Advanced V.G. (PC-Engine CD)

Advanced V.G. ou Advanced Variable Geo, é o segundo jogo da saga Variable Geo, que começou por ser uma série de jogos de luta que se tem ficado apenas pelo Japão. E tal não é de estranhar, pois o seu primeiro jogo, chamado apenas de Variable Geo, foi lançado apenas para os computadores PC-98 e aparentemente continha bastante conteúdo hentai, o que aparentemente acontece em todos os jogos desta série lançados em computadores japoneses. Este Advanced V.G. é aparentemente uma conversão do Variable Geo original, mas com o conteúdo hentai removido e o mesmo parece acontecer para os restantes jogos da saga lançados em consolas. O meu exemplar foi comprado a um particular algures no mês de Janeiro por 20€.

Jogo com caixa, manual embutido na capa, registration card e spine

Ora este é então um jogo de luta de 1 contra 1 com um elenco completamente feminino. Muitas das lutadoras têm fatos de criada e estão a competir num torneio qualquer de artes marciais. Para um jogo que foi outrora hentai, tal não é de estranhar e deve fazer algum sentido. Dispomos no entanto diversos modos de jogo como o “Normal” que é essencialmente similar ao modo arcade de jogos de luta convencionais, o VS para dois jogadores e o modo história. Aqui neste último estamos restringidos a jogar com a personagem principal Yuka, defrontando cada uma das outras adversárias de cada vez e onde teremos direito a várias cutscenes animadas e narradas entre cada combate. A jogabilidade é simples e este é um dos jogos onde é recomendado o uso de um comando de 6 botões pois precisamos de pelo menos 4 botões faciais para socos e pontapés fracos ou fortes. Caso usemos um comando tradicional de 2 botões, lá teremos de fazer alguma ginástica adicional. Nesse caso, os botões I e II servem para socos e pontapés, mas a sua intensidade varia consoante o tempo em que mantemos cada botão pressionado.

Advanced V.G. é um clone de Street Fighter II até que bem competente. Pelo menos é fluído.

A nível audiovisual até que é um jogo bem conseguido para uma PC-Engine. As personagens estão bem detalhadas e animadas e visto que todas as personagens são femininas, assim como as origens hentai desta série, esperem por uns quantos momentos de fanservice. O jogo está repleto de cutscenes, particularmente se jogarmos o modo história. Mas mesmo antes de chegar ao ecrã título, temos umas quantas pequenas cutscenes narradas que apresentam todo o elenco. Estas cutscenes são igualmente coloridas, bem detalhadas e com o fanservice habitual. Sendo um jogo em formato CD esperem também por muitos diálogos, infelizmente inteiramente em japonês. As músicas são bastante variadas entre si e com uma qualidade CD audio e apesar de não serem propriamente desagradáveis, também não são necessariamente memoráveis.

O jogo está repleto de cutscenes animadas e devido à sua origem questionável, esperem por muitos panty shots

Portanto este Advanced V.G. é um jogo de luta que apesar de todo o fanservice que possui devido às suas origens mais questionáveis, até que possui uma jogabilidade fluída e é um jogo capaz de entreter. Está também repleto de cutscenes bem detalhadas e narradas, particularmente no modo história. Existem no entanto outras versões deste jogo que aparentam ser, pelo menos visualmente, melhores. Em 1995 a Super Famicom recebeu uma versão intitulada de Super V.G. com gráficos mais coloridos e detalhados mas sem as vozes e cutscenes animadas. No ano de 1996 foi a vez da Playstation receber uma versão aparentemente melhorada e no ano seguinte a Saturn também recebeu uma conversão, pelo que essas versões 32bit deverão ser mais interessantes.

Naxat Stadium (PC-Engine)

Vamos voltar às rapidinhas da PC-Engine com mais um jogo de desporto, desta vez o Naxat Stadium da própria Naxat, lançado originalmente em 1990. Ora, apesar de já entender um pouco melhor como se joga este desporto, eu continuo a não ser fã de baseball, daí o motivo deste artigo ser extremamente curto. O meu exemplar foi comprado algures em Dezembro do ano passado, veio em conjunto com uma PC-Engine Coregrafx completa em caixa que importei directamente do Japão.

Jogo com caixa e manual embutido na capa

Ora dispomos aqui de vários modos de jogo, incluindo partidas rápidas para 1 ou 2 jogadores, bem como o Pennant Mode que presumo que seja uma espécie de campeonato. Temos também o watch mode onde, tal como o seu nome indica, vamos poder observar 2 equipas controladas pelo CPU a jogarem entre si, algo que é tão divertido como ver a relva a crescer no jardim. Por fim temos também o edit mode, onde poderemos editar as equipas disponíveis, algo que não me atrevi de todo a fazer. As equipas por si parecem-me fictícias, mas não sei se serão inspiradas em equipas reais do campeonato nipónico.

O jogo possui algumas animações engraçadas que lhe dão um aspecto mais de desenho animado, o que a meu ver resulta bem em jogos de desporto desta geração

Já a jogabilidade até que me parece sólida, tendo em conta que estamos a abordar um jogo de uma consola da era das 16-bit. Não esperem por um simulador, e ainda bem! Isto porque os jogadores vão tendo um aspecto algo caricaturizado em certas situações. Por exemplo, sempre que algum jogador seja “apanhado” fora de uma base, é substituído por uma animação de um anjo a ascender ao céu. Ou quando um dos jogadores apanha com uma bola em cima, fica com uma careta que expressa dor, por exemplo. Tudo isto dá ao jogo um certo charme que acaba por resultar bem em consolas das gerações das máquinas 8 e 16bit.

Tal como é habitual em jogos deste tipo, quando nos preparamos para fazer um lançamento, temos também uma perspectiva das bases que estão actualmente ocupadas por membros da equipa atacante

A nível audiovisual é um jogo simples, mas cujos gráficos ganham precisamente com esse aspecto mais de desenho animado que referi acima. Durante o lançamento temos um ângulo próximo da acção que destaca quem vai tentar acertar com o taco na bola, podendo inclusivamente ajustar a sua posição e, uma vez acertando na bola, a câmara transita para uma perspectiva mais abrangente do campo em si. As músicas vão sendo algo variadas. Durante as partidas vamos ouvindo temas que soam um pouco a fanfarra, típicas de jogos deste desporto, já nos menus e afins vamos ouvindo outras músicas mais enérgicas, se bem que curtas. Temos também algumas vozes digitalizadas como strike, out ou foul.

Portanto este Naxat Stadium parece ser um jogo sólido e divertido de baseball, mas como eu não sou fã do desporto e ainda não entendo muitas das suas particularidades, também não consegui tirar grande prazer de o jogar.

Colony Wars Vengeance (Sony Playstation)

Vamos voltar à saga Colony Wars da Psygnosis para a velhinha Playstation, após o seu primeiro jogo ter-se revelado numa agradável surpresa. Tal como o seu antecessor, estamos perante um shooter espacial de muita qualidade para a época em que foi lançado e possui também uma certa não linearidade no seu progresso, onde mediante a nossa performance em certas missões poderemos seguir por caminhos alternativos que nos levarão a finais distintos. O meu exemplar foi comprado, se bem me recordo, numa loja alemã algures no final de 2017. Já não me recordo quanto custou mas foi seguramente menos de 10€.

Jogo com caixa e manual

Este Colony Wars Vengeance é então uma sequela directa do seu antecessor, decorrendo um século após os eventos do primeiro jogo, que retrataram a revolta da League of Free Worlds contra as forças terrestres, que governavam com punhos de ferro todas as suas colónias extra-planetárias. O twist é que nesta sequela encarnamos num piloto da Terra cujos líderes planeiam um contra ataque às forças coloniais e assim restabelecerem o seu império. A história terá alguns plot twists interessantes no entanto, mas deixarei isso para quem o for jogar.

Tal como o antecessor, teremos briefings detalhados antes de cada missão. Poderemos é escolher (e customizar) naves diferentes à medida que as vamos desbloqueando

A nível de controlos, estes parecem-me muito similares aos do Colony Wars original. Os botões faciais servem para alternar entre, ou disparar armas principais e secundárias. Estas últimas, tipicamente bombas e mísseis, possuem munições limitadas. Por sua vez, as armas principais (tipicamente raios laser) possuem munições infinitas, mas o seu uso contínuo causa sobre aquecimento dos canhões. Toda esta informação é constantemente visível no ecrã, independentemente da câmara utilizada. Os botões de cabeceira servem para acelerar, travar, efectuar os barrel rolls ou activar os after burners, algo que teremos de ter em conta nas inúmeras dogfights que teremos de travar. Um detalhe interessante é que iremos desbloquear diferentes naves e armas durante o jogo, bem como pontos que poderão posteriormente serem atribuídos para melhorarem os seus atributos de velocidade, escudos, agilidade ou longevidade do afterburner.

Independentemente da câmara, temos no ecrã toda a informação que precisamos de saber em relação às armas seleccionadas, a nossa barra de vida e no centro do ecrã, um radar 3D

As missões, apesar de menores em número quando comparadas com o primeiro jogo, são mais variadas. Sim, a maioria ainda tem como objectivos destruir tudo o que mexa, bem como teremos outras missões de escolta ou captura de objectivos. Pela primeira vez na série, no entanto, teremos algumas missões que decorrem não no espaço, mas sim na superfície de diferentes planetas. Outras são ainda mais originais (e frustrantes se não soubermos o que temos de fazer!), como uma missão mais furtiva onde teremos mesmo de passar despercebidos, ou outra onde teremos de atacar uma nave gigante que é imune às nossas armas. Para isso o jogo sugere rebocar asteróides e atirá-los contra a nave, o que não é tão simples quanto possa parecer.

As dogfights são mesmo do melhor que podemos jogar aqui!

Graficamente é um jogo muito interessante tal como o primeiro, particularmente quando estamos em plenos confrontos no espaço, que costumam ter sempre algum planeta e/ou estrelas em background. O escuro do espaço contracenando com todos os raios laser coloridos que vamos vendo é sempre um espectáculo bonito e as próprias naves espaciais têm desta vez um design mais interessante e mais detalhado. Já os combates à superfície não têm o mesmo impacto gráfico. O primeiro jogo estava repleto também de cutscenes muito bem feitas e narradas para a época, mas aqui infelizmente as cutscenes apesar de existirem, estão uns bons furos abaixo. São muito mais curtas, a narração não é grande coisa e a qualidade em si do CGI não é tão boa. Nada de especial a apontar aos efeitos sonoros que cumprem bem o seu papel, já as músicas, quando existem, são tipicamente bastante épicas, o que até resulta bem neste tipo de jogo.

Continuam a haver muitas cutscenes, mas são bem mais curtas, de menor qualidade e não tão cinemáticas como as do primeiro jogo

Portanto este Colony Wars Vengeance é mais um jogo bastante sólido. Gostei de algumas das novidades aqui introduzidas, como novas naves, armas e missões diferentes, no entanto continua a ser um jogo desafiante, particularmente para quem o jogar sem ser por emulação e quiser alcançar o final verdadeiro. Algumas das missões são muito desafiantes e o facto de os pontos de save estarem bastante espaçados entre si torna as coisas ainda mais frustrantes. Abençoados save states!

Superman: The Man of Steel (Sega Game Gear)

Continuando pelas rapidinhas, mas agora pela Game Gear, vamos ficar com um jogo que sinceramente me desiludiu bastante pois acabou por ser muito pior do que o que estava à espera. Nada mais nada menos que a versão Game Gear do Superman: The Man of Steel, um conjunto de 3 jogos de mesmo nome que foram desenvolvidos para as consolas da Sega. Este meu exemplar foi-me oferecido por um amigo no passado mês de Fevereiro.

Cartucho solto

O jogo leva-nos a controlar o Super Homem ao longo de 5 níveis distintos. Antes de começar cada nível vemos sempre a primeira página do jornal “Daily Planet” que nos relata algum problema que lá teremos invariavelmente de resolver, seja uma cidade atacada por bandidos, crianças raptadas ou mesmo o rapto da Lois Lane que irá acontecer nos últimos níveis.

O primeiro nível possui muito menos detalhe gráfico do que a versão Master System, o que sinceramente não se compreende

Os controlos são aparentemente simples. O botão 2 serve para distribuir socos, enquanto que o botão 1 serve para saltar e, caso o mantenhamos pressionado, poderemos voar também. À medida que vamos jogando poderemos ver símbolos do super homem vermelho ou azuis que poderemos apanhar. Os vermelhos restabelecem parte da nossa barrade vida, já os azuis dão-nos alguns poderes temporários, como a possibilidade de dar socos mais fortes ou disparar raios laser, embora isto apenas possa ser feito quando voamos. Até aqui tudo bem mas o jogo torna-se extremamente frustrante assim que o começamos a jogar. Os socos têm um alcance muito curto e todos os inimigos devem estar banhados em kryptonite pois para além de precisarem de vários golpes para serem destruídos, rapidamente nos causam dano considerável se não tivermos cuidado. E esta versão Game Gear é especialmente vulnerável a isso devido ao seu ecrã e resolução menores, pois o Super Homem até que é bastante rápido e os inimigos rapidamente surgem no ecrã, não nos dando grande tempo de reacção. A parte inicial do terceiro nível é especialmente frustrante, pois temos de voar num túnel de metro a grande velocidade, esquivando-nos de projécteis e tentando apanhar medkits pelo caminho para ir restabelecendo parte da barra de vida. Em suma não é um jogo muito divertido.

O início do terceiro nível é um exercício de frustração onde voamos num túnel a alta velocidade, tentando contornar obstáculos, projécteis inimigos e apanhar medkits

Graficamente até que é um jogo colorido e bem detalhado, embora a versão Master System seja superior nesse aspecto. Não só pelo seu ecrã e resolução maior, mas também pelo facto de, pelo menos no primeiro nível, a versão Master System possuir um maior detalhe gráfico no background. As músicas não são nada de especial.

Portanto estamos aqui perante um jogo de acção que poderia e deveria ser muito melhor. É um jogo frustrante e difícil particularmente se considerarmos que o Super Homem, que deveria ser quase invencível, é extremamente vulnerável. E tal como referi acima, a versão Game Gear, devido ao seu ecrã e resolução menores, ainda agrava mais este problema. Não é um jogo que recomende.

Winning Shot (PC-Engine)

Voltando à PC Engine e às rapidinhas a jogos de desporto, tempo agora de visitar este Winning Shot da Data East que é nada mais nada menos do que mais um jogo de golfe. Tal como os outros jogos de desporto que cá trouxe recentemente da PC-Engine, este veio de um bundle grandinho que importei directamente do japão, tendo-me ficado a menos de 5€ por jogo, já a contar com despesas de portes e alfândega.

Jogo com caixa e manual embutido na capa

Ora e este é um jogo de golfe muito simples, sempre com uma perspectiva vista de cima. Temos 3 modos de jogo, o Stroke, Match e Tournament. O primeiro leva-nos a jogar em 18 buracos onde o objectivo é o de terminar cada buraco com o menor número de tacadas. O Match pareceu-me ser um modo de jogo mais competitivo, buraco a buraco. Por fim temos o Tournament, que nos leva a percorrer os 18 buracos em 4 dias, com supostos prémios monetários envolvidos. Todos estes modos de jogo suportam multiplayer com um máximo de 6 jogadores, embora eu não o tenha experimentado.

Temos 6 golfistas que poderemos representar, cada um com diferentes características

Uma vez seleccionado o modo de jogo e qual jogador queremos representar (que por sua vez presumo que cada tenha características distintas), lá somos levados à área de jogo. Tal como referi esta é sempre apresentada numa perspectiva vista de cima e a jogabilidade é também simples. No ecrã, para além de um mapa em miniatura do circuito em questão, temos sempre informações como a direcção e intensidade do vento, a distância do buraco, ou o par de referência. Com essas informações em conta, poderemos também seleccionar qual o taco a usar, a zona da bola que queremos atingir, bem como a direcção da tacada. Uma vez definido tudo isso lá teremos aquela típica barra de energia dos jogos de golf, mas que aparece aqui de uma forma bastante simplificada, pois apenas nos temos de preocupar com a potência da tacada. A selecção do taco também me pareceu automática, embora nós possamos sempre mudar para um outro taco que achemos melhor e quando chegamos ao green, em vez da indicação do vento temos de ter em conta a indicação do declive do terreno. Mecânicas bastante simples, quando comparadas com muitos outros jogos do mesmo estilo.

Não sendo necessariamente um simulador, a interface é bastante intuitiva com toda a informação necessária bem visível

Visualmente é um jogo muito simples, onde os tons de verde são predominantes, existindo também os habituais pontos amarelos da areia e os azuis, alusivos a pequenos lagos ou cursos de água. São gráficos bastante simples, mas funcionais. As músicas não são nada de propriamente memoráveis, mas também não são desagradáveis. Um detalhe interessante é que a acção ocasionalmente vai sendo interrompida por uma espécie de emissão televisiva onde o seu apresentador vai dizendo coisas que estão inteiramente em Japonês logo não entendi nada, mas presumo que seja a comentar a nossa performance.

Ao contrário da maioria dos outros jogos de golfe da época, a barra de energia da tacada é interagida apenas uma vez para definir a potência

Portanto este Winning Shot é mais um dos vários jogos de golfe que chegaram até à PC-Engine/Turbografx-16. A sério, acho que só o baseball recebeu mais títulos! E apesar de este não ser um simulador, longe disso, até é bem mais simples que muitos outros jogos do género, não deixa de ser competente e até que dá para entreter para umas quantas partidas.