Ys: Memories of Celceta (Sony Playstation Vita)

Quando escrevi o artigo do Ys IV: The Dawn of Ys, mencionei que nessa altura a Falcom, por falta de pessoal, não conseguiu desenvolver o seu Ys IV, tendo entregue o design document do que haviam já definido para esse jogo e as suas músicas a várias empresas diferentes para estas produzirem um Ys IV nas diversas plataformas 16bit da época. Dessa iniciativa sairam jogos para a PC-Engine CD e Super Nintendo que, apesar de possuirem algumas semelhanças entre si, eram jogos muito diferentes. E anos mais tarde, pela Taito, que também produziu um remake do Ys IV para a PS2, onde muitas liberdades foram tomadas na história. Então a Falcom, muito mais tarde, decidiu tomar as rédeas e produziram eles próprios um novo remake do Ys IV, que substituiu canonicamente as entradas anteriores. O meu exemplar da PS Vita foi comprado há uns anos atrás numa CeX do norte, creio que por 15€ ou algo próximo disso.

Jogo com caixa na sua versão norte-americana

A história foi completamente revista e expandida, tendo em conta a versão de PC-Engine CD. As versões de Super Famicom e PS2 não posso comentar, pois nunca as joguei. De qualquer das formas a história leva-nos ao reino de Celceta, onde Adol surge, às portas da cidade de Casnan, amnésico e enfraquecido após explorar a misteriosa e perigosa Forest of Dawn. Ainda assim, acaba por ser recrutado pelo exército de Romun, para voltar a explorar e mapear toda a floresta, pois sempre houve o mito que as ruínas de uma antiga civilização estariam algures no meio da floresta, e a hipótese de por lá haverem tesouros escondidos é sempre um chamariz irresistível. E, acompanhados inicialmente por Duren, lá começamos a explorar a floresta e suas dungeons, vamos descobrindo algumas aldeias, novas personagens jogáveis e eventualmente também lá nos cruzamos com uma série de vilões misteriosos. Claro que mais tarde ou mais cedo os conlitos irão escalar bastante, mas deixo isso para o leitor descobrir quando jogar. Algumas diferenças notáveis são o facto de não revisitarmos Esteria nesta versão, os soldados de Romun não serem necessariamente vilões, bem como todas as novas personagens jogáveis que viremos a conhecer.

Cada personagem vai aprendendo (e evoluindo!) diferentes skills que podem ser assignadas aos botões faciais e usadas nos combates.

A nível de jogabilidade esta também foi bastante expandida perante os lançamentos originais. O Ys IV da PC-Engine é um simples action RPG com mecânicas de jogo muito próximas das do Ys II, ou seja, não temos um botão de ataque, para combater os inimigos temos de ir contra eles, de preferência num ângulo descentrado para não sofrer dano. Eventualmente iriamos desbloquear também algumas magias, bem como poder equipar anéis mágicos que nos conferissem alguns stat boosts ou outras habilidades. Aqui já temos uma jogabilidade muito mais refinada, pois para além de termos um botão de ataque, vamos aprender várias skills que podem ser assignadas a outros botões faciais e usadas em combate, sendo que estas também gastam skill points sempre que sejam usadas. À medida que vamos combatendo, há uma barra de energia que se vai enchendo também e, assim que estiver cheia, permite-nos desencadear um poderoso ataque! Podemos ter uma party activa com 3 personagens em simultâneo, sendo que poderemos controlar directamente uma de cada vez, alternando de personagens muito facilmente com um simples toque de botão. De resto esperem por ter muito por onde explorar, imensas dungeons com bosses para defrontar, bastantes sidequests opcionais e um sistema de crafting que nos permite melhorar armas ou criar acessórios que possam ser posteriormente equipados.

Como é habitual na série teremos múltiplos bosses para enfrentar, onde teremos de aprender os seus padrões de ataque.

A nível audiovisual confesso que este Ys me deixou um nadinha desiludido. Por um lado a nível gráfico é verdade que há um salto bastante notório quando comparando com as versões originais das consolas 16-bit, pois os gráficos são agora em 3D poligonal, com uma boa variedade de inimigos e cenários. Só que o jogo parece usar o mesmo motor gráfico do Ys Seven que, para a PSP é excelente, mas a PSVita parece que consegue fazer um pouco melhor. Em relação ao som, reconheci muitas das melodias que ouvi na versão PC-Engine, estando portanto perante uma banda sonora bastante diversificada nos seus géneros musicais mas que, para mim, os temas mais rock acabam por levar sempre a melhor. Ainda assim, a banda sonora da versão PC-Engine, especialmente nalgumas das músicas em formato redbook, também tem as suas valências, pois há um certo toque jazzy e/ou synth naquelas interpretações que resultou muito bem e isso perdeu-se aqui um pouco. Já no que diz respeito ao voice acting, estava à espera que houvesse muito mais do que as reduzidas frases que ouvimos ocasionalmente nesta versão. E apenas em inglês!

Infelizmente o voice acting quase não existe e apenas está em inglês nesta versão

Portanto este Ys: Memories of Celceta apesar de não ser o jogo mais impressionante do catálogo da PS Vita, não deixa de ser um óptimo RPG de acção. Foi muito bom por parte da Falcom ter revisitado o Ys IV e lhe ter dado um merecido remake, que expandiu grandemente a história do original e modernizou a sua jogabilidade, a par do que foi feito com o Ys: Oath in Felghana. Espero que façam o mesmo com o Ys V, pois tanto a sua versão da SNES, ou o remake da Taito para a PS2 ficaram-se apenas pelo Japão e possuem preços muito proibitivos. Ainda assim, e voltando para este Memories of Celceta, convém relembrar que esta versão foi relançada para o PC e PS4, tendo gráficos ligeiramente melhorados (melhor framerate, maiores resoluções e texturas melhoradas), para além de permitir optar por entre voice acting em inglês e japonês, pelo que são certamente versões a ter em conta.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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