Flight of the Amazon Queen (PC)

Vamos voltar ao PC e às aventuras gráficas para um jogo que foi tornado freeware em 2004, pelo que o podem jogar sem quaisquer custos, estando inclusivamente livre para download no GOG. Foi aí que inclusivamente o arranjei, após lá ter criado conta há uns anos atrás. Originalmente desenvolvido pela Interactive Binary Illusions em 1995, cujo único outro jogo no seu catálogo é o Alien Carnage, que muito joguei a sua versão shareware em criança, foi um jogo que saiu ainda no velhinho Commodore Amiga, embora nunca tenha jogado essa versão. Curiosamente lembro-me vagamente de o ter jogado em miúdo e não ter conseguido passar dos primeiros puzzles.

O jogo leva-nos a 1949 onde encarnamos no aviador Joe King. A cutscene inicial mostra logo os traços da personalidade de King: gosta de se meter em problemas e de deixar mulheres a suspirar por si. Após essa cutscene, que apesar de interessante não conta para nada para o resto da história, a narrativa começa em pleno. King viaja para o Rio de Janeiro para o seu próximo trabalho: transportar uma actriz de volta para os Estados Unidos. No entanto, quando chega ao hotel, é emboscado pelo seu rival Hans Anderson, também aviador, que planeia lhe roubar a cliente. Trancados no quarto de hotel, esta primeira parte do jogo coloca-nos à procura de uma forma de conseguir fugir do hotel e chegar ao aeroporto antes de Anderson. Em miúdo nunca cheguei a passar esta fase, mas para minha defesa também pouco entendia de inglês quando o joguei! Depois desta fase lá viajamos de volta para os EUA mas uma tempestade faz-nos cair em plena selva amazónica. Para além de tentar arranjar forma de reparar o avião e prosseguir viagem, vamos acabar por tropeçar numa conspiração que decorre em pleno coração do Amazonas e será esse o nosso novo foco.

Foi quando cheguei a esta zona e apanhei um certo item destas prateleiras que me lembrei que já tinha jogado este jogo há muitos anos atrás, quando era ainda uma criança. Felizmente agora consegui ir bem mais longe!

No que diz respeito às mecânicas de jogo, estas são as de uma aventura gráfica point and click clássica, na medida em que teremos de explorar os cenários à exaustão em busca de objectos e outras pistas, dialogar/negociar com diversos NPCs e ocasionalmente resolver também alguns puzzles. A interface, apresentada com um menu repleto de ícones na parte inferior do ecrã apresentam-nos toda uma série de acções que podemos desempenhar: abrir, fechar, observar, falar, apanhar, usar, oferecer… não necessariamente por essa ordem. Naturalmente clicamos num desses ícones para seleccionar a acção que pretendemos e depois o local/objecto/personagem com a qual queremos interagir. É um sistema um pouco cansativo que veio posteriormente a ser substituído por sistemas de acções mais simplificados em jogos de aventura que lhe seguiram. Ao lado destes ícones temos também o sistema de inventário, que mostra 4 itens de cada vez. Visto que iremos coleccionar dezenas de itens ao longo da aventura, navegar por este sistema de inventário também se torna um pouco cansativo.

Apesar de a maior parte do jogo decorrer em plena selva amazónica, ainda assim conseguiram introduzir cenários variados entre si e várias personagens carismáticas

Graficamente o jogo possui uma direcção artística muito à base do pixel art, enquanto que outras aventuras gráficas lançadas no mesmo ano avançaram para visuais mais refinados, alguns realistas, outros bem cartoon. Eu pessoalmente gosto destes visuais mais pixel art e apesar de a maior parte do jogo se passar em plena selva amazónica, ainda há uma boa variedade de cenários, ou não fossemos nós explorar aldeias nativas, templos em ruínas ou bases secretas de super vilões. A acompanhar os bons visuais está também uma narrativa cheia de momentos de bom humor e personagens com carisma, como o comerciante Bob, os missionários Jimmy e Mari Lou ou mesmo alguns dos soldados menos inteligentes do Dr. Ironstein. O gorila tinha tudo para se tornar uma piada recorrente, pena que não tenha aparecido mais vezes. A acompanhar os diálogos temos um voice acting competente, embora tenham também sido humanos a dar as vozes a certos animais, como um cão de guarda e aí as coisas soam bastante estranhas. Confesso que não prestei muita atenção à banda sonora, mas não fiquei desagradado, pelo que não deve ter sido má de todo.

O jogo usa ainda uma arte muito pixel art, tanto nos cenários como nas cutscenes. Sinceramente este estilo visual sempre me agradou

Portanto este Flight of the Amazon Queen até se revelou uma boa surpresa pela sua narrativa com várias pitadas de bom humor, alguns puzzles interessantes, uns visuais em pixel art que para uns poderiam ser obsoletos, mas para mim sempre os preferi dessa forma. O sistema de inventário e haverem tantos ícones para acções distintas dificultaram um pouco a navegação pelo jogo, mas nada que tirasse muito do divertimento. A Interactive Binary Illusions fechou portas pouco tempo depois deste jogo, tendo sido reformados pelos Gee Whiz! Entertainment que também não estiveram na indústria durante muito tempo, tendo desenvolvido apenas 2 jogos entre 1996 e 1999, incluindo o Zombie Wars, sequela do Alien Carnage. Ainda assim, no início deste ano, foi finalmente anunciada uma sequela: Return of the Amazon Queen, produzida por algumas pessoas que trabalharam no original. Irei seguramente o jogar, caso venha a ser lançado!

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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