Bram Stoker’s Dracula (Sega Game Gear)

Em 1992, Francis Ford Copolla realizou um filme que narrava, de forma mais fiel, a história do famoso vampiro, conforme contada pela obra original de Bram Stoker. E como todos os grandes filmes, acabaram também por produzir alguns videojogos sobre o mesmo, tendo este sido lançado num grande número de diferentes plataformas. As versões 8bit possuem todas o mesmo esqueleto de jogo, tendo sido lançadas para NES, Game Boy, Master System e Game Gear, cujo meu exemplar foi comprado no mês passado a um amigo, por cerca de 5€.

Apenas cartucho

E sendo este um platformer/sidescroller em 2D, baseado em vampiros e outras criaturas sobrenaturais, traçar um paralelismo com os Castlevania clássicos é inevitável, mas infelizmente este jogo fica muito, muito aquém das expectativas. Ao longo do jogo vamos explorando diversos locais, tal como descrito no filme, começando pelo interior da Transilvania, o próprio castelo do Drácula, passando depois por uma série de locais no reino Unido, culminando num regresso ao Castelo do Drácula para o derrotar. Cada nível está dividido em dia e noite, sendo que o objectivo de cada nível é sempre o de chegar à saída do nível dentro do tempo limite. No que diz respeito aos controlos, as coisas são simples, pois temos um botão para saltar e outro para atacar. Por defeito temos equipado uma faca de curto alcance, mas, dos vários itens e power ups que temos à disposição para apanhar, vamos tendo também outras armas de longo alcance como machados ou bolas de fogo, que usam o mesmo botão de ataque. Tal como no Shinobi, se estivermos junto de algum inimigo, atacamos com a faca, se estivermos longe, atacamos com uma dessas armas especiais, enquanto tivermos munições, claro.

Então mas… isto passa-se na transilvânia ou no Mushroom Kingdom?

Outros itens, que estão escondidos em blocos com pontos de interrogação que nos questionam se não estaríamos antes no Mushroom Kingdom, podem incluir tesouros que nos aumentam a pontuação, corações que nos regeneram a barra de vida, vidas extra ou tempo extra. Até aqui tudo bem, mas este é um jogo muito, muito difícil. A nossa personagem até que é bastante ágil, mas os níveis estão repletos de corredores apertados, inimigos e imensas armadilhas que nos irão sugar muito da nossa barra de vida. Os níveis vão tendo também alguns bosses intermediários, alguns, como o caso das noivas de Dracula, apenas nos temos de desviar delas umas quantas vezes, já outros teremos mesmo de os derrotar. A área em que os defrontamos é também muito pequena, portanto vai ser bem difícil não sofrer dano. Para além disso, os níveis também vão sendo algo labirínticos, com imensas passagens secretas e alguns interruptores ocasionais que teremos de interagir para poder avançar no jogo.

Graficamente estamos perante um jogo bem colorido, mas esperava um design mais inspirado

A nível audiovisual, é outra desilusão. Sinceramente não acho os gráficos nada de especial. É verdade que as versões Sega são mais coloridas tendo em conta as capacidades de ambas as suas máquinas 8bit, mas acho que os níveis poderiam ter muito mais detalhe. A versão Game Gear perde para a Master System pelo sua resolução ser mais reduzida, logo temos menos visibilidade nos níveis. As músicas infelizmente são horríveis e, em conjunto com os também péssimos efeitos sonoros, como cada vez que saltamos ou atacamos, só nos dá mesmo vontade de reduzir o volume ao mínimo. Nem a voz assombrosa que diz “Dracula” no ecrã título o salva.

Preparem-se para ver este ecrã muitas vezes.

Este já era um jogo que há algum tempo gostaria de ter na colecção, não por ser um bom jogo, infelizmente está longe disso, mas por eu gostar bastante do filme onde se baseia. Mas sempre estive mais curioso com as versões 16bit, que me parecem bastante idênticas entre a Mega Drive, SNES e Amiga. A ver qual delas me aparece primeiro na colecção! A Mega CD também teve direito a uma versão exclusiva, também um sidescroller 2D mas com gráficos digitalizados. Pareceu-me mázinha. Quanto a esta versão 8bit, tal como referi acima são muito parecidas entre a Master System, NES, GB e GG, mas não me parece que nenhuma delas seja uma obra prima.

Hexen II (PC)

Mais um jogo que joguei bastante back in the day. Tal como o primeiro Hexen, que já cá trouxe a sua conversão para a Sega Saturn, este é mais um jogo na primeira pessoa produzido pela Raven Software, uma vez mais decorrendo num ambiente medieval e repleto de criaturas demoníacas. O meu exemplar foi comprado em Março deste ano no facebook, tendo-me custado 5€. É apenas a caixa de CD em jewel case que eventualmente fez parte da versão em Big Box, que gostaria de um dia a apanhar a um preço em conta.

Jogo com caixa jewel case

Tal como no primeiro Heretic e no primeiro Hexen, este jogo fecha a saga dos Serpent Riders, poderosas criaturas demoníacas que dominavam três diferentes mundos. Aqui teremos de libertar o mundo de Thyrion, que está sob o jugo de Eidolon, o mais poderoso dos Serpent Riders, se bem que também teremos os 4 Cavaleiros do Apocalipse para enfrentar. Tal como no Hexen, podemos escolher uma de várias classes com a qual jogar no início do jogo, como o Paladin, Crusader, Necromancer e Assassin. O Paladin e Crusader são ambas classes mais favoráveis ao combate corpo-a-corpo, embora o Crusader tenha mais pontos de vida e melhor defesa, já o Paladin é totalmente focado no ataque e é a única classe capaz de se mover na água livremente (assim que desbloquearmos a skill Free Action). O Assassin e o Necromancer são personagens mais frágeis fisicamente, mas possuem outras características que podem fazer a diferença. O Assassin ganha habilidades de se esconder nas sombras e os seus golpes são bem mais eficazes caso atinjamos um inimigo pelas costas, enquanto o Necromancer possui muitos pontos de mana e as suas armas são feitiços poderosos.

A temática medieval sinistra está muito bem aqui representada

Portanto, há aqui um ainda maior foco em mecânicas de RPG, pois cada vez que matamos um inimigo vamos ganhando pontos de experiência, subir de nível, melhorar os nossos stats e ocasionalmente lá vamos aprender novas skills também. Para além disso, iremos encontrar imensos itens diferentes, alguns de consumo imediato (que regeneram a nossa barra de vida ou pools de mana), ou outros que poderemos armazenar num inventário e usá-los quando bem entendermos. Estes podem-nos dar invencibilidade temporária, teletransportar para o início do nível, transformar os inimigos em ovelhas, melhorar os nossos stats como a velocidade ou ataque, entre muitos outros. Para além das mecânicas de RPG estarem um pouco mais presentes, a exploração, puzzle solving e backtracking continuam na ordem do dia. Tal como o seu predecessor temos uma série de níveis todos interligados, onde teremos de procurar chaves e outros itens que nos irão desbloquear novas zonas e eventualmente chegar ao boss daquele mundo, para depois repetirmos o processo numa zona completamente diferente. Teremos de passar cada nível a pente fino, à procura de passagens secretas, objectos destrutíveis, botões e alavancas que poderão activar qualquer coisa num outro nível também, daí o tal backtracking estar também muito presente.

No final de cada mundo temos um boss para defrontar

No que diz respeito aos audiovisuais, enquanto o Heretic e Hexen usavam versões melhoradas do motor gráfico do Doom, este Hexen II já possui o motor do Quake por base. Ou seja, teremos níveis, objectos e inimigos completamente renderizados em 3D, o que permite uma maior geometria e criatividade na criação dos níveis. E é isso mesmo o que acabou por acontecer, pois os níveis possuem muitos detalhes interessantes e, mesmo dentro do mesmo hub, acabam por ser algo diferentes entre si. O mundo de Blackmarsh, tem o seu castelo, cidade fortificada com vários estabelecimentos comerciais, um moinho, um palácio, estábulos, entre outros. Já os mundos seguintes têm temáticas diferentes. O domínio da Morte faz lembrar bastante as grandes civilizações da América Central e do Sul, com os seus templos, enquanto o domínio da Peste é um mundo mais próximo do antigo Egipto. Por fim, o mundo da Guerra faz lembrar a Roma antiga, enquanto que quando enfrentamos Eidolon, voltamos aos castelos medievais. No que diz respeito ao som, nada a apontar. As músicas são calmas, porém tensas, o que contribui bem para a atmosfera opressora que o jogo incute. Os efeitos sonoros são os típicos da altura, com os grunhidos das criaturas e da nossa personagem quando ataca ou sofre dano.

Temos diferentes classes para explorar, com habilidades e armas distintas entre si

Portanto este Hexen II é um jogo muito interessante pelas suas componentes de RPG e exploração, mas o backtracking extremo, e a necessidade de passar cada nível a pente fino para procurar passagens secretas e interruptores ou alavancas escondidas irão certamente alienar algumas pessoas. Portanto, quem não gostou do primeiro Hexen por esse motivo, aqui não irá ser diferente. No entanto, para quem gostou do anterior, irá certamente gostar deste também, não só pelas mecânicas de jogo familiares, mas também pelos seus visuais mais apelativos, novas classes e habilidades.

Uncharted: The Lost Legacy (Sony Playstation 4)

Voltando às rapidinhas, mas agora na Playstation 4, vamos ficar com um breve artigo sobre o último (até agora) Uncharted lançado na PS4. Originalmente planeado como um DLC para o Uncharted 4, acabou por evoluir para um lançamento standalone em formato físico, contendo, no entanto, toda a componente multiplayer do próprio Uncharted 4. O meu exemplar foi comprado algures no ano passado numa das minhas visitas à feira da Vandoma no Porto, tendo-me custado 10€.

Jogo com caixa e papelada

Nesta nova aventura, que decorre algum tempo após os acontecimentos narrados no Uncharted 4, possui como principais protagonistas a Chloe Frazer, que já nos tinha ajudado principalmente no Uncharted 2, e nada mais nada menos que a mercenária Nadine Ross, uma das principais antagonistas do jogo anterior. O jogo decorre em pleno coração da Índia, onde Chloe ambiciona continuar a pesquisa do seu pai no encalço da presa de Ganesh, um artefacto valiosíssimo e há muito perdido. Mas como é habitual na série, não vamos estar sozinhos nessa demanda, pois teremos forças rebeldes que também procuram o mesmo.

Apesar de menos variados, os gráficos continuam lindíssimos

Tal como na restante série, este jogo mantém a mesma identidade, pelo seu balanço entre exploração, puzzle solving, tiroteios com mecânicas cover based e algumas sequências de acção bastante intensas, mas num pacote menor. Teremos apenas 9 capítulos para percorrer, todos na Índia, se bem que continuamos com um grande número de segredos e coleccionáveis para descobrir, principalmente no quarto capítulo, que é uma grande área aberta onde podemos conduzir um jipe. Teremos algumas armas novas para experimentar, incluindo explosivos C4 que, ao contrário das granadas, poderemos preparar para montar emboscadas aos inimigos. De resto, tal como referi acima, este Lost Legacy inclui os mesmos modos multiplayer introduzidos no Uncharted 4, se bem que com mais mapas relativos às novas áreas de jogo.

Em vez de um scrapbook, Chloe usa o telemóvel para tirar fotos e talvez partilhá-las na sua conta do instagram assim que tiver sinal

A nível audiovisual, este é um jogo que partilha o mesmo motor gráfico do anterior, pelo que não contem com grandes novidades nesse aspecto. É menos variado a nível de cenários que os restantes jogos, pois decorre todo na Índia, tanto numa zona mais urbana, como nas habituais selvas e templos em ruínas. A narrativa, bem como as estonteantes sequências de acção ficaram uns furos abaixo dos jogos principais, mas ainda assim o seu nível de qualidade é bastante satisfatório. É bom ver a Naughty Dog dedicar um videojogo, se bem que mais pequeno, a personagens que sempre foram algo secundárias em jogos anteriores, ficando a conhecê-las melhor e ao seu passado. A dinâmica entre Chloe e Nadine também vai sendo muito bem explorada, tanto nos seus diálogos, como nos tiroteios, onde Nadine se revela bastante útil quando as coisas começam a apertar.

O quarto capítulo apresenta um mundo aberto que podemos explorar livremente e de forma algo não linear

Portanto, devo dizer que apesar de  ser um jogo mais curto e de certa forma mais contido, tanto na sua apresentação, como na narrativa ou sequências de acção, este Lost Legacy acaba por me satisfazer bastante. Prefiro de longe lançamentos como este (que já sairam originalmente para venda a um valor bem mais em conta), do que qualquer DLC manhoso como muitos que se vê por aí.

Call of Duty Modern Warfare 3 (PC)

Voltando às rapidinhas no PC, ficamos agora com mais um Call of Duty, desta vez para o terceiro capítulo da sub-série Modern Warfare, lançada originalmente em no final de 2011 pelos veteranos da Infinity Ward. Já o meu exemplar, lembro-me de o ter comprado no Jumbo de Alfragide, algures em Abril de 2013, por 15€. Ah, bons tempos onde ainda se encontravam os jogos AAA em formato físico para PC em qualquer esquina. É que eram sempre os primeiros a cair de preço!

Jogo com caixa e manual

A história continua os eventos retratados nos dois Modern Warfare lançados anteriormente, onde os E.U.A. e a Rússia tinham entrado em guerra, cujo conflito foi orquestrado por uma rede terrorista liderada por Vladimir Makarov. Então a narrativa vai-se focar em duas frentes principais: o confronto contra as forças Russas em solo norte-americano e Europeu, bem como uma série de operações mais furtivas no encalço de Makarov, lideradas pelos membros sobreviventes da Task Force 141, Soap, Yuri e o badass Captain Price.

A campanha traz de volta algumas caras conhecidas dos MW anteriores

Portanto, no que diz respeito à campanha single player, que devo dizer que é bem curtinha, vamos tendo diversas missões com objectivos distintos, desde reconquistar posições estratégicas, sabotar/destruir estruturas inimigas, ou operações mais furtivas onde é imperativo passarmos despercebidos. Tal como nos Call of Duty anteriores, apenas podemos equipar 2 armas de cada vez e a vida é regenerativa. Ocasionalmente poderemos utilizar outro tipo de equipamento, como comandar drones de suporte, ou indicar posições inimigas para serem alvo de artilharia. Quando temos de ir desbravando terrendo sob fogo inimigo, a fórmula é sempre a mesma: ir limpando as ruas de soldados inimigos e avançar lentamente. À medida que o vamos fazendo, as nossas forças também nos vão acompanhando e conquistam essas posições aos poucos, precavendo que os inimigos as ocupem novamente.

O conflito é levado até vários países Europeus,incluido a França e sua capital

De resto, para além da campanha single player (já disse que esta é bastante curta?) temos o modo multiplayer que, no caso dos Call of Duty, é sempre aquele que acaba por agarrar mais os seu público alvo. Mas não foi o meu caso, pelo que não me posso alongar. Temos modos cooperativos e competitivos, onde nos primeiros temos o regresso dos Special Ops, pequenas missões cooperativas e o modo Survival, onde teremos de defender a nossa posição face a ondas inimigas cada vez mais numerosas. Depois lá temos o multiplayer competitivo, que é certamente o que os fãs de Call of Duty gastam mais tempo. Não é o meu caso pois tenho muito mais para jogar, pelo que não vale a pena estar a escrever de algo que nem sequer experimentei.

Como seria de esperar, o jogo possui uma fortíssima componente multiplayer, que eu acabei por não explorar

A nível audiovisual, nada de especial a apontar. É um jogo que apresenta cenários variados, desde paisagens urbanas em Nova Iorque, Paris ou Berlim, bem como aldeias remotas em África ou outros locais mais invulgares, como uma missão a bordo do avião presidencial Russo. Graficamente não esperem por grandes melhorias face aos jogos anteriores pois o motor gráfico é practicamente o mesmo. Há alguns pequenos melhoramentos visuais, como alguma geometria adicional nos cenários. Os personagens e suas expressões faciais pareceram-me mais bem conseguidas também. De resto, no que diz respeito ao voice acting e som no geral, nesse campo a série sempre foi excelente e aqui não tenho nada a apontar.

Portanto para este Call of Duty Modern Warfare 3, tenho de o analisar apenas pela sua campanha single player, que já na altura não era de todo o factor mais importante para a maioria dos seus fãs. E a sua campanha, apesar de competente e variada, é extremamente curta. Demorei cerca de 5h a passar a campanha num nível de dificuldade médio, e ainda tive algumas pausas pelo meio para alguns telefonemas mais longos. Mas a jogabilidade é sólida e claro, para quem gosta de jogos multiplayer, certamente que encontrou aqui muitas horas de divertimento. No meu caso não justificaria o full price.

Uncharted: Golden Abyss (Sony Playstation Vita)

E o primeiro jogo que joguei do início ao fim na minha Playstation Vita lá acabou por ser este Uncharted: Golden Abyss, já que ando numa onda de terminar esta franchise. Mas este título em particular não foi desenvolvido pela Naughty Dog, mas sim pelos Bend Studio, os mesmos por detrás da também saudosa franchise Syphon Filter. O meu exemplar foi comprado algures numa CeX no Norte do país em Fevereiro do ano passado, tendo-me custado 13€.

Jogo com caixa

Este Golden Abyss é uma prequela do primeiro jogo, protagonizando um Nathan Drake um pouco mais jovem e uma vez mais no encalço de um valioso tesouro, desta vez deixado para trás por uma extinta civilização algures no Panamá. Naturalmente, tal como nos outros jogos da série, teremos alguns antagonistas para enfrentar, nomeadamente um general de um exército revolucionário local e não só.

Nos primeiros níveis vamos tendo tutoriais que nos indicam os controlos e mecânicas de jogo

Numa primeira abordagem temos de considerar que este é um jogo feito a pensar numa consola portátil. E por muito tecnicamente impressionante que a PS Vita seja, comparando com a tecnologia da altura, não deixa de ser uma consola portátil. E à primeira vista, este Uncharted Golden Abyss parece portar-se muito bem, ao conseguir condensar a fórmula dos Uncharted numa portátil. Isto quer dizer que teremos na mesma as mecânicas de cover based shooting, a vertente de exploração ao resolver puzzles, procurar tesouros e outros coleccionáveis, bem como o platforming que já nos tinha sido habituado. Os controlos básicos são muito semelhantes aos Uncharted clássicos, com o botão círculo a colar-nos a paredes ou muros para servir de abrigo nos tiroteios, o botão L para apontar e o R para disparar. Confrontos corpo-a-corpo usam novamente o quadrado, mas naturalmente que teremos algumas mecânicas de jogo novas para tirar partido das características próprias do hardware da Playstation Vita, nomeadamente o seu uso do touchscreen frontal e traseiro. Com o touch screen podemos pressionar alguns ícones que poderão surgir no ecrã, bem como definir o arco que queremos atirar as granadas ou mesmo para alguns QTEs que vão surgindo ocasionalmente. Os sensores de movimento também vão sendo usados ocasionalmente, como na máquina fotográfica ou quando Nathan se desiquilibra ao atravessar alguma passagem estreita.

Os QTEs que o jogo nos apresenta obrigam-nos a usar o touch screen

O problema a meu ver é que a narrativa não é tão empolgante quanto nos Uncharted da série principal. São muito poucos aqueles momentos altamente cinematográficos e repletos de acção over the top, e por vezes o jogo força-nos demasiado a utilização dos gimmicks da Vita, como o touch screen e sensor de movimento. Eu gosto de pegar nas portáteis antes de ir dormir, e quanto menos tiver de me mexer na cama enquanto jogo melhor, o que não consegui fazer aqui. De resto, não temos nenhum modo multiplayer, mas o jogo tinha mesmo imensos coleccionáveis para apanhar, incluindo loot que os inimigos iam deixando cair e que poderia ser posteriormente trocado com outros jogadores através da aplicação Near da Vita. Mas esse serviço já está em baixo pelo que acabei por não o usar. Outros dos coleccionáveis são umas cartas que podem ser usadas no Uncharted Fight For Fortune, um trading card game dos mesmos produtores que saiu apenas em formato digital na PS Vita e que não planeio jogar.

Ocasionalmente teremos também de usar os sensores de movimento da portátil

No que diz respeito aos audiovisuais, estes estão muito bons tendo em conta as circunstâncias. O voice acting, tanto do Nathan Drake como do Sully é protagonizado pelos mesmos actores dos restantes jogos da série, pelo que podem contar com a mesma qualidade e o mesmo pode ser dito das restantes interpretações. Graficamente o jogo é muito bonito tendo em conta que está a correr numa consola portátil. É verdade que é um jogo de lançamento da PS Vita, mas serve precisamente para demonstrar as suas capacidades, ao apresentar paisagens e personagens muito bem detalhadas, bem como bonitos efeitos de luz. O problema é que não há grande variedade de cenários, estamos sempre a vaguear em selvas e templos antigos, com ocasionalmente algumas cavernas. E mesmo assim, os cenários são bem mais contidos, com corredores e poucas áreas abertas. A Vita é uma portátil muito impressionante para a sua época, mas não é uma Playstation 3.

Este é um puzzle interessante que nos obriga a direccionar a consola para uma fonte de luz

Portanto este Uncharted Golden Abyss apesar de não ser tão emocionante quanto os jogos da série principal, não deixa de ser um jogo bem sólido e não destoa assim tanto dos restantes. Se ao menos a narrativa estivesse nos mesmos padrões dos restantes e o jogo não forçasse tantas mecânicas de jogo diferentes, certamente seria um jogo bem melhor.