Syphon Filter 2 (Sony Playstation)

Syphon Filter 2

Após o merecido sucesso do primeiro Syphon Filter, uma sequela não levou muito tempo a surgir, mantendo as mesmas mecânicas base do primeiro jogo, mas no entanto com missões que a meu ver eram bem mais interessantes e uma história com mais plot twists e momentos marcantes. Como as mecânicas de jogo são similares, recomendo a leitura do artigo do primeiro Syphon Filter, já que este será mais ligeiro. E tal como o primeiro, este jogo foi comprado algures no verão do ano passado a um particular em Lisboa, com o preço a rondar os 5€.

Jogo com caixa, 2 discos e manual

A história continua exactamente onde o anterior acabou. Gabe Logan e Lian Xing (esta infectada com o vírus Syphon Filter) conseguiram com sucesso evitar a detonação de um míssil intercontinental no final do jogo anterior, fugindo de avião em seguida. Mas a agência para a qual os dois trabalhavam tinham-nos traído e queriam o Syphon Filter para os seus próprios fins então abatem com sucesso o avião onde ambos viajavam. O resto do jogo vai-nos levar a várias localidades no mundo onde Gabe e Lian irão enfrentar vários agentes da Agency e não só, de forma a obter os dados do vírus Syphon Filter e tentar arranjar uma vacina para Lian, tudo isto sempre com a Agency em perseguição.

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Neste jogo somos fugitivos da Agency, pois pelo que se viu anteriormente também se estavam metidos em coisas que não deviam.

A infiltração continua a ser um elemento central na jogabilidade. Em algumas missões é até algo obrigatório passarmos completamente despercebidos, pelo que iremos equipar muitas vezes armas com silenciadores, dar uso a sniper rifles para avater alvos à distância ou utilizar armas não letais para lidar com inocentes que não sabem onde se estão a meter. Mas muitas outras missões são também dignas de um filme de acção hollywoodesco, como os combates num comboio a alta velocidade, os tiroteios numa discoteca russa ou mesmo a infiltração num Gulag. A ajudar está mais uma vez o sistema de lock on aos alvos, mas é sempre recomendável que levemos o jogo de forma lenta e calculista, usando sempre que possível o zoom para obter headshots em inimigos que não suspeitem de nada. Claro que nem sempre isso será possível, mas para essas situações felizmente também temos armas apropriadas no nosso arsenal, como as fiéis shotguns ou metralhadoras de assalto para os close encounters. A exploração dos níveis é também necessária e mais uma vez vamos ver-nos a encontrar caminhos alternativos por condutas de ar, ou pendurar-nos nas superfícies para passar despercebidos por alguns guardas.

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Também jogamos várias com Lian, incluindo a sua fuga após ter sido aprisionada pela Agency

Graficamente é um jogo bem detalhado para uma Playstation. Os níveis continuam a ser muito “quadrados” é verdade, mas são bem mais variados visualmente que no jogo anterior, onde atravessamos cadeias montanhosas, cavernas geladas, áreas urbanas tanto na Rússia como nos próprios Estados Unidos, bem como as ja habituais bases militares, cadeias ou laboratórios. Em todo o level design parece-me ter havido uma boa evolução na sua variedade e também construção, embora ainda existam um ou outro nível mais labiríntico pela frente. As músicas são também bastante dinâmicas, mudando muito consoante a acção, tanto podem ser mais tensas naqueles momentos em que não podemos mesmo ser vistos, ou bem mais enérgicas em duros tiroteios. O voice acting também é bastante sólido para um jogo de 2000, e toda a temática de espionagem e conspiração fez-me muitas vezes lembrar séries como 24.

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Syphon Filter 2 tem muia mais acção, incluindo este excelente nível

Este Syphon Filter tem ainda um modo multiplayer para 2 jogadores que sinceramente não prestei atenção quase nenhuma, mas é sempre um bom extra. Várias personagens e arenas podem ser desbloqueadas durante o jogo normal, ao encontrar objectos secretos ou cumprir algumas missões dentro de algumas condições especiais. Finalizando, este Syphon Filter 2 é um jogo de acção/infiltração bem sólido, com missões mais interessantes e variadas. Quem gostou do primeiro, irá certamente passar um bom tempo com este. Agora resta-me procurar o Syphon Filter 3 que é o único da série que actualmente me falta.

Genji (Sony Playstation 2)

Genji PS2A Playstation 2, consola com tamanho sucesso que teve, no meio do seu imenso catálogo de videojogos, é perfeitamente natural nos escapar um ou outro do radar. E este Genji é para mim um perfeito exemplo disso, revelando-se depois num jogo que passei a adorar. Essencialmente é um hack and slash com alguns elementos de RPG e exploração, mas com óptimos controlos, ideias, visuais e um setting centrado em plena era feudal japonesa com os seus samurais e outros guerreiros, tema que eu sempre gostei. O jogo entrou na minha colecção algures no final do ano anterior ou início deste, tendo-me custado 3€, comprado a um familiar.

Genji - Sony Playstation 2
Jogo com caixa e manual

O jogo coloca-nos num Japão oprimido pelo rejime do exército Heishi, liderado por Taira no Kagekiyo, vencedor de um brutal conflito entre as facções Heishi e Genji que haviam decorrido uns anos atrás. Esses guerreiros possuiam as Amahaganes, umas “bolas de cristal” muito especiais, conferindo poderes mágicos aos seus donos. Os sobreviventes Genji, derrotados, acabaram por se escoder espalhados pelo Japão e encarnamos em Minamoto Yoshitsune, filho do antigo líder Genji que, em conjunto com Musahibo Benkei, iremos lutar contra os Heishi e restaurar a liberdade ao povo. Claro que também temos Amahaganes para nós próprios e o seu uso será essencial nos combates que nos esperam.

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Em Genji, os combos são muito importantes para ganhar mais pontos de experiência. Se usarmos o Kamui como deve ser, ainda melhor.

A jogabilidade mistura os hack and slashs repletos de combos à lá God of War, com a exploração e backtracking para procurar locais e items que anteriormente não conseguiríamos alcançar (ou apenas poderiam ser alcançados por Yoshitsune ou Benkei), bem como alguns elementos ligeiros de RPG, ganhamos ponto de experiência por cada combate que temos, podendo posteriormente subir de nível, comprar e equipar várias armas ou peças de equipamento ou mesmo items de suporte que podem facilmente ser utilizados ao mapeá-los para uma direcção do D-Pad. Outra maneira de aumentarmos alguns atributos específicos como a vida, ataque e defesa, consiste en encontrar fragmentos de cristais escondidos ao longo do jogo, podendo depois atribuí-los a um destes atributos e por cada 3 que juntarmos num atributo, subimos aí também de nível. Ao contrário do nível normal da personagem, cuja pool de experiência é partilhada entre as 2 personagens, esta aqui é independente.

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Yoshimitse é o típico guerreiro mais ágil, já Benkei é mais lento, mas com muito mais força bruta.

Os controlos são bastante agradáveis e fluídos. As batalhas decorrem deliciosamente e a ideia do Kamui foi muito bem conseguida. Kamui é o poder das Amahaganes, que essencialmente deixam toda a acção em câmara lenta e permite-nos dar fortíssimos contra-ataques a inimigos, muitas vezes matando-os com um só golpe e tirando também uma grande fatia de vida dos bosses. Esse Kamui pode ser utilizado sempre que enchemos uma barrinha de energia com os golpes normais e combos que vamos executando, podendo depois ao longo do jogo ganhar mais umas 3 dessas barrinhas, permitindo-nos utilizar Kamuis em cima de Kamuis, para resultados ainda mais espectaculares, se bem executados. E de facto executar bem os Kamuis é a chave para o sucesso deste jogo, para além de dar muito mais dano nos inimigos, também ganhamos muitos mais pontos de experiência no fim do combate.

A vertente mais de exploração resulta da maneira como o jogo está distribuído. Temos um overworld com várias localizações que vão sendo desbloqueadas à medida em que vamos progredindo na história. No entanto podemos ir visitando zonas anteriores, seja para combater e ganhar mais experiência, passar pelos mesmos locais com outra personagem de forma a aproveitar as suas habilidades para encontrar passagens secretas e/ou outros items, ou simplesmente para interagir com NPCs e lojas para comprar mais equipamento ou items. Tudo isto pelo menos dentro do capítulo em que estamos, pois ao longo dos 3 capítulos vamos mudar de zona e as áreas anteriores deixarão de poder ser visitadas.

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Inicialmente vamos lutar contra oponentes humanos, mas mais tarde entram também forças de outros mundos à disputa.

Visualmente é um jogo excelente. Os gráficos estão muito bem detalhados, pelo menos falando em relação às capacidades da Playstation 2 e tudo está muito bem caracterizado, sejam os nossos guerreiros, outros samurais ou criaturas místicas, ou mesmo as próprias paisagens naturais, repletas de cores vivas e as aldeias/castelos/templos japoneses, com uma arquitectura muito própria e aqui muito bem representadas. Uma outra coisa que eu gostei bastante é o facto de o jogo nos permitir ouvir o voice acting original em japonês, com legendas em inglês ou noutras línguas europeias. Sendo assim nem sequer toquei no voice acting inglês, portanto nada tenho a dizer do mesmo. Só tenho pena que em cada vez que fazia boot à consola com o jogo, ela pedia-me se queria fazer o display em 50 ou 60Hz e mudar as línguas do jogo e lá tinha eu de fazer sempre a mesma alteração. A meu ver estes settings deveriam ficar logo guardados no cartão de memória e pronto, se depois quiséssemos alterar bastaria ir ao menu das opções. E devo então dizer que gostei bastante do voice acting japonês, todas as vozes iam de encontro às minhas expectativas perante as personagens em questão e aqui não temos aquelas vozes fofinhas de muitos animes actuais. Gostei bem do trabalho e espero sinceramente um dia que compre o Genji da PS3 venha a ser agradavelmente surpreendido uma vez mais neste campo. Outro ponto a referir são as cutscenes, que tanto são num CG muito bem trabalhado, como podem também usar o próprio motor gráfico do jogo que, face à quantidade de detalhes que apresenta, porta-se mesmo muito bem.

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Por vezes é impossível ficar indiferente perante tal beleza nos cenários

No fim de contas, este é um jogo que recomendo a todos os donos de Playstation 2, em especial se preenchem pelo menos um destes requisitos: gostar de hack and slashs 3D e/ou gostar de samurais e temática afins. Nesses campos Genji é um excelente jogo. Convém também referir que temos algum conteúdo bónus se chegarmos ao fim do jogo em Normal e Hard, como as cutscenes ou bastante artwork das personagens principais, inimigos e cenários. Por fim, devo dizer que fiquei bastante curioso com o Genji “giant enemy crab” que acabou por sair para a Playstation 3, vamos a ver como se safaram.

Shadow of Memories (Sony Playstation 2)

Shadow of MemoriesO jogo que trarei cá hoje corresponde a mais uma rapidinha, desta vez para a Playstation 2. Shadow of Memories é um jogo de aventura produzido pela Konami e lançado ainda nos primeiros tempos de vida da PS2, onde a temática das viagens no tempo é uma constante. E este Shadow of Memories entrou na minha colecção há alguns meses atrás, após ter sido “spotted” na Feira da Ladra em Lisboa pelo meu amigo Ivan Cordeiro. Ficou-me só por 2.5€, se bem me recordo.

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Jogo com caixa e manual

Nesta aventura controlamos Eike Kusch, jovem de 22 anos com uma vida pacata numa vila alemã fictícia de nome Lebensbaum e pouco depois de sair de um café, quando caminhava calmamente pela rua, leva uma facada nas costas e morre. Somos depois levados para uma estranha dimensão onde uma criatura que depois vimos a chamar de Homunculus nos diz que pode levar Eike de volta para a sua vida pacata. Eike está destinado a morrer naquele dia, mas tem uma hipótese de desafiar o seu destino: voltando atrás no tempo de forma a prevenir que os acontecimentos que levem à sua morte aconteçam. É-nos dada para isso uma máquina do tempo portátil, alimentada por “energy spheres” espalhadas pela cidade e que iremos utilizar frequentemente ao longo do jogo para viajar entre vários períodos, perto do presente, nos anos 80, no início do século XX e até na idade média de forma a tentar prevenir os vários assassinatos que vamos sofrer em cada capítulo. Por exemplo, no primeiro capítulo apenas teremos de viajar no  tempo uns minutos antes e convencer algumas pessoas a aparecerem na praça principal da vila. Com várias pessoas lá, o assassino não vai avante com o seu plano. Nos restantes capítulos isso não será tão simples assim, e por vezes até temos de viajar por vários períodos temporais para completar o caminho. Uma coisa importante a referir é que temos sempre um determinado tempo para agir antes da hora do assassinato, mesmo quando nos encontramos no passado o relógio conta sempre no presente. Se chegarmos à hora fatídica e estivermos presos no passado, é game over.

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Dana, alguém que nos “esquecemos” na idade média durante muito tempo…

De resto o jogo utiliza as mesmas fórmulas tradicionais de jogos de aventura, ou seja, falar com vários NPCs e usar objectos que vamos obtendo para deixar as coisas a nosso favor. A história em si vai ficando cada vez mais misteriosa e também complicada, com vários paradoxos temporais pelo meio. Por vezes há várias maneiras de resolver o mesmo problema, e teremos também algumas decisões a tomar que nos poderão levar a 6 finais diferentes. Quando chegarmos ao final do jogo com todos os finais, poderemos rejogá-lo no EX Mode, onde Eije retém todas as memórias da história principal e podemos chegar ao fim de uma maneira bem diferente.

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A qualquer momento do jogo podemos abrir o mapa da cidade. As portas a verde correspondem aos edifícios que podemos explorar

Graficamente considero este jogo com resultados mistos. Se por um lado acho que a cidade e as personagens não estão lá muito bem detalhados, por outro olho para as suas expressões faciais e parecem-me muito boas, pelo menos para um jogo de 2001. O voice acting é OK, sendo melhor em algumas personagens que outras, mas não é mau de todo. Já a música sinceramente não me ficou na memória, mas também não posso dizer que me tenha incomodado em algum momento do jogo.

Concluindo, acho este Shadow of Memories um jogo interessante, especialmente para os fãs de jogos de aventura. No entanto tem as suas falhas, como a história que por vezes me parece ter sido mal pensada, com alguns momentos bem bizarros e que não fazem sentido algum, ou mesmo todo o conceito de viagens no tempo que acho que poderia ser mais aproveitado. Por exemplo, viajar para a idade média poderia (e deveria) ter sido muito melhor aproveitado, tendo em conta os hábitos e costumes da época serem tão diferentes dos actuais.

Syphon Filter (Sony Playstation)

Syphon FilterVoltando à primeira consola da Sony, para uma análise a um jogo muito interessante, que por alguma razão a Sony decidiu assumir que a franchise deixou de existir a partir do momento em que lançaaram a PS3. Syphon Filter é um jogo de acção, com uma ênfase maior em missões “black ops” com a sua dose “quanto baste” de momentos de infiltração e com uma componente de exploração que vai buscar as suas ideias a jogos como Tomb Raider. E este jogo entrou na minha colecção algures durante o verão do ano passado, após ter sido comprado a um particular por um preço que oscilava entre os 4 e os 6€, pois foi comprado em bundle.

Syphon Filter - Sony Playstation
Jogo com caixa e manual

Em Syphon Filter tomamos o papel de Gabe Logan, um agente secreto que tabalha para a “The Agency”. Ora Logan e a sua companheira Lian Xing já há algum tempo que andavam atrás de um certo terrorista (Erich Rhoemer), que acreditavam ter desenvolvido uma poderosíssima arma biológica. Enquanto o procuravam, Rhoemer e o seu grupo desencadearam um ataque terrorista em plena capital norte-americana, colocando-nos assim no seu encalço. A história vai evoluindo para outros locais, em especial na europa de leste, onde nos infiltraremos em várias bases militares do grupo terrorista, onde as suas armas biológicas estavam a ser desenvolvidas. Como em qualquer filme de espionagem, esperem também pelas habituais reviravoltas.

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O sistema de lock-on dá muito jeito.

A jogabilidade mistura vários géneros de jogos, como o stealth de Metal Gear, o tiroteio em terceira pessoa de jogos como Duke Nukem Time to Kill e a exploração de cenários tridimensionais, mas muito “quadrados”, tal como nos Tomb Raider clássicos. Temos várias missões a desempenhar, algumas em que o stealth não é assim tão importante, obrigando-nos a ter de decimar uma série de bandidos espalhados pelos níveis, já noutros é fundamental, onde teremos de dar uso às nossas armas com silenciadores ou a fiel sniper rifle, que aqui é utilizada no modo de primeira pessoa. Outras missões incluem também cenas em que temos de escoltar alguém importante ou seguir um determinado cientista sem sermos apanhados, o que poderá exigir algumas retries. Logan é também um agente muito versátil, sendo capaz de várias acrobacias como rebolar no chão para fugir a fogo inimigo, andar agachado de forma a passar despercebido e tem também algum atleticismo para dar uns saltos valentes e escalar algumas superfícies, tal como Lara Croft. O combate é bem executado e Logan possui um vasto arsenal à sua disposição, com cada vez mais armamento à medida que vamos progredindo no jogo. Vários tipos de revólveres, armas automáticas, shotguns, tazers, ou explosivos estarão à nossa disposição. Para disparar podemos sempre utilizar o mecanismo de “lock”, não perdendo nunca o inimigo à escolha de vista. Headshots são também possíveis e recomendados para irmos passando o jogo com mais algum à-vontade, visto muitos inimigos também terem vestidos coletes à prova de bala.

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O menu onde podemos ver o mapa, os objectivos actuais e rever o briefing inicial da missão.

Os níveis vão sendo bem variados, atravevessando áreas urbanas, uma enorme igreja e suas catacumbas, áreas mais industriais ou militares, sendo por vezes bem grandinhos ou labirínticos. Felizmente existe um menu onde teremos acesso ao mapa da missão actual, em conjunto com outras informações como os objectivos ou o briefing inicial. Isso  e os cenários serem muito escuros, mas isso já não é algo que me incomode assim tanto. No geral a nivel gráfico Syphon Filter é um jogo competente dentro dos possíveis e das limitações da consola. As personagens e cenários estão bem detalhados e com mais polígonos do que eu estaria à espera. Os níveis em si são muito “quadrados” tal como em Tomb Raider mas lá está, era algo que fazia parte daqueles tempos. O voice acting é minimamente competente, embora a história por detrás deste jogo não me tenha motivado assim tanto, não deixando de qualquer das formas de não ser má de todo. As músicas também confesso que não são memoráveis, mas adaptam-se bem à atmosfera do jogo, sendo mais tensas em missões com um maior nível de infiltração, ou mais mexidas noutras situações em que passemos um maior perigo, por exemplo.

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A maior parte das cutscenes utilizam o motor gráfico do jogo, mas outras usam gráficos CG.

No fim de contas acho este mais um óptimo jogo da biblioteca da Sony, tendo sido o início de uma franchise que trouxe ainda mais 2 jogos para a plataforma, sendo o último deles lançado já com a Playstation 2 na zona. Após mais uns 3 lançamentos divididos entre a Playstation 2 e Portable, a série caiu no esquecimento para a Sony o que acho estranho, pois encaixa que nem uma luva com o conceito de muitos jogos de acção modernos. Talvez veremos algo para  a PS4, que não antes de 2018 eu deverei comprar.

Ecco the Dolphin: Defender of the Future (Sony Playstation 2)

Ecco PS2O jogo que trago hoje é o último da série Ecco the Dolphin. Lançado originalmente para a Dreamcast algures durante o ano de 2000, este Defender of the Future é a primeira e única iteração do golfinho num mundo completamente 3D e com uma história independente à dos clássicos de 16bit. Com a descontinuação da Dreamcast vários jogos dessa plataforma acabaram por receber conversões para outras consolas, tendo sido esse o caso também deste jogo, com esta conversão a chegar à Playstation 2 já durante o ano de 2002. Mas este Defender of the Future só chegou à minha colecção há poucos meses atrás, após ter sido comprado por 2.5€ na CEX no Porto.

Ecco the Dolphin Defender of the Future - Sony Playstation 2
Jogo com caixa e manual

Este jogo é considerado um reboot da franchise, com uma história diferente da que foi contada nos clássicos da Mega Drive e Mega CD. Essencialmente a narrativa começa no século XXX, onde a raça humana e dos golfinhos evoluiram de forma conjunta, pacífica e ambas as inteligências alcançaram feitos inacreditáveis, chegando inclusivamente a conquistar o espaço e abandonar o planeta Terra, deixando alguns golfinhos a “tomarem conta” do mesmo. Até que uma raça alienígena conhecida apenas como “The Foe” decide invadir a Terra, mas os golfinhos tinham construído um poderoso guardião com base numa tecnologia de cristais que protegia todo o planeta gerando um poderoso escudo. No entanto os alienígenas continuaram a atacar esse mesmo escudo até que uma altura conseguiram finalmente irromper o escudo, destruindo inclusivamente o tal guardião. É aí que a nossa aventura começa e eu não queria mesmo desvendar mais da história para guardar a surpresa, mas contem mais uma vez com viagens no tempo, incluindo a realidades alternativas onde a supremacia humana reinou e o planeta ficou bastante poluído e inóspito, bem como precisamente o contrário, onde os golfinhos se impuseram perante os humanos, construindo eles mesmos uma sociedade em forma de ditadura militar, mesmo contra outros golfinhos, entre vários outros temas.

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Mais uma vez teremos lindíssimos oceanos para descobrir

A jogabilidade herda muitas das mecânicas dos primeiros jogos, mas agora transitadas para o movimento em 3D. Teremos mais uma vez de ter em conta ao ar disponível para além da nossa barra de vida, usar o sonar para imensas coisas diferentes, desde comunicar com outros golfinhos ou cetáceos ou os tais cristais mágicos, eco-localização para gerar um mapa do nível em questão, manipular outros animais marinhos ou plantas e, se apanharmos o power up respectivo, poderemos usar o sonar também como arma de ataque em longa distância. Os saltos acrobáticos ou os poderes de metamorfose estão igualmente de regresso. Para além do sonar de ataque que é obtido temporariamente através de um power up, existem outros power-ups temporários que nos dão mais vida, mais ar, mais velocidade ou mesmo invisibilidade para acções mais furtivas. Outros cristais escondidos ao longo de todos os níveis permitem-nos aumentar definitivamente a nossa barra de vida, são os chamados Vitalit. De resto, e tal como os jogos clássicos da era 16bit, aqui também temos imensa exploração para fazer em níveis enormes e por vezes não é nada fácil saber o que temos de fazer e onde o fazer, tendo em conta o tamanho da área em questão. Felizmente ao pressionar L3 vemos o Ecco a inclinar-se de forma a nos indicar onde está localizado o próximo objectivo, mas mesmo assim não será tarefa fácil, até porque em vários níveis o grau de dificuldade não é propriamente baixo, seja pelo pouco ar disponível ou vários inimigos ou fontes de dano espalhadas. Ah, e também teremos vários bosses para derrotar ou puzzles para resolver, como não poderia deixar de ser.

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Mas as águas podem reservar também muitas hostilidades

Mas se há campo em que este jogo brilha, isso é novamente no quesito audiovisual. Graficamente é um jogo excelente, mesmo a própria versão da Dreamcast, apresentando-nos cenários bastante variados. Tanto nadamos por entre recifes bastante coloridos, como estruturas antigas, outras industriais (no caso do Man’s Nightmare), ou o futuro distópico onde os golfinhos dominavam o planeta, com os oceanos repletos de cidades e “tecnologia” muito característica que não se limitavam aos oceanos. Tal como em Tides of Time, vamos ter mais uma vez uma série de níveis onde teremos circuitos de “tubos” formados inteiramente por água, suspensos no ar. Teremos aqui de saltar de circuito em circuito com bastante frequência, o que se pode tornar algo frustrante pois a câmara e a água transparente não ajudam a discernir onde acaba a água e começa o abismo. Mas tudo o resto é muito bom e serão bastantes os momentos “wow” que vamos encontrar e nos damos a pensar como é que alguém poderia alguma vez ter imaginado coisas assim.

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Por vezes não conseguimos deixar de pensar em como conseguiram ter imaginação para tal coisa

Mas as músicas não se ficam nada atrás, pois mais uma vez a banda sonora é excelente. Tal como o aspecto visual de cada cenário, as músicas também se adequam perfeitamente aos sentimentos que nos é suposto fazer despertar quando atravessamos essas fases do jogo. Tanto teremos músicas alegres, épicas e orquestrais, outras bastante calmas, atmosféricas, mas ainda pacíficas, outras mais tensas, mas igualmente calmas, outras mais agitadas, enfim, há para todos os gostos e é de louvar o óptimo trabalho de composição de Tim Follin. Os efeitos sonoros também são bons, não tenho nada a apontar nesse campo.

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Os fãs do primeiro jogo da série deverão reconhecer isto

De resto, para além desta grandiosa aventura que apesar de ser por vezes frustrante, não posso deixar de recomendar, existem também vários extras que podemos desbloquear. Existem 2 níveis secretos que são jogados numa perspectiva 2D, indo buscar muitas influências aos primeiros dois jogos da Mega Drive, pelo menos um desses níveis pareceu-me mesmo uma reimaginação de um dos primeiros níveis do primeiro Ecco. Outros bónus consistem numa galeria onde podemos desbloquear várias imagens e artwork relacionado com o jogo, rever cutscenes e ouvir a banda sonora. Um outro extra de mencionar é um estranho mini-jogo de Dolphin Soccer onde como Ecco jogamos contra um golfinho do The Clan uma estranha variação do “desporto rei”. No fim de contas, este é um jogo que recomendo fortemente, mais uma vez pela sua originalidade, imaginação e apresentação audiovisual fora de série.