Uncharted: Drake’s Fortune (Sony Playstation 3 / Playstation 4)

Depois de Crash Bandicoot na Playstation e Jak & Daxter na PS2 (série que planeio jogar algures no futuro), para a geração seguinte a Naughty Dog decidiu apostar num estilo de jogo diferente, mais realista e repleto de acção, tendo resultado neste Uncharted: Drake’s Fortune, lançado originalmente no final de 2007. Mas a versão que acabei mesmo por jogar é a que veio incluida na compilação Uncharted: The Nathan Drake Collection para a Playstation 4. O original joguei apenas o demo back in the day, mas depois de ter visto todos os melhoramentos que receberam na PS4, especialmente o primeiro jogo da trilogia, optei mesmo por jogá-lo na PS4. Esta minha compilação foi comprada algures no passado mês de Abril a um particular por 15€. Já o original de PS3, custou-me uns 7€ algures no início de 2016, numa das minhas visitas à CeX.

Versão original black label para a PS3, com caixa e manual

Neste Uncharted controlamos então Nathan Drake, supostamente descendente do famoso corsário Inglês Sir Francis Drake, que procura um tesouro escondido pelo seu antepassado, o mítico El Dorado. E após um breve nível algures no mar da costa do Panamá, que serve não só de introdução da história em si, mas também um tutorial básico das mecânicas de jogo, iremos posteriormente explorar templos na floresta amazónica, bem como uma grande colónia hispânica em ruínas numa ilha abandonada, em busca do mítico tesouro. Mas claro que teremos alguma concorrência, pelo que iremos enfrentar piratas modernos, mas também mercenários altamente treinados e equipados.

Colectânea Nathan Drake Collection para a PS4, no seu lançamento original, com papelada e sem manual como habitual em jogos PS4

A nível de mecânicas de jogo, esta é uma excelente mistura entre a exploração e platforming de títulos como os Tomb Raiders clássicos (se bem que com controlos bem mais agradáveis), bem como a acção e o cover-based-shooting de títulos como Gears of War. Já joguei o demo do original na PS3 há muito tempo, pelo que já não me lembro dos seus controlos, mas todas as críticas que vi à compilação The Nathan Drake Collection mencionam que os controlos nos tiroteios ficaram muito melhores face ao lançamento original. E de facto o jogo acabou por se tornar bastante agradável nos seus combates, cuja dificuldade vai aumentando à medida que vamos avançando no jogo, com os oponentes a estarem não só mais fortemente armados, bem como mais protegidos e a adoptarem tácticas inteligentes para nos flanquear. Teremos então de estar constantemente à procura de abrigos, onde nos podemos “colar” às paredes ao pressionar o botão do círculo e, com os botões L2 e R2, poderemos espreitar, apontar e disparar. Soltando o L2 voltamos à posição de abrigo. Mas lá está, também não convém estar demasiado confortável nos abrigos pois alguns podem ser destruídos por fogo inimigo e estes também nos tentam flanquear ou atirar com granadas. De resto, teremos um arsenal relativamente extenso para experimentar, com vários tipos de pistolas, metralhadoras, shotguns, sniper rifles e lança granadas ou lança rockets, sendo que apenas poderemos equipar 2 armas de fogo, uma ligeira e uma “pesada” em simultâneo, mais umas quantas granadas.

Como um bom filme de acção, o jogo está repleto de momentos emocionantes!

No que diz respeito à exploração, por vezes temos alguns puzzles para resolver, que nos obrigam a espreitar o diário de Francis Drake, que obtemos logo no início do jogo, para aprender algumas pistas de como os resolver. São puzzles intuitivos assim que observamos essas dicas. Muitas outras vezes temos também alguns segmentos de platforming, que tipicamente nos obrigam a escalar paredes, saltar entre plataformas, balancear em lianas e devo dizer que as mecânicas dos saltos são um pouco estranhas. Basicamente, a menos que seja suposto nós conseguirmos saltar do ponto A para o ponto B, Nathan executa saltos muito curtos. O que é estranho por vezes nós saltarmos e Nathan avança por aí meio metro, mas quando são saltos que é suposto acontecerem, Nathan já consegue saltar uns 2 ou 3 metros na boa. De resto, Uncharted não é só tiroteios e exploração, também teremos alguns níveis interessantes onde temos perseguições de jipe em plena selva, ou conduzir uma moto de água. Devo dizer que o último nível da moto de água, onde temos de subir um rio e esquivar de barris explosivos e outros bandidos foi um dos níveis que achei mais frustrantes.

Para resolver os puzzles que nos vão aparecendo, podemos consultar o diário de Drake

A nível audiovisual, este Uncharted era realmente impressionante para um título de 2007, com níveis muito bem detalhados, excelentes efeitos de luz e água para a época, uma narrativa com voice acting competente, personagens bem carismáticas e, acima de tudo, um pacing bastante aliciante que agradava não só a quem estivesse a jogar, mas também para quem estivesse simplesmente a ver jogar, o que foi o que aconteceu aqui em casa. A minha namorada por vezes estava bem mais entusiasmada a ver-me jogar do que eu próprio, principalmente nalguns momentos mais desafiantes, como os combates na catedral, ou a subida do rio em moto de água. Já este remaster na PS4 apresenta ainda melhores efeitos de luz, cenários com ainda mais detalhe e, acima de tudo, uma performance bem mais fluída, pois o original tinha várias quebras de frame rate e alguns problemas na renderização das texturas.

O platforming e escaladas impossíveis fazem parte do ADN de Uncharted

Para além do notório update gráfico (e uniformização dos controlos e aparência de Drake ao longo dos 3 jogos desta compilação), o remaster da PS4 incluiu ainda dois novos níveis de dificuldade (um muito fácil e outro muito difícil), alguns trophies adicionais e outros bónus como a possibilidade de activar alguns tweaks, como o modo câmara lenta. Podemos também desbloquear um modo de jogo próprio para speedrunning, e uma série de estatísticas que comparam as nossas skills com as dos nossos amigos da PSN, como número de inimigos derrotados, com que armas usadas e por aí fora. São coisinhas interessantes, mas poder jogar uma versão com controlos melhorados e audiovisuais refinados foram sem dúvida os principais motivos que me levaram a pegar neste Uncharted precisamente neste remaster da PS4.

Um dos bónus do jogo é o Photo Mode, onde podemos tirar alguns screenshots e embelezá-los

Portanto devo dizer que gostei bastante deste Drake’s Fortune, excepto pelas mecânicas de salto por vezes frustrantes (provavelmente poderá ser problema da minha TV mas achei o jogo bastante escuro em certas partes que acabou por atrapalhar um bocado) e, desculpem lá os spoilers a quem não jogou este jogo ainda, a introdução dos Descendants já na recta final do jogo. Estava a adorar todo o realismo e a Naughty Dog decidiu borrar um pouco a pintura ao introduzir aquela espécie de zombies já perto do final do jogo, é uma pena. Mas tanto eu como a minha namorada ficamos cheios de vontade de começar o segundo jogo, que é o que iremos fazer já de seguida. Antes disso convém também referir que esta versão remastered (bem como o Uncharted 2 e 3) estão também disponíveis standalone para quem preferir.

Leisure Suit Larry 5: Passionate Patti Does a Little Undercover Work (PC)

Continuando pela saga do Leisure Suit Larry, vamos agora visitar o seu quarto/quinto capítulo, que acabou por ser o primeiro da série a ser lançado com um novo motor gráfico, que já suporta cores VGA, resultando em visuais bem mais coloridos pela primeira vez. Mas o que se passou com o Leisure Suit Larry 4 (The Lost Floppies)? Na verdade esse jogo nunca existiu e a passagem de LSL 3 para LSL5 acabou por ser uma piada do Al Lowe e restante equipa e neste jogo irão inclusivamente fazer imensas referências ao tal quarto título perdido. Aparentemente até foram os vilões deste jogo que roubaram as disquetes que continham o LSL4! Mas já lá vamos. O meu exemplar, tal como os outros Larries que trouxe até agora, vieram da compilação LSL Greatest Hits and Misses que comprei no GOG por uma bagatela há alguns anos atrás.

No Leisure Suit Larry 3, Larry acabou por encontrar “mais um” amor da sua vida, a pianista Passionate Patti e acabam por ficar juntos no final. Neste jogo tanto Larry como Patti estão separados e, pelo menos no caso de Larry, está amnésico, sem saber o que aconteceu desde que abandonou a ilha de Noontoonyt. E aqui acabaremos por alternar entre Larry e Patti, que possuem missões diferentes, mas relacionadas entre si. Larry é um funcionário de uma estação televisiva e acaba por ficar com a missão de viajar pelos Estados Unidos para documentar, secretamente com uma câmara de bolso, três modelos finalistas do concurso das mulheres mais sexy da América. Por outro lado, Patti, cansada de ser explorada como pianista em bares manhosos, acaba por ser convidada por um agente do FBI para servir de agente infiltrada numa operação onde planeiam desmascarar alguns nomes da indústria musical, que plantam mensagens subliminares nas suas músicas.

Tal como no jogo anterior poderemos jogar também com a Patti, mas desta vez vamos alternando entre ambos ao longo da história

E este é então o primeiro verdadeiro point and click da saga Larry (tal como o remake do primeiro jogo), onde já não precisamos de escrever os comandos que queremos que Larry execute, mas sim poderemos alternar entre diferentes cursores do rato que representam diferentes acções, como observar, falar, mexer ou, exclusivo da saga Larry, temos o ícone do fecho zipper de umas calças, que representam alguma acção sexual. É mais uma aventura bem humorada, com várias referências eróticas e alguma nudez ocasional. Mas também ao contrário dos jogos que vieram antes, este possui puzzles bem mais simples e é um jogo bem mais tranquilo: Tanto Larry como Patti não correm perigo de vida constante, nem corremos o risco de passar pontos sem retorno com algum item importante em falta. Bem pelo contrário, muitos dos puzzles aqui até que são algo opcionais, o que sinceramente já não faz muito sentido e aí já acho que o jogo deu um grande passo atrás.

Tal como no primeiro Larry, teremos várias mulheres para conquistar, o que poderá resultar em situações embaraçosas e hilariantes

Já no que diz respeito aos audiovisuais, como já referi acima este Larry usa o mesmo motor gráfico do primeiro remake do Land of the Loung Lizards, que suporta maiores resoluções e bem mais cores que a tecnologia EGA. Isto resulta portanto num jogo ainda com bastante pixel art, mas bem mais colorido e detalhado. O realismo que tentaram incutir no segundo e terceiro jogo foi aqui descartado em virtude de uns visuais mais cartoon, o que sinceramente até me agrada. Neste Larry ainda não tivemos direito a voice acting, algo que irá acontecer no próximo título, mas o som acaba por ser bem conseguido como um todo, repleto de músicas agradáveis e variadas consoante as localizações que vamos visitando.

Mesmo no modo EGA, com muito menos cores, continua um jogo mais apelativo que os seus predecessores

Portanto este Larry 5 acaba por ser mais um jogo sólido e com bom humor, mas confesso que até agora continuo a preferir o primeiro jogo de todos. A premissa mais simples de jogarmos com um perdedor, cujo único objectivo era o de perder a virgindade, e pelo meio acontecer-lhe tudo e mais alguma coisa, é uma premissa simples, mas que resultou muito bem. Aqui vamos alternando a narrativa entre Larry e Patti, que, como mulher elegante e confiante, é o completo oposto de Larry e acaba por destoar um pouco. Acho que a própria Sierra se apercebeu disso quando produziu o jogo seguinte, que irei pegar nele em breve.

Gunship (Sega Mega Drive)

Gunship é um simulador militar, mais precisamente do helicóptero norte americano AH-64 Apache (Desert Strike ftw!) desenvolvido pela Microprose ainda durante a década de 80 e lançado para uma série de sistemas, principalmente computadores. A Mega Drive possui uns quantos simuladores militares no seu catálogo mas a U.S. Gold, ao publicar uma versão deste jogo para a consola da Sega, decidiu transformar esta versão do Gunship num título mais de acção pura. Mas infelizmente o resultado não foi de todo o melhor. O meu exemplar foi comprado por 5€ a um amigo, algures no passado mês de Abril.

Jogo com caixa e manual

Ao longo do jogo iremos enfrentar exércitos inimigos ao longo de quatro teatros de guerra distintos: no médio oriente, ásia, américa do sul e Antárctica. Em cada campanha, mediante o nível de dificuldade seleccionado, teremos entre 3 a 6 missões para completar, que consistem tipicamente em destruir alvos terrestres ou aéreos, resgatar soldados ou escoltar caravanas militares. Antes de começar cada missão, somos presenteados com um mapa da área de jogo que iremos explorar e poderemos começar por definir uma rota. A nossa base e o objectivo de cada missão estão representados no mapa, bem como também postos de abastecimento de combustível ou munições, entre outros locais repletos de inimigos. Uma vez definida uma rota, somos levados para uma perspectiva de primeira pessoa no cockpit do helicóptero, onde iremos navegar em linha recta perante os checkpoints na rota que definimos anteriormente.

O jogo possui um modo de treino onde poderemos practicar diferentes tipos de objectivos

Durante esta viagem, podemos usar a metralhadora, que possui balas infinitas, bem como alguns mísseis que devemos apenas dispará-los assim que os alvos estiverem trancados no ecrã. Uma vez chegado a algum checkpoint previamente definido de abastecimento, teremos de aterrar o helicóptero para ser reabastecido, bem como a sua armadura reparada. Já assim que chegarmos ao nosso objectivo final, o jogo alterna para uma perspectiva 2D sidescroller (fazendo lembrar o Choplifter!), onde teremos de ir enfrentando dezenas de inimigos a surgirem de todos os lados, localizar o objectivo e cumpri-lo, seja ao destruir bases inimigas, resgatar soldados, ou escoltar caravanas militares. Nesta fase, tal como num shmup, poderemos também encontrar imensos power ups, desde diferentes tipos de mísseis ou bombas, escudos, itens que nos regeneram a armadura ou combustível, entre outros como o rapid fire. Aqui o botão A serve para disparar a metralhadora que continua com munições infinitas, o botão B é usado para disparar os mísseis e o C para alternar por entre os vários tipos de mísseis ou bombas que vamos coleccionando. São níveis por norma bastante caóticos, especialmente no hard, com dezenas de inimigos e mísseis a surgirem por todos os lados, quer pelo ar, quer na terra, pelo que teremos de jogar com alguma precaução e aproveitar todos os power ups que vamos encontrando.

Antes de cada missão teremos de planear a rota tendo em conta o combustível que temos

Já no que diz respeito aos audiovisuais, o jogo até que possui uma boa apresentação, com pequenas cutscenes entre cada missão e um briefing onde nos são mostrados os objectivos e que inimigos iremos encontrar. Por outro lado, a perspectiva da primeira pessoa não é nada de especial, onde practicamente a única coisa que muda de missão para missão é mesmo a cor do solo e do céu, já que teremos missões em diferentes alturas do dia. Quando o jogo assume uma perspectiva 2D sidescroller, que mais uma vez digo que me faz mesmo lembrar o Choplifter, os cenários também mudam um pouco consoante a campanha onde estamos. Desertos se no médio oriente, montanhas na selva se na América do Sul e por aí fora. Vamos tendo também algumas músicas que, apesar de não serem nada de especial, também não me desagradaram de todo.

Infelizmente o modo de primeira pessoa possui gráficos muito simples que variam apenas nas cores do solo e céu

Portanto este Gunship para a Mega Drive é uma mistura muito estranha de um simulador e um shmup 2D horizontal. O problema é que não faz bem nem um papel de simulador, nem o de shmup. Como simulador é fraco, pois não temos tanto controlo do helicóptero quanto isso, para além de todos os cenários serem idênticos, mudando apenas as cores. Já a parte de shmup também deixa a desejar, quanto mais não seja pela quantidade absurda de inimigos que surgem no ecrã.

Grandslam: The Tennis Tournament (Sega Mega Drive)

Mais uma rapidinha para a Mega Drive sobre um jogo desportivo e o escolhido de hoje é o Grandslam: The Tennis Tournament, desenvolvido originalmente por um pequeno estúdio nipónico que pessoalmente nunca tinha ouvido falar. Já a Telenet Japan, a empresa que publicou o jogo no Japão, possui uma série de jogos interessantes na Mega Drive e Mega CD, embora infelizmente muitos deles não tenham saído cá na Europa, como é o caso da série Valis. O meu exemplar foi comprado numa loja online algures no passado mês de Abril, tendo-me custado algo em volta dos 6€.

Jogo com caixa e manual

Então temos aqui o modo Exhibition, que como o nome indica é aquele onde poderemos jogar partidas individuais, tanto em singles como doubles, sozinhos contra o CPU ou contra um amigo. Mas claro que o modo de jogo principal é o Circuits, onde teremos a oportunidade de jogar em diversos torneios (são quatro no total), mas apenas em singles, ou seja um contra um. O modo de treino dá-nos a opção de ripostar contra diferentes estilos de jogadas, ao permitir-nos colocar o nosso treinador numa determinada posição do campo e mandar-nos diferentes tipos de bolas, os tais slices, lobs e afins que sinceramente não conheço os termos em português. Por fim temos o Customize. Aqui podemos criar um jogador de ténis à nossa imagem e atribuir-lhe uma série de características, como esquerdino ou destro e depois atribuir uma série de skill points em diversos campos. A ideia será depois poder usar estas personagens customizadas no modo exhibition ou torneio, onde poderão ganhar experiência e melhorar as suas habilidades à medida que vamos vencendo partidas. Já no que diz respeito à jogabilidade em si, o botão C serve para executar um lob, uma raquetada que dispara a bola em arco e de forma algo lenta, já os outros botões servem para raquetadas mais rápidas e precisas. Sinceramente por vezes parece-me um jogo algo lento, continuo a preferir o Pete Sampras Tennis.

O modo exhibition permite-nos jogar em singles ou doubles, com ou sem um amigo, ou simplesmente ver o CPU a jogar sozinho

Já no que diz respeito aos audiovisuais, estes são bastante simples, embora os tenistas, árbitros e restantes intervenientes no jogo possuam todos um aspecto algo anime, o que não é de estranhar visto ser um jogo de origem japonesa. Nos Estados Unidos, o jogo foi lançado como Jennifer Capriati Tennis, uma tenista conhecida back in the day, pelo que a nossa versão, apesar de não ter sido licenciada pela tenista, continua no elenco de tenistas disponíveis. Já no que diz respeito ao som, vamos tendo algumas vozes digitalizadas que nos vão informando da pontuação de cada partida e pouco mais. As músicas são pequenas melodias que vamos ouvindo nos menus e entre cada partida. Não são más, mas também não são propriamente memoráveis.

Graficamente não é o jogo mais excitante que vão encontrar

Portanto, em suma, este Grandslam é um jogo de ténis que acaba por dar para entreter, embora acho que existam melhores opções na Mega Drive, com uma jogabilidade mais dinâmica, como é o caso do Wimbledon, ou do Pete Sampras que para além de ter uma boa jogabilidade, é o jogo que possui os visuais que mais me agradam também.

Lost Planet: Extreme Condition (PC)

A série Lost Planet foi uma das primeiras (senão mesmo a primeira) nova franchise da Capcom aquando do início da sétima geração de consolas. Lançado originalmente para a Xbox 360, onde supostamente seria um lançamento exclusivo, mas sem grandes supresas o mesmo acabou posteriormente por receber conversões para o PC e Playstation 3 nos anos seguintes. O meu exemplar foi comprado algures em 2015 numa das minhas idas à feira da Ladra em Lisboa. Foi comprado novo por cerca de 2€ se bem me recordo, a um vendedor que confesso que deixou algumas saudades pois já me arranjou muita coisa boa!

Jogo com caixa e manual

Lost Planet decorre no futuro, onde depois da humanidade ter deixado o planeta Terra practicamente inabitável devido a todas as guerras, poluição e consumo excessivo dos seus recursos naturais, a civilização procura então outros planetas para colonizar e repetir os mesmos erros que fizeram no passado. O planeta gelado EDN III é um dos possíveis candidatos, pelo que alguns humanos foram enviados para o começar a colonizar. E depois de já terem construído uma série de estruturas, deparam-se com vida alienígena hostil, os Akrids, que são insectos gigantes e que acabam por escorraçar a maioria dos humanos do planeta, excepto alguns colonos que optaram por permanecer lá. Mas os Akrids tinham uma particularidade muito interessante, eles geram e armazenam energia térmica capaz de os manter quentes naquele clima muito hostil, pelo que os poucos que lá ficaram, principalmente a corporação NEVEC, pretendem explorar essa nova fonte de energia. Nós jogamos com o soldado Wayne Holden, cujo pai morreu a combater um Akrid gigante e ele próprio também não ficou em muito bom estado. Wayne acabou por ser resgatado por um grupo de snow pirates pelo que acabamos por nos juntar na sua missão de exterminar os Akrids, mas com o decorrer da história lá vamos desobrindo outras conspirações pelo meio.

É bom que nos habituemos aos controlos e diferentes armas, pois teremos imensos inimigos pela frente

No fundo, este Lost Planet é então um shooter na terceira pessoa mas com alguns twists. O primeiro que reparamos mal começamos o jogo é um contador de energia térmica que está constantemente a decrescer. Este contador de energia alimenta a própria barra de vida do Wayne pelo que teremos de estar constantemente a abastecer-nos de energia, seja ao derrotar inimigos, seja ao destruir alguns objectos específicos que a armazenam. O outro twist é que ocasionalmente poderemos controlar uma série de mechas, mas estes infelizmente possuem uma barra de “vida” fixa, não regenerável. Para além disso, cada vez que usamos algumas habilidades especiais dos mechas, como saltar ou activar os seus boosters, também consomem a energia que vamos armazenando. Jogando a pé poderemos equipar sempre 2 armas, mais um tipo de granadas. No caso dos mechas não podemos equipar granadas, mas podemos customizar também que armas equipamos e dispará-las em simultâneo! Sinceramente no início do jogo estava a achar a jogabilidade algo repetitiva, principalmente pela pouca variedade nos cenários e inimigos, mas a partir do momento que começaram a introduzir mais e melhores mechas, mais e melhores armas, confesso que acabou por se tornar bem mais agradável. E sim, no final de cada nível teremos sempre um confronto contra um boss, tipicamente um Akrid gigante, ou algum mecha mais avançado, que geralmente são também grandes esponjas de balas. De resto, naturalmente, o jogo também trazia uma vertente multiplayer, mas confesso que nem cheguei sequer a experimentar, duvido muito que existam sequer servidores activos que o suportem actualmente.

Os mechas, aqui apelidados de VS, Vital Suits, são autênticas esponjas de balas. Explosivos ou usar outros VS são recomendáveis.

A nível audiovisual, para um jogo de início de geração, acho que até envelheceu bem, pelo menos no PC, onde conseguimos corrê-lo em maiores resoluções. Os primeiros níveis que exploramos não são lá muito apelativos, consistindo em corredores cinzentos de mega instalações industriais ou militares, cavernas ou simplesmente exteriores cheios de neve. Também vamos visitar cidades em ruínas, mas devo dizer que gostei particularmente dos níveis que se passavam numa zona vulcânica, achei esses níveis muito bem conseguidos graficamente. Já no que diz respeito ao som, nada a apontar, o voice acting é competente, embora a narrativa não seja nada de especial, e as músicas vão sendo mais atmosféricas ou épicas consoante o que a acção assim o pedir.

Portanto este Lost Planet é para mim um jogo interessante, com algumas boas ideias, mas a sua execução a meu ver ainda não é a melhor. Os cenários amplos eram benvindos, mas inicialmente achei a sua jogabilidade e áreas a explorar bastante repetitivos, o que acabou por ir melhorando na segunda metade do jogo. Ainda assim nota-se perfeitamente que a Capcom não tinha acertado bem na fórmula. Estou curioso com as suas duas sequelas, pois pelo que li ainda alteraram uns quantos conceitos na jogabilidade, mas também vou com expectativas algo baixas, pois esta série Lost Planet acabou por cair completamente no esquecimento poucos anos depois.