas, Sheva parece portar-se melhor a ter o papel principal, do que a servir de engodo, aí só atrapalha mesmo. Mas para além do jogo principal, Resident Evil 5 e em particular esta versão Gold, possuem imensos extras. A primeira é o regresso do minijogo Mercenaries, onde basicamente temos de ir do ponto A ao ponto B num determinado intervalo de tempo, matando o máximo de inimigos possível, de forma a obter o máximo de pontos para desbloquear o nível seguinte. Existem também diversos extras a serem desbloqueados, desde ficheiros onde podemos ler um pouco mais do background de diversas personagens, coleccionar figurinhas de “plástico” tipo os troféus de Super Smash Bros, novos uniformes, armas com munição infinita, entre outros.

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Existem várias cenas de perseguição, algumas até na água.

A versão Gold deste jogo trouxe ainda mais conteúdo bónus para os fãs, desde novos níveis e personagens para o Mercenaries, um modo multiplayer competitivo chamado Versus, que eu sinceramente nem perdi tempo a olhar para ele, e o que mais me interessou, os 2 DLCs singleplayer. À semelhança de “Separate Ways” do Resident Evil 4, “Lost in Nightmares” e “Desperate Escape” contam pequenas histórias relacionadas com a aventura principal, não sendo longas como uma expansão, nem tão fulcrais que devessem fazer parte do jogo original. DLC done right, algo que a Capcom nem sempre consegue fazer. Lost in Nightmares coloca a velha dupla Chris e Jill Valentine a inflitrarem-se numa das mansões de Spencer, acabando num confronto que leva a acontecimentos relevantes ao jogo principal, numa viagem bastante nostálgica. Isto porque foram buscar vários elementos ao primeiro jogo, para além de começar a aventura numa mansão bastante familiar, detalhes como a abertura de portas, ou mesmo a possibilidade escondida de se jogar com os tank controls e os ângulos de câmara fixos, são certamente coisas feitas para agradar os fãs da velha guarda. O outro capítulo adicional – Desperate Escape – coloca-nos ao controlo de Jill e Josh, após certos acontecimentos no jogo principal. E ao contrário de Lost in Nightmares em que apenas tinhamos um tipo de inimigo, uma espécie de Mr. X ou Nemesis, aqui temos vários tipos de Majinis que nos vão tentar impedir a todo o custo de escapar, culminando numa batalha em que teremos de enfrentar várias waves de inimigos.

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Após terminar o jogo pela primeira vez, podemos também jogar com Sheva na vertente single player.

Graficamente era um jogo bonito para os padrões de 2009 e para uma Playstation 3. Os cenários vão sendo bastante variados e detalhados quanto baste, atravessando pequenas cidades africanas, pântanos, ruínas subterrâneas, até chegar a localizações mais industriais e até futuristas, como é normal quando a Umbr… Tricell está envolvida. O facto de ser um jogo passado em África e naturalmente possuir muitos majinis de etnia negra causou muita polémica acusando o jogo de ser racista. Bom, eu acho que essas pessoas deviam era ir todas pastar. Para além de também existirem Majini’s brancos (e os vilões principais serem igualmente brancos), acho uma grande perda de tempo terem lançado essas acusações bacocas. Eu sinceramente até gostei bastante da mudança de ares que resolveram dar na série.

O jogo está também repleto de cutscenes, algumas delas com os infames quick-time events, mas podia ser pior. Mas o que realmente gostei foi do detalhe investido nos Majinis e restantes criaturas grotescas. Algumas das até regressaram, nomeadamente os lickers introduzidos no Resident Evil 2, e aqui tornaram-se ossos algo duros de roer, quando atacam aos grupos. Os bosses por vezes são também colossais, levando-nos a batalhas cheias de eye candy. Os efeitos sonoros e respectivo voice acting são bastante competentes, não tenho qualquer razão de queixa dos mesmos, já a música tal como em jogos anteriores apenas entra a todo o gás em momentos do jogo mais frenéticos, sendo silenciosa ou ambiental em situações calmas.

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Um dos segmentos do jogo que mais me irritou, raisparta os crocodilos que surgiam do nada

Assim sendo, acho Resident Evil 5 um bom jogo de acção, porém a IA de Sheva está muito mal aproveitada, sendo mesmo recomendado jogar-se com um amigo, via online. É certo que se o colega for um bom jogador a dificuldade do jogo reduz-se bastante, mas pelo menos as suas falhas de jogabilidade são um pouco colmatadas. Certamente não teve para mim o mesmo impacto causado por Resident Evil 4, mas não posso dizer que tenha desgostado de todo. Até porque preferia de longe a Ashley indefesa do que esta Shevah metediça e trapalhona. No entanto, para quem for um grande fã de Resident Evil, então este pacote Gold é essencial, por todo o conteúdo bónus que traz.