Porsche Challenge (Sony Playstation)

Porsche ChallengePorsche Challenge é para mim o Sega Rally da primeira Playstation. Mas só com Porsches. E circuitos urbanos. Ok, se calhar não é bem um Sega Rally, mas é dos jogos de corrida com o feeling arcade da 32bit da Sony que mais me agradou back in the day. Como o título parece indicar, este é um jogo licenciado pela Porsche e como tal não existe sistema de dano ou mesmo o carro a capotar, como era habitual em jogos licenciados. E com o nome de “Porsche Challenge”, é um jogo que teria muito a ganhar se incluísse vários dos mais icónicos veículos da marca alemã, mas apenas existe o Porsche Boxter que aliás está na capa do jogo também. O facto deste jogo ter saído na mesma altura em que o carro alemão também é algo que me faz suspeitar se não é um elaborado produto de marketing, mas a verdade é que o jogo não é nada mau. A minha cópia foi comprada algures em Novembro de 2013 na cashconverters do Porto. Penso que me custou algo entre os 2 e 3€. É a edição “Value Series“, uma espécie de pós-Platinum que abrangiu alguns jogos da Playstation.

Porsche Challenge - Sony Playstation
Jogo completo com caixa e manual. Versão Value Series, o que inclui o disco platinum.

Inicialmente dispomos de 6 personagens para escolher, cada uma com diferentes personalidades e um Boxter com uma cor própria. A meu ver não há grande diferença na escolha das personagens, a não ser as suas bocas que por vezes mandam uns aos outros nas corridas e, claro está, a cor do carro. A vertente singleplayer deste jogo está dividida em 3 modos: Practice, que dispensa apresentações , Time Trial também e por fim o modo Championship que coloca o jogador a jogar um conjunto de 12 corridas divididas em 3 categorias diferentes. Infelizmente apenas existem 4 circuitos – um numa pequena cidade Norte-Americana, outro à noite, numa metrópole japonesa, um outro nos alpes, com a pista coberta de neve e gelo e por fim o cicuito oficial de testes para a Porsche, em Estugarda, Alemanha.

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Inicialmente podemos escolher qual o piloto/carro para correr, incluindo as mudanças em auto ou manual.

Mas esses circuitos vão-se modificando de acordo com as diferentes etapas do modo Championship. Inicialmente temos os circuitos no modo classic, que decorrem como se um jogo arcade se tratasse: somos largados na 6a (última posição), e ao longo de poucas voltas no circuito temos de ir correndo de forma a ultrapassar os restantes carros que já vão bem adiantados, isto lutando sempre contra o relógio até chegar ao checkpoint seguinte. Concluídas as pistas neste modo avançamos para o Long, onde para além de termos de correr mais voltas, as pistas também vão-se modificando, com alguns atalhos a surgirem, bem como outros obstáculos. Por fim temos as Interactive Races, onde os circuitos apresentam ainda mais modificações, sendo essas modificações aleatórias a cada volta.

Por cada vez que vamos terminando o modo Championship, desbloqueamos também alguns cheat codes, muitos deles hilariantes, como as vozes sob o efeito de hélio, os oponentes a conduzirem bêbedos, carro invisível, entre muitos outros. Mas como em todos os jogos da época, é possível desbloquearem-se esses cheats através dos cheat codes habituais, pressionando combinações de botões em menus. Para além do mais, existe também um habitual modo multiplayer para dois jogadores em split-screen, onde podemos optar por entre uma single-race, ou o modo championship. Existem algumas customizações que podemos fazer neste modo de jogo, mas foi algo que não cheguei a experimentar.

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Alguns adversários conduzem mais agressivamente que outros

Graficamente é um jogo bastante competente, tendo em conta o ano em que saiu (1997). Principalmente nos carros, que apresentam um detalhe considerável, mas também sendo o único modelo disponível em todo o jogo, mau era se assim não fosse. As pistas têm gráficos agradáveis, mais uma vez tendo em conta a data em que o jogo foi lançado, contudo é mais um jogo de corridas a sofrer do sindrome de uma draw distance curta, onde conseguimos ver o cenário a ser “construído”, à medida em que vamos correndo. Em pistas com mais objectos nas bermas apenas quando lhes passamos muito perto é que vemos o circuito com todos os detalhes. Mas sinceramente este defeito é algo que para mim é bastante carcterístico desta altura das 32bit, e até têm o seu charme. Muitas horas de volta do Manx TT ou Daytona USA na Sega Saturn deu nisso.

Os efeitos sonoros são OK, e até é engraçado ouvir as bocas que o pessoal manda uns aos outros quando os ultrapassamos. Alguns dos oponentes até tentam descaradamente nos fazer despistar, mas tal como referi anteriormente, sendo este um jogo homologado pela Porsche, um sistema de dano, ou pelo menos acidentes mais credíveis é coisa que não existe aqui. A música tem toda uma toada de “dance music” dos anos 90. Acredito que para alguns seja uma boa banda sonora, já eu prefiro outras andanças.

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Eléctricos (sem se deslocarem em carris) são alguns dos obstáculos que nos teremos de desviar

O facto de ser um jogo homologado pela Porsche não se fica por aqui. Um dos extras que podemos aceder é a opção “View Boxter”, onde temos acesso a um pequeno vídeo com pouco mais de 2 minutos onde vemos um pequeno “making-of” do Porsche Boxter. O foco em demasia que se dá ao na altura novo modelo da Porsche é bastante exagerado, ficamos com a ideia que isto não é muito mais que um enorme anúncio “comprem um Porsche Boxter, se tiverem dinheiro” na forma de um jogo. O facto de só ter um modelo jogável e poucos circuitos realmente distintos entre si tiram algum mérito a este jogo. Ainda assim, com a sua jogabilidade mais arcade não deixa de ser um jogo divertido, e se o encontrarem baratinho, é sempre uma boa opção para a biblioteca da Playstation.

Tomb Raider: The Last Revelation (Sony Playstation)

Tomb Raider The Last Revelation

Tomb Raider: The Last Revelation, ao contrário do que o nome indica, está longe de ser o último jogo da longa saga que conta as aventuras de Lara Croft e, spoiler alert para os que estão quase 15 anos atrasados no tempo, era suposto Lara morrer no final deste jogo. A série Tomb Raider era na altuma uma espécie de Call of Duty dos dias de hoje, com um jogo novo a cada ano, sempre utilizando as mesmas mecânicas de jogo, mas que no entanto tinha sempre bastante sucesso. A minha cópia do jogo foi comprada há uns meses atrás na feira da Ladra em Lisboa, tendo-me custado 4€, e estando completa e em bom estado.

Tomb Raider The Last Revelation - Sony Playstation
Jogo completo com caixa e manual

Ao contrário dos outros Tomb Raiders até à data, desta vez não temos um nível tutorial que decorre na mansão de Lara Croft ou nos seus exteriores. Existe um tutorial sim, mas serve de prelúdio à aventura principal. Este coloca Lara, na sua adolescência, a aventurar-se com o seu mentor Werner Von Croy, na busca de um artefacto misterioso. É aí que vamos aprendendo a movimentar Lara e executar os seus diferentes saltos e habilidades. Mais tarde somos então largados na aventura principal, colocando Lara nos túmulos de Set, onde adquire um talismã misterioso e inadvertidamente liberta o espírito maligno de Set pelo Egipto. Depois de ter feito essa borrada, temos então de remediar essa situação, viajando por outros monumentos e localidades egípcias em busca de uma maneira de selar novamente Set. Para além de criaturas sobrenaturais e as armadilhas do costume, Lara tem ainda de evitar um grupo de mercenários liderados por Von Croy que pretende ficar com o amuleto de Set para si mesmo.

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O bonito ecrã título

Infelizmente, jogando um dos primeiros 5 Tomb Raiders para a PS1, é como se os tivessemos jogado todos. A jogabilidade travada com os tank controls, os saltos precisos, os puzzles de mexer uma alavanca num sítio que abre uma porta no outro lado do nível infestado de armadilhas estão todos aqui presentes. Lara herda as mesmas habilidades dos jogos anteriores, tal como o sprint temporário ou a possibilidade de se agachar, mas também ganha algumas novas habilidades, como a capacidade de se balancear em cordas, ou disparar algumas armas na primeira pessoa (as que usam mira telescópica). O inventário também foi alterado, deixando de ser o sistema em anel, para um em linha, onde agora podemos combinar alguns items ou mesmo armas. Lara pode também conduzir veículos mais uma vez, e neste jogo existem alguns segmentos em que vamos precisar e bem deles, nem que seja para dar uma de “Carmageddon” em alguns inimigos, ou alcançar outras zonas que de outra forma não seria possível.

Os níveis vão sendo apresentados de uma forma mais encadeada, onde podemos por várias vezes revisitar alguns níveis anteriores. Podemos não, devemos. Neste jogo o backtracking que a série já era conhecida foi expandido de forma a que ao mover uma alavanca num nível, uma porta poderá se abrir num outro nível anterior. Isto para mim é um bocado chato pois por muitas vezes os níveis são labirínticos e nem sempre é fácil memorizar tudo direitinho. Mas isso já é normal nestes primeiros jogos da série.

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O primeiro nível serve de tutorial, e jogamos com uma Lara adolescente

Graficamente o jogo recebeu um facelift, obviamente bem mais perceptível para quem jogar a versão PC com uma resolução maior. Mas mesmo no hardware da Playstation nota-se que Lara está mais curvilînea, os inimigos também estão mais detalhados e as próprias animações foram melhoradas, assim como alguns efeitos especiais, como a àgua e iluminação. Infelizmente, com o jogo a decorrer apenas no Egipto (embora em localidades diferentes como o Vale dos Reis, as grandes pirâmides ou Alexandria), há uma pouca variedade de cenários, comparando com os jogos anteriores onde tanto estavamos na neve, como em selvas ou desertos. Na segunda metade do jogo, quando as coisas na história começam a ficar mesmo más, os cenários vão sendo cada vez mais escuros, coisa que sinceramente não me agradou muito. Infelizmente ainda assim esta engine já começava mesmo a mostrar a sua idade. Embora não esteja a ver a PS1 a fazer níveis 3D não “quadrados”, para mim a série teria tido mais a ganhar se passasse a utilizar uma engine menos restritiva, mesmo na questão dos controlos como já referi atrás. As cutscenes em CG já são outra história, estas aqui têm uma óptima qualidade para a altura.

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Existe uma grande variedade de inimigos, muitos deles sobrenaturais.

Em relação ao som, tal como os jogos anteriores, Tomb Raider é um jogo contido. Na maior parte do tempo vamos ouvindo música mais atmosférica, e nos momentos de maior espanto quando entramos numa área nova, ou resolvemos um puzzle, as habituais bonitas melodias vão surgindo. Nos momentos de maior tensão também vão ter músicas mais aceleradas, como seria de esperar. Os efeitos sonoros apesar de manterem a mesma matriz que caracteriza os primeiros jogos da série foram alterados na sua maioria e o voice acting está completamente OK, na minha opinião.

No fim de contas este é um jogo que para mim é uma espécie de divisor de águas. Enquanto uns o acharam muito bom, para mim é aqui que a curva começa a ficar descendente. Por um lado possui umas cenas de acção bem conseguidas, mas por outro, mantém a mesma jogabilidade que já estava a ficar moribunda, e aumentando ainda mais o backtracking de forma a visitar níveis anteriores. Mas a saga não se ficou por aqui e Tomb Raider Chronicles acabaria por sair ainda com este motor gráfico no ano seguinte, antes de a série se ter finalmente revolucionado. Mas isso será tema para um artigo futuro.

Cold Winter (Sony Playstation 2)

Cold Winter PS2Vamos então voltar ao colosso da PS2 para mais uma análise a um FPS que se calhar passou debaixo do radar de muita gente o que é pena, pois o jogo até é bem porreirinho! Este Cold Winter foi lançado em 2005 em exclusivo para a PS2, sendo um first person shooter com a temática de espionagem e luta anti-terrorismo, quase que poderia ser um jogo do Tom Clancy, em conjunto com uma jogabilidade muito interessante e um vasto número de armas que podemos utilizar ou mesmo criar. O jogo entrou-me na colecção algures em Julho deste ano, a memória já me está turva, não me recordo onde o comprei nem quanto custou, mas quase de certeza que foi comprado em Lisboa e não me terá custado mais de 5€.

Cold Winter - Sony Playstation 2
Jogo completo com caixa, manual e papelzinho

O jogo coloca-nos no papel do agente dos serviços secretos britânicos Andrew Sterling, que foi aprisionado enquanto se encontrava numa missão secreta na China. De forma a evitar um escândalo internacional, o Reino Unido negou a sua envolvência no incidente e apagou todos os dados referentes a Sterling, deixando-o a apodrecer numa cadeia asiática. Até que na véspera da sua execução Sterling é resgatado por uma antiga companheira sua, que posteriormente o convence a trabalhar para uma empresa de segurança privada, como forma de pagamento pela sua libertação. E é da China que vamos algures para o médio oriente, onde terroristas estão envolvidos em negócios de armas. O habitual em shooters militares, mas sendo este um jogo algo “furtivo”, as coisas têm um gostinho diferente.

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Os níveis, ou missões, são guiadas por objectivos, cujos indicadores vão surgindo também no ecrã.

Isto devido à jogabilidade. Em primeiro lugar, este é mais um daqueles FPS em que só podemos carregar com duas armas (existindo imensas ao longo do jogo que podemos utilizar – vários modelos de metralhadoras, revólveres, sniper rifles, RPG Launchers ou shotguns), mas por outro lado podemos carregar com um enorme arsenal de explosivos. Sem contar com as normais granadas e granadas de fumo, todos os outros explosivos que carregamos somos nós que os assemblamos aproveitando alguns objectos que podemos encontrar ao longo do jogo. Por exemplo, ao achar garrafas, farrapos de pano e combustível, podemos preparar uns cocktails molotov. Explosivos plásticos em conjunto com um relógio, permitem-nos fazer uma bomba-relógio. Se ainda lhe juntarmos combustível podemos fazer uma bomba incendiária. Ou com um detector de movimento, fazemos bombas que apenas explodem quando alguém se aproxima. E ainda existem mais uns quantos tipos de explosivos diferentes que podemos construir, o que nos dão sempre bastante variedade de estratégias que podemos adoptar para matar elevados números de inimigos de uma só vez.

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O jogo começa com Sterling feito prisioneiro numa prisão chinesa, onde teremos de escapar a qualquer custo.

Mas não são apenas explosivos que podemos construir. Lockpicks para abrir algumas portas/armários e afins, ou hacking devices à lá Deus Ex, também fazem parte desse rol de dispositivos. No entanto apesar de ter essa semelhança a Deus Ex, o jogo é muito mais linear. É muito raro existir mais que um caminho a seguir para alcançar os objectivos, objectivos esses que vão sendo marcados com setinhas na HUD (heads-up display). Para além dos objectivos principais existem também outros opcionais que não nos dão nada mais que uma melhor nota no ranking final de cada nível. Esses objectivos principais consistem essencialmente em colectar documentos secretos, sabotar artilharia, veículos, ou outro armamento. O jogo tem ainda mais algumas mecânicas interessantes. Podemos revirar vários objectos como mesas ou outros caixotes de forma a que sirvam de cover conta os inimigos, e eles por vezes também fazem o mesmo. No entanto o jogo não possui naturalmente um sistema de covers como hoje em dia muitos possuem. Outro aspecto a ter em conta é o sistema de regeneração de vida. Existem duas barras no ecrã às quais temos de ter em atenção, uma de armadura, outra de vida. A armadura vai sendo regenerada à medida em que vamos encontrando outras armaduras no jogo, ou mesmo ao inspeccionar os cadáveres dos soldados inimigos, se os matarmos com um headshot, a sua armadura ainda estará intacta. Se no entanto abusarmos das granadas e outros explosivos, então não se vai aproveitar grande coisa. Já a vida podemos regenerá-la ilimitadamente, ao utilizar um stock infinito de umas injecções curativas, o que acaba por tirar alguma dificuldade ao jogo. É verdade que regenerar vida é um processo que demora algum tempo em que estamos completamente indefesos e com uma mobilidade extremamente reduzida, mas basta levar o jogo com cuidado que conseguimos sempre regenerar vida em momentos de calma.

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Em alguns aspectos até me faz lembrar o Soldier of Fortune, com o seu sistema de dano localizado e gore

Falta-me ainda referir brevemente os modos multiplayer, que tanto pode ser jogado de forma offline em splitscreen até 4 jogadores, ou online com até 8 jogadores. Não cheguei a experimentar nenhuma das versões, mas posso ir adiantando desde já o que oferecem. Existem 6 diferentes modos de jogo que podemos experimentar, embora nenhum seja propriamente revolucionário. Deathmatch, King of the Hill, Domination, Last Man Standing e duas variantes do flag-tag, que basicamente consiste num jogador capturar uma bandeira e conseguir sobreviver com a bandeira o maior tempo possível, sendo que nessa altura estamos completamente indefesos. Nada de transcendente, até porque não existem grandes customizações. Ainda assim terem incluído um modo online foi uma boa adição.

Visualmente não é um jogo muito impressionante. As texturas são pobres, os modelos das personagens não são assim tão detalhados e o jogo abusa muito dos castanhos e cinzentos. No entanto não deixou de me divertir por ter uns gráficos mauzinhos. O voice acting pareceu-me muito bem conseguido por parte dos actores contratados, embora a qualidade do audio em si também me tivesse deixado algo a desejar. Para compensar de certa forma os maus gráficos, vão havendo intercalados com os níveis diversas cutscenes em CG que vão sendo bastante longas, e o jogador não tem a oportunidade de as pausar ou mesmo de as rever no futuro.

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Furar testas com uma sniper rifle é sempre divertido.

Mas no geral, apesar não ser o jogo com melhores gráficos da PS2, Cold Winter é um FPS que me divertiu bastante de qualquer das formas. Parece uma espécie de sucessor espiritual do Golden Eye da Nintendo 64, e quando se faz uma afirmação deste tipo não há realmente muito mais a acrescentar. Gostei do jogo, de algumas das suas mecânicas de jogabilidade em particular e acho que deve ser jogado por todos os fãs de first person shooters que possuam uma PS2 em casa.

Tekken (Sony Playstation)

TekkenA Playstation foi a consola de eleição da Namco na segunda metade dos anos 90. Já há bastante tempo que a Namco estava com más relações com a Nintendo devido às suas políticas com as third parties. Desde os tempos da Mega Drive que evitaram lançar jogos para as consolas Nintendo e aproveitaram então a consola da Sony para encontrar de vez um novo parceiro estratégico. E com o enorme catálogo de títulos arcade que a Namco sempre teve, acabou por fornecer à consola da Sony alternativas muito fortes aos jogos arcade que a Sega lançava para a sua Saturn. Tekken é um deles, sendo a par de Virtua Fighter uma das franchises mais antigas e de sucesso deste género de jogos. Este jogo chegou-me às mãos há umas semanas atrás, tendo sido comprado a um particular, ficou-me a 3€ mais portes e está em estado razoável, excepto a caixa que tem os estalões habituais. É a versão Platinum, mas já devo ter dito algures que jogos Platinum na PS1 não me fazem comichão.

Tekken Platinum - Sony Playstation
Jogo com caixa e manual, versão platinum

A história é o cliché habitual, de existir um misterioso torneio de artes marciais com um mau da fita qualquer (neste caso Heihachi Mishima) por detrás do mesmo, e vários lutadores de todo o mundo se juntam para distribuir umas murraças e pontapés. Inicialmente dispomos apenas de 8 lutadores para escolher, se bem que podemos desbloquear outros 8 e ainda mais 2 lutadores especiais. Isto porque durante o modo arcada, eventualmente defrontamos um “mid boss“, que é diferente para cada lutador. Essencialmente são rivais das personagens principais, mas que lhes herdam os mesmos golpes e movimentos. Para podermos jogar com estas 8 personagens extra apenas temos de as derrotar no modo arcade. Uma das outras personagens que podemos desbloquear é o próprio Heihachi, sendo que para isso temos de o derrotar a ele e todos os lutadores antes dele sem ter utilizado nenhum dos continues.

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De todas as personagens do jogo, sempre achei piada ao Yoshimitsu

O outro lutador secreto é o Devil Kazuya, sendo que para o desbloquear temos de primeiro vencer um mini-jogo. Não é apenas em Tekken que a Namco colocou esta interessante maneira de passar o tempo enquanto o jogo faz loading, e aqui a Namco dá-nos a hipótese de jogar alguns níveis do clássico shooter das arcades, o Galaga. Para desbloquear Devil Kazuya temos de vencer os 8 níveis de Galaga, utilizando apenas um continue. Easier said than done. No entanto acho que foi uma boa jogada por parte da Namco incluir este minijogo, nem que seja para passar tempo, que também está presente noutros jogos da série e não só.

A jogabilidade em si tem logo algo de diferente em relação aos outros jogos de luta até então. Ao invés de existirem botões que diferenciam a intensidade dos golpes (pontapé forte/fraco por exemplo), os botões faciais aqui diferenciam qual o membro que usamos para lutar. Existe um botão para pontapé esquerdo, outro para direito e o mesmo para os socos. Agora o que é que isso contribui para uma boa mecânica de jogo? Não faço ideia, estes jogos para mim são jogados de uma forma meramente casual. Dito por outras palavras, sim, sou um button-masher. A jogabilidade parece-me sólida quanto baste, e não sendo algo horrível como o Shaq-Fu, por mim está tudo bem. De qualquer das formas para além da vertente arcade o jogo inclui também um modo versus para que 2 jogadores possam lutar entre si, algo habitual neste género de jogos. Sendo ainda um jogo de primeira geração da PS1 é natural que não tenha muito mais conteúdo extra que a versão arcade. Para além dos lutadores extra e do minijogo do Galaga, apenas podemos customizar um pouco os handicaps dos lutadores e pouco mais no menu das opções.

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Quando ligamos a consola somos presenteados com alguns níveis do Galaga para jogar se quisermos, enquanto o jogo faz loading.

Ainda assim, se compararmos com a conversão do primeiro Virtua Fighter para a Sega Saturn, este Tekken tem uma apresentação gráfica bastante superior. Sim, a conversão do primeiro Virtua Fighter deixou muito a desejar, mas é preciso considerar que mesmo o jogo original nas arcades saiu um ano antes de Tekken, num sistema mais obsoleto. Tekken já introduziu texturas nos seus lutadores e os próprios têm um maior número de polígonos, não sendo tão quadrados como Akira e companhia. Apesar de tudo, continuo a ter um carinho bem maior pelo Virtua Fighter, mas também sou algo suspeito. Mas pelo menos a nível de conteúdo, há que dar a mão à palmatória, este Tekken está bem mais servido. Seja pelo maior número de lutadores, ou mesmo pelos lutadores principais terem todos direito a uma pequena cutscene final quando derrotamos Heihachi. E neste caso Tekken parece-me ser uma série que leva bem mais a sério a sua história que decorre em background que muitas outras séries.

Mas se falarmos na questão das músicas, então Virtua Fighter para mim dá 15-0. A Sega desses tempos tinha óptimas bandas sonoras muito à minha medida, cheias de rockalhadas ou outras músicas excelentes e as músicas de Tekken não me agradaram. Aqui são na sua maioria faixas electrónicas, com sintetizadores manhosos, algumas com orquestrações ou que misturam melodias mais tradicionais de acordo com o local onde a luta está a decorrer. No entanto, achei-as muito desinspiradas e “sem sal”.

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O ecrã título e as suas fantásticas opções

No fim de contas, apesar de não gostar assim tanto do carisma dos lutadores, é inegável que Tekken é uma das maiores franchises do género. Eu continuo a preferir Virtua Fighter, mas esta conversão para a PS1 é bem mais fiel à arcade que o primeiro Virtua Fighter alguma vez o foi, e ainda tem o bónus de trazer alguns pequenos extras. No entanto ao ver a evolução que a série foi tomando ao longo dos anos, é óbvio que este ainda é um jogo um pouco cru. A outra possibilidade de se jogar este Tekken (pelo menos na sua versão Arcade) está no Tekken 5 da PS2, que o traz como conteúdo bónus, bem como os Tekken 2 e 3 também.

Resident Evil 4 – Limited Edition (Sony Playstation 2)

Resident Evil 4 LE

Tempo para mais uma “rapidinha”, embora este jogo mereça um artigo longo. Resident Evil 4 é na minha opinião um dos melhores videojogos lançados na geração DC-PS2-GCN-XBox, tendo mudado radicalmente a jogabilidade dos Resident Evil e não só. É um excelente jogo de acção com uma perspectiva “over the shoulder” que foi sendo popularizada com muitos shooters que lhe seguiram. A razão pela qual não me vou estender muito neste artigo é porque o Resident Evil 4 já foi aqui analisado na sua plataforma de origem, a Nintendo Gamecube. Recomendo a leitura desse artigo para uma análise mais aprofundada, pois aqui vou-me incidir apenas nas diferenças apresentadas por esta versão. E este jogo foi um que me veio parar à colecção de forma completamente acidental, ao ter comprado a um vendedor na Amazon o Ico também para a PS2, tendo recebido por engano esta versão limitada do RE4, que vem num steelbook e inclui como extra um guia de jogo. Felizmente o vendedor enviou-me posteriormente na mesma o Ico e deixou-me ficar com este jogo.

Resident Evil 4 LE - Sony Playstation 2
Jogo completo com caixa, manual e guia de jogo

Como já devem saber, Resident Evil 4 coloca-nos numa região remota em Espanha, onde Leon S. Kennedy tem a missão de resgatar a filha do presidente norte-americano das mãos de um estranho culto religioso, o “Los Iluminados”. Acontece que esses senhores são portadores de um parasita capaz de controlar seres humanos e também transformá-los em bonitas e dóceis criaturas, ficando assim lançado o mote para mais uma arma biológica. Este jogo inclui todos os conteúdos da versão original, mais o “Separate Ways”, onde tal como o Ada’s Assignment controlamos Ada Wong. Ao longo da aventura normal, Leon e Ada Wong vão ter diversos encontros e este “capítulo extra” leva-nos na aventura de Ada, por alturas em que ela se separava novamente de Leon. Por exemplo, ficamos a saber que foi Ada quem tocou o sino da Igreja, salvando Leon da chacina na aldeia.

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Este boss continua a ser dos mais impressionantes do jogo

Ao contrário de Ada’s Assignment, este “mini jogo” extra é bem maior, estando dividido em 5 capítulos, cobrindo vários locais, desde a aldeia, o castelo de Salazar, até à ilha onde os acontecimentos finais do jogo tomaram lugar. O vendedor misterioso está também aqui presente, onde podemos mais uma vez comprar e vender itens e armas, fazer upgrades às mesmas ou mesmo à mala onde carregamos tudo. Também existem uma série de tesouros e pedras preciosas para descobrir. Isto juntando ao facto de Ada ser uma personagem misteriosa, e muitos detalhes novos vamos aprendendo sobre a história da série, tornam este capítulo Separate Ways algo essencial. Existem também mais alguns bónus nesta versão face à original, como armas e roupas novas para a personagem.

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You gotta love them shotguns

Infelizmente jogá-lo numa PS2 não é a melhor das ideias. Resident Evil 4 foi um jogo feito de raiz para a Nintendo Gamecube e desde cedo a Capcom queria tirar o máximo proveito possível do hardware da consola da Nintendo. E isso vê-se muito bem. Resident Evil 4 é facilmente dos melhores jogos que a plataforma recebeu, não só a nível de jogabilidade, mas também a nível gráfico. Os cenários, os inimigos e as personagens principais apresentam um nível muito grande de detalhe, comparativamente a muitos outros jogos da Gamecube, inclusivamente jogos first party. Assim sendo, a conversão para um sistema inferior acabou por sofrer. Apesar de ser na mesma um jogo bonito para uma PS2, é bastante notório que os cenários e personagens apresentam modelos com menos polígonos e alguns efeitos de luz e partículas estão também piores nesta versão. Mas lá está, não deixa de ser um excelente jogo. No entanto, sempre recomendo a versão que saiu para a Wii ou o upscale em HD que saiu na Xbox 360 e PS3. Têm os mesmos extras que esta versão PS2 e os gráficos iguais ou superiores (no caso das versões HD) à versão Gamecube.