O artigo de hoje é uma super rapidinha, pois é sobre uma conversão de um jogo já aqui abordado na sua versão Mega Drive, o primeiro Mortal Kombat. Recomendo então que dêm uma leitura mais atenta nesse artigo pois este vai ser muito curto. O meu exemplar veio de um bundle de vários cartuchos de SNES e Nintendo 64 que comprei em conjunto com um amigo, que me ficou incrivelmente barato, menos de 1€ por cartucho.
Apenas cartucho
Todos conhecemos Mortal Kombat, um dos jogos de luta de maior sucesso de sempre, e daqueles que mais frente fez ao Street Fighter. Não necessariamente pela sua jogabilidade variada, mas mais pelo seu contexto e golpes violentos, incluindo as famosas fatalities. Infelizmente esta conversão da Super Nintendo, apesar de ser tecnicamente bem mais próxima da original arcade do que a versão Mega Drive, pelos seus gráficos e som superiores, acabou por ser a menos bem sucedida de ambas. Porquê? Porque a Nintendo não autorizou o conteúdo violento, substituindo o sangue por um líquido acinzentado que nem se sabe o que é, e substituiu muitas das fatalities (que agora se chamam finishing moves) por golpes muito menos violentos e gore. A versão Mega Drive por defeito também foi comercializada assim, mas existe um cheat code que lhe faz ganhar de volta toda a sua violência. Sinceramente, prefiro a versão Mega Drive por em conteúdo e jogabilidade ser mais fiel. Felizmente a partir do Mortal Kombat II as versões SNES acabam também por ter todo o gore que têm direito.
Se há coisa que a Sega sempre teve, foi originalidade e criatividade nos seus jogos arcade. Para além dos jogos de corridas, lutas ou acção que habitualmente se via, ocasionalmente lá vinham com algum conceito bem diferente como foi o caso do Crazy Taxi, por exemplo. E mesmo no meio de todos os jogos de corrida, lá se lembraram que deveria ser engraçado desenvolver um jogo onde conduzir camiões TIR com enormes atrelados pelo meio do trânsito. E assim surgiu o 18 Wheeler, desenvolvido originalmente no sistema NAOMI, teve direito a uma conversão rápida para a Dreamcast, que seria a versão que eu originalmente queria. Com a descontinuação da consola e a retirada da Sega do mercado a Acclaim acabou por depois converter alguns jogos da Dreamcast para consolas como a PS2 e a Gamecube. O 18 Wheeler foi um deles e o meu exemplar veio da CEX do Porto há coisa de uns meses atrás. Custou-me 4€.
Jogo em caixa com manual
O objectivo aqui é conseguirmos levar o nosso camião com carga do ponto A ao ponto B dentro de um curto intervalo de tempo. Para apimentar ainda mais as coisas, como se conduzir um enorme camião pelo meio do trânsito feito malucos num curto intervalo de tempo já não fosse motivação suficiente, vamos tendo sempre um camionista rival, com uma condução bastante agressiva, a querer terminar primeiro que nós. Como motivação extra, recebemos mais pontos se conseguirmos chegar ao final do nível primeiro que o rival!! Mas ao contrário de outros racers mais tradicionais como Daytona USA ou Sega Rally, aqui não conduzimos a velocidades estonteantes, os camiões são mais lentos e possuem muita mais inércia, para além do que devemos sempre ter em atenção a carga no atrelado e evitar a todo o custo bater de lado em alguém ou alguma coisa. Bater de frente é OK, embora nos faça perder alguns segundos preciosos, pois os tempos atribuídos no modo arcade são muito reduzidos. Temos de usar e abusar de atalhos, evitar bater noutros veículos ou objectos, excepto os carros marcados com painéis electrónicos a indicar que nos dão 3 segundos de bónus. Usar as buzinas para alertar os outros condutores ou os túneis de vento criados por outros camiões para nos dar alguma velocidade extra são mais alguns truques que teremos de ter em conta.
18 Wheeler, o jogo onde em meros minutos se atravessam vários estados norte-americanos.
Antes de começar o modo arcade podemos escolher um de vários camionistas, cada qual com diferentes níveis de velocidade, robustez ou torque. A partir do segundo nível temos também a hipótese de escolha entre carregar uma carga mais leve ou outra pesada. Acaba por ser o “normal e o hard”, pois carregar uma carga mais pesada vai-nos reduzir a velocidade de ponta e a “flexibilidade” na condução. Entre cada nível vamos tendo também direito a alguns mini-jogos onde nos dão um determinado intervalo de tempo para conduzir o camião dentro de umas 4 linhas localizadas algures. No entanto, mesmo sendo um jogo com uma condução e tempos desafiantes, acaba também por ser bastante curto, pois é um jogo 100% arcade. As versões domésticas (Dreamcast, PS2 e Gamecube) acabaram por trazer mais algum conteúdo extra para justificar a sua compra. Aqui temos um modo de jogo inteiramente dedicado ao estacionamento, onde somos desafiados para estacionar o camião sequencialmente em diferentes sítios dentro de um intervalo de tempo, com penalizações de vários segundos para todas as vezes em que batemos em alguma coisa. O outro modo de jogo adicional é o Score Attack, que nos deixa correr de uma forma mais livre, de forma a tentar acumular o máximo de pontos possível. Esta vertente pode também ser jogada em multiplayer para 2 jogadores.
A perspectiva em primeira pessoa é interessante, mas prefiro em terceira pessoa para melhor se ver por onde vai o atrelado
A nível audiovisual, este é um produto do seu tempo. Quero com isto dizer que é um jogo da época do “blue skies in gaming“, com cenários solarengos, coloridos e com aquela atitude que se esperava dos jogos Arcade da Sega. Os camiões (e seus camionistas) são todos estilosos e a banda sonora está repleta de malhas mais rock cheias de guitarradas como manda a lei. O voice acting é reduzido e não é da melhor qualidade, mas sinceramente não estava à espera que fosse diferente.
Portanto, apesar de ser um jogo divertido e desafiante, e mesmo com os modos de jogo adicionais que decidiram incluir nas versões lançadas para as consolas, não deixa de ser um jogo muito curto e com pouco conteúdo. Mas se forem fãs de racers arcade como eu, então não deixem de o comprar! A ver se pego em breve no King of Route 66, estou curioso em ver o que a Sega trouxe de novo no sucessor deste 18 Wheeler.
O artigo de hoje para não variar é mais uma rapidinha, desta vez para um jogo da Mega Drive. T2: The Arcade Game, é um dos vários jogos lançados sobre este fantástico filme de acção protagonizado por Arnold Schwarzenegger, tendo as suas origens na arcade e produzido pela Midway. É um light gun shooter em 2D, portando ainda algo similar àquelas galerias de tiro como o Operation Wolf. O meu exemplar veio da feira da Ladra em Lisboa, foi comprado algures em Agosto/Setembro e custou-me 5€.
Jogo com caixa
O jogo segue mais ou menos os acontecimentos narrados pelo filme, que acredito plenamente que todos os leitores já o tenham visto. No entanto há um grande foco nos acontecimentos do futuro, pelo que a primeira metade dos níveis decorre nesse cenário apocalíptico onde as máquinas tentam a todo o custo exterminar a raça humana, connosco a participar em campos de batalha onde temos de destruir ondas intermináveis de exterminadores, ou mesmo nas próprias bases da resistência, onde exterminadores disfarçados de humanos tentam causar o caos. Eventualmente lá mandamos o “nosso” exterminador para o passado para proteger John Connor e os níveis seguintes uma vez mais acabam por ser mais ou menos inspirados no filme, com a destruição da empresa Cyberdine que viria mais tarde criar a Skynet e a fuga ao avançado T-1000, culminando no famoso tiroteio numa fundição metarlúrgica.
Existe um número razoável de diferentes itens que podemos apanhar. Este em particular faz o reset do medidor de sobreaquecimento da metralhadora
Eu gosto bastante de light gun shooters, mas infelizmente, antes do Virtua Cop ou Time Crisis que introduziram o 3D, permitindo a transições mais dinâmicas ou cinemáticas, nos velhinhos jogos 2D deste género, a jogabilidade acabava por ser bem mais limitada, com os níveis a resumirem-se a galerias de tiro algo estáticas ou simplesmente com um simples scrolling no ecrã. Este jogo não foge a essa regra, e o número de inimigos no ecrã é bastante abundante, de tal forma que se torna practicamente impossível não sofrer dano, principalmente se não tivermos uma Menacer e recorrermos aos controlos pelo comando. Talvez por isso o jogo não penalize o jogador sempre que seja necessário recorrer aos continues. De resto a jogabilidade em si é bastante simples, com um botão para disparar a arma no seu modo “normal”, ou seja, disparar balas. O outro botão serve para disparar a arma secundária, que podem ser rockets ou uma shotgun, dependendo dos níveis. Aí a munição é limitada, ao contrário da arma primária, a metralhadora, que possui balas infinitas. No entanto essa arma pode sobreaquecer, obrigando-nos a gerir melhor as coisas do nosso lado. Naturalmente existem também uma série de power ups, que tanto podem surgir normalmente no ecrã, ao derrotar inimigos, ou ao destruir caixotes e objectos aleatórios nos níveis. Desses power ups temos coisas como continues extra, itens que nos aumentam temporariamente o poder de fogo, munição para a arma secundária, rapid fire sem sobreaquecer a arma principal, entre outros.
Graficamente é um jogo um pouco mais modesto tendo em conta o original de arcade, onde as sprites digitalizadas à lá Mortal Kombat foram substituídas por puro pixel art, alguns níveis foram simplificados e a cutscene final foi removida, substituída por uma foto do John Connor, acompanhada por texto. No que diz respeito ao som, para além de algumas voice samples que foram também omitidas face à versão arcade, no geral até gostei da adaptação. As músicas têm todas uma toada mais rock, que se adequa bem àquilo que o chip de som da Mega Drive é capaz de produzir.
Sempre me fascinou o design ameaçador destes exterminadores!
No fim de contas, considero este T2 The Arcade Game um sólido light gun shooter, tendo em conta que para a época, não havia muito melhor e os jogos 2D deste género sempre foram algo “gallery shooters” (com o Lethal Enforcers da Konami a ser uma notável excepção). De resto, numa nota de rodapé, este jogo foi convertido para uma panóplia de plataformas incluindo a Commodore Amiga, Super Nintendo e respectivas consolas de 8bit. E se por um lado a conversão da Game Boy é horrenda, as versões Master System e Game Gear, numa perspectiva meramente técnica, foram óptimas surpresas. Mas deixarei isso para um possível futuro post, assim que apanhar uma dessas versões na colecção.
Vamos lá a mais uma rapidinha da primeira Playstation, com a conversão de um jogo arcade algo original, produzido pela Taito. A série Psychic Force é uma franchise algo obscura de jogos de luta em 3D, onde os combates se dão todos em pleno ar e os oponentes possuem poderes especiais que se tornam nas características principais deste jogo. É uma série que eu vim a conhecer brevemente pela sua sequela para a Dreamcast, o Psychic Force 2012. Este meu exemplar foi comprado no OLX há uns meses atrás em conjunto com outros 2 jogos de PS1, ficou-me a menos de 10€ dividindo pelo total.
Jogo com caixa
A história por detrás deste jogo faz-me lembrar de certa forma os X-Men. Aqui, as pessoas com estes poderes especiais sempre foram postas algo de lado pela sociedade, que temia os seus poderes especiais. Para isso, alguém decide juntar todos os “humanos especiais” e fundar uma organização que procura criar um mundo livre para eles, não olhando a meios nem a quem se possa intrometer. Um pouco como Magneto e não como o Professor Xavier. E no meio disso lá teremos os “mutantes bons” e os maus para nos entreter com um jogo de porrada, onde cada um tem as suas razões para estarem envolvidos em conflitos e relações com outros lutadores.
Os limites da área jogável são dados por um campo de energia na forma de um paralelepípedo
No que diz respeito à pancadaria, basicamente a nossa arena é uma espécie de um paralelepípedo gigante cujas arestas e faces são uma espécie de campo de força, não nos deixando ultrapassá-lo. E então podemos andar a voar de um lado para o outro, espetando murros e pontapés no nosso oponente, mas também golpes especiais. E para isso, devemos ter em conta uma outra barra de energia, a dos poderes psíquicos (que são na realidade poderes de manipulação elementais, como fogo, electricidade ou gelo). Cada vez que usamos um desses super poderes a barra de energia vai diminuindo, podendo depois ser recarregada um pouco como se faz nos videojogos de Dragonball. Para nos defendermos dos poderes psíquicos dos oponentes podemos usar o Psychic Guard, um escudo que também absorve o poder dessa barra de energia. De resto, as mecânicas de jogo são similares às de outros jogos de luta: temos de vencer os nossos oponentes à melhor de 3 combates, ou seja, avançamos para o oponente seguinte após atingir 2 vitórias. E para além do modo arcade e versus, temos também o story mode, onde antes de cada confronto assistimos a alguns diálogos entre cada oponente, mostrando um pouco dos seus backgrounds e da história da personagem que escolhemos levar até ao fim.
As personagens tem um aspecto muito anime que sinceramente me agrada
Graficamente é um jogo competente para a época em que saiu, passando-se num espectacular futuro de 2010, oferece uns visuais bem sci-fi anime, algo que sinceramente me agrada bastante. Iremos lutar em ambientes urbanos na maioria das vezes, mas também em zonas mais tradicionais do Japão. As músicas são agradáveis na sua maioria, eu naturalmente prefiro aqueles temas mais rock, embora existam outros mais pop e repletos de teclados que já não são bem a minha cena. Ainda no campo do som, resta-me referir que os diálogos foram traduzidos para inglês e infelizmente, como era habitual nos videojogos dessa época, os voice actings ficaram absolutamente horríveis.
No Japão a série teve sucesso suficiente para que se desenvolvesse uma sequela chamada Psychic Force 2012 na Dreamcast e uns anos mais tarde, em 2001, essa mesma sequela chegou cá à Europa uma vez mais para a Playstation, com o nome de Psychic Force 2. Também no Japão foram lançadas 2 OVAs em anime que sinceramente me deixaram algo curioso, pois a série possui um conceito interessante para um anime. Para quem gostar de jogos de luta em 3D, está aqui um bom candidato.
O artigo de hoje será mais uma rapidinha a uma adaptação de um jogo bem conhecido. O Mortal Kombat original foi um lançamento bastante polémico, mas muito bem sucedido. Como todos sabemos, a série surgiu após o sucesso massivo do Street Fighter II, mas onde desde cedo quiseram fazer algo que os diferenciasse do mundo de clones de SF que se instaurou nas arcades entretanto. O resultado foi um jogo bastante violento e com gráficos com personagens digitalizadas, o que lhes dava um certo realismo. Mortal Kombat foi também um grande sucesso, e naturalmente surgiram imensas versões para outros sistemas. A Gameboy não foi excepção, mas o resultado foi muito mau. Este meu cartucho foi comprado no mês passado na cash converters de Alfragide por quase 2€.
Apenas cartucho
Bom, então que tem esta versão do jogo de assim tão mau? Em primeiro lugar, a coisa que salta logo à vista é mesmo o frame rate que é incrivelmente baixo, notando-se perfeitamente a lentidão nas animações e nos movimentos que tentamos executar. Isso naturalmente também afectou a jogabilidade, que com apenas dois botões dificulta as coisas para executar alguns dos golpes especiais. Na versão Game Gear essa dificuldade também existe, mas ao menos dão uso ao botão Start para bloquear. Na Game Boy, onde temos o Start e o Select, para bloquear é necessário pressionar os botões A e B em conjunto. E também tal como as versões 8bit da Sega, aqui o catálogo de lutadores não está completo, faltando-lhe o Johnny Cage. Lá tentam compensar um pouco ao incluir um cheat que nos permite jogar com o Goro, mas na minha opinião não é suficiente. É que como se a má jogabilidade e framerate não fossem suficientes, se bem se lembram a versão SNES deste jogo foi altamente censurada, retirando o sangue e o gore das fatalities. Assim eram as políticas da Nintendo nessa época e infelizmente a versão Game Boy padece do mesmo mal.
Naturalmente esta versão não é das melhores graficamente
Sinceramente… a menos que precisem mesmo de uma versão portátil do Mortal Kombat, eu recomendaria sempre a versão Mega Drive ou DOS. Ou se abandonarmos o reino do retro e queiram um MK1 portátil, há sempre a compilação Midway Arcade Treasures: Extended Play para a PSP.