Judge Dredd (Sega Mega Drive)

Voltando à Mega Drive, vamos ficar com mais uma adaptação para videojogo de um filme de acção de Hollywood da década de 90. Judge Dredd, que por sua vez era baseado numa banda desenhada de mesmo nome, não é um dos filmes mais bem sucedidos em que o Sylvester Stallone alguma vez participou. Só vi o filme uma vez e não me ficou quase nada na memória. Felizmente o jogo, pelo menos esta versão da Mega Drive, parece ser bem mais sólido. O meu exemplar foi comprado numa loja no norte do País algures em Setembro deste ano por 15€.

Jogo com caixa

Tal como no filme, o jogo decorre num futuro apocalíptico, onde o sistema de justiça foi todo reformulado. Agora as forças de justiça são basicamente polícias super poderosos com poder judicial, que podem desde logo apreender, julgar e sentenciar os criminosos de uma vez só, incluindo sentenças de morte que são prontamente executadas. Nós encarnamos no Judge Dredd, que no filme é protagonizado pelo Sylvester Stallone e que acaba por ser incriminado de um crime que não cometeu, pelo que teremos de provar a sua inocência. Mas aparentemente este jogo vai mais longe do que o filme, apresentando um novo arco da história que decorre logo após os acontecimentos narrados no filme.

Antes de cada missão temos direito a um briefing que nos explica os seus objectivos

Já no que diz respeito à jogabilidade, esta é a típica de um jogo de acção em 2D sidescroller da época, onde temos um botão para saltar, outro para disparar e um outro para alternar por entre as diversas armas que teremos disponíveis. Cada nível possui um objectivo primário, que poderá passar por interagir com uma série de terminais, resgatar reféns ou destruir alguns objectos específicos. Mas também temos objectivos secundários opcionais, que tipicamente traduzem-se em apreender/executar o máximo de bandidos possível. E a parte das apreensões é interessante, pois alguns inimigos podem-se render e se os prendermos em vez de os matar a tiro ganhamos mais pontos e eventualmente alguns power ups extra. Mas fora isso, não há qualquer problema em matar bandidos em vez de os prender. Até porque nem todos se rendem!

Alguns dos bandidos podem-se render e devemos prendê-los para sacar alguns pontos e/ou power ups extra

A acompanhar Dredd temos a fiel pistola de balas infinitas, mas ao longo do jogo iremos poder apanhar imensas outras armas ou munições que poderemos alternar livremente entre elas com o botão C. Desde explosivos, mísseis teleguiados ou mesmo balas de borracha que, apesar de não serem letais, podem obrigar certos inimigos a renderem-se. Outros itens que podemos encontrar podem-se traduzir em medkits que nos regenerem a barra de vida, vidas extra, itens genéricos que nos aumentam a pontuação, invencibilidade temporária ou um jetpack que nos permitirá voar livremente pelo nível também dentro de um tempo limite. De resto este é um jogo de acção em 2D que não anda muito longe de outros exemplos da Probe no seu design de níveis. Estes são tipicamente labirínticos, repletos de portas, escadas e passagens para explorar, com imensos inimigos para defrontar também. Os objectivos traçados para cada missão obrigam-nos mesmo a explorá-los bem, e só depois nos deveremos encaminhar para a saída. Felizmente não temos um tempo limite como no Alien 3, mas visto que os níveis são bastante grandes e labirínticos, sinceramente as coisas acabam por se tornar um pouco aborrecidas ao fim de algum tempo. E convém jogar com algum cuidado pois os inimigos conseguem-nos causar muito dano. Os bosses em particular são especialmente frustrantes pois não possuem grande estratégia para os derrotar. São esponjas de balas e basicamente teremos de atacar com tudo e manter-nos também em movimento constante para evitar perder uma vida.

Os terminais que encontramos para além de poderem servir para cumprir objectivos, também podem ser usados para consultar alguns detalhes adicionais

A nível audiovisual, nada de especial a apontar aqui. Os níveis apesar de não serem muito interessantes de explorar pela sua natureza labiríntica, até que são bem detalhados e algo variados entre si, ao mostrar zonas urbanas futuristas, prisões decadentes, ruínas antigas, entre outros. Mas gostei particularmente do design dos inimigos e cenários a partir da segunda fase do jogo, que já não é baseada no filme. Aqui iremos enfrentar os Dark Judges que já possuem um aspecto bem mais demoníaco! A nível de som nada de especial a apontar nos efeitos sonoros. Já as músicas devo dizer que não gostei tanto. Aquelas que são mais rock, apesar de eu apreciar o género musical em si, não gostei muito das composições e principalmente da qualidade do som que não é de todo a melhor. As músicas mais calmas já são mais audíveis e não incomodam tanto, mas também não são propriamente memoráveis.

Até que gosto do design futurista de alguns cenários!

Portanto este Judge Dredd da Mega Drive é mais um jogo de acção da Probe. Não reinventa a roda, não é um clássico da era 16bit, mas a Acclaim já publicou coisas bem piores. Se alguns dos níveis não fossem tão labirínticos talvez o teria apreciado mais, mas não deixa de ser um jogo sólido na minha opinião.

The Simpsons: Bart vs the Space Mutants (Sega Mega Drive)

Vamos ficar agora com mais uma rapidinha a um jogo da Mega Drive, nomeadamente este The Simpsons: Bart vs the Space Mutants. É uma rapidinha pois já cá trouxe tanto a sua versão original para a NES, bem como a versão Master System. Esta versão Mega Drive também foi convertida pela Flying Edge e é sem dúvida a versão mais bonitinha deste jogo. Já na jogabilidade, bom, a mesma continua repleta de saltos extremamente precisos, o que poderá ser frustrante. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no passado mês de Setembro por 5€.

Jogo com caixa

Como referi anteriormente, a história e o conceito é o mesmo das versões 8bit. Bart munido dos seus óculos raio-X descobre que extraterrestres estão entre nós a construir uma arma para dominar o mundo e cabe-lhe a ele travar os seus planos. Inicialmente essa máquina está a usar objectos roxos para o fabrico da tal arma, pelo que no primeiro nível a nossa missão vai ser a de pintar o máximo de objectos roxos que conseguirmos, seja com as latas de spray que vamos encontrando, seja com algum platforming mais exigente, ou mesmo com recurso a outros objectos que poderemos vir a adquirir. No segundo nível, passado num centro comercial, já teremos de coleccionar todos os chapéus que encontrarmos, pois a máquina passou a usar chapéus. No terceiro nível, passado numa feira Popular, o objectivo é apanhar ou rebentar o maior número de balões e por aí fora. É essencialmente o mesmo jogo, com os mesmos segredos e desafios. Confesso que descobri um segredo que nunca me tinha apercebido antes: no primeiro nível, as moedas que vamos encontrando podem ser usadas em algumas lojas para comprar objectos, até aqui tudo bem. Mas logo na primeira cabine telefónica a seguir ao Moe’s Tavern, poderemos usar o telefone para fazer uma das prank calls típicas do Bart! Fui depois experimentar o mesmo na versão Master System e também está lá presente! Muito engraçado!

Este obstáculo inicial lixou a vida a muita gente

De resto é um jogo que, tal como a sua versão 8bit, apesar de possuir imensos segredos e uma jogabilidade até variada com a inclusão de vários itens com diferentes usos que poderemos vir a coleccionar e usar, bem como até alguns mini-jogos lá pelo meio, não deixa de ser um jogo desafiante pelo seu platforming preciso, obstáculos e inimigos que nos temos de desviar constantemente. Para não falar claro que basta sofrer dano por 2x que se perde uma vida. E é muito fácil sofrer dano neste jogo! E os controlos infelizmente são também desnecessariamente complicados, especialmente nas mecânicas de correr e saltar.

No que diz respeito aos audiovisuais, sinceramente sempre gostei desta versão. Para além de possuir cores bem mais vivas e um detalhe gráfico nos níveis mais trabalhado, as músicas são também bastante agradáveis. Em particular a música título, que não sendo a tradicional música de abertura da série televisiva, aparentemente por motivos de licenciamento, não deixa de ser extremamente viciante. Não me sai da cabeça!

Podemos activar a visão raio x para desmascarar e atacar os aliens que se fazem passar por humanos

Portanto este Bart vs Space Mutants, se não fosse pelos seus problemas de controlos e por vezes a dificuldade mais extrema (benditos save states!), até que tinha potencial para ser um clássico, pela sua variedade de níveis e de mecânicas de jogo. Para além de que esta versão da Mega Drive está de facto muito bonita visualmente.

WWF Wrestlemania The Arcade Game (Sega Saturn)

Apesar de também ter saído nas consolas 16bit como a versão Super Nintendo que já cá trouxe no passado, esta versão para a Sega Saturn é bem mais fiel ao original arcade e devo dizer que mesmo eu não sendo um fã de jogos de wrestling (ou de wrestling no geral), a jogabilidade arcade e completamente doida deste jogo é muito, muito mais apelativa. O WWF In Your House, lançado posteriormente, é também um sucessor deste jogo. O meu exemplar foi comprado numa feira de velharias, algures durante o mês de Julho, por 3€.

Jogo com caixa e manual

Os modos de jogo são os mesmos que falei na versão da Super Nintendo, sem tirar nem por. Mas ao contrário da versão SNES que lhe faltava 2 lutadores, aqui temos o leque completo de 8 lutadores para seleccionar. Já a jogabilidade, esta é bem mais próxima de um fighter frenético do que de um jogo de wrestling. Embora seja possível fazer aqueles movimentos típicos de wrestling como balancear nas cordas, saltar dos seus cantos ou fazer os suplexes, também teremos combos e golpes bem over the top, às vezes até com super poderes! É irrealista, mas muito divertido! Dependendo do modo de jogo escolhido, poderemos participar em combates de 1 contra 1, 1 contra 2, 1 contra 3 ou mesmo um battle royale que nos coloca contra os restantes 7 lutadores. Independentemente do número de oponentes que defrontamos, apenas nos temos de preocupar em esvaziar a sua barra de vida ao enchê-los de porrada. Uma vez todos no chão, basta nos debruçarmos sobre um dos lutadores derrotados para fazer o pin instantâneo e ganhar o combate. No caso de haver KOs fora do ringue, nem é preciso fazer mais nada.

Desta vez temos o leque completo de 8 lutadores para seleccionar

Para além da jogabilidade ser cativante, o jogo ganha muito também pela sua apresentação. Os lutadores, a arena e público são tudo sprites digitalizadas de pessoas reais, como a Midway bem gostava de fazer. Mas a acção fluída, os golpes especiais e irrealistas e, acima de tudo, pela dupla de comentadores bem dinâmica, dão logo ao jogo um charme muito próprio.

Golpes estúpidos? Check. Acção frenética? Check. Diversão? Check.

Devo dizer que gostei bastante deste Wrestlemania The Arcade Game, e esta versão da Saturn em particular parece estar muito boa. De mau só mesmo alguns loadings ocasionais, durante os combates battle royale. O WWF In Your House, produzido mais tarde pela Acclaim (que por sua vez converteu esta versão), é de facto um sucessor espiritual deste jogo que também é bastante divertido, mas este Wrestlemania ficou mesmo muito bom. É uma pena que não voltem a fazer coisas parvas (no bom sentido) como esta!

Rise of the Robots (Sega Mega Drive)

Já que estamos numa de rapidinhas, vamos continuar, ao abordar agora a versão Mega Drive do Rise of the Robots, um dos jogos mais hyped dos anos 90. mas que, quando saiu, acabou por ficar muito aquém das expectativas. Já cá tinha trazido a versão Super Nintendo no passado, pelo que recomendo que leiam esse artigo para mais algum detalhe. O meu exemplar da Mega Drive foi comprado a um particular no passado mês por cerca de 6, 7€.

Jogo com caixa e manuais

Este é um jogo idêntico à sua versão SNES, ou seja um jogo de luta muito simples onde apenas podemos dar socos e pontapés, mas de uma forma algo atabalhoada, e, por motivos de história apenas poderemos controlar o cyborg presente na capa. Supostamente seria um jogo de luta altamente inteligente, com o CPU a aprender a nossa maneira de jogar e tentar contrariar os nossos movimentos, mas sinceramente o que se nota aqui é uma fluidez lenta e jogabilidade desinspirada.

É a mesma coisa qur nas SNES mas com gráficos menos coloridos

Do ponto de vista audiovisual, os lançamentos originais para DOS e Amiga estão de facto muito bons, repletos de cutscenes em CGI e uma música composta pelo Brian May, guitarrista dos Queen, que toca no ecrã título. Isso transitou tudo para as versões SNES e Mega Drive, embora aqui na Mega Drive as cores estejam muito mais esbatidas. Ainda assim, a cutscene inicial e aquelas pequenas intros a cada novo robot que lutamos, são sem dúvida o ponto alto do jogo. A música do Brian May infelizmente não ficou grande coisa aqui.

E pronto, é isto o Rise of the Robots para a Mega Drive. Uma versão para a Mega CD também chegou a estar em desenvolvimento, mas acabou por não se materializar. Ainda nas consolas da Sega, temos também uma versão 8bit para a Game Gear que mete medo só de pensar. E nesta altura do campeonato ainda não me apareceu nenhum Rise 2 para jogar, mas confesso que também não tenho pressa.

Turok 2: Seeds of Evil (Nintendo 64)

Depois do sucesso do primeiro Turok, a Iguana Entertainment não perdeu muito tempo em preparar uma sequela que acabou por ser lançada em 1998. É, na minha opinião, uma excelente sequela, onde melhoraram e muito na parte gráfica e variedade de armas. É também no entanto, tal como o seu predecessor, um jogo com níveis bastante vastos e labirínticos. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu algures em Março deste ano, por cerca de 15€ se bem me recordo.

Jogo com caixa e manual

Desta vez controlamos um novo protagonista, que é chamado ao serviço por uma alienígena chamada Adon. Esta explica-nos que há uma outra civilização extraterrestre prestes a preparar das suas e ameaçar toda a vida no Universo. Para os deter, teremos de visitar 5 mundos separados de outras civilizações que estão a cooperar com os Primagen, cumprir uma série de objectivos e por fim assaltar a gigante nave espacial dos Primagen e por um cobro à sua ameaça.

O design dos inimigos está muito bem conseguido e bastante variado

Tal como já referi acima, este Turok 2 é um jogo não tão diferente do seu antecessor, ao introduzir poucos níveis, mas os mesmos são gigantes, repletos de passagens secretas, objectivos para cumprir e segredos para descobrir. Começamos também a aventura num hub repleto de portais para os diferentes níveis, onde apenas o primeiro nível se encontra desbloqueado. Para além dos objectivos que teremos de cumprir em cada nível (resgatar reféns, destruir objectos ou estruturas, proteger um totem, entre outros), teremos também de explorar os níveis de forma a encontrar chaves que nos desbloqueiem as passagens para os níveis seguintes. Para além disso, para defrontar o boss final, teremos também de procurar também as Primagen Keys, uma por nível. O problema é que estas chaves estão em locais de difícil acesso, que requerem habilidades especiais, como a possibilidade de caminhar sobre a lava, saltar longas distâncias ou observar caminhos invisíveis. Para essas habilidades teremos de coleccionar uma série de talismãs, que estarão também tipicamente espalhados em níveis diferentes. Portanto teremos de revisitar o mesmo nível mais que uma vez para coleccionar tudo. Tendo em conta que os níveis são muito largos e labirínticos, isto pode ser um problema.

Ocasionalmente lá teremos algum boss para enfrentar

No que diz respeito à jogabilidade, esperem por controlos algo customizáveis, mas bastante próximos do Turok original. Os controlos por defeito são até algo próximos do que temos hoje em dia, mas revertidos, com o analógico a servir para controlar a câmara e o C-Stick a servir para mover. O gatilho Z serve para disparar, os botões A e B para alternar entre armas, o botão R para saltar, L para activar o mapa e o d-pad com uma série de funções secundárias, como seleccionar diferentes tipos de munição para a mesma arma, ou activar a scope. O arsenal à nossa disposição é mesmo variado, desde o habitual arco e flecha, pistola e shotgun (esta última com diferentes tipos de munições), passando por armas cada vez mais imponentes como uma plasma rifle, metralhadora pesada, mísseis teleguiados ou o cerebral bore, uma arma que lança projécteis que perfuram o crânio dos oponentes e fazem-lhes explodir a cabeça! De resto, para além do modo história, temos também um multiplayer com capacidade até 4 jogadores em split screen que eu acabei por nem sequer experimentar.

Os níveis são super longos e com imensos objectivos a cumprir

Já sobre a sua apresentação audiovisual, este é um jogo a meu ver muito bem conseguido face ao original. É verdade que os níveis continuam bastante grandes e complexos, mas agora há muita mais variedade nos seus cenários, mesmo dentro do mesmo nível. A qualidade dos gráficos em si também está muito boa, com várias texturas de melhor qualidade face ao original. Os inimigos e restantes personagens estão também muito bem detalhados e animados e uma vez mais este é um jogo cheio de gore, com cada inimigo a possuir várias animações distintas quando morrem. Os níveis e inimigos são variados entre si, tal como referido acima, apresentando civilizações distintas, com diferentes paisagens, desde cavernas, selvas, estruturas em pedra ou outras mais sci-fi. Temos também algum nevoeiro, mas está bem mais longe que no primeiro Turok. Por outro lado, as músicas não são assim tantas quanto isso e, apesar de não serem nada de especial, até que resultam bem, pois possuem bastante ritmo que casa bem com toda a acção que vamos vivendo. Nada a apontar aos efeitos sonoros, mas fiquei agradavelmente surpreendido pela quantidade de samples de voz.

Sim, este é um jogo com imenso gore

A melhor prestação audiovisual deste Turok 2 face ao original deve-se ao facto de a Iguana/Acclaim terem optado por produzir o jogo num cartucho de 32MB que, embora muito longe dos 650/700MB de um CD, já lhes permitiu armazenar mais e melhores texturas, mais vozes e por aí fora. O que nos leva mesmo a questionar o quão bom seriam os restantes jogos na Nintendo 64 caso a Nintendo tivesse optado por adoptar o formato CD ao invés do cartucho.

Portanto, este Turok 2, apesar de ser um jogo bastante longo pelos seus extensos níveis e backtracking necessário para concluir todos os objectivos, acabou por me surpreender pela positiva, não só pelos seus melhores gráficos e som, mas também pela variedade de novos níveis e armas. A ver como se safaram no Turok 3, que ainda não me apareceu nenhum exemplar. Para além disso, este jogo tinha também sido lançado no PC e recentemente saiu uma versão remasterizada, tal como o primeiro jogo, para plataformas modernas.