A PSP tem uma série de “expansões” dos seus jogos que incluem o jogo original. É assim com o Monster Hunter Freedom Unite, com o Dissidia Duodecim, e eu pensei que fosse o mesmo com este MGS Portable Ops Plus, tendo-o comprado antes do jogo original. Comprei-o salvo erro numa GAME, não me tendo custado mais de 10€. Na altura estava absolutamente convicto que o jogo vinha com o “story mode” do original, que nem me apercebi da mensagem no verso da caixa “Story mode from MPO not included“. Assim sendo, este artigo será mais breve pois as mecânicas de jogo são idênticas às do original.
Jogo com caixa e manual
Bom, lá porque o jogo não tem um story mode, não quer dizer que não tenha uma vertente single player. Este modo chama-se “Infinity Missions”, consistindo num conjunto de missões com objectivs variados, seja uma simples infiltração, seja neutralizar todos os inimigos num mapa, cumprir um objectivo dentro de um tempo limite, não ser detectado, entre outros. Capturar inimigos e convertê-los para lutar ao nosso lado continua a ser um aspecto importante no jogo, onde podemos inclusivamente importar as personagens que tenhamos nalgum savegame do primeiro jogo. Apesar deste modo single player que inclusivamente inclui um bom tutorial para quem for novato na série, esta versão “plus” é especialmente pensada para quem quiser jogar umas partidas online. Existem novos mapas, novos modos de jogo e é possível jogar com quem possui a versão anterior do Portable Ops, desde que se escolham modos de jogo, mapas e personagens com items compatíveis com o jogo anterior. Infelizmente não experimentei o multiplayer, não faço ideia se ainda existem servidores disponíveis, e mesmo que existam, a minha PSP está com um problema no WiFi, na medida em que deixou de detectar qualquer rede disponível. É possível jogar localmente através de redes ad-hoc, bastando apenas uma pessoa possuir o jogo, mas como seria de esperar não conheço pessoalmente ninguém estivesse disponível para umas partidas.
Como é habitual, podemos desbloquear algumas personagens especiais
No que diz respeito ao audiovisual, apesar de existir mais alguma variedade nos mapas, o motor gráfico do jogo é o mesmo, como seria de esperar, logo está tudo igual ao Portable Ops. Posto isto, apesar de ser um jogo fácil de encontrar e barato, não é uma versão que recomende a menos que sejam aficcionados totais pela série Metal Gear. É um jogo produzido a pensar no multiplayer, mas sinceramente acho que foi lançado para a plataforma errada.
De volta ao Snake e companhia para uma análise ao Portable Ops, um jogo da saga Metal Gear que inclui diversas novas componentes na jogabilidade, como recrutar outros soldados para as forças de Snake (Big Boss), podendo os mesmos ter diversas tarefas diferentes. Ainda assim a jogabilidade é a tradicional dos Metal Gear Solid, deixando de lado o que foi introduzido nos Metal Gear Acid também para a mesma plataforma. A minha cópia veio-me parar às mãos através de uma compra na Amazon UK, não me tendo custado mais de 10€. Está completa e em estado razoável, o manual já viu melhores dias.
Jogo completo com caixa, manual e demais papelada
O jogo passa-se na América do Sul, no ano de 1970. A guerra fria continuava no seu pleno, com as tensões entre os Estados Unidos e a União Soviética ainda em alta, com os acontecimentos de Metal Gear Solid 3 ainda não estarem totalmente resolvidos. Snake acorda sozinho numa cela, sem se recordar como lá foi parar, sendo depois torturado por um antigo elemento da sua antiga unidade FOX, uma força de operações especiais que trabalhava para a CIA. Pouco depois Snake encontra um jovem Roy Campbell, personagem que será importante noutros jogos da série, estando também aprisionado. Roy diz que estão numa base militar secreta da União Soviética, em plena América do Sul. A unidade de forças especiais em que Roy fazia parte foi tomada de assalto pelos FOX e ele foi o único sobrevivente. Eventualmente, Snake e Roy Campbell conseguem então fugir da sua prisão e decidem investigar qual a tramóia que está por detrás disto. Como é habitual, a história acaba por se complicar mais, envolvendo ao barulho várias conspirações e a tecnologia Metal Gear acaba por ficar por detrás de tudo.
Os controlos acabam por ser essencialmente os mesmos dos jogos principais, apesar de a PSP possuir menos botões que a consola caseira. De qualquer das formas, o jogo herda o sistema de câmaras do Metal Gear Solid 3 Subsistence, existindo um controlo 3D da câmara, já não é obrigatório mudar constantemente para a perspectiva de primeira pessoa para conseguirmos ver melhor o que nos rodeia. O jogo incita como sempre a uma abordagem mais stealth, estando o Snake munido de um radar algo estranho mas que vai alertando a presença dos inimigos. Se formos vistos, a sequência habitual das fases “Alert-Evasion-Caution” mantém-se, com os inimigos a serem mais minuciosos nessas alturas. Infelizmente, com a falta de um analógico, e do outro ser algo impreciso, acaba por complicar um pouco quando queremos mirar na perspectiva de primeira pessoa.
Ecrã que aparece entre missões, onde podemos gerir o nosso “batalhão” e escolher quais os locais que queremos infiltrar
De resto, este Portable Ops tem uma série de novos conceitos. Snake pode agora capturar os inimigos que vai enfrentando, sendo que os mesmos vão acabar por ser “convertidos” a lutar ao nosso lado. Com isto, é possível construir esquadrões de 4 pessoas que podem ser jogadas nas várias missões que vamos fazendo, e podemos alternar entre os 4 elementos a qualquer altura do jogo. O jogo está então dividido em várias missões, que são acessíveis através de um “hub” que mostra o mapa da base e as várias posições já conhecidas, podendo visitar essas localidades sempre que quisermos. Os prisioneiros que capturamos podem também ser alocados para várias outras tarefas, sejam tarefas de espionagem, onde os podemos mandar para as localizações já conhecidas, recebendo periodicamente informações do que se vai passando por lá. Outros podem ser alocados para equipas técnicas ou médicas, que vão construindo munições ou items que nos podem ser úteis, como visores térmicos ou medkits que nos restaurem a saúde. Para além do mais é possível recrutar algumas personagens especiais, sejam antigos bosses, ou personagens de outros jogos, através de vários pré-requisitos. Não cheguei a experimentar, mas o jogo tem uma componente multiplayer que, para além de ser possível trocar soldados entre si, podemos lutar contra outros jogadores, de uma forma algo semelhante ao modo online do Metal Gear Solid 2 Substance.
As cutscenes apresentam este visual
Visualmente o jogo apresenta uns visuais 3D, que apesar de competentes, já vi melhor na PSP. Apesar de o jogo decorrer na Colômbia, desta vez não temos toda aquela componente de sobrevivência que foi introduzida em Snake Eater, e os próprios cenários, apesar de estarem inseridos num meio montanhoso, passam-se todos em estruturas militares pelo que não há uma grande variedade dos visuais. As cutscenes desta vez são mostradas num formato mais “comic book“, sendo apresentadas como uma sequência de desenhos, da autoria de Ashley Wood, que já tinha participado na comic digital da PSP “Metal Gear Solid: Digital Graphic Novel”. Nessas cutscenes, o jogo utiliza um voice acting em que vários actores já emprestaram as suas vozes para os jogos da série, mas infelizmente são poucos os diálogos que fazem uso deste recurso, pela baixa capacidade de armazenamento dos discos UMD face aos DVDs da PS2.
Ecrã de jogo da vertente multiplayer
Para além deste Portable Ops, a Konami lançou uma expansão chamada Portable Ops+, focando-se mais na componente multiplayer, e numa catrafada de missões para se jogar sozinho, herdando todas as mecânicas deste jogo, e incluindo alguns outros personagens especiais secretos que possam posteriormente vir a ser recrutados. Esse jogo também faz parte da minha colecção, mas como não tem qualquer componente com história, não irei perder muito tempo com o mesmo e poderão ler um ligeiro artigo sobre o jogo muito em breve.
E cá está mais um artigo sobre os Project Zero, uma série survival horror produzida pela Tecmo. Nesta primeira sequela, que é possivelmente o jogo mais aclamado pelos fãs e crítica, eu diria que melhoraram em vários aspectos e regrediram noutros. Mas já lá vamos. Entretanto eu gostaria de me lembrar ao certo como este jogo veio parar à minha colecção, a versão PS2 é a que habitualmente é mais difícil de se encontrar a um bom preço. Visto que saiu recentemente um remake deste jogo para a Nintendo Wii, é possível que a versão PS2 esteja um pouco mais acessível nos dias de hoje. De qualquer das formas, creio que a minha cópia foi adquirida através de um site nacional de classificados ou leilões, e não terá sido muito cara, certamente.
Jogo com caixa e manual
O Project Zero original abordava a temática de rituais estranhos e sinistros de forma a prevenir que as portas do Inferno se abrissem, e neste jogo a premissa é idêntica. Desta vez, não vagueamos por uma mansão tradicional japonesa em ruínas, mas sim por uma inteira aldeia fantasma, perdida no meio da floresta. A aldeia estava amaldiçoada devido a um ritual feito no passado não ter corrido da melhor forma. Desta vez os rituais utilizariam gémeos, envolvendo mais uma vez sacrifícios humanos. Para não destoar, as personagens principais são duas pequenas gémeas que se perderam na floresta e se depararam com a aldeia fantasma, tendo ficado aprisionadas na sua maldição. Controlamos a menina Mio, que tenta proteger a sua frágil irmã Mayu e achar uma maneira de se escapar da aldeia. E mais não digo, joguem por vocês mesmo.
A mecânica da Camera Obscura mudou um pouco, os combates são mais exigentes
Mais uma vez, o foco da jogabilidade consiste em exorcizar os espíritos através de uma máquina fotográfica de nome “Camera Obscura”. Só que introduziram várias coisas novas desde o jogo anterior. Aqui o jogo dá muito mais foco nos combates dos espíritos, é muito mais habitual lutarmos contra vários espíritos em simultâneo, quando isso era algo raro no jogo anterior, bem como as “munições” (que são apenas vários tipos de filme fotográfico) serem mais frequentes. Os espíritos têm também padrões de ataque mais complexos e variados, sendo mais difícil manter o foco com a câmara, bem como existe agora inclusivamente um sistema de combos que acaba por dar mais pontos na forma de spirit points. Estes Spirit Points, em conjunto com as Spirit Orbs que vamos encontrando ao longo do jogo, servem para realizar updates à câmara, desde updates básicos que podemos realizar desde sempre, passando para outros mais específicos que iremos desbloquear ao longo do jogo, ou então receber como recompensa ao terminar o jogo nos seus variados graus de dificuldade. Estes updates específicos à câmara conferem-lhe habilidades especiais que dão imenso jeito para derrotar alguns inimigos, como abrandar ou mesmo os paralisar. Mais uma vez a presença de espíritos é alertada pela mudança de cor do filamento da máquina fotográfica, que muda para a cor castanha quando estamos na presença de um espírito maligno, ou para a cor azul, quando se trata apenas de uma aparição temporária, ou um espírito fixo , preso a um determinado local. Convém fotografar estas aparições temporárias, pois acabam por dar alguns spirit points. O mesmo é válido para os espíritos fixos, embora muitas vezes isso acabe por ser mesmo obrigatório para se avançar no jogo. Tal como muitos outros survival horrors, vamos constantemente andar a vaguear pela aquela aldeia à procura de chaves que abram outras portas e outras pistas ou puzzles para resolver alguns mistérios.
Olá carinha laroca
O jogo tem imenso conteúdo desbloqueável. Ao terminar o jogo pela primeira vez, e à semelhança do que aconteceu no primeiro jogo, desbloqueamos entre outras coisas, um novo modo de jogo chamado “Battle Mode” . Aqui temos 25 diferentes missões em que temos de por à prova as nossas habilidades para alguns combates mais exigentes. Para além disso, vão sendo desbloqueados novos graus de dificuldade bem novos finais à medida em que se vai terminando o jogo nesses diferentes graus. Outras coisas como diverso artwork e as cutscenes dos diferentes finais também poderão ser vistas. Para além disso existem também diversos trajes alternativos para ambas as irmãs, desta vez em muito maior número. Só nesta versão são 8, com o port da Xbox a receber mais um, e logo um em que deixa as 2 raparigas de 15 anos de bikini… vindo dos rebarbados da Tecmo não se poderia esperar outra coisa.
Graficamente o jogo é superior ao primeiro, com os cenários a apresentarem mais detalhe, bem como as cutscenes terem melhor qualidade. Mas no entanto achei o primeiro mais assustador. Em primeiro lugar, acho-o um jogo literalmente mais escuro e sombrio, estando também repleto de pequenos sustos de aparições frequentes, principalmente na primeira metade do jogo, bem como existirem alguns espíritos que na minha opinião eram mais assustadores. Um gajo com uma máscara de demónio tradicional japonesa e uma espada de samurai pronto para nos cortar aos pedaços manda muito mais pinta! Ainda assim, para quem tenha gostado de filmes como “The Ring” ou cinema de terror asiático no geral, é capaz de ter aqui um prato cheio de coisas boas, pois meninas sinistras de cabelo comprido e vestidos tingidos de sangue é coisa que não falta. Um aspecto que melhoraram bastante neste jogo foi o voice acting, que no caso dos fantasmas é muito mais convincente com os seus susurros, que as vozes pseudo fantasmagóricas do passado. No entanto achei que o jogo deu um passo atrás no que diz respeito ao som ambiente. No jogo anterior, aquilo era um ruído constante, dissonante e doentio capaz de nos fazer saltar pela janela fora. Se calhar por isso mesmo é que desta vez decidiram colocar uma ambiência mais contida, apesar de ser na mesma tensa q.b..
As CGs estão melhor trabalhadas neste jogo.
Project Zero 2 é provavelmente o jogo mais aclamado da série, talvez por isso que tenha sido alvo de um remake recentemente para a Nintendo Wii. No entanto, como já referi atrás, considero um jogo melhor nalguns aspectos, como uma jogabilidade mais completa e desafiante, mas porém não o achei tão sinistro como o primeiro. Ainda assim é um bom survival horror que recomendo a quem gosta do género. A versão Xbox, para além de um novo grau de dificuldade e novos trajes, inclui a possibilidade de se jogar o jogo inteiramente na primeira pessoa. Já o remake para a Wii parece que para além de regravarem os diálogos, melhorarem os gráficos, incluíram novas áreas para explorar, novos finais, controlos de movimento e um novo modo de jogo que pode ser jogado com 2 jogadores. Poderá ser uma boa alternativa a esta versão de PS2 que tem sido um pouco mais chata de se encontrar.
O Resistance Fall of Man foi um dos jogos de lançamento da PS3, um FPS que decorria num passado distópico em que uma misteriosa raça – os Chimera – tomou todo o bloco soviético e continente Europeu de assalto, dizimando a raça humana. O jogo até que teve algum sucesso e não tardou muito para que fosse lançada uma sequela para a PS3, acompanhada de um outro jogo para a PSP. Jogar FPS totalmente em 3D numa que apenas dispõe de um analógico é uma tarefa ingrata (no entanto a plataforma ainda recebeu alguns), pelo que este jogo assume a forma de um third person shooter à lá Resident Evil 4. A minha cópia foi comprada numa GAME perto de casa, tendo-me custado uns 5€, se não estou em erro.
Jogo com caixa e manual
A história deste Retribuition decorre em pleno solo Europeu, após os Chimera terem sido derrotados no Reino Unido pelo que foi contado no primeiro jogo. Encarnamos no papel do soldado britânico James Grayson, que por alturas do conflito com os Chimera no UK encontrou o seu irmão, também militar, morto num centro de transformação de humanos em híbridos Chimera. Esse acontecimento traumatizou James que desertou do seu posto e sozinho, conseguiu destruir mais de 20 dessas bases “Chimerianas“, até que foi capturado pelo seu antigo exército e condenado à pena de morte por deserção (really?). De qualquer das formas, o seu feito atraiu o exército dos Maquis, uma espécie de força de resistência da europa central, que recrutou James para os auxiliar na campanha de eliminação dos Chimera em solo europeu, salvando-se assim da pena de morte. Depois o resto da história resume-se a dar cabo de uns quantos Chimera e também de uns Cloven, uma outra raça que tinha sido mencionada no primeiro jogo, atravessando várias cidades europeias, desde Roterdão até Paris.
Grayson fica automaticamente em cover se não clicarmos no botão para disparar
A jogabilidade é um pouco confusa devido à falta de um segundo analógico para se controlar a câmara. No entanto isso não impediu que vários shooters acabassem por ter sido lançados na PSP, utilizando os 4 botões frontais principais da PSP como os botões para controlar a câmara. Isto seria muito chato para se mirar em condições nos inimigos, mas por defeito o jogo tem um mecanismo de auto aim activado, o que acaba por facilitar a vida. No caso de utilizarmos a perspectiva com zoom, teremos mesmo de mirar manualmente, como é o caso da sniper rifle ou do lança rockets. Existe também um simples sistema de covers, onde Grayson se protege automaticamente sempre que nos aproximamos de algum objecto/superfície que sirva para o efeito. O grande arsenal que acompanha o primeiro resistance está também aqui presente, com várias armas a regressar com os seus modos secundários inclusivamente, enquanto outras acabam por surgir ligeiramente modificadas. Infelizmente, tanta arma para tão pouco botão disponível acabou por atrapalhar um pouco em momentos mais caóticos a mudança para uma arma mais eficaz para aquela situação.
O jogo conta também com um sistema de achievements interno chamado skills, à semelhança do primeiro Resistance. Completar essas skills desbloqueam várias imagens conceptuais e artwork do jogo, bem como algumas cutscenes e pequenos making-ofs de alguns cenários e personagens. Uma funcionalidade interessante deste jogo é a sua interacção com o Resistance 2 para a PS3. Ao ligar as 2 plataformas com os respectivos jogos, é possível “infectar a PSP”, infectando Grayson com o vírus dos Chimera e tornando a história do jogo ligeiramente diferente logo desde o início. Para além de que Grayson ganha vida regenerativa, passa a ser capaz de respirar debaixo de água e tem inclusivamente acesso a novas armas. Ainda não tenho o Resistance 2, mas assim que o tiver vou tentar dar uma espreitadela neste modo. Também através do Resistance 2, é possível utilizar o comando da PS3 para se controlar este jogo, ficando o auto aim desligado. Para além da campanha, Retribution trazia também uma componente multiplayer que poderia ser jogado online com até 8 jogadores em simultâneo, onde poderíamos experimentar diferentes modos, desde as tradicionais variantes de Deathmatch e Capture the Flag, para outros modos que também não são muito originais.
Graficamente o jogo é competente, chegando a apresentar alguns efeitos interessantes de luz que até à altura ainda não tinha visto na PSP. Os Chimera estão bastante detalhados tendo em conta o hardware da PSP, dá para perceber muito bem quando utilizamos a mira telescópica da sniper rifle. Infelizmente as minhas queixas vão mais uma vez para a narração da aventura, que tal como no primeiro jogo ficou a cargo da personagem da Coronel Parker, o que acabou por ser bastante insípida. Isto a conjugar com a personalidade muito estranha de Grayson e de outras personagens como o Roland Mallery, líder dos Maquis ou os seus antigos líderes das forças armadas Britânicas. A história e os diálogos entre as personagens dão tantas cambalhotas mal dadas que acaba por se tornar ridícula, na minha opinião. Felizmente a coisa fica muito melhor composta com os vários documentos que vamos encontrando ao longo da aventura, com muita informação extra a ser passada.
Um santuário Cloven. Podemos aprender um pouco mais sobre as origens dessa raça neste jogo.
Ainda assim, e com alguns problemas nos controlos bem como uma recta final da campanha algo repetitiva, este Resistance acabou por ser um shooter agradável. Se não fosse o facto de existir um auto aim, controlar a câmara apenas com 4 botões digitais seria um martírio. Pelo que pesquisei, este jogo utiliza a engine de um dos Syphon Filter da PSP, que por acaso é uma série que planeio ir comprando aos poucos, num futuro a médio prazo. Veremos depois como esses se saíram.
Project Zero, ou Fatal Frame como é conhecido em terrenos americanos, é uma série survival horror japonesa com um conceito muito peculiar, em que enfrentamos dezenas de espíritos apenas munidos de uma máquina fotográfica especial. E quão mais próximas forem as fotos dos fantasmas melhor, o que contribui desde já para um clima de tensão enorme. Produzido pela Tecmo, este primeiro jogo acabou por sair tanto para a Xbox como a Playstation 2, entre 2001 e 2003, dependendo do território e plataforma. Saiu portanto numa altura em que o género survival horror estava em alta, com séries como Resident Evil ou Silent Hill a terem muito sucesso de vendas e crítica. A minha cópia foi comprada algures em 2011, num leilão no leilões.net. Custou-me uns 8€ se não estou errado. Infelizmente o plástico da capa tem um rasgão na frente, fora isso está tudo normal.
Jogo com caixa e manual
A história de Project Zero acaba por se complicar com o decorrer do jogo, mas vou tentar fazer apenas uma simples introdução. O jogo decorre em 1986 (belo ano!) e anda à volta da Miku Hinasaki, uma jovem com um sexto sentido que lhe permite ver espíritos. O dom já é de família, com o seu irmão e a falecida mãe a também o ter. Miku anda precisamente à procura do seu irmão, Mafuyu, que por sua vez tinha ido a uma tradicional mansão japonesa em ruínas procurar o seu mentor, o conhecido romancista Junsei Takamine. Junsei estava a preparar o seu novo livro, tendo-se interessado nas lendas obscuras que se falavam sobre a família Himuro e os misteriosos rituais que faziam por lá. O facto de o último patriarca da família Himuro ter assassinado todos os habitantes da mansão e de as pessoas que tenham ido para lá viver posteriormente terem desaparecido, tornaram a mansão Himuro objecto de muito mistério, com os habitantes locais a nem sequer ousar se aproximar de lá. Ora é claro que isto como sendo um jogo de terror a coisa não corre bem e ao longo do mesmo vamos ver muitos fantasmas e descobrir várias notas que nos vão contando os segredos que a família Himuro guardava.
O círculo da objectiva torna-se vermelho sempre que um espírito se prepara para atacar.
Ao passar para a jogabilidade propriamente dita, tenho logo que falar nos controlos que, apesar de existirem 8 maneiras diferentes de controlar e movimentar a personagem, vai acontecer muitas vezes esbarrarmos contra paredes invisíveis. Por vezes basta a personagem bater com o pixel do dedo mindinho do pé numa esquina para se ficar lá preso. Posto isto, vamos ao que interessa, mas afinal como funciona isso da câmara? Pois bem, a câmara que temos disponível é bastante antiga, sendo ainda do século XIX. Ao longo do jogo vamos encontrando alguns tipos diferentes de filmes fotográficos que podemos utilizar para tirar as fotografias, isto são as “munições” do jogo. A diferença entre as categorias dos filmes apenas está na velocidade à qual a máquina carrega, e o dano que conseguimos dar aos espíritos. Ao longo do jogo vamos encontrar muitos espíritos. Alguns são estáticos, presos a um determinado local ou objecto, outros andam inofensivamente a vaguear por certos locais (embora de forma temporária), mas alguns são agressivos e atacam o jogador. Em qualquer que seja o caso, vamos sendo alertados para a sua presença, seja pelo filamento da máquina fotográfica mudar de cor na presença de um espírito, seja pelos ruídos que vamos ouvindo, o comando começar a vibrar, ou mesmo por os espíritos aparecerem de repente e nos pregarem um susto. Nessas alturas podemos retirar a máquina, passando a ver o jogo numa perspectiva de primeira pessoa. Ao centro da máquina temos um círculo que ganha cor quando apontamos a máquina para o espírito. Se for um espírito maligno, o círculo vai-se carregando com umas runas, caso o deixemos focado no alvo. Convém fazer isto, pois com a máquina completamente carregada conseguimos dar mais dano no espírito e obter mais spirit points. E para que servem estes pontos? Podemos melhorar a máquina fotográfica, desde funcionalidades básicas como o tempo de carga ou o alcance, bem como desbloquear outras funcionalidades bónus que podemos utilizar no combate contra os espíritos, como paralizá-los temporariamente, abrandá-los, entre outros. Estas habilidades especiais requerem o uso de Spirit Stones, items que vamos descobrindo ao longo do jogo de forma algo limitada, pelo que apenas deveremos utilizar essas habilidades com muito cuidado. Outras habilidades extra podem ser desbloqueadas após se terminar o jogo pelo menos uma vez. Também novas roupas para Miku, níveis de dificuldade ou o modo de jogo “Battle Mode” podem ser desbloqueados ao terminar várias vezes a aventura. Este modo consiste apenas em se jogar várias missões com Miku, com objectivos como derrotar um espírito com um número limite de filme, por exemplo.
A mansão está repleta de espelhos nos locais mais inóspitos, mesmo para aquele sustinho 🙂
O jogo decorre sempre na mesma mansão, estando dividido em 4 capítulos, mais um pequeno introdutório onde controlamos o irmão de Miku quando este chega à mansão Himuro. Como muitos outros survival horrors, vamo-nos deparar com vários puzzles para resolver, muitos dos quais exigem a máquina fotográfica, que também consegue revelar coisas escondidas nas fotos de certos locais chave. Isto de o jogo decorrer numa mansão tradicional japonesa em ruínas confere-lhe sem dúvidas um ar de filme de terror asiático, e a história que nos vai sendo contada acabou por me agradar. O jogo era muito famoso na época por ser bastante assustador, e consigo perceber o porquê (apesar de depois do Amnesia, pouca coisa me fará “borrar a cueca”), pois apresenta espíritos aterradores e o mais importante de tudo, uma atmosfera de cortar à faca. Tirando certos momentos onde somos assombrados por melodias de folclore japonês, todo o restante jogo apresenta uma “banda sonora” absolutamente desconcertante, com ruído branco ou sons dissonantes, mantendo o jogador sempre alerta para o que der e vier. Podemos criar um save à parte com as nossas fotos preferidas, dá um certo gosto capturar alguns bons momentos. Infelizmente o voice acting da versão ocidental é muito mau. As vozes das personagens não têm carisma nenhum e as vozes dos espíritos conseguem ser tudo menos assustadoras, chega até a dar vontade de rir…
O segundo joystick controla a lanterna, o jogador não controla a câmara a menos que esteja na perspectiva da primeira pessoa
É uma série que já vai em 4 jogos principais, com o quarto infelizmente ter-se ficado apenas pelo território japonês, e logo quando a Wii precisava de bons exclusivos no Ocidente. São decisões que não se compreende, mas ao menos alguns fãs conseguiram lançar um patch para traduzir o jogo. Quando comprar uma Wii, certamente irei importar esse Project Zero 4. Mas voltando a este jogo, ele está disponível tanto na PS2 como na Xbox, a versão Xbox como saiu mais tarde, inclui mais uns quantos extras, um novo final, um outro grau de dificuldade e mais qualquer coisa. À partida também será a versão com melhor desempenho gráfico, mas pelo que me apercebi a versão PS2 não se porta mal. De qualquer das formas, tendo em conta que é um jogo original de 2001 não se pode esperar uns gráficos excelentes, os jogos seguintes da série melhoraram bastante neste aspecto.