Life is Strange (PC)

Vamos voltar ao PC, agora para um jogo muito focado na narrativa e que acabou por se revelar uma bela surpresa. Dos mesmos produtores que mais tarde nos trouxeram o Vampyr, este Life is Strange é uma espécie de uma aventura gráfica totalmente em 3D, mas com uma narrativa muito bem escrita e onde, à semelhança dos jogos da Telltale, as nossas escolhas irão influenciar de certa forma o decorrer da história. Sinceramente já não me recordo quando comprei o meu exemplar, mas creio ter vindo de uma Mediamarkt a custar 10€. Bons tempos em que os jogos de PC saíam em formato físico e o seu preço desvalorizava rapidamente!

Jogo com caixa de cartão exterior, caixa, livro de arte, CD com a banda sonora e papelada

A história leva-nos a controlar a jovem e tímida Maxine Caulfield, que viveu a sua infância na pequena localidade costeira de Arcadia Bay, Oregon, mas teve de mudar-se para Seattle, deixando a sua melhor amiga, Chloe, para trás. No seu 12º ano de escolaridade tem a oportunidade de voltar a Arcadia Bay, ao entrar na Blackwell Academy e ter aulas de fotografia com um dos seus ídolos. É precisamente durante uma dessas aulas onde Max tem uma visão de um tornado que surge no mar e destrói por completo a cidade de Arcadia Bay. Quando Maxine volta a si, e ao visitarmos o WC para que a mesma se recomponha, acabamos por testemunhar uma discussão entre Nathan Prescott, um ricaço bully e uma rapariga de cabelos azuis. A discussão fica feia, Nathan saca de uma pistola e mata a rapariga a sangue-frio. Tomada pelo pânico, Max levanta a sua mão direita na esperança vã de tentar impedir que tal tragédia aconteça e quando damos por ela, estamos novamente na mesma aula de fotografia onde começamos o jogo. Maxine apercebe-se que, por algum motivo, conseguiu voltar atrás no tempo e usa essa oportunidade para voltar à casa de banho e evitar que o homicídio acontecesse.

A maneira como chegamos ao ecrã título foi brilhante!

Sem querer revelar muito mais da história, digamos que iremos interagir entre diversos estudantes (e também professores) alguns que sofrem bullying, outros que possuem vários problemas familiares, ou mesmo outros podres que iremos eventualmente desencantar. Todos os estudantes terão algum problema pessoal que poderemos tentar ajudar a ultrapassar, mas também há outros mistérios a ter em conta: uma rapariga que desapareceu há mais de um mês sem deixar qualquer rasto, as visões do mega tornado que se tornam cada vez mais frequentes, a relação entre Max e Chloe que entretanto torna a ser reatada ao fim de 5 anos e claro, a misteriosa habilidade de Max para saltar no tempo.

O rato controla a câmara, as teclas WASD o movimento. Quando nos aproximamos de algum objecto que possa ser interagido ou pessoa com a qual podemos dialogar, o jogo mostra-nos quais as acções possíveis.

A jogabilidade é muito simples. Pensem num jogo da Telltale, tipo o The Walking Dead, mas sem zombies ou cutscenes de acção repletas de quick time events. É uma aventura gráfica totalmente em 3D e na terceira pessoa, onde teremos de explorar cenários, falar com pessoas e coleccionar/interagir com objectos de forma a avançar na história. Ao consultar o diário da Maxine (que vai sendo preenchido à medida que vamos avançando no jogo), temos sempre também uma indicação (na forma de um post it) de qual o objectivo a cumprir em determinado momento. E as habilidades de rewind da Maxine serão usadas muitas vezes e de diferentes formas. Por exemplo, ao falar com alguém geralmente vamos tendo várias opções de diálogos e nem sempre temos acesso às opções correctas para avançar na história. Mas depois de dar uma resposta má, a pessoa com quem estamos a falar geralmente responde-nos torto mas deixa uma dica do que poderíamos antes ter dito. A solução? Voltar atrás no tempo e falar novamente com a mesma pessoa como se fosse a primeira vez. Agora já teremos uma nova opção de diálogo para escolher e que já nos desbloqueia a conversa. Mas mesmo na exploração dos cenários esta habilidade pode ser usada, pois apesar de o tempo voltar para trás quando usamos o rewind, a nossa posição actual mantém-se. Por exemplo, ao explorar uma floresta, uma árvore cai-nos em cima e bloqueia o caminho. Rewind para uns segundos antes, a árvore volta a levantar-se e, estando nós agora no local onde a árvore caiu, temos tempo suficiente para dar uns passos em frente para que, quando a mesma voltar a cair, já não nos atrapalhe. Ou uma rapariga levar com uma bola na cabeça, rewind uns momentos para trás, avisamos a miúda para se desviar e ela fica agradecida. Entre muitas outras situações distintas onde teremos de usar esta habilidade para progredir no jogo e inclusivamente resolver alguns puzzles.

O jogo avisa-nos sempre que tomamos alguma decisão que trará alguma consequência e, a menos que avancemos para o checkpoint seguinte, temos sempre a hipótese de fazer rewind e escolher outra opção.

Como já referi acima, a narrativa está muito bem escrita. É um jogo que me faz lembrar bastante o filme Donnie Darko, quanto mais não seja pelo seu setting escolar, um elenco rico de personagens e claro, as viagens no tempo e todas as consequências que tal possa acarretar. É um jogo que aborda problemas reais, desde o bullying, drogas, problemas familiares, gravidez juvenil, suicídio, abusos sexuais, entre outros. Maxine é uma personagem tímida mas bem intencionada, e eventualmente vamos poder intervir positivamente ou não em todas estas situações, o que resultará em diferentes níveis de amizade e relacionamentos com as diversas personagens e as nossas escolhas moldarão o decorrer da história. O que me leva então a debater um pouco a tal não linearidade introduzida pelo jogo. Tal como nos jogos da Telltale, no final de cada episódio temos direito a um ecrã de estatísticas que mostram as nossas decisões e a percentagem de jogadores que tomaram cada decisão. Eu joguei apenas uma play-through, pelo que não cheguei a explorar escolhas diferentes das minhas, e já agora convém mencionar que, antes de avançar para o checkpoint seguinte, o jogo dá-nos sempre a hipótese de fazer rewind e tomar escolhas diferentes. Mas pelo que vi na internet, as diferentes escolhas levam a que de facto hajam pessoas que podem vir a morrer, outras que não nos gramem e dessa forma não nos ajudem em certas situações, obrigando-nos a procurar por soluções alternativas para certos puzzles. Mas tal como nos jogos da Telltale, independentemente das escolhas tomadas, há uma série de acontecimentos chave que irão acontecer sempre, afunilando dessa forma a narrativa. A última escolha, no entanto, levará a que alcancemos um de dois finais distintos.

O jogo possui um estilo gráfico único, embora por vezes se note que os modelos poligonais são muito simples

No que diz respeito aos gráficos, sinceramente não achei o jogo nada de especial nesse aspecto. Também convém referir que foi um título desenvolvido ainda com as consolas da sétima geração em mente (PS360) apesar de ter sido lançado em 2015, e usa o Unreal Engine 3. O estilo gráfico é um pouco difícil de definir, pois está ali numa fronteira ténue entre o realismo e um aspecto mais de desenho animado, pois aparentemente todas as texturas foram pintadas à mão. É um jogo que tem uma atmosfera visual agradável, mas nota-se perfeitamente que utiliza modelos poligonais com pouco detalhe, mesmo correndo no PC com as definições gráficas todas no máximo. Sinceramente não acho que o facto de os gráficos deixarem um pouco a desejar seja um ponto demasiado negativo, pois tudo o resto está muito bem feito. A já mencionada narrativa, que é acompanhada de um voice acting super competente e claro, a banda sonora que é também bastante eclética, com temas acústicos e algo melancólicos, ou outros mais de rock alternativo e que são sempre introduzidos de uma forma brilhante durante o jogo.

Portanto devo dizer que gostei bastante deste Life is Strange. É uma aventura gráfica por episódios do estilo das da Telltale, até porque à medida que vamos jogando teremos a hipótese de tomar diversas decisões que irão afectar o decorrer da história. Mas a sua narrativa muito bem escrita, associada a um elenco de interessantes personagens, mistérios para resolver e plot twists interessantes, tornam o jogo numa aventura bastante agradável de ser vivida. Irei certamente explorar melhor o restante reportório da Dontnod, a começar pela prequela Life is Strange: Before the Storm, que a jogarei de seguida.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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3 respostas a Life is Strange (PC)

  1. Joguei no PS4.
    Dos melhores jogos que já joguei. História é maravilhosa!

  2. Pingback: Life is Strange: Before the Storm (Sony Playstation 4) | GreenHillsZone

  3. Pingback: Life is Strange 2 (Sony Playstation 4) | GreenHillsZone

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