WWF Wrestlemania The Arcade Game (Sega Saturn)

Apesar de também ter saído nas consolas 16bit como a versão Super Nintendo que já cá trouxe no passado, esta versão para a Sega Saturn é bem mais fiel ao original arcade e devo dizer que mesmo eu não sendo um fã de jogos de wrestling (ou de wrestling no geral), a jogabilidade arcade e completamente doida deste jogo é muito, muito mais apelativa. O WWF In Your House, lançado posteriormente, é também um sucessor deste jogo. O meu exemplar foi comprado numa feira de velharias, algures durante o mês de Julho, por 3€.

Jogo com caixa e manual

Os modos de jogo são os mesmos que falei na versão da Super Nintendo, sem tirar nem por. Mas ao contrário da versão SNES que lhe faltava 2 lutadores, aqui temos o leque completo de 8 lutadores para seleccionar. Já a jogabilidade, esta é bem mais próxima de um fighter frenético do que de um jogo de wrestling. Embora seja possível fazer aqueles movimentos típicos de wrestling como balancear nas cordas, saltar dos seus cantos ou fazer os suplexes, também teremos combos e golpes bem over the top, às vezes até com super poderes! É irrealista, mas muito divertido! Dependendo do modo de jogo escolhido, poderemos participar em combates de 1 contra 1, 1 contra 2, 1 contra 3 ou mesmo um battle royale que nos coloca contra os restantes 7 lutadores. Independentemente do número de oponentes que defrontamos, apenas nos temos de preocupar em esvaziar a sua barra de vida ao enchê-los de porrada. Uma vez todos no chão, basta nos debruçarmos sobre um dos lutadores derrotados para fazer o pin instantâneo e ganhar o combate. No caso de haver KOs fora do ringue, nem é preciso fazer mais nada.

Desta vez temos o leque completo de 8 lutadores para seleccionar

Para além da jogabilidade ser cativante, o jogo ganha muito também pela sua apresentação. Os lutadores, a arena e público são tudo sprites digitalizadas de pessoas reais, como a Midway bem gostava de fazer. Mas a acção fluída, os golpes especiais e irrealistas e, acima de tudo, pela dupla de comentadores bem dinâmica, dão logo ao jogo um charme muito próprio.

Golpes estúpidos? Check. Acção frenética? Check. Diversão? Check.

Devo dizer que gostei bastante deste Wrestlemania The Arcade Game, e esta versão da Saturn em particular parece estar muito boa. De mau só mesmo alguns loadings ocasionais, durante os combates battle royale. O WWF In Your House, produzido mais tarde pela Acclaim (que por sua vez converteu esta versão), é de facto um sucessor espiritual deste jogo que também é bastante divertido, mas este Wrestlemania ficou mesmo muito bom. É uma pena que não voltem a fazer coisas parvas (no bom sentido) como esta!

Final Fight CD (Sega Mega CD)

Apesar de Renegade e Double Dragon terem sido as séries pioneiras nos beat ‘em ups de rua, foi a série Final Fight, lançada originalmente em 1989, que levou o conceito a um novo nível. Com gráficos 2D muito bem detalhados para a época, uma excelente jogabilidade e personagens marcantes, Final Fight foi um grande sucesso nas arcades e foi também dos primeiros grandes projectos trazidos por uma third party para a Super Nintendo. Infelizmente a Capcom não fez um trabalho muito bom, pois essa versão deixou de lado o multiplayer, um nível ficou de fora e uma das personagens, o ninja Guy, também. A Capcom lançou posteriormente uma outra versão do jogo com o Guy, mas deixou o Cody de fora. Entretanto a Sega licenciou o jogo e produziu uma versão para a Mega CD que durante vários anos foi a melhor versão que saiu cá no ocidente. O meu exemplar veio da CeX no passado mês, custou-me 50€ mas está como novo.

Jogo com caixa e manuais

Final Fight passa-se na metrópole fictícia de Metro City. O Presidente da Câmara, um antigo wrestler bem corpulento chamado Mike Haggar não ia muito à bola com a bandidagem, pelo que o gangue lá do sítio decidiu raptar a sua filha. Não cedendo a chantagens, Mike Haggar pede a ajuda de Cody (namorado da sua filha) e Guy, amigo de Cody, e os três partem pelas ruas de Metro City a distribuir pancada em todos os patifes desse gangue, até chegar ao seu líder e finalmente recuperar a rapariga de volta.

Pumba! Os 3 personagens disponíveis!

Cada personagem possui os seus pontos fortes e fracos e a jogabilidade é super simples, com um botão de ataque e outro de salto. Ainda assim cada personagem possui também diferentes combos e golpes especiais capazes de causar dano a todos os inimigos à sua volta, a custo de parte da barra de vida. A possibilidade de apanhar armas do chão, ou mesmo dos inimigos e usá-las contra eles foi também aqui introduzida, bem como alguns objectos destrutíveis nos cenários que nos poderão recompensar com armas ou power ups de regeneração da barra de vida. Final Fight, para além de uma jogabilidade mais simples, porém atractiva, acabou por introduzir uma série de conceitos que ainda hoje perduram nos jogos deste género. De resto, para além desta versão possuir o modo multiplayer cooperativo para 2 jogadores tal como no original arcade, possui também um modo time attack. Aqui o objectivo é simplesmente o de derrotar o máximo de inimigos dentro de um tempo limite, sendo que à medida que o tempo vai avançando, inimigos mais poderosos vão também surgindo.

No final de cada nível temos sempre um confronto mais complicado para enfrentar

Graficamente, o que salta logo à vista é que esta versão, apesar de possuir um bom nível de detalhe perante a original arcade, possui gráficos muito menos coloridos, o que se deve às limitações de hardware impostas pela Mega Drive. Tirando o facto do jogo possuir cores muito deslavadas, as personagens, cenários e inimigos estão muito bem representadas com sprites grandes e bem detalhadas. Temos é poucos inimigos no ecrã em simultâneo (um máximo de quatro) quando comparado com a versão original. Já no que diz respeito ao som, a banda sonora é toda no formato CD Audio, contendo temas excelentes, com muito rock e guitarradas à mistura como eu gosto. A cutscene de abertura e de fecho possui algum voice acting que não é lá muito bom, mas valeu pelo esforço.

Mesmo na versão ocidental da Mega CD a cutscene de abertura foi ligeiramente censurada

Portanto este Final Fight CD é, sem dúvida, um dos jogos do catálogo da Mega CD que vale mesmo a pena! Para além de ser uma óptima conversão do clássico da Capcom, é uma das excelentes razões que mostram que a Mega CD é um add-on que até fez algum sentido e possui bons jogos no seu catálogo para serem explorados.

Andre Agassi Tennis (Sega Mega Drive)

Voltando a mais uma rapidinha a um jogo desportivo, vamos ficar agora com a versão Mega Drive do Andre Agassi Tennis. E se por um lado a versão Master System nem me tenha parecido má de todo, esta versão Mega Drive, se me dissessem que a TecMagik pegou na versão Master System e a transpôs para a Mega Drive, eu provavelmente acreditava-me. Mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado a um particular durante o mês de Julho, creio que me custou 7€.

Jogo com caixa e manual

No que diz respeito aos modos de jogo, temos a possibilidade de treinar ou participar em torneios, quer com 1 ou 2 jogadores, quer em singles ou doubles. Podemos escolher um de vários tenistas, cada qual com as suas características e pontos fortes/fracos diferentes. O Andre Agassi é um deles, naturalmente. Os restantes parecem-me ser fictícios mas é interessante termos também tenistas femininas e podermos criar equipas/confrontos mistos. Até aqui tudo bem, o problema está mesmo quando começamos a jogar. Os controlos são horríveis, as personagens são muito lentas, a mecânica de detecção de colisões é horrível, ou se calhar até é realista demais, pois muitas vezes damos raquetadas no ar. Temos mesmo de alinhar todos os astros e estar muitíssimo bem posicionados para conseguir responder às jogadas da melhor forma. O bom é que a inteligência artificial também não é a melhor e muitas vezes limita-se a ficar plantada no chão e levarem com uma bola na cabeça. À medida que vamos jogando e participando em diversos torneios, o dinheiro que vamos ganhando pode ser usado para melhorar as características do tenista que escolhemos. O problema é que o jogo não é nada agradável de se jogar e muito provavelmente vão-se fartar dele muito antes de conseguirem terminar um torneio com sucesso, de forma a conseguirem comprar os vossos primeiros upgrades.

Se puserem a versão Master System lado a lado vão ver que as diferenças são muito poucas

A nível gráfico é um jogo muito mediano. Tal como referi acima, não anda mesmo muito longe da versão Master System. Os campos de ténis possuem pouco mais de detalhe e, apesar de termos campos com relvado, cimento, tartan ou outro piso que agora não me recordo, na verdade o estádio em si é sempre igual. A única coisa que muda é mesmo a cor do chão. No que diz respeito ao som, o jogo possui algumas músicas que vão tocando nos menus e entre partidas. Já durante as partidas em si, apenas ouvimos os sons das raquetadas que os jogadores vão mandando ao longo do jogo, bem como a voz do comentador a anunciar a pontuação.

Portanto este Andre Agassi Tennis, pelo menos na sua versão para a Mega Drive, é um jogo de ténis que a meu ver acaba por ficar muito aquém das expectativas. Continuo a preferir de longe o Pete Sampras Tennis, de todos os que joguei.

Putt and Putter (Sega Master System)

Voltando às rapidinhas, vamos novamente à Master System para ficar com um interessante jogo de mini-golf. Vocês sabem como são os parques de mini golf, com circuitos repletos de obstáculos e acabam por ser experiências bem agradáveis para se passar uma tarde com amigos. Mas aqui não precisamos de sair do sofá! O meu exemplar foi comprado a um particular por 5€ no passado mês de Julho.

Jogo com caixa e manual

O jogo leva-nos por uma série de circuitos repletos de subidas, descidas e outros obstáculos como plataformas móveis sobre a água, passadeiras rolantes, objectos de pinball que causam ricochete na bola a alta velocidade, entre outros. Os controlos são simples, onde apenas temos de seleccionar a direcção para onde queremos disparar a bola e posteriormente a potência da tacada. Factores como o vento ou diferentes tacos para serem usados não são sequer para se ter em conta aqui.

O jogo possui também um modo para 2 jogadores que não explorei

Inicialmente dispomos de 5 bolas para completar um buraco, que acabam por ser as diferentes vidas do jogo. Cada buraco tem um par de referência, ou seja um número de tacadas recomendado para completar esse buraco. Se por acaso conseguimos acertar com a bola no buraco num número inferior de tacadas, como os birdies, eagle, albatross ou hole in one, o número de tacadas abaixo do par ganhamo-os como vidas extra. Por outro lado, completar um buraco com um número de tacadas acima do par, retira-nos o mesmo número de vidas. Pelo que apesar de ser um jogo divertido e com mecânicas interessantes, também não convém fazer muitas experiências pois corremos o risco de vir a ter um game over mais cedo. Ocasionalmente também teremos alguns níveis de bónus onde poderemos vir a ganhar mais algumas vidas extra.

Os interruptores servem para activar ou desactivar os tapetes rolantes

No que diz respeito aos audiovisuais, devo dizer que este Putt & Putter é um jogo simples mas bem competente. Os circuitos são apresentados numa perspectiva isométrica que simula bem um espaço tridimensional, pelo que conseguimos identificar correctamente as inclinações do terreno e todos os obstáculos que teremos pela frente. Nada de especial a apontar ao som, pois as músicas são também bastante agradáveis!

Portanto achei este Putt & Putter um jogo bem divertido. Existe também uma versão Game Gear que, pelo que descobri, é muito diferente da versão Master System. Para além da câmara estar mais próxima devido ao pequeno ecrã, os circuitos são também diferentes. A versão Master System, apesar de possuir menos circuitos, estes aqui são mais complexos e possuem alguns obstáculos não existentes na versão de Game Gear.

NBA Live 97 (Sega Mega Drive)

Voltando às rapidinhas a jogos desportivos, vamos ficar agora com o NBA Live 97 para a Sega Mega Drive, que até possui algumas novidades face ao seu antecessor, num ano em que as 16 bit já eram plataformas com cada vez menos foco no mercado. O meu exemplar foi comprado numa feira de velharias no passado mês de Agosto, tendo-me custado 5€.

Jogo com caixa e manuais

Tal como o seu predecessor temos ao nosso dispor partidas individuais, um modo de temporada completa, alusivo à época 96-97, bem como poderemos saltar logo para os play offs finais. Mas também temos alguns modos de jogo mais à basquetebol de rua, como partidas de 2 contra 2 ou 3 contra 3. Não são propriamente NBA Jams com toda a sua loucura, mas é uma adição interessante à fórmula. De resto, a nível de controlos parecem-me idênticos aos do seu antecessor incluindo o suporte ao comando de 6 botões, onde poderemos assignar algumas jogadas pré-definidas aos botões adicionais dessa linha de comandos.

A perspectiva isométrica dos jogos anteriores mantém-se

A nível de opções e customização, poderemos optar por por uma jogabilidade bem mais próximo de um simulador, onde temos de ter em conta a fadiga dos jogadores, eventuais lesões, e todas as faltas e regras do desporto. Ou então uma experiência mais arcade e mais leniente perante as regras. De resto, para o modo temporada, podemos também participar no mercado de trânsferência de jogadores, para além de consultar um extenso dossier de estatísticas gerais.

Para além das estatísticas podemos ver uma breve história de cada equipa aqui representada

A nível audiovisual, o jogo usa o mesmo motor gráfico dos seus antecessores, com a acção a ser apresentada numa perspectiva isométrica. Portanto, para além de mudanças nos menus e respectivas músicas entre partidas, não esperem por nada muito diferente, se bem que também não haveria muito mais por onde mudar, pois na minha opinião esta perspectiva isométrica resulta muito bem neste tipo de jogos desportivos para sistemas mais antigos sem suporte nativo a gráficos tri-dimensionais.