Hexen II (PC)

Mais um jogo que joguei bastante back in the day. Tal como o primeiro Hexen, que já cá trouxe a sua conversão para a Sega Saturn, este é mais um jogo na primeira pessoa produzido pela Raven Software, uma vez mais decorrendo num ambiente medieval e repleto de criaturas demoníacas. O meu exemplar foi comprado em Março deste ano no facebook, tendo-me custado 5€. É apenas a caixa de CD em jewel case que eventualmente fez parte da versão em Big Box, que gostaria de um dia a apanhar a um preço em conta.

Jogo com caixa jewel case

Tal como no primeiro Heretic e no primeiro Hexen, este jogo fecha a saga dos Serpent Riders, poderosas criaturas demoníacas que dominavam três diferentes mundos. Aqui teremos de libertar o mundo de Thyrion, que está sob o jugo de Eidolon, o mais poderoso dos Serpent Riders, se bem que também teremos os 4 Cavaleiros do Apocalipse para enfrentar. Tal como no Hexen, podemos escolher uma de várias classes com a qual jogar no início do jogo, como o Paladin, Crusader, Necromancer e Assassin. O Paladin e Crusader são ambas classes mais favoráveis ao combate corpo-a-corpo, embora o Crusader tenha mais pontos de vida e melhor defesa, já o Paladin é totalmente focado no ataque e é a única classe capaz de se mover na água livremente (assim que desbloquearmos a skill Free Action). O Assassin e o Necromancer são personagens mais frágeis fisicamente, mas possuem outras características que podem fazer a diferença. O Assassin ganha habilidades de se esconder nas sombras e os seus golpes são bem mais eficazes caso atinjamos um inimigo pelas costas, enquanto o Necromancer possui muitos pontos de mana e as suas armas são feitiços poderosos.

A temática medieval sinistra está muito bem aqui representada

Portanto, há aqui um ainda maior foco em mecânicas de RPG, pois cada vez que matamos um inimigo vamos ganhando pontos de experiência, subir de nível, melhorar os nossos stats e ocasionalmente lá vamos aprender novas skills também. Para além disso, iremos encontrar imensos itens diferentes, alguns de consumo imediato (que regeneram a nossa barra de vida ou pools de mana), ou outros que poderemos armazenar num inventário e usá-los quando bem entendermos. Estes podem-nos dar invencibilidade temporária, teletransportar para o início do nível, transformar os inimigos em ovelhas, melhorar os nossos stats como a velocidade ou ataque, entre muitos outros. Para além das mecânicas de RPG estarem um pouco mais presentes, a exploração, puzzle solving e backtracking continuam na ordem do dia. Tal como o seu predecessor temos uma série de níveis todos interligados, onde teremos de procurar chaves e outros itens que nos irão desbloquear novas zonas e eventualmente chegar ao boss daquele mundo, para depois repetirmos o processo numa zona completamente diferente. Teremos de passar cada nível a pente fino, à procura de passagens secretas, objectos destrutíveis, botões e alavancas que poderão activar qualquer coisa num outro nível também, daí o tal backtracking estar também muito presente.

No final de cada mundo temos um boss para defrontar

No que diz respeito aos audiovisuais, enquanto o Heretic e Hexen usavam versões melhoradas do motor gráfico do Doom, este Hexen II já possui o motor do Quake por base. Ou seja, teremos níveis, objectos e inimigos completamente renderizados em 3D, o que permite uma maior geometria e criatividade na criação dos níveis. E é isso mesmo o que acabou por acontecer, pois os níveis possuem muitos detalhes interessantes e, mesmo dentro do mesmo hub, acabam por ser algo diferentes entre si. O mundo de Blackmarsh, tem o seu castelo, cidade fortificada com vários estabelecimentos comerciais, um moinho, um palácio, estábulos, entre outros. Já os mundos seguintes têm temáticas diferentes. O domínio da Morte faz lembrar bastante as grandes civilizações da América Central e do Sul, com os seus templos, enquanto o domínio da Peste é um mundo mais próximo do antigo Egipto. Por fim, o mundo da Guerra faz lembrar a Roma antiga, enquanto que quando enfrentamos Eidolon, voltamos aos castelos medievais. No que diz respeito ao som, nada a apontar. As músicas são calmas, porém tensas, o que contribui bem para a atmosfera opressora que o jogo incute. Os efeitos sonoros são os típicos da altura, com os grunhidos das criaturas e da nossa personagem quando ataca ou sofre dano.

Temos diferentes classes para explorar, com habilidades e armas distintas entre si

Portanto este Hexen II é um jogo muito interessante pelas suas componentes de RPG e exploração, mas o backtracking extremo, e a necessidade de passar cada nível a pente fino para procurar passagens secretas e interruptores ou alavancas escondidas irão certamente alienar algumas pessoas. Portanto, quem não gostou do primeiro Hexen por esse motivo, aqui não irá ser diferente. No entanto, para quem gostou do anterior, irá certamente gostar deste também, não só pelas mecânicas de jogo familiares, mas também pelos seus visuais mais apelativos, novas classes e habilidades.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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