Gradius Collection (Sony Playstation Portable)

Uma das coisas que mais me interessou na PSP é que, devido ao seu hardware excelente para a época, permitiu trazer versões portáteis de vários clássicos da PS1 (especialmente RPGs que se tornaram muito caros ou que não tinham sido lançados anteriormente em solo europeu). Outra coisa é mesmo a quantidade de compilações retro, na qual esta Gradius Collection se encaixa. A série Gradius é uma das mais antigas e importantes dentro do género, estando repleta de várias sequelas e spin-offs que deram origem a séries paralelas, como Nemesis, Salamander, ou Parodius. Esta compilação possui ports arcade dos primeiros 4 Gradius da série principal, mais o Gradius Gaiden. O meu exemplar foi comprado a um particular algures em 2016 se bem me lembro. Acho que me custou à volta de 12€.

Jogo com caixa e manual. Versão norte-americana.

O primeiro Gradius foi lançado em 1985 e serviu de pedra basilar para introduzir as mecânicas de jogo pela qual a série é bem conhecida, nomeadamente o seu sistema de power-ups. Na parte inferior do ecrã temos uma barra dividida em diferentes segmentos. Ao apanhar o primeiro power-up, o primeiro segmento da barra acende-se (Speed) se nada fizermos e apanharmos um outro power-up, o segmento seguinte acende-se e fica pré-seleccionado, o Missile. Se mais uma vez nada fizermos, o próximo item que apanharmos torna o Double pré-seleccionado e por aí fora. Assim que seleccionarmos um destes power-ups ficamos com ele e a barra de power ups faz reset. Poderemos também ter alguns upgrades a power ups que já tenhamos equipados, ou seja, se formos bons, poderemos ficar com uma nave bastante overpowered. No entanto, a menos que tenhamos o escudo frontal desbloqueado, basta um tiro certeiro para perdermos uma vida e todos os powerups que tinhamos até à data. Ao morrer o jogo não nos obriga a jogar o nível do início, mas recomeçamos a partir de um checkpoint, o que pode tornar as coisas complicadas se morrermos a lutar contra um boss, por exemplo. Por outro lado, para os jogadores experientes e que conheçam bem os níveis e as dificuldades que cada um representa, este sistema de power ups é uma mais valia visto que podemos ir evoluindo a nave consoante as nossas necessidades.

Gradius II e os seus dragões de fogo!

Este primeiro Gradius era um jogo modesto para 1985. É claro que sendo esta uma boa conversão arcade, não perdemos grande qualidade face ao lançamento original e vamos tendo níveis com muitos projécteis e inimigos a voarem em simultâneo. Os níveis vão sendo algo diferentes entre si, mas já com aquelas zonas que se tornaram algo cliché dentro do género: níveis no espaço aberto, em cavernas, ou através de bases todas high-tech. Os bosses podem ser também orgânicos.

O Gradius II (não confundir com Gradius 2) já é um jogo mais refinado. Mantém as mesmas mecânicas de jogo base, mas antes de cada partida permite-nos escolher um de vários setups da barra de power-ups, cada uma com diferentes tipos de armas que podem ser desbloqueadas. Também temos 2 escudos diferentes, um frontal que aguenta com vários projécteis, ou outro que protege a nave toda, mas apenas aguenta com três colisões. Os gráficos são melhores, com cenários muito mais interessantes e detalhados (sempre gostei daquelas serpentes de fogo!), mas acabaram por abusar um pouco na dificuldade. Temos partes de níveis com tantos inimigos a disparar contra nós, ou outros obstáculos (como o campo de cristais quando o atravessamos) que sobreviver acaba por ser muito mais complicado.

Muito estranho este nível no Gradius III

O Gradius III não difere muito do jogo anterior. As mecânicas de jogo são similares e os gráficos são igualmente bons, assim como os níveis que por vezes nos vão dar muito trabalho a desviar de obstáculos (o nível das bolhas de ar que o diga). O que tem de diferente é o Edit mode, que nos oferece uma maior liberdade de customização da barra de powerups. Ah, e também há ali um nível muito estranho com uma perspectiva em 3D que faz lembrar o After Burner!

Nunca percebi o fascínio da Konami com as estátuas da ilha da Páscoa. Em todos os Gradius temos de ter um nível só disso!

O jogo seguinte da compilação é o Gradius Gaiden, que é o único aqui presente que não foi desenvolvido de raiz para as arcades, tendo sido um exclusivo da Playstation 1 até ao momento que esta compilação foi lançada. Aqui a primeira coisa que nos chama à atenção são os seus belos gráficos, com sprites 2D muito bem detalhadas e o jogo repleto de efeitos de luz e transparências que lhe dão logo outra vida! No que diz respeito às mecânicas de jogo, aqui simplificaram um pouco a liberdade que tínhamos no Gradius III em customizar a nossa barra de power-ups. Desta vez, antes de começar a aventura, temos a possibilidade de escolher uma de várias naves diferentes, cada qual com a sua própria configuração de prédeifinida de power ups.

Gradius IV já apresenta gráficos poligonais, mas não têm o mesmo carisma que os clássicos.

Por fim, o último jogo desta compilação é o Gradius IV que mais uma vez foi desenvolvido originalmente para arcade, lançado inicialmente em 1997. Ao contrário do Gaiden, este já é um jogo com gráficos em 3D poligonal, embora mantenha a jogabilidade 2D dos clássicos. Sinceramente prefiro de longe os gráficos do Gradius Gaiden do que estes em 3D, acho que perderam algum do brio que os caracterizava. No que diz respeito à jogabilidade, este jogo herda o mesmo sistema de power-ups que no Gradius II, onde podemos escolher uma ordem de várias alternativas já pré-definidas. Existem no entanto algumas armas novas para experimentar numa ou noutra opção. De resto é um jogo que foi convertido originalmente para a Playstation 2, versão essa que acredito que esteja melhor do que a que vemos aqui na PSP, isto pois aqui, para além de não haver o suporte ao modo multiplayer, é notório algum slowdown em certas zonas.

De resto, esta compilação acaba por ser bastante interessante, pois para além de serem conversões bem competentes, ainda temos algumas features como gravar o progresso nos jogos em certos checkpoints. Este tipo de compilações eram bastante comuns no Japão, numa altura em que o revivalismo retro estava em altas. Também por lá saiu o Salamander Collection, uma colectânea de uma série parente de Gradius que é pena não ter saído por cá.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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