Voltando às rapidinhas, vamos hoje ficar com mais uma versão do Wonder Boy original, jogo que já cá trouxe no passado na sua versão Master System. Sendo a Game Gear pouco mais que uma Master System portátil, seria de esperar que esta versão fosse muito semelhante ao lançamento anterior para a Master System, o que, de facto, se veio a concretizar. O meu exemplar foi-me trazido do Reino Unido por um amigo, tendo-me custado originalmente umas 10£.
Jogo com caixa e manual
Que me tenha apercebido, a única diferença desta versão em relação à da Master System é mesmo o facto de correr numa resolução inferior, devido ao ecrã do portátil da Sega. Para melhor se enquadrar no ecrã mais reduzido, deu-me a sensação de que as sprites do Tom-Tom e dos inimigos são maiores em relação aos cenários. No entanto, isso, aliado à menor resolução horizontal disponível, torna esta versão um pouco mais desafiante. É que Wonder Boy é um jogo de plataformas que exige grande precisão no controlo da inércia da personagem e dos seus saltos, que, uma vez pressionado o botão, não há como corrigir a trajectória após algum deslize.
O Skate dá jeito porque serve também de escudo, mas não nos permite parar, pelo que teremos de fazer algumas secções de platforming mais exigentes em constante movimento
De resto, sendo uma versão tão parecida com a da Master System (e, por sua vez, também com o original de arcade), Wonder Boy é um jogo de plataformas desafiante e agradável de início, mas que depressa acaba por se tornar repetitivo devido à pouca variação dos seus níveis, tanto a nível gráfico como nas músicas que nos vão acompanhando. No que toca à performance, notei aqui e ali um ou outro abrandamento, que confesso não me recordar se também acontece na versão Master System.
Os bosses são, infelizmente, também bastante repetitivos. Apenas a sua cabeça muda, assim como alguns padrões de movimento e ataque.
Por fim, não podia deixar de referir o quão conturbada é a série Wonder Boy de documentar. Devido ao incomum acordo celebrado entre a Sega e a Westone (onde a Sega era detentora dos direitos do nome da série e das suas personagens, enquanto a Westone era dona do jogo em si) acabaram por surgir derivados como Adventure Island, da Hudson, entre muitos outros títulos baseados nos vários Wonder Boy, mas lançados em sistemas como a Famicom ou a PC Engine. A própria Sega, por vezes, também não ajudou muito à festa, já que nos Estados Unidos esta mesma versão de Wonder Boy para a Game Gear chama-se nada mais, nada menos que Revenge of Drancon, o que não tem nada a ver.
Continuando pelas rapidinhas, é tempo agora de revisitar a Mega Drive com Paperboy 2, que ao contrário do seu predecessor, originalmente um jogo arcade de grande sucesso e posteriormente convertido para inúmeros sistemas, este nunca chegou a sair nas máquinas de arcade. Ainda assim, foi também lançado para vários computadores e consolas, incluindo a versão ZX Spectrum que já cá trouxe no passado. O meu exemplar foi comprado a um amigo em Outubro, por cerca de 11€.
Jogo com caixa e manual
O conceito de Paperboy 2 mantém-se semelhante ao do primeiro jogo, com a primeira grande novidade a ser a possibilidade de escolhermos entre um rapaz ou uma rapariga como protagonistas. O objectivo continua a ser o mesmo: percorrer diariamente uma rua e distribuir jornais pelos subscritores. No entanto, as ruas estão repletas de perigos e obstáculos, desde veículos e transeuntes agressivos a cães que nos perseguem, palhaços no meio da estrada e até criaturas que tentam agarrar-nos pelas sarjetas. Outra novidade é a presença de casas em ambos os lados da rua, bem como a introdução de um botão de salto que nos permite escapar de certos perigos.
Tal como no primeiro jogo, podemos jogar em 3 ruas distintas, com níveis de dificuldade crescentes. No entanto agora podemos também controlar uma menina.
Os controlos são simples: o direccional serve para virar a bicicleta para a esquerda ou direita, bem como para acelerar ou abrandar o movimento. Os botões A e B lançam jornais para a esquerda e direita, respectivamente, enquanto o C serve para saltar. Apesar da simplicidade das mecânicas, o jogo é exigente, pois é necessário sermos exímios não só a evitar obstáculos, mas também a lançar os jornais com precisão, sem partir janelas ou causar estragos desnecessários nas casas dos subscritores. Caso contrário, ele cancelará a sua assinatura; por outro lado, destruir janelas de casas que ainda não são assinantes pode levá-las a subscrever o jornal no dia seguinte. É, uma vez mais, aquela lógica infalível de que sai mais barato assinar o jornal do que reparar janelas constantemente!
Às vezes até casas assombradas encontramos! No entanto, outras versões possuem ainda mais obstáculos como castelos com canhões que disparam para a rua.
Enquanto no primeiro Paperboy as casas dos subscritores e não subscritores se distinguiam pela cor (sendo as dos não assinantes sempre negras), aqui a paleta é mais variada. A forma mais simples de identificar quem é assinante é através dos detalhes: as casas desses possuem sempre uma caixa de correio à porta e um tapete vermelho de boas-vindas, enquanto os não assinantes não os têm. Já aqueles que cancelaram a assinatura chegam até a exibir tapetes com mensagens de “Keep Out!”. No final de cada nível, há ainda um pequeno circuito de obstáculos onde podemos acumular mais pontos.
Tal como o seu predecessor, temos aqui vários detalhes engraçados, como importunar certas pessoas e com isso ganhar ainda mais pontos
No que diz respeito aos gráficos, Paperboy 2 mantém a mesma identidade do original, com a sua clássica perspectiva isométrica. Os cenários são simples mas repletos de pequenos detalhes que lhes conferem algum charme, graças à grande variedade de inimigos e obstáculos com que nos cruzamos. Ocasionalmente, até podemos ganhar pontos extra ao realizar boas acções, como impedir assaltos a lojas ou travar carrinhos de bebé desgovernados. Já o som é funcional: as músicas não se destacam, mas também não incomodam. O jogo conta ainda com várias vozes digitalizadas (tanto para o paperboy como para a papergirl), que, apesar de curtas, surpreendem pela sua boa qualidade sonora.
No fim de contas, Paperboy 2 mantém a fórmula do original, expandindo-a ligeiramente com alguns novos elementos nas suas mecânicas de jogo. O seu espírito arcade de score attack e as mecânicas simples de compreender mas difíceis de dominar acabam por torná-lo num óptimo candidato para algumas sessões curtas, também pelo bom humor das situações algo bizarras que vamos encontrando. No entanto, fica ainda a sensação de que, visualmente, as versões de 16-bit poderiam ter ido um pouco mais além.
Tempo de regressar à Nintendo Wii para um jogo que os fãs da Sega há muito pediam: uma sequela de Nights into Dreams, o clássico de Yuji Naka desenvolvido originalmente para a Sega Saturn. Após vários rumores que nunca se concretizaram, em Abril de 2007 a Sega confirma finalmente um novo Nights em desenvolvimento, desta vez em exclusivo para a Wii, acabando por chegar ao mercado no final desse ano (ou início de 2008, dependendo da região). O meu exemplar foi, no entanto, adquirido apenas em Setembro de 2016, numa CeX, por 9€.
Jogo com caixa, manual e papelada
Tal como no seu predecessor, Journey of Dreams coloca-nos no papel de dois pré-adolescentes (Will e Helen) que são transportados, nos seus sonhos, para o mundo de Nightopia, onde conhecem Nights. Ao explorarem esse universo fantasioso, rapidamente se deparam com a ameaça dos nightmarens, liderados por Wizeman, que procura uma vez mais dominar o mundo dos sonhos. À semelhança do jogo original, Will e Helen enfrentam também inseguranças na sua vida real, as quais vão sendo ultrapassadas à medida que a aventura progride. Há aqui um maior foco narrativo, mas a história mantém-se leve, como seria de esperar num título pensado para todos os públicos.
Voar como Nights continua a ser bastante divertido, particularmente nos níveis mais tradicionais!
No que diz respeito às mecânicas de jogo, toda a base do Nights original está aqui representada. Controlamos Nights a voar por níveis totalmente renderizados em 3D, embora sigamos por percursos pré-determinados, resultando numa jogabilidade que continua próxima do 2D tradicional. Atravessar anéis dourados, além de aumentar a pontuação, serve para restabelecer a energia de dash, utilizada com o pressionar de um botão para acelerar o voo e também para atacar inimigos. Outras habilidades regressam, como “agarrar e atirar” inimigos ou o paraloop: ao voar em círculo, o rasto mágico deixado provoca uma explosão no interior desse espaço, podendo eliminar inimigos ou recolher objectos presos dentro do círculo.
Já os níveis de plataforma com as personagens humanas são super básicos e desinteressantes
A Sonic Team teve o cuidado de oferecer várias opções de controlo. É possível jogar apenas com o Wiimote e o seu sensor de movimento, usar Wiimote e nunchuck para um esquema de controlo mais tradicional com o analógico, ou ainda recorrer a um Classic Controller ou comando de GameCube que, na minha opinião, é a melhor forma de jogar. Como o joguei na Wii U, acabei por usar o Classic Controller. Controlar Nights continua simples na essência, embora certos níveis ou desafios exijam grande precisão nos movimentos analógicos, o que requer alguma prática até os voos se tornarem verdadeiramente fluidos.
Tal como no original, o jogo divide-se em níveis específicos para cada personagem, com um conjunto de fases finais comuns a ambos. No entanto, cada nível é agora um “mundo” com cinco secções distintas, todas acessíveis através de um hub central. O primeiro nível de cada mundo é o que mais se aproxima do Nights original: Will ou Helen caminham até à cela onde Nights está aprisionado, libertam-no e fundem-se com ele, passando então a voar enquanto perseguem uma série de aves para recolher chaves que desbloqueiam outras celas, culminando num confronto com um boss. Os restantes níveis funcionam como desafios alternativos como seguir uma sequência de anéis ao perseguir um polvo voador, salvar nightopians em perigo, ou experimentar mecânicas específicas que se aproximam de mini-jogos. Ocasionalmente, há também secções de platforming puro em que controlamos apenas os personagens humanos; estas, no entanto, são pouco inspiradas e constituem o ponto mais fraco do jogo. O quinto nível de cada mundo é uma versão mais desafiante do boss enfrentado anteriormente.
À medida que vamos avançando no jogo desbloqueamos também várias transformações que nos conferem diferentes habilidades, embora nem sempre o jogo as aproveita da melhor forma.
Entre as novidades surgem as transformações de Nights. À medida que avançamos, desbloqueamos a capacidade de o transformar em criaturas como um golfinho (para secções subaquáticas), um foguetão (para dashes rapidíssimos, mas de curta duração) ou um dragão, cujo dash é mais poderoso. Estas transformações activam-se através do botão direccional, mas, infelizmente, acabam por ter pouca relevância no conjunto do jogo.
Tal como no original, há bastante conteúdo desbloqueável. O verdadeiro final (e um boss adicional) só se revela após concluir todos os níveis com ranking C ou superior, enquanto obter classificações de A desbloqueia a banda sonora do Nights original. Espalhados pelos cenários estão ainda 60 coleccionáveis que, uma vez reunidos, permitem jogar com Claris e Elliot, os protagonistas humanos do primeiro Nights. E, à semelhança dos Sonic Adventure, existe uma espécie de Chao Garden onde podemos cuidar dos nightopians resgatados embora, confesso, nem sequer perdi grande tempo com isso.
Outros níveis vão tendo gimmicks próprias, como este onde nights se transforma num barco e temos de salvar dezenas de nightopians ao longo do rio
Em termos audiovisuais, o jogo surpreendeu-me pela positiva, especialmente nos níveis mais abertos. Os cenários são variados, repletos de motivos oníricos e com um nível de detalhe poligonal e de texturas acima da média para a Wii. A excepção está nos modelos das personagens humanas, de cabeças desproporcionadas e expressões algo artificiais, defeito que se nota ainda mais nas cenas em CGI, embora estas, de resto, apresentem boa qualidade. O voice acting é competente e a banda sonora é excelente, misturando temas orquestrais com composições de tom mais jazz e até alguns temas rock com guitarras bem marcadas, como eu muito aprecio.
As cenas em CGI têm uma boa qualidade visual, embora a história seja muito ligeira
No final de contas, este muito aguardado novo Nights revelou-se um jogo interessante e divertido, ainda que com muitas arestas por limar. Os níveis mais tradicionais, que seguem a fórmula do original, continuam excelentes, enquanto os restantes, baseados em mecânicas alternativas, variam entre o curioso e o desinspirado. As secções de platforming são francamente aborrecidas, mas por outro lado as lutas contra bosses são bem imaginativas e muitas vezes com mecânicas bem conseguidas. As novas transformações de Nights parecem também uma boa ideia no papel, mas acabam por não se materializar da melhor forma no jogo final. Em suma, fica a sensação de que a Sonic Team terá apressado o desenvolvimento para cumprir prazos, resultando num esboço de algo que poderia ser mais coerente. Apesar das expectativas, Journey of Dreams não parece ter sido um sucesso comercial, e desde então a série Nights voltou a um novo hiato o que é pena, pois o potencial ainda está lá.
Tempo de voltarmos às rapidinhas para um título curioso da Mega Drive. Sendo uma sequela (ou talvez remake?) do Devilish que já cá trouxe anteriormente na versão Game Gear, trata-se de um híbrido interessante entre Breakout/Arkanoid e uma estética dark fantasy que muito me agrada. O meu exemplar foi comprado em Setembro passado a um particular na Vinted por cerca de 30€.
Jogo com caixa e manual, versão norte-americana
A história é praticamente idêntica à da versão portátil: um príncipe e uma princesa apaixonados são transformados em duas barras de pedra por um demónio ciumento. O seu reino é invadido por blocos, mas nem tudo está perdido, pois uma esfera de energia desce do céu e ambos usam as suas habilidades limitadas para a guiar através de vários níveis, destruindo obstáculos, inimigos e, por fim, enfrentando o demónio que os amaldiçoou.
Esta intro traz-me memórias de ter jogado este jogo em emulação há muitos anos atrás!
A jogabilidade pode ser descrita como um Arkanoid em sidescroller, em que é necessário abrir caminho ao longo dos cenários enquanto controlamos a esfera de energia. Pelo percurso surgem demónios e criaturas grotescas que tudo farão para atrasar o nosso progresso, ao mesmo tempo que recolhemos power-ups coloridos que concedem efeitos temporários: desde causar dano a tudo no ecrã, parar o tempo, aumentar o tamanho das barras, até transformar a esfera num dragão flamejante capaz de devastar tudo o que toca.
Adoro os visuais de dark fantasy aqui introduzidos!
Tal como na iteração de Game Gear, controlamos duas barras em simultâneo. A inferior apenas se move horizontalmente, enquanto a superior pode ser deslocada em várias direcções. Com os botões A e C é possível rodar a barra superior, criando formações horizontais ou verticais (em L ou invertidas) em conjunto com a inferior. O botão B permite alternar a velocidade com que ambas se movem no ecrã. É um jogo curto, mas bastante desafiante, tanto pela física algo irregular da esfera (cuja trajectória nem sempre corresponde ao que esperamos) como pelo tempo limite apertado de cada nível. Não é necessário destruir todos os blocos ou inimigos, mas sim abrir passagem o mais depressa possível, culminando sempre num confronto contra um boss e num pequeno desafio adicional antes de desbloquear o nível seguinte.
Nem sempre o scrolling é vertical, ocasionalmente teremos de andar também para os lados e por vezes com caminhos alternativos.
Visualmente, é um jogo que me enche as medidas. Sou fã assumido da temática dark fantasy e, tal como no Dragon’s Fury, o grafismo é muito competente para um sistema de 16-bit: paisagens decrépitas, inimigos macabros e ocasionais efeitos gráficos bastante interessantes. A atmosfera é reforçada por uma banda sonora de grande qualidade, que tira excelente partido do chiptune característico da Mega Drive.
O jogo possui também certos efeitos gráficos bem competentes para a Mega Drive, como é o caso destas falsas transparências no nível subaquático
No fim de contas, Devilish: The Next Possession deixou-me bastante satisfeito. Apesar de curto, conquista pela estética sombria e detalhada, pela óptima banda sonora e por uma jogabilidade que, mesmo com imperfeições, consegue ser envolvente e desafiadora. É uma pena que nunca tenha chegado oficialmente à Europa, pois merecia maior reconhecimento. A série acabou por permanecer na obscuridade, com apenas um terceiro título lançado em 2005 para a Nintendo DS mas, confesso, só de ver a capa genérica dessa versão perdi logo grande parte do interesse.
Muitas memórias tenho eu de jogar Worms 2 ou Worms Armageddon com amigos, quer nas suas casas, quer mesmo nos computadores da escola! Ainda assim, é incrível como, após tantos anos a coleccionar, nunca tinha tido um jogo desta série na minha colecção. Isto porque com o foco no multiplayer que a série sempre teve, foi tendo cada vez menos importância para mim enquanto jogador. Mas como grande fã da Mega Drive, não resisti e acabei por comprar (finalmente) um exemplar do primeiro jogo da série nessa versão. Entrou na minha colecção algures em Julho deste ano, após o ter adquirido a um amigo meu por um preço bastante convidativo.
Jogo com caixa e manual
Desenvolvido originalmente para o Commodore Amiga, Worms apresenta um conceito simples. Até quatro equipas de minhocas militares combatem entre si em cenários gerados de forma aleatória, onde cada soldado tem o seu turno para, dentro de um tempo limite, se mover pela arena e atacar com a arma que entender. No fim, vence a equipa que tiver pelo menos um sobrevivente. As minhocas podem ser derrotadas de três formas: ao perderem toda a barra de vida, ao caírem na água ou se forem projectadas para fora da arena. A natureza bizarra de muitas armas, como projécteis de energia chamados de “dragon ball“, explosivos em forma de bananas ou ovelhas, acrescenta um humor peculiar, muito associado à tradição do ecossistema Amiga. O jogo teve sucesso, não só pelas inúmeras sequelas que gerou ao longo dos anos, mas também pelas várias conversões da versão original, incluindo a da Mega Drive, ainda que esta apresente algumas limitações. Mas já lá vamos.
Um dos problemas desta versão é o facto das minhocas serem todas idênticas entre si, independentemente da equipa a que pertençam
Os níveis são completamente destrutíveis, um elemento central da jogabilidade. Cada explosão abre crateras, e certas armas ou ferramentas podem ser usadas para escavar túneis, o que acrescenta uma forte componente estratégica. Afinal, quanto menos cenário houver, maiores são as hipóteses de uma minhoca cair à água. Até a eliminação de um inimigo pode ser perigosa, já que, ao perder toda a vida, cada minhoca detona um pequeno explosivo, capaz de danificar todos os que estejam por perto. A gestão do arsenal disponível é outra das preocupações. Armas mais comuns, como a bazuca (com que cada minhoca começa), a uzi, a caçadeira ou as granadas têm munição ilimitada. Outras mais poderosas, como as cluster bombs, o teletransporte ou os ataques aéreos, possuem usos limitados e exigem maior ponderação. De tempos a tempos, são lançados mantimentos por pára-quedas que trazem armas raras e devastadoras, inacessíveis de outra forma, como as bananas explosivas ou as célebres ovelhas. Estes itens tornam-se, assim, tesouros muito cobiçados. Por fim, há ainda o efeito do vento, em constante mudança, que influencia trajectórias de projécteis, embora algumas armas não sejam afectadas.
Uma das formas de derrotar as minhocas é mandá-las para a água, pelo que destruir certas secções do nível é também algo a considerar
A versão Mega Drive tem, no entanto, alguns pontos negativos. O mais notório é o facto de os níveis não serem gerados aleatoriamente, mas sim escolhidos de um conjunto pré-renderizado. Ainda assim, estes cenários apresentam alguma variedade temática, incluindo desertos, florestas, montanhas geladas ou paisagens marcianas, embora o original do Amiga oferecesse aparentemente muito mais opções. Outros aspectos menos positivos (que podem não ser exclusivos desta versão) incluem o facto de todas as minhocas serem visualmente idênticas, independentemente da equipa a que pertençam, o que torna essencial memorizar os nomes dos elementos do nosso esquadrão para manter o foco. Certas armas, como a caçadeira ou a uzi, podem também sofrer ricochetes quando disparadas a curta distância ou na proximidade de superfícies, causando muitas vezes mais dano ao jogador do que ao inimigo. Por fim, a barra de vida de cada equipa surge numa posição fixa no topo do ecrã, ficando frequentemente fora de vista quando a câmara acompanha a acção em zonas mais baixas do terreno.
A barra de vida de cada equipa está fixa no topo do mapa, portanto nem sempre fica visível
Visualmente, este é um jogo bastante simples, mas funcional. O reduzido tamanho das minhocas (algo que viria a mudar nas sequelas) remete claramente para a inspiração de outros jogos com origem no Amiga, como Lemmings. Ainda assim, apesar da escala diminuta, as minhocas exibem bastante personalidade, graças a animações que lhes conferem um sentido de humor característico. Os níveis, por sua vez, são simples, com apenas alguns detalhes gráficos ocasionais, mas destacam-se sobretudo pelo facto de serem totalmente destrutíveis. Já a paleta de cores mais limitada em relação a outras versões, bem como a menor variedade de cenários nesta edição, são fragilidades difíceis de ignorar. No que toca ao som, mantém-se a mesma simplicidade: para além de alguns efeitos sonoros do combate, apenas se ouvem curtas composições musicais nos menus.
Os modos de jogo são simples: podemos jogar uma partida amigável ou um campeonato. As partidas podem também ser bastante customizáveis nas regras e armas/equipamento permitido
Portanto, este primeiro Worms revelou-se uma experiência bastante agradável. Por um lado, foi bom regressar a esta série ao fim de tantos anos; por outro, mesmo que este título inicial (e em particular a versão Mega Drive) seja visivelmente mais limitado no aspecto audiovisual, a verdade é que a essência das mecânicas divertidas já estava presente. Se não tivesse tido acesso a um PC na segunda metade dos anos 90, consigo facilmente imaginar-me a passar bons momentos com os meus amigos a jogar esta versão. Hoje em dia, no entanto, existem muitas outras alternativas, mesmo para revisitar este primeiro jogo, que está melhor implementado noutras versões.