Phantasy Star (Sega Master System)

ps1 sms coverTempo agora de escrever sobre mais um jogo da Master System. Phantasy Star foi um dos jogos mais importantes pelos quais o criador de Sonic (Yuji Naka) já passou. Se a Master System não fosse desconhecida practicamente por todo o lado em 1987/1988, talvez tivesse tido mais reconhecimento do que o que teve. Comparativamente aos RPGs para consolas disponíveis nesses 2 anos (sim, também estou a falar do primeiro Final Fantasy e primeiros Dragon Quest), Phantasy Star era superior em todos os quesitos, na minha modesta opinião. Mas já lá vamos. A minha cópia foi comprada já não me lembro em que ano, mas sei que foi no miau.pt e lembro-me que também foi barato (infelizmente não trazia manual).

PS1
A minha cópia do jogo - ninguém me orienta aí um manual?

O primeiro Dragon Quest apesar de ter saído no Japão em 1986, saiu apenas nos Estados Unidos em 1989, e o primeiro Final Fantasy ter saído nos finais de 1987 no Japão e só em 1990 nos EUA, jogos esses que foram bastante bem sucedidos no mercado oriental e abriram as portas aos J-RPGs no mercado ocidental, Phantasy Star sempre esteve na sombra destes lançamentos. Isto por vários motivos: a Master System desde os tempos da SG-1000 que não tinha sucesso no mercado japonês, devido ao domínio da Nintendo Famicom, e também nos Estados Unidos passou muito despercebida face ao domínio monopolista da Nintendo e a uma péssima estratégia de marketing da representante da Sega dos EUA na altura, a Tonka Toys (faz lembrar uma certa Concentra…). Esse facto, aliado ao facto dos jogadores ocidentais só começarem a ligar alguma a J-RPGs com o lançamento de Dragon Warrior e Final Fantasy, deixaram Phantasy Star em segundo plano, apesar de ter recebido boas reviews.

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Ecrã de título com a nossa heroína Alis - belos pixeis

Phantasy Star é um RPG com contornos de ficção científica e fantasia medieval (na medida em que são usadas espadas, machados, magia, etc). A trama decorre no sistema solar de Algol, constituído por 4 planetas: Palma, um planeta semelhante à Terra, rico em recursos naturais, Motavia, um planeta árido, deserto, Dezoris, um planeta gelado e finalmente Rykros, um planeta misterioso cuja órbitra é enorme, apenas é visto pelos restantes planetas de 1000 em 1000 anos. Claro que este facto tem algo maior por detrás, mas deixo isso para quem quiser jogar o jogo. Todos estes planetas, à excepção de Rykros, têm os seus habitantes naturais. Palma é habitado por humanos, Motavia é habitado por colonos de Palma e por uma raça de seres azuis algo semelhantes a corujas. Finalmente, Dezoris para além de colonos humanos, tem nativos os Dezorians, uma raça que se assemelham aos Nameks de Dragon Ball, mas sem as antenas. Ah, e são quase todos uma carrada de mentirosos.

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As diferentes raças de Algol

E qual é a trama de Phantasy Star? O sistema solar de Algol é governado pelo rei Lassic, residente em Palma. Subitamente o rei torna-se num tirano para o seu povo, aumenta drasticamente os imposto, a população vive miseravelmente e quem se ousa opor ao regime sofre severas represálias. O jogo começa desta forma em Palma, onde assistimos a uma “cut-scene” trágica em que Nero, irmão da heroína do jogo Alis Landale, é espancado até à morte pelos guardas de Lassic. Antes de falecer, Nero pede a Alis que o vingue e que liberte Algol daquele tirano. Apos essa cena, a acção decorre em Camineet, cidade natal de Alis e bora lá dar um pontapé no rabo do Lassic. Ao longo do jogo vão sendo conhecidas outras personagens que ajudam Alis: Odin, o típico guerreiro enorme e musculado incapaz de usar magia, Myau, um gato falante e finalmente Noah, um poderoso feiticeiro que até hoje não se percebe bem se é rapaz ou rapariga. A trama vai decorrendo até que Lassic é derrotado e apercebe-se que Lassic estava a ser controlado por uma entidade bem mais poderosa: Dark Falz (Dark Force), uma entidade que representa o mal absoluto e que regressa a cada 1000 anos (aparece novamente nos restantes jogos da série).

A mecânica do jogo consiste no típico sistema de batalhas por turnos à boa velha maneira. As personagens deslocam-se no open world e nas cidades vistas de cima, sendo que as dungeons são passadas na primeira pessoa, simulando um efeito 3D algo impressionante para a época. As batalhas em si também são na primeira pessoa, com sprites detalhadas, conforme podemos ver nos screenshots que vou colocando por aqui. A nível de som, já sabemos que o chip de som original da Master System não é grande coisa, mas a versão japonesa permite o uso do acessório FM, que representa um aumento incrível na qualidade sonora. A sério, vão ao youtube e ouçam a diferença.

vs rivais
Comparação com os rivais - clique na imagem para ir para a fonte da mesma

As falas do jogo nunca são muito explanatórias, o jogador nunca tem bem a certeza do que deve fazer a seguir, mas se formos a ver, todos os RPGs dos anos 80 eram assim. Phantasy Star não é um jogo fácil, é recomendado que se passe várias horas de “grinding” para se subir alguns níveis e passar as batalhas com mais alguma facilidade. Também é aconselhável a consulta de mapas das dungeons, visto que algumas (principalmente a última) são um autêntico labirinto infernal.

Phantasy Star teve depois uma re-release para Mega Drive exclusivamente no Japão e apareceu em várias compilações de nome “Phantasy Star Collection”: para a Sega Saturn em 1998 (apenas no Japão) contendo os Phantasy Star I ao IV, para a Gameboy Advance em 2002 (contendo apenas os primeiros 3 jogos) e finalmente em 2008 para a PS2 (mais uma vez exclusivo japonês) contendo todos os 4 jogos clássicos, mais os spin-offs de Game Gear e Mega CD. Phantasy Star foi ainda alvo de um remake completo para a PS2 de nome “Phantasy Star Generation:1”  que infelizmente não saiu no ocidente devido às políticas da Sony de desprezo pelos jogos 2D na era da PS2… Saiu também para a Wii na Virtual Console e é um título desbloqueável na compilação Sonic’s Ultimate Genesis Collection para a PS3 e Xbox 360. Como se pode ver, é um título que pode ser adquirido em vários meios, uns bem mais fáceis que outros. Apesar de ser um RPG datado para os dias de hoje, não deixa de ser um bom desafio e porque não um bom motivo para satisfazer a curiosidade de quem quiser ver as origens da série.

PS Generation 1
Screenshot do remake para PS2

Infelizmente a Sega até hoje nunca mais pegou nesta série clássica passada em Algol. Phantasy Star Online, Universe e Portable, apesar de herdarem muitas coisas da série clássica, decorrem em locais completamente diferentes (PSO em Ragol e PSU/PSP em Gurhal). A ver se algum dia voltam ao clássico, com um RPG épico ao nível do Phantasy Star 4 da Mega Drive…

Daytona USA (Sega Saturn)

Daytona USA PAL cover

Se na segunda metade dos anos 90 fossemos a uma sala de máquinas Arcade e perguntássemos a qualquer puto que por lá andasse qual era o seu jogo favorito da sala, a probabilidade da resposta ser Daytona USA era elevada. De facto, Daytona USA foi um dos jogos arcade mais bem sucedidos de sempre (senão o com mais sucesso). Lançado originalmente em 1993 para o sistema Model 2 através do já mítico estúdio AM#2 de Yu Suzuki, Daytona USA foi um dos primeiros jogos 3D com texturas lançados no mercado. O que é que tornou este jogo num fenómeno de “desperdício” de moedas? Para além de ser um dos jogos mais bonitos em 1993/1994, a sensação de velocidade era fantástica. Daytona USA (em arcade) corre nuns 60fps lisinhos e constantes. Para quem não sabe, Daytona USA é um jogo de corridas inspirado nas corridas de stock-cars americanos (NASCAR por exemplo), sendo que o circuito de Daytona é um dos mais conhecidos. Este jogo na sua versão arcade conta com 3 circuitos diferentes, com graus de dificuldade crescente. Existem também 2 carros, um com mudanças automáticas, outro com mudanças manuais.

Daytona USA

Mas este post não é sobre a versão arcade, mas sim a versão Sega Saturn. Ora a minha cópia está impecável e foi comprada por um preço muito simpático, através do miau.pt, no ano passado. E o que se pode dizer desta conversão? Bom, antes disso vamos falar um pouco mais da história da Sega Saturn que eu não falei de tudo no respectivo post deste sistema.

Jogo com caixa e manuais

A Saturn estava inicialmente anunciada para sair no mercado americano no “Saturnday”, dia 2 de Setembro de 1995. Ora a Sony aproveitou essa deixa para anunciar o lançamento da PS1 no dia 9 do mesmo mês. Na E3 de 1995, a Sega anunciou que o “Saturnday” eram tretas e que a consola iria estar disponível imediatamente nalguns distribuidores. Anteciparam completamente por surpresa o lançamento uns 4 meses. Ora se as coisas tivessem sido bem feitas, o delay de 4 meses para o lançamento da PS1 poderia realmente ter dado cartas, mas o anúncio apanhou toda a gente desprevenida, incluindo as produtoras que se viram forçadas a lançar produtos “inacabados” no mercado. Logo aí já foi uma má jogada da Sega para alienar as produtoras do seu sistema, para somar à enorme dificuldade em desenvolver para o sistema, fruto da arquitectura interna complicadíssima da própria consola. A Saturn saiu no mercado americano com 3 jogos: Virtua Fighter, Daytona USA e Panzer Dragoon. 3 jogos dos estúdios da Sega, pois os restantes foram todos apanhados de supresa e foi um verão um pouco complicado para a Saturn que foi vendo poucos jogos a serem lançados até ao Outono. Infelizmente não foram só os estúdios externos que foram apanhados de supresa e se já viram o Virtua Fighter 1 original para a Saturn todo quadrado, dá para ter uma ideia do quão apressada a sua conversão foi. Infelizmente Daytona USA também cai nesta categoria.

Screen

Dos 60fps sólidos na versão arcade, a conversão Saturn apresenta uns 20. Os detalhes dos carros, das pistas, das paisagens, ficaram bem mais pobres, e a “draw distance” (a distância em que o horizonte era desenhado, digamos assim) era bastante curta. Ainda assim, o charme estava lá. A jogabilidade com que a versão arcade era conhecida está aqui também e só por essa razão já valia a compra. Naquele tempo as conversões arcade para as consolas caseiras pouco conteúdo extra tinham, ao contrário das conversões actualmente, onde inventam vários novos modos de jogo. Em Daytona USA temos o modo Arcade e o modo Saturn. O modo Arcade é auto explanatório, tem as mesmas opções do original. As corridas têm um timer decrescente que é actualizado com mais tempo sempre que se passa num checkpoint. Se o timer chegar a zero, game over. O modo Saturn elimina o timer, permite escolher mais 2 carros para além dos originais e permite também correr nos 3 circuitos de forma inversa. A nível de música, acho que quem jogou lembra-se perfeitamente da voz “Daytonaaaaaaa”, mesmo ao fim de todos estes anos.

Os fãs reconheceram que esta conversão ficou aquém das expectativas e à semelhança de Virtua Fighter 1, a Sega decide mais tarde lançar uma versão melhorada deste jogo, de nome Daytona USA: Championship Circuit Edition, onde para além de melhor grafismo, introduziu novas pistas, novos carros, etc. Mas isso são coisas de uma outra análise, assim que comprar a minha cópia. Também houve uma conversão para Dreamcast com suporte a jogo online e um novo port em HD para as arcades, lançado no ano passado sob o nome “Sega Racing Classic”. Infelizmente a sequela real Daytona USA 2 existente nas arcades nunca viu nenhuma conversão para o mercado caseiro.

Para concluir, acho que apesar de tudo, Daytona USA é um clássico, mesmo esta conversão pobre. Para os coleccionadores, no ebay uk arranjam-se cópias bastante baratas desta versão, pelo que não é difícil encontrá-la a bons preços. Para quem não for coleccionador, então sempre recomendaria o Daytona USA: CCE, ou mesmo o remake para Dreamcast. Contudo se virem esta cópia ao preço da chuva aproveitem!

Sega Saturn

Esta é uma consola de culto, apesar de ter sido uma das grandes responsáveis pelo declínio da Sega como fabricante de consolas. Apesar de ser um “wanted-item” para mim desde 1996, só em Setembro de 2010 é que finalmente comprei uma. Não desconhecia a plataforma, joguei Saturn várias vezes em casa de amigos meus em 1996-1998, e cheguei a ter uma emprestada durante umas semanas. Bons tempos… Felizmente comprei um modelo impecável com caixa, adquirido no miau.pt. A consola que comprei corresponde ao modelo de 2a geração europeu:

Sega Saturn Box
Caixa Sega Saturn PAL - uma beleza!

O conjunto
Fora da caixa

A Sega Saturn foi lançada originalmente no final de 1994 no Japão e em Maio e Julho de 1995 nos mercados Americano e Europeu respectivamente. Pouco tempo antes, a Sega tinha lançado um autêntico aborto para o mercado chamado 32x, cujo nome de código era Sega Mars. Esse acessório era mais um add-on para a Sega Mega Drive, tornando a mesma numa máquina de 32Bit, e seria um “cheirinho” do que a Saturn viria a ser. Ora como a Saturn estava anunciada para sair pouco tempo depois, os jogadores optaram por ignorar mais um add-on para a Mega Drive e esperar pela máquina a sério. Convém referir que a Sega na altura era um autêntico monstro no mercado, na medida em que dava suporte a imensas plataformas. A saber: Mega Drive, Mega CD, 32x, Game Gear, Master System (nalguns mercados), Nomad (nalguns mercados também) e tinham projectos para mais 3 consolas. A 32x era a Sega Mars, Neptune seria uma Mega Drive com 32x incorporada, Saturn e Jupiter. Saturn e Jupiter eram para ser equivalentes entre si, mas uma com suporte a CD e a outra com cartuchos. Que confusão Sega! O falhanço da 32x levou a Sega a cancelar a Neptune e a Jupiter, focando-se então na Saturn.

Sega Neptune
Sega Neptune

Ora a Saturn desde cedo que ficou conhecida por ter um hardware demasiado complexo, com 2 processadores centrais, 2 processadores gráficos, mais uma panóplia de processadores e microcontroladores para o som, drive de CD-ROM e demais periféricos. Hoje em dia o paralelismo de processamento é algo comum com processadores multi-core. A arquitectura da Sega Saturn é algo diferente, pois apesar de ter 2 processadores, eles não trabalham “ao mesmo tempo”. Como partilham a mesma BUS, acedem a memória em intervalos diferentes. Para piorar as coisas, muita da programação teve de ser feita em assembly, o que é um autêntico inferno para um hardware complexo. Quem já programou em assembly sabe do que falo. Esta foi a principal razão pela qual a Sega Saturn acabou por fracassar, principalmente nos mercados ocidentais. A Playstation surgiu na mesma altura e apesar de aparentemente ter um hardware equivalente em poder de processamento (embora bem menos complexo) oferecia ferramentas de desenvolvimento bem mais agradáveis para as produtoras. Isto aliado a um preço mais baixo, uma campanha de marketing bastante agressiva, erros grosseiros da Nintendo (não incluir suporte a CD na N64), melhores contratos com as produtoras, levaram à Playstation ser o sucesso que foi, bem como a sua sucessora.

Ainda a nível técnico, o hardware da Playstation para além de ser mais simples permitia renderizar alguns efeitos gráficos nativamente como transparências por exemplo, bem como compressão de vídeo. Na Saturn isso tinha de ser feito por software, daí muitas cut-scenes na Saturn não terem a mesma qualidade do que as da PS1. Enquanto a Nintendo 64 não saía para o mercado, era frequente dizer-se que os gráficos da PS1 eram melhores, mas a verdade é que isso se devia à complexidade enorme em programar para a Saturn. Desafio-vos a ir ao youtube e pesquisar “Shenmue Sega Saturn”. O que vão ver é renderizado em tempo real numa Saturn. Mas programar assim é uma tarefa hercúlea e é perfeitamente normal que os produtores que não tenham o “know-how” que os estúdios da própria Sega tinham conseguissem tirar resultados assim tão impressionantes. Contudo, a Saturn brilhou no 2D, onde practicamente todos os jogos 2D são mais fluídos do que as versões PS1.

Mas tecnicismos à parte, vamos ao que realmente interessa em qualquer consola. Os jogos! A Saturn é um autêntico monstro de Arcade. A grande maioria dos jogos de sucesso são conversões de hits da Sega nas Arcades como Daytona USA, Sega Rally, Virtua Fighter, Virtua Cop, Manx TT, etc. Existem também outros jogos de renome como Panzer Dragoon, Nights, Clockwork Knight, Deep Fear, Burning Rangers, entre vários outros multiplataforma de interesse como os originais Tomb Raider e Resident Evil. Infelizmente outra coisa que falhou redondamente foi a política da Sega of America, que barrou muitos jogos japoneses de qualidade por acharem que não fariam sucesso no Ocidente. Infelizmente, um jogo japonês que não receba lançamento americano, muito dificilmente recebe lançamento europeu, sendo assim nós também acabamos por perder devido à idiotice de outros. No Japão, ironicamente a Sega Saturn foi uma consola de sucesso. Mesmo depois do lançamento de Final Fantasy VII para a PS1 as vendas da Saturn continuaram sólidas durante algum tempo, o que lhe foi garantindo vários óptimos jogos que infelizmente não sairam cá. Não apenas RPGs, dating sims e alguns shooters que dificilmente saíriam no ocidente, mas também vários jogos de luta da Capcom e SNK como o Street Fighter Alpha 3, que até hoje os fãs indicam como sendo a versão caseira mais fiel à Arcade. Querem uma ideia do que se ficou pelo japão? Grandia, Lunar Silver Star e Eternal Blue, X-men vs Street Fighter, Marvel Super Heroes vs Street Fighter, Dead or Alive, Radiant Silvergun, Cotton 2, Castlevania Symphony of the Night (com conteúdo extra face à versão PS1), Sakura Taisen, as 2 últimas partes do Shining Force III, entre muitos outros. Ena, obrigado Sega of America e Europe, por terem feito tanta asneirada. Os últimos jogos no ocidente sairam em 1998, enquanto que no Japão foram saíndo até 2000, altura em que a Dreamcast já estava a todo o vapor em todos os mercados. A Sega com tanta derrapagem desde a Mega Drive foi perdendo a confiança dos consumidores e o final da história já todos nós sabemos.

Uma outra característica interessante da Sega Saturn é a capacidade de jogar online. O conceito não é propriamente novo, existiram serviços online para a Mega Drive e a SNES, mas pouca gente os conhece. Nos Estados Unidos foi disponibilizado um serviço de nome NetLink, que permitia surfar a internet, bem como jogar alguns jogos online. Jogos como Duke Nukem 3D, Sega Rally, Daytona USA e Virtual On receberam versões com suporte online. No Japão o serviço tinha o nome de SegaNet Xband e jogos como Virtua Fighter Remix, Worldwide Soccer 98, Sega Rally, Daytona USA, entre outros, também tinham a componente online. Na Europa, ficamos a ver navios, como sempre.

Saturn com modem Netlink

Concluindo, a Sega Saturn, para quem for um jogador hardcore é um aparelho a comprar, principalmente pelo mercado japonês que é bem mais vasto que o ocidental. É uma máquina que apesar de ter muitos jogos com um 3D manhoso devido ao seu hardware dos infernos, é como se fosse uma NeoGeo 3D. Jogar em casa clássicos como Daytona USA, Sega Rally, Virtua Fighter 2, entre muitos outros jogos Arcade…não tem preço. Para jogos de aventura, RPG, plataforma, desporto, também tem alguns bons títulos, mas nesse quesito a PS1 e N64 levaram a melhor.

Billy Hatcher and the Giant Egg (Nintendo GameCube)

CapaUma das razões que me levaram em 2002, escolher a GameCube como a minha consola da geração anterior, foi o apoio da Sonic Team. Eu sempre fui grande fã da Sega e Nintendo old-school, e se a Sega não tivesse anunciado o fim prematuro da consola há uns tempos, provavelmente até teria comprado a Dreamcast, era bem mais barata e vinha com bastantes jogos (mas isso é outra história que poderá ser contada quando fizer uma análise ao hardware da Nintendo GameCube). Um dos jogos que a Sonic Team lançou foi este Billy Hatcher and the Giant Egg, em 2003. Comprei este jogo por uma pechincha no ano passado, no eBay UK e está impecável.

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O jogo completo

Comprei o jogo meio “às cegas” porque nunca o tinha jogado antes, nem mesmo ver uns vídeos decentes do jogo em acção, conhecia-o de ver algumas imagens na net quando o mesmo foi anunciado. Eu gosto de jogos de plataformas e a Sonic Team para o bem ou para o mal, é um estúdio de renome nessa área.

De que se trata Billy Hatcher and the Giant Egg? Ora, o nosso herói Billy Hatcher é um menino que é transportado para um mundo de fantasia onde vivem galinhas falantes, povo esse que foi invadido por um bando de corvos maléficos que, com base em magia negra conseguem ter a aparência de outros animais bem mais ferozes e perigosos. Sim, a história não faz sentido, mas isto é um jogo de plataformas todo colorido e cutxi-cutxi, não é suposto fazer muito sentido.  A música título é tão idiota, tão idiota que até é viciante e cheguei a andar durante algum tempo a cantarolar “la-la-la-la”.

Ora passando para o jogo em si: O Billy por si só é fraco. Não consegue atacar os inimigos, não consegue correr, etc. Apenas quando segura um ovo, é que tem o poder de atacar e fazer várias manobras com o mesmo ovo. Os inimigos derrotados largam frutas que só conseguimos “apanhar” com o ovo, essas frutas servem para fazer o ovo crescer até estar pronto a eclodir. Existem dezenas de diferentes ovos, cada um contendo items e animais diferentes. Esses animais podem ajudar o Billy a fazer várias coisas, desde atacar inimigos, activar objectos no cenário, ou mesmo poderão servir para levar o Billy às costas, embora sinceramente não tenha visto grande utilidade nisso. Uma coisa que achei curiosa foi as várias “influências” que foram buscar ao Mario 64/Sunshine. O mundo é dividido em várias zonas, cada uma contendo várias missões, decorrendo no mesmo mapa, mas com ligeiras modificações, cada nível é terminado quando se apanha um “emblema” especial, à semelhança das Stars em Mario. Existem também moedas especiais que podem ser coleccionadas, à semelhança das blue coins nos jogos do Mario. Na verdade, em Billy Hatcher também existem blue e red coins, mas servem para uns determinados tipos de níveis. A estrutura dos níveis é a seguinte: Na primeira missão de cada zona deve-se encontrar o galo/galinha chefe daquela região. É um ovo dourado que após o libertar deve-se procurar as frutinhas de modo o fazer eclodir. A dificuldade é que esses ovos dourados partem ao primeiro toque de um inimigo, ao contrário dos normais que partem ao 3º toque. A segunda missão é sempre encontrar o Boss da respectiva área e derrotá-lo. As restantes missões são aparentemente opcionais em quase todas as zonas. Existem sempre missões em que se tem de resgatar 8 galinhas feitas prisioneiras, outras para derrotar 100 inimigos, outras em que temos de coleccionar um determinado número de blue ou red coins, missões para resgatar os 3 amigos do Billy, etc. Existem no total 7 zonas, cada uma com 8 missões (5 para o Billy e uma para cada um dos 3 amigos que podem ser desbloqueados ao longo do jogo), o que perfaz um total de 56 níveis.

Agora a parte pior: a jogabilidade. Eu literalmente acabei de completar as missões todas deste jogo e foi uma autêntica prova de fogo à minha sanidade mental. Para completar o jogo mesmo a 100%, ainda teria de coleccionar todas as moedas, descobrir todos os ovos e mini-jogos (existem alguns mini-jogos que podem ser desbloqueados para se jogar na GBA) e completar TODAS as missões com um rank S (o máximo). No way Jose, não o vou fazer. O jogo começa bem, uma pessoa habituando-se aos controlos vai fazendo as primeiras missões à vontade, até que se chega a um ponto em que as coisas complicam mesmo. A Sonic Team desde os Sonic Adventure na Dreamcast que tem uma estranha fixação por abismos sem fundo. Um descuidozinho e ops, lá se vai o Billy para o c******. Preparem-se para isto acontecer muitas, muitas vezes, e os 1ups não são abundantes. E muitas das vezes quando se cai ao abismo tem-se de recomeçar o nível num sítio bem lá atrás, onde se tem de fazer muitas manobras arriscadas novamente. Muito, muito chato, principalmente quando existem partes em que se tem de fazer saltos ao milímetro de precisão, e isso abunda por aí. Outra coisa que achei chata é o facto de ser muito frequente ao subir uma pequena “ravina” através dum truque com o ovo (é a única maneira de o fazer), o ovo ficar preso na ponta da ravina e o Billy cair ao chão. Se não houver mais ovos na área, não há nada a fazer senão esperar que o ovo que ficou preso volte a ficar disponível no seu local de origem. Isso também me aconteceu muitas vezes, infelizmente.

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Uma das partes "frustrantes" (por acaso esta até é bem simples)

Bottomline, gostam de jogos de plataforma? Têm uma GameCube ou Wii? Acham que eu sou é um mariquinhas que não consegue jogar jogos de plataforma decentemente? Não custa nada experimentar. Aqui em Portugal raramente o vejo à venda por menos de 20€, mas no ebay é comum arranjar por menos de metade. Se vos aparecer uma oportunidade de o comprar baratinho força nisso. Mas preparem-se para muitas horas de frustrações.

Desert Strike (Sega Master System)

Desert Strike
Caixa Desert Strike Master System

Lembram-se no início dos anos 90 onde Electronic Arts era sinónimo de qualidade e inovação? Desert Strike é definitivamente um jogo que entra nessa categoria. Criado por Mike Posehn para a Sega Mega Drive, foi um sucesso imediato, tendo sido posteriormente convertido para várias outras plataformas. Uma delas foi a Sega Master System, tendo a conversão ficado ao cargo da Domark que por sua vez a relegou para o seu estúdio interno “The Kremlin”. Estes “The Kremlin” foram responsáveis por várias conversões de software para a Master System, como o Prince of Persia de Jordan Mechner, por exemplo, bem como a versão de Game Gear deste mesmo jogo.

Desert Strike é uma óptima simbiose entre simulação militar e acção mais descomprometida. Contextualizado na guerra do Golfo dos inícios dos anos 90, somos introduzidos a um ditador lunático de um país do Médio Oriente (inspirados em Saddam Hussein) em vias de iniciar um conflito internacional. A bordo de um helicóptero AH-64 Apache das Forças Armadas dos E.U.A. somos postos à prova de modo a colocar um fim nos planos do general.

Durante o jogo é-nos incumbido executar várias ordens, sejam de resgate de prisioneiros de guerra, soldados desaparecidos em combate, destruição de vários alvos militares, escolta de VIPs, etc. As missões estão bem pensadas e seguem alguma lógica, tanto na atribuição, como na ordem de execução das mesmas. Antes de entrar “à Rambo” nas bases inimigas, convém destruir os radares e as centrais energéticas, reduzindo assim a capacidade de retaliação do inimigo. A componente estratégica não se fica por aqui, sendo que as munições e o combustível não são limitados, pelo que têm de ser bastante racionados. Uma coisinha que eu sempre gostei foi que, sempre que se pausasse o jogo, veríamos para além das estatísticas do nível e do helicóptero, tínhamos um mapa e uma série de descrições com figuras ligadas às missões, veículos inimigos ou até items como munições.

Desert Strike
Screenshot do jogo

Quem conhecer as versões superiores 16Bit e PC, irá ficar impressionado com a qualidade da conversão do jogo na Master System.  Quase todo o conteúdo está lá. Todos os inimigos e edifícios com um bom grau de detalhe, todas as missões. A nível de som é que não se pode fazer milagres, toda a gente sabe que o som na Master System (e mesmo na Mega Drive) não é grande espingarda, comparando com as consolas da concorrência. Graficamente mantém-se a perspectiva isométrica, de modo a simular um efeito 3D. A nível de jogabilidade simplificou-se as coisas um pouco devido ao comando da Master System ter menos botões. O botão 1 serve para disparar a metralhadora pesada, o botão 2 serve para disparar os mísseis Hydra (projécteis de média “potência” explosiva, mas com uma taxa de disparo muito elevada), e os botões 1+2 ao mesmo tempo para disparar os escassos mísseis Hellfire (bastante potentes, porém lentos).

A minha cópia do jogo foi-me oferecida por um amigo de infância num dos meus aniversários, juntamente com o Global Gladiators (um dia destes falarei sobre ele). São ambos os jogos em 2ª mão e não trazem o manual, infelizmente. Fora isso estão em óptimo estado.

Desert Strike SMS
A minha cópia do jogo

Infelizmente a Master System não recebeu mais nenhum jogo da saga “Strike”, enquanto a “prima” Game Gear recebeu também conversões das sequelas Jungle Strike e Urban Strike (também disponíveis na Mega Drive, SNES, PC, etc). A série “Strike” viria a receber ainda mais 2 jogos nomeadamente o Soviet Strike e o Nuclear Strike, já na era dos 32/64bit.

Após o Nuclear Strike, e sem contar com o gorado “Future Strike” que nunca chegou a ver a luz do dia com esse nome, não se ouviu mais falar na série até 2002, altura em que converteram o primeiro jogo da saga para a Game Boy Advance. Infelizmente até à data nada mais se falou da série.

Concluindo, Desert Strike é um óptimo jogo para quem gosta de dar uns tiros, mas também com um twist de estratégia militar. Apesar de gostar muito da versão da Master System, recomendaria que jogassem as versões superiores de 16Bit ou PC/Amiga. Se não tiverem essas versões disponíveis, ainda assim ficam com um bom jogo entre mãos.