Metal Gear Solid 3: Snake Eater (Sony Playstation 2)

MGS3 Snake EaterDe volta com mais um artigo da série Metal Gear Solid, desta vez com um jogo que renovou inteiramente a série, a meu ver. Metal Gear Solid 3: Snake Eater, para além de não ser jogado com Solid Snake mas sim o seu predecessor Big Boss em plenos anos 60, apresentou diversas mudanças na jogabilidade, com uma experiência com mais foco na sobrevivência. Esta edição que faz parte da minha colecção pertence à reedição que foi lançada algo recentemente, sem a menção na capa das funcionalidades online incluídas. Tenho pena que essa reedição não tenha sido a versão Subsistence que contém diversos extras tal como a versão Substance do MGS2 que analisei anteriormente. Custou-me então sensivelmente 10€ e está em óptimo estado.

Metal Gear Solid 3 Snake Eater - PS2

Jogo completo com caixa, papelada e um bom manual.

A história decorre em pleno clima de guerra fria, no ano de 1964. Naked Snake, o futuro Big Boss e um dos principais protagonistas dos primeiros Metal Gear da MSX, possui como missão infiltrar-se em solo soviético e resgatar o cientista Dr. Sokolov, que se encontrava a desenvolver uma poderosa nova arma nuclear. A coisa não corre bem, com Snake a ser surpreendido pela sua mentora “The Boss” a trair o seu país e unir-se ao lado soviético, mais precisamente à facção extremista a cargo do Coronel Volgin que estava por detrás do conflito em questão. Esta reviravolta torna a colocar Snake em plena tundra soviética, agora com o objectivo adicional de assassinar a sua antiga mentora e destruir a nova arma nuclear. Gostei bastante da história proporcionada por este jogo, repleta de jogos de conspirações e contra-espionagem, com agentes duplos e demais personagens misteriosas. Revolver Ocelot faz aqui a sua primeira aparição.

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Snake e Sokolov, o cientista por detrás de todo o conflito

Com a maior parte do jogo a decorrer em plena selva ou outros ambientes exteriores, a Konami decidiu introduzir uma jogabilidade mais voltada para a sobrevivência. Agora, para além de Snake possuir uma barra de energia que dita a quantidade de “vida” que possui, existe também uma barra de “stamina“, que vai decrescendo com o tempo, precisando de ser restabelecida com comida. Ora a comida é nada mais nada menos que a bicharada que Snake consegue caçar no meio natural. Ratos, coelhos, cobras e sapos, vale tudo! Diferentes tipos de comida restabelecerão diferentes quantidades de stamina, podendo alguns ser até venenosos ou estarem podres, tornando Snake doente. A barra de vida tornou-se auto-regenerativa, porém com algumas condicionantes. Cada vez que Snake sofre algum ferimento, ou uma intoxicação alimentar, perde de imediato alguns pontos de vida conforme seria de esperar. Depois a vida regenera até um determinado limite, não regenerando ao máximo se não tratarmos dos ferimentos. Nos items iniciais que dispomos (e poderemos encontrar diversas supplies espalhadas pelo jogo fora) temos diverso equipamento de primeiros socorros, como pensos, desinfectantes, soro, entre outros, que permitem tratar das feridas de Snake. Outra inovação trazida na jogabilidade, é um sistema de combate corporal mais avançado, com diversos novos movimentos que podemos executar.

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Desta vez as comunicações são tomadas à moda antiga

Com o jogo a decorrer nos anos 60, não podemos esperar todo o equipamento High-tech de todos os Metal Gear até à data. Aquele radarzinho todo xpto onde podiamos ver nitidamente o mapa da sala e a posição dos inimigos? Esqueçam. Aqui podemos utilizar Sonars, detectores anti-pessoais, visores térmicos e a sempre útil vista em primeira pessoa para procurar os nossos adversários e tentar passar despercebidos. Se formos descobertos, a tradicional fase de alerta-evasão-precaução decorre. De qualquer das formas, o jogo oferece um armamento de luxo se quisermos ter uma abordagem mais assassina, bem como podemos tirar partido dos objectos que estão à nossa volta, como os clichés dos barris de combustível. Caso queiramos jogar inteiramente nas sombras, o jogo oferece ainda algo de novo: a camuflagem e pinturas faciais. Dispomos inicialmente de um reduzido número de diferentes trajes e pinturas faciais que podemos alternar sempre que bem entendermos, podendo encontrar várias outras espalhadas pelo jogo, ou como conteúdo bónus acessível de outras formas. No canto superior do ecrã dispomos de uma percentagem que nos indica quão bem camuflados estamos, com os resultados a serem muito melhores se nos colocarmos em prone, como seria óbvio. Para além do modo história, Snake Eater oferece ainda algum conteúdo extra, tal como um minijogo “Snake vs. Monkey”, repleto de humor. Aqui Solid Snake deve apanhar uma série de macacos da série Ape Escape da Sony, espalhados por vários diferentes níveis. Ao completar estes níveis, também desbloqueamos alguns items bónus que poderemos utilizar no jogo principal. Para além do mais contém um modo de jogo em que apenas lutamos contra os bosses consecutivamente, para além de uma outra opção em ver todas as cutscenes do jogo que desbloqueamos.

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Esta é a The Boss, antiga mentora de Snake e uma das maiores antagonistas do jogo

Passando para a questão da apresentação audiovisual, há também muito a dizer, não fosse o jogo estar repleto de cutscenes longas como os anteriores. Felizmente aqueles diálogos a roçar o emo e divagações filosóficas levadas ao extremo do Sons of Liberty não estão aqui presentes em grande número. Apesar de existirem alguns momentos mais lamechas, ou não fosse o Snake ser obrigado a lutar contra a sua mestra, grande parte da história é contada através de cenas de acção à Hollywood, ou cenas de intriga e mistério características do tempo da guerra fria, com as ameaças nucleares, conspirações e espionagem. Devo dizer que desta vez gostei bastante do final do jogo. Ainda há tempo para existir algum fan service com as taradices do Kojima, sejam as cenas cheias de sex appeal de Eva, os já habituais posters de meninas em trajes menores, ou outras coisas mais homo que não valem a pena referir. Uma introdução interessante é o facto de, em certas partes de algumas cutscenes, podermos controlar a câmara da mesma, quando vemos a acção nos olhos de Snake. O voice acting acho que está bastante competente, com a voz de Naked Snake a ser bastante familiar. Poucas vezes ouvimos música ao longo do jogo, mas quando a mesma entra, entra no momento certo e com a mood adequada. Graficamente o jogo está óptimo para uma PS2, com efeitos de luz bem conseguidos e as personagens bem representadas, oferecendo expressões faciais convincentes. Apenas faltou o lip synch, mas para uma PS2 não podemos pedir tudo. Gostei bastante do artwork no geral, no que diz respeito à representação das personagens. Mais uma vez, iremos enfrentar diversos bosses com habilidades sobre humanas, desta vez a Cobra Unit, o esquadrão comandado pela Boss. Ainda assim, continuo a achar os do Metal Gear Solid como os mais carismáticos, apesar de a luta contra o Matusalém dos snipers ter sido bastante épica e muito bem conseguida.

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A sério, Kojima?

Haveria muito mais a dizer, o jogo está repleto de pequenos detalhes na jogabilidade que não referi, para além de muito conteúdo escondido ao longo do jogo. Gostei mesmo muito de ter jogado este Metal Gear, é facilmente dos melhores jogos que a PS2 tem para oferecer, na minha opinião. Apesar de existir também para a 3DS, as versões que eu hoje em dia recomendaria comprar seria a Subsistence para a PS2 que inclui imenso conteúdo extra, como as VR Missions, uma câmara totalmente controlável no jogo principal, um modo online, e os 2 Metal Gear originais da MSX como jogos de bónus. Como é possível que essa versão acabe por ser algo cara nos dias de hoje, a colectânea HD para a PS3 onde este jogo se inclui, também é a versão Subsistence com todo o conteúdo extra. Mesmo tendo esta Snake Eater, planeio no futuro comprar essa colectânea, este jogo merece-o.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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6 respostas a Metal Gear Solid 3: Snake Eater (Sony Playstation 2)

  1. Não te esqueças que o online já não funciona, foi descontinuado, tal como o do MGS4. A HD Collection também já não traz esse modo.

  2. Mike diz:

    Fogo… Este foi um jogão…. uma completa masterpiece de Kojima. Lembro me na altura terem dito que Kojima teve de fazer alterações na história de MGS. Bem, eu não sei se fez ou não mas se o fez de certeza que foram bem aplicadas. Acho que tudo está perfeito neste jogo desde o motor, os gráficos, as sequências cinematográficas, os bosses (o sniper é o meu preferido), a história, a História, fogo mas que final… que final!! Enfim, eu sou suspeito a falar desta forma.. mas alguém que não seja um aficionado como eu que comprove o que eu estou a dizer.. =P

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