Assassin’s Creed II (Sony Playstation 3)

Depois do sucesso do Assassin’s Creed original, não faltava muito até que a Ubisoft lançasse uma sequela. O primeiro jogo tinha o assassino Altair como protagonista, e os cenários cidades do médio Oriente como Jerusalém ou Damasco, no pico das cruzadas levadas a cabo pelos Cavaleiros Templários. Aqui encarnamos num outro assassino, num período completamente diferente, mas já lá vamos. O meu exemplar sinceramente já nem me recordo bem de onde veio nem quanto custou mas certamente não foi caro. Só tenho pena de não ter comprado uma versão já com os DLCs incluidos pois confesso que fiquei com vontade de os jogar.

Jogo com caixa e manual

A saga Assassin’s Creed, pelo menos até ao jogos que presenciei, coloca-nos em duas realidades alternativas. Numa estamos num futuro próximo algo distópico, onde descendentes da ordem dos templários e dos assassinos continuam a lutar entre si. Aqui neste período a personagem principal é o jovem Desmond, descendente do clã de assassinos, onde através do Animus, uma máquina que nos permite explorar as memórias genéticas, conseguimos voltar ao passado e reviver as memórias dos nossos antepassados. No primeiro Assassin’s Creed fomos até à Idade Média, mesmo no auge das Cruzadas, onde tivemos a história de Altair na sua busca pela Maçã de Éden, um artefacto misterioso, capaz de controlar a mente das massas, que seria usado pela ordem dos templários para controlar o mundo. Aqui continuamos à procura de respostas no passado, com Desmond a reviver as memórias de um outro seu antepassado, o Ezio Auditore da Firenze, um jovem de uma família rica de Florença, em pleno período Renascentista.

Eventualmente poderemos usar duas espadas escondidas, o que deixa o combate com mais possibilidades

Basicamente Ezio vê parte da sua família a ser enforcada publicamente, após terem sido atraiçoados por um magistrado corrupto, que plantou falsas provas. Ezio foge com a sua mãe e irmã para o interior, onde é acolhido pelo seu tio Mario que lhe revela que tanto ele como o pai eram Assassinos, começando a treiná-lo para o mesmo. No resto do jogo vamos procurar vingança e assassinar os traidores da sua família, ao mesmo tempo que vamos descobrir os seus motivos e mais uma vez acabamos por encontrar os templários no centro das tramóias. Mas a transição de Ezio e Desmond acaba por ser bastante interessante e a história acaba por levar-se por vários contornos de conspirações históricas, o que também me agrada. Ao longo do jogo vamos também interagir com várias personagens históricas como Leonardo Da Vinci, que se torna amigo de Ezio, ou o Rodrigo de Borgia, o principal antagonista que na vida real acabou por se tornar Papa.

Após encontrar os locais secretos com mensagens do Subject 16, temos de descodificar as mensagens recorrendo a vários puzzles

A jogabilidade também levou alguns upgrades. As suas bases mantêm-se, com o jogo a assumir uma natureza algo não-linear em cenários open-world, onde podemos vaguear algo livremente pelas diferentes cidades e fazer as missões pela ordem que quisermos, excepto claro, as que dão seguimento à história. Há também uma preocupação em mantermos uma jogabilidade furtiva, passando despercebido no meio da multidão enquanto nos esquivamos de guardas e vamos assassinando quem tiver de ser. E depois lá temos o parkour, a possibilidade de escalar paredes e saltitar entre os telhados, muros e outros obstáculos para nos movermos de uma forma mais ágil possível. Felizmente há uma série de coisas que melhoraram face ao primeiro jogo, a que mais me agradou foi mesmo o facto de chamarmos menos à atenção dos guardas. No primeiro jogo bastava correr pela cidade, aqui os guardas são bem mais tolerantes nesse aspecto. Mas claro, se agredirmos alguém, ou simplesmente dermos um encontrão num transeunte que estava a carregar qualquer coisa, lá vêm os guardas nos pedir satisfações. Também temos guardas nos telhados que nos obrigam a descer, mas se formos rápidos conseguimo-los assassinar sem grandes problemas.

Distrair os guardas nunca foi tão fácil! Podemos contratar um bando de mercenários, de ladrões ou prostitutas para o efeito

Claro que quando um guarda nos apanha a fazer algo de errado, temos duas hipóteses: ou combatemos ou fugimos. Fugir por vezes é a melhor opção e aí temos de nos afastar o suficiente e depois procurar um sítio onde possamos passar despercebidos, seja num fardo de palha, ou simplesmente misturado entre a multidão. Se decidirmos combater, bom, o combate também sofreu alguns melhoramentos face ao jogo original. Temos mais tipos diferentes de armas que podemos usar, incluindo uma lámina envenenada, bombas de fumo que atordoam os nossos inimigos, um pequeno revólver e no caso da lâmina escondida, a arma de marca dos assassinos, agora podemos equipar uma em cada mão, permitindo-nos assassinar 2 alvos em simultâneo, se estiverem juntinhos. De resto, para além de esquivar e contra-atacar, agora temos também a possibilidade de desarmar os inimigos.

Há mais alterações, a meu ver para melhor. A saúde não se regenera automaticamente (bom, na verdade só um quadradinho), e para nos curar temos de procurar um médico e/ou usar medkits. Temos dinheiro que pode ser usado para comprar medkits, armas, armaduras ou bolsas que nos permitem carregar mais facas de atirar, frascos de veneno ou medkits. Também temos uma pequena cidadela só para a família Auditore, na região de Monteriggioni, que acabamos por tomar conta. Para além de incluir montes de segredos, a certa altura podemos investir na cidade e na nossa mansão, ao melhorar as suas lojas, infrastruturas, ou aumentar o valor da nossa mansão, ao coleccionar todas as armas, armaduras e comprar várias pinturas renascentistas. Isto faz com que a cada 20 minutos vamos recebendo uma “renda” dos habitantes da cidadela, o que vai acabar por nos facilitar bastante o processo de compra de mais equipamento ou itens.

Estas mensagens com contexto histórico agradaram-me bastante!

Vamos tendo também vários tipos de missões a executar, desde as típicas missões de assassinamento, onde grande parte das vezes temos de as executar de forma furtiva. Por vezes temos temos de seguir algumas pessoas chave até que nos levem a um esconderijo com outros alvos a abater. Temos missões para encher de porrada maridos infiéis, outras para bater tempos em corridas parkour (estas foram as que mais me irritaram), entre outras. Coleccionáveis como as penas do nosso pequeno irmão Petruccio, os puzzles do misterioso subject 16, ou as catacombas de outros assassinos que podemos explorar para desbloquear a armadura de Altair, são exemplos de algum conteúdo opcional que podemos fazer.

Ao longo do jogo vamos visitar as cidades de Florença, Toscana, Forli, Veneza, e parte de Roma (Vaticano), na recta final do jogo. À medida que vamos avançando no jogo e explorar as cidades, vamos preenchendo uma base de dados com dados históricos de várias localizações reais das cidades em questão, bem como pequenas biografias das várias personagens com que nos vamos cruzando. Não sei se são dados inteiramente verdadeiros (alguns certamente não são, para se adaptarem à ficção do jogo), mas são detalhes que me agradaram bastante.

Outra das novidades perante a prequela é que, apesar de podermos caminhar ou cavalgar entre cidades, agora podemos usar também o conveniente fast travel!

A nível audiovisual não tenho nada de especial a apontar. As personagens não estão incrivelmente detalhadas (excepto algumas das vestimentas de Ezio que possuem um bom nível de detalhe e animação). Por outro lado, as cidades estão muito bem representadas, gostei bastante de toda a atenção ao detalhe nesse sentido. No que diz respeito ao voice acting não tenho mesmo nada a apontar, está bastante competente e a narrativa é muito superior à do primeiro jogo, a meu ver. As músicas é que vão passando algo despercebido, mas num jogo com uma ambiência como o Assassin’s Creed é esperado, pois as músicas vão-se adaptando às situações. Isto é, tanto podemos ir ouvindo algumas melodias tipicamente renascentistas em plano de fundo, como a música irrompe com temas mais épicos quando estamos a combater e/ou a fugir.

Portanto, devo dizer que gostei bastante deste Assassin’s Creed. Só tenho pena da Ubisoft ser uma empresa gananciosa e ter incluido 2 capítulos extra (que inicialmente eram para ser parte integral da história) como DLC. O jogo foi relançado várias vezes mesmo na própria PS3, com algumas versões a incluir estes DLCs, o que não é o meu caso infelizmente. E os mesmo continuam caros, o que não faz sentido nenhum para um jogo de 2009. Mas pronto, é a vida! De resto fiquei ansioso para experimentar o Brotherhood!

Arcade’s Greatest Hits – The Atari Collection 1 (Sony Playstation)

Continuando pelas rapidinhas, ficamos agora com uma interessante compilação retro lançada para a Playstation, Sega Saturn e Super Nintendo, contendo 6 clássicos de uma era de ouro das arcades. Nomeadamente temos aqui conversões de Asteroids, Battlezone, Centipede, Missile Command, Super Breakout e Tempest, todos eles clássicos que deveriam dispensar apresentações. Mas felizmente esta versão para a Playstation (e a da Saturn também) não são só meras compilações mas possuem também alguns extras interessantes. O meu exemplar foi comprador algures no final do ano passado numa das minhas idas à feira da Vandoma. Custou-me 2€.

Jogo com caixa e manual

Todos os jogos são representações fiéis aos originais, pelo que não esperem por gráficos super detalhados, nada disso. Os visuais primitivos (às vezes até com gráficos vectoriais como é o caso de Battlezone ou Asteroids) e os sons simples estão aqui muito bem representados. Infelizmente é o jogo não suportar o analógico, pelo que teremos de usar sempre o D-Pad para control e movimentação nos diferentes jogos, o que nem sempre resulta bem pois alguns jogos usavam trackballs ou outros sistemas analógicos que não se traduzem bem num control digital como o d-pad.

De conteúdo bónus podemos ver uma entrevista aos criadores de alguns destes clássicos

Para além da compilação em si, a Digital Eclipse teve o cuidado de elevar o nível de nostalgia desta compilação, ao incluir uma interessante cutscene de abertura e um menu de selecção de jogos que nos mostra a arcade cabinet de cada jogo. Para além disso temos um autêntico documentário dividido em seis capítulos que contam a história da Atari nesta época, com entrevistas aos criadores dos jogos desta compilação e não só. Muito interessante que só por si já vale a pena obter esta compilação.

Spider-Man (Sony Playstation)

Continuando pelas rapidinhas, vamos agora para um clássico da Playstation 1 que na altura nunca joguei. Agora que finalmente peguei nele, consigo ver o apelo que tem perante os fãs da série e da Playstation no geral. O meu exemplar foi comprado algures em 2015, num negócio de um pequeno bundle que comprei a um particular no OLX. Se bem me recordo ficou-me a menos de 5€ por jogo.

Jogo com caixa, manual e papelada

A história leva-nos para uma convenção científica, onde o Dr. Otto Octavius se preparava para mostrar a sua mais recente descoberta científica, quando um homem-aranha impostor irrompe pela multidão e rouba a invenção de Octavius. Mas Peter Parker, o verdadeiro homem aranha, estava na multidão e assiste a tudo, assim como Eddie Brock (Venom). Ambos decidem procurar vingança, o Venom pensa que foi o Homem Aranha que está por detrás da tramoia, e o verdadeiro Spider Man procura quem está por detrás destes acontecimentos, de forma a provar a sua inocência.

Os níveis iniciais também vão servindo um pouco de tutoriais e mostram-nos as mecânicas de jogo

Mas o que mais impressionou na altura foi a jogabilidade que é muito boa, tanto em zonas abertas, amplas e exteriores, como interiores, em corredores mais apertados. Quando andamos cá fora, o que mais dá pica é mesmo andar a balancear entre os arranha céus de Nova Iorque. Depois podemos também escalar em qualquer tipo de paredes ou tectos, o que acaba por ser muito útil para passarmos despercebidos em espaços fechados. Isto porque dependendo dos níveis em que estamos, vamos tendo diferentes objectivos, desde resgatar reféns a bandidos, fugir da polícia em perseguições policiais de helicóptero, ou simplesmente ir do ponto A ao ponto B, derrotando todos os inimigos que nos vão aparecendo pelo caminho, como habitual em jogos de acção deste género.

Spider Man pode atacar com socos e pontapés, bem como usar as suas teias, não só para se balancear entre os arranha céus, mas também para atacar os inimigos. Infelizmente as teias não são infinitas, pelo que temos de ir encontrando vários power-ups para restabelecer a nossa vida, as teias e não só. Existem powerups especiais como armaduras que nos dão mais alguma resistência ao dano, teias de fogo que dão um jeitaço para derrotar os Symbiots. Também podemos ir desbloqueando outras vestimentas para o aranhiço, como o seu fato de symbiot, ou o de outras versões da banda desenhada, como o Spiderman 2099.

Um dos powerups que podemos apanhar é uma armadura que nos deixa mais resistentes ao dano sofrido

A nível de audiovisuais é um jogo muito interessante para a altura em que saiu. Produzido pela Neversoft, utiliza o motor gráfico dos Tony Hawk’s Pro Skater, apresentando assim gráficos 3D bastante interessantes e bem detalhados, pelo menos para o que a Playstation é capaz de fazer. Já no que diz respeito às músicas, as mesmas são na sua maioria músicas mais rock e/ou Nu Metal, o que na altura era do que mais se ouvia e sinceramente até assentam bem ao jogo. Os efeitos sonoros e voice acting estão também bastante bem conseguidos, pois vamos estar constantemente a ouvir o Peter Parker a mandar piadas e comentários sobre o que se está a passar, e temos até o próprio Stan Lee, criador do super herói, a narrar certos momentos no jogo.

Também podemos apontar as teias para onde quisermos, ao controlar a câmara livremente

Portanto, este Spider-man, para além de ser um jogo de acção muito sólido, acaba também por ser um interessante título para os fãs de super-heróis, por toda a componente de narrativa.

Puyo Pop Fever (Sony Playstation 2)

A série Puyo Puyo, que para os fãs do retrogaming cá em Portugal é mais facilmente reconhecível pelas criaturas gelatinosas do Dr. Robotnik’s Mean Bean Machine, já há muito que existia em solo japonês, por intermédio da Compile. Desde a conversão do primeiro jogo da série que a Sega sempre teve alguma proximidade com a Compile e esta série em particular, tanto que quando infelizmente a Compile faliu, a Sega acabou por ficar com os direitos desta série. Este Puyo Pop Fever foi então produzido pela Sonic Team e lançado para uma grande número de plataformas, embora poucos foram os que chegaram aos USA. O meu exemplar foi comprado por 3.5€ na Cash Converters do Porto há uns anos atrás.

Jogo com caixa e manual

A jogabilidade é muito simples: tal como no Tetris e derivados, temos uma área de jogo onde vão caindo vários blocos coloridos, os tais Puyos, e o objectivo é juntar 4 ou mais blocos adjacentes entre si, que sejam da mesma cor, para os fazer desaparecer. A gravidade entra na equação, pelo que se uns puyos desaparecerem, os que estavam acima ou adjacentes caem para o “buraco” que se forma, podendo assim lanar várias chains que nos irão aumentar a pontuação, bem como dificultar a vida ao nosso oponente, pois acabamos por mandar “lixo” para a sua área de jogo, uns Puyos desprovidos de cor, que apenas desaparecem quando alguns Puyos coloridos adjacentes desaparecerem.

Quantos mais combos fizermos, mais “lixo” mandamos para o oponente

Os Puyos por sua vez podem vir em várias formas e cores distintas e este jogo em particular emprega uma nova mecânica: o Fever Mode. Este é alcanado ao preencher uma barra que aparece no centro do ecrã. Essa barra vai sendo preenchida à medida em que vamos contraatacando os combos do nosso oponente. Quando entramos no Fever Mode, os Puyos que estavam na nossa área de jogo desaparecem, sendo substituídos por uma série de outros Pyuos numa formação pré-determinada. O tempo conta e a ideia é que, com o mínimo de combinaões possível, consigamos desencadear a maior chain. Enquanto houver tempo de Fever Mode disponível, vão aparecendo puzzles novos para resolver, que potencialmente trará consequências adversas para o nosso oponente.

Como seria de esperar, se enchermos um ecrã de Puyos é sinal de Game Over

O principal modo de jogo de singleplayer é o modo história, onde poderemos diferentes cenários com diferentes personagens, todos eles passados num conceito de uma escola de magia, onde todos os alunos, professores e funcionários são incrivelmente chatos e infantis (mais lá para a frente explico melhor o raciocínio). Depois temos o Endless Puyo, que se divide em três vertentes: o clássico, onde não temos Fever Mode e jogamos unicamente com o intuito de sobreviver o máximo de tempo possível, temos também o Fever Mode, onde, conforme o nome indica, estamos sempre no Fever Mode e a ideia é limpar os puzzles e nunca deixar o tempo expirar, pelo que fazer combos é obrigatório. O outro modo de jogo é o Mission Mode, onde vamos tendo um timer e várias pequenas missões ao longo do jogo, como “constrói uma chain de 3 combos”, ou “destrói 2 grupos diferentes de Puyos em simultâneo”. Por fim temos o multiplayer que é bastante divertido. Existem alguns modos de jogo pré-definidos, sejam com regras clássicas ou com o Fever Mode, ou então temos também a possibilidade de customizar as regras um pouco ao nosso gosto.

Estas cutscenes são deprimentes. Muito deprimentes.

A nível audiovisual acaba por ser onde eu tenho mais razões de queixa. Por um lado, os gráficos são bastante coloridos e em 2D, o que sinceramente não me causa confusão nenhuma. As músicas são bastante festivas, o que apesar de não ser necessariamente um problema, também não são lá muito memoráveis. Por outro lado temos o horrível voice acting, que achei genuinamente mau e irritante. A história não tem interesse absolutamente nenhum e as interpretações dos voice actors deixam muito a desejar. Basicamente o jogo vale a pena pelo Endless Mode e pelo multiplayer que acaba por ser sempre divertido!

Onimusha: Warlords (Sony Playstation 2)

O sucesso de jogos como o Resident Evil na era das consolas 32bit não deixou ninguém indiferente, popularizando definitivamente o género dos survival-horrors que até então apenas Alone in the Dark seguia a fórmula. Isso fez com que surgissem vários outros jogos dentro do mesmo género, e a própria Capcom também quis continuar a apostar nessa fórmula, mas com um tema diferente. Pensado inicialmente como um Resident Evil passado no Japão feudal, durante a era de Sengoku, Onimusha estava inicialmente previsto para ser lançado ainda para a primeira Playstation. Mas ainda bem que assim não o foi! O meu exemplar sinceramente já não me recordo ao certo de onde veio nem quanto custou, até porque comecei por ter inicialmente a versão Platinum que acabei posteriormente por trocar pela edição normal.

Jogo com caixa, manual e papelada

Tal como referido acima, o jogo decorre durante o período Sengoku da história do Japão, marcado por constantes guerras entre diversos Shoguns de forma a tomar o poder do País, onde Nobunaga se revelava como um líder autoritário e suspeitava-se que as suas batalhas eram vencidas com a ajuda de demónios. O herói da história é o samurai Samanosuke, que acompanhado pela ninja Kaede, vai em auxílio da princesa Yuki do clã Saito, que lhe pede ajuda pois os seus serventes têm vindo a desaparecer misteriosamente do seu castelo. A caminho do castelo de Yuki, rapidamente nos apercebemos que existem de facto forças demoníacas por detrás desses acontecimentos.

Os ângulos de camara fixos têm a chatice de por vezes ocultar os inimigos que temos de enfrentar

Apesar de não ser propriamente um survival horror como Resident Evil, até porque as mecânicas de combate são diferentes, envolvendo diversas espadas e magias, não havendo muito a preocupação em poupar recursos como munições. É verdade que também temos algumas armas de maior alcance, como um arco ou uma arma de fogo rudimentar onde teremos de economizar as suas munições, mas essas armas não são muito usadas. De resto, todas as mecânicas de jogo são mesmo semelhantes ao Resident Evil, incluindo os tank controls, as câmaras fixas, e os cenários pré-renderizados. Os puzzles ocasionais, e a exploração são também componentes muito fortes na jogabilidade, pois para progredir no jogo teremos muitas vezes de procurar e/ou interagir com objectos que nos vão desbloqueando novas portas e procurar novos caminhos.

Como não poderia deixar de ser temos alguns puzzles pela frente

As mecânicas de combate são interessantes. Sempre que derrotamos algum inimigo, o mesmo liberta algumas orbs que podem depois ser absorvidas pela gauntlet mágica que temos equipada. Essas orbs são coloridas, com cada cor a ter usos distintos. As douradas e prateadas servem para recuperar alguns pontos de vida ou magia respectivamente. As mais comuns são as vermelhas, que podem depois ser usadas para aumentar os nossos pontos de experiência para evoluir as espadas mágicas que vamos obtendo, tornando-as mais poderosas. Também podemos evoluir alguns itens, como as herbs que se tornam em medicine, recuperando mais pontos de vida, ou as flechas que se tornam em flechas de fogo, causando mais dano. Depois temos as espadas. A nossa espada inicial não possui quaisquer poderes mágicos, mas depois vamos encontrando novas espadas mágicas com poderes elementais como electricidade, fogo e vento (a água e a terra ficaram de fora). Esses poderes mágicos são usados para nos auxiliar nos combates, por exemplo, o golpe mágico do vento chama um cyclone capaz de atingir vários oponentes em simultâneo, enquanto o fogo desfere um golpe muito poderoso, mas que atinge apenas um oponente.

Os combates são bem mais dinâmicos como num hack ´n slash onde podemos também desencadear ataques mágicos

Os inimigos também vão tendo movimentações e ataques diferentes, o que nos obriga a ter algum critério na altura do combate e reagir de forma apropriada. Um pouco como nos hack ‘n slash, daí este ser um jogo tão parecido com os Resident Evil clássicos, mas da mesma forma tão diferente. Ocasionalmente também controlamos Kaede, que é uma personagem muito mais fraca que Samanosuke, pelo menos até apanharmos uma nova arma que é mais poderosa. No entanto na maior parte do tempo em que a controlamos, convém mesmo fugir dos inimigos. Depois, tal como Resident Evil, temos vários bonus a desbloquear ao terminar o jogo, mediante a nossa performance. Desde novos níveis de dificuldade, um mini jogo “Oni Spirits”, ou vestimentas extra para Kaede e Samanosuke.

Como não podia deixar de ser, temos algum conteúdo extra para desbloquear, incluindo um fato de panda para o Samanosuke

A nível audiovisual este é um jogo que me impressionou para a época em que foi lançado. Os gráficos são muito bons, mesmo com os cenários a possuirem gráficos pré-renderizados, gosto bastante do design dos níveis, que estão mesmo muito bem conseguidos. Para quem for fã da cultura Japonesa, irá certamente adorar explorer os cenários aqui apresentados. O design dos monstros também está muito bem conseguido e as expresses faciais estão excelentes. Isto para os padrões de 2001, claro! O voice acting está também bem conseguido e a banda Sonora mistura de forma magistral instrumentos típicos japoneses, com boas orquestrações que vão alternando entre momentos mais tensos ou épicos, consoante a acção e a narrativa.

Este Onimusha foi então uma bela surpresa para mim, era um jogo que estava na minha fila de espera já há muito tempo e fiquei arrependido em não o ter jogado mais cedo. O seu maior defeito é mesmo a longevidade, pois é um jogo bastante curto, infelizmente. Pegarei muito em breve no segundo jogo da série, estou bastante interessado em ver como evoluiu!