Prince of Persia (Sega Game Gear)

Ultimamente o tempo livre tem sido muito reduzido pelo que é tempo para mais uma rapidinha, desta vez à versão Game Gear de Prince of Persia, um clássico de 1989 que teve imenso sucesso comercial (e completamente merecido!), pelo que acabou por receber conversões para inúmeros sistemas ao longo dos anos. A razão pela qual este artigo é uma rapidinha é simples: tirando a menor resolução da Game Gear, é um jogo inteiramente semelhante à versão Master System que já cá trouxe no passado. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no passado mês de Outubro por 5€.

Jogo com caixa e manual

Ora tal como referi na versão Master System (que por sua vez até precede o lançamento desta por cerca de um mês), este é um jogo de plataformas algo cinemático, principalmente pelas suas animações super realistas para a época, bem como toda a atmosfera de solidão que o jogo nos provoca. Esta versão Game Gear é idêntica à sua irmã da Master System, herdando portanto todo o mesmo sistema de controlos, gráficos e níveis. Por sua vez, achei a versão de Master System bem competente e esta de Game Gear, apesar de portátil e com uma resolução de ecrã mais diminuta, também o é.

Este continua a ser um óptimo exemplo de como contar uma história sem proferir uma frase

A nível visual esperem por gráficos bem detalhados para um sistema de 8bit, com as mesmas animações fluídas das sprites. Ficou aquém no gore, no entanto, algo que eu não tinha referido no artigo da Master System. Continua um jogo onde o perigo continua à espreita em cada esquina, passo ou salto mal dado. Mas aquelas lâminas que nos cortam em dois já não ficarem com um rasto de sangue não tem o mesmo impacto. No som continua a ser um jogo onde a aventura é jogada quase em silêncio, apenas com ligeiros efeitos sonoros e pequenas melodias a soarem sempre que bebamos uma poção ou cheguemos a algum ponto importante na história, como o aparecimento do nosso clone.

Apesar da resolução reduzida, os níveis mantém-se idênticos aos originais

Portanto este jogo continua a ser um clássico intemporal, mesmo sendo um jogo bastante desafiante que nos irá exigir uma boa memória para evitar todas as armadilhas mortais e resolver alguns puzzles, bem como alguns reflexos rápidos durante os seus combates. Já tinha achado a versão Master System bem competente e esta é virtualmente idêntica, pelo que também será uma boa escolha para jogar este clássico.

Bari Bari Densetsu (PC Engine)

Vamos voltar às rapidinhas, agora para um jogo de corridas da PC-Engine produzido pela Taito. Na verdade, Bari Bari Densetsu é também um manga sobre corridas de motos, escrito pelo mesmo criador de Initial D, o que até faz algum sentido. Eu pensava que este seria um jogo mais arcade e potencialmente com um modo história, mas na verdade este é um jogo de corridas de motos competente, mas banal. O meu exemplar foi comprado em bundle a um particular em Agosto, tendo-me custado cerca de 15€.

Jogo com caixa e manual embutido com a capa

Dispomos então de dois modos de jogo distintos. O Travel é uma corrida “amigável” onde poderemos correr em qualquer um dos circuitos aqui disponíveis. O WGP, World Grand Prix, é um modo campeonato onde iremos competir numa série de circuitos pelo mundo e o objectivo será o de chegar ao final no primeiro lugar da tabela. Antes de cada corrida propriamente dita temos uma volta de classificação para fazer e em cada uma dessas fases poderemos também customizar a moto em vários tipos de peças como pneus, transmissão, suspensão, motor ou travões. Um outro indicador a ter em conta é o da previsão metereológica. De resto, nas corridas em si, o jogo é bem competente e joga-se bem.

Graficamente é um jogo bem colorido e competente, tendo em conta as limitações do sistema

A nível audiovisual o jogo possui menus simples porém eficazes e durante as corridas em si, as mesmas são vistas numa perspectiva atrás da moto, tal como no Hang-On. Cada pista tem backgrounds distintos entre si e nas bermas dos circuitos vamos poder vários painéis publicitários, curiosamente de marcas reais como a Shell, Michelin, Coca Cola, Honda, Seat, entre outros. Duvido muito que a Taito tenha obtido licenças de todas estas empresas, pelo que o facto deste ter sido um jogo lançado unicamente no Japão talvez tenha ajudado a passar despercebido. O ponto gráfico mais interessante é sem dúvida o das condições metereológicas que podem mudar com o decorrer da corrida. O céu pode passar de limpo para super escuro, inclusivamente pode vir a chover. Um outro detalhe interessante é que caso chova e depois pare, a pista continuará molhada por algum tempo, conforme se pode ver nos gráficos dos pneus a expelir água. Já no que diz respeito ao som infelizmente não é nada de especial. Músicas apenas no ecrã título, entre menus e no final do campeonato, já durante as corridas vamos apenas ouvir o barulho das motos. E claro, não poderia deixar de referir o Engrish delicioso: as corridas de qualificação chamam-se preminary races, e o menu de customização da moto chama-se reguration.

A opção reguration é onde podemos customizar a nossa moto. Ah, o engrish!

Portanto este é um jogo de corridas bastante sólido na sua jogabilidade (provavelmente um dos melhores dos que já joguei na PC-Engine / TG16), mas confesso que esperava que pudesse ser um pouco diferente, talvez com um modo história, visto que é baseado numa manga.

Flight of the Amazon Queen (PC)

Vamos voltar ao PC e às aventuras gráficas para um jogo que foi tornado freeware em 2004, pelo que o podem jogar sem quaisquer custos, estando inclusivamente livre para download no GOG. Foi aí que inclusivamente o arranjei, após lá ter criado conta há uns anos atrás. Originalmente desenvolvido pela Interactive Binary Illusions em 1995, cujo único outro jogo no seu catálogo é o Alien Carnage, que muito joguei a sua versão shareware em criança, foi um jogo que saiu ainda no velhinho Commodore Amiga, embora nunca tenha jogado essa versão. Curiosamente lembro-me vagamente de o ter jogado em miúdo e não ter conseguido passar dos primeiros puzzles.

O jogo leva-nos a 1949 onde encarnamos no aviador Joe King. A cutscene inicial mostra logo os traços da personalidade de King: gosta de se meter em problemas e de deixar mulheres a suspirar por si. Após essa cutscene, que apesar de interessante não conta para nada para o resto da história, a narrativa começa em pleno. King viaja para o Rio de Janeiro para o seu próximo trabalho: transportar uma actriz de volta para os Estados Unidos. No entanto, quando chega ao hotel, é emboscado pelo seu rival Hans Anderson, também aviador, que planeia lhe roubar a cliente. Trancados no quarto de hotel, esta primeira parte do jogo coloca-nos à procura de uma forma de conseguir fugir do hotel e chegar ao aeroporto antes de Anderson. Em miúdo nunca cheguei a passar esta fase, mas para minha defesa também pouco entendia de inglês quando o joguei! Depois desta fase lá viajamos de volta para os EUA mas uma tempestade faz-nos cair em plena selva amazónica. Para além de tentar arranjar forma de reparar o avião e prosseguir viagem, vamos acabar por tropeçar numa conspiração que decorre em pleno coração do Amazonas e será esse o nosso novo foco.

Foi quando cheguei a esta zona e apanhei um certo item destas prateleiras que me lembrei que já tinha jogado este jogo há muitos anos atrás, quando era ainda uma criança. Felizmente agora consegui ir bem mais longe!

No que diz respeito às mecânicas de jogo, estas são as de uma aventura gráfica point and click clássica, na medida em que teremos de explorar os cenários à exaustão em busca de objectos e outras pistas, dialogar/negociar com diversos NPCs e ocasionalmente resolver também alguns puzzles. A interface, apresentada com um menu repleto de ícones na parte inferior do ecrã apresentam-nos toda uma série de acções que podemos desempenhar: abrir, fechar, observar, falar, apanhar, usar, oferecer… não necessariamente por essa ordem. Naturalmente clicamos num desses ícones para seleccionar a acção que pretendemos e depois o local/objecto/personagem com a qual queremos interagir. É um sistema um pouco cansativo que veio posteriormente a ser substituído por sistemas de acções mais simplificados em jogos de aventura que lhe seguiram. Ao lado destes ícones temos também o sistema de inventário, que mostra 4 itens de cada vez. Visto que iremos coleccionar dezenas de itens ao longo da aventura, navegar por este sistema de inventário também se torna um pouco cansativo.

Apesar de a maior parte do jogo decorrer em plena selva amazónica, ainda assim conseguiram introduzir cenários variados entre si e várias personagens carismáticas

Graficamente o jogo possui uma direcção artística muito à base do pixel art, enquanto que outras aventuras gráficas lançadas no mesmo ano avançaram para visuais mais refinados, alguns realistas, outros bem cartoon. Eu pessoalmente gosto destes visuais mais pixel art e apesar de a maior parte do jogo se passar em plena selva amazónica, ainda há uma boa variedade de cenários, ou não fossemos nós explorar aldeias nativas, templos em ruínas ou bases secretas de super vilões. A acompanhar os bons visuais está também uma narrativa cheia de momentos de bom humor e personagens com carisma, como o comerciante Bob, os missionários Jimmy e Mari Lou ou mesmo alguns dos soldados menos inteligentes do Dr. Ironstein. O gorila tinha tudo para se tornar uma piada recorrente, pena que não tenha aparecido mais vezes. A acompanhar os diálogos temos um voice acting competente, embora tenham também sido humanos a dar as vozes a certos animais, como um cão de guarda e aí as coisas soam bastante estranhas. Confesso que não prestei muita atenção à banda sonora, mas não fiquei desagradado, pelo que não deve ter sido má de todo.

O jogo usa ainda uma arte muito pixel art, tanto nos cenários como nas cutscenes. Sinceramente este estilo visual sempre me agradou

Portanto este Flight of the Amazon Queen até se revelou uma boa surpresa pela sua narrativa com várias pitadas de bom humor, alguns puzzles interessantes, uns visuais em pixel art que para uns poderiam ser obsoletos, mas para mim sempre os preferi dessa forma. O sistema de inventário e haverem tantos ícones para acções distintas dificultaram um pouco a navegação pelo jogo, mas nada que tirasse muito do divertimento. A Interactive Binary Illusions fechou portas pouco tempo depois deste jogo, tendo sido reformados pelos Gee Whiz! Entertainment que também não estiveram na indústria durante muito tempo, tendo desenvolvido apenas 2 jogos entre 1996 e 1999, incluindo o Zombie Wars, sequela do Alien Carnage. Ainda assim, no início deste ano, foi finalmente anunciada uma sequela: Return of the Amazon Queen, produzida por algumas pessoas que trabalharam no original. Irei seguramente o jogar, caso venha a ser lançado!

Robocop (Nintendo Entertainment System)

Vamos a mais uma rapidinha, desta vez para mais uma adaptação de filme para videojogo, algo que a certo ponto se tornou uma especialidade da britânica Ocean Software, em busca de ganhar mais umas coroas devido ao maior reconhecimento do produto por parte do público geral. A Ocean adquiriu os direitos para criar videojogos sobre o Robocop numa altura em que o filme estava ainda na sua fase conceptual. Entretanto, a Ocean sub-licenciou a nipónica Data East para produzir uma versão arcade, sobre a qual muitas das outras versões que saíram em seguida se basearam. Incluindo esta da NES, naturalmente. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no passado mês de Setembro por 5€.

Cartucho solto

O jogo segue muito levemente os acontecimentos do clássico filme de acção, que conta a história do surgimento de um cyborg super polícia, brutalmente eficaz na luta contra o crime, até que as coisas se complicam devido a uma conspiração que se vai formando. Nada disso interessa muito aqui, este é um jogo de acção 2D sidescroller com algumas semelhanças com os Contra, por exemplo. São ambos jogos difíceis, embora este não pelas melhores razões.

Tal como nos Castlevania temos escadas para subir ou descer da mesma forma. Os power ups do tipo P regeneram a barra de vida!

Portanto ao longo de 6 níveis iremos encarnar no papel de Robocop, onde teremos de limpar as ruas de Detroit de todo o crime. Bom, na verdade começamos pelas ruas de Detroit, mas tal como o filme iremos também explorar outros cenários como a Câmara Municipal, uma fábrica ou as instalações da mega corporação OCP. Os controlos são relativamente simples, com o D-Pad a servir para mover o cyborg, recolher objecto e até trocar de arma. Os botões faciais servem para dar socos ou disparar a arma de fogo que tenhamos equipada no momento. No entanto, nem sempre se podem usar as armas de fogo, pois como bom polícia que é o Robocop, não podemos colocar em risco a vida de inocentes. “Mas só há bandidos neste jogo” reclamam vocês e com razão, mas é o que é. Particularmente nos primeiros níveis vamos ter várias zonas onde usar armas de fogo é proibido e o seu botão serve então para dar socos também.

O segundo boss é de longe o mais interessante. Um bandido usa o presidente da câmara como refém e temos de disparar apenas na altura certa

Sendo este um jogo de origem arcade, é de esperar um grau de dificuldade algo elevado. E isso acontece porque para além de os inimigos surgirem de todos os lados e o Robocop não é propriamente a personagem mais ágil de sempre, os inimigos fazem respawn constante. Em baixo, à direita, temos uma barra de estado que nos apresenta várias informações. As barras T e P correspondem a Time e Power, a primeira vai-se esvaziando com o tempo, supostamente representando a carga das baterias do cyborg. A segunda esvazia-se sempre que sofremos dano. À medida que vamos jogando vamos encontrar diversos power ups como itens regenerativos (tanto de bateria como de armadura) ou outras armas que podemos vir a equipar. A arma que carregamos por defeito até tem uma boa taxa de fogo e possui munições infinitas, já as restantes possuem um número limitado de balas. À direita temos uma série de ícones que por vezes piscam. O primeiro, com a cara do Robocop, dá sinal sempre que estivermos perto de uma parede destrutível, que tanto pode representar um atalho, como acesso a alguns power ups como armas poderosas. O segundo, com a forma de um punho começa a piscar quando nos deparamos com algum inimigo ou obstáculo que apenas pode ser derrotado com os punhos. O terceiro é um radar que indica a presença de inimigos por perto e sinceramente é um bocado inútil pelas razões que já mencionei: os inimigos são bastante numerosos e com respawn infinito. O último alerta-nos para quando tivermos as baterias perto do fim, o que também é algo inútil pois temos essa indicação visual na barra de energia respectiva.

Entre cada nível vamos ter algumas pequenas cutscenes que apresentam os seus objectivos e/ou avançam na história

De resto, a nível audiovisual, este é também um jogo algo simples. Os cenários e inimigos não são lá muito detalhados, pecando pela reduzida palete de cores que a NES permite disponibilizar em simultâneo. Entre níveis vamos tendo pequenas cutscenes que vão progredindo a história e ocasionalmente alguns níveis de bónus, galerias de tiro que simplesmente nos aumentam a pontuação. As cutscenes até que estão bem detalhadas, apesar de se repetirem um pouco. No que diz respeito ao som, as músicas não são más de todo, mas pecam por existirem muito poucas. Iremos ouvir as mesmas duas músicas (nível e boss) ao longo de practicamente todo o jogo!

Portanto estamos aqui perante um jogo que, apesar de não ser mau de todo, também deixa um pouco a desejar na sua jogabilidade. Ainda assim o jogo foi um sucesso, tanto na arcade como nas restantes conversões produzidas para inúmeras plataformas diferentes. O filme recebeu algumas sequelas nos anos seguintes, cujas também tiveram direito a videojogos e também pela própria Ocean. Algumas versões do Robocop 2 ou Robocop 3 foram inclusivamente já trazidas aqui.

Panzer Dragoon Saga (Sega Saturn)

Durante as últimas semanas tenho jogado aos poucos este clássico da Sega Saturn. O Panzer Dragoon original foi sem dúvida o jogo de lançamento da Saturn mais imponente e original e foi rapidamente sucedido pela sua sequela Panzer Dragoon Zwei, que apresentou melhorias em todos os campos face ao seu antecessor. Ambos eram shooters tridimensionais e on rails, onde montávamos um dragão e teríamos de disparar sobre tudo o que mexesse, ao longo de um caminho pré-determinado, se bem que com alguns graus de liberdade. Neste Saga, a Team Andromeda decidiu explorar mais a fundo todo o misticismo do lore que criaram com esta série e o resultado é um RPG com mecânicas de jogo muito originais. Infelizmente a Sega já estava numa posição demasiado frágil no mercado quando este jogo saiu para as lojas no ocidente, algures na primavera de 1998. O resultado foram poucas cópias vendidas na época e, com o jogo a adquirir um estatuto de culto pelos poucos que o jogaram, os seus preços têm vindo a subir constantemente desde então. O meu exemplar foi comprado às prestações: primeiro comprei, num negócio do OLX há uns anos atrás, uma caixa do CD3 e 4 por 20€. O problema é que trazia o CD3 e 1… poucos meses depois consegui encontrar no ebay britânico a caixa dos CDs 1, 2 (com os discos certos!) e o manual por 80 libras. Faltava o CD4 que consegui finalmente arranjá-lo em Agosto após uma troca que fiz com um conhecido que aceitou trocar o meu CD1 repetido por um CD4. O total ficou então por pouco mais de 100€, um valor muito aquém do que pedem actualmente. Fica apenas a faltar a sleeve exterior de cartão, que sinceramente não faço assim tanta questão em ter, mas pode ser que um dia apareça!

Jogo com duas caixas, manual e 4 discos. Fica apenas a faltar a sleeve de cartão. Talvez um dia apareça!

O jogo decorre após os eventos dos seus antecessores, ainda num mundo algo desolador e deixado em ruínas após uma antiga, poderosa e avançada civilização ter colapsado há muitos, muitos anos atrás. Das suas cinzas nasce um império que tenta resgatar rélicas do passado e usar essa tecnologia para governar o mundo com mão de ferro. Nós controlamos um rapaz chamado Edge, ele é um hunter ao serviço do Império e estava, juntamente com o seu mentor, a guardar um local onde estavam a escavar ruínas antigas. Eis que surge um problema e os escavadores encontram uma criatura antiga. Após Edge os ter defendido, encontra o que parece ser uma rapariga fossilizada numa parede. Logo após essa descoberta, eis que surge uma facção rebelde do império, liderada por Crayman, que mata toda a gente no local e leva a rapariga com ele. Edge não morre e acaba por encontrar um dragão com o qual passa a ter uma ligação especial e o resto do jogo será passado às cavalitas da majestosa criatura! O nosso objectivo será claro o de vingança, bem como tentar descobrir algo mais sobre a estranha rapariga e o dragão. Sem me querer alongar mais neste ponto, digo só que a narrativa mantém-se sempre bastante interessante e Craymen é apenas um dos vilões com os quais teremos de lidar.

O início do jogo é riquíssimo em cutscenes, esperem por uns bons 20 minutos antes de jogar!

No que diz respeito às mecânicas de jogo, estas são bastante diferentes do habitual em JRPGs da época. A maior parte do tempo andamos às costas do dragão, que podemos controlar totalmente enquanto exploramos os cenários livremente. Mas também podemos andar a pé, algo que será necessário quando exploramos aldeias, vilas ou outras localizações pequenas como o nosso próprio acampamento. Mesmo quando andamos a pé o jogo traz algumas influências dos Panzers anteriores pois interagir com personagens ou outros objectos não é tão simples como chegar ao pé dos mesmos e pressionar um botão. Tal como quando viajamos nas costas do dragão temos de carregar nos botões A ou C para entrar no modo lock-on onde surge um cursor no ecrã que podemos mover livremente com o d-pad e aí sim interagir com as pessoas/objectos desejados. Esta foi talvez a mecânica de jogo que achei mais estranha, mas tendo em conta que a mesma se mantém quando viajamos nas costas do dragão, até faz algum sentido.

Uma das razões pelas quais nos podemos mover durante as batalhas é para encontrar os pontos fracos dos inimigos, onde sofrem muito mais dano

Quando exploramos os cenários com o dragão, iremos ter de travar inúmeros combates e o sistema de batalha é também bastante original. Estas são maioritariamente aleatórias e usam uma espécie de active battle system introduzido pelos Final Fantasy. Ou seja, para efectuarmos qualquer acção temos de esperar que uma barrinha de energia se encha. Na verdade temos 3 barras de energia que se vão enchendo com o tempo, existindo acções que requerem uma, duas ou três dessas barras de energia para serem usadas. Naturalmente os inimigos também têm o seu próprio timing para atacar, embora nós não tenhamos visibilidade de quando isso acontece, a não ser pequenas dicas visuais nas suas animações que possam antecipar algum ataque. As acções que temos disponíveis em batalha são: atacar com a pistola de Edge, que permite disparar sobre um único alvo, atacar com os raios laser do dragão que permitem atacar múltiplos alvos em simultâneo, usar itens, habilidades especiais (os berserks), customizar a nossa arma ou alterar o “tipo” de dragão. Este último é interessante, pois permite-nos alternar entre um dragão com mais foco em ataque, defesa, espiritual (usar os berserks), agilidade ou neutro, que rebalanceia as características de ataque, defesa, etc consoante o tipo de dragão seleccionado. Disparar com a nossa arma ou com o dragão está directamente mapeado para os botões A e B, enquanto que as restantes acções têm sempre de ser chamadas através de um menu.

Enquanto usar a nossa arma ou os lasers do dragão têm botões directos, as restantes acções em batalha têm forçosamente de ser seleccionadas num sistema de menus

A única acção que podemos fazer e que não consome nenhuma das barras de tempo do sistema de batalha é movimentarmo-nos pela área de batalha. Com o d-pad podemo-nos mover em ângulos de 90º à volta dos inimigos e há várias razões para o fazer. Em baixo, no centro, vemos uma espécie de radar com o inimigo no centro e o dragão numa das extremidades. As zonas a vermelho são zonas de perigo onde estaremos especialmente vulneráveis a ataques inimigos, enquanto que as zonas verdes são seguras. Para além disso todos os inimigos possuem pontos fracos que se forem atingidos causam muito mais dano. Então vamos ter de nos ir movendo ao longo das batalhas, não só para procurar os tais áreas seguras, mas também para procurar os pontos fracos dos inimigos que muitas vezes estão nas zonas de perigo. De resto convém também referir que a experiência e dinheiro que recebemos no final de cada batalha varia consoante a nossa performance. Para além disso mediante o tipo de dragão que temos seleccionado no momento, evoluímos mais rapidamente certas habiliadades. E o próprio dragão vai também evoluindo e passando por metamorfoses, que vão melhorar algumas das suas habilidades, como a capacidade de disparar mais lasers em simultâneo.

A direcção artística deste jogo é incrível e uma das razões pelas quais o jogo merece um remake

Mas vamos agora para os audiovisuais. De um ponto de vista meramente técnico, o jogo tem tanto de bom como de mau, devido às limitações da própria Sega Saturn que não foi de todo um sistema desenvolvido para renderizar gráficos 3D de alta qualidade. Tal como nos outros Panzers da Saturn, o jogo tem os seus melhores momentos naquelas áreas mais abertas. Outras, particularmente as aldeias e vilas que vamos explorando, ficam bastante aquém das expectativas com cenários com muito poucos polígonos. O jogo tem também algumas cutscenes em CGI mas sejamos honestos, a qualidade dessas CGI estão longe do que a Squaresoft nos habituou nessa época. Passando esses aspectos mais técnicos, vamos ao que interessa: Este jogo é fantástico na sua direcção artística. O mundo de Panzer Dragoon sempre foi bastante bizarro e esotérico com todas as suas ruínas antigas e a estranha tecnologia e criaturas que os acompanham. E nisso este Saga marca muitos pontos! A narrativa está também bastante boa, apesar de ser um jogo mais curto que outros RPGs seus contemporâneos, a história vai-se mantendo sempre interessante, apesar de por vezes não ser muito claro o que temos de fazer para progredir, mesmo não havendo assim tantos locais para explorar. De resto todos os diálogos são acompanhados de voice acting, o que é algo notável para um RPG da época. Tirando algumas cutscenes em CGI, cujos diálogos são falados naquele dialecto estranho e especialmente criado para esta série, os restantes diálogos são narrados em japonês, com legendas a acompanhar. A banda sonora é outro ponto muito forte deste jogo. Temos músicas calmas e ambientais (o tema Water Ruins é simplesmente hipnótico), outras mais orquestrais e outras até com um toque de electrónica. No fundo, é uma banda sonora bastante cinemática e que se adequa perfeitamente à narrativa e às diferentes zonas que vamos explorando.

O jogo é curto mas felizmente a narrativa vai sendo sempre interessante.

Portanto este Panzer Dragoon Saga revelou-se uma excelente surpresa. É de facto um RPG bastante interessante, não só pela originalidade do seu sistema de combate e mecânicas de jogo como um todo, mas também pela sua história e direcção artística. Se há jogo que precisa de um remake a sério, não é nenhum The Last of Us, Resident Evil ou Assassin’s Creed… É este jogo! Toda a direcção artística, lore e misticismo que criaram nesta série, merece sem dúvida um remake de alta qualidade! Para além da escassez que são as versões Saturn ocidentais… A Sega até agora nunca teve muito interesse em que isso se concretizasse. Em 2020 um pequeno estúdio lançou, com o aval da Sega, um remake do primeiro Panzer Dragoon, que eu planeio comprar em breve. Aparentemente o remake do segundo está em desenvolvimento e espero que isso seja motivo para a Sega lembrar-se que tem esta pérola no seu catálogo à espera de ser revisitada.