ToeJam and Earl in Panic on Funkotron (Sega Mega Drive)

O Toejam & Earl original foi uma excelente surpresa. A primeira vez que o joguei não compreendi nada do seu conceito, mas anos mais tarde decidi dar-lhe uma nova oportunidade e apercebi-me que esse jogo era nada mais nada menos que um roguelike, com alguns elementos ligeiros de RPG. Isto quer dizer níveis gerados aleatoriamente, assim como o posicionamento dos inimigos e itens que poderemos apanhar, sendo que até só saberemos ao que correspondem depois de os usar e os resultados nem sempre são positivos. Tudo isto regado com bom humor e uma banda sonora excelente. Para a sequela, a equipa queria manter as mesmas mecânicas de jogo do original, mas aparentemente a Sega of America interveio e solicitou que produzissem antes um jogo de plataformas mais tradicional. Acredito que o tenham feito de forma algo relutante, mas na minha opinião o resultado final é igualmente excelente. O meu exemplar foi comprado algures no final de 2018, salvo erro veio de uma loja online e terá custado algo à volta dos 12€.

Jogo com caixa

A aventura decorre logo após os eventos do primeiro jogo, onde Toejam e Earl conseguem recuperar a sua nave espacial e regressar da Terra ao seu planeta natal, Funkotron. O que não se apercebem é que alguns terrestres se infiltraram na nave e acabaram por viajar para Funkotron também. Uma vez no novo planeta, passaram a armar muita confusão, pelo que caberá à dupla de extraterrestres mais funky a missão de os capturar e levar de volta para a Terra. E como o fazemos? Ao aprisioná-los em frascos de vidro e colocá-los em foguetões que os levem de volta para a Terra, claro!

Tal como no primeiro jogo, poderemos jogar cooperativamente com um amigo

A primeira grande mudança face ao original está precisamente na sua jogabilidade. Apesar deste TJ&E possuir níveis grandes e repletos de segredos, a sua jogabilidade foi simplificada, ao assumir-se como um jogo de plataformas e sem quaisquer réstias do roguelike do primeiro jogo. Mas a equipa esmerou-se e mesmo assim este não é de todo um jogo de plataformas comum. Tal como no primeiro, a exploração é a palavra chave, visto que em cada nível a tarefa principal é a de procurar e aprisionar todos os terrestres que por lá estiverem espalhados. Felizmente temos uma seta na parte de baixo do ecrã que nos indica a direcção dos terrestres mais próximos, e uma vez que os apanhemos todos, a seta muda para a cor verde e passa a indicar a saída do nível. Mas à medida que vamos explorando, vamo-nos deparando com imensas passagens secretas, botões para pressionar, plataformas que surgem do nada, tudo a convidar-nos para explorar e desviar as atenções do objectivo principal. E seguindo essa tentação, geralmente somos recompensados com pontos extra, passagens secretas, ou outros power ups. Mas já lá vamos. Para além disso, ao explorar arbustos, abanar árvores e outros objectos poderão recompensar-nos também com power ups, ou mesmo com terráqueos lá escondidos!

Acho esta paisagem em particular muito bem conseguida pelos seus efeitos de paralaxe

Num comando de 3 botões, por defeito o botão C é o usado para saltar/nadar, enquanto o B é o botão de ataque, e por ataque refiro os frascos de vidro que teremos de atirar para os inimigos de forma a os aprisionar. Dependendo do tipo de inimigos que enfrentamos, poderão necessitar de poucos ou muitos frascos certeiros para os aprisionarmos, pelo que um dos power ups mais úteis é o dos super jars, frascos mais poderosos capazes de aprisionar um terráqueo num só golpe. O botão A serve para usar os Funky Moves, seja para teletransportar TJ ou Earl em curtas distâncias (óptimo para avançar paredes e descobrir passagens secretas), ou para activar alguns dos seus poderes especiais. Pressionando o botão Start vemos quais poderes especiais que podemos usar, estando cada um mapeado num botão respectivo. O primeiro é o Funk Scan, que nos permite ver segredos escondidos no ecrã, como passagens secretas ou localização de itens, plataformas ou inimigos invisíveis. Este, tal como o teletransporte, gastam pontos de funk – uma analogia aos pontos de Mana. Os outros poderes especiais são o panic button, que nos deixam temporariamente invencíveis, mas a correr em pânico de um lado para o outro e atirar frascos por todo o lado, na esperança de aprisionar criaturas terrestres que estejam à nossa volta. O último é o Funk Vac, um mega aspirador que aspira todos os terráqueos no ecrã e aprisiona-os. Tanto o Funk Vac como o Panic Button são de uso limitado e teremos de apanhar power ups para os poder usar.

Poderemos interagir com imensos NPCs que resultam tipicamente em conversas bem humoradas

Ocasionalmente teremos alguns níveis bónus, que decorrem numa outra dimensão e são usados principalmente para angariar pontos, comida (que nos regenera a barra de vida), power ups, pontos de funk ou moedas. Também iremos encontrar outros mini jogos com recompensas similares. Por exemplo, alguns concursos de beat box onde teremos de pressionar os botões A, B e C num padrão e ritmo específico. Estes começam de forma simples, mas rapidamente começam a complicar bastante! Ou por vezes quando nos aproximamos de um trampolim, surgem 3 elementos de um juri no canto inferior esquerdo do ecrã. Aqui teremos então de saltar cada vez mais alto e fazer algumas acrobacias, para que o juri depois nos pontue, o que se irá traduzir em recompensas distintas. Algumas passagens secretas também nos levam a encontrar com Trix, a fada lá do sítio e que nos recompensa com alguns power ups permanentes para o nível em questão, como super jars infinitas, ou ar infinito para explorar as passagens subaquáticas, por exemplo.

Podemos usar o poder de teletransporte para atravessar paredes pequenas

Mas para além de tudo isto, a certa altura nos deparamos com um objectivo adicional. Devido a todo o caos causado pelos terráqueos, o Lamont, uma espécie de divindade do funk lá do sítio, decide refugiar-se numa outra dimensão. Com isto, o mundo de Funkotron está a perder o seu funk, a sua cor, pelo que somos encarregados da tarefa opcional de trazer Lamont de volta. Para o convencer, teremos de, ao longo do jogo, ir coleccionando vários dos seus objectos, tipicamente escondidos em passagens secretas, onde, para as descobrir, teremos de ir falando com os vários amigos e conhecidos de TJ&E que vamos encontrando ao longo do jogo. Cumprir este objectivo adicional é necessário para obter o melhor final e é mais uma forma de nos obrigar a explorar este mundo.

Alguns dos inimigos são absolutamente hilariantes!

No que diz respeito aos audiovisuais, este jogo é excelente. O primeiro TJ&E, com as suas mecânicas de jogo roguelike tinham gráficos simples, embora repletos de bom humor, principalmente pelos inimigos que íamos enfrentando e os itens que poderíamos descobrir e usar. Aqui esse bom humor mantém-se, com inimigos bastante bizarros (como homens nus dentro de caixas de cartão ou vacas fantasma, por exemplo), bem como os diálogos com os restantes NPCs que vão sendo sempre bem humorados. Mas para além disso, os próprios níveis são altamente coloridos e bem detalhados e, mesmo com 17 níveis bem grandes onde vários estilos gráficos vão-se repetindo, é um jogo bastante agradável do início ao fim. O primeiro possuia também músicas funky e cheias de groove e o mesmo se passa aqui. São músicas super viciantes que, mesmo sendo repetidas até à exaustão, nunca me aborreceram!

Portanto, este segundo Toejam & Earl, mesmo sendo um jogo super diferente do seu antecessor, a equipa acabou por fazer um excelente trabalho, mesmo que de forma algo relutante por terem sido obrigados a fazer um platformer 2D. É um jogo grande, com inúmeros segredos para descobrir (ainda bem que temos um sistema de passwords) e uma jogabilidade bastante agradável – que também pode ser jogado em co-op para 2 jogadores! Infelizmente depois deste jogo a série ficou dormente durante practicamente uma década, com o terceiro jogo a ter saído apenas em 2003, em exclusivo na Xbox. A ver se o jogo em breve!

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Esta entrada foi publicada em Mega Drive, SEGA. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Foto do Google

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Foto do Facebook

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.