Gradius (Nintendo Entertainment System)

Já abordei brevemente o primeiro Gradius na compilação Gradius Collection para a Sony PSP, que inclui os primeiros quatro títulos da saga (nas suas versões arcade) mais o Gradius Gaiden que havia sdo lançado originalmente para a Playstation 1. Esta versão para a NES é naturalmente mais modesta, tendo sido a primeira conversão deste jogo que a Konami trabalhou. O meu exemplar foi comprado no passado mês de Julho numa loja online, tendo-me custado uns 15€.

Cartucho solto

A saga Gradius coloca-nos numa batalha galáctica para defender a nossa civilização de um ataque de uma outra civilização alienígena. Teremos então vários níveis que decorrem em pleno espaço, outros com asteróides cheios de estátuas da ilha da Páscoa e, naturalmente, outros níveis por onde começamos a visitar cavernas ou zonas mais high-tech.

Os primeiros bosses vão sendo variações desta nave, onde teremos de destrur o seu núcleo no centro. Tudo o resto é impermeável ao nosso fogo.

O sistema de power ups é, no entanto, a mecânica de jogo mais conhecida dentro da série. Todos os power ups que apanhamos possuem ícones iguais e a única coisa que fazem é avançar a barra de power up para a categoria seguinte, que por sua vez possui as categorias de Speed, Missile, Double, Laser, Option ou Shield. Uma vez seleccionado o power up que desejarmos, basta pressionar o botão A para o podermos activar e a barra de power ups faz novamente reset. Enquanto não perdemos nenhuma vida, pois se isso acontece perdemos todos os power ups que tenhamos activado até então, poderemos ir melhorando bastante a performance da nossa nave, sendo que poderemos activar o mesmo power up mais do que uma vez. As options, as naves espaciais secundárias que nos seguem e disparam os mesmos projécteis que nós, por limitações de hardware apenas poderemos ter duas activadas em simultâneo, enquanto na versão original poderiamos ter quatro.

À medida que vamos avançando no jogo começamos a encontrar bosses mais orgânicos, um conceito que foi mais explorado na série R-Type

Graficamente é um jogo bem interessante para a época, sempre gostei do design da nave da série Gradius, mas naturalmente que a versão NES é bem mais simplificada em relação ao original arcade. E sim, quando as coisas começam a ficar mais apertadas, com mais inimigos e projécteis a voar, o jogo também dá de si e abranda um pouco, o que até pode dar algum jeito para esquivar de fogo inimigo. Mas claro, como muitos jogos do género, não é um jogo fácil, obrigando-nos a reflexos rápidos e memorizar onde os inimigos vão surgir, bem como os seus padrões de fogo habituais. No que diz respeito às músicas, sinceramente não as achei nada de especial, a não ser uma ou outra melodia que tenha ficado mais na memória.

Portanto esta primeira adaptação do primeiro Gradius, apesar de algo modesta tendo em conta as limitações de hardware impostas pela NES, não deixa de ser um jogo interessante e agradável de jogar. Com o decorrer do tempo foram saindo adaptações melhores como é o caso da versão PC Engine, ou outras bem mais fiéis à versão arcade, que começaram a surgir em distintas compilações desde a era da Saturn/Playstation até às consolas actuais.

Space Invaders (Atari 2600)

Lançado originalmente nas arcades pela Taito em 1978, Space Invaders foi um jogo absolutamente revolucionário pelas sua jogabilidade viciante e por servir de fundação a muitos outros shooters que lhe seguiram, como os Galaga/Galaxian. A primeira conversão para um sistema doméstico foi precisamente para a Atari 2600 em 1980 que acabou por ter imenso sucesso e deu uma grande vantagem comercial à consola da Atari em relação à sua concorrência. O meu exemplar, tal como os restantes da Atari 2600 que cá trouxe ao longo deste mês, foi comprado no passado mês de Julho numa feira de velharias, num bundle com a consola, alguns jogos e acessórios por 25€.

Cartucho solto

O conceito deste Space Invaders é simples, mas desafiante. Num único ecrã, temos uma matriz de vários extraterrestres que se vão movendo horizontalmente e depois descendo, cada vez que descem e enquanto os vamos destruindo, vão também se movendo mais rápido. Temos de evitar que entrem em contacto com a superfície da Terra e para isso podemos controlar um canhão de raios laser montado na superfície e que se move horizontalmente. Para além de evitar que os aliens aterrem no planeta, devemos evitar também os seus ataques, pois caso um dos seus raios laser nos atinja, perdemos uma vida imediatamente. Para melhor nos proteger do fogo inimigo, teremos também quatro bases espalhadas pelo ecrã, que servem de escudos do fogo inimigo. Mas estas vão sendo parcialmente destruidas pelos aliens, pelo que poderão deixar de ser úteis ao fim de algum tempo.

Não é boa ideia deixar os extraterrestres se aproximarem muito da superfície!

Para além disso, temos de tentar ser o mais precisos possível e adivinhar onde os aliens vão estar quando disparamos, pois apenas podemos ter um disparo a viajar pelo ecrã de cada vez. Só quando o nosso disparo atingir alguém ou desaparecer do ecrã é que poderemos disparar outro, o que nos poderá custar alguns momentos preciosos se falharmos um tiro. Tipicamente, ao brincar com as switches da Atari 2600 poderemos alternar entre diferentes variações da jogabilidade básica, e aqui temos ao todo 112 variações para explorar, distribuidas entre vertentes single player ou para dois jogadores.

Graficamente é um jogo muito simples, já o era na arcade e, apesar de as sprites não estarem tão boas quanto no original, é um jogo que transitou muito bem entre a versão original arcade e esta para Atari 2600, tanto nos seus visuais, como nos efeitos sonoros, faltando apenas a pequena músicas de poucas notas que vai tocando e aumentando de velocidade em conjunto com os aliens, na versão original.

PGA European Tour (Sega Mega Drive)

Voltando às rapidinhas a jogos desportivos, ficamos agora com o PGA European Tour para a Mega Drive, que é basicamente o PGA Tour Golf II, mas exclusivamente com campos de golf europeus, nomeadamente britânicos, espanhóis, franceses e suíços. No mesmo ano a EA lançou ainda o PGA Tour Golf III, este já com uma interface e motor gráfico diferente. O meu exemplar foi comprado a um particular por cerca de 6€ se bem me recordo, no passado mês de Julho.

Jogo completo com caixa e manual

Começando pelo menu inicial, que ainda se assemelha bastante a um jogo da velha guarda do MS-DOS. No que diz respeito aos modos de jogo, temos os modos de treino Driving Range e Putting Green, que nos permite treinar precisamente as tacadas de abertura e o putting, onde já estamos próximos do buraco. Podemos jogar sozinhos um circuito de ponta a ponta no modo practice também, mas o grande desafio está mesmo no modo torneio onde já iremos competir contra todos os outros golfistas. O Skins Challenge, onde a pontuação é atribuida de forma diferente está também aqui presente, assim como outros dois modos de jogo, o “Match Play” e o “Shoot-Out”, que parecem ser modos de competição mais curtos. No que diz respeito às mecânicas de jogo, contem com o habitual. Teremos de ter em atenção a força do vento, a distância ao buraco, obstáculos naturais como água, poços de areia ou árvores e ter o cuidado seleccionar o melhor taco para cada situação. Antes de dar a tacada teremos portanto de ajustar a nossa direcção e quando o fizermos, temos os habituais “medidores de energia” que funcionam a dois tempos: primeiro seleccionamos a potência da tacada, depois o seu efeito.

Os grafismos e mecânicas de jogo são muito semelhantes às do seu predecessor, mas agora temos paisagens europeias para apreciar

Já no que diz respeito aos audiovisuais, tal como referi no início do artigo, este é basicamente o PGA Tour Golf II, mas com novos golfistas e circuitos europeus. Logo o menu inicial parece uma interface de um jogo antigo de PC com suporte ao rato, e de resto a nível gráfico, é mesmo muito semelhante ao seu predecessor. O que não é necessariamente uma má coisa pois continuamos com aqueles detalhes interessantes de ter conselhos dos vários golfistas quando transitamos de um buraco para outro, ou os comentários de um apresentador televisivo. As músicas, apesar de agradáveis, apenas se ouvem nos menus e entre partidas, pois durante as partidas em si, apenas ouvimos os sons da natureza e das tacadas.

Portanto este PGA European Tour, para quem já tiver jogado um dos PGAs anteriores, vai-se sentir bem em casa pois partilha as mesmas mecânicas de jogo. Prima precisamente por incluir alguns circuitos e golfistas europeus, algo que não acontecia nos PGA anteriores que se focavam nos Estados Unidos.

Sonic Spinball (Sega Master System)

O Sonic Spinball da Mega Drive é considerado por muitos como a ovelha negra na série na era dos 16bit. Sinceramente eu até que gostei do jogo, com as suas mesas gigantes, repletas de segredos para descobrir, incluindo todas as esmeraldas caóticas que somos obrigados a apanhar antes de nos deixarem defrontar o boss e passar para o nível seguinte. A Sega aproveitou também para desenvolver uma versão 8bit, cuja acabou sendo lançada para a Game Gear e para a Master System, visto esta ainda ser uma plataforma relevante naquela época, pelo menos na Europa e Brasil. O meu exemplar veio parar à minha colecção através de uma troca que fiz com um amigo meu, por um jogo repetido que tinha aqui por casa. É a versão normal, mas anseio por encontrar a versão portuguese purple a um preço apelativo, para fechar o meu set. Um dia que a encontre, este artigo será actualizado.

Jogo com caixa

Portanto este jogo é, na sua essência, muito similar ao original da Mega Drive, mas naturalmente bem mais simplificado devido às limitações da Master System. Temos na mesma 4 níveis principais para explorar, intercalados por níveis de bónus, com direito a um boss no final de cada nível. Cada nível possui uma temática diferente (as mesmas da versão Mega Drive) e teremos de explorar as diferentes mesas de pinball, ao abrir passagens secretas, interagir com interruptores, destruir inimigo e afins, para que consigamos apanhar todas as esmeraldas espalhadas por cada nível e assim avançar no jogo. Também teremos alguns pequenos segmentos de platforming, onde conseguimos controlar o Sonic normalmente, incluindo o seu spin dash.

E aquele robot gigante que nos tenta comer na versão Mega Drive?

Mas enquanto os níveis principais são parecidos aos originais da Mega Drive, quanto mais não seja pelas temáticas visuais, os níveis de bónus são completamente diferentes, o que se compreende, pois o efeito visual dos níveis de bónus na versão Mega Drive é de facto muito interessante e a Master System não conseguiria reproduzir da mesma forma. Aqui temos então níveis bem mais simplificados, também com mecânicas de pinball, onde teremos uma série de obstáculos para ultrapassar e itens para apanhar como tempo, vidas  ou continues extra. A ideia é apanhar a maior parte dos anéis e itens de bónus dentro do tempo limite, bem como desbloquear a saída do nível. Caso não o façamos a tempo, perdemos todos os bónus coleccionados!

A cutscene de abertura não é tão trabalhada como na versão 16bit

A nível gráfico, é um jogo colorido, embora naturalmente não tenha o mesmo nível de detalhe que a versão Mega Drive possui. As temáticas dos níveis são similares, começando pelo primeiro que é um nível tóxico e cheio de esgotos, passando por outro repleto de lava, culminando em dois níveis mais high-tech. Já as músicas, tal como na versão Mega Drive, até que me surpreenderam bastante pela positiva, pelo que são bem agradáveis.

Vamos sempre tendo muito que explorar aqui!

Portanto este Sonic Spinball é uma conversão que se tentou manter o mais fiel possível à original da Mega Drive, mesmo com as maiores limitações de hardware da Master System. Creio ser o único jogo minimamente pinball existente na plataforma (mais um mini jogo no Casino Games), pelo que também é necessário ter isso em conta. Mas sim, também é um jogo frustrante por vezes, quando queremos guiar a bola em passagens específicas, ou quando as físicas ganham vida própria.

Planet Patrol (Atari 2600)

Voltando às rapidinhas, vamos ficar com mais um joguinho interessante para a velhinha Atari 2600. Tal como os outros títulos dessa consola que analisei aqui recentemente, este Planet Patrol veio do mesmo bundle de jogos, consolas e acessórios que comprei recentemente numa feira de velharias por 25€.

Cartucho solto e já viu melhores dias

Este é um shooter horizontal que, apesar de bastante primitivo, inclui uns quantos conceitos interessantes para 1983. Aqui controlamos uma nave espacial que voa à superfície de um planeta, com o ecrã em scrolling automático da direita para a esquerda. Com a nave a mover-se automaticamente nessa direcção, resta-nos controlá-la para cima ou para baixo para evitar mísseis inimigos e claro, disparar a nossa arma para abater as naves inimigas. Uma vez fechada essa onda, aparece-nos uma nave espacial preta que não devemos abater mas sim tocar. Depois vemos uns 3 geradores no chão protegidos por um campo de forças. Temos de os destruir atempadamente antes de colidirmos com eles! Mas uma vez destruídos, o ecrã fica repleto de destroços pelo que teremos de procurar um caminho seguro para os atravessar. Uma vez passado esse perigo, vemos uma pista de aterragem onde devemos aterrar para sermos reabastecidos com mais combiustível.

Nós controlamos a nave branca. Reparem na sua sombra em baixo

E assim está concluída a primeira vaga. Tal como muitos outros jogos da época este não tem fim e o objectivo é o de sobreviver o máximo de tempo possível e maximizar a pontuação. Um detalhe interessante é que ocasionalmente o jogo vai passando do dia para a noite e quando anoitece não conseguimos ver nada! Apenas quando disparamos é que o ecrã passa a ser visivel por alguns segundos, e é aí que teremos de memorizar onde estão os inimigos para abater e obstáculos para evitar. Mas cada vez que disparamos também perdemos um pouco de combustível portanto o desafio vai-se tornando cada vez maior.

Quando surge esta nave preta, devemos acoplar-nos a ela e resgatar os seus ocupantes

No que diz respeito aos visuais, bom este é um jogo simples tendo em conta o hardware onde corre mas ainda assim tem alguns detalhes interessantes. As naves, mísseis e inimigos no geral parecem mesmo naves e mísseis e a nossa nave tem uma sombra representada na superfície, um detalhe interessante. De resto, a nível de som as coisas são bastante simples também, porém funcionais.

Finalizado tudo isto, é aterrar e reabastecer

Portanto este Planet Patrol, apesar de ser um jogo bastante primitivo para os shmups que estamos habituados hoje em dia, acabou na mesma por me surpreender bastante pela positiva, com alguns dos detalhes que foram ali incluídos.