Professor Layton and the Miracle Mask (Nintendo 3DS)

A série Professor Layton foi das que mais gostei de jogar na Nintendo DS. Apesar de ser direccionada para um público casual pois a sua jogabilidade está inteiramente assente na resolução dos mais variadíssimos puzzles que possam imaginar, a sua direcção artística e valores de produção no geral sempre foram fantásticos, especialmente considerando o hardware mais limitado onde corriam. Este Professor Layton and the Miracle Mask é o quinto jogo da saga, segundo da segunda trilogia e o primeiro a sair para a Nintendo 3DS, algures em 2012. O meu exemplar sinceramente já não me recordo nem quando, nem onde o comprei, mas lembro-me que não foi caro.

Jogo com caixa, papelada e um extenso manual. Algo raro na 3DS, muito menos um manual europeu a cores

A segunda trilogia de Layton é uma prequela à trilogia original, iniciando-se 3 anos antes dos eventos de Professor Layton and the Curious Village. Neste Miracle Mask encarnamos uma vez na equipa liderada pelo Layton, professor de arqueologia, Emmy, sua assistente e o jovem Luke, seu aprendiz. Após Layton receber um pedido de ajuda de Angela, sua amiga de infância, estes deslocam-se à metrópole de Monte D’Or, uma cidade erguida do nada no meio do deserto e que muito tem vindo a enriquecer ao longo dos anos. Mas esse progresso corre sérios riscos de ruir, com o aparecimento do “Masked Gentleman”, um vilão que aparentemente teria cometido vários “milagres” de maneira cada vez mais espalhafatosa, como transformar pessoas aleatórias em estátuas, tal como presenciamos assim que chegamos pela primeira vez à cidade. Muitos das mais ilustres figuras de Monte d’Or são também velhos conhecidos de Layton, pelo que invariavelmente a trama estará ligada a vários acontecimentos do seu passado. Para além de explorar essa cidade, teremos alguns capítulos específicos que já decorrem no passado e na pequena aldeia de Stansbury, onde controlamos um Professor Layton bem mais jovem.

A componente de aventura obriga-nos a explorar bem todos os cenários e falar com todas as personagens que nos aparecem

No que diz respeito à jogabilidade, a sua essência mantém-se muito semelhante à dos seus predecessores. Temos portanto aquela componente de aventura onde iremos explorar os mais variados cenários, falar com diversas personagens e clicar em vários locais aleatórios em busca de alguns segredos como as hint coins ou puzzles escondidos. Invariavelmente para progredir na história teremos de resolver toda uma série de puzzles que tanto podem ser mais baseados em lógica e a sua solução por processo de eliminação, outros mais interactivos onde teremos de manobrar diferentes objectos para chegar à solução, por exemplo. Já não jogava um Professor Layton desde o Spectre’s Call que o joguei algures em 2013 e devo dizer que ou eu estou completamente destreinado para estes puzzles, ou achei muitos deles bem mais desafiantes que os jogos anteriores. De qualquer das formas, mediante as hint coins que poderemos vir a descobrir poderemos também activar uma série de dicas que nos podem ajudar a resolver todos esses puzzles. E apesar de a esmagadora maioria dos puzzles serem opcionais, ou seja, apenas são activados quando falamos com alguém ou interagirmos com certos objectos nos cenários, existem vários checkpoints ao longo da história onde o nosso progresso no jogo é travado se não tivermos resolvido um número mínimo de puzzles.

Alguns dos puzzles obrigam-nos mesmo a pensar fora da caixa!

Para além de todos esses puzzles, existem também uma série de mini-jogos que iremos desbloquear e que são inteiramente opcionais. Um deles consiste em treinar um coelho de circo, ensiná-lo vários truques e usar essas acções que ele aprende em várias pequenas peças de teatro. Noutro temos de organizar objectos numa prateleira de loja, de forma a que quando um cliente compre um item, seja “encorajado” a comprar todos os outros. Outro ainda são os circuitos onde teremos de guiar, em segurança, um robot mecânico para a sua saída. E claro, mesmo depois de terminarmos o jogo, poderemos desbloquear toda uma série de puzzles adicionais, alguns que requerem que terminemos também os mini jogos mencionados acima, bem como os tais puzzles diários, que seriam 365 puzzles adicionais que seriam desbloqueados diariamente. Existe muito conteúdo neste jogo para quem o quiser completar ao 100%.

O que não falta é conteúdo adicional como diversos mini jogos diferentes

No que diz respeito aos gráficos, na sua essência este jogo mantém a excelência das suas animações que muito me fazem lembrar as animações clássicas de filmes europeus, embora se note um ou outro traço mais anime. Para além das várias cutscenes bem animadas e acima de tudo, diálogos narrados com um sotaque britânico exemplar, durante o jogo em si também poderemos ver algumas animações com as personagens modeladas em 3D. A Nintendo 3DS é um sistema mais capaz que o seu antecessor neste aspecto e, apesar de eu preferir de longe os visuais mais 2D (que mesmo assim resultam bem quando ligamos o efeito 3D do sistema), visto que os modelos 3D poligonais mantêm na mesma aquele aspecto de desenho animado, acabam por ser também satisfatórios. A música é uma vez mais também muito bem conseguida, com a banda sonora a ser bastante eclética e as músicas a manterem aquele feeling europeu dos anos 50/60.

As animações felizmente continuam excelentes!

Portanto este pareceu-me mais um óptimo jogo da série Professor Layton. A maneira como a série está montada é perfeita para pequenas sessões de jogo e irmos resolvendo um ou outro puzzle de cada vez. E para quem o jogar assim, apenas em sessões curtas, será mesmo um jogo bem duradouro pois teremos 150 puzzles ao todo, mais uma série de mini-jogos para explorar. A história é interessante com vários mistérios para desvendar e uma vez mais a narrativa e apresentação audiovisual estão excelentes. Fico contente por a Level-5 estar finalmente a trabalhar num novo jogo da série! Enquanto esse ainda não sai para o mercado, tenho ainda mais uns quantos para explorar na 3DS.

Star Trek: Deep Space Nine – Crossroads of Time (Super Nintendo)

Nunca fui o maior fã de Star Trek mas este jogo, apesar de longe de ser perfeito, até que foi uma interessante supresa. Se são fãs de jogos de acção/plataforma mais cinemáticos, que no caso das plataformas 16bit teve o seu auge no Flashback, posso-vos dizer que este jogo tem algumas semelhanças e foi isso que mais me chamou à atenção. O meu exemplar foi comprado em Dezembro do ano passado, foi-me trazido por um amigo meu que mo comprou numa loja francesa por 40€. Infelizmente veio sem manual!

Jogo com caixa e papelada

Para além dos filmes clássicos da saga Star Trek, é a série Star Trek New Generation que mais me recordo, pois essa chegou a passar em sinal aberto na TV portuguesa durante uns bons anos e ocasionalmente lá ia acompanhando alguns episódios. Este jogo é no entanto baseado na série Star Trek Deep Space Nine, da qual nunca tinha ouvido falar se não fosse por este mesmo jogo! É uma série com diferentes protagonistas e cuja história decorre a bordo não de uma nave espacial toda pipi como a Enterprise, mas sim a bordo de uma gigante estação espacial, a tal Deep Space Nine. Aparentemente a história da série anda à volta do conflito entre duas civilizações distintas, os Cardassians e os Bajor e é isso que também acaba por se trazido cá à baila. Nós controlamos Sisko, o comandante lá do sítio que começa a investigar uma intrusão de rebeldes Bajor na estação espacial e que plantam uma série de bombas para as destruir. À medida que vamos avançando na história, no entanto, a trama vai-se também adensando.

Nas fases de aventura teremos vários NPCs para falar e progredir com a história

Ora e este é então um jogo dividido em duas fases: aventura e acção. Na primeira, iremos percorrer os diferentes corredores e salas da DS9, onde poderemos falar com vários NPCs e ir avançando na história. Eventualmente lá poderemos começar uma missão “a sério” e é aí que entra aquela jogabilidade mais próxima de um Flashback. O direccional serve para controlar Sisko, para além de nos permitir subir/descer escadas, entrar em portas ou elevadores. O botão B serve para saltar, o A para controlar o movimento de certos elevadores ou plataformas móveis em conjunto com o direccional, o botão X para falar e o Y para usar o item que tenhamos eventualmente equipado, incluindo as armas ou os punhos para atacar, caso não tenhamos nenhum objecto seleccionado. Para escolher que itens usar temos os botões de cabeceira L e R para o efeito. De resto, tal como em jogos mais realistas como o Flashback, para saltar mais alto/longe teremos de ganhar balanço e podemos também segurar-nos nas extremidades de superfícies, ou mesmo agarrar-nos a certos objectos que nos permitem deslocar pelo tecto.

Durante o combate temos de garantir que equipamos os Phasers para atacar os inimigos

Até aqui tudo bem. O meu problema com o jogo é o facto de por vezes termos alguns tempos limite que são bastante injustos, principalmente para quem esteja a começar e ainda não conhece bem as mecânicas de jogo e o layout dos níveis, que vão sendo cada vez mais labirínticos. Por exemplo, logo na primeira missão temos de procurar uma série de bombas espalhadas pelos cenários. Estas aparecem visíveis num radar no topo/centro do ecrã e quando nos aproximamos da sua localização estas estão também bem visíveis no ecrã de jogo. Quando as apanhamos vemos que temos um tempo limite de cerca de 20 segundos para nos vermos livres das mesmas em segurança. Para isso temos de procurar um “ejection tube” e depositá-las lá antes do tempo se esgotar. O que é um ejection tube? Bom, depois de morrer lá descobri que são umas colunas com um buraco oval atravessado por feixes de energia. Na fase seguinte do nível lá teremos mais umas quantas bombas para descobrir e desactivá-las da mesma forma. A diferença é que elas são agora mais difíceis de descobrir por vários motivos. Para além disso, somos informados que temos um tempo limite de 3 minutos para as descobrir e desarmar todas, caso contrário é game over. E o nível torna-se bem mais labiríntico e complexo também! Mesmo para quem conhecer bem o jogo, 3 minutos é um tempo que não nos dá lá muita margem de manobra. É que para além de andarmos perdidos, temos de ir continuamente alternando de item em item para ajudar ou na exploração, ou no combate, quando inimigos surgem, o que também por vezes atrapalha o fluxo da acção. E isto é só um exemplo, existem outros similares noutras alturas. Felizmente no fim de cada nível dão-nos uma password, pelo o que me parece é que a ideia é mesmo a de repetir cada nível até o termos bem memorizado. Tirando isso, o jogo até que me pareceu bem original e a Novotrade ainda tentou dar-lhe alguma variedade. Há um nível que é um shmup autêntico e ocasionalmente poderemos controlar outras personagens, incluindo uma criatura capaz de se transformar.

Estes tempos limite apertados foram de longe o que mais me chateou!

No que diz respeito aos audiovisuais, sinceramente até gostei do jogo. Como nunca vi a série, não sei o quão fiéis os gráficos estão, mas para quem gosta de ficção científica, irá certamente apreciar os gráficos de alguma forma, pois teremos várias naves espaciais ou pelo menos secções bem distintas entre si para explorar, todas com visuais high-tech, mas também alguns zonas de um planeta próximo. Não existe no entanto uma grande variedade de inimigos, são quase todos humanóides, máquinas e ocasionalmente um ou outro animal como morcegos gigantes. Ainda assim achei um jogo graficamente bem detalhado e a banda sonora é também bastante enérgica e agradável. Creio no entanto que a versão Mega Drive tenha sido a versão original pois para além de o jogo ter sido publicado pela Novotrade e esta ter sempre tido uma certa afinidade com a Sega (são os criadores de Ecco the Dolphin, por exemplo), a versão Mega Drive possui alguns bonitos efeitos e animações nas cutscenes que não estão aqui presentes na versão Super Nintendo. No entanto esta versão SNES possui gráficos mais coloridos e uma banda sonora mais limpa.

Pelo meio ainda se lembraram de fazer um nível tipo shmup!

Portanto este Star Trek até que foi uma interessante surpresa. Não estava de todo à espera de encontrar um jogo algo influenciado pelo Flashback no seu conceito, mas infelizmente é um jogo que teria potencial para ser muito melhor. Alguns níveis são bastante injustos no tempo limite que temos para os completar, mas o facto de ter um grande foco na narrativa e vários diálogos com NPCs foi algo que me agradou.

Thunder Force III (Sega Mega Drive)

Vamos voltar aos shmups e desta vez para a Mega Drive com este Thunder Force III, o único jogo da série desta consola a não ter um lançamento oficial na Europa, apesar de vários países europeus terem comercializado (porventura através de diferentes distribuidores) a versão Genesis, ocasionalmente até com manuais customizados nas suas línguas. Se foi o caso deste meu exemplar sinceramente não sei, visto que de momento apenas tenho o seu cartucho que me foi oferecido por um amigo no passado mês de Dezembro e a quem eu muito agradeço.

Cartucho solto

O seu antecessor, o Thunder Force II, ainda herdava muita bagagem do primeiríssimo jogo da série (que até à data ainda apenas está disponível para computadores nipónicos da década de 80), ao manter vários níveis com uma perspectiva vista de cima e liberdade de movimento em todas as direcções, bem como outros níveis já com uma jogabilidade e perspectiva de um shmup horizontal. A partir deste Thunder Force III a Technosoft focou-se unicamente nos shmups horizontais e sinceramente, a meu ver, o jogo e a série ganharam bastante com isso. No que diz respeito aos controlos, o botão B serve para disparar, enquanto que o botão A serve para alterar a velocidade da nave. Já o botão C serve para seleccionar qual a arma que queremos ter equipada. Começamos com versões fracas de duas armas distintas, mas como devem calcular teremos a possibilidade de coleccionar muitas mais, cada uma com os seus padrões de fogo distintos e, caso apanhemos um power up de uma arma que já tenhamos coleccionado antes, esta passa a ficar mais forte. Outros itens podem ser as options que orbitam em torno da nossa nave, dão-nos poder de fogo adicional e protegem-nos ligeiramente contra algum fogo inimigo. Vidas extra ou escudos, ambos super preciosos são também possíveis de serem coleccionados.

Tal como a Technosoft veio a fazer na sequela, os primeiros níveis podem ser jogados em qualquer ordem.

Como seria de esperar, este é também um jogo bastante exigente. Os inimigos vão tendo padrões de movimento distintos e temos também um daqueles níveis chatos em cavernas onde teremos de não só escolher o caminho certo para prosseguir, mas o próprio cenário também nos vai atacando, com paredes que se movem e outros obstáculos. E claro, ao mínimo de dano sofrido pela nossa nave perdemos uma vida. Cada vez que percamos uma vida perdemos também os satélites que tenhamos eventualmente coleccionado e mediante a dificuldade escolhida, perdemos também pelo menos a arma que tenhamos actualmente equipada. Isto na dificuldade normal, nas dificuldades superiores perdemos ainda as restantes armas e power ups coleccionados também, pelo que recuperar um poder de fogo decente ainda nos vai dar algum trabalho e tornar os bosses mais complicados.

Como seria de esperar no final de cada nível temos sempre um boss para enfrentar

Já no que diz respeito aos audiovisuais sinceramente gostei bastante deste jogo pois possui níveis variados entre si, desde florestas, montanhas, cavernas, debaixo de água e claro, níveis no espaço. Os cenários vão tendo um bom nível de detalhe e com bonitos efeitos de parallax scrolling. É claro que ficam abaixo daquilo que o Thunder Force IV veio a fazer poucos anos depois, mas ainda assim é um jogo bem competente nesse departamento. O som continua excelente, particularmente a sua banda sonora, repleta de músicas rock bem cativantes e orelhudas. A banda sonora do Thunder Force IV é geralmente mais apreciada pelos fãs e eu, como gosto de metal, também gosto bastante dessa banda sonora bem agressiva. Ainda assim, acho que a qualidade do som em si está bem melhor neste Thunder Force III.

Apesar de uns furos abaixo do seu sucessor, este jogo continua com uns visuais bem competentes e bonitos efeitos gráficos nos seus cenários, como esta distorção da imagem a simular o calor

Portanto estamos aqui perante mais um shmup bem sólido da geração dos 16 bit. Foi um passo na direcção certa para a obra prima que foi o seu sucessor, Thunder Force IV. Ainda assim não é propriamente um jogo exclusivo, apesar desta versão ser a original. A Technosoft, em parceria com a Sega, lança posteriormente uma versão arcade ligeiramente modificada intitulada Thunder Force AC, versão essa que posteriormente recebe também uma versão para a Super Nintendo.

Wolfenstein II: The New Colossus (PC)

O Wolfenstein: The New Order foi uma das melhores surpresas de videojogos que tive nos últimos anos. Depois do algo desapontante Wolfenstein de 2009 a série entrou num hiato indefinido até que a Bethesda/id Software decidem confiar nos suecos da MachineGames para lançarem mais um reboot desta série e aquele que eu considero definitivo, pois para além de possuirem uma jogabilidade old school aliciante e bem implementada, toda a narrativa que a acompanhava era igualmente excelente. E em 2017 a Machinegames volta à carga com esta sequela que não fica nada atrás do seu antecessor! O meu exemplar foi comprado no ebay algures em Dezembro passado por cerca de 4 dólares. Já os portes e alfândega é que é outra história…

Jogo com caixa e mini manual

Tal como o seu predecessor, este é um jogo que decorre durante a década de 60, numa realidade alternativa onde os nazis tinham vencido a segunda guerra mundial devido aos seus avanços tecnológicos e subjugaram todo o mundo ao seu domínio tirano. E a história começa logo após os eventos do final do jogo anterior, dos quais eu não me vou alongar muito mas digamos que o BJ Blazkowicz volta a não ficar em muitas boas condições físicas, pelo que começamos o jogo com os nazis no nosso encalço e temos de nos defender estando ainda em cadeira de rodas! Eventualmente nos recompomos de alguma forma e é tempo de voltar à carga e passar ao ataque. Esta sequela foca-se então em libertar os Estados Unidos e iremos visitar algumas das suas localizações, incluindo uma Nova Iorque devastada por um ataque nuclear, mas também Roswell, Texas, Nova Orleães e outras surpresas.

Confesso que estava à espera de encontrar mais níveis deste género, com mais localidades icónicas norte-americanas sob o domínio nazi

Também tal como o seu predecessor este jogo mantém uma jogabilidade old school onde poderemos carregar todas as armas que encontramos, ficando assim com um arsenal considerável à nossa disposição e o uso de medkits ou armaduras é também algo a ter em conta. Também poderemos jogar tanto à Rambo como à Hitman de uma maneira mais furtiva e o jogo é igualmente super divertido em ambos os casos! Existem alturas em que o jogo nos encoraja a jogar de uma maneira mais furtiva e sabemos que isso acontece quando entramos numa nova área e recebemos a notificação de um (ou mais) sinais de rádio terem sido detectados. Estes são sinais dos radios dos oficiais da zona, que nos indicam também uma ideia da sua direcçãao e distância. O objectivo seria então de os tentar eliminar silenciosamente, passando despercebidos por todos os inimigos normais (ou neutralizando-os também de forma silenciosa pelo caminho). Caso sejamos descobertos, os comandantes são alertados e fazem soar o alarme, ordenando a todos os inimigos naquela zona que nos ataquem e inclusivamente poderão até chamar reforços. Claro que quando isto acontece é mesmo altura de jogar à Rambo pois seremos assolados por dezenas de inimigos em simultâneo e tal como no jogo anterior poderemos inclusivamente usar mais que uma arma em simultâneo, o que nos dá muito jeito para rapidamente matar os inimigos que surjam no nosso caminho. Já não me recordo bem, mas creio que no jogo anterior apenas poderiamos usar 2 armas semelhantes em simultâneo, por exemplo 2 pistolas, metralhadoras, shotguns, etc. Aqui podemos misturá-las livremente e ocasionalmente ainda teremos acesso a algumas armas mais pesadas que poderão ser roubadas a certos inimigos como metralhadoras pesadas ou outras mais high tech como armas laser ou lança chamas poderosos.

O balanço entre acção pura e furtividade continua muito bom!

De resto é também um jogo com algum foco na exploração pois teremos inúmeros coleccionáveis inteiramente opcionais para descobrir e apanhar. Desde vários tipos de documentos que enriquecem um pouco o contexto da história daquele mundo, passando por artwork desbloqueável, jóias e ouro tal como nos Wolfenstein clássicos, entre outros como vinis de artistas e músicas fictícias que foram criados propositadamente para estes Wolfenstein e que mimicam de certa forma os artistas e géneros musicais mais populares da década de 60, mas com motivos alusivos à alemanha nazi. Bandas como os The Bunkers, por exemplo! Mas sem dúvida que os coleccionáveis mais úteis são os upgrades que poderemos aplicar em todo o nosso arsenal, ou no caso dos oficiais, poderemos também recolher dos seus cadáveres códigos de encriptação para serem usados nas máquinas enigma. Tal como manda a lei na década de 60, são cartões perfurados! Esses cartões poderão ser utilizados para desbloquear missões de assassinamento a outros oficiais mais poderosos, onde teremos a hipótese de regressar a zonas que já teríamos visitamos no modo história e assim colectar mais alguns coleccionáveis, para além de assassinar os novos comandantes.

Claro que o Wolf3D tinha de marcar uma vez mais a sua presença, mas agora com os papéis trocados

Visualmente é um jogo bem competente e algo variado nos seus cenários. Começamos por explorar uma Nova Iorque e seus túneis do metro completamente em ruínas, posteriormente a pequena cidade de Roswel repleta de lojas típicas dos anos 60, mas claro agora sempre com um toque alemão. Já a Nova Orleães é também uma sombra, sendo agora relegada para um ghetto onde os indesejáveis do regime viviam em condições miseráveis. Naturalmente teremos também inúmeros bunkers e bases militares todas high tech para explorar e o espaço voltou a não ser esquecido, mas confesso que preferi as missões lunares do primeiro jogo. Ainda assim confesso que estava à espera de explorar mais cidades típicas americanas ou seja, estava a contar ver mais localizações como Roswell que apresentam todo um look anos 60 que misturam a estética norte-americana dessa época com a nazi. O voice acting e a narrativa como um todo são excelentes, e apesar de termos algumas cenas bem tensas com os vilões, temos também muitas mais cutscenes bem humoradas pelo meio. A banda sonora oscila entre o ambiental, especialmente tensa nos momentos de furtividade, com o rock e electrónica mais enérgicos próprios para os intensos combates que iremos eventualmente travar. Por outro lado temos também aquelas adaptações de músicas rock-pop típicas da década de 60, mas adaptadas à realidade alternativa do domínio nazi, tal como já referi algures acima.

A narrativa continua fantástica, mas há também um maior número de situações cómicas à nossa espera

Portanto este Wolfenstein II foi mais uma óptima experiência e a MachineGames ficou uma vez mais de parabéns pela execução do jogo ser tão boa a todos os níveis. Confesso que ainda assim prefiro o The New Order por uma magra margem, mas este jogo é também excelente. Infelizmente, ao contrário do Wolfenstein: The Old Blood que foi originalmente idealizado como um conjunto de DLCs mas acabou por ser lançado à parte como um lançamento independente, aqui temos algumas histórias paralelas travadas por outros protagonistas para explorar, mas essas estão mesmo apenas disponíveis como DLC. Talvez se um dia os apanhar ao desbarato os compre, pois fiquei bem curioso com isso. Por outro lado também, este jogo foi sucedido pelo Wolfenstein: The Youngblood que já é uma experiência completamente diferente (com muito foco no co-op) e já não foi tão bem recebida. A ver então como vão dar continuidade à série no futuro!

Family Circuit (Nintendo Entertainment System)

Tempo de voltar às rapidinhas, agora para um dos vários jogos de desporto que a Namco desenvolveu exclusivamente com a Famicom em vista, daí o termo Family nos seus nomes. E tal como o nome indica, este é um simples jogo de corridas (Formula 1), que por sua vez foi lançado em 1988 e usa uma perspectiva vista de cima, tal como foi posteriormente utilizada pela série F1 Circus. Este meu exemplar foi comprado na loja Mr. Zombie por 6€ no passado mês de Janeiro.

Jogo com caixa de plástico, manual, papeis e uns autocolantes. Alguns já foram colados no cartucho

E apesar de este ser um jogo simples na sua jogabilidade, ainda vai tendo bastante texto em japonês, particularmente pelas customizações que podem ser feitas ao nosso carro. Felizmente existe um patch de tradução feito por fãs que acabei por usar. E logo no ecrã título podemos ver vários modos de jogo disponíveis: temos o practice cujo nome é explanatório, bem como o sprint, endurance e watch, sendo que neste último poderemos ver o CPU a correr por nós, o que poderá ser útil para conhecer melhor cada circuito. A primeira opção são os settings onde poderemos escolher e customizar o carro que queremos utilizar. O modo sprint é o que mais se assemelha às corridas reais pois antes de cada corrida propriamente dita temos também as fases de treino e qualificação. Já o modo endurance é, como o nome indica, uma prova de resistência onde o objectivo é sermos o primeiro a alcançar uma certa distância percorrida.

Um toque nestes separadores e estamos fora da corrida. O problema é que nas curvas temos sempre pelo menos um destes quadradinhos maldorsamente colocado lá

No que diz respeito aos controlos estes são simples na sua essência, com o direccional a servir para controlar o carro e os botões faciais para acelerar/travar. No entanto, a jogabilidade não é a melhor e o jogo teria ainda muita margem para progredir. Felizmente não achei a direcção tão sensível quanto a do primeiro F1 Circus, mas são as outras pequenas coisas que estragam um pouco a pintura. Por exemplo, a detecção de colisão é estranha: por um lado podemos tocar noutros carros sem problema, até lhes podemos passar por cima, mas caso embatamos contra algum obstáculo na pista somos imediatamente retirados da corrida. E isto obriga-nos então a practicar antecipadamente cada circuito e nos familiarizar com a sua estrutura e obstáculos. O resto são mesmo pequenas coisas de conveniência. Por exemplo, nunca sabemos a velocidade ou a nossa posição durante a corrida, a menos que estejemos a cruzar a meta. Nessa altura temos uma espécie de ecrã que nos dá a informação da nossa posição, tempos, quantas voltas faltam para terminar a corrida ou a indicação para visitar as boxes por algum motivo, algo que já só conseguiremos fazer na volta seguinte.

O ecrã negro é o que nos informa da necessidade de ir às boxes, bem como a nossa posição na corrida e as voltas restantes

A nível audiovisual é também um jogo muito simples. Os circuitos possuem um grafismo extremamente simples, desde o detalhe das pistas até à bancada da tribuna que é simplesmente um quadrado cinzento repleto de luzes a piscar. Os efeitos sonoros são igualmente simples e as músicas, ou diria, a música, também não é nada do outro mundo.

Portanto estamos aqui perante um jogo de corridas muito simples, apesar de até ter alguns toques de simulação, com a possibilidade de customizarmos o carro assim como a obrigatoriedade de por vezes irmos às boxes. No entanto a sua jogabilidade deixa muito a desejar, principalmente por ao mínimo toque nalgum objecto do circuito nos colocar automaticamente de fora da corrida. A Namco ainda voltou a pegar nesta série com uma sequela para a NES e uma outra para a Super Nintendo. A da NES ainda planeio visitar em breve.