F1 Circus ’91 (PC Engine)

Tempo para mais uma rapidinha e quando cá trouxe o primeiro F1 Circus no passado referi que apesar de eu não ter gostado muito do jogo, alguma coisa a Nichibutsu deve ter feito bem, pois nos anos 90 foram inúmeras as sequelas que o jogo recebeu para múltiplas plataformas distintas. Só ecossistema PC Engine temos 4 jogos desta série, sendo que este F1 Circus ’91 é a primeira sequela. E o meu exemplar foi comprado a um particular algures em Novembro deste ano, por cerca de 10€.

Jogo com caixa e manual embutido. Algures no tempo foi um jogo que custou uns meros 130 Yen, um valor muito, muito em conta.

No que diz respeito aos modos de jogo temos aqui uns quantos e vou começar pela novidade: um modo de treino. Este é na verdade uma espécie de tutorial onde devemos practicar vários desafios para nos habituarmos aos controlos peculiares do jogo. São desafios com vários tipos de curvas, onde inclusivamente temos de os completar dentro de um tempo limite para que os completemos. A única customização que podemos fazer antes de cada desafio é escolher que tipo de direcção queremos usar: leve, média ou pesada e isto faz toda a diferença. É que tal como o seu predecessor, este F1 Circus 91 é um jogo de corridas com uma perspectiva vista de cima, tal como os jogos Micromachines da era 8/16 bit, por exemplo. E apesar de o jogo nos avisar sempre que vem uma curva, é difícil antecipar quanto falta para esta chegar e qual a sua a curvatura, pelo que até memorizarmos os circuitos iremos bater constantemente. Para agravar as coisas, o F1 Circus original tinha uns controlos demasiado precisos, onde o quanto viramos o volante depende de quanto tempo mantivermos o botão direccional pressionado e por vezes uma fracção de segundo a mais (ou a menos) é o suficiente para curvar em demasia ou pouco, projectando-nos para fora do circuito. Portanto poder optar por diferentes graus de “sensibilidade” para a direcção faz toda a diferença! O jogo continua difícil, principalmente quando competimos contra outros oponentes, mas ao menos pode-se tornar menos frustrante escolhendo o grau de sensibilidade para a direcção.

Antes de cada corrida podemos sempre customizar o carro à nossa medida

De resto, para além do modo de jogo que nos permite participar em corridas livres, o principal modo de jogo é mesmo o campeonato. No entanto, independentemente do modo de jogo escolhido temos na mesma de escrever o nosso nome e seleccionar em qual das equipas (fictícias) queremos competir. Depois lá somos levados para o ecrã de preparação da próxima corrida, onde para além de participar em voltas de treino podemos também customizar vários parâmetros do nosso carro em cada uma das fases da corrida, desde pneus, transmissão, travões, suspensão, etc. O tipo de direcção que mencionei no parágrafo acima é também possível de ser seleccionado aqui, felizmente. Mas também tal como referi acima, o jogo continua bastante desafiante, por vezes até para o próprio CPU! O jogo é tão rápido e frenético que colisões são constantes, não só com o nosso carro, mas também com os restantes! Acelerar, fazer bem as curvas neste jogo e ultrapassar os oponentes é uma arte difícil de ser dominada aqui.

Como seria de esperar, o jogo não tem qualquer licença, mas emula os construtores e pilotos reais da época

No que diz respeito aos gráficos, o jogo não difere muito (ou practicamente nada) do seu antecessor, visto que usa a mesma perspectiva vista de cima. Os cenários são então renderizados com detalhes minimalistas, mas que resultam bem devido à velocidade frenética com que corremos (isto se não batermos em nada, claro). No entanto há pequenas coisas que eu melhoraria. Durante as corridas, no canto inferior direito temos sempre uma caixa com informação das rotações do motor, qual a mudança engrenada e o estado geral do nosso carro, como pneus, suspensão e afins. No entanto não há no ecrã mais nenhuma indicação visual útil como a nossa posição na corrida, a velocidade a que vamos ou mesmo os tempos. A posição, tempos e voltas que faltam surgem no ecrã sempre que passamos a meta, mas a meu ver não é suficiente. Nada de especial a apontar aos efeitos sonoros, já a banda sonora até achei uma boa surpresa pois é bastante agradável.

Graficamente é um jogo muito idêntico ao seu antecessor

Portanto este F1 Circus apesar de continuar a ser um jogo bastante exigente pela sua jogabilidade e, perspectiva apresentada e velocidades frenéticas, não deixa também se ser uma melhoria face ao seu antecessor, precisamente por apresentar melhorias nos controlos. O facto de também não ter aquele modo de jogo inútil (constructors) também é um bónus!

Air Rescue (Sega Master System)

Tempo de voltar à Sega Master System com mais uma rapidinha. Air Rescue é uma espécie de sucessor espiritual do Choplifter, que por sua vez, apesar de ter sido um jogo com origens em computadores, a Sega trouxe-o para as arcades e é sobre essa versão que o port da Master System deriva (e por incrível que pareça é um jogo comum mas ainda não me apareceu à frente num bom negócio). Este Air Rescue começou também por ser um jogo lançado nas arcades, mas como essa versão corria no hardware System 32, anos luz à frente do que a Master System conseguiria fazer, mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado a um particular no passado mês de Novembro por cerca de 10€.

Jogo com caixa e manual

O original, apesar de correr no hardware super scaler de última geração e não ter um único polígono nos seus gráficos, era jogado na primeira pessoa e possuía uns visuais que muito se aproximavam do 3D, tudo isto com uma fluídez incrível, claro. A versão Master System é bem mais modesta, estando muito mais próxima da fórmula do Choplifter, sendo jogada numa perspectiva 2D sidescroller e, tal como no seu predecessor, o objectivo é o de, em cada mapa, resgatar um número mínimo de pessoas em cenários de guerra e trazê-las de volta para a sua base.

O jogo até tem uma grande variedade de níveis, embora poderiam haver mais do que os cinco existentes

Também tal como no Choplifter existem tropas inimigas que nos tentam mandar abaixo e basta sofrer um único disparo para perdermos uma vida. Ao contrário do Choplifter no entanto, não é necessário aterrar no solo para apanhar passageiros (embora também o possamos fazer). O botão 2 é então usado para baixar e levantar uma escada que permitem aos passageiros entrar no helicóptero. Já para os deixar na base teremos sim de aterrar e outra diferença é que poderemos apenas carregar um máximo de 3 passageiros de cada vez. Tinha a ideia que no Choplifter poderíamos carregar bem mais. Por outro lado o botão 1 é utilizado para disparar a arma que tenhamos equipada no momento, sendo que esta possui munições ilimitadas e sempre que visitamos a base poderemos escolher uma outra de 4 armas distintas para equipar como metralhadoras, um canhão que dispara bombas em trajectória diagonal, bombas de água, inofensivas para atacar inimigos mas necessárias para apagar os fogos do segundo nível e outras bombas que não causam dano fatal aos terroristas, mas os paralisam durante alguns segundos. Sinceramente acho esta arma um pouco inútil. Um outro detalhe interessante é o dos terroristas poderem usar vítimas inocentes como escudo, pelo que não os deveremos atingir caso isso aconteça! De resto contem com alguma inércia no controlo do helicóptero (mas parece-me ser bem menos grave do que no caso do Choplifter, pelo que me lembro).

Sempre que voltamos à base podemos alternar entre as diferentes armas disponíveis

No que diz respeito aos audiovisuais, esta conversão é bastante modesta se tivermos em conta o original arcade. E mesmo comparando com a versão Master System que tinha saído 6 anos antes, não fica muito melhor. Há uma maior variedade de cenários, pois começamos num parque de diversões, passando por arranha-céus com incêndios, um aeroporto, o alto-mar e finalmente culminamos em explorar uma série de cavernas com mobilidade muito reduzida. Por outro lado, o detalhe dos gráficos creio que poderia ser melhor, particularmente os dos soldados e reféns que vamos salvando, que parecem bonecos de arames. A banda sonora tem algumas músicas interessantes, outras nem por isso, no entanto um detalhe interessante a salientar é que as músicas ficam mais rápidas assim que a barreira dos 60 segundos para terminar o nível é ultrapassada.

Os personagens humanos mereciam e deveriam ter bem mais detalhes

Portanto este Air Rescue é uma versão bem modesta do original arcade e neste caso, ainda bem que a SIMS decidiu em seguir o caminho do Choplifter original, pois conversões de jogos super scaler para plataformas como a Master System nunca foram resultados muito bons (o Out Run é talvez o melhorzinho!). É no entanto um jogo de acção que poderia ser melhor a nível técnico e talvez ter mais níveis, pois são apenas 5 no total. Pareceu-me menos desafiante que o Choplifter que é bem mais frenético na sua acção e agressividade dos inimigos, mas obriga-nos uma vez mais a uma jogabilidade metódica devido ao 1 hit kill e controlos com inércia, mas também temos de ter em atenção ao tempo disponível para completar cada nível. Acho que quem tenha gostado do Choplifter irá apreciar este jogo.

Policenauts (Sega Saturn)

Há uns tempos atrás decidi rejogar o Snatcher após finalmente ter desistido de comprar a versão Mega CD que anda caríssima e ter ficado antes com as versões PC-Engine (da qual a versão Mega CD deriva) e Sega Saturn. É um jogo de aventura cyberpunk com uma narrativa bem madura e empolgante como Kojima nos tem vindo a habituar. Mas para além deste e dos dois primeiros Metal Gear, Kojima decidiu desde cedo criar uma espécie de sucessor espiritual de Snatcher e o resultado foi este Policenauts, lançado originalmente em 1994 para o sistema nipónico PC-98. Presumo que tenha sido outro sucesso pois nos anos seguintes saíram também, exclusivamente no mercado japonês, versões para a 3DO, Playstation e Sega Saturn cuja trago hoje. Tanto esta versão como a da PS1 felizmente receberam um patch de tradução feito por fãs já há uns bons anos atrás, pelo que a acabei finalmente por jogar em emulação. O meu exemplar foi comprado algures em Abril de 2020 no ebay por 40 libras.

Jogo com sleeve de cartão, caixa, livro de arte, manual, 3 discos e papelada diversa

Sim, o espaço é um dos elementos centrais deste Policenauts. A personagem que nós controlamos, Jonathan Ingram, foi um dos cinco elementos que fundou essa força policial, a primeira a trabalhar numa colónia espacial gigante chamada Beyond. A introdução leva-nos ao ano de 2013 onde Jonathan, numa operação de rotina, vê o seu fato espacial a avariar o que o leva a ficar à deriva no espaço e presumivelmente morto para os seus colegas. Mas felizmente ele tinha um sistema de preservação de vida que o coloca em hibernação e à deriva no espaço, até que, 25 anos depois, é encontrado e trazido de volta à Terra. A sua vida mudou radicalmente e perdeu todo o contacto com os seus antigos colegas e família, tornando-se agora numa espécie de detective privado, num mundo cada vez mais violento e perigoso. Eis que chega o ano de 2040 e entra pelo seu escritório a sua ex-mulher Lorraine, com a qual ele já não falava há mais de 30 anos. Lorraine está aflita e pede a ajuda de Jonathan pois o seu actual marido, um cientista de uma mega corporação, está desaparecido há semanas sem qualquer rasto. Jonathan nessa altura fica algo hesitante em aceitar o seu pedido de ajuda, mas mal Lorraine entra de volta no seu carro, este explode, matando a senhora. Cheio de raiva, Jonathan lá decide viajar para a colónia espacial, reencontrar os seus antigos colegas e averiguar o mistério do assassinato da sua ex-mulher e desaparecimento do marido. Naturalmente que iremos aos poucos descobrir uma grande conspiração e deixo o resto para quem vier a jogar este Policenauts o descobrir!

Quaisquer semelhanças com o Lethal Weapon não são mera coincidência

O jogo é uma aventura gráfica quase ao estilo dos point and clicks, onde teremos imensos cenários para explorar e pessoas para conversar. A jogabilidade em si é simples. No ecrã controlamos um cursor e podemos clicar onde quisermos no cenário em questão, com diferentes opções a surgirem para escolhermos, mediante o local onde clicamos. Poderemos observar, interagir com objectos ou, caso cliquemos nalguma pessoa o ecrã transita para uma perspectiva mais próxima da pessoa em si, onde a poderemos observar em mais detalhe, assim como alguns dos objectos nas suas imediações e claro, dialogar. A janela de diálogo permite-nos explorar diferentes linhas de conversa que muitas vezes têm de ser levadas à exaustão para a história avançar. Para além da história e exploração, teremos também alguns segmentos de acção onde, tal como no Snatcher, temos de disparar sobre alguns bandidos que vão surgindo no ecrã, tal como num light gun shooter. Enquanto que no Snatcher o ecrã de batalha se dividia numa espécie de matriz, com a mira a alternar entre várias posições dessa matriz, aqui os combates são mais intensos e dinâmicos. Um dos pontos fortes da versão Sega Saturn é precisamente o suporte a light gun, que tornam estes segmentos bem mais interessantes para se jogar. Para além disso, e sendo este um jogo do Kojima, existe uma quantidade absurda de informação e terminologias novas. Basicamente, todas as palavras ou expressões que surgem nos diálogos acompanhadas de um asterisco, podem ser consultadas num glossário que Kojima preparou. Glossário esse que aparentemente apenas existia em discos bónus lançados separadamente do jogo principal noutras plataformas, mas na versão Saturn está incluído com o jogo base também e pode ser consultado em qualquer fase de exploração.

Referências a outros jogos do Kojima não são incomuns, com a presença de Meryl a ser a mais gritante

A narrativa é muito boa e se Snatcher era fortemente influenciado por filmes como Blade Runner e The Terminator, este Policenauts é uma espécie de Lethal Weapon futurista. Aliás, se não fosse o cabelo azul de Jonathan este seria uma réplica perfeita de Mel Gibson, assim como Ed, o seu parceiro, é uma réplica quase perfeita de Danny Glover. A narrativa começa em alto tom, com a introdução e os eventos que levam Jonathan a viajar para a colónia espacial em busca de resolver o mistério. Mas assim que lá chegamos a narrativa abranda um pouco, pois iremos aproveitar esse tempo para explorar novos locais, conhecer novas personagens e reencontrar os antigos companheiros de Jonathan nos Policenauts, incluindo o tal Ed que nos irá acompanhar ao longo de todo o restante jogo. Mas a partir da segunda metade do jogo a narrativa volta uma vez mais a tornar-se bem mais intensa, com uma enorme conspiração a ser descoberta aos poucos e muitos volte-faces vão-nos fazer ficar agarrados ao comando só para ver o que irá acontecer a seguir!

Bom, digamos que Jonathan é um pervertido

Visualmente é um jogo interessante, parecendo quase um anime interactivo. No entanto, tal como muitas visual novels nipónicas os cenários ainda são estáticos durante a exploração e mesmo nos diálogos, com a câmara mais próxima da personagem em questão, continua a não haver muito movimento. Ainda assim teremos várias cutscenes pelo meio, tanto em CGI, como em animação mais tradicional e mesmo os cenários mais estáticos têm um look anime que resulta bastante bem. A banda sonora é bastante eclética, com músicas para todos os momentos da narrativa, desde os mais alegres, para aqueles mais tensos e cheios de suspense. E sim, mais um piscar de olho aos típicos filmes policiais dos quais o jogo se inspira: músicas com saxofone. O voice acting é todo em japonês e parece-me bastante competente. E claro, sendo este um jogo do Kojima, esperem também por várias referências a outros dos seus jogos lançados até à data. A mais gritante é mesmo a presença da Meryl de Metal Gear como personagem com alguma importância na história, mas ocasionalmente encontraremos também várias referências a Snatcher.

A versão Saturn inclui bastante conteúdo adicional que estaria apenas disponível em discos separados nas outras plataformas

Em conclusão devo dizer que continuo a gostar mais do Snatcher, pois tinha um melhor balanço entre momentos sérios e cómicos. Aqui o humor quando existe é bastante pervertido: sempre que interagimos com uma personagem feminina, caso cliquemos nos seus seios existe sempre a opção de os tocar e se o fizermos (repetidamente até), é aí que entram os momentos de bom humor por todo o absurdo da situação. Mas tirando isso, o Policenauts não deixa de ser uma excelente aventura, com uma óptima narrativa. A versão Sega Saturn é, até ao momento, a melhor versão do jogo. Para além de incluir suporte a light gun para os tiroteios, tem também o tal glossário incluído no jogo, assim como muito outro conteúdo extra como entrevistas, trailers e pequenos vídeos de making of, tudo coisas que noutras plataformas estaria apenas disponível em discos à parte. Para além disso a versão Saturn por incrível que pareça é a que tem os vídeos com o melhor framerate, pecando no entanto na qualidade da imagem, bem como algumas cenas e diálogos adicionais, não presentes noutras versões. Aparentemente em 1996 a Konami chegou a considerar um lançamento ocidental desta versão, mas tal acabou por não se concretizar, infelizmente. Ainda assim só temos a agradecer aos fãs devotos que lançaram patches de tradução para as versões PS1 (em 2009) e Saturn (em 2016).

TrickStyle (Sega Dreamcast)

Tempo para mais uma rapidinha, mas esta carregada de nostalgia, pois o TrickStyle foi o primeiro jogo que alguma vez joguei numa Dreamcast. Foi por altura do seu lançamento na Europa, algures no último trimestre de 1999, onde o joguei numa Worten que tinha um quiosque com a consola disponível para os clientes a experimentarem. Dentro da consola seguia o Dream On Volume 1, um conjunto de demos e vídeos de vários outros jogos de lançamento da consola, onde curiosamente, os mais importantes jogos desenvolvidos pela Sega aquando do lançamento da consola neste território, Sonic Adventure, Virtua Fighter 3tb ou Sega Rally 2 apenas estavam disponíveis como vídeos. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu em Outubro deste ano por 5€.

Jogo com caixa e manual

Produzido nada mais nada menos pela Criterion Games, os mesmos que viriam mais tarde a fundar a série Burnout, este é um jogo de corridas futurista, mas que pisca também o olho à enorme quantidade de videojogos baseados em desportos radicais que começaram a surgir na época como Coolboarders ou Tony Hawk’s Pro Skating. Isto porque pilotamos uma prancha flutuante futurista e claro, também poderemos fazer uma série de truques para amealhar pontos. Inicialmente somos largados num hub onde não só poderemos acessar às corridas propriamente ditas bem como outros desafios, mas também aproveitar as suas rampas para practicar os truques que podemos desencadear ao pressionar combinações de botões pelo ar. Começando pelos controlos, o analógico serve para controlarmos a personagem que escolhemos representar, o botão R para acelerar e os restantes botões faciais servem para usar algumas habilidades, como os diferentes truques que podemos desencadear enquanto estamos no ar. Outras habilidades como o luge dão-nos um boost temporário de velocidade ou outras permitem-nos atacar, tanto oponentes como eventualmente destruir algumas barreiras que se atravessem no nosso caminho.

Cada personagem possui diferentes atributos, assim como as diferentes pranchas que poderemos vir a desbloquar

No que diz respeito às corridas em si, temos 5 desafios distintos em Londres, Estados Unidos e Japão, para além de um boss em cada nação que nos permitirá desbloquear novas pranchas caso o derrotemos nalgum desafio em específico. Sendo este um jogo futurista, esperem por inúmeras rampas, tubos e loops por onde poderemos passar a alta velocidade, mas visto que as corridas são então maioritariamente passadas em zonas urbanas esperem também por muitos obstáculos que nos irão atrasar o progresso caso embatemos contra os mesmos. Para além das corridas e respectivo boss, temos também um conjunto de desafios adicionais que poderemos tentar completar, como fazer x pontos dentro de um certo tempo limite, atravessar uma série de anéis sequencialmente num circuito, coleccionar uma série de esferas luminosas espalhadas pelos níveis, ou percorrer uma série de carris magnéticos sequencialmente num circuito. Estes carris magnéticos aparecem também nas corridas normais e são provavelmente dos segmentos mais frustrantes do jogo pois para os conseguirmos usar temos de estar muito bem alinhados com os mesmos. Para além disso existe um modo multiplayer que sinceramente não experimentei.

Cada corrida terá vários obstáculos que teremos de ter em conta para não perder velocidade

Graficamente é um jogo bastante interessante, tendo em conta que é um título de lançamento da Dreamcast. Lembro-me bem de o jogar nessa altura e achar os gráficos incríveis, muito acima do que a Saturn, Playstation e Nintendo 64 conseguiam apresentar. Mas claro, os jogos de Dreamcast por muito impressionantes que tenham na sua altura, ficaram algo datados com o tempo, particularmente o pouco detalhe a nível de texturas e polígonos que cada personagem tem. Mas ainda assim acho que possui uns visuais interessantes, com uma linha futurista e bonitos efeitos de luz ao longo das várias pistas. Mas sinceramente preferia que em vez de 5 corridas em cada zona, tivéssemos menos corridas e mais zonas diferentes para explorar. Já no que diz respeito ao som, nada de especial a apontar aos efeitos sonoros, já a banda sonora é toda música electrónica, que apesar de não ser de longe o meu género musical preferido, até acho que está bem conseguida e adequa-se bem ao clima proporcionado.

Gaiares (Sega Mega Drive)

Vamos agora voltar à Mega Drive para mais um dos seus vários shmups. Produzido pela Telenet Japan e lançado originalmente no Japão em 1990, Gaiares foi um dos muitos títulos nipónicos que a distribuidora norte-americana Renovation conseguiu lançar nos Estados Unidos, neste caso um ano mais tarde. Aparentemente, pelo menos de acordo com o Sega Retro, a certa altura a Ubisoft esteve para lançar vários dos jogos publicados pela Renovation para a Mega Drive na Europa, mas isso infelizmente nunca chegou a acontecer. Também de acordo com o Sega Retro, algumas distribuidoras acabaram por importar a versão japonesa e lançá-la no nosso continente, mas terá sido certamente em reduzidas quantidades. Felizmente em 2022 a Retro-Bit conseguiu obter os direitos necessários para o relançar, versão essa que acabei de comprar no passado mês por 45€. E vem com muitos extras!

Jogo com sleeve de cartão, caixa com capa reversível (se bem que não sei quem possa preferir a capa americana), manual a cores, papelada diversa e ainda trouxe uma t-shirt igual à que o jovem da foto tem vestida

A primeira coisa que chama à atenção no jogo é a sua longa cutscene de abertura (mais de 6 minutos!) repleta de visuais anime. A história é rebuscada, mas basicamente o que interessa conter é que o jogo decorre no ano de 3008 e a Terra, com toda a poluição que sofreu ao longo de séculos, há muito que está em ruínas. No entanto um poderoso império promete ajudar a regenerar o planeta, logo que um voluntário decida pilotar a sua nave topo de gama e combater um outro exército poderoso que são naturalmente os maus da fita. E nós iremos encarnar no Dan, o tal piloto que se voluntariou para tal árdua tarefa.

Antes de iniciarmos a aventura, temos direito a uma cutscene anime prolongada

E árdua tarefa é dizer pouco, pois este é seguramente um dos shmups mais difíceis que iremos encontrar na Mega Drive. No entanto possui algumas mecânicas de jogo únicas e interessantes! Mas antes disso, os controlos são simples com o botão A a servir para alternar a velocidade com que a nossa nave se desloca pelo ecrã, o botão B para disparar e o C serve para usar o satélite que voa connosco, logo desde o início do jogo. E esse satélite é precisamente o factor diferenciador deste jogo, pois ao pressionar o seu botão, o mesmo é lançado em frente, na esperança de se agarrar a alguma nave inimiga. Quando o faz, rouba a sua arma para que nós a possamos usar! Poderemos ter então vários tipos de projécteis, mísseis ou raios laser com padrões de fogo distintos. Caso roubemos uma arma igual, então esta passa a ser mais poderosa, existindo assim vários níveis de poder de fogo para cada arma. Caso alternemos para uma arma diferente e eventualmente voltamos para a que tínhamos anteriormente, mantemos o nível dessa arma. Isto claro, se não perdermos nenhuma vida entretanto, o que será extremamente difícil. De resto, ocasionalmente iremos também encontrar alguns itens que nos dão um escudo, ou outros capazes de causar dano a todos os inimigos presentes no ecrã.

Apanhar, evoluir e acima de tudo manter boas armas é extremamente importante para contrapor a dificuldade absurda do jogo

Mas como referi acima, o jogo é extremamente desafiante, não só pela grande quantidade de inimigos que teremos de enfrentar, bem como o facto de alguns serem bem rápidos e surgirem de múltiplas direcções. Acho que a partir do terceiro nível a dificuldade escala bastante e claro, caso sejamos atingidos por um inimigo ou raspemos nalguma superfície lá perdemos uma vida e todos os power ups coleccionados até ao momento. Todos os níveis têm também um mini boss e boss para enfrentar, estes últimos no final dos mesmos. Os últimos níveis são claro uma maratona de mini bosses e bosses também.

Os níveis vão sendo bastante variados entre si, incluindo este segmento que parece retirado de algum jogo de fantasia medieval

Visualmente é um jogo muito colorido e extremamente bem detalhado para uma Mega Drive, com bonitos efeitos de parallax scrolling em vários dos níveis (logo a cintura de asteróides do primeiro nível é um óptimo exemplo disso). Os bosses são gigantes e extremamente detalhados e os níveis também vão sendo bastante variados entre si. Aliás, mesmo em cada nível vamos tendo interessantes (e por vezes inesperadas) variações de cenários, embora haja um grande foco entre o combate em pleno espaço e em estações espaciais gigantes. Para além disso, como já referi no segundo parágrafo, o jogo tem uma cutscene de abertura anime muito bem detalhada e colorida, que se prolonga por mais de 6 minutos, e uma outra mais curta no final do jogo. Aparentemente a Telenet Japan incialmente tinha planos para que o jogo ocupasse uma ROM de 4Megabits (equivalente a 512KB), mas, já algo avançados no desenvolvimento do jogo, a Sega deu-lhes o aval de usarem um cartucho com o dobro do espaço, espaço esse que foi precisamente utilizado para todas estas cutscenes. Por outro lado a banda sonora, apesar de não ser propriamente má, ficou muito aquém das expectativas. Para um jogo de acção frenética como este Gaiares, estava à espera de uma banda sonora bem mais pujante.

Os bosses são grandes, desafiantes e muito bem detalhados!

Portanto este Gaiares é um shmup bastante interessante do catálogo da Mega Drive. Visualmente é dos melhores do seu género na plataforma, contendo também algumas mecânicas de jogo bem originais. É no entanto difícil como cornos. A Renovation publicou muitos jogos medianos que nunca chegaram até nós, mas também publicou muitas outras hidden gems (da minha colecção até ao momento tenho o Elemental Master ou Syd of Valis como exemplos) e é uma pena que muitos desses jogos tenham passado completamente ao lado da maior parte dos jogadores europeus. Estes relançamentos em formato físico de jogos perdidos no tempo por parte da Retro-Bit e outras empresas similares é extremamente benvindo!