Double Switch (Sega Mega CD)

Voltando às rapidinhas, vamos agora ficar com mais um jogo baseado em full motion video para a Mega CD. Também produzido pela Digital Pictures, este Double Switch é uma espécie de sucessor do Night Trap pois partilha as suas mecânicas de jogo, na medida em que teremos uma série de divisões para vigiar e activar armadilhas sempre que necessário para afugentar intrusos. O meu exemplar foi comprado na CeX no passado mês de Agosto, tendo-me custado 20€.

Jogo com caixa e manuais

O jogo decorre num pequeno prédio de apartamentos onde somos recrutados por Eddie, um residente lá do sítio que montou um sistema de segurança, mas por algum motivo ficou lá trancado e não consegue sair. Eddie pede-nos inicialmente para controlar o sistema de segurança e estar atento não só ao bem estar dos restantes habitantes do prédio e activar armadilhas caso sejam importunados por bandidos, mas também para estar atentos a uma série de códigos de segurança que lhe permitam sair da cave. Ao contrário do Night Trap temos agora uma indicação visual no mapa do prédio que nos informa sempre que algum habitante, bandido ou outro invasor entra nalguma divisão, pelo que teremos de activar a câmara da divisão respectiva, preparar as armadilhas e, quando alguém passar junto das mesmas, activá-las para aprisionar as pessoas.

Para além da preocupação em rearmar as armadilhas, temos de activar a armadilha certa no momento certo

O jogo dá-nos alguma margem de erro para falha, quer ao aprisionar pessoas inocentes por engano, quer ao não aprisionar nenhum bandido. Há situações em que os bandidos apenas se passeiam por alguma divisão sem causar problemas e se os deixarmos escapar ocasionalmente não temos problemas. Temos é de garantir que capturemos inimigos vezes suficientes e, acima de tudo, evitar que eles interfiram com o sistema eléctrico ou telefónico, ou quando atacam directamente algum dos habitantes do prédio. Aí é mesmo game over. No segundo acto teremos também de ter em atenção uma outra pessoa que nos irá activar algumas novas armadilhas, que serão essenciais para conseguirmos finalizar o jogo no capítulo seguinte.

A nível audiovisual, bom, esta versão Mega CD apresenta um vídeo de baixa qualidade como é habitual na plataforma. O acting dos actores não é nada de especial (assim como a história em si que envolve tesouros egípcios, múmias estranhas e afins). Um dos apartamentos é habitado por uma banda de hard rock e eles a certa altura até começam a ensaiar uma música que era bem porreira, pena não existir na internet nenhuma versão completa!

Pausando o jogo podemos observar onde estão colocadas as armadilhas em cada divisão

Portanto, este Double Switch é um jogo que de certa forma refina a fórmula introduzida no Night Trap, mas ainda me deixa com algumas insatisfações. Tal como o Night Trap, como vamos ter de estar sempre a trocar de câmara e cada câmara está a transmitir em real time informação diferente, vamos perder sempre alguma coisa da história principal porque entretanto disparou um alarme noutro apartamento e lá teremos de ir ver o que se passa. Mas o facto de nos avisarem quais salas têm gente e se são habitantes e/ou intrusos já foi uma excelente ajuda! De resto, este jogo foi também relançado em 1995 para a Saturn e PC, com uma qualidade de imagem muito melhor. E bem mais recentemente tivemos direito a versões remasterizadas que sairam em mobile e posteriormente nas plataformas actuais, versões essas certamente com a melhor qualidade de imagem e som.

Heavy Nova (Sega Mega Drive)

Heavy Nova é um título curioso. Lançado originalmente no Japão para a Mega CD em 1991, acabou por receber também um lançamento norte-americano, mas para a Mega Drive, ou Genesis, como é por lá conhecida. Cá na Europa não tivemos essa sorte (e sinceramente também se perdeu pouco), mas acabamos por receber a sua sequela, o Black Hole Assault. O meu exemplar foi comprado no ebay algures no mês de Agosto, tendo-me custado 8 dólares mais quase o dobro em portes de envio…

Jogo com caixa e manual, infelizmente com um sticker manhoso mesmo no cartucho!

O jogo decorre no futuro, onde uma raça alienígena entra em contacto com a Terra e oferece-lhe tecnologia que os fazem avançar bastante como civilização. No entanto, embora eles não expliquem isso lá muito bem, tudo isto fazia parte de um plano para os aliens escravizarem a nossa raça, os humanos descobrem a tempo e lá os conseguimos derrotar. O jogo decorre anos após estes acontecimentos, onde os humanos desenvolveram uma série de mechas high tech para proteger o nosso planeta de ameaças externas e basicamente nós vamos encarnar num piloto prestes a cumprir o seu teste práctico final da academia militar.

Se ao menos a Micronet tivesse investido tanto na jogabilidade como na apresentação…

No seu modo single player, cada novo nível começa com um segmento de platforming, onde teremos de derrotar alguns robots e evitar obstáculos. No final desse nível é quando temos de derrotar o boss, com o jogo a assumir as mecânicas de jogo de um fighting game. Logo na primeira fase vemos que controlar os robots é algo lento e que exige muita paciência e quando somos levados para as lutas propriamente ditas… bom é aí que vemos que o jogo é realmente muito pobre. Temos 2 botões de ataque, um de socos e outro de pontapés, mas com ambos os botões poderemos desencadear uma série de diferentes ataques, que irão depender de vários factores: alguns golpes terão de ser desbloqueados ao coleccionar pontos de experiência nos níveis de platforming, e uma vez desbloqueados muitos acabam por depender também da nossa distância em relação ao robot inimigo, mas também do nível de energia disponível, que é medido numa barra de energia mesmo abaixo da barra de vida. Com essa barra de energia muito baixa nem nos conseguimos mover, com a barra bem alta poderemos desencadear alguns golpes mais poderosos. Isto tudo são muitas variáveis para dois botões apenas! E depois os controlos são lentos, não muito responsivos e, acima de tudo, as mecânicas de detecção de colisões são horríveis. E caso não derrotemos o robot inimigo no tempo disponível, mesmo que no fim do combate tenhamos mais vida, é na mesma game over e toca a gastar continues.

No modo história antes de combater o robot inimigo temos um pequeno nível de platforming para atravessar. Se ao menos o nosso robot fosse mais ágil!

A jogabilidade é portanto muito mal implementada e desnecessariamente complicada, mas pelo menos no factor audiovisual até achei o jogo bem competente. No início e fim temos uma cutscene bem animada e visualmente impressionante, já durante o jogo, apesar de os gráficos não serem a melhor coisa do mundo, não deixam de ser minimamente atractivos, bem como a música que também me pareceu bem conseguida. A versão Mega CD que, tal como referi anteriormente se ficou apenas pelo Japão, é em tudo idêntica à versão Mega Drive, com a diferença de incluir música em formato CD Audio (que também me pareceu muito interessante).

Os combates 1 contra 1 têm as mecânicas de jogo mais desnecessariamente complicadas de sempre

Portanto este Heavy Nova é um jogo que apesar de tecnicamente trazer alguns pontos bem interessantes, peca, e muito, na sua jogabilidade, com controlos lentos, imprecisos, uma detecção de colisão horrível e falta de variedade entre robots, pois todos partilham o mesmo skill set, embora existam alguns robots que não conseguem voar. Pelo que, no caso de jogar partidas a 2, não há motivo nenhum para escolher um desses mechas. O Black Hole Assault mantém a mesma identidade visual, uma vez mais com óptimas cutscenes, mas a jogabilidade, apesar de ligeiramente melhor, continua a deixar bastante a desejar.

Altered Beast (Sega Master System)

Altered Beast foi um jogo que, apesar de não ter envelhecido lá muito bem, causou algum furor nas arcades devido ao seu conceito, onde os heróis se poderiam transformar em diferentes animais e ganhar super poderes. A versão Mega Drive foi um dos seus títulos de lançamento, tendo sido até inclusivamente distribuido com a Mega Drive em muitos mercados. Foi um jogo que até se revelou numa boa conversão face ao original e servia para mostrar o poder da consola de 16bit da Sega face à sua concorrente mais directa da altura, a NES. Eventualmente uma versão para a Master System foi também lançada, mas esta é muito mais modesta. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no mês passado, por 5€.

Jogo com caixa e manual

Como já cá trouxe a versão Mega Drive, este vai ser mais uma rapidinha. Começamos por ver que esta versão é mais simplificada: aparecem menos inimigos no ecrã em simultâneo e os níveis foram altamente simplificados. As spirit balls, os power ups que nos deixam mais fortes até nos transformarem numa outra criatura, são agora necessários apanhar apenas duas, enquanto que precisavamos de 3 na Mega Drive. Os controlos consistem num botão para socos e outro para pontapés, sendo que temos de pressionar ambos em simultâneo para saltar (sim dava jeito outro botão no comando da Master System).

Rise from your grave! O homem não diz isso nesta versão mas eu ouço-o mentalmente

A nível gráfico, tal como referi acima esta é uma versão mais simplificada. Lembro-me particularmente do segundo nível, nas cavernas, possuir muito mais detalhe na versão da Mega Drive! O scrolling também não é fluído, nem as animações como um todo. As músicas não são desagradáveis de todo e o jogo até que vai possuindo algumas vozes digitalizadas – mas não o Rise from your grave do Zeus logo no início do jogo, o que é pena. De resto é uma adaptação algo fraca de um jogo arcade que sinceramente até envelheceu bastante mal. O seu tema da licantropia era certamente o que lhe dava mais fama mesmo na época!

Doom 64 (Nintendo 64)

Voltando à Nintendo 64, ficamos agora com o Doom 64 que, ao contrário de todas as outras adaptações que haviam saído para outros sistemas até então, não é uma conversão do clássico mas sim um jogo inteiramente novo. Produzido pela Midway, este é um FPS bastante competente para a Nintendo 64, tanto que, mesmo após algumas conversões feitas por fãs para o PC, acabou mesmo por sair uma conversão oficial para todos os sistemas actuais. O meu exemplar foi no entanto comprado como new old stock de uma loja no Porto, algures no final de 2015, tendo-me custado uns 5€.

Jogo com caixa, manual e papelada

A história decorre depois dos eventos de Doom, Doom II e respectivas expansões (Ultimate e Final Doom), onde o desgraçado do mesmo space marine é enviado para uma outra base espacial da UAC para investigar uma nova investida demoníaca. Eventualmente lá acabamos por voltar ao Inferno e defrontar o/a líder desta nova ameaça. Pelo meio, deixaremos centenas de cadáveres de zombies e outras criaturas demonícas que se atravessam no nosso caminho!

Os controlos são relativamente simples visto que apesar deste ser um novo jogo do Doom, segue na mesma as suas mecânicas básicas, onde não poderemos olhar para cima ou para baixo, bastanto apontar a arma na direcção dos inimigos que eventualmente lhes acertamos, estejam eles acima ou abaixo de nós. Portanto o analógico ou d-pad serve para movimentar a personagem, com o botão Z para disparar. Os botões A e B servem para alternar por entre as diferentes armas que vamos equipando, enquanto que os botões C servem para funcionalidades diversas como abrir o mapa, correr, abrir portas ou activar o strafing. Os gatilhos L e R também servem para strafing para a esquerda ou direita o que já não dá tanto jeito pois não temos uma terceira mão para agarrar na parte central do comando e disparar.

Estes binóculos dão um jeitaço nalguns níveis!

De resto contem com o Doom clássico, os mesmos inimigos (com uma ou outra omissão e um ou outro inimigo novo), os mesmos itens, power ups e armas, sendo que temos uma arma nova que dispara raios laser e usa as mesmas munições da Plasma Rifle e BFG-9000. É novamente um FPS intenso, onde iremos ter dezenas de inimigos para dizimar e níveis algo labirínticos, repletos de passagens secretas, que nos obrigam a uma exploração cuidada e procurar por chaves e interruptores ou alavancas para desbloquear novas áreas e progredir. Teremos também uns quantos níveis secretos para descobrir!

Velhos conhecidos, novas caras!

A nível de audiovisuais, esta é sem dúvida a melhor das surpresas. Os níveis, para além de serem inteiramente novos, possuem novas texturas de maior resolução, uma geometria mais complexa (até porque os cenários são todos renderizados como polígonos) e os inimigos, apesar de serem sprites em 2D na mesma, são sprites de muito melhor qualidade, tendo sido renderizadas em 3D e depois convertidas em imagens 2D que cobrem vários ângulos. Melhores efeitos de luz e nevoeiro são outras das vantagens ghráficas deste novo jogo. O único problema a meu ver está mesmo no facto de o jogo ser extremamente escuro, em especial nalguns níveis do Inferno. Coloquem a luminosidade no máximo, vai ser preciso! Os efeitos sonoros são muito semelhantes e competentes, já as músicas levam-nos numa direcção diferente do original PC. Enquanto que nesse as músicas eram MIDIs bem rock e metal, repletos de alguns riffs de guitarra orelhudos, aqui as músicas remetem-se para temas bem mais sinistros e ambientais. Resultam bem, sem dúvida. O jogo fica bem mais tenso quando vamos explorar os níveis às escuras, mas também gosto da vertente mais rock do original.

Só para terem uma noção do quão escuro este jogo pode ser!

Portanto temos aqui uma adaptação do Doom bastante surpreendente, mantendo toda a sua identidade dos clássicos, não só nas mecânicas de jogo como nos inimigos, armas e itens que poderemos usar, mas também surpreende bastante pela seu conteúdo inédito e superioridade gráfica quando comparando com as outras versões do clássico que haviam sido lançadas até então. Ficou a faltar foi um modo multiplayer e o facto de alguns níveis serem desnecessariamente escuros.

F1 Pole Position 2 (Super Nintendo)

Desde cedo que a nipónica Human Entertainment nos trouxe vários jogos de Formula 1, sendo que a sua série Human Grand Prix, conhecida por cá como F1 Pole Position, é sem dúvida a mais popular. Conhecida como Human Grand Prix no Japão, nem todos os seus jogos chegaram a sair no ocidente. Este F1 Pole Position 2 acabou por não sair nos Estados Unidos, tendo sido publicado na Europa por intermédio da UbiSoft. O meu exemplar foi comprado na cash converters algures durante o mês de Dezembro por cerca de 8€ se bem me recordo.

Cartucho solto

Dispomos de vários modos de jogo desde uma corrida de treino ou o modo Battle onde concorremos contra um oponente humano ou controlado pelo CPU. Mas o modo de jogo principal é, claro, o World Grand Prix, onde iremos participar na temporada de 1993-1994, com todos os circuitos, fabricantes e pilotos que participaram nessa temporada, excepto o saudoso Ayrton Senna que, devido ao seu trágico acidente que lhe tirou a vida em San Marino, acabou por ser substituído por Mika Hakkinen. Mas o jogo tem uma grande oferta de customização, a começar pelos próprios pilotos que podem ser editados, bem como os seus contratos alocados a outros fabricantes. Por exemplo, podemos colocar o Schumacher já a concorrer pela Ferrari, enquanto que nessa temporada ainda estava pela Benetton.

As opções de customização são surpreendentemente vastas!

Antes de cada corrida, como é habitual poderemos optar por correr algumas voltas de treino, a qualificação e por fim a corrida. Antes disso podemos no entanto customizar imensos aspectos no carro. Mediante o grau de dificuldade escolhido, o número de voltas e desgaste do carro, poderemos ter de ser chamados para ir à box, seja para trocar pneus, a suspensão, entre outras peças que podem ter desgaste durante as corridas. De resto, é lutar para chegar nos lugares cimeiros e garantir a melhor classificação possível no final da temporada.

A parte superior do ecrã pode ser alternada entre informação da corrida ou espelhos retrovisores

Passando para os audiovisuais, acho este um jogo interessante. Possui boas músicas, que apenas tocam nos menus, cutscenes e ecrã título, pois durante as corridas em si apenas ouvimos o ruído dos motores dos carros. Mas na parte gráfica, vamos começar pelas corridas. O jogo utiliza o mode 7 para desenhar os circuitos, tal como Super Mario Kart ou F-Zero o fizeram. Acredito que na altura isto até fosse algo visualmente atractivo, mas sinceramente nunca gostei muito do mode 7 utilizado desta forma, pois os circuitos ficam completamente planos, sem grande detalhe nas pistas. De resto, durante as corridas temos uma série de indicadores visuais interessantes, incluindo o estado do carro e do desgaste das suas peças. Fora das corridas, no entanto, é aí que o jogo vai apresentar detalhes bem mais surpreendentes. Ocasionalmente temos algumas cutscenes com animações e o detalhe mais interessante vai mesmo para as celebrações do pódio, cujos pilotos apresentam caras muito semelhantes às suas caras reais.

O pódio possui representações algo fiéis dos pilotos reais

Portanto este F1 Pole Position 2 até me parece uma boa alternativa para quem gostar do género, pelo menos na Super Nintendo. Possui imensas opções e customizações que irão agradar a quem preferir uma jogabilidade mais voltada para a simulação (o que não é de todo o meu caso), mas os gráficos mode 7 sinceramente deixam-me um pouco de pé atrás.