Duke Nukem 3D 20th Anniversary World Tour (Sony Playstation 4)

Vamos a mais uma rapidinha para aquela que é, até à data, a mais recente versão desse grande clássico Duke Nukem 3D e que, tal como o seu nome indica, é uma versão que celebrara os seus 20 anos, lançada portanto em 2016. Apesar de o DN3D ser para mim um jogo de PC, acabei antes por optar por esta versão PS4 pois foi a única que recebeu um lançamento físico (exclusivo dos Estados Unidos). O meu exemplar foi comprado algures em Agosto deste ano, tendo-me custado menos de 30€. Este artigo irá então incidir nas novidades trazidas nesta versão, mas se quiserem saber a minha opinião mais detalhada da versão original, para além de lerem o artigo acima mencionado (que foi um dos primeiros a ser cá escritos e com uma linguagem e estilo de escrita que já não uso), aproveito também para publicitar a minha participação num dos episódios da rubrica Deep Dive do podcast The Games Tome, onde, em conjunto com um amigo, analisamos o jogo ao detalhe:

Antes de avançar para esta versão propriamente dita, permitam-me um pequeno parêntesis. Este lançamento foi precedido pelo Duke Nukem 3D Megaton Edition lançado originalmente em 2013 ainda pela 3D Realms, sendo que essa versão incluía todo o conteúdo da Atomic Edition, bem como as mais famosas expansões single-player produzidas por terceiros (oficiais), nomeadamente a Duke It Out In D.C., Nuclear Winter ou Duke Caribbean: Life’s A Beach. Em 2016, quando os direitos da propriedade intelectual do Duke Nukem foram transitados para a Gearbox, essa edição acabou por desaparecer de todas as stores. Ora eu tenho essa edição no steam e a razão pela qual nunca a trouxe cá é simples: já tinha jogado todas essas expansões há muitos anos atrás e sinceramente o pouco que me lembro delas é que as achei bastante aborrecidas, portanto não tenho muita vontade de as voltar a jogar.

Jogo com caixa, na sua versão norte-americana

Todavia, para compensar a falta dessas expansões, o que fez a Gearbox? Contrataram alguns dos designers de níveis da equipa original e produziram toda uma nova expansão, exclusiva desta versão. Alien World Order é o seu nome e inclui 8 novos níveis e músicas (um deles secreto), alguns novos inimigos e uma nova arma. Os novos níveis são uma espécie de volta ao mundo, pois começamos nas ruas de Amesterdão (acabando inclusivamente por visitar uma coffee shop), passando pela Rússia, Reino Unido, Egipto, Roma, França e culminando em mais uma dupla de níveis nos EUA. Mas infelizmente devo dizer que fiquei um pouco decepcionado com esse conteúdo novo. Tirando aquele primeiro nível em Amesterdão, os restantes não foram tão excitantes quanto isso, pois muitos deles são bastante amplos e repletos de inimigos, sem toda aquela atenção ao detalhe e imensos easter eggs tal como vimos no lançamento original e Plutonium Pak/Atomic Edition. Dos novos inimigos, três deles são sprite hacks de bosses existentes, com apenas um inimigo inteiramente novo (que na verdade é baseado no design de um protótipo). A arma nova é um incinerador, que infelizmente é também um sprite hack da arma de gelo (Freezethrower). É bastante divertida no entanto!

Alguns dos bonitos efeitos de luz introduzidos na versão OpenGL da Build Engine.

Mais conteúdo adicional temos também algumas novas funcionalidades de qualidade de vida, pois para além de termos a liberdade de gravar/recarregar o nosso progresso a qualquer momento no jogo, assim como começar uma nova partida escolhendo qualquer nível (incluindo os secretos) podemos também activar um rewind de cada vez que morramos. Existem também novas vozes gravadas pelo próprio próprio Jon St. John, assim como novas músicas também compostas por Lee Jackson, um dos compositores da banda sonora original. Para além disso, se activarmos tal opção, podemos também ouvir imensos comentários pelos próprios designers dos níveis, o que para um fã do jogo original é sempre conteúdo bastante interessante. Existem também alguns novos efeitos de luz que podem ou não dar um melhor charme ao jogo.

Amesterdão e as suas montras.

Ainda assim, mesmo com o novo conteúdo a não ser tão excitante quanto isso, foi um prazer voltar a jogar (uma vez mais) este Duke Nukem 3D! É um dos maiores clássicos de DOS e continua tão actual e divertido de se jogar como se ainda fosse 1996. Always bet on Duke.

Crash Team Racing (Sony Playstation)

Com o sucesso de jogos como Mario Kart 64 ou Diddy Kong Racing, alguém na Naughty Dog achou que seria boa ideia lançar um jogo de Karts na série Crash Bandicoot. Afinal ambos os seus rivais eram baseados em personagens “mascotes” de jogos de plataformas, tal como o próprio Crash Bandicoot. E o resultado até que foi um jogo bem competente! O meu exemplar foi comprado a um particular algures em Feveiro de 2022, mas vou ter de substituir o CD pois possui algum disc rot. Entretanto como tinha sido desafiado por um amigo a jogar este jogo, lá tive de dar uso ao velhinho mas fiel ePSXe. Poderão ver/ouvir a minha opinião no mais recente episódio do Backlog Battlers, mas deixo cá também algumas notas escritas.

Ora tal como referi acima este é também um kart racer onde poderemos escolher representar uma de muitas das personagens do universo Crash Bandicoot, desde os seus inimigos como alguns aliados e todos eles conduzem karts com especificações algo distintas entre si. O Crash possui um carro com especificações medianas, enquanto temos outros mais rápidos mas pecam na maneabilidade e o inverso também. E dispomos também de vários modos de jogo como Time Trial, Arcade, Versus ou Battle (este último é uma espécie de modo deathmatch onde corremos numa arena), mas onde eu realmente investi o meu tempo foi no Adventure mode. Aqui temos mesmo uma história onde surge um novo vilão, o extra-terrestre Nitro Oxide que planeia invadir o nosso planeta, a menos que o consigamos vencer numa corrida. Antes disso acontecer teremos no entanto de participar em várias outras corridas e eventualmente vencer também outros bosses, mas já lá vamos.

Jogo com caixa e manual. Infelizmente o disco tem de ser substituído

No que diz respeito aos controlos as coisas são relativamente simples e funcionam bem. O analógico esquerdo ou o d-pad servem para virar o Kart, enquanto que os botões faciais servem para acelerar e travar (que também pode ser feito com o analógico direito) assim como utilizar os power ups que eventualmente iremos apanhar. Os botões de cabeceira servem para saltar (R1) e alternar a câmara (L2 e R2. Uma manobra fundamental para ter sucesso é dominar os power slides e turbos. Os primeiros são executados ao manter o R1 pressionado enquanto curvamos, sendo que depois poderemos activar um turbo no momento certo ao pressionar o L1. Esse momento é facilmente identificado através de duas dicas visuais. Uma é uma barra no canto inferior direito que quando fica vermelha durante um power slide nos indica que poderemos activar o turbo, a outra é estar atento aos canos de escape do nosso kart. Quando o seu fumo se torna negro, é sinal que podemos activar um turbo! De resto temos também toda uma série de power ups que poderemos apanhar como caixas de dinamite, bombas ou mísseis teleguiados que podem ser atirados contra os nossos oponentes e dão sempre um elemento extra de caos e diversão às corridas!

Ainda temos uns quantos modos de jogo diferentes e o modo Adventure também tem muitos desafios para desbloquear

Mas vamos então abordar um pouco mais o modo aventura em detalhe: aqui, tal como no Diddy Kong Racing, temos todo um mundo para explorar (de kart, claro) que nos dá acesso a várias corridas diferentes. Inicialmente temos apenas uma área para explorar e apenas duas corridas estão abertas. O objectivo é então o de competir em cada uma dessas corridas e terminar as mesmas em primeiro lugar, com as restantes corridas daquela parte do mapa a serem desbloqueadas em seguida. Tipicamente temos 4 corridas diferentes por “mundo” e uma vez terminadas as quatro desbloqueamos o confronto contra o boss daquela zona. Essas são corridas de 1 contra 1, onde o boss é extremamente agressivo e irá atacar-nos constantemente! Uma vez terminada essa corrida ganhamos uma chave que nos desbloqueia a porção seguinte do mapa, onde teremos de repetir todo esse processo para as corridas seguintes. Eventualmente lá teremos confrontar o próprio Nitro Oxide e se o derrotarmos… bom o final é qualquer coisa como isto: “perdi a corrida mas não me considero derrotado. Colecciona todos os tokens, rélicas e vence os campeonatos gem e defronta-me outra vez!”. Ou seja, se quisermos completar este jogo a 100% teremos mesmo de completar todos estes desafios adicionais que vão sendo desbloqueados à medida que vamos defrontando vários bosses.

O catálogo inicial de personagens jogáveis é algo generoso mas ainda temos alguns bosses para desbloquear se nos quisermos dar a esse trabalho

Cada corrida normal pode ser jogada novamente para dois tipos de desafios diferentes: os CTR tokens e relics. No primeiro competimos na mesma contra mais 7 oponentes e o objectivo não só é o de chegar em primeiro lugar, mas também de coleccionar as letras C T R que estão espalhadas pelo circuito, muitas vezes em locais não muito visíveis. No segundo desafio já competimos sozinhos e a ideia é a de fazer o melhor tempo possível, existindo 3 tempos a bater: sapphire (fácil), gold (difícil) e platinum (perfeccionista!), sendo que para desbloquear o final verdadeiro teremos de bater os tempos gold no mínimo. Para ajudar, vamos também ter acesso a uma série de caixas destrutíveis com os números 1, 2 ou 3. Sempre que destruímos uma destas caixas, o relógio deixa de contar esses mesmos segundos e, caso destruímos todas essas caixas, temos ainda um desconto de tempo adicional de 10s no final de cada nível, essencial para chegar aos tempos de platinum. Sempre que derrotamos um boss desbloqueamos também um desafio adicional onde numa arena teremos de apanhar uma série de cristais dentro de um tempo limite, também para granhar um token CTR. À medida que vamos amealhando estas medalhas CTR vamos também desbloquear as Gem Cups, que são pequenos campeonatos onde teremos de competir em 4 circuitos seguidos, onde o objectivo é também o de terminar em primeiro lugar. É aqui também onde poderemos desbloquear algumas personagens secretas! Portanto como podem calcular, conteúdo adicional é o que não falta. Se eu fosse novito e tivesse bem mais tempo disponível (e menos jogos em backlog) certamente ainda tentaria completá-lo a 100%, mas decidi não o fazer, pois o jogo obriga-nos a conhecer intimamente todos os circuitos, os seus atalhos e dominar as mecânicas de power slide e boost.

Apesar de não o ter experimentado, acredito também que o multiplayer seja bastante divertido. Caso tenhamos um multitap podemos também jogar com até 4 jogadores

No que diz respeito aos audiovisuais estamos perante um jogo bem colorido e detalhado, como tem sido habitual na série Crash Bandicoot. Os circuitos são bastante variados entre si, desde praias, montanhas e florestas, pistas subaquáticas, ruinas antigas, entre muitos outros. Todos eles apresentam gráficos poligonais bem detalhados, pelo menos para o standard dos sistemas 32bit daquela época e a draw distance até que é bem considerável. A sensação de velocidade, particularmente quando passamos por algum boost está também muito bem conseguida, pelo que é um jogo que apresenta uma boa performance como um todo. A banda sonora é também agradável, possuindo muitas daquelas sonoridades algo características dos primeiros jogos da série Crash, ou seja melodias alegres e com um toque algo tribal, por vezes.

Portanto estamos aqui perante um jogo de karts muito bem executado tecnicamente e bastante divertido de se jogar, com a mecânica do power slide + boost a ganhar o merecido destaque. Creio que foi também um jogo bem sucedido, pois apesar de existirem vários jogos do género na PS1, todos estavam a milhas de distância dos sucessos da Nintendo 64 e este CTR a meu ver até os pode ter superado. Tem também muito conteúdo adicional para quem o quiser completar a 100%, pelo que a sua longevidade pode ser também um factor positivo. De resto convém também mencionar que para além dos sucessores Crash Nitro Kart e Tag Team Racing que saíram para as consolas da geração seguinte, este CTR teve também direito a um remaster em 2019 que sinceramente nunca cheguei a jogar.

Virtuaverse (Sony Playstation 4 / PC)

O artigo de hoje é uma muito interessante aventura gráfica do estilo point and click. Nunca tinha ouvido falar do jogo até que a certa altura o GOG chegou a oferecer cópias digitais do mesmo por um período limitado e como gostei do que vi, lá decidi adicioná-lo à minha conta para jogar quando calhasse. Eventualmente a Limited Run Games anunciou que iria lançar o jogo em formato físico e lá reservei a minha cópia algures no ano passado. Mas infelizmente só chegou às minhas mãos há poucos meses atrás.

Jogo com caixa e uma desculpa esfarrapada de manual

E este é um jogo com uma temática cyberpunk, decorrendo num futuro não muito risonho e claro, onde a tecnologia avança de tal forma que a maior parte das pessoas possuem uma espécie de implantes no corpo que as permitem viver num mundo de “realidade aumentada”, o que as deixa cada vez mais alienadas da realidade propriamente dita. Nós controlamos Nathan, um hacker ainda resistente a essa mudança e que a certo dia acorda sem a sua namorada ao seu lado, que desaparece misteriosamente. Lá começamos a aventura no seu encalço onde teremos entretanto de resolver toda uma série de puzzles até chegar ao seu pé e vamos também conhecer todo aquele mundo alternativo. Obviamente que eventualmente lá iremos lutar para mandar abaixo o sistema que controla a humanidade, mas é toda uma viagem até chegarmos a esse ponto.

Adoro a direcção artística e visuais pixel art desta aventura!

A jogabilidade é o que se espera de uma aventura gráfica deste estilo, com o cursor a servir para interagir com uma série de objectos ou outras personagens e ao contrário do que habitualmente estamos habituados no PC, aqui os dois analógicos do comando da PS4 são igualmente necessários, pois o direito controla o cursor, já o esquerdo controla o movimento de Nathan. Como é habitual, vamos ter vários itens que poderemos guardar no inventário para posteriormente utilizar noutros objectos ou personagens, assim como poderemos combiná-los uns nos outros. Ocasionalmente teremos alguns puzzles mais desafiantes, incluindo alguns puzzles bem geeks onde deveremos converter caracteres ASCII para chegar à sua solução! Ainda na jogabilidade convém também só referir que por vezes nos diálogos o jogo parece que encravava por alguns segundos, não nos deixando mudar a linha de diálogo.

A banda sonora é também fantástica, então esta música dos Keygen Assault é uma maravilha!

Visualmente este é um jogo muito único pois é todo ele representado em pixel art, mesmo como eu gosto. O tema cyberpunk está muito bem representado e a utilização de tecnologias antigas (para fugir ao tal sistema) serve de desculpa para colocar imensas referências retro, como os computadores Lorraine 500 (Amiga 500) ou o Atari ST que é lá referido com um outro nome que não me recordo. Ou a trivia de o Doom precisar de 4MB de RAM para ser executado! Em suma, é um jogo para geeks! Sendo este um título indie infelizmente não temos qualquer voice acting, mas a banda sonora é excelente! Esta é composta por muitas músicas chiptune que nos remetem mesmo para a cena europeia da década de 80 / inícios dos 90, com aquele som característico de jogos de Amiga, Commodore 64 entre outros sistemas da época. Ocasionalmente temos alguns temas mais metal/electronica, pois a própria banda italiana Master Boot Record esteve envolvida na banda sonora deste jogo. Só pela banda sonora já valeu a pena e os MBR já tinha ouvido falar, agora irei descobrir a sua discografia com mais atenção.

Perto do final do jogo iremos controlar também Jay, a tal namorada de Nathan

Portanto este Virtuaverse é um óptimo jogo de aventura point and click com uns visuais (e banda sonora!) muito retro e que acabam por resultar lindamente. Recomendo vivamente a quem gostar de aventuras gráficas e de temas cyberpunk! Fico curioso para eventuais novos lançamentos desta equipa!

Yakuza Kiwami 2 (Sony Playstation 4)

Finalmente, o outro jogo em que investi muitas horas do meu tempo nas minhas férias que entretanto terminaram foi mesmo este Yakuza Kiwami 2, um remake do Yakuza 2 originalmente lançado para a PS2 em 2006/2008. O meu exemplar sinceramente já nem me recordo bem quando terá sido comprado. Se a memória não me falha foi numa das promoções de “Leve 3 pague 2” da Worten, quando o valor base desta edição andava nos 20€, pelo que ficou ainda mais barato. Talvez um dia a troque pela edição com o steelbook se me aparecer a um preço convidativo.

Jogo com caixa, papelada e um autocolante

A história é a mesma do Yakuza 2, com a narrativa a decorrer um ano após os acontecimentos do primeiro jogo. Com o clã de Tojo numa posição muito fragilizada após os eventos anteriores, o clã rival da região de Kansai, a Omi Alliance, planeia aproveitar essa fragilidade para os atacar em força, com o apoio de uma outra organização mafiosa estrangeira. Apesar de Kiryu ter deixado uma vez mais a vida de Yakuza, acaba por novamente ser arrastado para esta confusão, onde iremos uma vez mais colaborar com o (agora ex) detective Date e outros polícias como é o caso da jovem Kaoru Sayama. Ao contrário do que me aconteceu no Yakuza Kiwami, onde eu ainda me lembrava bem da história do primeiro Yakuza, confesso que deste jogo já me lembrava muito pouco, a não ser a rivalidade que se foi desenvolvendo entre Kiryu e Ryuji Goda (um dos antagonistas da Omi Alliance), pelo que foi bom relembrar uma vez mais toda esta bela história que supostamente fecha ainda algumas pontas soltas do lançamento original. Uma das novidades aqui introduzida é a Majima Saga, uma pequena história dividida em 3 capítulos que vão sendo desbloqueados ao longo da aventura principal, onde jogamos com o Majima e serve de uma espécie de prólogo aos eventos da trama principal.

Os inimigos estão visíveis no ecrã, assinalados como setas vermelhas no mapa, pelo que as batalhas poderão ser evitadas se fugirmos ou simplesmente tomarmos um diferente caminho

No que diz respeito ao jogo, bom, este é então uma aventura open world, onde iremos ter a liberdade de explorar Kamurocho, o distrito dedicado a diversão nocturna em Tokyo e Sotenbori, o mesmo para Osaka. E este é então um jogo de acção com ligeiras mecânicas de RPG, onde poderemos também “perder tempo” a fazer muitas outras coisas enquanto exploramos ambas as localizações, como participar numa série de variadíssimos mini-jogos ou fazer várias side quests. No que diz respeito ao combate, enquanto os Yakuza 0 e Kiwami permitiam-nos alternar livremente entre vários estilos de luta distintos, aqui temos apenas um estilo de luta único, que inclui golpes dos outros estilos dos jogos anteriores. A maneira de evoluir a personagem é também diferente: combater outros bandidos, completar sidequests, comer em restaurantes ou cumprir certos objectivos é-nos recompensado com pontos de experiência, que são distribuídos em diferentes categorias: Força, Agilidade, Espírito, Técnica e Charme. Com os pontos de experiência amealhados, vamos poder desbloquear toda uma série de habilidades e perks, desde novos golpes que poderemos usar em combate, como extender as barras de vida, heat, melhorar ataque, defesa ou outros benefícios, como a experiência recebida, frequência com que os inimigos largam dinheiro ou outros itens após terem sido derrotados, a nossa resistência física para correr mais tempo, entre muitas outras hipóteses. De resto, equipar armas para usar nos combates é uma vez mais possível e sim, as heat actions estão de volta. Agora é também possível entrar num estado de “super heat” que poderemos activar (assim que desbloquearmos tal habilidade) quando a barra de heat estiver cheia, o que nos permite desencadear golpes bastante poderosos, enquanto a barra possuir energia.

Os combates continuam super intensos e as heat actions marcam o seu regresso, sendo estas sensíveis ao contexto, objectos/armas que tenhamos equipado ou golpes que tenhamos aprendido

Mas sim, como devem saber, Yakuza é muito mais do que uma história empolgante repleta de combates brutais, contendo também imenso conteúdo opcional. As sidequests, tal como no Kiwami anterior, foram revistas, existindo umas quantas novas e outras que desapareceram por completo. Os mini jogos também foram revistos, alguns como o Bowling ou as actividades de engate de Kiryu nos clubes de Hostess, ou o reverso onde Kiryu passava ele próprio a ser um host e por vezes ver-se em situações algo embaraçosas, ou o mini jogo das massagens foram também retirados. No seu lugar, temos as arcades com um port do Virtual On e outro do Virtua Fighter 2, assim como o hilariante Toylet, baseado também em “jogos” reais da Sega. Em vez de massagens e engatar miúdas em bares, podemos agora tirar-lhes fotografias em poses arrojadas. Uma das actividades paralelas do Yakuza 2 original era gerir um clube de hostesses, que foi agora alterado para uma nova iteração Cabaret Club Czar, introduzido no Yakuza 0, e que, apesar de algumas diferenças mínimas, continua altamente viciante. Outra das actividades paralelas é o Majima Construction, que é basicamente um tower defense, onde construimos e controlamos uma equipa de um máximo de 9 personagens e teremos de enfrentar várias ondas consecutivas de mobs e bosses que nos tentam destruir algum equipamento. As Bouncer Missions foram também introduzidas, assim como uma série de bosses opcionais e as lutas no coliseu. As primeiras são missões onde não podemos usar itens e temos de derrotar uma série de inimigos dentro de um caminho pré-definido, culminando em combates contra um ou mais bosses, bem como ocasionalmente dentro de tempo limite. Como podem ver, o que não falta é conteúdo opcional e apesar de eu não ter feito tudo o que o jogo tem para oferecer, ainda gastei mais de 50h com ele.

Para além do Virtua Fighter 2 e Virtual On, eventualmente desbloqueamos outros jogos nas casas de banho dos centros arcade

No que diz respeito aos audiovisuais, estes estão um pouco melhor que os que foram introduzidos nos Yakuza 0 e Kiwami, pois o jogo utiliza o mesmo motor gráfico do Yakuza 6, lançado uns meses antes. Existe uma diferença notória (pelo menos pareceu-me) no detalhe que as cidades têm, com texturas mais detalhadas, efeitos de luz mais vibrantes mas o que mais me agradou é a diferença de detalhe gráfico entre as personagens principais e os NPCs genéricos ser mais reduzida. Ainda há uma diferença sim, mas não é tão gritante. De resto nada de especial a apontar ao som, o voice acting continua excelente e claro, inteiramente em Japonês (nem eu quereria outra coisa!) e a banda sonora recicla muitos temas dos títulos anteriores. A excepção está num conjunto de temas principais que foram compostos por uma banda de metal japonesa e, apesar de eu ser um metaleiro convicto, confesso que não gostei assim tanto dessas músicas novas.

O que não falta é conteúdo opcional para investir tempo, incluindo o regresso do simulador de gestão de cabaret que é super viciante e uma óptima fonte de dinheiro

Portanto estamos aqui perante mais um excelente jogo, bastante divertido de se jogar e com imenso conteúdo opcional, que lhe dá uma imensa longevidade para quem o quiser tentar completar a 100%. Temos muito conteúdo novo que foi bastante benvindo, mas tenho pena que tenham retirado alguns dos mini jogos que o lançamento original da PS2 possuía. No entanto, o sistema de combate é bastante superior ao do original e só aí já é uma grande melhoria. Segue-se o Yakuza 3 que o planeio começar a jogar daqui a uma ou duas semanas e irei também optar pela versão remastered também disponível na PS4.

The House in Fata Morgana (Sony Playstation 4)

Apesar de ter estado de férias durante estas duas semanas e muito ter jogado, o blogue não teve tanta actividade quanto isso, pois tenho-me focado em 2 jogos consideravelmente longos. Na primeira semana joguei um outro jogo na PS4 que ainda não terminei e irei retomar já em seguida. Já nesta segunda semana, para variar um pouco lá me decidi a começar este The House in Fata Morgana, na esperança que não fosse uma VN muito longa. Como me enganei, foram vários os dias seguidos em que estive a ler todo o texto que este jogo nos apresenta, até porque esta edição contém também muito conteúdo adicional como prólogos, epílogos, histórias secundárias ou até sequelas! O meu exemplar foi comprado na Vinted algures no final de Julho. Não foi nada barato, mas tendo em conta que tinha um saldo considerável para lá gastar, acabou por ficar bem mais em conta.

Jogo na sua edição de coleccionador com caixa exterior de cartão, livro com arte, banda sonora em 2 CDs (a única coisa que se manteve selada aqui), póster, caixa e pequeno panfleto no lugar de um manual de instruções.

Esta é então uma visual novel onde ocasionalmente teremos algumas opções a tomar que nos poderão levar a diferentes finais. São 8 capítulos ao todo, embora nem todos os finais nos permitam chegar a todos os capítulos (alguns ficam-se pela metade do jogo!). Sem querer revelar muito da história, digamos que a mesma se passa numa espécie de mansão amaldiçoada e onde vamos acompanhar a história trágica de vários dos seus residentes, ao longo de vários séculos de existência. É uma história repleta de momentos desconcertantes, repletos de tensão e ocasionalmente até bastante macabros. E mais não revelo, se ficarem tão curiosos quanto eu fiquei após um amigo me ter recomendado este jogo, joguem-no!

Esta edição traz bastante conteúdo que terá de ser desbloqueado aos poucos (a menos que usem o Back Door para o desbloquear todo de seguida). O Requiem for Innocence por si só traz também toda uma série de outras histórias para experienciarmos.

Agora sendo esta uma visual novel esperem então pelas características habituais deste tipo de jogos: muito texto para ler, sobreposto sobre algumas imagens estáticas que representam os cenários, assim como imagens também algo estáticas das personagens com as quais vamos interagindo. A sério, apenas as suas expressões faciais vão-se alterando aqui e ali. E tal como referi logo no primeiro parágrafo deste artigo, o jogo é bastante longo. E eu confesso que, durante VNs consideravelmente longas acabo invariavelmente por adormecer. E isso aconteceu bastantes vezes durante este Fata Morgana, pois a história por vezes extende-se demasiado em coisas que parecem algo supérfluas para o desenrolar da narrativa principal. Pois bem, mas mesmo esses momentos que parecem algo aborrecidos e só estão ali para “encher chouriços”, são na verdade muito importantes pois servem para melhor enriquecer o universo do jogo, os backgrounds e relações entre as personagens, o que acaba por potenciar bem mais todos os sentimentos menos positivos que sentimos mal a história dá alguma reviravolta e alguma coisa chocante acaba por acontecer. Nessas partes acordava sempre e perdoava toda a “seca” que por vezes fui obrigado a ler antes.

Ocasionalmente termos algumas escolhas para fazer, por vezes com consequências directas que nos levam a finais distintos.

Depois, também como já referi acima, o jogo está também repleto de conteúdo adicional. Um deles é o Requiem of Innocence, uma compilação de várias outras histórias adicionais, de onde se destaca a What’s Past is Prologue que detalha um pouco mais o passado de várias das personagens principais e os eventos que levaram a que uma das tragédias acontecesse. É também uma história consideravelmente longa, e apesar de não achar a narrativa tão boa como a da aventura original, está também bem escrita. Para além disso temos ainda o Reincarnation, uma sequela da aventura original e que decorre nos dias de hoje (também com uma longevidade considerável), bem como todo um conjunto de pequenas histórias de cerca de 20/30min que poderemos também ler. Todo este conteúdo vai sendo desbloqueado à medida que vamos completando o anterior, no entanto e claro, isso aumenta bastante a longevidade deste lançamento.

Gosto bastante da arte e maneira mais sinistra como certas personagens vão sendo representadas. Particularmente estas duas!

Não há muito a referir no que diz respeito aos visuais, pois estes são bastante estáticos como é normal em muitas VNs. Por um lado nem sempre acho grande piada aos cenários escolhidos, já a arte das personagens achei bastante bem conseguida, excepto numa ou noutra ilustração. Por outro lado a banda sonora que nos acompanha é bastante boa e eclética. Por vezes temos agradáveis melodias que tentam acompanhar a época em questão, desde a utilização de instrumentos medievais ou renascentistas, passando até por músicas jazz quando visitamos o século XIX. Outras vezes, para os momentos mais desconcertantes, vamos ter músicas incrivelmente tensas e dissonantes, que encaixam perfeitamente na atmosfera de puro terror que o jogo nos tenta passar. Outras vezes temos músicas altamente repetitivas mas em constante crescendo e que também resultam muito bem! Um outro detalhe interessante é o facto de muitas dessas músicas serem também vocais, muitas delas cantadas em várias línguas. Até português ouvi, embora com um sotaque muito carregado, visto que todos os temas foram compostos por músicos japoneses. Infelizmente apenas a sequela Requiem possui voice acting (todo ele em japonês), já nenhum dos outros títulos aqui incluídos o possui. Por um lado é pena, por outro lado, tendo em conta que o lançamento original do The House of Fata Morgana foi desenvolvido por um pequeno estúdio até se entende a falta de vozes. E acima de tudo, se houvessem vozes, creio que um certo elemento de surpresa se perdiria e mais não digo.

Ocasionalmente os cenários são substituídos por uma outra imagem estática com mais detalhe e que melhor ilustra o que está a acontecer

Portanto este The House of Fata Morgana é um jogo bastante interessante, especialmente para quem gostar de ler uma boa história. E sublinho o ler, pois esta é uma visual novel bastante longa. Os seus momentos mais aborrecidos acabam por ser recompensados de longe pelos mais excitantes e, tal como já referi acima, também os tornam necessários para que o choque para o jogador/leitor resulte melhor. Infelizmente o lançamento físico deste jogo em inglês está, até ver, limitado aos lançamentos da Limited Run Games que há muito estão esgotados e infelizmente fazem com que o seu preço no mercado seja bastante elevado. É uma pena ver muitos jogos selados da LRG à venda na internet quando títulos como este merecem totalmente ser jogados, mas isso seria conversa para um outro tópico.