Resident Evil 5 Gold Edition (Sony Playstation 3)

Resident Evil 5 Gold EditionResident Evil 4, lançado originalmente para a Nintendo Gamecube, foi um jogo que mudou por completo o paradigma da série, onde longe ficaram os tank controls, a câmara com âgulos fixos, a Umbrella e os seus zombies lentos e burros. O que acabou por dar lugar ao parasita das Las Plagas, resultando em inimigos mais rápidos e inteligentes, e o jogo no geral com um foco bem maior na acção do que propriamente o survival horror caraterístico dos primeiros jogos. A sua perspectiva “over the shoulder” acabou por influenciar muitos outros shooters na terceira pessoa que lhe seguiram, e não foi nenhuma surpresa quando a Capcom anunciou que o Resident Evil 5 seguiria essa mesma mecânica. Mas mais detalhes lá para a frente. A minha cópia do jogo foi comprada algures durante este ano, na Mediamarkt de Alfragide, tendo-me custado algo à volta dos 19€.

Resident Evil 5 Gold Edition - Sony Playstation 3
Jogo completo com caixa, manual e papelada

O jogo decorre em 2009, 5 anos após os acontecimentos de Resident Evil 4, onde controlamos mais uma vez Chris Redfield, agora agente das BSAA (uma organização não governamental contra armas biológicas). Chris é então enviado para uma localidade remota em África, onde se suspeitava que Ricardo Irving, comerciante ilegal de armas biológicas, iria estar por detrás de um negócio obscuro envolvendo novas armas biológicas. À espera de Chris estava a jovem Sheva Alomar também das BSAA, e uma multidão de Majinis (humanos infectados com uma variante do Las Plagas) e muitos outros bichinhos fofinhos para nos entretermos. Juntando a isso novas informações sobre o paradeiro de Spencer, fundador da Umbrella, o desaparecimento de Jill Valentine e as maquinações de um certo senhor Albert Wesker, estão reunidos todos os ingredientes para mais uma aventura Resident Evil.

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Ao terminar o jogo e concluir muito do conteúdo extra, podemos desbloquear uma série de novos uniformes para as personagens

A nível das mecânicas de jogo, a grande novidade é mesmo na cooperação entre Chris e Sheva. Apesar de em Resident Evil Zero já existir uma cooperação entre 2 personagens, aqui as coisas são bem mais dinâmicas até porque no modo single-player acabaremos invariavelmente por controlar apenas Chris Redfield. Excepto se terminarmos o jogo e decidirmos arrancar no New Game Plus, aí poderemos controlar Sheva. É possível jogar-se cooperativamente com um amigo, seja online ou localmente através de splitscreen, coisa que não recomendo pois perde-se muito detalhe. É notório que houve um grande foco da Capcom em tornar o jogo cooperativo, pois a IA de Sheva, para quem quiser jogar sozinho como eu, deixa muito a desejar. Em primeiro lugar porque Sheva teima em colocar-se à nossa frente quando tentamos mirar para obter o melhor disparo possível, em segundo porque Sheva é bastante perdulária no que diz respeito a munições. Para além de as desperdiçar em disparos para o tronco, quando eu tento sempre dar uns headshotzinhos, não consegue decidir qual a melhor arma a utilizar para cada situação. Basicamente se Sheva tiver um revólver, vai desperdiçar todas as balas do revólver numa multidão de Majinis, antes de passar para outras armas mais eficientes que tiver em sua posse. Tenho outras queixas, mas estas são para mim as que mais me irritaram.

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A sniper rifle dá sempre jeito

Outra coisa que mudou face ao Resident Evil 4 foi o sistema de inventário. Enquanto que no RE4 teríamos um inventário de tamanho fixo, em que cada item tinha um tamanho diferente e tinhamos de o gerir cuidadosamente, aqui cada personagem possui um inventário com 9 posições, não havendo diferença se guardamos lá um revólver, ou um lança granadas. Podemos trocar de items com Sheva a qualquer altura, e entre cada capítulo de jogo podemos também aceder a um inventário fixo maior, onde podemos guardar outros items para uso futuro. Para além do mais podemos comprar novas armas e fazer upgrades às mesmas, tal como no RE4, mas sem o vendedor misterioso. O detalhe que provoca uma maior tensão nos combates é que temos de aceder ao inventário em tempo real, sem pausar a acção. Para facilitar as coisas, podemos assignar alguns items chave em 4 posições distintas do inventário, representando a cruz dos botões direccionais digitais. Assim basta carregar num desses botões para rapidamente equipar uma arma, um healing item ou outra coisa qualquer. Convém também referir que quando um dos parceiros “morre”, na verdade vai estando indefeso no estado “dying” até que a sua vida se esgote, terá de ser o sobrevivente a “ressuscitá-lo”, seja com umas herbs, ou um first aid kit. Se não tivermos nenhum healing item em nossa posse, então podemos injectar uma dose de adrenalina que regenera a vida para um valor mínimo. Existe um stock ilimitado destas doses de adrenalina, mas cada vez vão regenerando menos vida, até que utilizemos um healing item. Basta uma das personagens morrer, que é gameover, obrigando-nos a voltar ao último checkpoint guardado. Pelo meio, podemos reorganizar o inventário e comprar healing items ou outros, antes de voltar à acção.

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Antes de cada nível e sempre que morremos, podemos aceder ao inventário, reorganizar tudo e comprar/vender coisas

O jogo está dividido em 6 capítulos passados em localizações distintas, sendo que cada capítulo está subdividio em 2 ou 3 níveis, onde na sua maioria são terminados com uma luta contra um boss, ou uma manada de Majinis na nossa direcção. E é nestas lutas contra bosses que sinceramente até achei que a IA de Sheva até se porta bem. Especialmente quando é necessário operar turrets ou outras armas específicas, Sheva parece portar-se melhor a ter o papel principal, do que a servir de engodo, aí só atrapalha mesmo. Mas para além do jogo principal, Resident Evil 5 e em particular esta versão Gold, possuem imensos extras. A primeira é o regresso do minijogo Mercenaries, onde basicamente temos de ir do ponto A ao ponto B num determinado intervalo de tempo, matando o máximo de inimigos possível, de forma a obter o máximo de pontos para desbloquear o nível seguinte. Existem também diversos extras a serem desbloqueados, desde ficheiros onde podemos ler um pouco mais do background de diversas personagens, coleccionar figurinhas de “plástico” tipo os troféus de Super Smash Bros, novos uniformes, armas com munição infinita, entre outros.

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Existem várias cenas de perseguição, algumas até na água.

A versão Gold deste jogo trouxe ainda mais conteúdo bónus para os fãs, desde novos níveis e personagens para o Mercenaries, um modo multiplayer competitivo chamado Versus, que eu sinceramente nem perdi tempo a olhar para ele, e o que mais me interessou, os 2 DLCs singleplayer. À semelhança de “Separate Ways” do Resident Evil 4, “Lost in Nightmares” e “Desperate Escape” contam pequenas histórias relacionadas com a aventura principal, não sendo longas como uma expansão, nem tão fulcrais que devessem fazer parte do jogo original. DLC done right, algo que a Capcom nem sempre consegue fazer. Lost in Nightmares coloca a velha dupla Chris e Jill Valentine a inflitrarem-se numa das mansões de Spencer, acabando num confronto que leva a acontecimentos relevantes ao jogo principal, numa viagem bastante nostálgica. Isto porque foram buscar vários elementos ao primeiro jogo, para além de começar a aventura numa mansão bastante familiar, detalhes como a abertura de portas, ou mesmo a possibilidade escondida de se jogar com os tank controls e os ângulos de câmara fixos, são certamente coisas feitas para agradar os fãs da velha guarda. O outro capítulo adicional – Desperate Escape – coloca-nos ao controlo de Jill e Josh, após certos acontecimentos no jogo principal. E ao contrário de Lost in Nightmares em que apenas tinhamos um tipo de inimigo, uma espécie de Mr. X ou Nemesis, aqui temos vários tipos de Majinis que nos vão tentar impedir a todo o custo de escapar, culminando numa batalha em que teremos de enfrentar várias waves de inimigos.

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Após terminar o jogo pela primeira vez, podemos também jogar com Sheva na vertente single player.

Graficamente era um jogo bonito para os padrões de 2009 e para uma Playstation 3. Os cenários vão sendo bastante variados e detalhados quanto baste, atravessando pequenas cidades africanas, pântanos, ruínas subterrâneas, até chegar a localizações mais industriais e até futuristas, como é normal quando a Umbr… Tricell está envolvida. O facto de ser um jogo passado em África e naturalmente possuir muitos majinis de etnia negra causou muita polémica acusando o jogo de ser racista. Bom, eu acho que essas pessoas deviam era ir todas pastar. Para além de também existirem Majini’s brancos (e os vilões principais serem igualmente brancos), acho uma grande perda de tempo terem lançado essas acusações bacocas. Eu sinceramente até gostei bastante da mudança de ares que resolveram dar na série.

O jogo está também repleto de cutscenes, algumas delas com os infames quick-time events, mas podia ser pior. Mas o que realmente gostei foi do detalhe investido nos Majinis e restantes criaturas grotescas. Algumas das até regressaram, nomeadamente os lickers introduzidos no Resident Evil 2, e aqui tornaram-se ossos algo duros de roer, quando atacam aos grupos. Os bosses por vezes são também colossais, levando-nos a batalhas cheias de eye candy. Os efeitos sonoros e respectivo voice acting são bastante competentes, não tenho qualquer razão de queixa dos mesmos, já a música tal como em jogos anteriores apenas entra a todo o gás em momentos do jogo mais frenéticos, sendo silenciosa ou ambiental em situações calmas.

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Um dos segmentos do jogo que mais me irritou, raisparta os crocodilos que surgiam do nada

Assim sendo, acho Resident Evil 5 um bom jogo de acção, porém a IA de Sheva está muito mal aproveitada, sendo mesmo recomendado jogar-se com um amigo, via online. É certo que se o colega for um bom jogador a dificuldade do jogo reduz-se bastante, mas pelo menos as suas falhas de jogabilidade são um pouco colmatadas. Certamente não teve para mim o mesmo impacto causado por Resident Evil 4, mas não posso dizer que tenha desgostado de todo. Até porque preferia de longe a Ashley indefesa do que esta Shevah metediça e trapalhona. No entanto, para quem for um grande fã de Resident Evil, então este pacote Gold é essencial, por todo o conteúdo bónus que traz.

Post Mortem (PC)

Ultimamente tenho dado uma maior atenção ao género de aventura point and click, portanto esperem por ler uns quantos artigos deste género de seguida. Post Mortem é um jogo de aventura point and click ao estilo de um Riven, desenvolvido pelos franceses da Microids, o mesmo estúdio que nos trouxe jogos como a série Vampire ou Syberia. Este jogo, tal como as suas sequelas Still  Life 1 e 2 chegaram-me à colecção steam através de um bundle que sinceramente já não me recordo, mas não terá sido nada caro.

PostmortemboxPost Mortem decorre na cidade de Paris, algures durante os anos 20, onde tomamos o papel de Gustave MacPherson, um artista americano e detective privado de ocasião, quando alguma proposta interessante surge. O jogo abre logo sem nenhuns pudores, com uma cutscene que mostra um casal prestes a practicar “o amor” a ser surpreendido por um bandido mascarado que os decapita, senta os cadáveres e coloca as suas cabeças no colo de cada um, com uma moeda de ouro na sua língua. Depois somos então abordados por Sophia Blake, suposta irmã de uma das vítimas, uma bonita e misteriosa mulher que contrata Gustave para investigar a morte desse casal e recuperar um artefacto roubado. Logo por este início arrebatador deixou-me umas óptimas primeiras impressões, com um jogo em que, apesar de existirem alguns momentos humorísticos, a história e toda envolvência “noir” era muito mais adulta e séria. A história vai-se desenvolvendo com várias conspirações e as personangens que vamos encontrando nunca são 100% fiáveis, escondendo sempre os seus verdadeiros motivos. Infelizmente a história vai cair no cliché dos cavaleiros templários e o sobrenatural, mas não deixa de ser interessante. Influências de Broken Sword e Gabriel Knight certamente.

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A cena do crime

Tal como referi no artigo do Scratches, a jogabilidade é muito semelhante à de um Riven ou Myst, onde podemos apreciar os cenários numa perspectiva de primeira pessoa, olhando a 360º, porém os cenários são estáticos e o movimento é dado por cliques. Mas ao contrário do Scratches, aqui há um importante trabalho de detective para desempenhar, pelo que há um grande foco nos interrogatórios que devemos fazer a todos os NPCs, de forma a obter mais informação para avançar no jogo. Mas sim, como os restantes jogos de aventura existem vários puzzles para resolver e itens para apanhar. Os puzzles é que tanto podem ir do relativamente simples, a coisas bem mais complexas, pelo que a atenção a todos os pequenos detalhes é mesmo necessária. Abriruma fechadura com uns lockpicks foi para mim uma tarefa hercúlea. Desenhar um retrato do criminoso também era necessário estar atento às descrições que iamos ouvindo, brincar com o kit de alquimia também não era pêra doce, e por aí fora.

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Um dos últimos puzzles do jogo, certamente dos mais difíceis

Uma outra coisa que achei muito interessante neste jogo foi a sua não linearidade. À medida em que vamos “descobrindo” outros locais para visitar, seja pelas conversas que temos ou pelos documentos que surripiamos, esses locais vão estar disponíveis para visita num mapa. No entanto o jogo não obriga a que façamos as coisas de uma certa ordem. Existem 4 finais, um péssimo e os outros vão melhorando gradualmente, mas embora a história seja essencialmente a mesma, existem várias maneiras de chegarmos a um determinado ponto da história, e podemos investigar primeiro um verso da moeda em vez do outro.

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O que não gostei foi da maneira como acedemos ao inventário, clicando com o botão direito do rato. Para ir ao menu principal temos depois de seleccionar um item para isso.

Graficamente é um jogo interessante, tendo em conta que saiu no ano de 2002. Apresenta gráficos bonitos para os cenários, embora usem uma baixa resolução de 800*600. É uma resolução fixa, não dá para alterar, no máximo podemos editar um ficheiro de configuração para colocar o jogo a correr numa janela. Mas ao contrário de Scratches mais uma vez, para além dos cenários estáticos temos também alguns modelos poligonais das personagens com quem falamos. Essas personagens estão também bem detalhadas para a altura. Para além do mais existem várias cutscenes em CG ao longo do jogo, seja nalguns momentos chave da história, ou quando entramos pela primeira vez num determinado local. Convém também referir o aspecto visual da arte em si, pois parece-me que conseguiram representar fielmente uma versão “noir” de Paris nos anos 20. A música é também excelente, captando muito bem as diferentes atmosferas do jogo, sendo sinistra ou tensa quando necessário e agradável em locais também agradáveis, como o café Alambic, por exemplo. Já o voice acting deixa-me reacções mistas, em algumas personagens até que está bem conseguido, noutras já não acho tanto. Mas gostei da maneira como a narrativa foi levada, nota-se perfeitamente que o público alvo deste jogo já era mais maduro que muitos outros jogos de aventura mais “ligeiros”. Existem na mesma algumas situações ou personagens bem humoradas (o polícia é o maior exemplo disso), mas a abordagem à sexualidade, aos crimes hediondos, a falsidade de quase todas as personagens, ao underground parisiense e das sociedades secretas, dão mesmo esse toque “negro” ao jogo que eu apreciei.

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Este senhor passava bem por um GNR da velha guarda. Logo vão perceber porquê.

Post Mortem foi depois sucedido pelos Still Life 1 e 2, que também fazem parte da minha colecção Steam. Esses jogos centram-se nas aventuras de uma descendente de Gustave MacPherson, também a tomar o papel de detective em casos estranhos, pelo que certamente irei jogá-los muito em breve. Post Mortem é assim um bom jogo de aventura para quem gosta do género e procura uma história um pouco mais negra e séria que o habitual. O jogo tem um início muito bom, perde um pouco o fôlego na segunda metade, mas não deixa de ser uma boa aposta.

Castlevania Dracula X Chronicles (Sony Playstation Portable)

Castlevania é uma das séries mais famosas dos videojogos, com o confronto entre os Belmont e Dracula a atravessar vários séculos de história. Antes do reboot que a série sofreu com o Lords of Shadow, um dos lançamentos mais interessantes foi este Dracula X Chronicles, um remake do conhecido jogo de PC-Engine (Rondo of Blood) e SNES (Dracula X), repleto também de conteúdo bónus para os fãs, incluindo uma conversão da versão original de PC-Engine do Rondo of Blood e do clássico absoluto Symphony of the Night. Este artigo irá incidir-se apenas no remake do Dracula X, e um pouco no jogo original. Para o Symphony of the Night (que por acaso esta versão também herda algum do conteúdo outrora exclusivo da conversão Sega Saturn), falarei assim que tiver o jogo original na colecção, pois merece sem dúvida um artigo próprio. Este jogo entrou na colecção durante o ano passado, tendo sido comprado numa Worten por 9.90€. É a versão Essentials, é certo, mas entre dar 10€ por esta versão e um balúrdio pela black label preferi optar por esta. Update: acabei por trocar o essentials por uma versão black label encontrada por 5€ na cash converters de Benfica. Mas ainda reaproveitei o manual.

Jogo com caixa, papelada e manual

A inclusão do Symphony of the Night como bónus deste jogo não é inocente, pois é uma sequela directa deste Rondo of Blood que coloca Richter Belmont no caminho de Dracula. À boa maneira do Super Mario Bros, Shaft, um feiticeiro ao serviço de Dracula raptou Anette, a amada de Richter e planeia usá-la num ritual qualquer. Se o regresso do Dracula não fosse razão suficiente para um Belmont que se preze agarrar no seu chicote vampire killer e fazer-se à estrada, com o rapto de Anette as coisas ainda se tornam piores. Por meio do caminho podemos libertar a pequena Maria Renard, irmã de Anette, que insiste em ajudar Richter e passa a ser personagem jogável. Para além de Maria, podemos também libertar mais algumas personagens que nos recompensam com diferentes habilidades que podem ser utilizadas para alcançar algumas localizações antes inacessíveis e desbloquear segredos. Apesar de no Castlevania 3 para a NES já ter havido alguma não-linearidade, aqui as coisas são levadas a um outro patamar, existindo imensas passagens secretas para descobrir, caminhos alternativos a tomar e diferentes finais que poderemos obter. Para obter o melhor final é mesmo necessário descobrir muitas destas passagens secretas, pois temos mesmo de resgatar Maria e restantes raparigas antes de enfrentar Dracula. É certo que a não linearidade foi explorada muito melhor em Symphony of the Night e nos Metroidvanias que lhe seguiram, mas nota-se bem os primeiros passos aqui dados.

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Maria é uma personagem que podemos e devemos desbloquear

De resto, a jogabilidade é idêntica aos Castlevania da velha guarda, com Belmont a poder utilizar o chicote apenas numa direcção, os saltos sem nenhum controlo extra, e para além do chicote podemos também utilizar uma de diversas armas secundárias que por sua vez podemos encontrar no castelo, ao destruir as velas espalhadas pelos níveis. Cada uma dessas armas secundárias tem diferentes utilidades, por exemplo as facas são disparadas na horizontal, os machados em arco, há uma cruz que tem um efeito boomerangue, entre outros. Assim sendo, devemos escolher a arma secundária sempre tendo em conta os inimigos e os bosses que enfrentamos. Claro que as “munições” para estas armas são sempre os coraçõezinhos que encontramos ao destruir as velas também. Já Maria tem uma jogabilidade um pouco diferente de Richter. Os seus estranhos poderes permitem-na invocar animais, pelo que os ataques normais dela consistem em pombas lançadas na horizontal com um alcance limitado. Sim, pombas. As “armas” secundárias são então outros animais que, tal como as armas utilizadas por Belmont têm padrões diferentes e devem ser utilizadas com alguma estratégia.

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Antes de cada boss vemos uma pequena cutscene

Mas é no aspecto gráfico que se notam as maiores diferenças entre este Dracula X Chronicles e o original. Influenciados talvez pelo Ultimate Ghouls ‘n Goblins lançado pela Capcom também para a PSP, o jogo embora mantenha a sua jogabilidade de um sidescroller 2D, possui as personagens e todos os cenários inteiramente modulados a três dimensões. E bom, enquanto a maior parte da crítica aplaudiu esta mudança, eu preferia de longe que o jogo continuasse inteiramente 2D. A PSP embora tenha capacidades de gráficos tridimensionais largamente superior à concorrente da Nintendo, os mesmos não chegam sequer ao nível dos da PS2 e, com os belos artworks que os Castlevania 2D foram recebendo nos últimos anos, para mim seria uma aposta muito melhor. Ao ver os belos gráficos 2D que a PSP consegue reproduzir, acho que o jogo ficaria bem mais bonito mas, até compreendo que a PSP precisasse de se sobrepor à Nintendo DS mostrando as suas mais valias técnicas. As músicas, bom essas não tenho mesmo nenhuma razão de queixa, pois são excelentes e completamente memoráveis. O voice acting é que é lamentável, mas ainda assim me parece ser um piscar de olhos aos fãs do que propriamente um “mau serviço propositado”. Isto porque a qualidade dos diálogos para além de ser questionável, a sua interpretação e também gravação deixam muito a desejar. No entanto isto remete-nos logo para os diálogos de Symphony of the Night, e os de muitos outros jogos da era 32bit ou ainda mais antigos, para outras consolas com suporte a CD. É mau, mas mau num sentido nostálgico.

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Sou o único que detestou este gajo?

Voltando então muito brevemente ao conteúdo bónus deste remake, nos locais secretos podemos encontrar músicas que posteriormente podemos utilizá-las no Sound Assign, onde escolhemos a música que quisermos ouvir num determinado nível. Também escondidos estão os outros 2 jogos. O original Castlevania Rondo of Blood da PC-Engine, que mantém todo visual retro do jogo e o clássico Symphony of the Night. Este último é baseado obviamente na verão PS1, embora com algumas ligeiras diferenças e incorporando também algumas coisas exclusivas da versão Sega Saturn do mesmo jogo, nomeadamente a Maria como personagem jogável. Infelizmente os níveis extra da versão Saturn não foram aproveitados. Mas como essa conversão foi também alvo de críticas por parte da equipa criadora original do Symphony of the Night, era de esperar que essas “novidades” fossem ignoradas. Felizmente não foram todas.

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Podemos jogar o Rondo of Blood para a PC-Engine em inglês pela primeira vez,

Concluindo, Castlevania Dracula X Chronicles é um óptimo lançamento para a primeira portátil da Sony. A versão do Dracula X que saiu para a Super Nintendo é muito diferente, tanto a nível da história, como de estrutura dos níveis (mais simplificada), que o original da PC-Engine e sendo assim, este jogo é uma óptima maneira de dar a conhecer aos fãs ocidentais de Castlevania o excelente jogo da PC-Engine. Tanto através deste remake com gráficos 3D, como da inclusão do jogo original, para quem prefere coisas mais retro. E a inclusão do Symphony of the Night, um jogo que por si só já é bastante caro no mercado do coleccionismo, torna este pacote numa excelente solução low cost para quem quiser jogar o Castlevania que revolucionou completamente a franchise.

eXceed 2nd Vampire REX (PC)

Tempo agora para mais uma “Rapidinha”, desta vez ao shooter “bullet hell” eXceed 2nd Vampire REX, uma sequela ao Exceed Gun Bullet Children já aqui analisado. Tal como o primeiro jogo, este é daqueles que apenas os masoquistas, ou fãs hardcore do género vão apreciar, pois a dificuldade do jogo é muito elevada. Também tal como o jogo anterior, este também me chegou à colecção do steam algures durante este ano, num bundle qualquer. Certamente terá ficado muito barato.

eXceed 2nd Vampire REXA história é a mesma salganhada que mistura vampiros e humanos membros da igreja num eterno conflito. Após os acontecimentos do primeiro jogo, os vampiros e humanos arranjaram forma de co-existir pacificamente, mas foi sol de pouca dura, pois a Igreja lá do sítio decidiu utilizar as suas crianças elite Gun Bullet Children para dizimar todos os vampiros. Então este jogo torna o tabuleiro ao contrário, onde jogamos com a menina Ria File, metade vampira e humana, enfrentando as Gun Bullet Children do jogo anterior e outras.

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A história vai sendo contada em diálogos deste género, no início de cada nível e entre o combate de cada boss.

A jogabilidade vai buscar muita coisa ao Ikaruga, nomeadamente a polaridade dos projécteis. Assim sendo, mediante a polaridade que escolhemos, somos invulneráveis aos projécteis da mesma cor e vulneráveis aos contrários. Por outro lado, se atacarmos os inimigos com a polaridade inversa, também daremos mais dano. Para além do mais, existem 2 outras mecânicas de jogo a ter em conta: uma é o nível de dificuldade que vai aumentando consoante a nossa performance e diminuindo se formos atingidos. Ver alguém a jogar este jogo completo no nível máximo é uma autêntica proeza de memorização de padrões e reflexos rápidos. Outra é a barra de energia que se vai enchendo mediante os projécteis que conseguimos absorver. Quando enche, podemos desencadear um ataque especial bastante poderoso.

Graficamente quase nada mudou face ao jogo anterior, os backgrounds continuam muito simplistas e alguns até são iguais aos de Gun Bullet Children. A melhoria está mesmo nos efeitos gráficos dos projécteis e ataques especiais que estão bem mais coloridos e “flashy“. O artwork é algo que apenas agradará aos amantes de anime mais “lolita”, pois todos os protagonistas são crianças com as suas vozes irritantes. Eu gosto de anime, mas algo “à homem”. Por outro lado as músicas estão muito boas, algumas electrónicas com um pacing muito rápido, outras mais neoclássicas.

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Boa sorte.

No fim de contas este parece-me ser um excelente desafio para quem gosta de shooters bullet-hell, já eu não tenho jeito nenhum para isso. Para os restantes, não é um jogo que aconselhe de todo. Eu já não sou o maior fã de shooters de “navinha”, bullet hell muito menos.

Star Wing (Super Nintendo)

Star Wing - SNESStar Fox, que por alguma razão ter-se-á chamado Star Wing nos territórios PAL, é o primeiro jogo da Super Nintendo a aproveitar o chip Super FX, um dos muitos chips adicionais utilizados pela Nintendo e outras empresas nos seus jogos de SNES, conferindo-lhes diversos efeitos gráficos ou cálculos matemáticos adicionais que de outra forma não seriam possíveis de alcançar com o hardware normal. O Super FX ficou conhecido por atribuir à SNES a capacidade de correr jogos repletos de modelos 3D poligonais, onde o Star Fox foi o primeiro jogo a utilizar este chip. Naturalmente foi um jogo muito badalado por esta “nova tecnologia”, e assim nasceu mais uma franchise clássica da Nintendo. O jogo chegou-me à colecção por intermédio de um bundle Super Nintendo que adquiri recentemente a um colega de trabalho a um muito bom preço. Está completo com caixa e manuais e em estado razoável.

Star Wing - Super Nintendo
Jogo completo com caixa, manuais a cores e papelada.

O jogo coloca-nos na pele da raposa Fox McCloud, líder do grupo de mercenários Star Fox, composto também pelo sapo Slippy Toad, o coelho Peppy Hare e o falcão Falco Lombardi. No início dos anos 90 deveria haver uma moda qualquer com cientistas malucos a tomarem o papel de vilões nos videojogos e Star Fox não fugiu a essa regra. Aqui o energúmero é o Dr. Andross, banido do pacífico planeta Corneria e após se refugiar no planeta Venom, lançou um exército que atravessa o sistema solar Lylat para atacar a civilização de Corneria. General Pepper incumbe então a Fox McCloud e sua equipa que usem as suas Arwings, naves com tecnologia de ponta para derrotar Andross, desde Corneria até ao seu reduto em Venom.

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Antes de cada nível, o sargento Pepper faz-nos sempre um briefing do que iremos enfrentar

O jogo assume-se como um shooter on rails, onde guiamos a nossa Arwing ao longo de um percurso pré-estabelecido, atravessando cidades, os confins do espaço, cinturas de asteróides, o interior de estações espaciais, entre outros locais. Este jogo aborda a questão dos níveis de dificuldade de uma maneira diferente. Após concluirmos o primeiro nível do jogo no planeta Corneria, podemos escolher jogar um de 3 caminhos diferentes até chegar ao planeta Venom. Cada um destes caminhos significa um grau de dificuldade diferente, porém obviamente com níveis também diferentes. Isto aumenta sem dúvida o factor de replay do jogo, pois se quisermos ver tudo o que o jogo tem para nos oferecer, teremos de o jogar nos 3 níveis de dificuldade. Para além do mais, existem ainda 2 níveis secretos a descobrir.

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No final de cada nivel a nossa pontuação é dada pela percentagem de inimigos destruídos e os níveis de escudos restantes

Apesar de o jogo decorrer on rails, existe um certo grau de liberdade na nossa movimentação, podemos acelerar ou travar, ou mesmo executar o mítico “do a barrel roll!“, que consiste em colocar a nossa Arwing a rodopiar para se desviar mais rapidamente de fogo inimigo ou algum obstáculo, para além de podermos também alternar entre diferentes perspectivas da câmara. McCloud e os seus companheiros possuem um escudo, pelo que ao contrário de muitos outros shooters da época, não basta um hit para perder uma vida. Mas no entanto, se chocarmos repetidamente contra obstáculos é possível que a nossa Arwing perca uma ou ambas asas, o que nos irá dificultar os movimentos depois. O escudo dos nossos companheiros é também importante porque eles voam atrás de nós, supostamente a dar apoio. Em alguns momentos pré-definidos eles passam para a frente do ecrã, a perseguir ou serem perseguidos por um inimigo, pedindo a nossa ajuda. Se não os ajudarmos, os seus escudos vão baixando e caso a nave de algum deles seja destruída, deixa de aparecer no restante jogo. Para além dos lasers normais, podemos também utilizar umas bombas que dão um enorme dano, sendo essas bem úteis nos vários bosses que defrontamos. Esses bosses existem no final de cada nível, e são na sua maioria grandes objectos poligonais, com diversos ataques e com algumas fraquezas que são a chave da sua derrota.

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Alguns backgrounds são simples, mas bastante funcionais.

Graficamente nos dias de hoje o jogo envelheceu muito mal, tal como practicamente todos os jogos com 3D poligonal arcaico. Mas em 1993, e numa Super Nintendo, o resultado foi bastante revolucionário e, apesar de já existirem alguns jogos poligonais em consolas, sem requererem hardware adicional (Hard Drivin’ é um exemplo), a sua qualidade estava muito aquém deste Star Fox. Apesar de os gráficos serem essencialmente blocos sem texturas, o jogo apresenta vários diferentes visuais, tal como já referi atrás. Atravessar a pista de obstáculos no interior da estação espacial, onde temos de abrir portas disparando-lhes e desviar de obstáculos a alta velocidade, é um dos melhores momentos do jogo. E tendo em conta que podemos alternar a câmara do jogo para primeira pessoa também, ainda melhor. As músicas são o clássico da Nintendo, sempre com melodias memoráveis, muitas delas ainda utilizadas nos Star Fox recentes, ou noutros jogos que de vez em quando lá piscam o olho à série, como os Super Smash Bros., por exemplo. A faixa que se ouve enquanto percorremos as cidades de Corneria é um dos hinos da Nintendo aos videojogos.

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Os bosses tendem sempre a serem gigantescos, e com diferentes estratégias para os derrotar

Concluindo, Star Wing/Fox é um jogo que chamou muito a sua atenção pelos gráficos poligonais, cortesia do chip Super FX, desenvolvido pela Argonaut. Apesar de estar muito ultrapassado graficamente nos dias de hoje, a sua jogabilidade continua intemporal, tendo marcado uma nova geração de shooters em 3D, que até à altura, desconheço se havia algo semelhante em arcades ou outros sistemas. No entanto, como não sou o maior fã do mundo de jogos deste género, continuarei a escolher o Starfox Adventures como o meu jogo preferido da série. Haters gonna hate.