Street Fighter: The Movie (Sega Saturn)

Um videojogo baseado num filme que por sua vez é baseado num videojogo. Ora cá está algo que não se vê todos os dias. Confesso que as minhas memórias de criança/adolescente do filme até são algo agradáveis, mas não estou com muita vontade em o rever, é que sinto que vai arruinar tudo e depois de jogar este jogo ainda menos vontade tenho. O meu exemplar veio cá ter à colecção em partes. O CD veio dentro de uma consola que um amigo meu comprou ao desbarato numa feira de velharias há uns bons anos atrás e acabou por mo oferecer. A caixa e o manual foi comprada há relativamente pouco tempo atrás no OLX por uns 15€ se bem me recordo.

Jogo com o manual embutido com a capa. Curiosamente é o único lançamento PAL que usa as mesmas caixas norte-americanas, bastante mais frágeis.

Ora o filme tinha como principais protagonistas o conhecido actor de filmes de acção Jean Claude Van-Damme no papel de Guile, e o já falecido Raul Julia no papel do vilão Bison. Todos os restantes actores confesso que nunca mais ouvi falar deles, excepto para a actriz que representa a Cammy, pois é nem mais nem menos que a artista pop Kylie Minogue! Muito por alto, a história do filme coloca Guile como líder de um pequeno exército que pretende localizar e derrotar Bison, que havia feito uns quantos reféns e exigia uma grande compensação financeira pelo seu resgate. A equipa que produziu o filme tomou grandes liberdades com outras personagens, como é o caso dos favoritos Ryu e Ken serem aldrabões que tentam vender armas (de brincar) à organização terrorista de Bison, o Honda ter origem havaiana, entre outras atrocidades.

O modo história mostra-nos várias cenas do filme e dá-nos também a liberdade de escolher o caminho que queremos seguir, o que resultará em lutas contra oponentes diferentes

No que diz respeito aos modos de jogo, o principal é o Movie Battle, onde controlamos Guile. A ideia é, em 50 minutos, teremos de vencer toda uma série de combates até chegar ao Bison, caso contrário é game over. Entre combates vamos tendo várias imagens estáticas (ou mesmo pequenos trechos do filme) que vão narrando a história e temos sempre que fazer uma escolha entre duas alternativas, que vão ditar qual o oponente que enfrentamos a seguir. Se perdermos um combate não temos grande penalização pois poderemos tentar novamente, temos é de garantir que chegamos ao Bison em 50 minutos. O modo Street Battle já é um modo mais arcade, onde escolhemos uma personagem e teremos de enfrentar todas as restantes, o versus é um multiplayer para dois jogadores e o trial é uma espécie de modo de desafio, onde confesso que acabei por não perder grande tempo com o mesmo.

No modo história o primeiro combate é sempre contra o Bison, mas é um combate que não precisamos de vencer.

Já na jogabilidade, convém dar um pouco mais de contexto adicional. O lançamento original deste Street Fighter The Movie foi nas arcades e, visto que a Capcom não tinha experiência em produzir videojogos com gráficos digitalizados, recorreram a uma empresa norte-americana com a qual já tinham colaborado no passado, a Incredible Technologies. Mas digamos que a Capcom os deixou demasiado à vontade, pelo que quando os japoneses finalmente os visitaram para avaliar o progresso do jogo, com este já bastante avançado no seu ciclo de desenvolvimento, a surpresa foi muita e não para melhor. Confesso que não cheguei a experimentar (nem sequer através de emulação) a versão original arcade, mas a opinião geral é que é péssima (se bem que a internet gosta muito de exagerar). Já no que diz respeito às versões para consolas, a Capcom decidiu converter o jogo eles próprios, pelo que a jogabilidade é bem mais próxima dos Street Fighter normais, ou seja os 6 botões faciais da Saturn a servirem perfeitamente para socos e pontapés, fracos, médios ou fortes. Golpes especiais estão também aqui presentes, assim como uma barra de special que uma vez cheia nos permite desencadear alguns golpes especiais ainda mais poderosos.

Bom, digamos que os efeitos especiais não “casam” bem com as imagens digitalizadas.

Qual o problema? Bom, sinceramente achei o jogo bastante lento, com animações bastante estéreis e a nível audiovisual também não é incrível. As sprites são digitalizações dos actores reais, assim como os cenários que são naturalmente inspirados no filme. Mas a fluidez de jogo está longe do que a série Street Fighter bem nos habituou e isso é o que acaba por prejudicar mais o jogo na minha opinião. O som também achei francamente mau, com vozes bastante abafadas e uma banda sonora bastante má. Portanto se a versão arcade tem a fama de ser ainda pior… medo! E medo também se voltar a ver o filme ao fim de todos estes anos!

Hurricanes (Sega Mega Drive)

Baseado num desenho animado do qual eu não tenho quaisquer memórias, este é um jogo de plataformas que nos faz lembrar títulos como Marko’s Magic Football ou Soccer Kid, isto porque este Hurricanes é um jogo de plataformas onde controlamos alguém com uma bola de futebol agarrada aos seus pés. O meu exemplar foi veio de uma loja do Reino Unido através de um amigo meu, tendo-me finalmente chegado às mãos algures no mês passado.

Jogo com caixa e manual

Presumo que a história siga alguma coisa dos desenhos animados, mas como nunca os vi (ou se vi confesso que não me recordo de rigorosamente nada) posso estar redondamente enganado. Basicamente a trama anda à volta da equipa de futebol Hurricanes que iria participar num jogo importante algures numa ilha remota. No entanto a viagem até esse destino está constantemente a ser sabotada pela equipa rival, os Gorgons. E isso é a desculpa necessária para acabarmos por explorar os mais variadíssimos cenários, desde florestas, selvas, aeroportos, casas assombradas, ruinas indígenas, entre muitos, muitos outros.

Antes de cada nível temos a liberdade de escolher qual das 4 personagens jogáveis queremos representar. Mas as diferenças são apenas estéticas.

No que diz respeito à jogabilidade, este é um jogo de plataformas genérico, onde o objectivo de cada nível é o de descobrir a sua saída, marcada pela forma de um símbolo dourado e brilhante. Ocasionalmente teremos alguns bosses para enfrentar também. A diferença é que, tal como no Marko’s Magic Football, a personagem que controlamos tem (quase) sempre uma bola de futebol aos seus pés, pelo que esta é usada como o método de ataque. A nível de controlos, botão A salta, botão B (em conjunto com o direccional) serve para correr e o C é utilizado para chutar a bola. Cima e C em simultâneo resulta num pontapé picado em arco que poderá ser útil em certas circunstâncias. Sendo este um jogo de plataformas europeu, espalhados pelos níveis vamos ter também inúmeros itens e power ups para apanhar. Tudo o que é alimento serve para regenerar a nossa barra de vida, medalhas são vidas extra, chuteiras coloridas podem aumentar o poder dos nossos ataques, velocidade ou capacidade de saltar mais alto, outros itens podem-nos dar invencibilidade temporária, paralizar/destruir todos os inimigos no ecrã ou simplesmente dar mais pontos. Ocasionalmente vemos uns “baldes” coloridos e com uma figura de uma bola de futebol. O objectivo é, através de um pontapé em arco, conseguir encaixar a bola dentro desse balde. O resultado é uma bola da mesma cor que também poderá dar alguns efeitos temporários, como maior poder de ataque ou mesmo um escudo.

Chutar a bola contra os inimigos. É assim que se ataca aqui.

Antes de cada nível podemos escolher com qual das personagens dos Hurricanes queremos jogar, mas essa escolha é meramente estética, pois nenhuma das personagens disponíveis possui habilidades ou características que as distingam, o que é pena. De resto este é então um jogo de plataformas algo simples, mas ao menos é um jogo onde não nos obrigam a coleccionar toda uma série de objectos antes de podermos avançar de nível (o que aparentemente fizeram na sua versão Game Gear). A excepção para mim vai para os últimos dois níveis, onde os inimigos e obstáculos são inúmeros e é muito difícil não sofrer dano. O último nível em particular é super linear, mas tem dezenas de polícias que nos mandam parar, impedindo-nos assim de progredir no nível. O que temos de fazer ali é chutar a bola em arco para que a mesma lhes acerte na cabeça e aí os polícias já nos deixam avançar. O problema é que temos de fazer isso enquanto nos desviams/atacamos vários outros inimigos em simultâneo.

Sempre que perdemos uma vida lá vem este árbitro no seu pedestal voador mostrar-nos um cartão amarelo

A nível audiovisual sinceramente este jogo até é bem conseguido, particularmente nos seus gráficos. Apesar de não ter o charme do Marko’s, os gráficos são bastante coloridos e com um bom nível de detalhe, não deixando de incluir alguns bonitos efeitos de parallax scrolling ocasionalmente. Para além do que eu já mencionei algures acima, os níveis são bastante distintos entre si, assim como os inimigos que iremos enfrentar. Ou às vezes temos também outros detalhes interessantes, como o árbitro que surge do nada para nos mostrar um cartão amarelo de cada vez que percamos uma vida (e um vermelho quando perdemos todas). Já a banda sonora sinceramente, apesar de ter achado as músicas agradáveis no geral, acabou por me passar um pouco despercebida, tirando uma ou outra música mais mexida que já achei melhor conseguida.

Quando chutamos a bola para longe, vem sempre outra ter aos nossos pés. A excepção é, claro, em casos destes onde não temos os pés assentes no solo.

Portanto este é um jogo de plataformas que apesar de colorido, bem detalhado e acima de tudo bastante variado nos níveis que nos apresenta, não deixa de ser algo genérico. A possibilidade de jogarmos com várias personagens distintas onde nenhuma possua diferentes características também me pareceu uma oportunidade perdida, sinceramente. Mas não é um jogo mau de todo.

Alien 3 (Sega Game Gear)

O artigo de hoje é uma super rapidinha pois é uma versão practicamente idêntica de um jogo que eu já cá trouxe no passado, o Alien 3. Sendo a Game Gear essencialmente uma Master System portátil (se bem que com a capacidade de ter mais cores em simultâneo no ecrã, com a penalização de uma resolução inferior), é normal que os jogos que saiam nas duas plataformas sejam muito parecidos, senão mesmo iguais. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu por 10€ algures no mês passado.

Jogo com caixa e manual

Este jogo é uma “adaptação” do filme Alien 3, mas ao contrário do filme onde teríamos só uma dessas criaturas com que nos preocuparmos, aqui temos aliens às dezenas para combater. O objectivo é, em cada nível, resgatar uma série de prisioneiros e depois disso encontrar a saída do nível, tudo dentro de um tempo limite que até pode ser algo apertado dada a natureza labiríntica dos níveis. Teremos várias armas distintas com as quais os podemos combater, desde as pulse rifles, lança chamas, granadas, entre outros, cada qual com munição limitada. Os controlos são simples, com um botão para saltar, outro para disparar a arma actualmente seleccionada. Pressionando o botão 2 em simultâneo com a direcção baixo permite-nos ir rodando entre as armas disponíveis. Para além dos níveis normais, ocasionalmente teremos também alguns bosses para derrotar.

Mesma coisa que na Master System, mas com um ecrã mais reduzido

A versão Master System deste jogo já era bastante similar à versão Mega Drive, embora esta seja superior a nível audiovisual. Entre a versão Master System e esta da Game Gear o jogo é, creio eu, exactamente igual, excepto em duas particularidades. Uma é o facto de o ecrã e resolução ser mais reduzido na Game Gear o que não é bom visto a agilidade das criaturas que nos atacam. Com maior resolução horizontal na Master System temos um pouco mais de folga para reagir atempadamente. A outra diferença está no facto de a versão Master System ter um modo que permite multiplayer para 2 jogadores (embora cada um jogue à vez), o que não fazia muito sentido estar a trazer para esta versão portátil. De resto, bons gráficos e som, para um sistema 8bit, tal como já havia referido na versão MS.

J. League Pro Striker Kanzenban (Sega Mega Drive)

Tempo para mais uma rapidinha a um jogo de desporto, desta vez a um exclusivo japonês para a Mega Drive. Tal como o nome indica, este é um jogo de futebol inteiramente focado na liga nipónica, tendo sido lançado no Japão algures no final de 1993. E se nós nos queixarmos da Electronic Arts ser preguiçosa nos seus jogos de desporto anuais, o que dizer desta série J. League Pro Striker? O primeiro sai em Abril de 1993, com um relançamento em Junho do mesmo ano (para corrigir problemas da primeira edição) e este Kanzenban (também conhecido como Perfect) a sair no final do ano. Foi um jogo lançado originalmente em conjunto com o multitap da Mega Drive em solo japonês, algo que me está a faltar. O meu exemplar veio da vinted algures em Janeiro do ano passado por menos de 10€.

Jogo com caixa e manual. Fica a faltar a caixa exterior de cartão e o multi-tap…

Este jogo inclui portanto as 10 equipas que faziam parte da J. League na sua época inaugural de 1993 e supostamente o jogo tem também todos os jogadores “reais” que jogaram nesses clubes durante essa temporada. No que diz respeito aos modos de jogo temos partidas amigáveis e competições do estilo taça ou campeonato. Caso queiramos escolher uma partida amigável temos também a hipótese de escolher uma partida “all stars” onde poderemos escolher uma de duas equipas: este e oeste, sendo que cada uma possui os melhores jogadores dessa região do Japão. No que diz respeito aos controlos, o jogo utiliza os botões A, B e C com funcionalidades distintas caso estejamos com a posse de bola ou não. No caso de estarmos em posse os botões servem para remates, passes curtos ou longos, já não estando em posse poderemos alternar o jogador que controlamos ou rasteirar o adversário para tentar roubar a bola.

Visualmente até é um jogo com uma boa apresentação, mas aquelas sirenes… Deus me livre!

A nível audiovisual este é até um jogo bastante interessante com gráficos bem detalhados e coloridos. As partidas são jogadas com uma vista de cima e com o campo na vertical. Na parte direita do ecrã temos também um mapa/radar do campo com a posição de todos os jogadores em campo devidamente assinalada. Na parte centro/baixo do ecrã temos a informação do nome do jogador actualmente em posse da bola, enquanto que na parte superior do ecrã temos o tempo da partida e o resultado. Existem também alguns detalhes interessantes quando exploramos os menus, por exemplo é possível ver informações detalhadas de todos os jogadores (incluindo os seus retratos!). Já no que diz respeito ao som, bom… as músicas que tocam nos menus são bastante agradáveis, já durante as partidas… isto faz-me lembrar o mundial de 2010 na África do Sul… ocasionalmente temos alguns ruídos do público, mas a esmagadora maioria do tempo iremos ouvir sirenes. Sim, sirenes. Creio que ver jogos de futebol no Japão não deve ter sido muito divertido.

Apesar de o mapa dar jeito, também gostaria de ter uma visão mais ampliada do campo

Portanto estamos aqui perante um jogo de futebol que não é mau de todo, nota-se que a Sega teve um grande cuidado na sua apresentação e a jogabilidade até que é fluída. Apenas retirava o ruído das sirenes irritantes e talvez colocasse a câmara um pouco mais afastada do campo para termos um maior raio de visão. A Sega não se ficou por aqui e nos dois anos seguintes lançaram mais dois J. Leagues para a Mega Drive, que sinceramente ainda têm um aspecto melhor que este. Se os apanhar tão baratinho quanto este jogo, talvez os experimente!

Kurohyou: Ryu ga Gotoku Shinshou (Sony Playstation Portable)

Também conhecido como Yakuza: Black Panther, este é um spin-off da série da Sega exclusivo para a PSP e que se ficou retido no Japão. Há uns anos atrás foi lançada uma tradução feita por fãs (que ainda está algo incompleta para ser sincero) pelo que aproveitei e comprei o jogo no ebay, algures em 2021 por pouco mais de 11€. O jogo foi desenvolvido pelos nipónicos syn Sophia (outrora AKI Corporation) que por sua vez estiveram também por detrás do desenvolvimento de vários jogos de wrestling ou da própria série Def Jam.

Jogo com caixa, manual, mapa e papelada.

A história leva-nos, uma vez mais, às ruas de Kamurocho mas desta vez com um protagonista diferente: o jovem delinquente Tatsuya Ukyo que planeava assaltar alguém ligado à máfia chinesa, enquanto Tatsuya se fazia passar por um membro yakuza local. As coisas não correm bem e Tatsuya acaba mesmo por matar o seu oponente. Para piorar as coisas, o seu oponente não pertencia à máfia chinesa mas sim à yakuza, pelo que Tatsuya acaba por ser apanhado pelo chefe de uma das famílias. Este tendo provas do envolvimento de Tatsuya na morte da outra pessoa acaba por fazer chantagem: ou Tatsuya entra num torneio de lutas ilegais organizado pelo mesmo e é obrigado a vencer 10 lutas consecutivas, ou então as provas do seu crime serão entregues à polícia.

Este jogo passa-se apenas em Kamurocho, com muitos locais habituais que podem ser revisitados

No que diz respeito à jogabilidade, se virmos as coisas de forma algo superficial, então esta aventura não difere muito dos restantes Yakuza clássicos, visto que temos todo o distrito de Kamurocho para explorar (e apenas Kamurocho), temos várias lutas pelas ruas contra outros bandidos e onde poderemos utilizar muitos dos objectos que por lá estão espalhados como armas e a experiência e dinheiro amealhados vão servindo para melhorar a nossa personagem. Para além da trama principal, temos também toda uma série de sidequests e mini jogos onde poderemos gastar mais do nosso precioso tempo, tudo isto de uma forma mais simplificada ou compacta.

O sistema de combate é o que traz mais diferenças, a começar nos controlos e diferentes tipos de artes marciais que poderemos usar

Mas é mesmo no sistema de luta que temos mais mudanças perante a série principal. Embora ocasionalmente poderemos combater contra mais que uma pessoa, a maior parte dos combates são mesmo de um contra um e as mecânicas de jogo assemelham-se mais às de um jogo de luta em 3D. O quadrado e triângulo serve para socos e pontapés, o círculo para agarrar os adversários (se bem que aqui precisamos de pressionar L+O para apanhar objectos) e o X para nos desviarmos. L serve para defender e o R permite-nos mudar o foco de um oponente para o outro ou, se mantivermos o mesmo botão pressionado, permite-nos navegar mais livremente pela arena. As heat actions são agora mais reduzidas, podendo ser apenas despoletadas ao pressionar X depois de agarrar algum adversário. De resto, outras diferenças estão no facto de, enquanto combatermos, podermos direccionar os nossos golpes para alguma secção do corpo em específico, em conjunto com o d-pad ou analógico. Isto porque nós também podemos receber mais ou menos dano em certas partes do corpo e eventualmente ficarmos lesionados, pelo que para além da barra de vida teremos também de ter em conta o nível de dano sofrido. Para recuperar vida temos itens para o efeito ou basta ir comer uma refeição a qualquer restaurante, já para recuperar de lesões existem também alguns itens que nos ajudam, ou teremos mesmo de fazer uma visita a um médico. Sinceramente não fiquei fã deste sistema.

As cut-scenes seguem todas este estilo de arte. Infelizmente a narrativa não é a melhor, pelo que o facto de serem muito estáticas também não ajuda nada.

As mecânicas RPG são também um pouco mais acentuadas neste jogo, isto porque no final de cada combate recebemos dinheiro e agora dois tipos de experiência. A experiência “normal” leva-nos a subir de nível mas também ganhamos outros pontos de experiência associados ao estilo de luta que temos “equipado” no momento. Começamos pelo típico “street fighting“, depois pelo boxe e à medida que vamos evoluindo estes estilos ou também cumprindo sidequests poderemos ganhar muitos outros estilos de luta como wrestling, MMA, jiu-jitsu, entre outros, todos eles com algumas distinções entre si. Para além disso teremos também acesso a um dojo onde poderemos treinar e melhorar os nossos stats, bem como aprender alguns golpes especiais a troco de algum dinheiro. Dinheiro esse que é muito escasso neste jogo (talvez por jogarmos com um menor?), pelo que também poderemos participar nalguns empregos em part-time, que na verdade se traduzem em alguns mini-jogos. Desde secar noodles, servir gelados ou hambúrgueres, mas o melhor mesmo é o emprego que temos no bar de strip onde teremos de mandar uns sopapos nos membros do público que não se saibam comportar como pessoas civilizadas. Infelizmente mesmo assim o dinheiro continua escasso, principalmente se quisermos evoluir a nossa personagem a 100% ou completar o jogo na totalidade, o que inclui várias visitas dispendiosas a certos clubes nocturnos para engatar miúdas.

Muitos minijogos já conhecidos marcam o seu regresso, embora por vezes de uma maneira mais minimalista

A nível audiovisual, como já referi acima este jogo tem o distrito de Kamurocho fielmente representado e muitos dos locais que poderemos visitar nos outros jogos estão também aqui representados, embora de uma forma mais simplificada. Enquanto exploramos o mapa principal, os cenários são pré-renderizados, o que nos obriga a ângulos de câmara fixos. Já quando transitamos para algum combate, então aí os gráficos já transitam para arenas em 3D poligonal. O problema é que há pouca variedade de arenas e vamos acabar por combater sempre nas mesmas, mediante o local onde o combate foi despoletado. Por exemplo, se combatermos relativamente perto da Millennium Tower, a arena será sempre perto da sua entrada principal, enquanto que se combatermos algures na Pink street a arena será sempre na porta de entrada dessa rua.

O patch de tradução, apesar de ter ainda vários erros ortográficos, está bastante completo, faltando no entanto ainda algum conteúdo “opcional” ser traduzido.

De resto, e tal como os Yakuza das consolas de mesa, a narrativa está repleta de cut-scenes, mas aqui, ao invés de serem renderizadas com o motor e assets do jogo ou então em CGI, são todas apresentadas com desenhos como uma banda desenhada se tratasse. Inicialmente até achei piada a este conceito, mas acabou por me aborrecer ao fim de algum tempo. Por um lado porque não sou fã do traço do artista responsável pelas mesmas e isso é mesmo uma mera questão de gosto pessoal. Por outro lado porque digamos que a narrativa deste jogo é muito aborrecida ao contrário dos restantes jogos da série e muitas vezes estas cut-scenes arrastavam-se até mais não. Já no que diz respeito ao som, nada de especial a apontar ao voice acting que me parece bastante competente, nem aos efeitos sonoros que cumprem bem o seu papel. Já a banda sonora, bom gostava de ter algo melhor a dizer da mesma, mas na verdade esta acabou por me passar de uma forma completamente despercebida, isto porque practicamente apenas se ouvia música durante os combates (e estas até são agradáveis pois têm sempre uma toada mais rock). A exploração da cidade é toda com som ambiente e as cut-scenes apenas têm voz, pelo menos do que me lembro.

Infelizmente vamos andando sempre apertados de dinheiro, pelo que ocasionalmente teremos de participar em alguns empregos part-time que se traduzem em mais mini-jogos. Mas muito mal pagos.

Portanto este Yakuza Black Panther é um jogo que me deixa com um sentimento algo agridoce. Por um lado sinto que as novas mecânicas de jogo que aqui introduziram não foram mudanças para melhor, nomeadamente as mecânicas de lesões nos combates ou mesmo a enorme variedade de estilos de luta disponíveis. A narrativa está também muitos furos abaixo da série principal e sendo assim entendo perfeitamente o porquê da Sega nunca ter manifestado o desejo de trazer este título para o ocidente, ou mesmo de o relançar no mercado japonês. Mas também não quero ser demasiado penalizador, o jogo não é nada mau de todo. Só não é tão bom!