Xevious (Nintendo Entertainment System)

Vamos voltar aos clássicos para um dos vários jogos que ajudaram a definir os shmups como os conhecemos actualmente. Depois de Galaga e Galaxian, a Namco voltou a mudar um pouco a fórmula dos seus shooters arcade e em 1982 presentearam-nos com Xevious, um shmup com scrolling vertical e, apesar de ser um jogo sem fim onde o objectivo é o de sobreviver por mais tempo possível e obter a melhor pontuação, é também um jogo que vai ficando mais difícil quanto melhor for a nossa performance, pelo que introduziu algumas mecânicas de jogo interessantes para a época. O meu exemplar veio de uma Cash Converters em Espanha algures no passado mês de Maio por 15€. Foi o único recuerdo que trouxe daquelas pequenas férias, para além das picadas de mosquitos.

Cartucho solto

Tal como referi acima, este é um shmup com scrolling vertical onde vamos tendo vários inimigos para enfrentar. A primeira coisa que chama à atenção é o facto de termos uma mira que vai acompanhando o movimento da nossa nave. Isto acontece porque neste jogo temos de ter em conta que existem inimigos que voam e outros que se mantêm no solo. Os controlos são simples, com um botão para disparar a nossa arma primária, que é capaz de atingir outros alvos aéreos, enquanto que o outro botão facial serve para lançar bombas para o solo, que irão atingir o solo no local marcado por essa mira, no momento do disparo. Depois, também como tal referi acima, este é um jogo sem fim e o objectivo é o de sobreviver o máximo de tempo e conseguir a melhor pontuação possível.

A mira vemos à frente da nossa nave serve para assinalar onde os mísseis ar-terra serão atingidos para destruir alvos terrestres

Mas a maneira como o jogo escala a sua dificuldade é sem dúvida a mecânica de jogo mais interessante. Inicialmente temos alguns inimigos fracos para defrontar, com padrões de movimento e ataque que não inspiram muito perigo. Mas à medida que vamos avançando, o jogo começa a atirar-nos outros tipos de inimigos, com padrões de ataque mais agressivos, ou com padrões de movimento mais erráticos que nos dificulta a sua destruição. No chão, não só vamos tendo inimigos para defrontar como também ocasionalmente poderemos destruir algumas bases inimigas, algumas são perfeitamente inofensivas pelo que servem apenas para nos aumentar a pontuação, mas os Zolbaks, as bases cinzentas com quase círculo vermelho, são na verdade radares que registam a nossa performance e ao destruí-los o jogo volta a reduzir a sua dificuldade, pelo menos temporariamente. De resto, é um daqueles jogos em que qualquer dano que soframos é uma vida que perdemos, pelo que vamos morrer bastantes vezes. Ao menos a cada 30000 pontos vamos tendo vidas extra!

O design dos inimigos é simplista, porém bastante original e cada conjunto de inimigos possui diferentes padrões de movimento e ataque. Nem todos são suicidas, longe disso.

Graficamente é um jogo muito simples mas temos de ter em conta várias questões. Primeiro, o original arcade foi lançado no final de 1982 e é o primeiro, senão dos primeiros, shooters com scrolling vertical e com cenários mais complexos, pelo menos nada que fosse um ecrã negro com alguns pontos reluzentes a assinalar estrelas. É verdade que os cenários são simples, como massas de terra, florestas, água, alguns caminhos demarcados e pouco mais, mas para os padrões de 1982 era algo impressionante. Os inimigos têm também designs por vezes bastante abstractos, como é o caso daquelas placas quadradas de metal, indestrutíveis e que vêm a rodopiar pelo ecrã abaixo. E o som? A música é também extremamente minimalista, mas não deixa de ser algo hipnotizante! Este lançamento da NES, apesar de só ter chegado aos EUA e Europa em 1988 e 1989 respectivamente, é baseado na versão lançada para a Famicom em 1984. E essa conversão não só é um dos primeiros lançamentos third party para a Famicom, mas também um dos primeiros lançamentos third party de grande sucesso, até porque foi a própria Namco que tratou da conversão. E, tendo em conta que é um jogo de primeira geração da NES, apesar do seu lançamento tardio no ocidente, acaba por ser uma excelente conversão, tanto a nível de jogabilidade, como a nível técnico. Naturalmente houveram algumas cedências a nível gráfico e também na resolução, mas a conversão ficou bastante boa para a época.

Portanto Xevious é um jogo extremamente importante para todos os shooters que vieram a seguir-lhe as pisadas, não só pelo facto de visualmente apresentar uma evolução notória, mas também pela sua jogabilidade, dificuldade dinâmica e inimigos com variados padrões de movimento ou ataque. Xevious foi um sucesso, tendo sido convertido para uma grande variedade de sistemas, está presente em inúmeras compilações da Namco e recebeu também algumas sequelas. Talvez ainda traga alguma em breve!

Ys V: Lost Kefin, Kingdom of Sand (Super Nintendo)

O Ys V é o primeiro em vários pontos: é o primeiro Ys a ser desenvolvido pela Falcom exclusivamente a pensar em consolas (até porque saiu exclusivamente para a Super Famicom e anos mais tarde recebeu um remake por parte da Taito que se ficou na PS2 no Japão), enquanto os seus predecessores foram desenvolvidos para computadores nipónicos e posteriormente convertidos para outros sistemas. Os Ys IV, apesar de originalmente terem sido lançadas versões para a Super Famicom e PC Engine CD, ao menos tinham sido inicialmente planeados pela Falcom para saírem em computadores, o que acabou por não acontecer. Ys V é também o primeiro jogo da série, pelo menos com este tipo de perspectiva vista de cima, onde temos um botão de ataque, em vez de irmos contra os inimigos. O meu exemplar foi importado directamente do Japão algures em Fevereiro deste ano, tendo-me custado uns 30€ mais portes e custos alfandegários.

Jogo com caixa, manual e papelada diversa. Versão japonesa, naturalmente

A história leva-nos pela primeira vez na série Ys ao continente de Afroca e à cidade de Xandria (um paralelismo entre África e Alexandria), onde Adol Christin procura uma nova aventura. A sua fama de aventureiro atravessou todas as fronteiras pelo que, quando Adol lá chega é rapidamente recrutado por Dorman, um ricalhaço da cidade, que o incumbe da missão de procurar uma série de cristais mágicos. Cristais esses que possuem o poder de restaurar a cidade perdida de Kefin, desaparecida há mais de 500 anos e Kefin aparentemente possui todo um conhecimento perdido de alquimia (a magia deste jogo) que ajudará a salvar Xandria e localidades próximas do implacável avanço da desertificação que os tem estado a assolar. A partir daí lá teremos de partir à exploração e à medida que vamos coleccionado os tais cristais, a própria história vai-se desenvolvendo e revelando os seus vilões e suas reais aspirações.

O facto de termos agora um botão de salto obriga-nos a ter uns segmentos de plataformas que são ainda um pouco frustrantes nalgumas partes

No que diz respeito à jogabilidade, esta é relativamente simples. Os botões faciais servem para atacar, saltar, defender (caso tenhamos algum escudo equipado) ou abrir o menu. O select serve para abrir o mapa e os botões L e R servem para seleccionar magias e carregá-las, para posteriormente serem usadas com o botão de ataque. As magias no entanto são muito diferentes neste jogo, pois são todas baseadas em alquimia e para aprendermos novos feitiços temos de explorar o mundo de forma exaustiva e ir encontrando pedras elementais (água, fogo, terra, etc), que por sua vez podem ser combinadas entre si através de um alquimista para formar uma pedra mágica (fluxstone) capaz de desencadear um ataque mágico. A primeira magia aprendemos com o decorrer da história e chama-se Sexta (sim, isso mesmo) e consiste numa combinação de terra, fogo e água, mas as restantes só as desbloqueamos ao experimentar diferentes combinações de pedras elementais através de um alquimista, tipicamente todas as localizações chave possuem um. Um outro detalhe interessante a mencionar é que podemos subir de nível em duas categorias, física e mágica. Ao destruir inimigos com ataques físicos ganhamos pontos de experiência nessa categoria, que por sua vez nos permite melhorar atributos como ataque, defesa ou vida, enquanto que se os destruirmos com ataques mágicos iremos eventualmente melhorar atributos como mana points, ataque ou defesa mágicos. É um sistema interessante, que nos dá um total de 18 magias distintas que poderão ser desbloqueadas, mas acho que poderia ser um pouco mais flexível, nomeadamente a possibilidade de desmontar as fluxstones em pedras elementais e construir um feitiço diferente, se não estivermos contentes com o resultado final.

O sistema de menus é muito parecido aos dos RPGs da época

A nível audiovisual é também um jogo muito distinto dos restantes Ys que haviam sido lançados até então. O facto de decorrer numa terra inspirada pelo norte de África, leva-nos a explorar cidades com alguma influência mediterrânica e árabe também. Sinceramente achei que o jogo tem gráficos com um bom nível de detalhe e não fica atrás dos grandes RPGs clássicos da Super Nintendo nesse aspecto. Já a banda sonora tira partido da capacidade do chip de som da Super Nintendo, que é muito bom em emular temas mais orquestrais, o que acontece neste Ys V. É um contraste com o que estou habituado na série, que tipicamente possui sempre algumas faixas rock bastante sonantes, mas não é uma má banda sonora de todo.

Como é de esperar, teremos uns quantos bosses para enfrentar

Portanto este Ys V é mais um bom action RPG desta já longa série da Falcom. Tem algumas ideias novas, como a muito esperada inclusão de um botão de ataque (embora a nossa primeira espada possua um alcance muito curto que nos vai causar algumas dificuldades) e um sistema de magia que nos obriga a alguma experimentação. Creio que o facto de ter saído já na ponta final de 1995 no Japão matou qualquer possibilidade de o jogo receber alguma localização oficial em inglês, mas isso não impediu a Falcom de lançar, meros meses depois, uma nova versão também para a Super Famicom intitulada de Ys V Expert. Aparentemente é uma versão mais difícil, com algumas mudanças no layout dos cenários, uma nova dungeon e um modo time attack. Mas essa versão não recebeu, até à data, qualquer patch de tradução, pelo que nem sequer a experimentei. Anos depois sai um remake, pelas mãos da Taito, para a PS2 que se fica também pelo Japão, pelo que creio que este é um óptimo candidato a receber um remake pelas mãos da Falcom, tal como fizeram com alguns jogos antigos da série, sendo o último o Memories of Celceta.

Life is Strange: Before the Storm (Sony Playstation 4)

O primeiro Life is Strange foi um jogo que foi muito bem recebido pela crítica e pelo público principalmente pela sua excelente narrativa e personagens muito ricas em personalidade. E enquanto a Dontnod estava entretida a desenvolver o também surpreendente Vampyr, foi a vez da Deck Nine desenvolver a entrada seguinte na série, que acaba por ser uma prequela do primeiro jogo. E este meu exemplar, tal como o anterior, sinceramente já não me recordo quando o comprei, creio que foi também numa Mediamarkt e por 10€, sendo uma vez mais a edição limitada que inclui alguns extras.

Jogo com caixa exterior de cartão, caixa, papelada, livro de arte e banda sonora

Ora este Life is Strange é mais uma aventura gráfica cuja narrativa está dividida em episódios e, tal como nos jogos da Telltale, ao longo do jogo vamos poder tomar uma série de decisões que irão influenciar um pouco o decorrer da história. E esta decorre cerca de 3 anos antes dos acontecimentos do primeiro jogo, com a Chloe Price como protagonista principal, e a Rachel Amber, a tal rapariga que estava desaparecida no primeiro jogo. Basicamente este é mais um drama onde não só vamos acompanhar um pouco do processo de luto de Chloe pelo falecimento do seu pai, mas também a sua relação com a misteriosa Rachel, que por sua vez também iremos desvendar um pouco do seu passado. Sinceramente, não achei a história tão marcante como a do primeiro Life is Strange, embora continue a ter uma atmosfera muito semelhante por protagonizar principalmente adolescentes e muitos dos seus problemas, tanto em ambiente escolar, como familiar.

Apesar do screenshot ser da versão PC, folgo em ver que a interacção com objectos ou pessoas está um pouco mais intuitiva

As mecânicas de jogo são as de uma aventura gráfica ao estilo das da Telltale, excepto uma vez mais sem segmentos de acção com sequências de QTEs, que sinceramente nem fazem assim tanta falta. Iremos então ter de explorar cenários, observar, interagir ou coleccionar objectos, bem como falar com diversas pessoas para fazer avançar a narrativa. Nos diálogos, temos uma vez mais diferentes opções para escolher, que por sua vez poderão moldar o decorrer da história em si. No entanto, Chloe não tem as mesmas habilidades de controlo do tempo que Maxine tinha no primeiro jogo, pelo que desta vez não podemos voltar atrás e tomar decisões diferentes. A novidade está no entanto na inclusão da funcionalidade de backtalk, ou seja, entrar numa espécie de guerra verbal para tentar levar a nossa vontade avante. Aqui os diálogos já têm um tempo limite para serem escolhidos e caso escolhamos uma opção errada, as coisas podem ficar piores do que no início, obrigando-nos a procurar outra solução para dar a volta ao problema.

Em vez de manipular o tempo, a novidade nas mecânicas de jogo está no backtalk, onde temos tempo limite para escolher quais as respostas que queremos dar

A nível audiovisual, o jogo segue a mesma linha estética do seu antecessor, com gráficos que andam ali numa linha ténue entre o realismo e o aspecto mais de desenho animado. Apesar de o jogo anterior possuir melhores efeitos de luz e sombras, principalmente nas cutscenes, neste Life is Strange nota-se uma ligeira melhoria a nível de detalhe poligonal e texturas também como um todo. O facto de terem mudado de motor gráfico para o Unity e terem apostado em sistemas mais modernos também deve ter ajudado, embora ainda esteja longe do que outros jogos conseguiram fazer no mesmo ano. Mas uma vez mais, o ponto forte do jogo é a sua narrativa e o voice acting está uma vez mais muito bem conseguido. A banda sonora é uma vez mais bastante eclética, oscilando entre o rock, indie rock e outros temas mais acústicos e a maneira como cada música é introduzida no jogo está uma vez mais muito bem pensada.

Esta versão traz também um episódio extra, que mostra os últimos momentos entre Maxine e Chloe antes da sua separação

Portanto este Life is Strange: Before the Storm é mais uma aventura gráfica com uma narrativa muito forte e uma história bem escrita. No entanto, e talvez por o ter jogado logo depois do primeiro Life is Strange, devo dizer que preferi a história do primeiro jogo como um todo, para além de que este é mais curto, contendo apenas 3 episódios. Esta Deluxe Edition no entanto traz um episódio adicional intitulado de farewell, onde controlamos uma vez mais a Maxine quando ela e a Chloe eram ainda mais novas e vamos poder testemunhar os seus últimos momentos juntas antes da sua separação que nos levou ao primeiro Life is Strange.

Jinmu Denshou (PC Engine)

Space Harrier. Uma obra prima da Sega e de Yu Suzuki, lançada originalmente nas arcades em 1985. Em virtude de utilizar a tecnologia super scaler, que permitia redimensionar de forma fluída, o tamanho de sprites em frame rates elevados, tornou-se uma tecnologia muito utilizada para simular um efeito tri-dimensional em jogos de corrida (como Hang-On ou Out-Run) ou de acção, como foi o caso do Space Harrier ou After Burner. O sucesso de Space Harrier nas arcades fez com que vários clones começassem a surgir, inclusivamente em sistemas domésticos, como é o caso deste Jinmu Denshou, desenvolvido pela Wolfteam exclusivamente para a PC-Engine. O meu exemplar veio de uma loja francesa e custou-me cerca de 12€ no passado mês de Abril.

Jogo com caixa e manual embutido com a capa

Neste jogo, em vez de viajarmos pela Fantasy Zone e munidos de um jetpack e um canhão, vamos explorar um outro mundo fantasioso com várias inspirações retiradas do Japão tradicional, até porque controlamos um Samurai apenas munido de uma espada. Os controlos são simples, com o d-pad a controlar a nossa personagem pelo ecrã (e ao contrário de Space Harrier é possível abrandar e até voltar para trás, ao manter o botão baixo pressionado) e os botões faciais a serem usados para saltar ou atacar. Infelizmente, visto que a PC-Engine não possui nenhum hardware que facilite o sprite scaling, a acção não é tão fluída como na versão arcade do Space Harrier. E isto traz-nos diversos problemas. O primeiro é o facto de ser difícil avaliar qual a real distância entre os inimigos/projécteis/obstáculos e a nossa personagem. Visto que apenas usamos uma espada para atacar, significa que apenas causamos dano nos inimigos quando já estamos demasiado próximos dos mesmos, o que é bastante perigoso. O segundo é que ocasionalmente temos também alguns segmentos de plataformas que acabam por se revelar bastante frustrantes pelas mesmas razões.

Como clone de Space Harrier, visualmente o jogo não é nada mau, embora o movimento dos inimigos não seja tão fluído quanto isso o que também não ajuda

Felizmente temos uma barra de vida que até é consideravelmente extensa, embora este seja um jogo em que seja muito fácil sofrer bastante dano em pouco tempo. Felizmente também, vamos poder encontrar alguns power ups espalhados pelos níveis. Uns podem regenerar parte da nossa barra de vida, outros podem ser power ups para a espada, que já nos permitem disparar alguns projécteis e assim atacar os inimigos com mais segurança. No entanto, se sofrermos muito dano, perdemos o power up, voltando novamente a ter apenas a espada simples para atacar. Infelizmente, no entanto, também temos power ups maus, que nos retiram vida, poder de fogo ou até nos podem mandar para trás no nível, o que é sempre frustrante. Uma outra mecânica de jogo é a de, ao manter o botão de ataque pressionado, vamos carregando um ataque mais poderoso, mas o problema é que a barra de energia com que carregamos esse ataque, é a mesma barra de vida. Ou seja, quanto menos vida tivermos, mais fraco será esse ataque, o que é outra das razões para tornar um jogo difícil ainda mais difícil. Já para não dizer que os bosses são autênticas esponjas de dano!

O primeiro boss faz lembrar bastante o primeiro do Space Harrier por ser um dragão/serpente composto por múltiplas sprites

Graficamente é um jogo OK tendo em conta o hardware em que corre, sem qualquer suporte nativo a parallax scrolling e sprite scaling. A sua fluidez é sem dúvida melhor que o Space Harrier da Master System e o jogo possui uns visuais muito inspirados no Japão tradicional como já referi. Para além de controlarmos um samurai, os inimigos que temos de enfrentar são tipicamente outros ninjas ou criaturas mitológicas nipónicas. O detalhe dos níveis também vão sendo algo variado. Por vezes temos o solo e/ou céu/tecto às riscas, mesmo à moda do Space Harrier, mas também podemos ter outros cenários de fundo como montanhas ou florestas. As músicas por outro lado são bastante agradáveis, já os efeitos sonoros sinceramente não os achei nada de especial.

Como temos apenas uma vida para passar cada nível, esta vai ser uma mensagem que vamos ver vezes sem conta. Ao menos o jogo possui um sistema de passwords.

Portanto este Jinmu Denshou, para um clone de Space Harrier até tem algumas boas ideias. A possibilidade de abrandar, parar e andar para trás é benvinda e nalgumas situações até dá bastante jeito, quanto mais não seja para tentar apanhar algum power up perdido. No entanto é um jogo incrivelmente difícil pelo facto de muito rapidamente sofremos dano por não ser muito fácil calcular a distância a que os inimigos estão de nós. E munidos de uma espada, sem qualquer power up, obriga-nos mesmo a combater próximo dos inimigos, o que é um grande risco. Os segmentos de platforming são também bastante frustrantes, assim como os bosses que demoram uma eternidade a morrer. É uma pena!

Life is Strange (PC)

Vamos voltar ao PC, agora para um jogo muito focado na narrativa e que acabou por se revelar uma bela surpresa. Dos mesmos produtores que mais tarde nos trouxeram o Vampyr, este Life is Strange é uma espécie de uma aventura gráfica totalmente em 3D, mas com uma narrativa muito bem escrita e onde, à semelhança dos jogos da Telltale, as nossas escolhas irão influenciar de certa forma o decorrer da história. Sinceramente já não me recordo quando comprei o meu exemplar, mas creio ter vindo de uma Mediamarkt a custar 10€. Bons tempos em que os jogos de PC saíam em formato físico e o seu preço desvalorizava rapidamente!

Jogo com caixa de cartão exterior, caixa, livro de arte, CD com a banda sonora e papelada

A história leva-nos a controlar a jovem e tímida Maxine Caulfield, que viveu a sua infância na pequena localidade costeira de Arcadia Bay, Oregon, mas teve de mudar-se para Seattle, deixando a sua melhor amiga, Chloe, para trás. No seu 12º ano de escolaridade tem a oportunidade de voltar a Arcadia Bay, ao entrar na Blackwell Academy e ter aulas de fotografia com um dos seus ídolos. É precisamente durante uma dessas aulas onde Max tem uma visão de um tornado que surge no mar e destrói por completo a cidade de Arcadia Bay. Quando Maxine volta a si, e ao visitarmos o WC para que a mesma se recomponha, acabamos por testemunhar uma discussão entre Nathan Prescott, um ricaço bully e uma rapariga de cabelos azuis. A discussão fica feia, Nathan saca de uma pistola e mata a rapariga a sangue-frio. Tomada pelo pânico, Max levanta a sua mão direita na esperança vã de tentar impedir que tal tragédia aconteça e quando damos por ela, estamos novamente na mesma aula de fotografia onde começamos o jogo. Maxine apercebe-se que, por algum motivo, conseguiu voltar atrás no tempo e usa essa oportunidade para voltar à casa de banho e evitar que o homicídio acontecesse.

A maneira como chegamos ao ecrã título foi brilhante!

Sem querer revelar muito mais da história, digamos que iremos interagir entre diversos estudantes (e também professores) alguns que sofrem bullying, outros que possuem vários problemas familiares, ou mesmo outros podres que iremos eventualmente desencantar. Todos os estudantes terão algum problema pessoal que poderemos tentar ajudar a ultrapassar, mas também há outros mistérios a ter em conta: uma rapariga que desapareceu há mais de um mês sem deixar qualquer rasto, as visões do mega tornado que se tornam cada vez mais frequentes, a relação entre Max e Chloe que entretanto torna a ser reatada ao fim de 5 anos e claro, a misteriosa habilidade de Max para saltar no tempo.

O rato controla a câmara, as teclas WASD o movimento. Quando nos aproximamos de algum objecto que possa ser interagido ou pessoa com a qual podemos dialogar, o jogo mostra-nos quais as acções possíveis.

A jogabilidade é muito simples. Pensem num jogo da Telltale, tipo o The Walking Dead, mas sem zombies ou cutscenes de acção repletas de quick time events. É uma aventura gráfica totalmente em 3D e na terceira pessoa, onde teremos de explorar cenários, falar com pessoas e coleccionar/interagir com objectos de forma a avançar na história. Ao consultar o diário da Maxine (que vai sendo preenchido à medida que vamos avançando no jogo), temos sempre também uma indicação (na forma de um post it) de qual o objectivo a cumprir em determinado momento. E as habilidades de rewind da Maxine serão usadas muitas vezes e de diferentes formas. Por exemplo, ao falar com alguém geralmente vamos tendo várias opções de diálogos e nem sempre temos acesso às opções correctas para avançar na história. Mas depois de dar uma resposta má, a pessoa com quem estamos a falar geralmente responde-nos torto mas deixa uma dica do que poderíamos antes ter dito. A solução? Voltar atrás no tempo e falar novamente com a mesma pessoa como se fosse a primeira vez. Agora já teremos uma nova opção de diálogo para escolher e que já nos desbloqueia a conversa. Mas mesmo na exploração dos cenários esta habilidade pode ser usada, pois apesar de o tempo voltar para trás quando usamos o rewind, a nossa posição actual mantém-se. Por exemplo, ao explorar uma floresta, uma árvore cai-nos em cima e bloqueia o caminho. Rewind para uns segundos antes, a árvore volta a levantar-se e, estando nós agora no local onde a árvore caiu, temos tempo suficiente para dar uns passos em frente para que, quando a mesma voltar a cair, já não nos atrapalhe. Ou uma rapariga levar com uma bola na cabeça, rewind uns momentos para trás, avisamos a miúda para se desviar e ela fica agradecida. Entre muitas outras situações distintas onde teremos de usar esta habilidade para progredir no jogo e inclusivamente resolver alguns puzzles.

O jogo avisa-nos sempre que tomamos alguma decisão que trará alguma consequência e, a menos que avancemos para o checkpoint seguinte, temos sempre a hipótese de fazer rewind e escolher outra opção.

Como já referi acima, a narrativa está muito bem escrita. É um jogo que me faz lembrar bastante o filme Donnie Darko, quanto mais não seja pelo seu setting escolar, um elenco rico de personagens e claro, as viagens no tempo e todas as consequências que tal possa acarretar. É um jogo que aborda problemas reais, desde o bullying, drogas, problemas familiares, gravidez juvenil, suicídio, abusos sexuais, entre outros. Maxine é uma personagem tímida mas bem intencionada, e eventualmente vamos poder intervir positivamente ou não em todas estas situações, o que resultará em diferentes níveis de amizade e relacionamentos com as diversas personagens e as nossas escolhas moldarão o decorrer da história. O que me leva então a debater um pouco a tal não linearidade introduzida pelo jogo. Tal como nos jogos da Telltale, no final de cada episódio temos direito a um ecrã de estatísticas que mostram as nossas decisões e a percentagem de jogadores que tomaram cada decisão. Eu joguei apenas uma play-through, pelo que não cheguei a explorar escolhas diferentes das minhas, e já agora convém mencionar que, antes de avançar para o checkpoint seguinte, o jogo dá-nos sempre a hipótese de fazer rewind e tomar escolhas diferentes. Mas pelo que vi na internet, as diferentes escolhas levam a que de facto hajam pessoas que podem vir a morrer, outras que não nos gramem e dessa forma não nos ajudem em certas situações, obrigando-nos a procurar por soluções alternativas para certos puzzles. Mas tal como nos jogos da Telltale, independentemente das escolhas tomadas, há uma série de acontecimentos chave que irão acontecer sempre, afunilando dessa forma a narrativa. A última escolha, no entanto, levará a que alcancemos um de dois finais distintos.

O jogo possui um estilo gráfico único, embora por vezes se note que os modelos poligonais são muito simples

No que diz respeito aos gráficos, sinceramente não achei o jogo nada de especial nesse aspecto. Também convém referir que foi um título desenvolvido ainda com as consolas da sétima geração em mente (PS360) apesar de ter sido lançado em 2015, e usa o Unreal Engine 3. O estilo gráfico é um pouco difícil de definir, pois está ali numa fronteira ténue entre o realismo e um aspecto mais de desenho animado, pois aparentemente todas as texturas foram pintadas à mão. É um jogo que tem uma atmosfera visual agradável, mas nota-se perfeitamente que utiliza modelos poligonais com pouco detalhe, mesmo correndo no PC com as definições gráficas todas no máximo. Sinceramente não acho que o facto de os gráficos deixarem um pouco a desejar seja um ponto demasiado negativo, pois tudo o resto está muito bem feito. A já mencionada narrativa, que é acompanhada de um voice acting super competente e claro, a banda sonora que é também bastante eclética, com temas acústicos e algo melancólicos, ou outros mais de rock alternativo e que são sempre introduzidos de uma forma brilhante durante o jogo.

Portanto devo dizer que gostei bastante deste Life is Strange. É uma aventura gráfica por episódios do estilo das da Telltale, até porque à medida que vamos jogando teremos a hipótese de tomar diversas decisões que irão afectar o decorrer da história. Mas a sua narrativa muito bem escrita, associada a um elenco de interessantes personagens, mistérios para resolver e plot twists interessantes, tornam o jogo numa aventura bastante agradável de ser vivida. Irei certamente explorar melhor o restante reportório da Dontnod, a começar pela prequela Life is Strange: Before the Storm, que a jogarei de seguida.