Croc (Sony Playstation)

Croc PlatinumContinuando pelas rapidinhas, já que estou a aproveitar os meus últimos dias de férias para dar um avanço considerável em 2 RPGs que estou a jogar em paralelo, o jogo que trago cá hoje é a versão principal de uma outra versão que já cá foi analisada brevemente. Após o sucesso de jogos como Crash Bandicoot e acima de tudo, do Super Mario 64 ou Banjo Kazooie, uma nova enxurrada de outros followers de jogos de plataforma 3D seguiu-se. Uns bonzinhos, outros nem tanto, e o que trago cá hoje é dos que até acho razoáveis, não fossem os tank controls seria melhor. Foi comprado na feira da Ladra em Lisboa, algures durante Novembro por 2€.

Croc - Sony Playstation
Jogo com caixa e manual, versão Platinum

A história por detrás deste jogo é o cliché habitual, com um vilão qualquer (Baron Dante) a tomar de assalto a ilha de Croc, raptando todos os seus animais habitantes, incluindo o rei lá do sítio. A nossa missão consiste então em atravessar a ilha de lés a lés, resgatando todos os Gobbos (pequenos animais peludos) que encontremos e ultimamente derrotar Dante e os seus minions Dantinis.

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Alguns níveis até são bem detalhados e coloridos

De resto é um jogo de plataformas algo básico, onde podemos saltar para cima de caixas como em Crash Bandicoot, atacar inimigos com a cauda, coleccionar pedras preciosas da mesma forma que Sonic colecciona anéis, inclusivamente se sofrermos dano perdemos os “anéis”, podendo recuperar de volta alguns, nos segundos seguintes. Sofrendo dano sem qualquer pedra preciosa coleccionada dá direito a perder uma vida. Ao longo de todos os níveis (excepto nos bosses) poderemos resgatar uns 5 gobbos e encontrar 5 pedras coloridas, que por sua vez servem para abrir umas portas secretas e resgatar um outro Gobbo “secreto”. Para concluir o jogo a 100%, e ter inclusivamente acesso a um novo “mundo” com níveis extra onde defrontaremos o verdeiro boss final, é necessário resgatar todos os Gobbos, e inclusivamente encontrar peças de um puzzle perdidas em vários níveis bónus. Ora tudo isto até seria interessante, não fosse o jogo ter tank controls, o que num videojogo de plataformas em 3D é algo criminoso e só serve para causar dores de cabeça.

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Mas os que são mais vazios pecam pelos backgrounds muito pobrezinhos

Tecnicamente era um jogo competente para a época, sendo bastante colorido e apesar de não ter o 3D mais detalhado de todo o sempre no esplenderoso ano de 1997, era bem detalhado o suficiente, em especial no próprio Croc e demais personagens. Os cenários é que poderiam ser um pouco mais variados, sendo na sua maioria colinas verdejantes, zonas com neve, pequenas cavernas e por aí fora. O castelo final, esse até parecia muito vazio, no meio de tantas plataformas suspensas no ar e abismos sem fundo. As músicas já são outra história e até que estão bem conseguidas, reconheci alguns dos temas que tinha ouvido quando joguei o port para a Gameboy Color.

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Como não poderia deixar de ser temos vários bosses para derrotar. Dava jeito é ter controlos decentes.

Croc é um jogo de plataformas razoável. Não reinventa a roda, mas seria bem competente não fosse mesmo a escolha dos tank controls para controlar o crocodilo. Mas ao menos já suportava os analógicos, podendo inclusivamente controlar a câmara. De qualquer das formas o jogo vendeu o suficiente para atingir o status de platinum e dar azo a uma sequela que sinceramente não cheguei a jogar ainda. Depois disso Croc desapareceu, assim como muitos outras personagens que tentaram fazer o mesmo que Mario 64.

Drácula: A Ressurreição (Sony Playstation / PC)

Dracula The ResurrectionHoje o artigo que trago cá é de 2 versões do mesmo jogo, uma para a PS1, cuja tenho em edição físíca e totalmente em português, a outra edição é para PC, sendo em inglês e em suporte digital (steam). Drácula: A Ressurreição é a primeira entrada da conhecida série de jogos de aventura point and click da Microids, baseadas no romance de Bram Stoker, acabando por ser uma espécie de sequelas não oficiais. A versão que usarei de base neste artigo será a da PS1, pois foi a que me despertou mais curiosidade em experimentar, tendo sido comprada algures neste ano na Cash Converters de Alfragide por 2€. A versão PC veio num bundle que foi comprado por um preço muito reduzido e trouxe em conjunto os restantes jogos desta série.

Dracula a Resurreição - Sony Playstation
Jogo completo com 2 discos, caixa e manual

E o jogo começa como Dracula acabou, com o conde a ser derrotado e Mina ser libertada da sua influência. Alguns anos depois, Mina inexplicavelmente sente um ímpeto para se deslocar de Londres para a Transilvânia e Jonathan Harker, seu noivo, suspeita que mais uma vez Drácula esteja por detrás disso, partindo logo a seguir também para a Transilvânia para trazer Mina de volta. E começamos a aventura durante a noite, à porta de uma estalagem bem perto do castelo do vampiro. É aí que começamos a ter pistas de como prosseguir, já que os caminhos para o castelo estão impedidos por uns bandidos ao serviço de Drácula.

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Sempre que vamos falar com alguém temos uma imagem estática da pessoa

O jogo é um point and click jogado na primeira pessoa, algo semelhante a outros jogos da Microids como o Post Mortem, por exemplo. Com o D-Pad, ou os analógicos, podemos mover o cursor livremente pelo ecrã e quando o mesmo muda para uma figura para uma setinha, quer dizer que nos podemos mover nessa direcção, com o jogo a apresentar depois uma nova imagem de fundo. Isto também é usado para interagir com o cenário ou outras pessoas, com o cursor a mudar também de figura, indicando que num sítio em específico podemos usar algum objecto que tenhamos apanhado, pegar objectos ou interagir com alavancas e afins. Quando metemos conversa com as personagens vemos à nossa direita umas pequenas imagens que ilustram o tópico, por exemplo logo de início vemos uma figura com um castelo e o tema é saber como raio lá chegamos. Infelizmente pareceu-me um jogo bastante curto e com poucos puzzles, cheguei ao fim em poucas horas e a maior parte do tempo foi perdida em procurar aquele pontinho no ecrã onde realmente poderia fazer algo, por razões que descreverei em seguida.

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O mesmo acontece quando tentamos examinar alguma coisa mais aprofundademente

Sendo um point and click na primeira pessoa em que nos dá uma liberdade de quase 360º para olharmos à nossa volta, as imagens de fundo são pré-renderizadas e estáticas. E embora para os padrões de 2000 de uma Playstation até poderiam não ser más de todo, no PC a conversa já era outra, com os cenários em maior resolução. Infelizmente, a versão PS1 pareceu-me ser também mais escura do que a de PC, o que me dificultou bastante em certos locais saber ao certo o que tinha de procurar, ou para onde ir. O jogo está também repleto de cutscenes em CGI que apesar de não serem graficamente impressionantes, são sempre benvindas. Mas o que realmente me impressionou foi o trabalho a que se deram a traduzir tudo para português, desde os menus, créditos finais, falas, e até as mensagens codificadas nas CGs foram traduzidas para Português. Ora isto até pode ser muito bonito, embora banal nos tempos que correm, pois cada vez mais temos jogos para as consolas a ser integralmente traduzidos, mas eu prefiro sempre o voice acting original, apenas numa perspectiva de ter sido o trabalho envisionado pelos seus criadores. E para além deste voice acting para português ser muito mauzinho, não temos qualquer hipótese de seleccionar outros idiomas, o que me deixou muito frustrado.

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A versão PS1 pareceu-me ser bem mais escura que a original e pelos screenshots que encontrei, não era problema da minha TV

De resto, gostei bastante dos cenários que sempre foram austeros, solitários e obscuros, e todos os barulhos ambiente causavam uma atmosfera bastante tensa, mesmo sabendo que é um jogo onde é impossível morrer (pelo menos nunca me aconteceu nada, mesmo quando haviam potenciais confrontos). O que me desagradou também, para além do mau voice acting que já falei, foi mesmo a sua curta duração e embora o jogo não tenha terminado num cliffhanger, ainda ficou com muita margem de manobra para progredir, o que me parece que foi feito na sua sequela que irei jogar em breve.

Em suma este Dracula Resurrection não é um jogo perfeito, mas é interessante o suficiente para recomendar aos fãs de point and clicks para que lhe dêm uma oportunidade caso o encontrem a um bom preço. Tecnicamente a versão PC é naturalmente superior, mas a versão PS1 não deixa de ser divertida. Se forem como eu recomendo-vos que arranjem antes a versão inglesa, até porque a original francesa não deve vir com nenhumas legendas em inglês.

Grand Theft Auto (Sony Playstation)

screenshotÉ inegável o impacto que Grand Theft Auto teve nos videojogos. Por um lado por toda a polémica do seu conteúdo não só violento, como pelas missões criminosas que eramos “obrigados” a desempenhar se quiséssemos chegar ao fim. Mas por outro, e para mim bem mais importante, pelo mundo em sandbox e a enorme liberdade que nos oferecia. Mesmo estando muito longe das altas produções que vemos no mais recente jogo da série, o original é sem dúvida um jogo de peso, que eu joguei bastante no PC, back in the day. Entretanto, numa das minhas idas à Cash Converters de Alfragide encontrei-o completo a 2.5€, e mesmo não estando nas melhores condições, acabei por o trazer.

Grand Theft Auto - Sony Playstation
Jogo completo com caixa, manual e mapas

As minhas recordações maiores deste jogo serão naturalmente da versão PC, mas para além de não ser possível escolher as personagens femininas na versão PS1 e os gráficos um pouco mais pixelizados, não estou a ver que outras diferenças fundamentais possa haver entre ambas as versões pelo que vou usar as minhas recordações da versão para PC como base para este artigo. E aqui entramos numa aventura ao longo de 3 cidades norte-americanas baseadas em cidades reais, trabalhando como capanga para várias organizações criminosas e fazer muitos dos seus trabalhos sujos. Ou então não! Podemo-nos limitar a andar pela cidade e javardar que nem um perdido até que nos fartemos do jogo. A primeira cidade a visitar é a Liberty City, uma referência a Nova Iorque. Aqui o objectivo é fazer pelo menos um determinado número de pontos em cada nível. Podemos fazê-lo ao cumprir as missões que nos vão sendo atribuídas, ou ao semear o caos e a destruição, ou então porque não ao fazer ambos? Tendo atingido esse número de pontos, podemos seguir a setinha vermelha que nos leva ao local para terminar o nível, entrando depois no seguinte, sem ser necessário cumprir o resto a 100%. Existem 2 níveis por cidade, cada um com um patrão novo e novas missões a cumprir. Ah, as outras cidades são San Andreas, inspirada em San Francisco e Vice City, inspirada na solarenga Miami.

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Por vezes a polícia pode tornar a nossa vida bem mais difícil, é bom que encontremos alguma body armor espalhada pelos níveis

As missões acabam por ser muito semelhantes entre si, mas todas elas começam com um telefonema. Depois lá teremos de roubar alguns carros, “silenciar” algumas pessoas pelos mais variados motivos, enfrentar gangs rivais ou conduzir carros bomba, por exemplo. Ao fazê-lo muitas vezes vamos tendo a polícia à perna, aliás, isso é algo que pode acontecer mesmo que não estejamos a fazer nenhuma missão. Atropelar pessoas aleatórias, disparar em alguém ou bater em carros da polícia é motivo para os ter todos às costas, com um alerta que pode ir de 1 a 4, e nesse alerta máximo a polícia vai ser cada vez mais agressiva. Claro que nos podemos safar da situação ao levar um carro para uma oficina que lhe troca a matrícula e a cor do carro, mas chega por vezes a ser ridículo termos toda a polícia da cidade à nossa pega e mal entremos na oficina e saímos logo a seguir, tudo fica esquecido e perdoado. Oh well. Temos de ter cuidado em não sermos presos, o que nos reduz a pontuação para metade, ou ser mortos, quer pela polícia, quer por outros bandidos, quer pela nossa própria estupidez, pois temos um número de vidas limitado em cada nível.

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Existem várias missões secretas em cada nível, mas tal como as principais apenas a pontuação interessa para passar de nível

De resto graficamente é um jogo bastante simples, sendo visto com uma vista aérea, mas bastante funcional. As cidades são grandinhas e convém mesmo darmos uso aos mapas que vieram com o jogo, pois apesar de termos (quase) sempre uma seta a indicar a direcção a seguir, nem sempre nos podemos fiar nisso e somos obrigados a dar uma volta maior para circundar alguns obstáculos. Mas se por um lado temos gráficos ainda simplistas, por outro temos uma banda sonora de luxo. Toda ela composta principalmente por 3 artistas, engloba toda uma série de bandas fictícias que atravessam muitos géneros musicais. Temos rap, funk, pop, country, techno e até hard rock, mas a qualidade das músicas é inegável e certamente muitas delas até passaram por ser de bandas reais. Essas músicas podem ser ouvidas na forma de várias estações de rádio, que geralmente tocam por defeito em vários modelos dos carros que vamos conduzindo. Também havia a possibilidade de meter um cd de música na drive e o jogo ia tocando as músicas de forma aleatória, algo que penso que ainda exista nos GTAs actuais. Já no que diz respeito aos diálogos, o voice acting apenas existe nas cutscenes de final de nível, que sinceramente deixam algo a desejar. Ao longo do jogo todos os diálogos são escritos, acompanhados de alguns efeitos especiais.

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Tenho pena que as cutscenes não tenham sido mais caprichadas

No fim de contas, o primeiro Grand Theft Auto é um jogo bastante importante, quanto mais não seja para cimentar a DMA, depois Rockstar North como uma software house a ter em conta. A sua jogabilidade sandbox que nos dava grandes liberdades é para mim o aspecto mais importante deste jogo, independentemente da sua violência e outras questões polémicas. Passei muito mais tempo a javardar (e com os cheat codes lendários) a semear o caos e a destruição nas 3 cidades, do que propriamente a tentar seguir tudo direitinho, e isso para mim quer dizer muita coisa.

TOCA 2: Touring Cars (Sony Playstation)

TOCA 2 Touring CarsMais uma rapidinha pois o tempo não dá para mais. TOCA 2 Touring Cars é mais um jogo de corridas da Codemasters e à semelhança do primeiro jogo, aborda o campeonato britânico de corridas de carros de turismo, numa perspectiva mais de simulação, o que não é de todo o meu género preferido de videojogos, mas lembro-me bem de na altura em que o jogo saiu o ter experimentado e ficar impressionado com a sua qualidade. Pois bem, esta minha cópia foi-me oferecida pelo Ivan Cordeiro da PUSHSTART/The Games Tome, após ele ter comprado um bundle de jogos PS1 bem baratos na Feira da Ladra. Este era repetido, e cedeu-mo. Muito obrigado!

TOCA 2 Touring Cars - Sony Playstation
Jogo com caixa e manual. Falta-lhe a capa, infelizmente.

Então temos aqui vários modos de jogo distintos, a começar pelo campeonato que não poderia deixar de aparecer. Aqui temos provas de qualificação e tem de ser respeitadas as regras da modalidade, com a obrigatoriedade de ir pelo menos 1 vez às boxes mudar pneus. Para apimentar ainda mais a coisa, por vezes o jogo obriga-nos a chegar ao final de uma corrida numa determinada posição do ranking, para desbloquear novos circuitos. Para além deste modo de campeonato que por acaso também dá para 2 jogadores, temos mais uns quantos como o Challenge que se assemelha aos jogos arcade e os seus objectivos por checkpoints, a single race que como o nome indica é meramente uma única corrida, várias vertentes de time trial, ou o Support Car Championship, onde participamos numa série de corridas em que todos os pilotos usam o mesmo carro.

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O jogo possui todos os pilotos, veículos e circuitos do campeonato de BTCC de 1998, mais alguns extras

A jogabilidade é bastante precisa, tal como se esperaria de um jogo que pretende ser um simulador. Isto significa que será preciso muita práctica para se dominar este jogo e infelizmente tempo é uma coisa que hoje em dia tenho muito pouco. Graficamente pareceu-me, para a época e para as capacidades da PS1, um jogo muito bem conseguido. Para além dos carros estarem bem detalhados, e efeitos gráficos como reflexos dos faróis traseiros no pavimento molhado, ou o sistema de dano nos veículos que foi aqui implementado está muito bom. Até as condições metereológicas podem mudar durante as corridas! No campo do audio, confesso que não prestei grande atenção às músicas que eventualmente se vão ouvindo, mas os efeitos sonoros estão bons e vamos tendo alguns comentários de uma personalidade britânica.

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Cá está um screenshot que não lhe faz muita justiça. Em movimento é bem melhor!

A Codemasters continuou a apostar em força nos jogos de corrida a partir destes TOCA em diante, com os Colin McRae Rally, Dirt ou F-1 e se todo esse portfólio consolidou a Codemasters como um nome bem grande em videojogos deste género, sinceramente tenho mais saudades quando eles apostavam em coisas como Micromachines, Dizzy ou Super Skidmarks.

Tomb Raider Chronicles (Sony Playstation)

Tomb Raider ChroniclesA série Tomb Raider foi uma espécie de Assassins Creed na era das consolas de 32bit, isto é, a cada ano lançavam um novo jogo! E apesar de todos eles serem sucessos comerciais, o facto de desde o primeiro jogo até este Chronicles terem utilizado sempre o mesmo motor gráfico, nunca conseguiram evoluir muito na fórmula, pelo que apesar de as vendas deste Chronicles terem sido boas, já eram muito inferiores às dos anteriores. Como tal, a Eidos e a Core decidiram recomeçar do zero com o Angel of Darkness a sair anos mais tarde na Playstation 2, mas antes disso, decidiram fazer uma despedida desta era com este Chronicles. Este exemplar foi-me oferecido pelo Miguel Coelho do podcast The Games Tome e colega colaborador na PUSHSTART, a quem agradeço imenso!

Tomb Raider Chronicles - Sony Playstation
Jogo completo com caixa, manuais e papelada

E começando por um spoiler do jogo anterior, que no final de contas, a menos que ainda vivam numa caverna e por acaso do destino estão a ler esta review porque alguém a imprimiu e depois a deitou fora, acaba por nem ser spoiler nenhum. No final do Tomb Raider the Last Revelation, é dado a entender que Lara Croft morreu. Então neste jogo, Winston, o velho e leal mordomo da mansão Croft, convida uns 2 amigos de Lara e juntam-se numa sala, confraternizando e recordando algumas das aventuras de Lara Croft que nunca haviam sido contadas… até agora. Neste jogo iremos percorrer os subúrbios de Roma e das ruínas do seu coliseu na procura da Pedra Filosofal, visitar uma base militar russa na esperança de recuperar a Spear of Destiny de um submarino naufragado no fundo do oceano, retornar aos tempos da sua juventude, onde Lara deu uma escapadinha a uma ilha irlandesa após ouvir rumores de eventos paranormais que por lá se passavam, culminando numa aventura onde Lara se infiltrou num largo complexo empresarial/industrial para roubar o artefacto de Íris nada mais nada menos ao próprio Von Croy, acabando assim por ser uma espécie de introdução aos acontecimentos que decorreram antes do jogo anterior.

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Balançar-se numa corda… uma das novas habilidades de Lara.

A nível de jogabilidade pouca coisa mudou. A acrescentar ao já elevado número de “manobras” e saltos que Lara é capaz de fazer, temos a possibilidade de dar uma cambalhota ao sair de um túnel em que estivemos a rastejar, ou equilibrarmo-nos numa corda como fazem os trapezistas num circo. De resto, se jogaram qualquer um dos Tomb Raiders anteriores, a mesma fórmula mantém-se e certamente que se familiarizarão rapidamente com as mecânicas do jogo. Continuamos com muita exploração a fazer, saltos medonhos para dar, escalar escarpas perigosas, procurar chaves, arrastar blocos cúbicos, andar aos tiros contra humanos ou criaturas mitológicas, you name it. E embora existam só 4 diferentes localidades para explorar desta vez, os níveis em si são gigantescos, pelo que sim, vai-nos dar trabalho a conhecê-los de uma ponta à outra. Felizmente que podemos fazer save a qualquer momento. No entanto a Core ainda tentou trazer algo de novo, como missões em que estamos completamente indefesos e teremos de ter uma abordagem mais cuidada, ou outras secções em que ser-se furtivo é a palavra chave.

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…e inspecionar prateleiras e gavetas também!

Graficamente nota-se uma boa evolução desde o primeiro jogo, apesar de partilharem a mesma engine. Tanto Lara como os seus adversários têm muito mais detalhe e o mesmo pode ser dito dos cenários e efeitos como os da água. Infelizmente a câmara continua com alguns problemas e todos os cenários continuam a ser muito “quadrados”… heranças que ficaram desde o primeiro jogo. A música continua a surgir apenas em alguns momentos chave no jogo. Na maior parte do tempo somos deixados a explorar os cenários completamente sossegados no ruído ambiente, com pequenas melodias a surgirem quando descobrimos algo majestoso ou por outro lado, quando algo mau acontece, como emboscadas ou tiroteios, uma música mais tensa acompanha-nos. O voice acting também me parece ser o melhor da série até esse momento. Os diálogos são bem mais frequentes nas cutscenes e os mesmos acabaram por ser bem mais trabalhados e melhor interpretados pelos seus intervenientes.

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A melhoria a nível de polígonos e texturas do primeiro jogo até este é bem notável

Para concluir, este Tomb Raider Chronicles até é um bom jogo. Mas comer arroz com feijão 5 vezes seguidas acaba por ser cansativo, mesmo que se vá variando um pouco os seus condimentos. A Eidos e a Core estiveram bem em decidir dar um novo rumo à série com a chegada da PS2, pois aquelas mecânicas de jogo já estavam a ficar gastas. Agora se o Angel of Darkness foi a melhor maneira de reintroduzirem a Lara Croft ao mundo… bom… “não percam o próximo episódio, porque nós também não”!