Sensible Soccer: European Champions (Sega Mega Drive)

Voltando às rapidinhas a jogos desportivos, hoje deixo-vos cá a primeira adaptação da série Sensible Soccer para a popular consola da Sega. Originalmente lançado no Commodore Amiga e Atari ST em 1992, Sensible Soccer foi um muito popular jogo de futebol, com uma perspectiva vista de cima, mas com os jogadores a serem sprites muito pequenas, o que dava também para ter uma visão bem ampla do campo. A jogabilidade e a grande variedade de equipas e competições foram também muito aclamadas na altura. Esta versão Mega Drive é baseada no primeiro update da série, Sensible Soccer 92/93, também lançado originalmente no mesmo ano para os mesmos computadores. O meu exemplar veio precisamente do Reino Unido, tendo sido comprado a um particular no facebook como um bundle de vários jogos, tendo-me ficado a menos de 10libras.

Jogo com caixa e manual

Aqui podemos optar por jogar com selecções nacionais ou clubes e participar nas mais variadas competições. Infelizmente esta versão não tem qualquer licença de direitos de jogadores ou clubes, pelo que os nomes dos jogadores, clubes e algumas competições (como a EUFA cup)  são todos fictícios. No meio de tanto clube temos os 3 grandes portugueses, aqui representados como Oporto, Lisboa e Lisbon. A jogabilidade é algo particular, especialmente no controlo da bola, seja quando quisermos correr com ela ou fazer algumas fintas. Sinceramente não joguei tempo suficiente para dominar isto, pois é muito comum termos a bola e, ao mudar de direcção o jogador ir para um lado e a bola para o outro. Felizmente nas opções podemos alterar a dificuldade para “Beginner”, o que torna este controlo mais fácil e a bola mais presa ao jogador que tem a sua posse. No que diz respeito aos controlos em si, na posse de bola temos botões de passe, remate e chuto normal, cujos devem ser sempre aplicados em conjunto com o d-pad indicando a direcção para onde queremos direccionar a bola. Outra das características próprias deste jogo é também o after touch, ou seja, depois de um remate, mantendo os botões direccionais pressionados numa direcção específica enquanto a bola sai disparada, permite-nos fazer um efeito de arco com a mesma, o que pode dar jeito para enganar os guarda-redes.

Ah, grandes tempos do meu FCP com Juao Ponto, Eloisio, Jurge Custa e Firanndo Cuuto na defesa. Cortina de ferro!

Já no que diz respeito aos modos de jogo, quer sejam com selecções nacionais ou clubes, teremos uma variedade respeitável de modos de jogo, desde partidas amigáveis, ou diversos tipos de campeonatos (por pontos) e torneios eliminatórios. Alguns já com regras pré-definidas, outros customizáveis no número de equipas disponíveis. Também poderemos criar equipas à nossa imagem e usá-las em várias destas competições.

Os gráficos são do mais simples que existe, porém bastante funcionais.

No que diz respeito aos gráficos, estes são bastante simples, porém muito funcionais. Tal como referi acima as sprites dos jogadores são minúsculas, mas por outro lado também nos permite ter uma visão bastante alargada do campo, o que é bom pois temos sempre uma boa ideia do posicionamento dos jogadores. Para além disso, temos uma grande variedade de equipas nacionais e clubes e, pelo menos das equipas que experimentei, os seus equipamentos parecem-me estar o mais próximo possível dos reais. Já no que toca ao som, os efeitos sonoros são competentes, desde as reacções do público nas jogadas mais perigosas aos apitos do árbitro. As músicas são interessantes e, ao contrário de muitos outros jogos de futebol que lhe seguiram, por defeito ouvimos também uma musiquinha durante as partidas (mas podemos desactivar isto nas opções de jogo se a acharem demasiado distractiva).

Repetições de golos? Check.

Portanto este Sensible Soccer parece-me a meu ver uma conversão bastante interessante do clássico desportivo da Sensible Software, embora eu nunca tenha jogado o original Amiga. O facto de ter sido um jogo tão popular na Europa em geral e Reino Unido em particular, resume-se no simples facto desta versão ter também sido lançada em practicamente todos os sistemas da Sega disponíveis na época: Mega Drive, Mega CD, Master System e Game Gear, para além de versões também para a Gameboy, SNES e Atari Jaguar. A Mega Drive (e não só) viria também mais tarde receber uma nova versão do Sensible Soccer, a International Edition, pelo que esta também poderá ser interessante.

Gale Racer (Sega Saturn)

Hoje trago cá a conversão para a Sega Saturn do Rad Mobile, um jogo de corridas arcade da própria Sega lançado originalmente em 1991, tendo sido conhecido não só por ser o primeiro videojogo que marca uma aparição de Sonic the Hedgehog, antes da futura mascote da Sega ter o seu primeiro videojogo oficialmente lançado, bem como sendo o primeiro jogo 32bit da empresa nipónica, tendo sido lançado originalmente no sistema System 32. Ainda assim era um jogo maioritariamente em 2D, apresentando no entanto sprites com muita melhor definição que os seus esforços anteriores. Em 1994, por alturas do lançamento Japonês da Sega Saturn, a Sega acabou por lançar uma conversão deste jogo sob o nome de Gale Racer. Infelizmente não é muito boa, pelo que o jogo acabou por ficar em solo japonês apenas. O meu exemplar veio da loja Mr. Zombie no mês passado, tendo-me custado 6€.

Jogo com caixa, manual e papelada

Rad Mobile foi um dos primeiros jogos arcade que eu alguma vez joguei. O primeiro foi o Out Run, numa máquina que ficava à entrada de um hipermercado onde os meus pais faziam compras no início dos anos 90. O segundo estou na dúvida se terá sido o Insector X ou o Rad Mobile, que tinha eventualmente substituído a máquina do Out Run que mencionei anteriormente. Este era um jogo onde, tal como o Out Run, teríamos de atravessar os Estados Unidos, desde a sua costa Oeste à Leste, garantindo no entanto que fossemos ultrapassando uma série de rivais pelo caminho, de forma a chegar a Nova Iorque em primeiro lugar. Aqui o objectivo mantém-se idêntico, com o número de rivais a bater a aumentar de 14 para 21, no entanto. E se na arcade a experiência era non-stop, aqui o jogo vai estando dividido em diversos segmentos separados por ecrãs de loading. Sinais dos tempos!

Curvas inclinadas! Parece que são lombas mas é mesmo assim, do motor do jogo

Ao longo do jogo teremos então não só de garantir que vamos atravessando cada checkpoint antes que o nosso tempo se esgote, bem como ultrapassar  todos os rivais que vão surgindo. Para além disso teremos de ter em atenção ao restante trãnsito que vamos vendo na estrada, inclusivamente para carros que venham em sentido contrário. Ocasionalmente vamos encontrar alguns rivais mais agressivos que servem também de bosses do jogo, como um camião gigante, porém rapidíssimo a subir uma estrada na encosta de uma montanha, onde temos de ter cuidados adicionais para não cair no desfiladeiro. Para além do modo arcade temos também um versus para 2 jogadores em split screen, bem como um modo time attack onde o objectivo é fazer o melhor tempo possível. Um detalhe interessante é o boneco do Sonic que temos pendurado no carro e que vai abanando. Esta foi a primeira aparição oficial do ouriço num videojogo, visto que Rad Mobile foi lançado em Janeiro de 1991, com o primeiro jogo oficial de Sonic a ser lançado mais tarde nesse mesmo ano. Nesta conversão, no entanto, quanto mais formos jogando este Gale Racer, vamos desbloqueando novas bonecos que vão substituindo o Sonic, como é o caso do Tails, Knuckles, Eggman, Metal Sonic ou outros elementos mais desconhecidos do universo Sonic, como o Mighty the Armadillo e Ray the Flying Squirrel.

O versus para 2 jogadores coloca-nos a competir um contra o outro em split screen

Originalmente este era um jogo inteiramente em 2D, no entanto o sistema System 32 possuía um hardware mais poderoso que os seus antecessores, disponibilizando sprites com melhor qualidade, alguns efeitos gráficos interessantes como a chuva a cair e os carros a levantar água da estrada molhada. As estradas em si eram também bem mais dinâmicas, apresentando não só as já habituais lombas, bem como se inclinando em curvas mais apertadas. Ora os efeitos metereológicos e as curvas inclinadas estão aqui presentes, mas as sprites foram substituídas por polígonos muito simples, assim como as suas texturas. Infelizmente a performance não é tão boa quanto no original arcade, e mesmo os polígonos aqui presentes serem muito simples e com texturas de baixa qualidade, a draw distance dos circuitos é muito reduzida. As mecânicas de detecção de colisões também deixam um pouco a desejar, vemos carros a atravessarem uns aos outros como se fossem fantasmas! No que diz respeito aos restantes audiovisuais, a Sega incluiu algumas cutscenes em CGI e as músicas apesar de não serem propriamente desagradáveis, ficam aquém do que mais tarde conseguiram fazer em jogos como Sega Rally, por exemplo.

No início e fim de jogo temos direito a uma cutscene em CGI – a nova geração prometia!

Portanto este Gale Racer foi uma oportunidade perdida de fazerem uma conversão decente de um jogo arcade lançado originalmente 3 anos antes. O sistema System 32 apesar de poderoso para a época, era um sistema lançado ainda com jogos 2D em mente. Gale Racer por sua vez foi lançado em 1994, tendo sido o primeiro jogo de corridas na plataforma. Creio que a Saturn seria capaz de correr uma conversão mais fiel ao arcade se mantivessem o mesmo estilo gráfico. No entanto, tendo sido um jogo de lançamento, é possível que o seu desenvolvimento tenha sido apressado e a Sega quisesse fazer uma conversão em 3D total para melhor mostrar as capacidades da consola, pelo que infelizmente o resultado não foi o melhor. A Saturn possui jogos de corrida inteiramente em 3D bem mais competentes que este Gale Racer e talvez por isso, por altura dos lançamentos ocidentais da consola, tenhamos recebido apenas o Daytona USA e este Gale Racer se tenha ficado apenas no Japão.

36 Great Holes (Sega 32X)

Voltando agora às rapidinhas e para um jogo desportivo, vamos ficar com um título de Golf, esse desporto que a mim me diz muito pouco, mas surgiu a hipótese de comprar um jogo 32X completo a um preço muito convidativo pelo que não a deixei escapar. Este meu exemplar veio de uma loja da Áustria, mais precisamente em Viena. Um amigo meu também coleccionador foi lá passar uns dias, descobriu a loja e acabou por me comprar umas coisas também. Este meu exemplar ficou por 9€.

Jogo com caixa e manual

Ora 36 Great Holes parece o título de um filme de origem questionável, pelo que o seu nome completo é Golf Magazine: 36 Great Holes Starring Fred Couples. Portanto o jogo parece ter o patrocínio não só de uma revista de golf, mas também de um jogador que sinceramente nunca tinha ouvido falar. E também como o título do jogo refere, aqui vamos poder jogar em 36 buracos de diferentes circuitos Norte Americanos. Ou seja, não há um circuito completo para jogar, mas sim um conjunto de partes de diferentes circuitos.

O ecrã título mostra-nos um curto, porém bastante fluído e nítido vídeo de Fred Couples a dar-nos as boavindas

Inicialmente vemos que temos diferentes modos de jogo para experimentar, desde um modo de treino que convém visitar quanto mais não seja para nos familiarizarmos com os controlos, bem como outros modos de jogo como é o caso de torneios, Stroke play. Scramble (este é um modo de jogo em equipa, onde só as melhores tacadas de equipa são aproveitadas), Shoot Out, etc. Dentro de muitos destes modos de jogo podemos escolher jogar um circuito completo de 36 buracos, ou algumas selecções pré-determinadas de circuitos de 18. Antes de começarmos o quer que seja podemos optar por jogar com o tal Fred Holes ou criar o nosso próprio jogador, num menu que mais faz lembrar RPGs, pois podemos escolher o tipo de corpo e cara, a cor das calças, t-shirt, entre outros.

Não convém mandar a bola para a água, são tacadas completamente desperdiçadas

Uma vez em jogo, sendo este um simulador, teremos várias opções a todos os tempos, desde ajustar a posição dos pés em relação ao tee, mudar de tacos e uma estimativa da distância máxima que a bola pode alcançar com cada taco diferente, activar grelhas de nível para melhor ter uma ideia da superfície de jogo, entre muitos outras coisas. Uma vez assumindo que queremos dar uma tacada, começamos por ver uma barra de energia a mover-se. Esta é a potência da tacada, e para cada jogada o CPU indica qual é a zona perfeita da barra de energia que deveremos atingir. Uma vez seleccionada a potência, outra barra de energia começa a mover-se, esta define a precisão da nossa jogada e uma vez mais o objectivo é alinhar a barra de energia com o limite sugerido pelo CPU.

Sempre que metemos uma bola no buraco temos a possibilidade de ver e/ou gravar o replay da jogada

No que diz respeito aos audiovisuais, assim que surge o ecrã título vemos uma pequena janela de vídeo onde o atleta Fred Palmer nos dá as boas vindas ao jogo. É uma sequência de vídeo curta, mas muito bem definida. No jogo em si, tudo está num 2D muito bem representado, com cores vivas e gráficos bem definidos. Já na Mega Drive  tínhamos alguns títulos de golf com visuais com alguns gráficos poligonais primitivos, e a 32X, tendo sido um aparelho a pensar precisamente em oferecer algumas características mais fortes de representação poligonal em 3D, seria de esperar que houvesse alguns gráficos poligonais neste jogo, mas não é o caso. E sinceramente ainda bem, pois acabou por se tornar num dos jogos de golf 2D mais bonitos da sua época. No que diz respeito ao som, tudo parece também ser competente. As músicas vão surgindo apenas nos menus, sendo que nas partidas de golf apenas ouvimos a natureza, as nossas tacadas e alguns comentários ocasionais de Fred Palmer. É verdade que estes poderiam ser um pouco mais variados, mas a qualidade dos samples de voz estão muito bons.

Portanto este 36 Great Holes acabou por me surpreender pela positiva, pois não só parece ser um jogo de golf bastante sólido como simulador, como visualmente muito apelativo. A aposta em gráficos 2D de alta qualidade a meu ver acabou por ser a melhor, pois fez com que o jogo tenha envelhecido melhor.

Night Trap (Sega Mega CD)

Vamos voltar à Mega CD, agora com mais um dos muitos jogos full motion video prestentes no sistema, embora este tenha um legado especial, muito pelas polémicas que esteve envolvido, bem como as suas origens. O meu exemplar foi comprado a um particular no Reino Unido há uns meses atrás, tendo-me custado algo em torno das 20 libras.

Jogo com caixa e manuais
Jogo com caixa, manuais e 2 discos

Ora então qual é o conceito deste Night Trap? Basicamente uma série de raparigas adolescentes desapareceram misteriosamente depois de terem ido dormir a casa de uma amiga. A polícia tentou investigar o caso mas a família dona da casa, os Martins, mostrou resistência à polícia para investigarem o interior da casa, pelo que o caso passou para uma polícia de elite, os SCAT (Sega Control Attack Team), que se infiltraram na casa e descobriram um complexo sistema de câmaras de vigilância e armadilhas montadas na maioria das divisões. Suspeitando então do envolvimento dos Martins no desaparecimento das adolescentes, eles instalaram um cabo no sistema de controlo das cãmaras e armadilhas, transferindo o seu controlo para o jogador.

Apresento-vos os Auger, os vampiros mais fatelas que já viram

Ou seja, em real-time teremos acesso a todas as câmaras da casa, onde não só poderemos ir vendo as conversas entre as personagens intervenientes (as adolescentes e a família Martin), bem como o que vai acontecendo nas outras divisões, onde desde muito cedo começamos a ver a casa a ser invadida por homens vestidos todos de preto, com um andar muito peculiar (parecem todos mancos) e munidos de umas máquinas estranhas. Mais lá para a frente descobrimos que estas criaturas são na verdade Augers, uma espécie de vampiros muito fraca (daí mexerem-se de forma estranha), que precisam de beber muito sangue humano para se tornarem mais fortes e eventualmente vampiros a sério, algo que os Martins aparentemente já o são.

Se acham que isto tem uma vibe muito anos 80, não é por acaso, as filmagens foram feitas em 1987

Ora a ideia é ir circulando pelas divisões e activar as suas armadilhas, sempre que algum auger passe junto de uma, algo que vemos quando uma barra de energia na parte de baixo do ecrã se aproxima do vermelho. Ao longo de todo o jogo teremos 95 Augers para apanhar, sendo que para alcançar um bom final temos de pelo menos conseguir capturar metade. Isto faz com que não consigamos estar sempre a seguir a história do ponto de vista das outras personagens, que no início apenas fazem coisas parvas de adolescente e nao perdemos grande coisa a não ser alguns momentos cringe, mas a certa altura os Augers começam mesmo a atacá-las, pelo que teremos de levar a câmara à divisão certa e activar a armadilha local no momento certo, ou seja quando um Auger passa pelo local da armadilha, não a adolescente que queremos salvar. Naturalmente que isto nos obrigará a jogar muitas vezes para memorizar onde os Augers aparecem e quando se dão os ataques às vítimas. Também temos de espiar os Martins, pois eles podem mudar o código de controlo do sistema de vigilância, algo que nós também teremos de mudar do nosso lado, caso contrário deixamos de conseguir activar as armadilhas. Ou seja, não capturar Augers suficientes e deixar morrer algumas vítimas chave dão-nos direito a uma de várias sequências diferentes de game over, sendo que para alcançar o final perfeito temos de capturar os 95 augers, os membros da família Martin, salvar todas as vítimas e não capturar acidentalmente alguns dos bons da fita. Isto é algo muito difícil de obter sem seguir um guia à risca.

Por muito que tentemos repelir os Augers, as raparigas irão ser todas atacadas e temos de activar as armadilhas no momento certo

Mas para além de maus actores e sequências algo cómicas, há muito mais para falar sobre este Night Trap. Apesar de ter saído originalmente em 1992 para a Mega CD, na verdade o mesmo foi todo filmado e produzido em 1987, tal como o Sewer Shark que também trarei cá em breve. Ambos os jogos eram supostos serem os títulos de lançamento de uma consola que a Hasbro quase lançou para o mercado, precisamente com foco em videojogos baseados em full motion video, e com leitores de VHS embutidos. Felizmente a coisa não chegou a ir em frente mas tanto o Night Trap como o Sewer Shark já estavam practicamente prontos, pelo que os criadores do jogo fundaram a Digital Pictures e formaram um acordo com a Sony, que nesta altura estaria a preparar a Playstation, juntamente com a Nintendo como um add-on para a consola de 16bit. Esse projecto acabou também por ser descartado, pelo que ambos os jogos acabaram por ser lançados posteriormente na concorrência.

Ora em 1993 dá-se também o lançamento das versões domésticas do Mortal Kombat, um jogo de luta extremamente violento para a altura. Tanto o Mortal Kombat, como este Night Trap, que na verdade nem tem qualquer gore ou violência explícita no seu ecrã, foram alvos de duras críticas por parte de um congressista norte americano. A polémica resultou no estabelicimento do sistema de rating de videojogos ERSB e uma das cenas, a parte em que uma jovem estava em camisa de dormir na casa de banho sendo posteriormente atacada pelos Augers, acabou por ser censurada. Mas injustamente, pois não há violência explícita, sangue e nem sequer nudez.

A infame cena da casa de banho que acabou por ser censurada na versão norte-americana

No que diz respeito aos audiovisuais, obviamente que a qualidade dos actores não é a melhor, os diálogos são muitas vezes cringe, os Augers parecem idiotas a andar, as suas armas são ridículas, as armadilhas espalhadas pela casa ainda mais. Mas tudo isso faz parte do charme! Mas sendo mais objectivo, a qualidade do vídeo é um bocado má, algo que já estamos habituados na Mega CD, infelizmente. Nos anos seguintes o jogo foi convertido e relançado noutras plataformas como o PC/Mac e a consola 3DO, esta última supostamente com a melhor qualidade de vídeo e sem qualquer censura que a versão Mega CD mais tarde recebeu, pelo menos em solo americano. Mas ainda nas consolas da Sega, em 1994 o jogo recebeu um novo update, tendo sido relançado como um dos poucos títulos “Mega CD 32X”, ou seja jogos em formato de CD mas que também requeriam o addon extra da 32X para apresentar melhores visuais. Aqui os vídeos possuem uma qualidade melhor, mas não superior à versão 3DO.

Portanto este Night Trap apesar de ser um jogo que envelheceu mal tal como a maioria dos jogos baseados em full motion video seus contemporâneos, na verdade até tinha algumas ideias originais nas suas mecãnicas de jogo. Acho que se não houvessem tantos Augers para capturar e nos dessem mais tempo para apreciar as histórias à volta dos personagens principais até seria mais interessante! De resto, se o quiserem mesmo experimentar, aparentemente a Digital Pictures (ou o que resta deles) voltaram a relançar o jogo em 2017, ano que celebravam os 25 anos do lançamento original. Por acaso não cheguei a experimentar, nem sei se traz algumas novas funcionalidades, mas fica a dica. Outros jogos do seu reportório como o Corpse Killer ou o Double Switch foram também relançados.

After Burner II (Sega Mega Drive)

Fica difícil escrever sobre este After Burner II depois de já ter escrto sobre o mesmo na sua versão After Burner Complete para a Sega 32X, tendo esta sido uma versão mais fiel ao original arcade, pelo menos até ter chegado a compilação Sega Ages para a Saturn. Portanto já adivinharam, este vai ser mais uma super-rapidinha! O meu exemplar veio do Reino Unido, por menos de 5 libras.

Jogo com caixa e manual

Tal como alguns outros jogos arcade da mesma época, por exemplo o Galaxy Force II, este After  Burner II não é uma verdadeira sequela, mas sim um update ao original, possuindo apenas mais níveis e alguns melhoramentos ligeiros na sua jogabilidade, como a possibilidade de alterar a velocidade a que o avião viaja. A versão Mega Drive traz tudo isso e naturalmente que era uma versão bem mais impressionante do que a conversão do original para a Master System. É um jogo lançado relativamente cedo no ciclo de vida da Mega Drive, tendo saído algures durante 1990, sendo uma conversão muito benvinda.

Vamos ouvir Fire! muitas vezes

Graficamente é um dos títulos arcade que usavam a tecnologia Super Scaler, uma técnica que permitia a ampliação de sprites de uma forma bastante fluída. A versão Mega Drive ainda não é tão boa quanto a arcade, mas não deixa de ser uma conversão interessante. O jogo continua frenético, as músicas são agradáveis e os gráficos não perderam assim tanta qualidade quanto isso. É verdade que a versão 32X acaba por ser ainda mais fiel ao original arcade, mas foi lançada já em 1995, numa altura em que o original arcade já tinha 8 anos, pelo que essa adaptação já não teve o mesmo impacto.