The Incredible Hulk (Sega Game Gear)

Continuando pelas rapidinhas nas consolas 8bit da Sega, hoje ficamos com um jogo cuja versão 16bit já cá trouxe anteriormente. E por acaso as conversões para a Master System e Game Gear estão muito parecidas com a versão Mega Drive, tanto a nível de mecânicas de jogo, como no seu conteúdo propriamente dito, pelo que recomendo a leitura desse artigo para mais detalhes. O meu exemplar foi comprado a um particular no passado mês de Novembro por 10€, estando completo se bem que um pouco desgastado.

Jogo com caixa, manuais e papelada

Ora este é um jogo de acção em 2D, onde controlamos Bruce Banner ou Hulk de forma a defrontar mais um vilão qualquer da Marvel e arruinar os seus planos de dominação mundial. Tal como a versão Mega Drive, enquanto estivermos na forma de Hulk podemos desencadear diferentes golpes, alguns directos ao pressionar os botões 1 e 2, outros já requerem combinações de botões específicas como um jogo de luta se tratasse. Consoante o nosso nível da barra de energia, Hulk assumirá diferentes formas, pelo que poderá usar diferentes golpes mediante a forma em que nos encontremos actualmente. Se levarmos muita pancada, acabamos por regressar à nossa forma humana como Bruce Banner, onde somos mais frágeis, porém mais ágeis. Com recurso a alguns power ups que podemos apanhar iremos poder alternar livremente entre as formas de Hulk e Bruce Banner, algo necessário para progredir no jogo pois apenas Hulk consegue derrubar paredes e apenas Bruce se consegue esgueirar por passagens mais apertadas.

Hulk possui um número de ataques variável, o que é desnecessariamente complicado, a meu ver

A nível audiovisual confesso que fiquei agradavelmente surpreendido por esta versão 8bit. Os níveis são parecidos com os da versão Mega Drive, sendo bastante coloridos e com detalhe quanto baste. As sprites de Bruce Banner, Hulk e a de alguns inimigos são também bem detalhadas. As músicas também me soam bastante agradáveis, o que no caso de consolas como a Master System e Game Gear não é assim tão comum infelizmente.

Como Bruce somos muito mais frágeis, porém conseguimo-nos esgueirar por passagens estreitas

Poranto este Hulk para a Game Gear é um jogo interessante, mas tal como tinha referido na versão Mega Drive, o sistema de controlos parece-me desnecessariamente complicado para um sidescroller, ainda por cima a Game Gear possui menos botões que a Mega Drive, pelo que nem quero imaginar como terá ficado a versão Master System neste campo. Por outro lado, não deixa também de ser uma adaptação para 8bit muito competente da versão Mega Drive.

World Soccer (Sega Master System)

Continuando pelas rapidinhas a jogos desportivos, hoje ficamos com um daqueles jogos que até joguei bastante na minha infância, pois um amigo meu tinha-o na compilação Master Games 1, que me chegou a emprestar por várias vezes. Conhecido nos Estados Unidos como Great Soccer, causa alguma confusão pois a Sega havia lançado 1 ano antes um outro jogo precisamente com esse nome, tendo-se ficado pelo Japão e aparentemente na Europa também, em formato Card apenas. O porquê desse jogo não ter saído nos EUA não faço ideia, mas certamente renomearam o World Soccer para ficar em linha com os outros jogos desportivos da consola da época, que tinham sempre “Great” no nome. O meu exemplar foi comprado no passado mês de Novembro numa loja alemã, tendo-me custado 4€.

Jogo com caixa e manual

Bom, e este World Soccer é um jogo de futebol extremamente simples, onde podemos apenas jogar partidas amigáveis para um ou dois jogadores, ou participar em duelos de penalties, uma vez mais para um ou dois jogadores. Já não me lembrava como a jogabilidade era incrivelmente lenta e os jogadores parece que andam a passo pelo campo… de resto as mecãnicas são simples, com um botão para passar e outro para rematar. Caso não tenhamos a posse da bola, para a roubar temos de aproximar o nosso jogador do adversário, que ele irá automaticamente tentar roubar a bola. A partir do momento em que a bola entra na grande área, teremos também de controlar o guarda-redes para defender as bolas. Faltas não existem, e no caso de uma partida terminar empatada vamos para os penalties. De resto temos apenas 8 equipas nacionais para escolher, como a Alemanha (ocidental), Argentina, Brasil, Reino Unido ou França.

Os jogadores têm um aspecto de desenho animado que até lhes dá um certo charme. Pena é serem tão lentos!

A nível audiovisual é um jogo muito simples e mesmo com poucas equipas nem sempre acertam nas cores típicas dos equipamentos de cada país. Mas ainda assim possui alguns detalhes interessantes como o facto de ouvirmos parte do hino nacional de cada equipa seleccionada em cada partida. Já nos confrontos em si, o campo é colorido, mas os jogadores possuem pouco detalhe, o que seria de esperar dado ser um jogo lançado cedo no ciclo de vida da consola. Quando mudamos para a vista de marcação de penalties, já temos então muito mais detalhe nas sprites dos jogadores. No que diz respeito ao som, até que é um jogo bem competente. Tal como referi acima, ao escolher as equipas para cada partida, vamos ouvindo parte do seu hino nacional, o que é um detalhe muito interessante. Já durante os jogos propriamente ditos, temos sempre a mesma música a tocar, que por sua vez é bastante agradável, felizmente.

No caso de uma partida terminar empatada, siga para os penálties que felizmente possui um grafismo diferente

Portanto este World Soccer é daqueles jogos que apesar de me trazer alguns sentimentos nostálgicos, é verdade que envelheceu muito mal. De resto, para além do verdadeiro Great Football que nunca vi à venda por cá, a verdade é que não havia mais nenhuma alternativa até ao lançamento do Italia 90.

 

Johnny Bazookatone (Sega Saturn)

Produzido pelo pequeno estúdio britânico Arc Developments, que só muito recentemente vim a descobrir que foram os responsáveis pela conversões para algumas consolas da Sega de jogos como Bart vs the Space Mutants ou Terminator 2: Judgement Day, este Johnny Bazookatone é um interessante jogo de plataformas em 2D, lançado para a Saturn, Playstation 1 e PC. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no passado mês de Novembro por 15€, estando num estado impecável.

Jogo com caixa e cd de bónus com a banda sonora

A história leva-nos até às profundezas do Inferno e ao seu governante, El Diablo. Este estava tão aborrecido com a sua vida que, ao espiar o que se estava a passar na Terra, dá por ele a ver um concerto rock, protagonizado pelo guitarrista Johnny Bazookatone e a sua banda. Ao ver a multidão toda contagiada pelas músicas do banda, o demónio decide roubar a guitarra de Johnny e tentar ele tornar-se numa estrela rock. No entanto apercebe-se que afinal não tem jeito para ser músico e decide privar o mundo dos seus melhores músicos, raptando toda a banda de Johnny, excepto o próprio,  que consegue escapar e decide ele mesmo invadir o Inferno, libertar os seus amigos e por fim reunir-se com a sua guitarra.

Os níveis são todos pré-renderizados, com um bom nível de detalhe

A nível de mecânicas de jogo, este é então um jogo de plataformas em 2D, algo que para mim não deixa de ser muito benvindo a uma consola de 32bit, principalmente no ano de 1996 onde muitos jogos em 3D foram lançados mas que acabaram por envelhecer muito mal. Johnny possui uma arma em forma de guitarra, que não só dispara projécteis, mas também consegue aspirar e expelir objectos. Os controlos são relativamente simples, com os botões faciais a servirem para Johnny saltar, disparar, usar power ups e os de cabeceira para usarem as mecânicas de “aspiração” da sua arma e correr. Outra das habilidades interessantes de Johnny é, quando está a meio de um salto, podermos apontar a arma para baixo e ao disparar, o “coice” da arma permite-nos estar no ar mais tempo, o que é bastante útil em saltos mais complicados entre plataformas. A nível de power ups não temos muita coisa, no entanto. Apenas notas musicais, onde a cada 1000 pontos nos dão vidas extra, estrelas que nos restabelecem a barra de vida, vidas ou continues extra.

Sim, também teremos um mine cart level

No que diz respeito aos audiovisuais, sinceramente acho que este jogo envelheceu muito melhor que muitos outros de acção/aventura lançados no mesmo ano, precisamente por manterem uma identidade gráfica mais próxima dos 16bit. A Saturn pode ter algumas complicações e limitações em renderizar jogos em 3D, mas em 2D era uma óptima máquina. Este jogo é então um platformer 2D com gráficos pré-renderizados, à semelhança do que tinha feito a Rare com o Donkey Kong Country. Mas uma consola como a Sega Saturn tem muito mais capacidade que uma Super Nintendo ou Mega Drive, pelo que o resultado acaba por ser melhor com níveis e personagens bem detalhados. Tal como referi acima, vamos atravessar o inferno, uma versão muito cartoon do mesmo, pelo que todos os níveis possuem detalhes agradáveis, começando pela prisão Sin Sin, passando pelo hotel Diabolique, um restaurante ou mesmo um hospital, os cenários vão sendo bastante diversificados até.As músicas são outro ponto forte do jogo, tanto que o mesmo foi comercializado com um CD Audio com as músicas da banda sonora de bónus. Estas consistem em temas bastante agradáveis e que abrangem diversos géneros musicais, desde o rock, techno, ou mesmo algumas músicas com influências Jazz e Soul.

Portanto este Johnny Bazookatone até que se revelou num jogo de plataformas bem competente. Acredito que na altura não tenha sido tão bem recebido quanto outros jogos 3D, mas a sua jogabilidade mais clássica acaba por torná-lo numa experiência que envelheceu muito melhor que os outros jogos mais “avançados” da época.

Pelé (Sega Mega Drive)

Para não destoar, cá vamos para mais uma rapidinha a um jogo desportivo, este que, se deve ter vendido alguma coisa, foi certamente por ter o nome do Pelé na capa. Publicado pela Accolade em 1993, é um jogo infelizmente não lá muito bom. O meu exemplar foi comprado na loja Games ‘n Stuff algures no mês passado, creio que me custou uns 6 ou 7€.

Jogo com caixa e manual

Os defeitos de Pelé começam logo pelo interface com o utilizador. Ao começar o jogo temos a opção de “Start” ou “Options”. Escolhendo logo Start, somos levados para um outro ecrã onde poderemos escolher a equipa que queremos jogar, a cor dos uniformes, a disposição táctica e escolher o onze inicial. Então, mas e o modo de jogo? Pois, temos de ir a “Options” primeiro, senão o jogo assume todas as opções default. Aí é que podemos escolher se queremos jogar com 1 ou 2 jogadores e quais os modos de jogo, desde partidas amigáveis (a tal escolhida por defeito), um torneio tipo campeonato do Mundo, ou uma temporada. Existe também um modo de jogo para treinar, mas sinceramente não perdi muito tempo com esse. Depois claro, podemos também escolher a duração das partidas e algumas opções no som também.

O jogo é apresentado numa perspectiva quase isométrica, mas muito próxima do campo

Uma vez escolhido o modo de jogo lá somos largados no campo. A perspectiva é isométrica (mas num sentido diferente dos FIFAs), se bem que a câmara está demasiado próxima do campo, o que nos tira alguma visibilidade e dificulta caso queiramos fazer algum passe longo. A jogabilidade também não é a mais amigável. As equipas que podemos escolher, bom, serão selecções nacionais ou clubes fictícios? Bom, em Inglaterra podemos escolher Manchester, Norwich ou Liverpool, em Espanha, Madrid. Em França, Marselha. Em Itália, Milan e Roma. Em Portugal, que tal como a Escócia e Suécia, não parecem pertencer à Europa, apenas podemos escolher Lisboa. Argentina temos Buenos Aires e no Brasil temos Brasília, São Paulo ou Rio. Existem mais uns quantos países/cidades para escolher mas já deu para entender que este jogo de licenciamentos apenas tem a imagem do Pelé mesmo, tudo o resto é fictício e sinceramente a Accolade/Radical Entertainment só mostram que não fizeram nenhum trabalho de casa nesta questão das equipas. Mas vá lá que em Buenos Aires joga o Maradina, esse grande craque!

Já que a selecção das equipas são uma anedota, podemos ao menos customizar os seus uniformes ao detalhe

A nível gráfico, o jogo até que possui alguns detalhes interessantes, como as animações que surgem quando alguém marca golo ou do árbitro a marcar alguma falta. Mas de resto, e com detalhes os uniformes das equipas a parecerem completamente aleatórios, deixam algo a desejar e mais uma vez mostram desleixo dos produtores. Música apenas temos nos menus e sinceramente nem são assim tão más. Os efeitos sonoros durante as partidas resumem-se aos toques da bola, dos jogadores e o ruído do público, que acredito que não seja muito fácil de reproduzir numa consola como a Mega Drive, mas uma vez mais fica muito aquém das expectativas, temos exemplos muito melhores na mesma consola.

Em Espanha apenas podemos seleccionar Madrid. Os adeptos do Barcelona devem ter ficado muito satisfeitos.

Portanto este Pelé é mais um dos muitos, certamente dezenas, jogos de futebol que a Mega Drive tem para oferecer. E certamente consigo enumerar mais de 10 jogos de futebol na Mega Drive bem mais divertidos que este. Ainda assim, o nome de Pelé deve ter feito sucesso pois a Accolade lançou ainda mais um jogo no ano seguinte. Estou curioso em ver como se safaram, pois pelas imagens parece ter melhorado. Também não era muito difícil.

Aerial Assault (Sega Game Gear)

Continuando pelas rapidinhas nas consolas 8bit da Sega, mas agora na sua portátil Game Gear, o jogo que vos trago agora é a adaptação para a portátil do Aerial Assault, um competente shmup da Master System. Como o hardware entre ambas as plataformas é muito similar, geralmente os jogos que saem para ambas as plataformas possuem muito poucas diferenças, o que não é o caso deste Aerial Assault cuja versão Game Gear já possui algumas diferenças consideráveis. O meu exemplar foi comprado algures em Novembro a um particular no OLX, tendo-me custado 10€.

Jogo com caixa e manuais

A nível de mecânicas de jogo esta é uma versão mais simplificada pois não temos armas secundárias. Mas vamos no entanto poder apanhar alguns power ups na mesma, desde upgrades às nossas armas, que podem passar a disparar projécteis algo teleguiados, mísseis, raios laser capazes de perfurar mais que um inimigo, ou projécteis que dispersam em várias direcções. Outros upgrades podem melhorar a agilidade do avião bem como conferir-lhe escudos frontais capazes de absorver alguns impactos. Se perdermos uma vida, naturalmente que o avião perde todos os upgrades apanhados até então.

A história é idêntica à versão Master System, onde uma organização terrorista (os NAC) conseguiram montar um verdadeiro exército e tomaram o mundo de assalto, com o herói a comandar um avião de combate e sozinho defrontar toda essa ameaça. Não me recordo se a versão Master System teria suporte a 2 jogadores, creio que não, mas esta versão Game Gear suporta multiplayer cooperativo com 2 jogadores ligados entre si.

O primeiro nível é completamente novo, não existe na Master System

A nível audiovisual, tal como a versão Master System, as músicas não são nada de especial, mas também não são propriamente irritantes. A nível gráfico acho que o jogo deu um passo atrás, pois as sprites estão um pouco mais infantilizadas e os cenários não são tão bem detalhados quanto a versão Master System, pois esta possuia alguns efeitos de paralaxe e aquela cena ao por do sol, transitando para uma poderosa tempestade, apesar de estar também aqui presente, não ficou tão bem conseguida. Os cenários seguem a mesma lógica, com o primeiro nível a ser inteiramente novo, sobrevoando uma cidade. O resto sobrevoamos oceanos, cavernas, uma grande base e por fim combatemos no espaço. A versão Master System possui sprites mais realistas, incluindo os bosses, e os inimigos são bem mais velozes e agressivos do que nesta versão.

O design das sprites infelizmente é muito inferior nesta versão, incluindo os bosses.

Portanto continuo a preferir a versão Master System deste Aerial Assault, pelo maior desafio, melhores mecânicas de jogo e melhores gráficos. No entanto não deixa de ser de louvar a iniciativa da Sega em querer tornar ambos os jogos diferentes entre si, quando os sistemas acabam por ser muito, muito semelhantes.