Resistance 2 (Sony Playstation 3)

Resistance 2Após a minha PS3 ter estado literalmente na gaveta este tempo todo (ter um backlog gigantesco tem destas coisas), finalmente voltei a pegar nela para jogar este Resistance 2 que já estava em fila de espera para ser jogado há muito tempo. O primeiro Resistance foi um dos jogos de lançamento da Playstation 3. Produzido pela Insomniac (os mesmos que nos trouxeram Ratchet & Clank), Resistance serviu para ser o first person shooter exclusivo de lançamento da consola, enquanto que no Killzone 2 a Guerilla ainda estava a coçar a cabeça a ver como iriam deixar o jogo tão bonito como no trailer de apresentação da E3. Sinceramente não me recordo onde comprei este jogo nem quanto me custou, só sei que foi há cerca de um ano atrás. Mas certamente não terá sido mais que 10€.

Resistance 2 - Sony Playstation
Jogo completo com caixa, manual e papelada

O primeiro Resistance falava dos Chimera, uma raça alienígena que de alguma forma lançou um vírus pelo planeta que infectava os humanos, transformando-os em criaturas hediondas chamadas de Hybrids. A pandemia começou pelos lados da união soviética (sim, porque o jogo decorre numa década de 50 bastante distópica e futurista) e foi sendo deflagrada pelo resto da Europa. Os Estados Unidos, aliados aos Britânicos têm lançado bastantes ofensivas aos Chimera, e neste Resistance 2 tal não é diferente, embora desta vez a “praga” já tenha chegado ao continente americano. Mais uma vez a nossa personagem é o Nathan Hale, um soldado norte-americano que tinha sido infectado pelos Chimera no primeiro jogo, mas ao contrário de todos os outros, em vez de se transformar num hybrid, ganhou poderes sobre-humanos e é capaz de regenerar a sua vida (boa desculpa da Insomniac para manter esta característica!!!). Hale liderará um esquadrão de Sentinels, outros humanos infectados com o vírus mas que possuem os mesmos “poderes”, na sua luta contra os Chimera principalmente em solo americano, bem como contra Daedalus, o vilão deste jogo.

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As estruturas Chimera continuam imponentes.

Ora o modo campanha é bastante linear, como seria de esperar na maioria dos FPS modernos. Tem alguns momentos bons, mas também tem os seus momentos mais frustrantes e aborrecidos, como defrontar várias waves de Chimeras como no Left for Dead. Existem também alguns inimigos novos bem como armas. Nos primeiros o destaque vai para os “predators“, invisíveis e especialmente chatos numa das últimas missões que nunca adivinhava muito bem de onde eles vinham. 1 hit destes gajos e morremos. Das armas temos agora uma mini-gun, mais uma outra arma de longo alcance. As armas Chimera, como as Augers e a sua capacidade de disparar através de paredes, ou as Bullseye com o seu sistema de “tagging” marcam o seu regresso assim como muitas outras. Mas ao contrário do primeiro jogo, apenas podemos carregar com 2 armas principais, mais um número reduzido de granadas. Mais uma vez os modernismos a lixarem o esquema todo…

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O facto da Auger ter um escudo como modo secundário é um pouco redundante a meu ver, visto ser possível disparar através de paredes.

Para além do modo campanha, que por sua vez decorre ao longo de 7 capítulos mais uma introdução, Resistance 2 tem também duas vertentes multiplayer, uma em modo cooperativo e outro competitivo. Infelizmente a Sony decidiu fechar todos os servidores dos Resistance, desde o primeiro ao último, em Março deste ano. Como tal, não os cheguei a experimentar, mas confesso que provavelmente iria perder muito pouco tempo também. Infelizmente, para minha desgraça, a vertente cooperativa não é o modo campanha, mas sim uma série de missões inteiramente novas. Isso sim, tenho alguma pena de não as ter experimentado. Penso que dê para as jogar offline com um amigo, mas não tenho a certeza. No multiplayer competitivo, esperem pelas opções do costume como variantes de deathmatch, capture the flag e ainda o modo skirmish que possibilitava ter partidas de até 60 jogadores, um número algo inédito em jogos online em consolas. Também existia um sistema de ranking que nos oferecia novas skins e habilidades, mas tudo se perdeu com o encerramento dos servidores.

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Algo que gostei: bosses! Fazem falta em muitos FPS.

Graficamente parece-me ser um jogo bastante competente. Os cenários vão sendo variados, apresentando tando áreas urbanas como rurais, outros mais industriais e coisas mais high-tech dos Chimera. Gostei bastante da maneira em como eles conseguiram conciliar a arquitectura e ambientes dos anos 50 com as coisas high-tech dos Chimera, com as suas naves gigantescas, torres e outros centros de “produção” dos seus guerreiros. A narrativa por outro lado não é nada de outro mundo, esperem pelos clichés do costume que se costumam ver em shooters militares ou outros jogos sobre “pandemias”, zombies e afins. Sim, certas coisas sobre pessoas ficarem infectadas e tal. Mas isso descubram vocês.

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Ao longo de quase todo o jogo teremos outros companheiros a lutar connosco. Às vezes até dão jeito.

No fim de contas achei este Resistance 2 um FPS bem competente, mas não espectacular ou que tenta reinventar a roda. Para quem é fã do género, é daqueles jogos para se comprarem baratinho, jogar uma ou outra vez o modo de campanha (para quem quiser descobrir todas as intels escondidas, por exemplo), e depois colocar na prateleira. Consigo perceber o porquê de a Sony ter dado preferência a Killzone em detrimento aos Resistance, mas não acho que sejam maus jogos e até estou curioso em saber como termina a trilogia, pelo que amanhã a PS3 vai receber mais algum mimo.

Tomb Raider Chronicles (Sony Playstation)

Tomb Raider ChroniclesA série Tomb Raider foi uma espécie de Assassins Creed na era das consolas de 32bit, isto é, a cada ano lançavam um novo jogo! E apesar de todos eles serem sucessos comerciais, o facto de desde o primeiro jogo até este Chronicles terem utilizado sempre o mesmo motor gráfico, nunca conseguiram evoluir muito na fórmula, pelo que apesar de as vendas deste Chronicles terem sido boas, já eram muito inferiores às dos anteriores. Como tal, a Eidos e a Core decidiram recomeçar do zero com o Angel of Darkness a sair anos mais tarde na Playstation 2, mas antes disso, decidiram fazer uma despedida desta era com este Chronicles. Este exemplar foi-me oferecido pelo Miguel Coelho do podcast The Games Tome e colega colaborador na PUSHSTART, a quem agradeço imenso!

Tomb Raider Chronicles - Sony Playstation
Jogo completo com caixa, manuais e papelada

E começando por um spoiler do jogo anterior, que no final de contas, a menos que ainda vivam numa caverna e por acaso do destino estão a ler esta review porque alguém a imprimiu e depois a deitou fora, acaba por nem ser spoiler nenhum. No final do Tomb Raider the Last Revelation, é dado a entender que Lara Croft morreu. Então neste jogo, Winston, o velho e leal mordomo da mansão Croft, convida uns 2 amigos de Lara e juntam-se numa sala, confraternizando e recordando algumas das aventuras de Lara Croft que nunca haviam sido contadas… até agora. Neste jogo iremos percorrer os subúrbios de Roma e das ruínas do seu coliseu na procura da Pedra Filosofal, visitar uma base militar russa na esperança de recuperar a Spear of Destiny de um submarino naufragado no fundo do oceano, retornar aos tempos da sua juventude, onde Lara deu uma escapadinha a uma ilha irlandesa após ouvir rumores de eventos paranormais que por lá se passavam, culminando numa aventura onde Lara se infiltrou num largo complexo empresarial/industrial para roubar o artefacto de Íris nada mais nada menos ao próprio Von Croy, acabando assim por ser uma espécie de introdução aos acontecimentos que decorreram antes do jogo anterior.

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Balançar-se numa corda… uma das novas habilidades de Lara.

A nível de jogabilidade pouca coisa mudou. A acrescentar ao já elevado número de “manobras” e saltos que Lara é capaz de fazer, temos a possibilidade de dar uma cambalhota ao sair de um túnel em que estivemos a rastejar, ou equilibrarmo-nos numa corda como fazem os trapezistas num circo. De resto, se jogaram qualquer um dos Tomb Raiders anteriores, a mesma fórmula mantém-se e certamente que se familiarizarão rapidamente com as mecânicas do jogo. Continuamos com muita exploração a fazer, saltos medonhos para dar, escalar escarpas perigosas, procurar chaves, arrastar blocos cúbicos, andar aos tiros contra humanos ou criaturas mitológicas, you name it. E embora existam só 4 diferentes localidades para explorar desta vez, os níveis em si são gigantescos, pelo que sim, vai-nos dar trabalho a conhecê-los de uma ponta à outra. Felizmente que podemos fazer save a qualquer momento. No entanto a Core ainda tentou trazer algo de novo, como missões em que estamos completamente indefesos e teremos de ter uma abordagem mais cuidada, ou outras secções em que ser-se furtivo é a palavra chave.

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…e inspecionar prateleiras e gavetas também!

Graficamente nota-se uma boa evolução desde o primeiro jogo, apesar de partilharem a mesma engine. Tanto Lara como os seus adversários têm muito mais detalhe e o mesmo pode ser dito dos cenários e efeitos como os da água. Infelizmente a câmara continua com alguns problemas e todos os cenários continuam a ser muito “quadrados”… heranças que ficaram desde o primeiro jogo. A música continua a surgir apenas em alguns momentos chave no jogo. Na maior parte do tempo somos deixados a explorar os cenários completamente sossegados no ruído ambiente, com pequenas melodias a surgirem quando descobrimos algo majestoso ou por outro lado, quando algo mau acontece, como emboscadas ou tiroteios, uma música mais tensa acompanha-nos. O voice acting também me parece ser o melhor da série até esse momento. Os diálogos são bem mais frequentes nas cutscenes e os mesmos acabaram por ser bem mais trabalhados e melhor interpretados pelos seus intervenientes.

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A melhoria a nível de polígonos e texturas do primeiro jogo até este é bem notável

Para concluir, este Tomb Raider Chronicles até é um bom jogo. Mas comer arroz com feijão 5 vezes seguidas acaba por ser cansativo, mesmo que se vá variando um pouco os seus condimentos. A Eidos e a Core estiveram bem em decidir dar um novo rumo à série com a chegada da PS2, pois aquelas mecânicas de jogo já estavam a ficar gastas. Agora se o Angel of Darkness foi a melhor maneira de reintroduzirem a Lara Croft ao mundo… bom… “não percam o próximo episódio, porque nós também não”!

Echo Night Beyond (Sony Playstation 2)

Echo Night BeyondEsta foi a melhor “compra cega” que alguma vez fiz, pelo menos no que toca à Playstation 2. Algures durante o verão deste ano, numa das minhas idas à cash converters do Porto lá descobri este Echo Night Beyond a 3.5€. Olhei para a capa do jogo, pareceu-me interessante, virei a capa e olhei para a parte detrás, vejo a sinopse do costume e lá num cantinha estava o nome FROM SOFTWARE. Ora essa empresa para mim já tinha o meu completo respeito, mesmo antes desta “moda” à volta do Dark Souls ter surgido. Fizeram os competentes trading card RPGs Lost Kingdoms para a Gamecube, os óptimos Otogis para a Xbox e são também a empresa responsável pela impressionante série de dungeon crawlers Kings Field, que atravessou un 4 ou 5 jogos desde o seu lançamento inicial na PS1. Então acabei por trazer este jogo para casa e não me arrependi nada, pois a partir do momento em que o comecei a jogar, percebi que tinha em mãos uma das melhores hidden gems da consola.

Echo Night Beyond - Sony Playstation 2
Jogo com caixa e manual

O jogador encarna no papel de Richard Osmond que, em conjunto com a sua noiva, estavam a viajar pelo espaço num vaivém espacial. Infelizmente, por alguma razão misteriosa o vaivém colide com uma base lunar, provocando um grande número de vítimas. Richard acorda sozinho no shuttle, sem sinais da sua namorada. Ao explorar a estação lunar (que pelos vistos servia também de extracção mineira), não descobrimos nenhuns sobreviventes a não ser um misterioso andróide que pelos vistos até nos conhece. Tudo o que resta da base está deserto e abandonado e para piorar as coisas está repleta de fantasmas das pessoas que por lá morreram. Nessa nossa procura pela nossa noiva teremos de explorar toda a base e com isso vamos também descobrir alguns dos seus mistérios e o porquê de tanta vítima.

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A cutscene inicial é bem bonita

Echo Night Beyond tem umas mecânicas de jogo interessantes. O mesmo é todo passado na primeira pessoa, onde vemos o mundo pelo capacete do nosso fato espacial. Os fantasmas que vamos encontrando podem ser inofensivos ou bastante agressivos. Como os distinguir? Bom, tudo começa devido a um misterioso nevoeiro vir das entranhas da lua que traz uma aura maléfica qualquer e invadiu várias das salas da base lunar. Se tiverem de atravesar alguma sala ou corredor toda enevoada, façam-no com cuidado pois se surgir algum fantasma o único remédio é correr. Felizmente que em várias salas existem alguns controladores de ventilação que, após activados limpam as suas respectivas salas e corredores de qualquer nevoeiro. Após o fazermos, poderemos falar à vontade com os fantasmas, que estão presos na base lunar pois deixaram algo por fazer e cabe-nos a nós os libertar, ao procurar por objectos que eles precisem ou outras tarefas. E sim, ajudar os fantasmas é necessário pois muitas vezes após os libertarmos eles deixam cair alguns items essenciais para progredir no jogo, como chaves, cartões de segurança ou outros IDs que nos deixam ligar sistemas de ventilação.

Echo Night Beyond (3)
O jogo é bastante escuro, o que resulta muito bem para uma atmosfera tensa

Mas enquanto os fantasmas são agressivos, não há nada que possamos fazer para nos  defender a não ser correr e tentar ligar a ventilação o mais rápido possível, ou então escapar para uma zona segura. Uma das coisas que vemos sempre no ecrã é o nosso batimento cardíaco e quando somos perseguidos por um espírito maligno vemos o batimento cardíaco a aumentar constantemente. Se o deixarmos chegar a 300, puff… game over. Os “medkits” existem na forma de seringas que nos estabilizam o batimento cardíaco, mas as mesmas são escassas e o melhor a fazer é mesmo fugir para uma zona segura, onde o ritmo cardíaco voltará lentamente à normalidade. Felizmente existem as “monitor rooms“. Aqui, para além de podermos gravar o nosso progresso no jogo, podemos também controlar as câmaras de segurança daquela zona, algo crucial para descobrirmos onde estão os fantasmas ou localizações chave que temos de explorar.

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Fantasmas há muitos… curiosamente cadáveres é que não. Este é um androide, ou o que sobra.

Mas se há algo mau neste jogo, são sem dúvida os seus controlos. A From Software, talvez por ser um estúdio nipónico, nunca deve ter prestado atenção aos outros FPS que entretanto sairam para a PS2. Isto porque os controlos são maus e isso já acontece pelo menos desde o primeiro King’s Field. Apenas utilizamos um dos analógicos (ou o d-pad) para o movimento, carregando para cima ou para baixo faz-nos andar para a frente ou para trás, mas carregando para a esquerda ou direita faz-nos virar para essa direcção. O strafing e apontar para cima e para baixo é dado pelos botões de cabeceira, quando seria bem melhor usar um analógico para controlar a “câmara” e o outro o movimento. Mas isto não é o pior, pois é algo que nos vamos habituando. O pior é mesmo as secções em plena superfície lunar, com gravidade reduzida. Aí, o botão que antes servia para correr agora serve para saltar. Os passos que damos são extremamente lentos pelo que o instinto natural é saltar. E aí nos saltos já são mais rápidos mas infelizmente não os conseguimos controlar. A partir do momento em que saltamos temos logo o nosso destino traçado e não há nada a fazer. O que por mim até nem me incomodaria muito se não fosse a superfície lunar ter uns quantos desfiladeiros e se cairmos no buraco é game over e voltamos ao ponto onde fizemos save pela última vez. Existe um segmento em específico em que temos de saltar em 2 plataformas em movimento perpendicular enquanto atravessamos um penhasco. Esse sim, um autêntico momento de terror pois vamos morrer vezes sem conta.

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Os fantasmas inofensivos dão-nos algumas dicas do motivo pelo qual ainda estão aqui presos

De resto devo dizer que este é o melhor jogo de terror para maiores de sete anos que eu alguma vez já joguei. A atmosfera é sempre tensa e solitária, com os sustinhos do costume com objectos a cair subitamente ou fantasmas a aparecerem do nada. A nave é na sua maioria bem escurinha, pelo que utilizar a lanterna é uma necessidade, mas não um luxo, pois as baterias vão-se gastando. Graficamente é um jogo competente, toda a HUD do capacete espacial está bem pensada, bem como a estação espacial que é bem grandinha. Só não digo que o jogo tem os melhores gráficos de sempre pois existem melhores na consola. As músicas quando existem são mais atmosféricas, excepto a adaptação da Moonlight Sonata de Beethoven que cai que nem ginjas.

Tirando os seus problemas dos controlos, em especial o movimento e saltos em solo lunar que me causaram tantas dores de cabeça, este videojogo é sem dúvida uma das hidden gems da consola. A série Echo Night não é propriamente recente, os seus primeiros dois jogos tinham sido lançados para a Playstation 1 e apesar de serem igualmente na primeira pessoa, a sua temática era diferente. O primeiro Echo Night ainda chegou a solo americano, já o segundo apenas se ficou pelos japoneses. Estarei certamente atento à possibilidade de os importar se me surgir alguma vantajosa. De qualquer das formas este Beyond recomendo vivamente a sua compra. Parece que não é um jogo lá muito comum, mas pode ser que tenham sorte nas cashs e feiras que já vi pelo menos uns três.

Medievil Resurrection (Sony Playstation Portable)

Medievil ResurrectionGosto muito da PSP. Não propriamente pelo seu catálogo de jogos que foram desenvolvidos de raíz para essa consola (embora tenha excelentes títulos) mas principalmente pelo facto de nos ter dado algumas conversões de RPGs clássicos da Playstation 1 como o Valkyrie Profile Lenneth, Persona 1, Innocent Sin entre outros que se os fossemos a comprar no ebay para a sua consola original, gastaríamos um balúrdio. Mas nem todos os jogos repescados da PS1 e outros sistemas foram RPGs e este jogo que trago cá hoje é um desses exemplos. Medievil Resurrection, mais do que uma simples conversão, é um remake completo do clássico de aventura da PS1, com muito conteúdo completamente novo, e outros níveis quase irreconhecíveis. Foi comprado na Feira da Ladra, quando já não consigo precisar, mas sei que me custou uns 5€, pois é o preço standard dos jogos de PSP desse vendedor.

Medievil Resurrection - Sony Playstation Portable
Jogo completo com caixa e manual

O jogo decorre no outrora pacífico reino de Gallowmere, algures durante a idade média. Reza a lenda que esse reino havia sido invadido pelo feiticeiro Zarok e o seu exército de seres demoníacos, mas Sir Daniel Fortesque valentemente o derrotou e é reconhecido como um herói do reino. Na verdade Dan para além de ser algo cobarde, foi logo o primeiro a morrer no campo de batalha, tendo levado com uma flecha num olho. 100 anos depois, Zarok regressa e lança um feitiço por todo o reino de Gallowmere, onde roubou as almas dos seus habitantes e mais uma vez invadiu o território com zombies e outros seres não muito amigáveis. Ao trazer os zombies de volta à vida, Dan também ressuscitou, e acaba por ter ele o papel de derrotar Zarok, fazendo assim justiça à sua lenda. A acompanhar-nos durante as aventuras temos um génio chamado Al-Zalam a viver dentro da caveira de Dan, mais uma vítima de Zarok. Al-Zalam vai-nos aconselhando várias vezes sobre o que devemos fazer ao longo do jogo.

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Os níveis têm todos um aspecto muito spooky, mas também bem agradável

Eu confesso que nunca prestei grande atenção ao original da PS1, mas a jogabilidade em si parece-me idêntica. O jogo para além de misturar conceitos de hack and slash no seu combate, tem também uma vertente muito acentuada de exploração, na medida que temos de procurar vários objectos como chaves ou runas para progredir nos níveis, ou mesmo resolver pequenos puzzles que tanto podem ser coisas simples de mexer numas alavancas, como guiar umas galinhas para comer uns fardos de palha, por exemplo. Relativamente ao combate em si, nós vamos adquirindo várias armas diferentes ao longo do jogo, sejam elas melee ou de longo alcance, como facas para atirar, ou vários tipos de bestas e arcos. Os inimigos acabam por ser mais susceptíveis a alguns tipos de armas do que outros, por exemplo contra esqueletos é preferível usar armas mais maciças, como um martelo gigante, do que propriamente espadas. Mas infelizmente o conjunto de movimentação mais combate e controlo de câmara deixam um pouco a desejar, tenho pena que a versão PS2 deste jogo nunca se tenha chegado a concretizar, pois o dual shock iria resolver muitos destes problemas, estou certo.

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O dinheiro que vamos encontrando pode ser gasto a comprar munições ou outros items

A versão PSP trouxe também uma série de mini jogos, onde eles até podem ser jogados numa de multiplayer, tanto pelo modo de infraestrutura usando os servidores da PSN, como no modo ad-hoc, ao criar uma pequena rede com os nossos amigos. Temos vários mini-jogos diferentes, como disparar flechas em alvos, derrotar uma série de inimigos dentro de um tempo limite, um clone do “whac-a-mole” ou mesmo coisas como pastorear rebanhos ou grupos de galinhas. Sinceramente não cheguei a experimentar a vertente multiplayer, pelo que não sei se todos estes mini-jogos estariam disponíveis em multiplayer, até porque acho que alguns ficariam bem estranhos.

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Cada nível está cheio de segredos, portanto podemos rejogá-los as vezes que quisermos

Graficamente é um jogo bonitinho dentro dos possíveis. Enquanto os níveis em si não são do mais bonito que vimos na PSP, cumprem bem o seu papel, mas quando o jogo nos apresenta algumas cutscenes, então aí já vemos as coisas com muito mais detalhe. De qualquer das formas este Medievil tem um look que me parece directamente retirado de um Nightmare Before Christmas, com imensas localidades mais sinistras, mas sempre com um toada cartoonesca. O voice acting para mim está excelente. O jogo foi desenvolvido por um estúdio britânico da Sony e isso nota-se. Se forem fãs de britcom como eu, então esperem por imensas cutscenes repletas de um bom sentido de humor, que está também presente nas mensagens que vamos encontrando ao longo dos níveis ou mesmo as bocas que Al-Zalam nos vai mandando. Aliás, o narrador que vai contando a história entre cada nível (bem como a personagem Death) é nada mais nada menos que Tom Baker, um conhecido actor britânico que, se forem tão fãs de Little Britain como eu, vão imediatamente reconhecer a sua voz. As músicas na minha opinião são também excelentes, tendo todas elas sido gravadas com uma orquestra. Alguns temas dos jogos anteriores foram reaproveitados, outros são inteiramente novos, mas todos eles são óptimos, poderiam até passar por uma banda sonora de algum filme de cinema como o Nightmare Before Christmas, mais uma vez.

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Até nos tutoriais este é um jogo bem humorado.

Resumindo, no audiovisual e no storytelling em si, este Medievil é um jogo excelente que me enche por completo as medidas. Infelizmente na jogabilidade existem algumas arestas a limar, mas o facto de a PSP não ter 2 analógicos também limita um pouco as coisas. De qualquer das formas, adoraria que o jogo tivesse tido sucesso suficiente para se justificar um remake do Medievil 2, ou mesmo algo inteiramente novo. Sir Daniel é uma personagem bastante carismática que não deve ser esquecida do mundo dos videojogos. E Tom Baker não pode morrer nunca, pois quero ouvir mais coisas dele como “Scarecrow Fields- Prepare to be scared. If you’re a crow”.

Worms (Sony Playstation)

Worms PS1Mais uma rapidinha que o tempo não dá para mais, desta vez para a conversão de um clássico para a consola de 32bit da Sony. Worms é um jogo com um multiplayer excelente e que colocou definitivamente a Team17 no mapa, após alguns videojogos de sucesso para os sistemas Amiga. E este jogo foi-me oferecido por um conterrâneo meu, em conjunto com várias outras “rodelas” que já foram por aqui muito brevemente analisadas anteriormente. O manual surgiu depois, ainda durante este ano, cortesia de uma outra pessoa.

Worms - Sony Playstation
Jogo com manual. São de versões diferentes mas who cares?

Na sua essência Worms é um jogo pensado de origem para o multiplayer, com capacidade de ser jogado com até mais 3 amigos se o desejarmos. É uma simulação de combate por turnos entre minhocas de diferentes equipas e se o conceito de meter minhocas a combaterem entre si por si só já não seria algo bizarro o suficiente, então o que dizer de algumas das armas especiais que podemos utilizar? Como a “banana bomb” capaz de dizimar grupos inteiros, ou ovelhas que são na verdade autênticas bombas relógio em movimento. O combate é feito por turnos, com cada minhoca a ter o seu. Cada turno tem um certo tempo onde nos podemos movimentar à vontade e usar uma arma. Caso o tempo expire, passa para a próxima minhoca da equipa adversária e por aí fora. O objectivo como devem calcular, é eliminar todas as minhocas adversárias e para além do resto todas arenas são geradas aleatóriamente, pelo que cada partida acaba por ser algo diferente. E destruir os cenários também faz parte!

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Estes supplies por vezes fazem parecer que o Natal chega mais cedo

De resto possuimos apenas 2 modos de jogo, o “League” que na verdade é uma espécie de campeonato e um “friendly” que como o próprio nome indica, trata-se apenas de um único combate “amigável”. Infelizmente a nível gráfico é ainda um jogo muito cru (não é à toa que para além da Commodore Amiga e consolas 32bit este jogo também tenha saído na Mega Drive e SNES), tudo ainda é bastante pixelizado e as minhocas minúsculas e sem grande personalidade. Tudo isto melhorou bastante logo com o Worm 2 que lhes deram um look bem mais cartoon que acaba por se enquadrar perfeitamente com todo o sentido de humor presente na série. As músicas são boas e bem viciantes, e as minhocas possuem uma voz finíssima, onde vamos ouvindo coisas como “Just you wait!” sempre que elas se atacam umas às outras. Entretanto também vamos vendo algumas cutscenes em CG entre cada combate, todas elas com algum sentido de humor (se bem que parvinho), mas pelos padrões de 1995, ainda têm uma má qualidade.

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Entre cada combate vamos vendo algumas CGs bastante parvinhas mas que mostram que este não é propriamente um jogo para se levar a sério.

Worms é um jogo que possui muito boas ideias e mesmo este primeiro acaba por ser bem divertido. No entanto, tendo em conta que a Team 17 practicamente só tem desenvolvido Worms desde este jogo, os que lhe seguiram acabam por ser bem mais polidos, com mais features e modos de jogo, pelo que mesmo na própria Playstation 1 acabamos por encontrar melhor.