X-Men: Children of the Atom (Sega Saturn)

Nos anos 90, e após o lançamento de Street Fighter II que revolucionou todo o panorama dos videojogos nas arcades, mas também em casa, a Capcom não se cansou de lançar updates e sequelas de Street Fighter, bem como novas séries de jogos de luta como foi o caso de Darkstalkers. X-Men Children of the Atom é também um jogo muito importante na medida em que não só conseguiram assegurar o licenciamento para um videojogo de luta de uma das franchises mais populares da Marvel, como o sucesso do jogo serviu para abrir portas a mais videojogos de luta da Marvel e imensos crossovers que lhe seguiram. A Sega Saturn foi uma das contempladas com uma versão caseira deste jogo, sendo que a minha cópia foi comprada algures em Setembro deste ano, na loja Mr. Zombie, por 22€.

Jogo com caixa e manual

Neste jogo podemos optar por jogar com 6 dos X-Men, como Cyclops, Psylocke, Wolverine ou Storm, bem como 4 vilões, como o caso de Silver Samurai, uma Sentinela ou a Spiral. Tanto um grupo como o outro acaba por defrontar o Juggernaut e Magneto nos dois últimos combates, tantando travar mais um dos seus planos. Akuma, do universo de Street Fighter é uma personagem secreta que pode ser desbloqueável.

O casting de personagens é ainda reduzido

Tal como Super Street Fighter II ou Darkstalkers, este Children of the Atom é um jogo de luta mais frenético, com grande ênfase nos combos e golpes especiais, que podem ser desbloqueados à medida que vamos enchendo a barra dos specials, aqui apelidada de X-Power, onde cada personagem possui diferentes habilidades e poderes mutantes, como os raios vermelhos de Cyclops, a habilidade de voar da Storm, ou mesmo a possibilidade de auto regeneração do Wolverine. As arenas em si são agora muito mais verticais, pois cada mutante salta bastante alto e algumas arenas possuem diferentes níveis inclusivamente. A nível de controlos as coisas são simples, com os 6 botões faciais do comando da Saturn a servirem para socos e/ou pontapés fracos, médios e fortes, os botões de cabeceira a servir para saltar a grandes alturas ou correr, e o d-pad a servir também para fazer throws ou defender dos golpes inimigos. Depois claro que cada personagem possui diferentes golpes especiais e combos que convém que aprendamos!

Personagens grandes, boas animações, cenários muito bem detalhados. A CPS2 era mesmo uma maravilha!

A nível de modos de jogo, para além do arcade temos como seria de esperar um versus para dois jogadores. Para além desses dois modos de jogo temos ainda um Survival, onde teremos de enfrentar uma série de oponentes de forma aleatória, até perdermos um combate e com a nossa vida a regenerar apenas um pouco entre combates. Temos também o Group Battle, mais uma vertente multiplayer que nos permite formar equipas e combater entre as mesmas.

A nível audiovisual é um jogo bastante competente. Os lutadores estão muito bem detalhados e animados, algo que se vai mantendo habitual nos fighters baseados no sistema CPS2 que lhe seguem. As arenas são grandes e muito bem detalhadas também, como a Danger Room que vai mudando a sua temática, uma fábrica de sentinelas, a nave espacial de Magneto, entre outros. É por estas razões que sempre gostei destes fighters 2D, pelos seus visuais excelentes e arenas bem detalhadas! As músicas são também bastante agradáveis, tendo geralmente uma toada mais rock que pessoalmente me agrada mais. De resto aparentemente esta versão Saturn corta uns quantos frames de animações devido à pouca memória disponível no sistema, algo que foi posteriormente corrigido noutros fighters que possuem expansões de memória. Sinceramente não me incomoda assim tanto, acho esta uma boa conversão também, sem dúvida melhor que a da Playstation que inclusivamente foi lançada mais tarde.

Confesso que não conhecia estes vilões, nem a Spiral!

Portanto estamos perante um óptimo fighter 2D, o primeiro que abriu as portas à Capcom para todas as sequelas e crossovers que foi lançando nos anos que lhe seguiram. A ver como ficou o Marvel Super Heroes em breve!

 

 

Hard Drivin’ (Sega Mega Drive)

Quando comecei a conhecer melhor o catálogo da Mega Drive através de emulação, algures no final dos anos 90, este Hard Drivin’ sempre foi daqueles que me deixava confuso, pois para além de não entender o conceito do jogo e a sua jogabilidade, também achava que tinha gráficos horríveis. Bom, hoje em dia sei que temos de olhar para este Hard Drivin com uns óculos de 1989, onde o jogo se apresentou nas arcades como um dos primeiros jogos de corridas inteiramente poligonais e, ao contrário de muitos racers no mercado, este apresentava-se como possuindo uma jogabilidade muito mais realista, mais próximo de um simulador. O meu exemplar foi comprado na loja Play ‘n Play algures no mês de Outubro, creio que por 12€.

Jogo com caixa e manual

Na verdade o conceito deste Hard Drivin’ é muito simples. Temos um único circuito por onde competir, que a certa altura se diverge entre a speed track, e stunt track, esta já repleta de obstáculos como saltos, curvas inclinadas ou mesmo um loop que temos de atravessar. Apesar de este ser um suposto simulador, pois as curvas não são fáceis de fazer se estivermos a acelerar como desalmados e facilmente podemos ter acidentes, não deixa também de ser um jogo arcade, na medida em que temos tempo limite para completar o circuito, cujo vai sendo incrementado à medida que vamos passando por checkpoints. Se conseguirmos manter uma boa performance, eventualmente somos desafiados para competir directamente contra um carro controlado pelo CPU.

Este vidro vai rachar mais vezes do que as que conseguem contar

Mas a jogabilidade não é a mais intuitiva, pois a aceleração e travagem não é são lá muito precisas baixo framerate do jogo também não ajuda. Por exemplo, na primeira vez que vão fazer o salto, se acelerarem demais, o carro destrói-se quando aterra, Para além disso, temos trânsito, carros a conduzir em sentido contrário que também nos causam dificuldades e caso colidirmos, ficamos com o carro destruído e o jogo coloca-nos de volta na pista, mas geralmente mais atrás, junto do último checkpoint que tenhamos atravessado, o que nos pode dificultar também a vida ao restar pouco tempo disponível. Por isso é importante que no início joguemos muito o modo Practice, precisamente para ter uma boa percepção da pista e de como atravessar os seus obstáculos. E mesmo quando estivermos mais habituados, há sempre o risco de colidir com um carro aleatório, nem sempre temos tempo de reagir oportunamente.

Se sairmos fora da pista, temos 10 segundos para regressar, caso contrário somos penalizados

Graficamente, bom, o original arcade era um jogo impressionante para a sua época visto ser um dos primeiros racers completamente poligonais, ainda que com muitos poucos polígonos em simultâneo no ecrã. É verdade que não envelheceu nada bem, mas em 1989 devia ser impressionante vê-lo nas arcades. A versão Mega Drive possui gráficos poligonais sem qualquer recurso a hardware adicional para isso, mas naturalmente que os gráficos são ainda mais modestos que o original e o framerate muito mais lento. Envelheceu ainda pior portanto, mas para a época, existem conversões muito piores. No som as coisas poderiam ser diferentes, mas infelizmente as músicas são practicamente inexistentes e as poucas que há não são propriamente vulneráveis. Os efeitos sonoros também deixam algo a desejar.

Um detalhe interessante são os instant replays que somos presenteados sempre que fazemos asneira

Portanto este Hard Drivin é um jogo que não envelheceu nada bem. Por um lado a jogabilidade não é grande coisa, mas quero acreditar que o original arcade fosse muito melhor nesse aspecto. Por outro, o seu grafismo em 3D poligonal primitivo, por muito impressionante que fosse em 1989, um bocadinho menos em 90/91 na Mega Drive,  também envelheceu bastante mal, pelo que este Hard Drivin’ hoje em dia acabe por ser mais uma curiosidade do que propriamente um jogo divertido.

Renegade (Sega Master System)

Renegade foi talvez o primeiro beat ‘em up em pseudo 3D, que nos permitia mover livremente pelo ecrã enquanto defrontamos várias ondas de bandidos. Acaba então por ser um importante percusor de Double Dragon (também desenvolvido originalmente pela Technos Japan), Final Fight e Streets of Rage. Esta versão Master System já foi lançada algo tardiamente na consola, 6 anos após o lançamento original, em 1993. Aparentemente a conversão ficou a cargo da Natsume, que por sua vez já tinha feito um bom trabalho com a versão Master System do Sagaia, pelo que fiquei entusiasmado com esta conversão. O meu exemplar foi comprado no mês passado de Outubro, onde comprei a meias com um amigo meu um lote considerável de jogos e consolas lá para os lados de Lisboa.

Jogo com caixa e manual

Em Renegade a história segue a mesma trama cliché de muitos outros videojogos: Um gang de bandidos raptou a nossa namorada e temos de a resgatar, distribuindo muita lenha pelo caminho. Na verdade, no lançamento original japonês a história (e todo o aspecto do jogo, desde as personagens e cenários que atravessamos) são algo diferentes, com o protagonista a ser um estudante da escola secundária e os gráficos possuem um design mais japonês e condizente dessa realidade. Este Renegade é então o primeiro jogo da série de Kunio-Kun, que nos trouxe vários beat ‘em ups como River City Ramson ou mesmo jogos desportivos como os Super Dodgeball, ou Nintendo World Cup. Muitos desses jogos ficaram-se apenas no Japão e os poucos que sairam no ocidente eram adulterados para um público mais ocidental.

Até me habituar minimamente aos controlos, vi muitas vezes este ecrã

A nível de jogabilidade sinceramente sempre achei que este jogo possui controlos demasiado estranhos. Quando estamos voltados para a esquerda, um botão dá socos em frente e o outro pontapés para trás. Se mudarmos de direcção e voltar para a direita, os botões mudam, com o primeiro agora a dar pontapés para trás e o outro socos em frente. Como se isto já não fosse confuso o suficiente, por muito que nos movimentemos pelo ecrã, Kunio faz “lock” ao inimigo mais próximo, mantendo-se voltado para ele independentemente da direcção em que nos desloquemos. Depois temos algumas combinações de botões para saltar, correr e afins. Bom, sinceramente isto para mim é desnecessariamente complicado. Se por um lado Renegade foi um pioneiro do género, tanto nas arcades como mesmo na Famicom/NES, em 1993 a Natsume poderia e deveria ter adoptado um esquema de controlo mais tradicional. Afinal já tinhamos no mercado jogos como Final Fight ou Streets of Rage II.

No final de cada nível temos sempre um novo boss para derrotar

A nível audiovisual, tal como referi acima o jogo é algo diferente consoante jogamos a versão ocidental ou japonesa, o que no caso da Master System não existe. A Technos achou boa ideia remodelar o jogo um pouco à imagem do filme The Warriors, visto que a temática também envolvia gangs e lutas de rua, e isso é bem notório principalmente logo no primeiro nível onde começamos numa estação de metro que parece muito ocidental. Os níveis seguintes vão sendo variados, no segundo nível até temos uma parte em que conduzimos uma moto e temos de atacar os oponentes, também em motas, até que estes caiam. O terceiro nível coloca-nos a combater um gang inteiramente feminino e o último nível, bom esse é mais chato pois vamos tendo salas onde defrontamos todos os inimigos anteriores, incluindo os bosses, e um labirinto de portas para explorar. Optar pela porta errada pode-nos deixar num loop ou mesmo mandar de volta para o nível anterior. De resto, os gráficos até que são bastante coloridos e bem detalhados, esta versão acaba por ser bem mais bonita que a conversão da NES. As músicas também são agradáveis, mas aí acabo por preferir o chiptune da NES.

Portanto este Renegade acaba por ser um port bastante interessante do original arcade, apesar de ser tardio. E precisamente por ser uma conversão tardia, os seus controlos confusos e desnecessariamente complicados é algo que não se entende. Uma coisa é a Technos ter sido pioneira dentro do género e introduzido um esquema de controlo que acharam na altura ser o melhor. Outra coisa é ser 1993 e ainda ter de jogar um beat ‘em up assim.

Poker Night 2 (PC)

Depois do sucesso que foi o Poker Night at the Inventory, a Telltale lá decidiu desenvolver uma sequela à altura, que viu a luz do dia algures em 2013, uma vez mais em formato digital apenas, mas desta vez também as consolas PS3 e Xbox 360 foram visadas. Tal como o jogo anterior, o meu exemplar foi adquirido bem baratinho, através de um humble bundle ou similar. Já não consigo precisar quanto me custou, mas o histórico do Steam diz-me que o activei no dia 13 de Maio de 2016.

Tal como o seu predecessor, este é um jogo de poker single player, onde podemos participar em partidas de póquer contra 4 ilustres oponentes e repleto de bom humor. Para além do habitual Texas Hold’em, temos também a variante Omaha para explorar, que eu sinceramente não conhecia. Mas para além disso, a maior diferença está mesmo no elenco de convidados que nos acompanham. O único protagonista de um videojogo da Telltale é o Sam, de Sam & Max, embora o Max o acompanhe, dando-lhe alguns “conselhos” ocasionais. Da Gearbox temos o cómico robot Claptrap de Borderlands. Do cinema, nada mais nada menos que o Ash de Evil Dead e da televisão temos Brock Samson, da série de animação The Venture Bros que sinceramente não conhecia. A servir as cartas, temos nada mais nada menos que GLaDOS, com todo o seu cinismo delicioso, a servir de personagem convidada da própria Valve.

Neste segundo jogo, o elenco de convidados é uma vez mais excelente

De resto, tal como no jogo anterior, vamos ter vários desbloqueáveis como cartas, tokens, e mesas temáticas de cada um dos convidados e assim que todos sejam activados em simultâneo, todo o club de Poker é transformado em homenagem à temática de cada personagem, resultando em algumas situações mais cómicas. Cada personagem possui também um objecto valioso que podemos tentar conquistar, mas ao contrário do jogo anterior, onde estes objectos eram disponibilizados de maneira algo aleatória, aqui o jogo obriga-nos a completar uma série de desafios antes de termos a oportunidade de conquistar um desses objectos. Os desafios podem consistir em coisas como ganhar uma ronda na parte dos blinds, drop, turn ou river, chegar ao fim de um partida num lugar mínimo, vencer uma ronda com uma combinação de cartas específica, como um flush ou superior, entre outras.

Por cada personagem, ao desbloquear e activar o seu conjunto de cartas, fichas e mesa, transformamos o clube por inteiro, dando oportunidade a mais situações cómicas

No que diz respeito aos audiovisuais e à apresentação, bom, estes continuam muito bons. O voice acting é excelente, as falas são muito boas, repletas de bom humor e vamos constantemente ouvir as personagens a mandar bocas entre si ou mesmo dirigidas a nós. Uma vez mais a Telltale procurou ter atenção aos detalhes das expressões faciais de cada personagem, o que nos deixa tentar adivinhar se os nossos oponentes têm uma boa mão ou não e consequentemente se estão a fazer bluff. Mas desta vez as coisas não são tão óbvias como no primeiro jogo e é aí que entram as bebidas. Ora, para além de comprar desbloqueáveis como novos baralhos, mesas e afins, nós podemos também gastar os créditos que ganhamos ao participar em torneios para comprar bebidas alcoólicas para os nossos oponentes. À medida que vão ficando alcoolizados, as suas reacções vão ficando mais honestas.

Portanto este é mais uma vez um jogo de póquer bastante divertido e que vale a pena mesmo se não forem grandes experts no jogo. Dica: se tiverem a jogar no PC, o jogo grava checkpoints no final de cada mão, pelo que podem sempre carregar em ALT+F4 para sair imediatamente do jogo. Se o fizerem antes da GLaDOS anunciar o resultado de cada mão, conseguimos escapar das consequências de algum mau assessment da nossa parte.

Wimbledon (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas, agora pela Mega Drive, vamos ficar com mais um Wimbledon, mais um título de Ténis que usa a licença do famoso torneio britânico de Wimbledon. Na Master System tinham sido lançados dois jogos desta série, e em 1993 a Sega disponibilizou também uma versão para a Mega Drive. O meu exemplar foi comprado em Setembro na Play ‘n Play por cerca de 10€.

Jogo com caixa e manual

Aqui podemos participar em partidas individuais, que podem ser jogadas contra o CPU, contra ou com um amigo, no caso de optarmos pelos doubles, onde temos 2 tenistas contra 2. Também temos um modo torneio, onde iremos participar no torneio de Wimbledon, mas já lá vamos. A jogabilidade é relativamente simples, com os 3 botões faciais da Mega Drive a serem usados para realizar diferentes raquetadas: altas ou baixas, rápidas ou lentas. Tipicamente os jogos de ténis das eras 8 e 16bit são simples de aprender e este não é excepção. A única coisa que eu não gostei muito na jogabilidade é o facto de por vezes ser difícil adivinhar a que altura vai realmente a bola, o que nos pode induzir em erro e não conseguir dar seguimento a uma jogada.

No modo torneio a nossa personagem vai evoluindo os seus atributos à medida em que formos progredindo na competição

Mas voltando ao tal modo de torneio, aqui podemos optar entre jogar em torneios masculinos ou femininos, sendo que começamos sempre com um jogador com stats baixos. À medida que vamos avançando no jogo e completando partidas, os stats do nosso jogador vão aumentando, o que vai dar jeito pois os oponentes também vão sendo cada vez mais habilidosos. Mesmo se chegarmos a vencer um torneio, somos convidados a participar na temporada seguinte, onde poderemos continuar a evoluir a nossa personagem.

A nível audiovisual confesso que é um jogo bastante simples e estava a contar com algo mais elaborado, principalmente por ter vindo da própria Sega. Os jogadores são genéricos, assim como os estádios, parece que a SIMS pegou na versão Master System e acrescentou-lhe uns pózinhos mágicos só. Por outro lado, no som, já é um jogo bem mais elaborado principalmente nos voice samples, que são bastante nítidos. As músicas no entanto apenas tocam entre partidas e são agradáveis, mas nada de especial.

Confesso que estava à espera de algo graficamente um pouco melhor nesta versão

Portanto este Wimbledon, apesar de não ser propriamente um mau jogo, e como muitos outros jogos de ténis desta época serem bastante fáceis de pegar e viciar, não deixo de ficar um pouco desiludido com esta iniciativa da Sega. Para uma consola 16bit esperava algo um pouco melhor.