X-Men: Mutant Academy (Sony Playstation)

Voltando às rapidinhas na PS1, vamos ficar agora com o X-Men Mutant Academy, um jogo de luta em pseudo 3D sobre o universo X-Men, lançado algures durante o ano de 2000 para a Playstation e Gameboy Color. A versão PS1 foi desenvolvida pela Paradox Development, que para além de ter criado mais alguns títulos com a IP dos X-Men e outros de Wrestling, fizeram também o Mortal Kombat Shaolin Monks que planeio cá trazer em breve. O meu exemplar foi-me oferecido por um amigo meu numa das nossas idas a uma feira de velharias, é apenas o disco, pelo que um dia que me apareça uma versão completa a bom preço, irei certamente substituir.

Apenas o disco solto, para já

Antes de abordar a jogabilidade propriamente dita, convém referir os modos de jogo disponíveis. Pois bem, temos o Arcade, Versus e Survival que dispensam apresentações, pois o primeiro é aquele modo de jogo básico onde seleccionamos uma personagem e iremos defrontar todas as outras, enquanto o segundo é o que permite multiplayer para 2 jogadores andarem à pancada. O Survival é um modo de resistência, onde apenas com uma vida teremos de defrontar o máximo de oponentes possível, com a nossa barra de vida a regenerar ligeiramente entre cada confronto. O modo Academy é basicamente o modo de treino do jogo, onde podemos tanto optar por treinos livres, ou por treinos com objectivos, onde somos levados por um tutorial que nos explica as mecânicas de jogo.

O leque de lutadores disponíveis é algo limitado e os vilões têm de ser desbloqueados ao jogar o modo arcade

Ora este é então um jogo de luta de 1 contra 1 mas, embora possua gráficos em 3D poligonal, a sua jogabilidade é ainda em 2D. A nível de controlos, temos os botões faciais a servirem para desferir socos ou pontapés ligeiros ou médios, com os restantes botões de cabeceira a servirem para desferir os golpes fortes, counters ou throws. Para além disso devemos também ter em conta as 3 barras de energia no fundo do ecrã, que se vão enchendo mediante a nossa performance ao longo dos combates. Estas servem para despoletar 3 tipos distintos de specials quando estiverem cheias: os Supers, Stringed Supers e X-Treme Supers. Cada uma destas barras quando cheias permitem-nos usar alguns dos golpes mais poderosos de cada personagem, mas, no caso dos X-Treme, encher a barra não é suficiente. Uma vez a barra cheia temos de pressionar o botão X repetidamente durante alguns segundos e só depois o X-Treme fica desbloqueado, mas claro que estamos sujeitos a levar com dano durante esse tempo! Aparentemente também é possível transferir a energia de uma barra de special para as outras, o que é uma funcionalidade interessante, mas mais uma vez não tão trivial de executar no calor da batalha.

Cada x-men possui as suas habilidades específicas, mas os diferentes specials não são assim tão intuitivos

A nível audiovisual, é um jogo com cenários e personagens modeladas em 3D poligonal, mas mantém uma jogabilidade em 2D, conforme já referi acima. As personagens, para uma PS1, até que estão bem modeladas, mas já os cenários sinceramente achei-os muito desinspirados! O mesmo posso dizer para as músicas e restantes efeitos sonoros ou o ligeiro voice acting que cada personagem possui. Entendo perfeitamente o apelo de jogos em 3D poligonal, mas sinceramente prefiro de longe os visuais 2D dos jogos da Capcom. Até porque esses são bem mais fluídos e com uma jogabilidade mais intuitiva. Aqui achei o sistema de combate um pouco lento até.

Cada personagem tem direito a cutscenes CGI mas as mesmas são um bocado desinspiradas, particularmente em personagens como o Beast

Mas pronto, o X-Men Mutant Academy até deve ter feito algum sucesso pois gerou duas sequelas directas. O Mutant Academy 2 é um jogo que também tenho na colecção, após ter sido oferecido por um colega de trabalho há uns valentes anos atrás, pelo que também o irei jogar a ver no que a Paradox evoluiu face ao primeiro jogo. Lançaram posteriormente o X-Men: Next Dimension para as consolas da geração seguinte mas para já não me sinto com grande vontade de o comprar. A ver se o Mutant Academy 2 me fará mudar de ideias! Existe também uma versão Gameboy Color deste jogo, que é naturalmente muito mais simplificada.

Urban Chaos (Sony Playstation)

Apesar de ser um antecessor do Urban Chaos: Riot Response, este primeiro Urban Chaos nada tem a ver com o FPS frenético da Playstation 2 e Xbox. É um jogo inteiramente diferente, desenvolvido pela já extinta Mucky Foot Productions, que por sua vez foi fundada por ex-funcionários da Bullfrog de Peter Molyneux. O meu exemplar foi comprado na extinta Player do Gaiashopping, algures em Março de 2019 e creio que me custou uns 7€.

Jogo com caixa e manual

Este é então um jogo de acção na terceira pessoa que conta como protagonista principal uma mulher negra e polícia que irá combater o gangue dos Wild Cats que andam a semear o caos e terror pela sua cidade. À medida que vamos avançando na história, também nos vamos apercebendo que os Wild Cats não estão a agir sozinhos e existe uma grande conspiração por detrás das suas acções. E com a cutscene inicial a mostrar premonições do final do mundo de Nostradamus, é expectável que as coisas fiquem um pouco WTF lá para o final do jogo.

Ora os primeiros níveis que temos acesso são tutoriais básicos de movimento, combate e condução de veículos. Apenas somos obrigados a fazer o nível bronze de cada tutorial, mas se fizermos também os níveis seguintes acabaremos por desbloquear uns níveis extra onde jogamos com um dos bandidos. Mas adiante, terminando os tutoriais iremos começar a explorar o jogo mais a sério. E isto é essencialmente um proto open world, na medida em que em cada nível temos uma secção da cidade para explorar como quisermos! E se apenas queremos seguir com a missão em frente, basta seguir os indicadores no nosso radar, mas se por outro lado quisermos perder algum tempo a explorar os cenários, iremos não só encontrar mais bandidos para lutar e/ou prender, bem como algumas missões adicionais que de outra forma não poderiam ser jogadas. Podemos interagir com os NPCs que por lá habitam (e que por vezes possuem diálogos acções bizarras) bem como conduzir os veículos que por lá andem na rua. Não temos toda a cidade para explorar de cada vez como nos Grand Theft Auto e similares, mas para um jogo de 1999 está de facto muito à frente.

Este é um jogo quase open world, onde podemos explorar livremente grandes porções da cidade

O problema, como já poderiam adivinhar, são os controlos que não envelheceram nada bem, bem como o controlo de câmara. O botão X serve para saltar, o quadrado e triângulo para atacar ou disparar, enquanto o botão círculo vai sendo aquele botão de multi funções, pois tanto serve para interagir com o cenário e personagens, bem como para correr ou agachar. O botão L1 leva-nos para uma perspectiva em primeira pessoa mas estacionária, já o R1 serve para fazer lock-on nalgum oponente ou NPC durante os combates. Já os L2 e R2 servem para manipular a câmara, o que nem sempre nos ajuda. Mesmo sendo um jogo que já tem suporte aos analógicos do comando Dualshock, apenas o analógico esquerdo é usado para movimento e o controlo de câmara usado pelos botões L2 e R2 deixa também muito a desejar. E mesmo nos tiroteios, apesar do R1 dar uma grande ajuda ao fazer lock-on nos inimigos mais próximos, nem sempre a câmara acompanha, pelo que acabamos por dar alguns tiros no escuro e as munições não são propriamente abundantes neste jogo. E tendo também em conta que cada nível é grandinho e sem possibilidade de gravar o nosso progresso no jogo durante os níveis, torna as coisas ainda mais frustrantes. Especialmente quando temos de explorar o topo de edifícios e por algum problema de controlo lá caímos no chão, morremos e temos recomeçar tudo de novo.

Infelizmente os controlos não envelheceram nada bem, mesmo nos segmentos de condução

Outra das coisas que devemos ter em conta, particularmente se quisermos sobreviver tempo suficiente é que ao explorar bem os níveis, iremos encontrar alguns power ups que nos vão melhorar de forma permanente alguns dos nossos stats. Uns melhoram as nossas defesas, outros a nossa força em lutas corpo-a-corpo, outros melhoram a fadiga, permitindo-nos correr durante mais tempo e finalmente outro power up vai-nos melhorar a pontaria com armas de fogo. São dezenas destes itens espalhados ao longo dos níveis e vão mesmo dar jeito nos níveis mais perto do final do jogo, onde teremos de enfrentar bandidos muito bem armados e em maior número, pelo que é mais uma boa recompensa de explorar bem os mapas antes de completar as missões principais.

A nível audiovisual não é um jogo muito bom. Não há uma grande variedade de NPCs e mesmo os que há não estão lá muito bem detalhados. A cidade em si também não está nada de especial, mas tendo em conta que é um jogo quase open world a correr numa Playstation já leva pontos por isso e dá para entender a razão pela qual o mundo não pode ser mais detalhado, pois tudo é carregado para a memória da consola antes de começar cada nível. Já no que diz respeito ao som, bom, existe uma quantidade considerável de voice acting. Os diálogos não são propriamente bons, mas confesso que ainda dei umas risadas com algumas das situações mais caricatas que fui encontrando.

Podemos tornar as lutas mais curtas ao pressionar para cima e quadrado, o que irá mandar os oponentes para o chão e depois com o círculo podemos algemá-los. Não esquecer de os revistar depois com o mesmo botão!

Este Urban Chaos foi lançado também para o PC e Dreamcast, mas não cheguei a jogar nenhuma dessas outras versões. Presumo que a versão Dreamcast seja mais bonita graficamente mas também tenha o mesmo problema a nível de controlos que esta, até porque a Dreamcast apenas possui um analógico. Certamente que a versão PC será a melhor versão do jogo e ainda hoje pode ser comprada em algumas plataformas como o GOG.com. Em suma Urban Chaos foi um jogo muito ambicioso para o seu tempo, sendo quase um open world em 3D como o Grand Theft Auto, mas lançado uns dois anos antes que o próprio GTA3. No entanto também não envelheceu nada bem, com os seus maus controlos, câmara e gráficos algo monótonos.

Marvel Super Heroes vs Street Fighter (Sony Playstation)

E a saga dos crossovers continuava! Após o lançamento do X-Men vs Street Fighter, que colocavam os X-Men da Marvel à porrada com as personagens do Street Fighter, a Capcom decidiu lançar uma sequela com mais personagens, principalmente do lado da Marvel, não se limitando aos X-Men apenas. O jogo saiu originalmente nas arcades em 1997, com uma versão para a Sega Saturn (que infelizmente se ficou apenas pelo Japão) a sair no ano seguinte e em 1999 a Playstation acabou também por receber uma conversão. O meu exemplar veio junto de um Marvel vs Capcom 2 que comprei numa das minhas idas à feira da Ladra em Lisboa, algures por volta de 2014/2015? O MvsC2 custou-me 2€, este disco vinha lá dentro também. Naturalmente que gostaria de arranjar um exemplar mais completo, mas não me posso mesmo queixar tendo em conta os preços a que o jogo anda actualmente.

Apenas disco

Infelizmente esta conversão para a Playstation levou com o mesmo tipo de cortes que o seu predecessor. É que para além deste ser um fighter frenético com grande enfâse num sistema de combos e golpes especiais, é também um jogo com tag-team, onde seleccionamos duas personagens e podemos alternar entre as mesmas durante os combates. Isto na versão original e para a Sega Saturn também, claro. Na Playstation, apesar de termos de seleccionar dois lutadores na mesma, não há cá tag team nenhum, o segundo lutador assiste-nos apenas na execução de alguns ataques especiais, tal como aconteceu na versão PS1 do X-Men vs Street Fighter.

Não se deixem enganar pelo painel de lutadores, pois existem imensas personagens secretas e desbloqueáveis

Para compensar, a Capcom decidiu, uma vez mais, colocar alguns modos de jogo adicionais exclusivos para esta versão. Para além dos modos arcade (battle), versus e treino, temos também o hero battle e crossover. O primeiro é uma espécie de endurance, onde seleccionamos se queremos representar o lado Street Fighter ou Marvel e em seguida quais as duas personagens a controlar. Depois lá teremos de enfrentar todos os oponentes do lado contrário! Já o modo Crossover é o único que permite realmente haver mecânicas de tag team, mas com a limitação de apenas defrontarmos versões espelhadas das personagens que escolhemos. Por exemplo, se escolhermos o Ryu e Wolverine, iremos enfrentar o Wolverine e Ryu com as suas sprite swaps. É uma maneira de apenas carregar 2 personagens e todas as suas animações para a RAM em vez de 4…

Os golpes especiais vistosos sempre foram muito apelativos para mim

De resto é um jogo de luta bastante sólido como já mencionei. O ritmo de jogo é bastante frenético como é habitual e todos aqueles combos e golpes especiais são um mimo de se ver! O leque de personagens é consideravelmente maior em relação aos jogos anteriores, apresentando-nos um total de 18 personagens do universo Marvel e Street Fighter, com mais umas 8 personagens desbloqueáveis, se bem que algumas são variantes de personagens existentes como é o caso do U.S. Agent, Armored Spider-Man ou Evil Sakura. Algo que também convém referir é que esta versão PS1 inclui também um Gallery Mode, onde poderemos ir desbloquear artwork e as cutscenes finais de cada personagem. É um extra interessante!

Esta versão até pode ter as suas limitações técnicas, mas não deixa de ser um fighter divertido, bonito e competente

No que diz respeito aos audiovisuais esperem pela habitual qualidade da Capcom desta era: cenários e personagens totalmente em 2D mas muito bem detalhados, se bem que a versão PS1 tem os habituais cortes nas animações em relação às outras versões. Mas ainda assim o resultado não é nada mau, pecando apenas pelo original (e versão Saturn) serem algo superiores na sua performance! A nível de som também nada a apontar, os efeitos sonoros são bem convincentes e as músicas agradáveis, se bem que eu prefiro aqueles temas mais rock.

Chronicles of the Sword (Sony Playstation)

A Psygnosis lançou muitos jogos excelentes ao longo dos anos. Desde os seus primórdios nos tempos do Commodore Amiga até ao lançamento das consolas 32bit onde, principalmente na Playstation, vimos bons jogos como a série Wipeout, G-Police, F1, entre outros. Infelizmente este Chronicles of the Sword, apesar de ter sido publicado pela Psygnosis, está longe, muito longe de ser um bom jogo. O meu exemplar foi comprado numa feira de velharias algures em Agosto de 2020, creio que me custou uns 4€.

Jogo com caixa, manual e 2 discos

Bem, mas vamos começar pelo básico. Chronicles of the Sword é um jogo de aventura point and click na terceira pessoa, com cenários pré renderizados em CGI e que se passa algures na mitologia Arturiana, colocando-nos no papel do jovem cavaleiro Gawain, que recebe uma importante missão de Arthur e Merlin (assim que o encontrarmos): a de derrotar a feiticeira Morgana. Sendo este um point and click, esperem pelas habituais mecânicas de jogo de coleccionar objectos, interagir e/ou combiná-los, bem como falar com várias outras personagens. Mas ao contrário de outros point and clicks da época, não temos maneira de alternar entre acções, temos então de nos guiar pelos diferentes cursores que o ponteiro vai-se transformando à medida em que o passeamos pelos cenários. Por exemplo, se passarmos o ponteiro por alguma porta ou extremidade do ecrã que indica um caminho para um novo ecrã, então o cursor muda de uma seta para pegadas. Se o passarmos por alguma personagem ou por algum objecto do cenário que possamos interagir, o cursor muda para uma seta vemelha. Quando estamos imóveis podemos também consultar o inventário e observar, seleccionar ou até combinar os itens que carregamos, embora o seu interface não seja o mais intuitivo.

Quando conversamos com alguém temos sempre várias opções de diálogo

Agora as coisas más, a começar pela jogabilidade. Este parece por vezes um daqueles jogos de hidden object, pois muitos dos objectos que precisaremos de apanhar para avançar no jogo estão de tal forma camuflados nos cenários que o ideal é mesmo o de percorrer o cursor quase pixel a pixel pelo ecrã e clicar sempre que o cursor mude para uma seta vermelha para ver no que vai dar. Para além de que muitas vezes os puzzles não fazem muito sentido mas isso já é habitual neste tipo de jogos. Depois também temos um comportamento algo irritante em que se usarmos um objecto errado nalgum sítio, o jogo não nos informa que tal combinação não é possível, mas sim o resultado acaba por ser sempre ouvir o mesmo comentário de termos interagido com esse local sem nenhum objecto equipado. De resto ocasionalmente teremos alguns segmentos de acção onde teremos mesmo de combater alguns oponentes, mas aqui os controlos são de tal forma maus que o melhor a fazer é mesmo ir às opções e mudar a dificuldade de normal para fácil. A única diferença que me tenha apercebido entre ambas as dificuldades (e pelo que refere no manual também) é que estas sequências de combate são automáticas – com animações muito más, mas acreditem que é melhor assim.

Bem este candeeiro nem estava assim tão escondido numa sala cheia de tons de castanho, acreditem que há muito pior.

Passando para os audiovisuais, bom aqui é que as coisas se tornam interessantes. Como referi acima, o jogo possui cenários pré-renderizados em CGI e, apesar de uma boa parte da crítica na altura ter apreciado os seus gráficos, sejamos sinceros, são muito maus. Os cenários são todos pré renderizados mas com imagens estáticas de baixa resolução e por vezes demasiado escuras, o que também ajuda a camuflar ainda mais os objectos que teremos de apanhar. Já o que dizer das cutscenes em CGI? É verdade que a tecnologia de vídeos CGI em 1996 ainda deixava muito a desejar no seu detalhe e fluidez quando comparado com o que a Squaresoft começou a apresentar poucos anos depois nos seus Final Fantasy, mas as cutscenes deste jogo são tão más, tão más, que até se tornam boas e foram dos melhores comic relief que o jogo apresentou. O que também é tão mau e bom ao mesmo tempo é o voice acting que é terrível e cheio de sotaques forçados em várias personagens. Aliás, o Merlin aqui é uma anedota, pois é tão bombado que até parece o Arnold Schwarzenegger e os seus diálogos são particularmente hilariantes.

A cutscene inicial é puro ouro de animação. Da esquerda para a direita temos Arthur, a sua esposa Guinevere, em baixo a nossa personagem Gawain e à direita o Merlin musculado, que na minha cabeça parece sempre que usa uma gravata.

Portanto este Chronicles of the Sword é um jogo muito mau, muito mau mesmo para quem grande apreciador de jogos de aventura point and click. Mas os seus péssimos audiovisuais, em particular nas cutscenes CGI e voice acting acabam por fazer valer a pena experimentar este jogo. Recomendo é que usem um guia pois a história é uma constante fetch quest e com objectos tão bem escondidos nos cenários, a procura será longa.

X-Men vs. Street Fighter (Sony Playstation)

Vamos voltar às rapidinhas, agora para o primeiro verdadeiro crossover fighter que a Capcom lançou. Depois de terem produzido o X-Men: Children of the Atom e posteriormente o Marvel Super Heroes, alguém na Capcom achou que seria uma boa ideia fazer um jogo de luta em que colocassem as personagens da Marvel e da Capcom à batatada uns com os outros. O primeiro desses crossovers inclui apenas as personagens do universo X-Men da Marvel e Street Fighter do universo da Capcom, mas como todos sabemos isso acabou por mudar muito rapidamente. O meu exemplar foi comprado na Cash Converters algures em Dezembro deste ano, ficou-me por cerca de 40€ se bem me recordo.

Jogo com caixa

Devido às diferenças na arquitectura de hardware entre a Sega Saturn e Playstation, por vezes compromissos tiveram de ser feitos ao converter jogos para ambas as plataformas. Como é de cultura geral no retrogaming, o hardware da PS1 está mais preparado para renderizar gráficos em 3D poligonal, enquanto o da Saturn possui uma arquitectura (e mais memória RAM) que lhe permite um melhor processamento de sprites 2D. No caso de conversões de jogos 2D de origem arcade, como é o caso dos sistemas Capcom CPS2, CPS3 ou NeoGeo da SNK, tradicionalmente as versões Saturn são mais fieis às originais, enquanto que as versões Playstation tipicamente levam alguns cortes nas animações das personagens. Infelizmente esta versão do X-Men vs Street Fighter, para além dos cortes nas animações dos lutadores, teve outros cortes severos na jogabilidade.

Infelizmente a versão Playstation cortou quase por completo o conceito de tag team. Aqui a segunda personagem apenas pode ser invocada nalguns golpes especiais

Isto porque este é um fighter que, tal como os outros fighters da Capcom da mesma era, é um jogo de luta frenético com grande foco em combos e ataques especiais. Para além disso, é um jogo de luta no formato tag team, ou seja, em vez de escolhermos apenas uma personagem para jogar, temos de escolher também uma adicional. No original arcade e na conversão para a Sega Saturn (que infelizmente se ficou pelo Japão), poderíamos alternar livremente entre ambas as personagens escolhidas durante os combates, já na versão Playstation isso não acontece. Temos na mesma de escolher duas personagens, mas a segunda é apenas usada como um caracter secundário em que é invocada apenas em alguns ataques ou counters especiais. Para colmatar estas falhas, a Capcom introduziu outros modos de jogo adicionais que não estão presentes na versão Saturn. Para além do modo arcade e versus para 2 jogadores, temos também um modo de treino e um survival onde o objectivo é precisamente o de sobreviver o máximo de tempo possível a combates sucessivos. Infelizmente não acho que seja suficiente. De resto não deixa de ser um jogo de luta bastante sólido, e já com um leque bastante considerável de personagens disponíveis. Inicialmente dispomos de 8 personagens da Marvel e outras tantas da Capcom, mas podemos também desbloquear tanto o Apocalypse como o Akuma também.

Sempre gostei dos fighters 2D da Capcom pelos seus gráficos 2D muito bem detalhados

Do ponto de vista gráfico, este é um jogo que, como a Capcom tão bem nos habituou naquela época, possui sprites e backgrounds muito bem detalhados. É um jogo visualmente bastante apelativo, particularmente por todos os golpes especiais que podemos desencadear. Mas tal como referi acima, a versão Playstation não é a melhor opção, pois a nível gráfico as animações foram cortadas por limitações de memória, pelo que não é o jogo mais fluído. Ainda assim, numa primeira análise, o impacto visual é sempre positivo. Eu posso ser uma autêntica nódoa neste tipo de jogos, mas sempre adorei a arte visual destes fighters da Capcom e da SNK. A nível de som, nada de relevante a apontar, pois possui músicas competentes e efeitos sonoros também, embora eu prefira particularmente aqueles temas mais rock.

Portanto, se olharmos para este X-Men vs Street Fighter como se apenas esta versão PS1 existisse, não deixa de ser um jogo de luta em 2D bastante sólido como a Capcom bem nos habituou. No entanto o corte da jogabilidade por tag team parece-me mesmo uma medida drástica que sinceramente não estava à espera. Já contava que a versão Playstation pudesse ter animações menos fluídas comparando com as outras versões, mas um corte tão grande nas mecânicas de jogo foi mesmo uma grande surpresa. Infelizmente a opção mais barata é mesmo a de emular o original da MAME, pois a versão PS1 é caríssima e mesmo a versão Saturn que, apesar de superior, é também bastante cara, particularmente a versão que inclui a expansão de memória RAM que é necessária para o jogo correr.