Na passada PUSHSTART #40 tive o prazer de dar a minha opinião acerca do Final Fantasy VII, aquele que é muito provavelmente o JRPG mais mediático de todos os tempos. É um jogo que apesar de não ser perfeito, consigo perceber perfeitamente o porquê de ter tido tanto sucesso na crítica como pelos fãs. E só o joguei pela primeira vez de forma séria neste ano de 2014. O jogo entrou na minha colecção algures durante o ano de 2012, após ter sido comprado no ebay UK por uma quantia próxima dos 20€.
Meus senhores, estamos aqui perante aquele jogo que muito possivelmente é o melhor jogo de aventura deste milénio. Não estou a exagerar, tirando alguns problemas com os controlos, este The Walking Dead pela Telltale Games apresenta uma narrativa excelente, com bastante peso emocional e aqueles que serão sem dúvida os Quick Time Events melhor executados até à data. A minha cópia chegou-me às mãos no início deste ano, tendo sido comprada na secção de usados da Worten do Arrábidashopping, custava inicialmente 20€, mas após ter usado um vale de desconto que tinha ficou-me por 12€. Estava com algum receio que não viesse com o DLC 400 Days em disco e que porventura pudesse ter sido utilizado com o primeiro dono do jogo, mas felizmente estava tudo ok. Sendo assim na altura não me pareceu um mau negócio e não me arrependo nada da compra.
Jogo completo com caixa, manual e papelada
Confesso que nunca cheguei a ler a comic original por onde a conhecida série televisiva se baseia, pelo que irei ter sempre por base de comparação a série de TV e não a comic. Sendo assim, este jogo decorre nos EUA, onde uma enorme praga zombie assolou toda a população. Mas ao contrário da série televisiva, os protagonistas aqui são completamente diferentes, embora algumas personagens como Hershel ou Glenn fazem uma breve aparição. Nós controlamos Lee Everett, um professor condenado à prisão por assassinar o amante da sua mulher. O dia em que estava a ser transportado por um polícia para o levar à prisão coincidiu com o dia em que a pandemia estourou pela Georgia. Como não poderia deixar de ser, há um acidente com o carro, o polícia não sobreviveu e Lee consegue escapar, não deixando de ter um primeiro encontro imediato com o zombie do polícia. Ferido, procura abrigo numa casa próxima, onde se encontra com uma menina que estava a aguardar que os pais chegassem de férias. Mais conflitos com zombies e Lee resolve tomar conta da criança (Clementine), encontram alguns sobreviventes imediações daquele bairro e juntam-se a um grupo de sobreviventes.
Nas fases de acção, quando corremos risco de vida o ecrã começa a ficar vermelho.
A aventura fica assim lançada, muito mais poderia dizer mas não quero mesmo estragar a experiência a quem ainda não jogou. Basicamente ao contrário dos point and clicks tradicionais o foco do jogo não está nos puzzles, que aqui existem, mas num tom muito mais ligeiro. O grande trunfo do jogo está no desenvolvimento do carácter das personagens, das relações que elas vão tendo connosco, com os outros e do destino que lhes escolhemos. A história está construída de tal forma que nos vamos afeiçoando a várias personagens e a certo ponto somos confrontados com difíceis escolhas, onde temos de favorecer uma pessoa em detrimento de outra, ou mesmo escolher quem deveremos salvar numa situação de pânico. Os diálogos que vamos tendo também têm influência na relação das personagens connosco. Temos sempre umas 4 hipóteses de resposta, e precisamos de responder durante um certo tempo. Caso deixemos esse tempo expirar, o jogo assume que preferimos ficar calados e isso poderá ter influência negativa na relação com essa personagem em questão. O mesmo se passa noutras decisões mais críticas, como por exemplo se salvamos uma pessoa ou outra. Se deixarmos o tempo expirar ou é game over ou outras personagens tomam a iniciativa por nós, deixando-nos mal vistos perante o restante grupo.
Exemplo de um diálogo e várias hipoteses de escolha. Screenshot da versão Xbox porque por estranho que pareça não consegui encontrar nada de jeito para a PS3.
O facto de não podermos agradar a toda a gente devido às decisões difíceis que nos vão sendo colocadas vão contribuindo para um mau estar dentro do grupo que mais tarde ou mais cedo acabará por gerar outros conflitos, devido aos temperamentos muito diferentes de cada um. Mas voltando às restantes mecânicas de jogo, quando não estamos a falar com alguém, existem 2 ambientes distintos. O de exploração e os eventos de pânico. Nos primeiros o jogo comporta-se como se um point and click tradicional se tratasse, onde podemos interagir com diversos objectos ou iniciar conversas com outras pessoas. Os puzzles aqui são muito simples, consistindo essencialmente em procurar ferramentas ou outros objectos para resolver algum problema em específico. Os eventos de pânico acontecem quando somos atacados por zombies ou mesmo outros humanos. Aqui tanto podem ser Quick Time Events muito bem pensados, como outros segmentos mais de acção.
Em alguns momentos de pânico o cursor torna-se vermelho, geralmente temos de agir rápido
Nos primeiros, os QTEs tanto podem ser mais tradicionais, como pressionar várias vezes num botão para fechar uma porta cheia de zombies do outro lado, por exemplo, ou bem mais dinâmicos. Nesses mais dinâmicos temos de mover o cursor para um certo ponto e carregar no X para desempenhar uma acção, enquanto nalguns casos também nos podemos ir movendo com o direccional. Um exemplo: Um zombie vindo do nada deita-nos ao chão. Atordoados, temos de fugir, utilizando para isso o botão direccional e também temos de nos defender dos ataques dos zombies, levando o cursor para um ponto de acção, geralmente a sua cabeça ou braços e ao carregar no botão respectivo o Lee vai lhe dar um pontapé, ou um tiro ou whatever. Os segmentos com mais acção também vão utilizando estas mecânicas. Temos alguma liberdade de nos mover, inclusivamente entre covers, e com o cursor vamos desempenhando algumas acções, seja interagir com objectos ou disparar em primeira pessoa em zombies ou outros humanos. No geral achei estas sequências bem feitas e mesmo estes QTEs que não envolvem button mashing à maluco não deixam de ser QTEs, pois na maior parte do tempo temos mesmo de nos despachar.
No final de cada episódio é nos dado um resumo das acções mais importante que tomamos e compara com o que o resto dos jogadores optaram. Imagem editada por razões óbvias.
Graficamente é um jogo que tenta replicar o feeling das comics, apresentando uns visuais algo semelhantes ao cel-shading, mas que não deixa de ser muito bem detalhado. As expressões faciais estão óptimas e ajudam sem dúvida nenhuma a colocar um peso psicológico ainda maior em toda a aventura. Os zombies é que têm um aspecto mais cartoonesco que não gostei muito. No entanto o jogo tem momentos de gore quanto baste, em especial quando temos de decepar alguma coisa. As músicas vão sendo bem colocadas e bem variadas, tal como se da série televisiva se tratasse. No entanto é mesmo o voice acting que está soberbo neste jogo. Aliás, toda a história está muito bem escrita e vão aparecer vários plot twists bem inesperados ao longo do jogo. E quem dá a voz às personagens safam-se realmente muito bem. O único senão é alguma quebra de framerate que se nota na passagem de algumas cenas, suponho que sejam loadings.
O DLC 400 Days leva-nos a visitar o background de 5 personagens distintas que nada têm a ver com o primeiro jogo.
The Walking Dead, o videojogo, é daqueles produtos em que o jogo ultrapassa por completo a obra cinematográfica/televisiva (mais uma vez relembro que não estou de todo familiarizado com a comic original). É certo que muitas destas decisões difíceis nós as vemos na série, sendo tomadas pelo Rick ou seus companheiros. Mas não sei se será pela história e representação deste jogo estar tão bem feita, ou pelo facto de sermos nós a ter de tomar as decisões, para mim este jogo é muito mais envolvente, e essas decisões por vezes deixam-nos a sentir completamente miseráveis. Adorei. Para além da Season 1, esta versão GOTY traz um DLC – 400 Days. Esse DLC parece-me ser um prelúdio à sequela, onde vamos jogando pequenos capítulos na vida de diferentes personagens que aparentemente figuram na Season 2. Apesar de a sequela já estar à venda, prefiro mais uma vez aguardar que saiam todos os episódios e eventuais DLCs para depois comprar um pack que inclua tudo de uma vez. Mas volto a salientar, este é um jogo obrigatório para todos os amantes de adventure games e não só.
Da era das consolas 32bit, o que mais nostálgico me traz é sem dúvida as adaptações caseiras de vários jogos arcade em 3D, como Daytona USA, Virtua Fighter, Ridge Racer ou Time Crisis. E de facto nessa altura não haviam gigantes maiores das arcades que a Sega e a Namco. A Sega ia suportando a Saturn da maneira que podia com as suas conversões dos maiores hits, na Playstation era a Namco a grande referência do género. Tekken é o grande concorrente de Virtua Fighter no mercado dos jogos de pancadaria 1 contra 1 em 3D e Tekken 2 é uma boa evolução face à sua prequela. O jogo entrou na minha colecção algures no ano passado, tendo sido comprado a um particular por um valor não superior a 6€ salvo erro.
Jogo com caixa e manual, versão Platinum
A história é o cliché do costume nestes jogos de luta que ninguém leva a sério. Ou melhor, pelo menos eu certamente que não dou importância. Essencialmente Tekken 2 decorre na segunda edição do torneio King of the Iron Fist, onde se oferece um prémio de um trilião de dólares ao vencedor. Mas como a entidade organizadora é a Mishima Zaibatsu, uma poderosíssima empresa japonesa envolvida em imensas actividades ilícitas, é porque há marosca por detrás. E mais uma vez o grande conflito está entre Kazuya e o seu pai Heihachi Mishima, novamente a lutar pelo controlo da empresa. Os outros lutadores também vão tendo os seus próprios motivos para participar no evento e como sempre há bons e maus da fita. Mas no fim de contas o que interessa é andar à pancada e vencer todos os combates…
Inicialmente estas são as personagens que podemos escolher
Este Tekken 2 é um jogo que traz bem mais conteúdo para além da versão arcade do que a sua prequela. Para além do modo arcade, temos também um Practice Mode cujo nome é auto-explanatório. Outros modos de jogo como o Survival, Team Battle, Time Attack ou o tradicional Versus para 2 jogadores também estão presentes, sendo actualmente modos de jogo frequentemente presentes nos jogos de luta, mas na altura deste Tekken 2 se calhar nem por isso. O Survival mode é o modo de sobrevivência, onde o jogador tem de sobreviver a combates seguidos, onde no final de cada combate a vida apenas se regenera um bocadinho. A ideia está em sobreviver o máximo de combates possível. Team Battle permite jogar em combates de equipas até 8 lutadores, com a vida de cada lutador a manter-se de round em round. Time Attack é semelhante à versão arcade, mas com um objectivo de se obter os melhores tempos possíveis.
Apesar de o jogo ser em 3D, as arenas apresentam um background fixo
De resto a jogabilidade de Tekken mantém-se fiel a si mesma, com cada um dos 4 botões faciais a corresponder a um ataque de cada membro (pontapé esquerdo, direito e por aí fora). Claro que existem botões para bloqueio ou agarrar e atirar o adversário, conjungando-se em vários combos e golpes especiais como não poderia deixar de ser. Tal como no jogo anterior, existem imensos lutadores que podem ser desbloqueados. O boss final de cada lutador no modo arcade, é o Devil (Kazuya), mas antes disso lutamos sempre contra um sub-boss, geralmente rival directo da personagem em questão (Anna, rival de Nina ou Kunimitsu, rival de Yoshimitsu), sendo que desbloqueamos esse lutador no final. Desta vez, apesar de herdarem muitos golpes dos rivais, estes bosses têm também alguns golpes especiais próprios. Para além desses sub-bosses ainda existem mais uns quantos lutadores especiais que podemos desbloquear, pelo que pelo menos no quesito “extras”, o Tekken 2 é uma boa aposta.
Tal como Virtua Fighter 2 o foi para a Sega Saturn, este Tekken 2 é um jogo que é uma boa evolução gráfica do seu antecessor. O jogo continua com arenas com backgrounds fixos, ao contrário dos Virtua Fighter nas Arcades, que tiravam o melhor partido possível das placas Model da Sega. Os lutadores de Tekken 2 estão bem melhor detalhados que no primeiro jogo, embora no geral acho que Virtua Fighter 2 é um jogo muito mais bem conseguido, quer no aspecto gráfico em bruto, quer na própria estética no geral. As músicas também são no seu geral músicas mais electrónicas, sempre com uma toada “dance music” que sinceramente não me agrada. Já não me agradou no Tekken original, neste a Namco decidiu ir pelo mesmo caminho. Óbvio que as músicas do jogo não são todas assim, há algumas com influências mais tradicionais, mas eu prefiro de longe as bandas sonoras mais rockeiras que a Sega sempre fez muito bem.
Antes de conhecer melhor a série, sempre achei que o Heihachi fosse dos bons da fita
Sinceramente prefiro Virtua Fighter a Tekken. Para além de a jogabilidade ser mais complexa e difícil de “masterizar“, mesmo as próprias personagens me parecem muito mais realistas e credíveis. Ainda assim, acho Tekken um rival de peso e pelo menos em conteúdo extra e segredos, é um jogo muito mais completo que Virtua Fighter. A Sega lançou um Virtua Fighter Kids, que era essencialmente um Virtua Fighter 2 com as personagens representadas no estilo “super deformed”, com aquelas mega-cabeçorras. Tekken 2 tem um cheat code que torna qualquer lutador nessa forma, e tem ainda um outro que torna o nosso lutador num aglomerado de vectores, essencialmente o modelo poligonal sem qualquer preenchimento. Tekken 2 é assim um jogo bem mais completo, mas pessoalmente achei o Tekken 3 algo ainda bem mais impressionante para a máquina 32bit da Sony.
A Atlus é uma das minhas empresas preferidas. Para além de serem os criadores de Megami Tensei, uma série de RPGs bem antigos e com imensos spinoffs, entre os quais a conhecida série Persona, a Atlus para mim sempre foi uma empresa bastante criativa e, mais uma vez referindo-me ao mercado dos RPGs japoneses, um grande colosso na área. Sem deixar de mencionar claro o seu importante trabalho como publisher, trazendo até nós diversos jogos nipónicos que dificilmente veriam a luz do dia fora de terras do Sol Nascente. Catherine, lançado em 2011, é o primeiro jogo desenvolvido pela Atlus nas consolas da geração PS360, apesar de já ter publicado uns quantos títulos anteriormente, como o Demon’s Souls. E Catherine é um jogo bastante original, tal como irei referir em seguida. A minha cópia foi adquirida algures no ano passado numa Game, penso que a do Maiashopping antes de ter “fechado” e custou-me algo entre os 10 e os 15€.
Jogo completo com caixa, manual e papelada
Basicamente Catherine é um misto de puzzle-game, com dating-sim ou mesmo aventura, centrado na temática da infedelidade, onde o infeliz Vincent Brooks, tal como Marco Paulo, está dividido entre “2 amores”. Ok, analogias parvas à parte, neste jogo tomamos o papel de Vincent Brooks, um japonês aparentemente já trintão e com uma relação já de longa data com a sua namorada Katherine. Quando Khatherine começa a tocar no assunto “casamento”, Vicent sente-se algo inseguro e começa a ter pesadelos muito estranhos. A coisa começa complica-se mais, quando Vicent conhece a bela Catherine e “por acidente” dorme com ela, entrando num triângulo amoroso muito difícil de gerir. Isso pois Vicent, tal como muitos outros homens infiéis acaba por sofrer uma maldição em que todas as noites o pesadelo é semelhante: uma enorme torre de blocos cúbica tem de ser escalada até se chegar ao “andar seguinte”. Vicent e os outros homens infiéis que partilham do mesmo pesadelo tomam a aparência de carneiros, e caso algum morra no pesadelo, morre na vida real também. No entanto, caso sobrevivam, no dia seguinte ninguém se recorda do pesadelo.
No lado esquerdo temos um indicador do que nos falta escalar. O que está a preto são os blocos da torre que já se desmoronaram
A jogabilidade é então inteiramente diferente de quando se está acordado, ou nos pesadelos. Nestes últimos, o jogo assume a forma de um jogo de puzzle, onde temos a cada noite uma série de andares de uma longa torre para escalar. De forma a fazê-lo, temos de ir puxando/empurrando uma série de blocos cúbicos para abrir caminho e isso pode ser bastante desafiante. Pode não, será certamente nos níveis mais avançados. Os cubos podem estar presos apenas por arestas no meio do vazio, outros cubos são especiais que podem não ser movidos, têm armadilhas mortais, partem-se ou explodem, entre outros. E o que torna o jogo ainda mais desafiante é que temos sempre uma tensão constante de não cometer erros, pois os níveis inferiores vão sendo destruidos com o tempo, ou ao deslocar os blocos de forma errada podemos mesmo comprometer o nosso progresso. Felizmente existem alguns items que podemos utilizar para nos auxiliar na escalada, embora só possamos carregar um item de cada vez. Estes permitem-nos escalar 3 blocos de cada vez, criar um bloco novo, destruir os inimigos próximos, entre outros. Algo que também nos ajuda é o facto de existirem checkpoints espalhados pelas torres, ou nos graus de dificuldade menor podemos anular as últimas acções.
Intercalado com cada etapa no mesmo pesadelo estão os “Landings”, que servem de ponto de descanço, onde podemos interagir com outros humanos aprisionados no mesmo pesadelo
A segunda parte do jogo é passada no bar Stray Sheep, onde podemos ir falando com os amigos de Vincent, outros clientes do bar ou os seus empregados, ou mesmo com Catherine e Katherine. Muitas das pessoas com quem falamos no bar também possuem a mesma maldição de Vicent, aparecendo nos mesmos pesadelos, embora tal como Vicent não se recordem de tal coisa. E tanto nos pesadelos como na “vida real”, vamos podendo ouvir as suas inseguranças e descortinar um pouco mais do seu passado, onde os podemos também ajudar a ultrapassar as suas inseguranças. A parte psicológica do jogo assenta completamente em decisões morais. Tanto Catherine como Katherine nos vão enviando SMS para o telemóvel, às quais podemos responder da forma que achemos mais conveniente. Essas nossas decisões, bem como algumas respostas que damos aos nossos companheiros, ou respostas às perguntas nos confessionals dos pesadelos vão influenciar uma certa balança entre dois alinhamentos: Chaotic e Lawful. O primeiro refere-se à liberdade extrema do “eu”, enquanto o Lawful representa as decisões mais politicamente correctas. Esta moralidade é um tom presente em todo o jogo, que em conjunto com diversas respostas que podemos dar nos últimos níveis apresentam um total de 8 finais diferentes que podemos alcançar.
No bar para além de podermos beber várias bebidas alcoólicas temos também a chance de interagir com outras pessoas e ouvir os seus problemas
Para além do modo de jogo principal, também podemos jogar umas partidas do modo Babel ou do Colosseum. Este último é desbloqueado no final do jogo principal, onde essencialmente podemos jogar qualquer nível dos pesadelos do jogo principal, mas num multiplayer competitivo. O Babel é um modo de jogo para os especialistas dos pesadelos infernais. Para jogar logo o primeiro nível, é exigido obter um troféu de ouro no final de um dos níveis do jogo principal, no grau de dificuldade normal ou maior. Neste modo de jogo é também possível jogar cooperativamente com mais um jogador, algo que não cheguei a experimentar.
Graficamente é um jogo muito bom, com uns visuais completamente anime e bem detalhados. As cutscenes tanto podem utilizar o próprio motor do jogo, que apresentam muito bem as várias expressões faciais dadas pelas personagens, ou podem ser mesmo “desenhos animados” no estilo anime. Os visuais tanto abordam o erotismo, especialmente com as investidas de Catherine, como o macabro, visto em algumas cutscenes ou especialmente nos confrontos com os bosses. O voice acting é excelente, embora eu preferisse que houvesse a opção de ouvir as vozes originais em japonês com as legendas em inglês. As músicas também vão sendo muito variadas, desde coisas mais para o relax, em especial nas conversas dos bares, ou para músicas mais tensas, especialmente nos confrontos das Catarinas, ou coisas mais rock n’ roll nos pesadelos, onde temos de agir rapidamente e metodicamente.
No final de cada pesadelo, temos sempre um boss atrás de nós, que geralmente representam os medos de Vincent
Catherine é um jogo muito bom, especialmente para quem gostar de uma boa história. É na minha opinião um jogo bastante original e um dos pontos altos da geração passada da PS3/X360. É algo tão diferente que não consigo imaginar a Atlus a realizar uma sequela, o que eu prefiro que não o façam realmente. Para os que gostam de jogos puzzle, então Catherine é também uma excelente escolha, pois basta não jogar em Easy que se torna bastante desafiante e o modo Babel também não é pera doce.
O Medal of Honor original, também lançado para a PS1 foi uma lufada de ar fresco nos FPS por alturas em que saiu, atingindo assim um sucesso considerável para que no ano seguinte este MoH Underground acabasse por sair para o mercado, bem como no futuro ainda despoletou uma nova “moda” de shooters sobre a 2a Guerra Mundial, incluindo a série Call of Duty, ou o actual FIFA/PES Militar como lhe gosto de chamar. Tal como Medal of Honor, este MoH Underground também entrou na minha colecção após ter sido comprado ao Mike do blog Gamechest (vão ali aos links na parte direita!) por 2.5€. Apesar de ser a versão platinum, que não levo a mal na PS1, está completo e em bom estado.
Jogo completo com caixa e manual, versão platinum.
O jogo anterior colocava Jimmy Patterson, como agente da OSS a lutar pelos aliados em diversas missões de infiltramento e sabotagem ao longo de vários teatros de guerra na europa. Antes de cada nível, recebíamos um ligeiro briefing de uma tal Manon Batiste, membro da Resistência Francesa e também da OSS. E é essa Manon Batiste com que jogamos este jogo, onde mais uma vez teremos várias missões de sabotagem por essa europa fora (e Norte de África também), culminando na liberação de Paris, repleta de confrontos “rua a rua”. No final do jogo, ainda podemos jogar uma missão bónus composta por 3 níveis, em que voltamos a encarnar no Jimmy Patterson. Essa missão é completamente hilariante e não tem nada a ver com qualquer evento histórico, sendo talvez uma sátira ao clássico Wolfenstein 3D. Aí temos de investigar um antigo castelo no meio das florestas alemãs que serviu de base para um cientista nazi realizar as suas experiências. Já estão a ver no que isto vai dar, não estão? O resultado é hilariante, com cães dançantes, outros equipados com metralhadoras ou a conduzir half-tracks, soldados zombies, mecânicos ou mesmo armaduras medievais animadas.
As velhas catacumbas que serviam de base para a resistência francesa são um dos primeiros cenários que exploramos
Os controlos são os mesmos do jogo anterior, onde temos um esquema por defeito algo arcaico, mas é possível optar entre vários outros esquemas de controlo que melhor se adequam aos shooters modernos nas consolas. O jogo continua também sem uma mira, a menos que apertemos o botão para mirar. Aí surge uma mira no centro do ecrã, que por sua vez fica estático, e apenas podemos mover a mira livremente. Isto não é um aiming down the sights, e este esquema para ter maior precisão apesar de ser mais realista, o facto de termos de estar estáticos não é uma vantagem. De resto, a nível de novidades temos o facto de podermos utilizar alguns veículos, uma das missões andamos num sidecar de uma moto, onde podemos disparar uma metralhadora pesada com munição infinita, por outro lado nalgumas missões de infiltração e sabotagem temos mais uma vez de utilizar artimanhas para passar despercebidos. No jogo anterior tinhamos de nos apropriar das id’s de alguns oficiais nazis, desta vez Manon assume o papel de uma repórter de guerra alemã, equipada com uma máquina fotográfica que podemos até utilizar para fotografar nazis em poses estúpidas.
A máquina fotográfica é aqui utilizada como ferramenta de infiltração e para tira fotos a nazis em fotos idiotas.
Visualmente é um jogo bem competente tal como a prequela. Os cenários são bastante variados, com a aventura a começar por catacumbas francesas, passando pelo norte de áfrica, grécia e os seus monumentos históricos, o monte Cassino em Itália, instalações de produção de mísseis V1, ou o regresso a Paris para a sua Liberação, onde locais como o Moulain Rouge podem ser observados. O detalhe gráfico é óptimo tendo em conta o hardware da Playstation. No entanto, como utiliza o mesmo motor gráfico do seu antecessor, o jogo herda também os seus defeitos. A draw distance em locais mais abertos pode ser traiçoeira, pois numa questão de passos deixamos de ver inimigos, mas eles nem por isso deixam de nos ver, e apesar de me ter parecido melhor neste aspecto, ainda presenciei alguns problemas de clipping que sinceramente não me incomodam assim tanto, eram coisas banais na era dos 32-bits. A inteligência artificial mais uma vez tem os seus altos e baixos, com os inimigos capazes de nos emboscar em algumas situações, noutras apenas correm para nós, noutras ainda mais bizarras ficam a correr em círculos sem sequer disparar.
Exemplo de algum do artwork que podemos desbloquear
Mas o trabalho de audio está mais uma vez de parabéns. Já o jogo anterior tinha excelente voice-acting para a época, os efeitos sonoros também muito bons e a banda sonora épica foi algo bem cinemático, novidades bem agradáveis para a altura. Esta sequela mantém o mesmo padrão de qualidade em todos esses campos. Para além da música e dos efeitos sonoros das armas, o ruído de fundo em vários níveis está também muito bem implementado.
Podemos desbloquear algumas personagens invulgares para o Multiplayer
De resto, fica apenas faltar mencionar o modo multiplayer existente neste jogo e os extras que podemos desbloquear. Falando do primeiro, este consiste num deathmatch para 2 jogadores em split-screen, onde dispomos de vários níveis para jogar e algumas opções para customizar, a sua maioria limites de tempo. Em relação aos extras, para além de desbloquear a missão secreta com Jimmy Patterson, podemos desbloquear vários cheat codes, personagens extra para o multiplayer e material do making-of do jogo, nomeadamente artwork. Também podemos rever os clips de vídeo utilizados no jogo, com várias cenas de documentários da 2a Guerra Mundial.
Assim sendo, Medal of Honor Underground é um óptimo jogo tendo em conta o hardware da PS1. O original foi excelente e revolucionário, este utiliza a mesma fórmula, introduzindo apenas uma ou outra novidade. Mas não deixa de ser um óptimo FPS no catálogo da PS1.