Hogs of War (Sony Playstation)

roduzido pela Infogrames Sheffield, o mesmo estúdio conhecido anteriormente por Gremlin Interactive, este Hogs of War é um divertidíssimo jogo de estratégia por turnos que sempre me passou um pouco ao lado pois eu achava que era um RTS. Na verdade, pensem neste jogo como um Worms, totalmente em 3D, mas com porcos militares em vez de minhocas, e um óptimo sentido de humor! O meu exemplar foi comprado algures em Setembro de 2018, numa das minhas idas à feira da Vandoma no Porto. Já não me recordo do preço mas foi certamente barato, menos de 5€.

Jogo com capa e manual, versão Best Of Infogrames que planeio substituir assim que houver oportunidade

O jogo é sem dúvida inspirado pela primeira Guerra Mundial, não só pelos uniformes das nações envolvidas no conflito, mas também por muitas das armas que poderemos utilizar, incluindo os bombardeamentos aéreos que podemos invocar, com bombas largadas por Zeppelins que sobrevoam os campos de batalha. No modo de campanha, começamos precisamente por escolher qual a nação que queremos representar: O Reino Unido está representado pelos Tommy’s Trotters, com uniformes verde escuro, a França pelos Garlic Grunts e uniformes azuis escuros, a Alemanha pelos Sow-A-Krauts e seus uniformes cinzentos, os Estados Unidos pelos Uncle Ham’s Hogs e seus uniformes azuis claros, a Rússia pelos Piggystroika e uniformes vermelhos e por fim o Japão pelos Sushi Swine e uniformes amarelos. E sim, o jogo está repleto de esteriótipos de diferentes nações, desde os nomes dos próprios soldados (o Japão tem um chamado Raw Fish) mas também pelos diálogos e pronúncias dos diferentes exércitos, com muitos americanos com sotaque sulista, ou Russos alcoolizados. Se o Hogs of War fosse um jogo recente, certamente iria ser muito criticado pelos paladinos do teclado que vemos hoje em dia, mas eu sinceramente não vejo nada de errado com aqueles esteriótipos, quando todos são usados com sentido de humor e não há nenhuma nação aqui representada que não os tenha!

Antes de começarmos a campanha temos direito a um tutorial extensivo que nos ensinam os controlos e as mecânicas base

Mas pronto, depois de termos escolhida a nação que queremos representar, somos levados a um campo de treino, onde aprenderemos os controlos do jogo. Uma vez passado, começamos a verdadeira campanha: todas as nações acima mencionadas procuram controlar as ilhas do arquipélago de Saustralasia, conhecidas pelas suas reservas naturais de lavagem, bastante cobiçadas por todas as nações suínas. E aqui vamos tendo um esquadrão de 5 porcos (mais 3 de reserva), que iremos gerir ao longo das mais de 2o missões que teremos de jogar no modo campanha, onde em cada uma conquistaremos território ocupado por forças inimigas. Inicialmente cada porco é um soldado raso, com pouca vida e um equipamento limitado a uma espingarda mais respectiva baioneta, ou granadas. Mas à medida que vamos avançando na campanha e também cumprindo objectivos secundários (como destruir artilharia inimiga) vamos sendo recompensados com os promotion points, que poderemos usar para evoluir as nossas tropas.

O maior desafio será mesmo calcular o ângulo e força necessária para a maior parte dos projécteis explosivos

De soldado raso poderemos depois especializar-nos em 4 ramos distintos, que irão influenciar o equipamento que cada soldado carrega ao iniciar cada missão. Teremos então os heavy weapons, onde poderemos vir a utilizar bazookas, morteiros ou lança chamas, os engineers, que vão mantendo um arsenal com vários tipos de explosivos e minas, para além de serem uma classe que consegue identificar a localização das minas em campos minados. A classe de espionage vai-nos dando sniper rifles, bombas de gás venenoso, a possibilidade de se camuflarem ou roubarem itens a soldados inimigos. Os espiões têm também a vantagem da sua posição não surgir no mini-mapa, pelo que teremos de a memorizar sempre que os vemos em movimento. Por fim temos a classe médica, cujo armamento, para além do arsenal básico dos soldados rasos, vai tendo vários itens para regenerar vida dos restantes soldados. Cada uma destas classes tem 3 níveis de patentes, com os pontos de vida a incrementar entre si e o armamento que carregam também. Mas depois todas estas opções de carreira convergem nas últimas duas patentes: os Commandos e Heroes, que vão buscar um bocadinho dos arsenais das classes anteriores, mais a possibilidade de nadar em corpos de água sem perder vida e usar jetpacks. A classe dos Heroes, sendo a mais avançada que podemos alcançar, é a que tem um máximo de pontos de vida e a única que possui no seu armamento base a possibilidade de chamar um raid aéreo. No entanto, ao longo do jogo vamos recebendo alguns air drops contendo munições especiais, ou mesmo medkits, que tanto podem ser apanhados e usados por nós, como pelos soldados inimigos.

No final de cada missão vamos recebendo promotion points de acordo com a nossa performance, que podem ser gastos ao promover as nossas tropas, adquirindo novas habilidades e mais pontos de vida.

Tal como nos Worms, as missões são jogadas por turnos, com cada turno a alternar entre soldados de facções diferentes. Aqui teremos alguns segundos para nos movimentarmos à vontade, apanhar pick-ups e finalmente atacar os adversários, que irá finalizar o nosso turno. Tal como no Worms também, atirar granadas, ou qualquer outro explosivo com uma trajectória parabólica será sempre algo tentativa-erro, pois teremos de não só escolher o ângulo, mas também a força do lançamento. E claro, podemos sempre atingir soldados da nossa equipa (sim, temos friendly fire) e mesmo quando conseguimos matar um soldado inimigo, temos de ter cuidado pois eles explodem depois de morrer, o que nos pode causar dano se estivermos muito próximos. De resto, para além do modo campanha, teremos também uma vertente multiplayer com algumas variações de deathmatch, mas confesso que não as experimentei.

Ocasionalmente lá teremos algumas cutscenes cheias de bom humor!

A nível audiovisual devo dizer que este é um título interessante. De um ponto meramente técnico, é um jogo simples, pois cada área de jogo é um mapa relativamente pequeno e com pouco detalhe gráfico, com algumas montanhas e terrenos distintos, algumas peças de artilharia ou outros edifícios básicos. Mas se os gráficos em si são simples e banais, é precisamente na apresentação, nas animações e falas repletas de um bom sentido de humor que este Hogs of War marca todos os seus pontos. Tal como referi anteriormente, é um jogo repleto de esteriótipos de todas as nações intervenientes, mas sempre com bom humor na minha opinião. Acho que se alguém se sentir ofendido com coisas tão banais e sem maldade, deve ser simplesmente uma pessoa muito triste. De resto, contem também com algumas cutscenes ocasionais repletas de bom humor, bem como inúmeras falas também bem humoradas, como já referi anteriormente.

Portanto, devo dizer que fiquei agradavelmente surpreendido com este Hogs of War. Na minha opinião um óptimo clone de Worms em 3D, muito antes de ter saído o primeiro Worms em 3D também! Para além da versão Playstation, o jogo tinha saído também no PC, cuja versão acabou por ser adaptada para correr em sistemas operativos mais recentes, estando disponível tanto no steam e GOG, mas confesso que não as conheço, nem sei se trazem algum extra face à versão PS1.

Ace Combat 3: Electrosphere (Sony Playstation)

O terceiro título da série Ace Combat a chegar à Playstation foi também o último a sair nesta consola. E de certa forma foi uma óptima despedida da Namco em território japonês, mas infelizmente deixou um sabor amargo na sua localização para o Ocidente. É que o lançamento original vem em 2 discos, possuindo uma história bem mais trabalhada, repleta de cutscenes anime, e com variações no progresso do jogo medidante algumas escolhas que possamos fazer à medida que vamos jogando, resultando em diversos finais diferentes. Na versão ocidental muito disto foi cortado, mas entrarei em mais detalhes posteriormente. O meu exemplar algures em Abril do ano passado, numa loja a norte do país. Creio que me custou algo próximo dos 7.5€.

Jogo com caixa e manual, na sua versão Platinum

A história retrata um planeta Terra distópico e futurista, onde os governos tradicionais foram ultrapassados por mega corporações que ditam os poderes económicos mundiais. Destas, há 2 gigantes, os colossos General Resources e Neucom, que a certa altura se envolvem em conflitos armados. Nós encarnamos num piloto da UPEO (Universal Peace Enforcement Organization), uma organização independente que procura mediar conflitos armados, e lá teremos uma série de missões onde iremos combater forças de ambos os lados, de forma a tentar alcançar um cessar-fogo. À medida que vamos avançando no jogo deparamo-nos com uma terceira entidade, a verdadeira causadora deste conflito e que manipulou as outras duas a combaterem entre si.

Como habitual, antes de cada missão temos um briefing

No que diz respeito à jogabilidade, esta não é muito diferente dos Ace Combats anteriores, embora seja mais linear, pois não teremos a hipótese de escolher que missões queremos jogar primeiro, nem “caminhos alternativos” tal como no jogo anterior. Inicialmente um número reduzido de caças disponíveis para usar, mas à medida que vamos progredindo no jogo, iremos desbloquear muitos mais e desta vez não temos de nos preocupar em amealhar dinheiro para os comprar. Alguns caças, como vários MiG ou F18, F16 e Blackbird são inspirados em modelos reais, mas também teremos muitos outros caças completamente fictícios para usar. As missões vão possuindo objectivos diversos, apresentando vários objectivos primários para abater (assinalados a vermelho no radar), outros secundários (assinalados a branco), amigáveis (assinalados a azul) ou neutros (assinalados a amarelo) que tipicamente teremos de proteger. Os alvos a abater serão tipicamente outros aviões, baterias antiaéreas, radares, bases inimigas, navios ou submarinos.

Para disparar os mísseis, devemos primeiro trancar os adversários na mira e esperar que não tomem manobras evasivas

A jogabilidade em si é muito semelhante à dos jogos anteriores, oferecendo-nos um controlo bastante fluído e ainda algo arcade, na medida em que poderemos carregar com um generoso número de mísseis em cada missão. Aliás, antes de cada missão, não só poderemos escolher o avião que queremos pilotar, mas sim equipá-lo com diferentes possibilidades de armamento. O interface gráfico dá-nos várias indicações visuais, como a velocidade, altitude, direcção, o nível de dano sofrido e claro, indica-nos quando temos alvos inimigos trancados no sistema de mísseis, sendo que também teremos de evitar fogo inimigo ao realizar manobras evasivas. Desta vez não temos no entanto de nos preocupar com o combustível restante, mas o tempo que levamos é contado e será tido em conta na nossa avaliação de performance no final de cada missão. Para além das missões normais, eventualmente vamos ser desafiados a cumprir uma série de manobras adicionais, como aterrar o avião em segurança, alinhá-lo com outro avião para ser abastecido, ou mesmo planear a descolagem a partir de um porta aviões.

Se o mapa do radar não nos dá informação suficiente, podemos chamar o mapa completo a qualquer momento

A nível audiovisual acho um jogo interessante, na medida em que os gráficos estão bem detalhados, tendo em conta que estamos a falar de uma Playstation, um máquina com recursos bastante limitados para apresentar um mundo em 3D tão vasto como a vista aéria a partir de um avião. E o jogo consegue, dentro do possível, renderizar uma área bastante considerável de polígonos à nossa volta. Os cenários em si vão sendo algo variados, onde teremos missões que sobrevoamos cidades e outras áreas urbanas, mas também teremos missões nos oceanos, florestas, os típicos níveis em desfiladeiros, mas também algumas missões ocasionais na estratosfera, ou mesmo já em pleno espaço, onde teremos de abater uma série de satélites. A “electrosfera” abordada no subtítulo do jogo é também algo que iremos entrar numa das missões finais e aqui confesso que andava bastante perdido no ecrã… Já no que diz respeito à música e efeitos sonoros, nada a apontar a estes últimos. A banda sonora é bastante agradável, sendo constituída por várias músicas electrónicas, algumas bem calmas e relaxantes, outras bem mais mexidas, particularmente na recta final do jogo, onde os inimigos começam a ficar bem mais agressivos e evasivos aos nossos ataques.

No final de cada missão podemos sempre ver um replay da mesma

Mas lá está, sabendo que esta versão foi altamente adulterada face à original japonesa acaba por ser bastante decepcionante. Esta versão, mesmo com os cortes que sofreu, é mais longo que os jogos anteriores, consistindo em 36 missões (sendo que a última é desbloqueada ao cumprir todas as anteriores com um ranking de A), mas o lançamento original japonês veio em 2 discos, com 52 missões no total, onde ao longo do jogo teríamos várias escolhas a tomar que decidiriam o rumo da história e consequentemente, quais as missões que iríamos jogar a seguir. Seriam 5 finais ao todo, com 36 missões em cada caminho, pelo que me parece que a Namco optou por incluir apenas as missões de um caminho específico da história para esta nossa versão. Para além disso, teríamos imensas cutscenes anime que contariam a história de uma forma bem mais empolgante e isso, também foi aqui cortado, sendo essas substituidas por várias paredes de texto que nos vão sendo apresentadas entre algumas missões chave no progresso do jogo. O mesmo pode ser dito dos diálogos que teríamos durante as batalhas com outros pilotos… Aparentemente o jogo não vendeu bem no Japão, pelo que a Namco acabou por ficar com um orçamento mais reduzido para a sua localização no ocidente, pelo que acabamos por levar com todos estes cortes. É de facto uma pena.

A versão japonesa possui uma história bem mais interessante e repletas de cutscenes anime. Felizmente já há um patch de tradução feito por fãs.

Tirando isso, este Ace Combat 3 não deixa de ser um jogo bem sólido. Para quem gostou dos títulos anteriores, provavelmente ficaria decepcionado apenas no facto desta nossa versão ser uma experiência completamente linear. Seria muito interessante a Namco revisitar este jogo e dar-lhe o mesmo tratamento que deu ao Ace Combat 2 que saiu na Nintendo 3DS sob o nome de Ace Combat: Assault Horizon Legacy. Entretanto, enquanto isso não acontece, existe felizmente um patch de tradução da versão japonesa, algo que eu só vim a descobrir bem mais tarde, infelizmente. De resto, e para já, não possuo mais nenhum jogo desta série, mas planeio ir remediando isso com tempo, à medida que me forem aparecendo baratinho. Foram jogos que, em tempos, me passaram pelas mãos inúmeras vezes ao desbarato, mas não os tinha comprado porque queria começar pelos jogos da PS1. Agora, alguns dos títulos da PS2 têm vindo a encarecer um pouco, mas estou confiante que os encontrarei todos a 5€ ou menos a médio prazo, após a nossa vida voltar a normalizar com o pós-covid19.

Final Fantasy Origins (Sony Playstation)

Continuando pelas rapidinhas, mas agora na primeira Playstation, o artigo de hoje até merecia um texto bem mais longo, pois trata-se de uma compilação que traz os primeiros 2 Final Fantasy para a Playstation, logo a primeira vez que poderíamos jogar ambos os títulos na Europa. Mas, na verdade já cá trouxe artigos que falaram de ambos os jogos, seja na mesma compilação que saiu posteriormente para a Gameboy Advance, sejam nas conversões musculadas, e com muito mais conteúdo do Final Fantasy e Final Fantasy II para a Playstation Portable. O meu exemplar foi comprado algures no início do mês de Maio, numa loja na zona do porto, custou-me 30€ e estava selado.

Jogo completo com caixa, manual e cartões com arte

A Squaresoft, ao longo dos anos, foi lançando várias versões e conversões dos seus primeiros 2 Final Fantasy. Algures no ano de 2000 lançaram um remake com gráficos melhorado, já com uma qualidade 16bit para a extinta portátil da Bandai, a Wonderswan Color, uma excelente portátil que teve sucesso limitado, e nunca acabou por chegar ao ocidente. Essas versões foram usadas nesta compilação para a Playstation, que lhe adicionaram algumas cutscenes em FMV e música com mais qualidade. Posteriormente foram relançados na Gameboy Advance, embora sem estes extras, mas com outros incluindo um bestiário e novas dungeons. Anos depois a Square desenvolveu versões com ainda mais conteúdo para a PSP, como já referi acima.

Pode não parecer, mas este já era um belo upgrade visual considerando os originais da NES/Famicom.

Portanto esta versão acaba por ser algo desactualizada, visto que podemos jogar ambos os jogos, com bem mais conteúdo, incluindo estas cutscenes em FMV nas suas versões PSP. Ainda assim, por motivos de coleccionismo, não quis desperdiçar esta oportunidade de o ter comprado, até porque o jogo possui uma série de pequenos cartões com artwork do jogo que acho muito bons.

 

MDK (PC / Sony Playstation)

Das memórias que tenho ao ver o saudoso Templo dos Jogos durante a minha infância, um dos jogos que mais me marcou ao ver o seu gameplay era justamente este MDK, principalmente pela bizarrice das suas personagens e inimigos. Tendo sido produzido pela Shiny Entertainment, os mesmos que nos trouxeram Earthworm Jim, o facto de ser um jogo bizarro (e como vim mais tarde a descobrir, também tem um sentido de humor peculiar), não é propriamente de estranhar. Mas sendo um jogo tão negro, não era habitual tendo em conta o que eles tinham produzido até à altura. Bom, de qualquer das formas, apesar de ter sido um jogo que ficou bem guardado na minha memória devido ao tal programa televisivo, a verdade é que nunca me tinha passado pelas mãos ao longo de todos estes anos. Eventualmente, perto do final de 2016, lá me apareceu uma versão da PS1, sinceramente já não me lembro onde ou quanto custou, mas certamente não terá sido cara.

Jogo com caixa, manual e papelada

Então mas qual é o conceito deste jogo? A história anda à volta do inventor/cientista Fluke Hawkings, que observa um fenómeno estranho no espaço e decide construir uma estação espacial que orbita a Terra para o investigar. Para não estar sozinho no espaço, convence o seu empregado, o “faz tudo” Kurt Hectic a acompanhá-lo, e, já no espaço, cria também um cão cyborg de seis patas chamado Max/Bones. Eventualmente lá descobre que o tal fenómeno estranho que tinha observado é na verdade uma invasão alienígena que está prestes a decorrer na Terra, onde os aliens enviam naves gigantes para atacar as grandes cidades e consumir os recursos naturais do planeta. O doutor decide então enviar Kurt para ajudar a combater a ameaça e é aí que entramos em jogo.

Este paára-quedas todo estiloso pode ser usado a qualquer altura, o que nos deixa no ar mais tempo e é muito útil nos segmentos de platforming.

Comecei precisamente por jogar a versão da Playstation que, apesar de ser uma conversão sólida tendo em conta as limitações da consola, mais tarde apercebi-me que tinha na minha conta GOG uma cópia digital da versão PC, provavelmente oferecida algures no tempo e troquei logo de versão. Ainda bem que o fiz, até porque podemos customizar os controlos para um esquema WASD + rato, muito próximo dos jogos modernos, o que faz toda a diferença aqui. Em cada nível temos uma nave gigante para atacar, onde começamos por cair em queda livre desde a estação espacial atè à base em questão. Aqui apenas temos de nos preocupar em desviar dos radares e mísseis inimigos bem como, se possível, ir apanhando os itens que o doutor nos vai largando. A certa altura Kurt abre o seu páraquedas estiloso e entramos na base. Aqui o jogo assume-se mais como um shooter na terceira pessoa, embora a um ritmo frenético e com imensas armas e habilidades a ter em conta. Ocasionalmente teremos até alguns momentos de platforming, pelo que temos de saltar de plataforma em plataforma, podendo abrir o pára-quedas no momento do salto, que nos permite planar suavemente pelo ar e conseguir saltar distâncias maiores.

Conseguimos saber quanto nos falta para destruir certos inimigos pela sua barra de vida.

Mas no que diz respeito ao combate, a arma principal de Kurt, que está embutida no seu braço, possui munições básicas ilimitadas, embora possamos apanhar outras munições mais potentes ou diferentes tipos de bombas e granadas que podemos atirar livremente. Aqui começamos logo a ver o sentido de humor do jogo, pois umas das bombas chama-se “The World’s Smallest Nuke“, servindo principalmente para explodir com algumas portas, já outra é chamada “The World’s Most Interesting Bomb“, atraindo todos os inimigos para a sua proximidade, onde a poderemos depois detonar. Mas Kurt também pode desligar a sua arma do braço e ligá-la ao seu capacete, onde activamos o muito interessante sniper mode. Aqui podemos fazer zoom até 100x, bem como equipar a arma com diferentes tipos de munições (todas em número limitado), desde as balas normais de uma arma sniper, passando por outras mais chiques, como mísseis teleguiados ou morteiros que seguem trajectórias parabólicas. A visão do modo sniper possui também em cima 3 câmaras que seguem os projécteis que disparamos, o que é um toque interessante. Um dos itens que podemos apanhar permite-nos chamar o Max, que conduz a sua própria nave, para um ataque aéreo a uma zona que designamos previamente, precisamente com recurso ao modo sniper. Isto muitos anos antes dos Call of Duty e Battlefields! Para além de tudo isso há outras pequenas coisas que o jogo nos vai atirando ocasionalmente, como subir a bordo de um pequeno avião e bombardear os inimigos que estão no chão, ou atravessar certas zonas de um certo nível a fazer snowboard, por exemplo.

O modo sniper, muito original não só a nível de jogabilidade mas também artisticamente.

Já do ponto de vista técnico este é um jogo igualmente interessante, pois foi lançado numa altura de pioneirismo de jogos de acção completamente em 3D. E ora acima de tudo a Shiny queria um jogo bastante fluído, e com o facto de ser possível ampliar o cenário em 100x com recurso ao modo sniper, isto significa que o jogo tem de estar constantemente a renderizar uma grande percentagem do cenário, principalmente em zonas mais abertas, enquanto muitos outros jogos contemporâneos usavam o pop-in dos polígonos a uma certa distância ou então tentavam mascarar o mesmo com recurso a efeitos de nevoeiro. Aqui não temos nada disso, pelo que para manter sempre uma boa performance (e inicialmente o jogo saiu sem qualquer suporte a placas aceleradoras 3D!) o detalhe das texturas e número de polígonos teve de ser de certa forma sacrificado. Por isso as texturas são muito simples e de baixa resolução e detalhe, mesmo quando comparado com outros jogos de acção da época e muitas vezes o jogo utiliza o seu próprio estilo artístico em vantagem, com muitos polígonos a não possuirem texturas sequer, sendo inteiramente negros (o que resulta bem em zonas mais escuras), ou de outras cores. O próprio protagonista é uma sprite em 2D,  se bem que muito bem detalhada e animada, algo que a Shiny, especialmente alguns dos seus funcionários mais séniores já bem nos habituaram em clássicos como Aladdin ou Earthworm Jim. Exepto na fase inicial de cada nível onde caímos em queda livre até chegar à base alienígena e na fase final onde acontece o reverso, aí Kurt já possui um modelo em 3D poligonal. Os inimigos são no entanto completamente em 3D, se bem que com pouco detalhe.

Artisticamente este é mesmo um jogo muito original e bizarro. Adoro!

Mas tirando a conversa mais técnica, sinceramente este é daqueles jogos onde é mesmo uma pena que os seus direitos já tenham dado muitas voltas. Adoraria ver a equipa original a pegar novamente neste jogo e fazer um remake a sério. Isto porque a nível artístico, é um jogo tão bizarro, no entanto tão bem conseguido, que ver este mundo com a qualidade gráfica que merece seria mesmo muito interessante. Já NO QUE DIZ RESPEITO ÀS MUSICAS

Falando um pouco da versão Playstation (que foi convertida pela Neversoft, os mesmos do Tony Hawk), apenas joguei as 2 primeiras missões e, naturalmente que prefiro a versão PC. Não só por os controlos serem melhores (dá para configurar um setup WASD + rato parecido aos shooters actuais), mas a nível gráfico esta versão é mais pobre. Não que seja muito mais pobre pois ainda podemos fazer zoom a altas distâncias, mas as texturas e modelos poligonais são ainda mais primitivos em contrapartida. Mas não deixa de ser um jogo divertido, atenção! Se bem que os controlos também não são os mais adequados…

Tenho pena que estes ecrãs da base dos heróis não sejam cutscenes. Certamente seriam bastante cómicas!

De qualquer das formas volto a reiterar que fiquei agradavelmente surpreendido por este MDK. A impressão que sempre tive do jogo desde novo é que era algo sombrio e bizarro, talvez influenciado pela arte de H.R. Giger, em certos pontos. E de certa forma se calhar até é, mas a partir do momento em que leio o manual e vejo toda aquela paródia entre as personagens, e mesmo alguns bons momentos de humor ao longo do jogo propriamente dito, já deu para entender que não é tão sombrio assim, pelo que um remake em condições seria mesmo uma óptima notícia.

 

Lemmings and Oh No! More Lemmings (Sony Playstation)

Depois de ter analisado com algum detalhe a versão Mega Drive do Lemmings, é tempo para mais uma rapidinha, trazendo cá agora a versão Playstation do mesmo jogo. A nível gráfico, esta versão é mais fiel ao original Commodore Amiga, com os níveis mais longos que  foram retirados ou modificados na versão Mega Drive a marcarem aqui a sua presença. Para além disso inclui também a expansão Oh No! More Lemmings, uma de muitas que foram lançadas originalmente para o Commodore Amiga. O meu exemplar foi comprado em Janeiro de 2018 na feira da Vandoma no Porto por 4€.

Jogo com caixa e manual

Temos ao todo mais de 200 níveis pela frente em diversos graus de dificuldade, onde tal como antes, o objectivo de cada nível é o de guiar os lemmings em segurança para a saída de cada nível. O número mínimo de lemmings que temos de salvar, o tempo limite, bem como as habilidades que poderemos usar vão diferindo de nível para nível, sendo cada vez mais restringidos em níveis de dificuldade superiores, tanto na conversão do Lemmings original quanto da sua expansão/sequela. O Oh No! More Lemmings traz então uma série de níveis novos, distribuídos em 5 graus de dificuldade distintos, desde os fáceis Tame, até aos Havoc. A nível de mecânicas de jogo tudo está aqui presente, e uma vez mais alguns níveis exigem uma precisão practicamente pixel perfect para activar as habilidades de forma a chegar à sua conclusão, pelo que esperem na mesma por alguns níveis bastante frustrantes. A expansão/sequela não inclui nenhumas novas habilidades, possuindo apenas gráficos algo distintos.

Os níveis mais longos que ficaram de fora de algumas conversões para plataformas mais limitadas estão aqui presentes.

A nível audiovisual, esta é uma conversão muito mais fiel aos originais do ponto de vista gráfico, o que por um lado é bom, por outro também poderíamos estar à espera de cenários mais detalhados pois a Playstation já é um hardware que teria bem mais capacidade para tal. Ainda assim, mesmo tendo mais de 200 níveis pela frente, nem todos os níveis de ambos os jogos estão aqui presentes, o que sinceramente não se entende muito bem o porquê. Se cabiam num par de disquetes no Commodore Amiga, 650MB num CD não seriam suficientes? É verdade que temos algumas cutscenes em CGI ocasionalmente, bem como toda a banda sonora em CD audio, mas mesmo assim acredito que haveria espaço suficiente para mais níveis, não?

Esta versão possui algumas cutscenes em CGI mas não esperem por nada de espectacular

Portanto esta conversão do Lemmings, apesar de não ser perfeita, é mais uma sólida conversão do clássico da Psygnosis/DMA Design. O facto de ter sido lançada num sistema mais acessível nos dias de hoje, incluir o Oh No! More Lemmings e possuir quase todo o seu conteúdo original, são pontos decididamente fortes. Esperaria no entanto que esta versão tivesse sofrido alguns melhoramentos a nível gráfico, mas tivemos de esperar até 2006 para que isso acontecesse. Na PSP e PS2.