Wipeout Fusion (Sony Playstation 2)

Wipeout FusionO desaparecimento algo recente da Psygnosis deixou muita tristeza, pois eram um dos meus estúdios europeus de eleição. E se por um lado o catálogo da Psygnosis ter sido bem mais abrangente antes da sua compra por parte da Sony, também não me posso queixar eles terem-se focado practicamente exclusivamente à série Wipeout depois dessa compra estar bem consolidada, pois são excelentes jogos e este Fusion não é uma excepção. O Wipeout Fusion foi um jogo que já mandei vir do ebay há uns aninhos, não me recordo ao certo quanto custou, sei que foi bem barato e está completo e em bom estado.

Wipeout Fusion - Sony Playstation 2
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Tal como muitos outros jogos da série, existe uma história qualquer a correr em background neste jogo, colocando as várias equipas e pilotos em acesas rivalidades. Podemos ter uma ideia desses conflitos ao ler o manual, mas sejamos honestos, ninguém joga Wipeout pela sua história. Tudo o que precisamos de saber é que iremos correr em corridas futuristas a alta velocidade, com naves antigravidade e por circuitos repletos de obstáculos, curvas apertadas, loopings, saltos e por aí fora. Inicialmente podemos temos apenas à nossa disposição poucos pilotos, naves, circuitos e modos de jogo para experimentar. Tudo o resto vai ter de ser desbloqueado à moda antiga, a dar durinho em todos os modos de jogo para ir desbloqueando o restante conteúdo. Mas vou já dar uma ideia do que nos espera neste Fusion.

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Infelizmente os menus não seguem o mesmo design genial do jogo anterior

O modo arcade deveria dispensar quaisquer apresentações nesta altura do campeonato. Aqui basta escolher a equipa, piloto, nave, circuito e a nossa preocupação seguinte é só chegar em primeiro lugar e ganhar a respectiva medalha de ouro. O AG League é o modo de jogo principal e o que nos irá tirar mais horas de sono. Aqui competimos em várias “ligas” de número de circuito variável. A ideia é tentar chegar sempre nas primeiras opções e ir ganhando dinheiro para o gastar em upgrades na nossa nave. Ocasionalmente seremos desafiados para uma corrida de desafio por um determinado piloto de outra equipa e se o vencermos, teremos acesso a essa equipa e às suas naves, geralmente mais poderosas. O Challenge Mode consiste também numa série de desafios diferentes a cumprir para cada equipa. Esses desafios podem ser corridas um a um, de eliminação, time trials, entre outros. Ser bem sucedido nestes desafios acaba por nos ir desbloqueando algumas armas bastante poderosas, mas exclusivas à equipa em questão.

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Há também uma maior variedade de naves a escolher e armas paa usar

O Zone Mode é uma das novidades deste Wipeout Fusion e consiste numa espécie de survival como nos jogos de luta 2D. Somos deixados a conduzir num determinado circuito, mas com os escudos em baixo. A ideia é sobreviver o máximo de tempo possível sem sofrer muito dano. Temos ainda o Time Trial que dispensa quaisquer apresentações, consistindo em tentar obter o melhor tempo possível nos circuitos à escolha. Por fim temos ainda o Multiplayer, que nos dá versões para 2 jogadores dos modos Arcade, AG League e Custom League, onde podemos escolher quais os circuitos que lhe fazem parte. Como podem ver, variedade e conteúdo para desbloquear é coisa que não falta. A fórmula Wipeout parece-me igual a si mesma, com as suas corridas frenéticas e nós a ter de ter uma atenção redrobada com os air brakes para as curvas apertadas e tirar o melhor partido das armas que nos vão saindo na rifa. Infelizmente a inteligência artificial dos oponentes é desta vez muito mais impiedosa e irá usar sem qualquer remorso armas bastante poderosas que nos fazem parar durante alguns longos segundos, o que irá causar muita frustração. Mas é uma questão de preserverança! Uma das coisas que sinceramente não me recordo se já existia no Wip3out era o facto de podermos inverter a câmara para mostrar quem nos vem a perseguir. Claro que temos de usar isto por meras fracções de segundo, pois o risco de embater em alguma parede ou mesmo sair fora da pista é sempre considerável.

Wipeout Fusion (3)
Graficamente é um jogo bonitinho para a época.

Graficamente é um jogo bem bonitinho, tendo em conta o ano de 2002 e ser para uma Playstation 2. Os circuitos vão ser bastante variados entre si, apresentando as já habituais pistas urbanas, industriais, ou em zonas mais naturais como áreas mais desertas e repletas de areia, outras aquáticas, ou mesmo zonas de construção com os circutos inacabados. Outra coisa que gostei foram os efeitos de partículas, como as areias a serem sopradas pelos motores, ou a chuva que pode cair de vez em quando. Ainda assim, por vezes o jogo é rápido demais para conseguir apreciar isto e estar com atenção ao que estamos a fazer, mas faz parte do género. No que diz respeito à banda sonora, a mesma é o que estamos habituados. Para quem gostar de música techno, isto é um prato cheio! E mesmo para quem não é o maior apreciador do género, como é o meu caso, acabaram por me agradar bastante e sem dúvida assentam perfeitamente no estilo.

No fim de contas, este Wipeout Fusion é mais um óptimo jogo de corridas futuristas. Acho que a única razão de queixa mais forte que tenho é devido ao facto da inteligência artificial ser muito mais implacável e usar todas essas armas poderosas contra nós sem nenhuma piedade. Fora isso, é mais um excelente jogo para quem gosta do género. Tenho pena que não tenha tido o mesmo reconhecimento que os 3 primeiros da era 32bit, pois os Wipeout que lhe seguiram já foram pensados de raíz para a PSP, com os resultados a serem um pouco diferentes. Mas isso será falado mais tarde.

Brothers in Arms: D-Day (Sony Playstation Portable)

Brothers in Arms - D-DayVoltando à PSP e novamente para mais uma aláise a um jogo que infelizmente me acabou por desiludir. A série Brothers in Arms consistem em vários first person shooters sobre a segunda guerra mundial, mas com um maior realismo, tanto a nível táctico, onde temos  de comandar da melhor forma o nosso esquadrão para conseguirmos atingir os nossos objectivos em segurança, mas também a nível histórico, com a Gearbox a tentar recriar o mais fielmente possível os campos de batalha e as posições inimigas, de acordo com os relatórios de combate dos próprios soldados que participaram no conflito. E com o lançamento da PSP, que acabou por receber os seus próprios Call of Duty e Medal of Honor, a Gearbox e Ubisoft lá decidiram trazer também o Brothers in Arms para a sua portátil. Este jogo entrou na minha colecção durante o mês passado, tendo sido comprado a 4€ na cash de Alfragide.

Brothers in Arms D-Day - Sony Playstation Portable
Jogo com caixa e manual

A primeira coisa que me desiludiu foi o facto deste jogo não possuir nenhum conteúdo original na sua campanha single player. Todas as missões já foram jogadas quer no Road to Hill 30, quer no Earned in Blood, ambos jogos que eu já tinha jogado na PS2 há muito. Aqui não estava propriamente à espera de um capítulo da história inteiramente novo (aliás isso é algo que ainda aguardo nos dias de hoje mas a Gearbox prefere o Borderlands), mas sim uma espécie de spin-off, como os Medal of Honor Heroes o são. Quando finalmente me apercebi que o que teria pela frente seria rejogar todas aquelas missões que já tinha jogado anteriormente, perdi quase toda a vontade de jogar, por um único motivo: os controlos. Mas os controlos já estaria à espera que fossem mauzinhos. A falta de um segundo analógico na PSP dificulta bastante o trabalho em qualquer FPS que se preze, e o que dizer de um Brothers in Arms com esta componente estratégica acrescida?

Brothers in Arms - D-Day (1)
Infelizmente “já vi este filme”

O analógico controla o movimento em várias direcções, já para fazer o strafing (andar para os lados) precisamos de carregar no L. Os restantes botões faciais, incluindo os do próprio D-Pad, têm várias outras funções assignadas, como usar granadas, agachar/levantar, recarregar as armas, mudar de arma, aiming down the sights, ou dar ordens aos nossos companheiros. E para dar ordens aos companheiros, a menos que sejam de fall in/fall out que basta carregar no botão respectivo, obrigá-los a procurar cover num determinado local, ou atacar certas posições inimigas temos de carregar no triângulo e direccionar um cursor para o que queremos fazer. E em momentos calmos isto até é fazível, embora custe um pouco. Mas quando estamos meio de um combate intenso a história já é outra. Apontar a arma também é um desafio considerável, e o uso do aiming down the sights/zoom é mesmo algo practicamente obrigatório se quisermos efectivamente acertar em alguém. Mas lá está, com estes controlos a precisão nunca é boa.

Brothers in Arms - D-Day (2)
As mecânicas do suppression fire continuam iguais a si mesmas e ainda bem

A componente estratégica em si parece-me ok. O objectivo consiste sempre em dividir as nossas forças em duas equipas. Uma delas deixamos posicionada num local relativamente seguro a abrir fogo sobre o inimigo, deixando-os suprimidos. A outra equipa (onde preferencialmente nos devemos enquadrar), tem a responsabilidade de flanquear os inimigos e atacá-los numa posição vantajosa, enquanto eles estão suprimidos. A supressão é dada por uns ícones circulares acima das cabeças dos inimigos, que enquanto estiverem vermelhos, os mesmos estão sempre a disparar contra nós, mas à medida em que lhes retribuimos o favor, esses ícones vão ficando gradualmente cinzentos. Quando estiverem completamente cinzentos, os inimigos vão ficando abrigados durante alguns segundos, sendo essa a altura ideal para atacar, ou mudar de posição. Para nos ajudar a perceber onde estão os inimigos, o que em certas alturas pode ser útil, basta carregar no select. Aqui a acção pausa, e a câmara transita para uma perspectiva de topo, onde podemos ver o mapa do campo de batalha e informações da localização de tropas inimigas e também os nossos companheiros.

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Carregando no select vemos o mapa estratégico que mostra as posições inimigas e por vezes a melhor forma de as atacar

Para além do modo campanha, este Brothers in Arms traz também um “skirmish mode“. onde se pode jogar em multiplayer cooperativo por ad-hoc bem como ser jogado sozinho. Aqui tanto podemos jogar partidas de defesa ou ataque, onde numas temos como objectivo defendernos contra várias waves inimigas, na outra já teremos de matar todos os nossos inimigos no menor tempo possível. Para além disso temos ainda 2 outros modos de jogo com pequenas missões com objectivos definidos, onde tanto podemos jogar com americanos ou alemães. O “Campaign Mode” é apenas jogado na categoria “authentic”, onde um tiro é na maior parte das vezes fatal e não há indicador de supression nos inimigos.

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Por vezes os gráficos parecem mesmo próximos aos das versões PS2

Graficamente é um jogo impressionante para uma Playstation Portable, cujo hardware se aproxima, mas não tanto assim, das capacidades de uma Playstation 2. E à primeira vista, pegando nos 2 Brothers in Arms da Playstation 2 e deixá-los lado a lado com este da PSP, não há grandes diferenças, mas certamente o ecrã pequeno mascara algumas imperfeições. Noto algum slowdown por vezes, mas sinceramente isso também acontecia nas versões PS2, se bem me recordo. O voice acting parece-me também semelhante ao original, o que é ok na minha opinião. O mesmo posso dizê-lo das músicas épicas e orquestrais, mas sinceramente já me passaram um pouco mais ao lado precisamente por ser um jogo portátil e não tão envolvente.

Concluindo, não consigo recomendar este jogo por todas as razões já referidas. É preferível jogarem os primeiros Brothers in Arms na PS2 (ou melhor ainda na Xbox ou PC), pois para além de não irem jogar nada de novo na PSP, os próprios controlos são infinitamente melhores no PC ou restantes consolas devido ao uso dos 2 analógicos.

Resistance 2 (Sony Playstation 3)

Resistance 2Após a minha PS3 ter estado literalmente na gaveta este tempo todo (ter um backlog gigantesco tem destas coisas), finalmente voltei a pegar nela para jogar este Resistance 2 que já estava em fila de espera para ser jogado há muito tempo. O primeiro Resistance foi um dos jogos de lançamento da Playstation 3. Produzido pela Insomniac (os mesmos que nos trouxeram Ratchet & Clank), Resistance serviu para ser o first person shooter exclusivo de lançamento da consola, enquanto que no Killzone 2 a Guerilla ainda estava a coçar a cabeça a ver como iriam deixar o jogo tão bonito como no trailer de apresentação da E3. Sinceramente não me recordo onde comprei este jogo nem quanto me custou, só sei que foi há cerca de um ano atrás. Mas certamente não terá sido mais que 10€.

Resistance 2 - Sony Playstation
Jogo completo com caixa, manual e papelada

O primeiro Resistance falava dos Chimera, uma raça alienígena que de alguma forma lançou um vírus pelo planeta que infectava os humanos, transformando-os em criaturas hediondas chamadas de Hybrids. A pandemia começou pelos lados da união soviética (sim, porque o jogo decorre numa década de 50 bastante distópica e futurista) e foi sendo deflagrada pelo resto da Europa. Os Estados Unidos, aliados aos Britânicos têm lançado bastantes ofensivas aos Chimera, e neste Resistance 2 tal não é diferente, embora desta vez a “praga” já tenha chegado ao continente americano. Mais uma vez a nossa personagem é o Nathan Hale, um soldado norte-americano que tinha sido infectado pelos Chimera no primeiro jogo, mas ao contrário de todos os outros, em vez de se transformar num hybrid, ganhou poderes sobre-humanos e é capaz de regenerar a sua vida (boa desculpa da Insomniac para manter esta característica!!!). Hale liderará um esquadrão de Sentinels, outros humanos infectados com o vírus mas que possuem os mesmos “poderes”, na sua luta contra os Chimera principalmente em solo americano, bem como contra Daedalus, o vilão deste jogo.

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As estruturas Chimera continuam imponentes.

Ora o modo campanha é bastante linear, como seria de esperar na maioria dos FPS modernos. Tem alguns momentos bons, mas também tem os seus momentos mais frustrantes e aborrecidos, como defrontar várias waves de Chimeras como no Left for Dead. Existem também alguns inimigos novos bem como armas. Nos primeiros o destaque vai para os “predators“, invisíveis e especialmente chatos numa das últimas missões que nunca adivinhava muito bem de onde eles vinham. 1 hit destes gajos e morremos. Das armas temos agora uma mini-gun, mais uma outra arma de longo alcance. As armas Chimera, como as Augers e a sua capacidade de disparar através de paredes, ou as Bullseye com o seu sistema de “tagging” marcam o seu regresso assim como muitas outras. Mas ao contrário do primeiro jogo, apenas podemos carregar com 2 armas principais, mais um número reduzido de granadas. Mais uma vez os modernismos a lixarem o esquema todo…

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O facto da Auger ter um escudo como modo secundário é um pouco redundante a meu ver, visto ser possível disparar através de paredes.

Para além do modo campanha, que por sua vez decorre ao longo de 7 capítulos mais uma introdução, Resistance 2 tem também duas vertentes multiplayer, uma em modo cooperativo e outro competitivo. Infelizmente a Sony decidiu fechar todos os servidores dos Resistance, desde o primeiro ao último, em Março deste ano. Como tal, não os cheguei a experimentar, mas confesso que provavelmente iria perder muito pouco tempo também. Infelizmente, para minha desgraça, a vertente cooperativa não é o modo campanha, mas sim uma série de missões inteiramente novas. Isso sim, tenho alguma pena de não as ter experimentado. Penso que dê para as jogar offline com um amigo, mas não tenho a certeza. No multiplayer competitivo, esperem pelas opções do costume como variantes de deathmatch, capture the flag e ainda o modo skirmish que possibilitava ter partidas de até 60 jogadores, um número algo inédito em jogos online em consolas. Também existia um sistema de ranking que nos oferecia novas skins e habilidades, mas tudo se perdeu com o encerramento dos servidores.

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Algo que gostei: bosses! Fazem falta em muitos FPS.

Graficamente parece-me ser um jogo bastante competente. Os cenários vão sendo variados, apresentando tando áreas urbanas como rurais, outros mais industriais e coisas mais high-tech dos Chimera. Gostei bastante da maneira em como eles conseguiram conciliar a arquitectura e ambientes dos anos 50 com as coisas high-tech dos Chimera, com as suas naves gigantescas, torres e outros centros de “produção” dos seus guerreiros. A narrativa por outro lado não é nada de outro mundo, esperem pelos clichés do costume que se costumam ver em shooters militares ou outros jogos sobre “pandemias”, zombies e afins. Sim, certas coisas sobre pessoas ficarem infectadas e tal. Mas isso descubram vocês.

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Ao longo de quase todo o jogo teremos outros companheiros a lutar connosco. Às vezes até dão jeito.

No fim de contas achei este Resistance 2 um FPS bem competente, mas não espectacular ou que tenta reinventar a roda. Para quem é fã do género, é daqueles jogos para se comprarem baratinho, jogar uma ou outra vez o modo de campanha (para quem quiser descobrir todas as intels escondidas, por exemplo), e depois colocar na prateleira. Consigo perceber o porquê de a Sony ter dado preferência a Killzone em detrimento aos Resistance, mas não acho que sejam maus jogos e até estou curioso em saber como termina a trilogia, pelo que amanhã a PS3 vai receber mais algum mimo.

Tomb Raider Chronicles (Sony Playstation)

Tomb Raider ChroniclesA série Tomb Raider foi uma espécie de Assassins Creed na era das consolas de 32bit, isto é, a cada ano lançavam um novo jogo! E apesar de todos eles serem sucessos comerciais, o facto de desde o primeiro jogo até este Chronicles terem utilizado sempre o mesmo motor gráfico, nunca conseguiram evoluir muito na fórmula, pelo que apesar de as vendas deste Chronicles terem sido boas, já eram muito inferiores às dos anteriores. Como tal, a Eidos e a Core decidiram recomeçar do zero com o Angel of Darkness a sair anos mais tarde na Playstation 2, mas antes disso, decidiram fazer uma despedida desta era com este Chronicles. Este exemplar foi-me oferecido pelo Miguel Coelho do podcast The Games Tome e colega colaborador na PUSHSTART, a quem agradeço imenso!

Tomb Raider Chronicles - Sony Playstation
Jogo completo com caixa, manuais e papelada

E começando por um spoiler do jogo anterior, que no final de contas, a menos que ainda vivam numa caverna e por acaso do destino estão a ler esta review porque alguém a imprimiu e depois a deitou fora, acaba por nem ser spoiler nenhum. No final do Tomb Raider the Last Revelation, é dado a entender que Lara Croft morreu. Então neste jogo, Winston, o velho e leal mordomo da mansão Croft, convida uns 2 amigos de Lara e juntam-se numa sala, confraternizando e recordando algumas das aventuras de Lara Croft que nunca haviam sido contadas… até agora. Neste jogo iremos percorrer os subúrbios de Roma e das ruínas do seu coliseu na procura da Pedra Filosofal, visitar uma base militar russa na esperança de recuperar a Spear of Destiny de um submarino naufragado no fundo do oceano, retornar aos tempos da sua juventude, onde Lara deu uma escapadinha a uma ilha irlandesa após ouvir rumores de eventos paranormais que por lá se passavam, culminando numa aventura onde Lara se infiltrou num largo complexo empresarial/industrial para roubar o artefacto de Íris nada mais nada menos ao próprio Von Croy, acabando assim por ser uma espécie de introdução aos acontecimentos que decorreram antes do jogo anterior.

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Balançar-se numa corda… uma das novas habilidades de Lara.

A nível de jogabilidade pouca coisa mudou. A acrescentar ao já elevado número de “manobras” e saltos que Lara é capaz de fazer, temos a possibilidade de dar uma cambalhota ao sair de um túnel em que estivemos a rastejar, ou equilibrarmo-nos numa corda como fazem os trapezistas num circo. De resto, se jogaram qualquer um dos Tomb Raiders anteriores, a mesma fórmula mantém-se e certamente que se familiarizarão rapidamente com as mecânicas do jogo. Continuamos com muita exploração a fazer, saltos medonhos para dar, escalar escarpas perigosas, procurar chaves, arrastar blocos cúbicos, andar aos tiros contra humanos ou criaturas mitológicas, you name it. E embora existam só 4 diferentes localidades para explorar desta vez, os níveis em si são gigantescos, pelo que sim, vai-nos dar trabalho a conhecê-los de uma ponta à outra. Felizmente que podemos fazer save a qualquer momento. No entanto a Core ainda tentou trazer algo de novo, como missões em que estamos completamente indefesos e teremos de ter uma abordagem mais cuidada, ou outras secções em que ser-se furtivo é a palavra chave.

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…e inspecionar prateleiras e gavetas também!

Graficamente nota-se uma boa evolução desde o primeiro jogo, apesar de partilharem a mesma engine. Tanto Lara como os seus adversários têm muito mais detalhe e o mesmo pode ser dito dos cenários e efeitos como os da água. Infelizmente a câmara continua com alguns problemas e todos os cenários continuam a ser muito “quadrados”… heranças que ficaram desde o primeiro jogo. A música continua a surgir apenas em alguns momentos chave no jogo. Na maior parte do tempo somos deixados a explorar os cenários completamente sossegados no ruído ambiente, com pequenas melodias a surgirem quando descobrimos algo majestoso ou por outro lado, quando algo mau acontece, como emboscadas ou tiroteios, uma música mais tensa acompanha-nos. O voice acting também me parece ser o melhor da série até esse momento. Os diálogos são bem mais frequentes nas cutscenes e os mesmos acabaram por ser bem mais trabalhados e melhor interpretados pelos seus intervenientes.

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A melhoria a nível de polígonos e texturas do primeiro jogo até este é bem notável

Para concluir, este Tomb Raider Chronicles até é um bom jogo. Mas comer arroz com feijão 5 vezes seguidas acaba por ser cansativo, mesmo que se vá variando um pouco os seus condimentos. A Eidos e a Core estiveram bem em decidir dar um novo rumo à série com a chegada da PS2, pois aquelas mecânicas de jogo já estavam a ficar gastas. Agora se o Angel of Darkness foi a melhor maneira de reintroduzirem a Lara Croft ao mundo… bom… “não percam o próximo episódio, porque nós também não”!

Echo Night Beyond (Sony Playstation 2)

Echo Night BeyondEsta foi a melhor “compra cega” que alguma vez fiz, pelo menos no que toca à Playstation 2. Algures durante o verão deste ano, numa das minhas idas à cash converters do Porto lá descobri este Echo Night Beyond a 3.5€. Olhei para a capa do jogo, pareceu-me interessante, virei a capa e olhei para a parte detrás, vejo a sinopse do costume e lá num cantinha estava o nome FROM SOFTWARE. Ora essa empresa para mim já tinha o meu completo respeito, mesmo antes desta “moda” à volta do Dark Souls ter surgido. Fizeram os competentes trading card RPGs Lost Kingdoms para a Gamecube, os óptimos Otogis para a Xbox e são também a empresa responsável pela impressionante série de dungeon crawlers Kings Field, que atravessou un 4 ou 5 jogos desde o seu lançamento inicial na PS1. Então acabei por trazer este jogo para casa e não me arrependi nada, pois a partir do momento em que o comecei a jogar, percebi que tinha em mãos uma das melhores hidden gems da consola.

Echo Night Beyond - Sony Playstation 2
Jogo com caixa e manual

O jogador encarna no papel de Richard Osmond que, em conjunto com a sua noiva, estavam a viajar pelo espaço num vaivém espacial. Infelizmente, por alguma razão misteriosa o vaivém colide com uma base lunar, provocando um grande número de vítimas. Richard acorda sozinho no shuttle, sem sinais da sua namorada. Ao explorar a estação lunar (que pelos vistos servia também de extracção mineira), não descobrimos nenhuns sobreviventes a não ser um misterioso andróide que pelos vistos até nos conhece. Tudo o que resta da base está deserto e abandonado e para piorar as coisas está repleta de fantasmas das pessoas que por lá morreram. Nessa nossa procura pela nossa noiva teremos de explorar toda a base e com isso vamos também descobrir alguns dos seus mistérios e o porquê de tanta vítima.

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A cutscene inicial é bem bonita

Echo Night Beyond tem umas mecânicas de jogo interessantes. O mesmo é todo passado na primeira pessoa, onde vemos o mundo pelo capacete do nosso fato espacial. Os fantasmas que vamos encontrando podem ser inofensivos ou bastante agressivos. Como os distinguir? Bom, tudo começa devido a um misterioso nevoeiro vir das entranhas da lua que traz uma aura maléfica qualquer e invadiu várias das salas da base lunar. Se tiverem de atravesar alguma sala ou corredor toda enevoada, façam-no com cuidado pois se surgir algum fantasma o único remédio é correr. Felizmente que em várias salas existem alguns controladores de ventilação que, após activados limpam as suas respectivas salas e corredores de qualquer nevoeiro. Após o fazermos, poderemos falar à vontade com os fantasmas, que estão presos na base lunar pois deixaram algo por fazer e cabe-nos a nós os libertar, ao procurar por objectos que eles precisem ou outras tarefas. E sim, ajudar os fantasmas é necessário pois muitas vezes após os libertarmos eles deixam cair alguns items essenciais para progredir no jogo, como chaves, cartões de segurança ou outros IDs que nos deixam ligar sistemas de ventilação.

Echo Night Beyond (3)
O jogo é bastante escuro, o que resulta muito bem para uma atmosfera tensa

Mas enquanto os fantasmas são agressivos, não há nada que possamos fazer para nos  defender a não ser correr e tentar ligar a ventilação o mais rápido possível, ou então escapar para uma zona segura. Uma das coisas que vemos sempre no ecrã é o nosso batimento cardíaco e quando somos perseguidos por um espírito maligno vemos o batimento cardíaco a aumentar constantemente. Se o deixarmos chegar a 300, puff… game over. Os “medkits” existem na forma de seringas que nos estabilizam o batimento cardíaco, mas as mesmas são escassas e o melhor a fazer é mesmo fugir para uma zona segura, onde o ritmo cardíaco voltará lentamente à normalidade. Felizmente existem as “monitor rooms“. Aqui, para além de podermos gravar o nosso progresso no jogo, podemos também controlar as câmaras de segurança daquela zona, algo crucial para descobrirmos onde estão os fantasmas ou localizações chave que temos de explorar.

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Fantasmas há muitos… curiosamente cadáveres é que não. Este é um androide, ou o que sobra.

Mas se há algo mau neste jogo, são sem dúvida os seus controlos. A From Software, talvez por ser um estúdio nipónico, nunca deve ter prestado atenção aos outros FPS que entretanto sairam para a PS2. Isto porque os controlos são maus e isso já acontece pelo menos desde o primeiro King’s Field. Apenas utilizamos um dos analógicos (ou o d-pad) para o movimento, carregando para cima ou para baixo faz-nos andar para a frente ou para trás, mas carregando para a esquerda ou direita faz-nos virar para essa direcção. O strafing e apontar para cima e para baixo é dado pelos botões de cabeceira, quando seria bem melhor usar um analógico para controlar a “câmara” e o outro o movimento. Mas isto não é o pior, pois é algo que nos vamos habituando. O pior é mesmo as secções em plena superfície lunar, com gravidade reduzida. Aí, o botão que antes servia para correr agora serve para saltar. Os passos que damos são extremamente lentos pelo que o instinto natural é saltar. E aí nos saltos já são mais rápidos mas infelizmente não os conseguimos controlar. A partir do momento em que saltamos temos logo o nosso destino traçado e não há nada a fazer. O que por mim até nem me incomodaria muito se não fosse a superfície lunar ter uns quantos desfiladeiros e se cairmos no buraco é game over e voltamos ao ponto onde fizemos save pela última vez. Existe um segmento em específico em que temos de saltar em 2 plataformas em movimento perpendicular enquanto atravessamos um penhasco. Esse sim, um autêntico momento de terror pois vamos morrer vezes sem conta.

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Os fantasmas inofensivos dão-nos algumas dicas do motivo pelo qual ainda estão aqui presos

De resto devo dizer que este é o melhor jogo de terror para maiores de sete anos que eu alguma vez já joguei. A atmosfera é sempre tensa e solitária, com os sustinhos do costume com objectos a cair subitamente ou fantasmas a aparecerem do nada. A nave é na sua maioria bem escurinha, pelo que utilizar a lanterna é uma necessidade, mas não um luxo, pois as baterias vão-se gastando. Graficamente é um jogo competente, toda a HUD do capacete espacial está bem pensada, bem como a estação espacial que é bem grandinha. Só não digo que o jogo tem os melhores gráficos de sempre pois existem melhores na consola. As músicas quando existem são mais atmosféricas, excepto a adaptação da Moonlight Sonata de Beethoven que cai que nem ginjas.

Tirando os seus problemas dos controlos, em especial o movimento e saltos em solo lunar que me causaram tantas dores de cabeça, este videojogo é sem dúvida uma das hidden gems da consola. A série Echo Night não é propriamente recente, os seus primeiros dois jogos tinham sido lançados para a Playstation 1 e apesar de serem igualmente na primeira pessoa, a sua temática era diferente. O primeiro Echo Night ainda chegou a solo americano, já o segundo apenas se ficou pelos japoneses. Estarei certamente atento à possibilidade de os importar se me surgir alguma vantajosa. De qualquer das formas este Beyond recomendo vivamente a sua compra. Parece que não é um jogo lá muito comum, mas pode ser que tenham sorte nas cashs e feiras que já vi pelo menos uns três.